NATAL PRESS

A cada ano, aproximadamente 29 mil crianças nascem com cardiopatias congênitas no Brasil. Ocasionadas por defeitos anatômicos no coração, essas anomalias produzem insuficiências e outras consequências graves para os recém-nascidos. Uma maneira eficiente de detectá-las é por meio do Teste do Coraçãozinho, procedimento indolor que usa um aparelho para medir a quantidade de oxigênio no sangue dos neonatos. 

Na última sexta-feira, 27, o projeto Interiorização do Teste do Coraçãozinho, coordenado pela cardiopediatra Gisele Leite, realizou a primeira capacitação voltada para profissionais de saúde lotados fora da região metropolitana. A atividade aconteceu no Hospital Universitário Ana Bezerra (HUAB), no município de Santa Cruz, e contou com a integração do Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL) e da Maternidade Escola Januário Cicco (MEJC). A ação capacitou 37 participantes e recebeu profissionais de saúde de outros municípios da região.

A cardiopediatra Gisele Leite destacou a organização do HUAB, cujo sistema de monitoramento da triagem neonatal inclui o Teste do Coraçãozinho com bons percentuais. “98% de neonatos são triados, desconsiderados os natimortos e os encaminhados à UTI neonatal. É um modelo digno de exemplo para outras unidades”, enfatizou.

O projeto desenvolvido em Santa Cruz deixou importantes contribuições para os profissionais do Ana Bezerra. “Os profissionais da instituição perceberam e pontuaram revisões e melhorias possíveis aos protocolos de realização do Teste do Coraçãozinho, assumindo compromisso de realizar as adequações necessárias”, explicou Gisele.

Além disso, a equipe do projeto recebeu inúmeras demandas de realização da atividade em outras localidades do interior. “Pretendemos atender a todas as solicitações”, garantiu a coordenadora da iniciativa.

Quando a criança é diagnosticada com câncer sempre é um momento devastador e que ninguém está esperando, com impactos que ultrapassam as fronteiras inerentes aquele corpo. Afinal, não é um diagnóstico que diz respeito somente à pessoa, é uma doença que afeta todos aqueles que acompanham junto à criança esse processo, e de modo particular ao adulto que dela vai cuidar. E esta pessoa vai experimentar uma fase de mudanças que pode-se dizer que será um retrocesso à vida, ou seja, ao contexto anterior à doença da criança. Esse processo tem início no momento do diagnóstico de câncer da criança, onde não há como antecipar como se dará essa metodologia, seu desfecho a suas consequências, a partir daí se inicia uma experiência de vida que pode impor a redefinição da sua identidade.

A vida da criança e de todos os envolvidos é afetada diretamente, como se estivessem em um outro plano, onde, por enquanto, não será possível idealizar novos planos e nem dar continuidade aos existentes. A criança passa a receber toda a atenção da família que organiza e adapta às possibilidades e circunstâncias do momento. A condição de vulnerabilidade e dependência resulta que um adulto se assuma como responsável pelo acompanhamento de que ela necessita. Geralmente, esse papel cabe a mulher, que passa a gerenciar os cuidados do filho. O diagnóstico e a necessidade dos cuidados são conflitantes com a continuidade de seus objetivos pessoais, profissionais e familiares e o equilíbrio se torna algo difícil de alcançar.

Na Casa Durval Paiva, a maioria dos acompanhantes são as mães e o setor de terapia ocupacional realiza o acolhimento necessário a cada cuidador. Nesse contexto, temos a oportunidade de vivenciar junto com elas toda essa mudança na vida, assim como, ouvir suas histórias, de como eram suas rotinas antes do diagnóstico do filho. A maioria relata que mantinha uma rotina familiar tranquila com os filhos e o marido, dividindo o tempo entre o trabalho e o lazer nos finais de semana com amigos, buscando oferecer a eles o seu melhor, mas que após o câncer do filho, passou a viver uma nova condição de vida em função dos filhos. Os sentimentos vão de acordo com estão sentindo, se os filhos estão bem, elas se dão o direito de se sentirem bem e quando estão tristes, sente-se tristes também.

