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Minervino Wanderley
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'E nós, que ficamos no Meios do caminho?'. Artigo de Minervino Wanderley

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Entra governo, sai governo. Entra desgoverno, sai desgoverno. A rotina já completa 36 anos, desde que Wilma de Faria criou o Movimento de Integração e Orientação Social – Meios. A propósito, nunca entendi o significado deste “e” na sigla. Seria “Estadual”?. Pode ser.

A verdade é que o Meios começou como uma verdadeira Ong. Atendia crianças carentes aqui, idosos desencantados com a vida acolá, com poucos funcionários e sem essa dependência intestina das verbas do Governo do Estado. Coisa voltada para social.

Depois, na medida em que os governadores iam mudando, mudava também a presidente (com o perdão de d. Dilma) da Ong. Era uma questão já definida. Acredito que, a partir de então, os olhos gulosos dos políticos viram que poderiam fazer do Meios um imenso curral eleitoral. E tome gente a “trabalhar em prol dos carentes e daqueles que vivem à margem da sociedade”. Pura conversa. Papo furado!

Quando lá fui trabalhar, há cinco anos, acreditava que estava inserido em uma entidade que tinha como finalidade trazer conforto para os mais necessitados. Ledo engano. Ao longo da sua existência, o Meios contabiliza, hoje, 1.843 entre pessoas e fantasmas que recebiam salários através da “ong”.

Quando Wilma passou o governo para Iberê, e este nunca procurou ninguém do Meios, eu entendi. Percebi claramente que não havia interesse por parte de Iberê em se envolver com o órgão. Estranho. Muito estranho. Será que ele já sabia do desmantelo? Mesmo assim, ele continuou a pagar os salários até agosto, quando começou o desastre. Redução das gratificações, falta de pagamento de salários, das obrigações sociais e por aí vai.

Por fim, quando chegou o primeiro dia de 2011, o Movimento de Integração e Orientação Social não possuía mais diretoria. Nem uma pessoa sequer para nos dizer uma palavra sobre o que o futuro nos reservava. Atitude vil e covarde. Por que os líderes desapareceram? Se não tinham nada a temer, deveriam estar juntos aos demais mortais.

Passado o mês de janeiro, o outrora fervilhante de gente Meios, não passava de uma repartição fantasma, protegida por alguns abnegados que, mesmo sem salários, tocaram a nau já desgovernada.

Num gesto de necessidade mútua, os funcionários procuraram o Sindicato, Ministério Público, Promotoria, políticos, o que viesse pela frente. Todos correndo atrás do pão para alimentar a família.

Tenho certeza de que aqueles que estiveram à frente do Meios não passaram nem passam por isso. Alguns abandonaram o navio antes do iminente naufrágio.

Mas a Justiça agiu. E rápido. Como primeira ação, nomeou um administrador provisório, Marcos Lael. O segundo passo foi conseguir o pagamento dos salários de novembro e dezembro, além do 13º para alguns que não haviam recebido. Rosalba pagou. Ela agiu certo.

O terceiro capítulo é o mais dramático: dar aviso prévio a 1.843 pessoas sem caixa para pagar os direitos trabalhistas quando chegar o momento da rescisão.

Agora, a Justiça faz uso do argumento mais lógico para que os trabalhadores recebam o que lhes é devido: a dívida não é de Iberê, nem de Wilma, nem de Garibaldi, nem de José Agripino, nem de Fernando Freire, nem de Geraldo Melo, nem de Radir Pereira, nem de Rosalba, nem de Robinson. A dívida é do GOVERNO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE.

Não há consistência em dizer: “Não tenho nada com isso”. Ora, se retirávamos os contracheques através da página http://www.rn.gov.br/, não precisa se dizer mais nada. A vinculação é cristalina.

Deve, sim, e a Justiça e o Homem vão cobrar – e receber – tenho certeza.


*Jornalista e ex-coordenador de Comunicação do falecido Meios.