A imprevisibilidade passa a ser uma condição do novo cotidiano e a única certeza é a do momento presente. A doença pode surpreender a qualquer momento com uma recaída, com uma complicação ou com a notícia da impossibilidade de cura, assim, a preocupação com a criança é diária e sem direito a pausas ou descanso. O discurso das mães é que assumir a responsabilidade de cuidar do filho doente tem a ver com a ligação afetiva e emotiva que existe entre eles, elas não admitem que outra pessoa vivencie esse papel, afinal, desejam estar presentes em cada circunstância do processo de tratamento.

Mas, o cuidador passa a experimentar e andar por territórios que nunca imaginou conhecer, vive situações de pressão e de exigências que podem levar a pessoa a confrontar-se com suas vulnerabilidades e limitações. A confiança passa a ser primordial, construída através das experiências, do conhecimento da doença do filho, do sentido que se dá à vida nesse momento de tratamento, das habilidades que se adquire no cuidado à criança e do envolvimento com a equipe de saúde, que torna essa fase mais tranquila.

A mãe que está totalmente disponível ao cuidado do filho se torna menos acessível para a relação com o restante dos membros da família, como o companheiro e os outros filhos. E esse afastamento, embora necessário, ocasiona o sentimento de culpa e ainda pode levar a um isolamento, por se encontrar em uma condição diferente. Os contextos de alegria deixam de fazer sentido, pelo fato de não estarem em sintonia com seus sentimentos já que, neste momento, sua vida se resume ao cuidado e a nova rotina vivida no hospital, onde o medo e a esperança caminham lado a lado.

Essa mulher passa a ter consciência que não será possível voltar ao passado, nem ser a pessoa que era. O presente a única certeza que tem, desta forma, procura vive-lo na sua totalidade, dia a dia com seu filho, com a família, como a situação mais desejada, com o objetivo final de ver o filho curado, a esperança de uma vida ressignificada e de um final feliz em família.

 

*Terapeuta Ocupacional da Casa Durval Paiva

Crefito:14295-TO

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Equipe médica: Dr. Wallace, Dr. Marcos, Dr. Thiago e Dr. Yale

O Rio Grande do Norte é o primeiro estado do Nordeste a realizar um procedimento cirúrgico com a técnica estereoeletroencefalografia (Stereo-EEG). De acordo com o neurocirurgião Dr. Thiago Rocha, esta técnica é uma luz para os pacientes com epilepsia refratária ou fármaco-resistentes, termo usado para os pacientes que não respondem ao tratamento medicamentoso.

“O grande desafio na cirurgia de epilepsia é a localização da região cerebral que está gerando as crises. Esta técnica permite diagnosticar de maneira precisa a localização do foco epiléptico e consiste em implantar eletrodos em regiões cerebrais acometidas pela doença. Uma vez implantados os eletrodos cerebrais, o paciente é monitorizado através de um aparelho de vídeo-EEG e avaliado de maneira contínua por um Neurofisiologista”, explica. “Com a ajuda dessa técnica, localizamos o foco epiléptico e programamos posteriormente a retirada dessa região cerebral que está doente, melhorando o prognóstico e dando mais resolutividade para o controle da doença”, relata o neurocirurgião precursor da técnica no Estado. 

Descrita pela primeira vez na década de 50 por Bancaud e Talairach, na França, a estereoeletroencefalografia é uma técnica recente no Brasil. Na última sexta-feira (13), uma paciente de 58 anos se submeteu ao procedimento cirúrgico, na Casa de Saúde São Lucas, e se recupera satisfatoriamente segundo a equipe médica, formada pelo Dr. Thiago Rocha (Neurocirurgião), Dr. Wallace Andrino (anestesista da equipe) e o Dr. Pedro Aquino, (Neurofisiologista).

Os desafios vividos pelas mulheres convivendo com HIV/AIDS foi tema de debate na manhã desta quinta-feira (12), na Câmara Municipal de Natal. A temática foi proposta pela vereadora Divaneide Basílio (PT), na reunião da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos das Mulheres, que é presidida pela vereadora Júlia Arruda (PDT). Dentre os encaminhamentos identificados pela Frente foram destacadas questões relacionadas a se traçar um perfil das mulheres que convivem com HIV/AIDS, saber onde elas estão, em que comunidades se encontram, quais secretarias estratégicas trabalham diante da causa, entre outros. 

A presidente da Frente Parlamentar, vereadora Júlia Arruda, destacou que um tema ainda tão cheio de tabus e preconceito precisa ser desmistificado. Para a vereadora, quando as políticas públicas chegarem nos grupos em questão, aí sim as mulheres se sentirão acolhidas.  “Um dos pontos que chama atenção é a ausência de dados, de um senso que identifique o perfil dessas mulheres e nós questionamos esses números. Com eles, a Câmara poderia monitorar mais de perto e saber, por exemplo, se o acesso ao tratamento está sendo democratizado, se existem campanhas de articulações entre os entes envolvidos, entre outras medidas que devem ser adotadas,  para que assim as nossas mulheres se sintam protegidas e acolhidas”, relatou. 

A vereadora Divaneide Basílio avaliou que a necessidade em debater a questão surgiu, ainda, após ser percebido um aumento significativo no número de mulheres vivendo em condições de HIV/AIDS, o que preocupou as participantes da Frente Parlamentar. “Hoje ouvimos relatos de mulheres soropositivo,  representantes de movimentos sociais,  além da gestão pública. O que nós objetivamos, também, é monitorar as ações do plano municipal de políticas para as mulheres, e saber se ele realmente está dando conta diante dos dados obtidos. Agora, nós vamos fazer esse acompanhamento e voltaremos a debater as  ações que foram propostas”, disse.

Representando o movimento Nacional de Cidadãs Posithivas, Jane Damascena, relatou sobre como é conviver com o vírus HIV. Demostrando as barreiras e dificuldades do grupo, Jane explicou que a luta das mulheres também gira em torno do resgate de direitos, para assim se levar uma vida saudável e com melhorias na qualidade de vida. “Mesmo com os avanços da medicina o dia a dia da mulher com HIV ainda é cheio de barreiras. A assistência não é plena, o SUS é desumano, escasso de exames, medicamento e consultas”, pontuou.  

Por outro lado, a representante do Núcleo de Saúde das Mulheres do município de Natal, Ana Cláudia Mendes, aponta que o grupo está se articulando em diversas frentes, como por exemplo, o combate à sífilis, o acompanhamento de gestantes e do seu pré-natal. “Além disso, a dificuldade de acesso às políticas públicas é sim o reflexo da violência de gênero e institucional imposta pela sociedade contemporânea, marcada fortemente pelo machismo”, concluiu. 

Durante a reunião, a Câmara  Municipal também homenageou a ativista Amélia Freire pela comemoração dos seus 60 anos. Amélia foi fundadora do movimento feminista de Natal, além disso, também foi a primeira mulher advinda  de movimentos populares a assumir cargos públicos, como por exemplo, quando esteve à frente da Secretaria Municipal das Mulheres. Natural de Recife, Adélia Freire recebeu título de cidadã natalense em 2003 na CMN.

Também estiveram presentes as vereadoras Nina Souza ( PDT) e Eleika Bezerra  (PSL); além de Isabella Lauar, do coletivo Nisia Floresta; Juliana Campos Sales, responsável técnica do Porgrama IST/AIDS e Hepatites Virais da Secretaria Estadual de Saúde (Sesap); e Teresa Freire, coordenadora de Ações estratégicas e regionais também da Sesap.


Outubro Rosa

Durante a reunião também foi apresentada a Campanha Outubro Rosa, movimento de conscientização para a sociedade sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama. Na ocasião, a associada fundadora do grupo Reviver, Idaisa Cavalcanti anunciou que entre os dias 21, 22 e 23 de outubro a unidade móvel do projeto estará nas dependências da Câmara Municipal para atender as mulheres servidoras da Casa que não possuem plano de saúde.

Além disso, Idaisa também discursou sobre a luta do grupo pelo fim da demanda reprimida, lembrando que o diagnóstico precoce traz 95% de chance de cura do câncer de mama. “O conhecimento do corpo é fundamental. Fazer a mamografia todo ano sim, mas nós precisamos trabalhar cada vez mais e mais na conscientização do autoexame mensal que traz um avanço significativo na busca por esse diagnóstico  precoce”, explicou.