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'O massacre dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu'. Por Minervino Wanderley

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A população católica do RN recorda no feriado religioso do dia três de outubro, o massacre dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu, quando no ano de 1645, cerca de 70 colonos foram cruelmente assassinados pelos índios janduís e potiguares a mando dos holandeses. O motivo: não aceitarem a imposição da sua religião - protestante calvinista. "Os mártires foram escolhidos como padroeiros do Rio Grande do Norte devido à importância do fato. Eles foram os primeiros mártires do Brasil, por isso o nome protomártires", explica padre Antônio Murilo de Paiva, Capelão dos Mártires.

Mas, para relatar essa página trágica da História, é necessário trazer à tona um personagem que tomou posição de destaque neste contexto: o alemão Jacob Rabbi, comandante da tropa de índios e holandeses. Inicialmente, era apontado como intérprete entre os holandeses e os tapuias, uma vez que ao chegar ao Brasil permaneceu durante quatro anos vivendo entre aqueles indígenas e assimilou os costumes nativos, num verdadeiro processo “indianização”. Rabbi vivia com uma nativa janduí de nome Domingas, num sítio de sua propriedade, chamado "Ceará". Ele é considerado pelos historiadores como uma das figuras mais sinistras, abomináveis e hediondas do domínio holandês no Nordeste do Brasil.

Jacob Rabbi e um grupo de índios janduís e potiguares, além de soldados holandeses, chegaram ao engenho Cunhaú, atual município de Canguaretama, em 15 de julho de 1645. Ele se apresentou como emissário do Supremo Conselho Holandês de Recife e convocou a população para uma reunião, após a missa do dia seguinte, dia 16, um domingo, na capela de Nossa Senhora das Candeias. 

Os historiadores estimam que 70 fiéis estivessem presentes no lugar, cumprindo apenas o preceito religioso, não portando armas. Durante a celebração, após a elevação da hóstia, os soldados holandeses trancaram todas as portas da igreja. A um sinal de Rabbi, os índios invadiram o local e chacinaram os colonos.
Relatos posteriores, alguns deles de emissários do governo holandês que investigaram o episódio, descrevem cenas de violência, atrocidades e requintes de crueldade contra os fiéis. Desarmados, os colonos não tinham como resistir e se resignaram à morte. Atendendo à exortação do padre André de Soveral, que celebrava a missa, muito foram executados em meio às orações. O próprio padre foi morto a punhaladas.

Três meses depois da tragédia de Cunhaú, no dia 03 de outubro, aconteceu o martírio de mais 80 pessoas, na Comunidade de Uruaçu, em São Gonçalo do Amarante, também sob o comando de Rabbi, ajudado pelo chefe da tribo Potiguar Antônio Paraopeba, “educado” pelos holandeses.
Depois do massacre em Cunhaú alguns moradores influentes, liderados pelo padre Ambrósio Ferro, que exercia as funções de vigário de Natal, pediram abrigo no Castelo Keulen, nome dado a Fortaleza dos Três Reis Magos, em Natal. Os que não foram, construíram uma paliçada para proteger a localidade conhecida como Potengi.

Pesquisas em documentos holandeses e portugueses mostram que o cerco à paliçada do Potengi durou 16 dias. Não há comprovação dessa ordem, mas o fato é que no dia seguinte, 03 de outubro de 1645, foram levados para Uruaçu: Antônio Vilela, Cid, seu filho, Antônio Vilela Júnior, João Lostau Navarro, Francisco de Bastos, José do Porto, Diogo Pereira, Estevão Machado de Miranda, Francisco Mendes Pereira, Vicente de Souza Pereira, João da Silveira, Simão Correia e o próprio padre Ambrósio Francisco Ferro, e foram todos executados. À morte deles, segue-se a chacina dos que estavam refugiados em Potengi, depois de terem sido retirados da paliçada e levados para o mesmo porto. Aponta-se que o lugar do morticínio ficava a aproximadamente 1 km de distância do povoado e era denominado “Tinguijada”, área onde hoje abriga o Monumento dos Mártires de Uruaçu.