Texto: Salvina Miranda

O projeto Saúde na Praia, promove mais uma vez ações na Praia de Ponta Negra, nesta quinta-feira (6) e sexta-feira (7). O projeto já realiza ações há cinco anos e é considerado um sucesso pela Organização Pan-americana de Saúde (OPAS). O Saúde na Praia foi idealizado pela equipe da Estratégia Saúde da Família de Ponta Negra e atua especialmente em comemorações e eventos alusivos, além de edições pontuais. Desta vez o Saúde na Praia conta com a nova parceria do Ministério Público do Trabalho, além das parcerias já firmadas com os alunos da SACI da UFRN, da procuradora do Ministério do Trabalho Ileana Neiva, da Associação Nacional dos Engenheiros do Trabalho (ANEST), CREA/RN, do Cerest, Sindicato dos Bancários, UNP, Distrito Sanitário Sul, entre outros.  

Como tem acontecido em outras edições, desde às 8h da manhã na orla de Ponta Negra, estão sendo desenvolvidas ações relacionadas ao calendário do Ministério da Saúde, que traz nesse mês de setembro a campanha “Setembro Verde” referente à de doação de órgãos. Para abordar o assunto, o Saúde na Praia conta com a equipe da Central de Transplantes da Secretaria Estadual de Saúde.  

Outros serviços disponibilizados na edição de primavera do Saúde na Praia são rastreamento de obesidade e prevenção de doenças crônicas, testes rápidos de HIV, sífilis, Hepatite B e C, verificação de Pressão arterial e glicemia capilar, vacinas do Calendário de Vacinação do Adulto, distribuição de material educativo sobre prevenção de câncer de pele, doação de órgãos e prevenção de IST's, distribuição de preservativos masculinos e femininos além de ação educativa de relaxamento.   

Para a enfermeira da Unidade de Ponta Negra, Meine Siomara Alcântara: “Projetos como esses são de suma importância, pois neles fazemos a prevenção e promoção à saúde dos trabalhadores e da população que quer ser atendida. Na ocasião, quando é detectado algum problema sempre encaminhamos para atendimento específico. A expectativa é continuarmos com este projeto lindo”. 

elpídio júnior

 

Os vereadores da Comissão de Saúde da Câmara se reuniram na tarde desta segunda-feira (02) e debateram em uma audiência pública, na presença do secretário municipal de Saúde, Dr. George Antunes, e representantes do Conselho Municipal de Saúde e outras entidades, a construção de um novo hospital na capital, com o objetivo de atender e suprir a demanda dos leitos de regulação de pacientes oriundos do sistema de urgência de Natal.

De acordo com o presidente da Comissão, vereador Fernando Lucena (PT), é preciso se pensar uma nova estrutura para evitar que novas mortes ocorram no sistema de saúde.

“Você tem as UPAS lotadas, mortalidade alta, porque as UPAS são unidades de pronto-atendimento, a pessoa sofre um infarto, fica internada 30 e até 60 dias, que era para ficar até 48 horas, porque não existe um hospital de retaguarda para receber esse paciente. A pessoa fica na UPA e acaba inclusive tomando o lugar de outro paciente. É preciso ter um hospital de retaguarda com no mínimo 400 leitos para suprir a demanda do estado. É necessária uma mobilização geral para construção desse hospital para evitar um colapso, colapso que pode acontecer a qualquer hora”, afirmou Fernando Lucena.

O secretário municipal de Saúde, George Antunes, esteve na reunião e destacou a necessidade da construção de um novo hospital. Ele relembrou projetos antigos que já previam a implantação de uma nova estrutura. “Eu fui secretário de estado por duas vezes e duas vezes tentei construir esse hospital. Pela primeira vez em 2009 e agora recentemente, mas não avançou. É preciso que o governo coloque em andamento e entenda a necessidade, pois é um projeto urgente e necessário”, acrescentou George Antunes.

Para o vereador Franklin Capistrano (PSB), é preciso urgência na execução desse projeto. “É preciso construir um novo hospital para desafogar o SUS, as UPAs, principalmente, que estão sem condições de trabalhar por conta da quantidade de pacientes. UPA não é hospital. Urgentemente é preciso construir esse hospital, já existe o local e a Comissão de Saúde da Câmara irá visitar esse local e vamos entrar em entendimento com a Assembleia Legislativa, senadores, deputados e ministério da saúde para que esse hospital venha rapidamente. Não podemos ficar com a saúde estrangulada por conta da falta de leitos de retaguarda”, ressaltou Franklin.

 

Vereadores discutem Projeto de Lei

Os parlamentares aproveitaram a visita do secretário municipal de Saúde para debater a apreciação do Projeto de Lei N° 36/2019, de autoria do vereador Luiz Almir (sem partido), que trata da garantia de atendimento à população em qualquer unidade de saúde, independente de ser na área de domicílio ou não. Segundo o secretário George Antunes, o município pode ser prejudicado caso o Projeto seja aprovado.

“Recebemos com muita preocupação, pois é um projeto que fere totalmente a lógica do sistema SUS, inclusive com a perda de recursos financeiros da área da saúde pelo município. A lógica que o Ministério da Saúde impõe é a da regionalização, principalmente quando a gente monta as estratégias de saúde da família (USF) para uma determinada população abrangente e também porque temos unidades de saúde estruturadas para atender uma demanda x de habitantes. No momento em que você propõe uma demanda espontânea, essa capacidade de receber esses pacientes fica comprometida. É um risco de não termos qualidade e os profissionais não suportarem a demanda”, enfatizou George Antunes.

O vereador Preto Aquino (PATRIOTA) relatou a necessidade do diálogo quanto ao Projeto de Lei. “É importante que esse projeto venha ser aprovado para o usuário que está fora de área. Mas a gente tem que votar com responsabilidade até porque tem um repasse que o município não poderá mais receber. Agora estamos no bom sentido, numa banca de negociações para encontrar uma forma como o horário estendido de atendimento até 19 horas em cerca de 12 unidades de saúde atendendo a população”, destacou Preto Aquino.

 

Relatório Anual de Gestão

A Comissão de Saúde também apreciou o relatório anual de gestão referente ao ano 2017. A presidente do Conselho Municipal de Saúde, Maria Dalva, destacou a necessidade de se avaliar o relatório. “O relatório já passou pelo conselho municipal e foi aprovado com ressalvas, porque ele tanto tinha coisas importantes mostrando o que melhorou no município, como também os problemas ainda existentes. O relatório serve para avaliar e dar base para o planejamento do exercício seguinte”, explicou Maria Dalva.

 

Texto: Kehrle Junior

O Centro de Referência Odontológica (CRO) Dr. Morton Mariz funciona 24h por dia e é referência em atendimentos e procedimentos odontológicos de urgência e emergência da rede municipal de saúde. Situado no bairro da Ribeira, na Praça José da Penha nº 05, ele oferece tratamento em cinco especialidades bucais e acolhimento ambulatorial. 

Em agosto, a equipe do Morton Mariz deu mais um passo na história da Odontologia do Rio Grande do Norte. Pela primeira vez no estado foi realizado um tratamento endodôntico (canal) no âmbito hospitalar, em pessoa com deficiência. O procedimento aconteceu na tarde do dia 28/08, pelas dentistas Áquila Dantas, Raquel Cavalcante e a auxiliar de saúde bucal, Rosemery Araújo.  

O atendimento pioneiro foi realizado em uma parceria entre a Prefeitura do Natal, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, e o Governo do Estado, através do Grupo Auxiliar de Saúde Bucal da Secretaria Estadual de Saúde Pública do RN. O serviço de atendimento odontológico sob anestesia geral aos pacientes com deficiência do CRO Dr Morton Mariz de Faria, está acontecendo no Hospital Maria Alice Fernandes. Atendendo a demanda reprimida, o público alvo são pacientes com até 15 anos de idade.  O atendimento odontológico inclui restaurações, raspagens periodontais, exodontias (extrações) e o uso de laser no pós-operatório, que possibilita melhor cicatrização e analgesia.  

Para a diretora do Morton Mariz, Sandra Raissa “É muito bom ver o Morton Mariz fazendo história. É um serviço de primeiro mundo com profissionais altamente qualificados. Seguimos no firme e possível propósito de realizar um serviço público de qualidade, valorizando o indivíduo e, cada vez mais, o atendimento realizado no SUS, objetivando a melhoria na qualidade de vida desses pacientes e de seus familiares”.