Em reconhecimento ao feito dos Mártires de Uruaçu, em 16 de junho de 1989 o processo de beatificação foi concedido pela Santa Sé. Em 21 de dezembro de 1998 o papa João II assinou o decreto reconhecendo o martírio de 30 brasileiros, sendo dois sacerdotes e 28 leigos.A celebração de beatificação aconteceu na Praça de São Pedro, no Vaticano, no dia 5 de março de 2000. A cerimônia religiosa foi presidida pelo papa João Paulo II.
São, hoje, destinos de romarias e peregrinações, a Capela dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu, em São Gonçalo do Amarante; o Santuário dos Mártires, no bairro Nossa Senhora de Nazaré, em Natal; e a capela de Nossa Senhora das Candeias, no antigo engenho de Cunhaú.

Homilia de João Paulo II na missa de Beatificação em 05 de março de 2000:
“São estes os sentimentos que invadem nossos corações, ao evocar a significativa lembrança da celebração dos quinhentos anos da evangelização no Brasil, que acontece este ano. Naquele imenso País, não foram poucas as dificuldades de implantação do Evangelho. A presença da igreja foi se afirmando lentamente mediante a ação missionária de várias ordens e congregações religiosas e de sacerdotes do clero diocesano. Os mártires, que hoje são beatificados, saíram, no fim do século XVII, das comunidades de Cunhaú e Uruaçu, do Rio Grande do Norte. André de Soveral, Ambrósio Francisco Ferro – presbíteros e 28 companheiros leigos pertencem a esta geração de mártires que regou o solo pátrio, tornando-o fértil para a geração de novos cristãos. Eles são as primícias do trabalho missionário, os protomártires do Brasil. Um deles, Mateus Moreira, estando ainda vivo, foi-lhe arrancado o coração das costas, mas ele ainda teve forças para proclamar a sua fé na Eucaristia, dizendo: Louvado seja o Santíssimo Sacramento”.

Fontes de consulta:
http://www.cnagitos.com/index.php/noticias/item/1384-entenda-os-massacres-de-cunha%C3%BA-e-urua%C3%A7u-data-que-%C3%A9-feriado-no-rio-grande-do-norte
http://g1.globo.com/rn/rio-grande-do-norte/noticia/2013/10/conheca-historia-dos-martires-de-cunhau-e-uruacu-no-rn.html
http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A1rtires_de_Cunha%C3%BA_e_Urua%C3%A7u
*Jornalista

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'Pena de morte: sim ou não?'. Artigo de Minervino Wanderley

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É um assunto que merece toda a atenção da sociedade brasileira, pois, acreditem, até aqui entre nós ela é prevista. Somente em casos de guerra declarada, mas é.  “Determina o artigo 5o, inciso XLVII, da Constituição Federal, que não haverá penas: a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do artigo 84, XIX; b”. 

Como é de amplo conhecimento, em muitos países ela existe e é aplicada. As formas são as mais diversas, como a decapitação na Arábia Saudita; enforcamento no Japão; apedrejamento no Irã; fuzilamento na Indonésia; injeção letal ou cadeira elétrica, em alguns estados dos EUA, e por aí vai.

Trazendo para o Brasil, penso que as nossas leis são tantas e tão descumpridas, que nem sei como terminaria tal aplicação. Parece que estou vendo: num fuzilamento, o pelotão encarregado da execução entraria em greve em razão de gratificações que não foram pagas. Na decapitação, como o instrumento estava cego e terminou trazendo problemas no pescoço do acusado, o Estado seria processado. No enforcamento, o algoz, na hora “H”, se dirá incapaz de executar o cidadão, já que ele é primo em segundo grau da sobrinha da vizinha de sua irmã. Cadeira elétrica? Com essa crise de energia? Injeção letal seria impossível, pois, como é injeção, ficaria a cargo do SUS e o cara nunca será executado.