 

Marcado em todo o Brasil como o período de conscientização do câncer infantojuvenil, o Setembro Dourado inicia neste 1º de setembro e segue durante o mês, mais uma edição com ações de alerta e combate a essa doença que atinge, anualmente, milhares de crianças e adolescentes no mundo todo. A campanha, de iniciativa da Confederação Nacional das Instituições de Apoio e Assistência à Criança e ao Adolescente com Câncer – CONIACC além de alertar para os sinais e sintomas da doença, visa diminuir a taxa de mortalidade ressaltando a relevância do diagnóstico precoce e o tratamento prévio como fatores essenciais para a cura.

É neste mês que as 50 instituições (espalhadas em 21 estados brasileiros), coordenadas pela CONIACC desenvolvem ações, simultaneamente, na luta contra o câncer infantojuvenil junto com a sociedade no geral. De acordo com o presidente da CONIACC, Rilder Campos, o Setembro Dourado deve ser entendido e acolhido por toda a população. “É importante compreender que o câncer infantojuvenil é um problema de todos e não somente de quem é acometido com tal diagnóstico. Além de envolver essas instituições, o nosso foco é chegar a cada casa, cada pessoa, cada família, para que essas possam somar forças na luta contra a doença, tendo atenção aos sinais e sintomas, para assim diminuirmos os índices de mortalidade e aumentarmos os números da cura, pois esse é o nosso maior foco!”, enfatiza Rilder Campos.

Dados, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), indicam que haverá em torno de 12 mil novos casos de câncer infantojuvenil. Para tanto, ainda segundo informações do INCA, nas últimas quatro décadas, o progresso no tratamento do câncer na infância e na adolescência foi extremamente significativo. Atualmente, em torno de 80% das crianças e adolescentes acometidos da doença podem ser curados, se diagnosticados precocemente e tratados em centros especializados. A maioria deles terá boa qualidade de vida depois do tratamento.

Apesar de alguns avanços positivos nos dados, tanto de acordo com a Sociedade brasileira de Oncologia Pediátrica – SOBOPE quanto do INCA, a taxa de cura ainda deixa a desejar mediante a descoberta tardia, o câncer já representa a primeira causa de morte (8% do total) por doença entre crianças e adolescentes de 1 a 19 anos, perdendo apenas para fatores externos como acidentes e violência.

Câncer Infantojuvenil

Está relacionado a um grupo de várias doenças que têm em comum a proliferação descontrolada de células anormais e que pode ocorrer em qualquer local do organismo. Se distinguindo do adulto, o câncer infantojuvenil geralmente afeta células do sistema sanguíneo e os tecidos de sustentação. Os tumores na criança e no adolescente são constituídos de células indiferenciadas, o que, comumente, facilita e proporciona uma resposta mais ágil aos tratamentos.

Os tumores mais frequentes na infância e na adolescência são as leucemias (que afetam os glóbulos brancos), os que atingem o sistema nervoso central e os linfomas (sistema linfático). Também acometem esse público o neuroblastoma (tumor de células do sistema nervoso periférico, frequentemente de localização abdominal), tumor de Wilms (tipo de tumor renal), retinoblastoma (afeta a retina, fundo do olho), tumor germinativo (das células que originam os ovários e os testículos), osteossarcoma (tumor ósseo) e sarcomas (tumores de partes moles).

Fique de olho nos sinais e sintomas: palidez progressiva; sangramentos ou manchas roxas sem relação com traumas; febre prolongada sem causa definida; vômitos e dores de cabeça persistentes, principalmente pela manhã; alteração da marcha ou da visão ou diminuição da força em pernas ou braços; caroços em qualquer lugar do corpo; ínguas; dores no corpo que não passam e atrapalham as atividades das crianças e brilho branco nos olhos quando a criança sai em fotografia com flash.

Ação Infância e Vida

A CONIACC e o Banco do Brasil promovem também no mesmo período, a 5ª edição da campanha Ação Infância e Vida que mobiliza sociedade no geral, correntistas, funcionários, aposentados, voluntários e empresas parceiras do BB para apoiar as instituições que lutam pela visibilidade e pela cura do câncer infanto-juvenil em todo o País. Trata-se de uma ação única, no Brasil, com foco neste público, iniciada em 2015, que já arrecadou cerca de R$ 2,4 milhões de reais nesses anos.

Na última edição, em 2018, a campanha arrecadou mais de R$ 617 mil reais, distribuídos entre a Coniacc e as filiadas em todo o país, para projetos voltados à melhoria da qualidade de vida das crianças e adolescentes assistidos pelas Casas de Apoio. A Ação Infância e Vida 2019 se estende até o dia 30 de setembro, mas as doações podem ser feitas mesmo após o período.

“A Ação Infância e Vida representa muito pra todos nós, pois é a única que atua com foco exclusivo no câncer infantojuvenil no Brasil. Mantemos um conceito que vem funcionando, desde 2015, que é, além de divulgar dados sobre a doença, também arrecadar doações para fortalecer o sistema de apoio a esse público, o que torna totalmente necessária a participação da sociedade no geral para que a causa seja fortalecida cada vez mais”, explica Rilder Campos, presidente da CONIACC.

Para transferir qualquer valor, utilize a conta da Coniacc no BB:

Banco: 001

Agência: 2870-3

C/C: 33000-0

CNPJ: 10.807.169/0001-01

O Ambulatório de Prevenção e Tratamento do Tabagismo, Alcoolismo e outras Drogadições (APTAD) da Secretaria Municipal de Saúde promoveu ao longo do mês de agosto o curso “Deixando de Fumar sem Mistérios”.  Segundo a coordenadora do APTAD, Rhilma Nunes, o curso teve o objetivo de cessar o hábito de fumar, libertando os usuários do vício do cigarro. 

O curso abordou sobre os benefícios obtidos após parar de fumar, prevenindo recaídas e o malefício do fumo. Ao final do curso houve apresentação teatral sobre o tema. Ao parar de fumar, o risco de doenças diminui gradativamente e o organismo do ex-fumante se restabelece. Após 20 minutos do último cigarro, a pressão sanguínea diminui, as batidas cardíacas voltam ao normal e a pulsação cai. Após 8 horas sem cigarro, o nível de oxigênio no sangue pode chegar aos níveis de uma pessoa não-fumante.

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A vida depois da notícia de um diagnóstico de câncer muda completamente, e é impactada em vários aspectos: psicológicos, sociais, econômicos, dentre outros. É um verdadeiro vendaval, que chega e tira tudo do lugar, mexendo diretamente com todas as estruturas, afetando pacientes e familiares, mas que precisa ser enfrentado. Tais desafios na vida dos adolescentes assumem proporções maiores, afinal, trata-se de uma fase da vida permeada de descobertas, transformações e inseguranças.

A partir do diagnóstico de câncer, é iniciado o tratamento oncológico, longo e doloroso. São inúmeras consultas, exames, procedimentos médicos, internações, onde o hospital passa a ser a segunda casa dos pacientes. Em determinado momento, o “isolamento” é necessário, pois as defesas baixam e, muitas vezes, o contato com outras pessoas deve ser evitado, o que pode acarretar um sentimento de reclusão forçada. Não é fácil ter que lidar com as dificuldades advindas com o câncer, além de ter que deixar de vivenciar as festas, os encontros, os momentos de diversão.

Nesse período de tratamento, o adolescente precisa enfrentar as mudanças do corpo - como a magreza ou o inchaço advindo do uso de corticoides; os enjoos; a queda de cabelo; a baixa autoestima e a saudade dos familiares, amigos e colegas da escola. Enfim, ele passa a vivenciar uma rotina completamente diferente da que vivia antes. Muitos precisam deixar seus lugares de origem em busca de um melhor tratamento, até mesmo em outros estados, e a distância de casa só aumenta esse sentimento de isolamento e reclusão.

É nesse contexto que os pacientes necessitam de um acompanhamento especializado por parte de uma equipe multidisciplinar, que o compreenda em sua totalidade e ofereça a ele um suporte, além da importância do apoio da família e dos amigos, pois sozinhos não terão condições de enfrentar o câncer. É necessário entendermos que os momentos de silêncio, raiva, revolta, rebeldia, trata-se de variadas formas de reagir a um tratamento tão difícil.

Na Casa Durval Paiva, atendemos a adolescentes inseridos nesse contexto e no nosso cotidiano profissional acompanhamos as mais variadas histórias de enfrentamento, dificuldades e superação. Atuamos diariamente no intuito de oferecermos um tratamento e acolhimento de qualidade, a fim de proporcionarmos melhores condições para que esses adolescentes alcancem a cura e enfrentem tais situações da melhor maneira possível.

 

*Keillha Israely

Assistente social – Casa Durval Paiva

CRESS/RN 3592



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