Quando estou numa roda de conversa, aproveito para perguntar aos demais se são a favor ou contra. Uns dizem, peremptoriamente, “Não!”. Outros, “SIM!”. Mas a maioria diz que “depende do caso.” Eu entendo. Esses que dizem o ‘sim’ e aqueles que, de certa forma ficam “em cima do muro”, foram vítimas ou conhecem alguém que já passou pelas mãos de assassinos ou sequestradores. Aí, meus amigos, não tem direitos humanos, alegação de menoridade, nada. A sentença é proferida. Por muitas vezes cumprida, contam.

Mas o nosso Brasil é singular em certas coisas. Em idiotices, então... Por exemplo: como é que a presidente se mobiliza tentando que a Indonésia, um país soberano, altere suas leis somente porque o traficante é brasileiro? Ela sabe tanto quanto eu e a torcida da Mocidade que o grande vetor da violência no Brasil é o tráfico de drogas. Portanto, deveria ter, por uma vez sequer, assumido o posto que lhe foi confiado – não interessa como - e ter soltado uma nota mais ou menos assim: “O governo brasileiro nada pode fazer diante de uma pena imputada a tão perigoso e letal bandido. Esperamos que os que trilham por esse caminho aprendam a lição”. O recado estaria dado. Ponto final!

 

*Jornalista

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"Ano novo, ano velho...". Artigo de Minervino Wanderley

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Todo final de ano é a mesma ladainha: “Ano que vem vou mudar. Serei mais compreensivo, mais caridoso...”. Ou: “Vou emagrecer, deixar de implicar com meu marido...”, e por aí vai. Só papo furado! Sabem a razão? Ora, amigos, não muda rigorosamente nada! É um dia igualzinho ao que passou e a tantos que virão. Quem pode mudar é cada um de nós. Sim, nós que escrevemos nossas vidas tendo Deus como corretor. Ele que diz: “Não! Isso não pode.”, “Vá trabalhar e pare de sonhar com loteria, rapaz!”, entre outras coisas.

Acredito que ao acordar, na hora de cada um, devemos olhar para cima, agradecer por mais um dia e planejar o modo de ação que será aplicado ao seu planejamento. Todos devem ter feito isso, né? Pois bem. Afora as coisas do cotidiano, podemos incluir outras. Por exemplo: e aquele pedido de desculpas que nunca foi dado e que, por falta de coragem de assumir o erro, transformou-se num verdadeiro incômodo? Procure a pessoa e peça hoje. E aquela visita? Você não disse que ia aparecer? Arranje tempo, vá hoje. O curso de francês que você tanto quer e nunca tem tempo? Claro que tem. Veja quantas horas você ficou no WhatsApp ou Facebook? Hein? Só curtindo e compartilhando, né? Levante-se e vá lá. A melhora interna é imediata. Acredite.

Mas, voltando às “promessas”, sabemos que muitas delas são ditas para alívio da alma. A pessoa que abusa do álcool e que tem consciência disso promete que vai diminuir. Esse está no rumo certo, pois é reduzindo que se chega ao ponto ideal. É ou não é? Aliás, permitam um alongamento, esse é um ponto crucial na vida. O álcool, por ser uma droga lícita, termina levando muita gente boa para o cruel caminho da embriaguez. Inúmeras vezes sem volta. Decreta muito fim de relacionamentos que poderiam ter sido ótimos, acaba com a família e com a própria dignidade. É jogo duro, brother! Triste!

Bom, tem os glutões. Essa turma é fogo! Quem sabe bem disso é Ivone Freire. Também, quem manda preparar aquelas delícias? Assim dificulta a promessa dos caras, amiga. Pois bem. Eles começam o ano na salada e depois de quinze dias acende aquela luzinha e ele pensa: “Rapaz, vou deixar esse regime para depois do carnaval. Tranquilo. Como, bebo e, na quarta-feira, termina tudo.” Esse não volta nunca ao regime. Sempre haverá uma data para que ele prolongue seu “prazer”.
Vige! Os fumantes! Eita!!! Aí é peso-pesado. Todo mundo conhece alguém que já disse que ia parar “no ano que vem.” Puxa vida! Não é por falta de informação dos malefícios do fumo. Tem cara que até brinca com as advertências que vem nas carteiras de cigarro:

- Me dá um daqueles que o cara fica broxa. E justifica: - É melhor ficar broxa do que perder uma perna.
É verdade. Eu já vi essa cena.
Tem até gente prometendo que no final do ano não fará promessas! Hoje, mais experiente, fico calado, seguindo as palavras de Dona Martha Salem, minha mãe: “Isso é besteira. Todo dia é dia de comemorar algo, de dar um presente ou de fazer algo de bom na vida, Esse negócio de ano novo é só desculpa.” Concordam com ela?

*Jornalista

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"Será que sou careta?" . Minervino Wanderley

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Esse pensamento surgiu depois que soube que uma menina de quinze anos colocou silicone nos seios para “dar uma turbinada” e não aprovei a atitude. Puxa! Não é cedo para isso? O corpo dela não está ainda em transformação? É culpa da televisão que mostra a atividade sexual cada vez mais precoce? Ou será culpa da mãe, que concordou com isso? Estou falando concordar, porque pode ser até que a mãe incentive. É verdade. Tem mães que são assim. Querem que as filhas sejam o que elas não conseguiram ser.

Sei lá! Não me considero um cara preso às regras do passado. De forma alguma. Do passado, só guardo as boas lembranças para, vez por outra, dar uma viajada no tempo. Guardo também algumas más lembranças. Essas, somente para que eu me lembre e não cometa os mesmo erros. Só. Com relação às mudanças do nosso cotidiano, adaptei-me perfeitamente. Vivo em paz com isso. O que me deixa encucado – palavrinha antiga, né? – é ver que a infância e adolescência estão cada vez mais se unindo. Do jeito que vai a criança sai da infância direto para as boates e shows da vida. Não tem mais bonecas, nem peladas, nem sonhos de ser uma princesa, nem de ser o galã da rua. Nada.

Porra! Como é bom passar por aquelas fases. Ser criança e não ligar pra porra nenhuma. Ser adolescente e se ligar “naquelas coisas”. Ir para a faculdade e sentir a vida de adulto acenando. Bom demais! Namoros escondidos, beijos roubados - nem sempre -, cinemas, praia, a família em casa, era tudo muito bom. Dei uma volta ao passado danada, não é verdade? Eu sei. Mas é para registrar o quanto é bom lembrar-se disso.

Nos dias de hoje, vejo meninas de quatorze, quinze anos, com corpos cada vez maiores que tentam ficar escondidos por roupas cada vez menores. Vejo, também, meninas que mal chegaram à adolescência já com um bebê no colo. O pai, uma criança também. Esse filho vai ser criado pela avó, é claro. Pois quando se casam, o tempo de casado é menor que o tempo que passaram fazendo a encomenda. Ora, a menina vai querer sair para as baladas e o pai vai por aí em busca de novas mães. Ou mães novas.

Tive um treinador - quando ainda jogávamos futebol de salão – chamado Bel, que dizia quando um zagueiro se metia a sair driblando: “Não adianta forçar a natureza!”. O que Bel queria dizer era que tudo tem seu tempo, sua hora, e seu lugar. Não podemos atropelar a vida. Por mais que se tente, mais na frente vem a resposta. Às vezes muito dura. Portanto, vamos viver de acordo com nossos instintos e criar nossos filhos nessa linha de pensamento. Caso contrário, vamos criar netos.

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"Se Lampião fosse vivo...". Minervino Wanderley

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Folheando a revista IstoÉ, de 10.11.2010, p. 72, uma matéria chamou-me a atenção. Assinada por Wilson Aquino, tem o seguinte título: “A influência estética de Lampião”. No texto, Aquino quase que chega chamar Capitão Virgulino de gay. Vejamos alguns trechos:

l “Mas quando não estava praticando crimes, o cangaceiro se atracava com agulhas e linhas para costurar e bordar, lindamente, roupas e lenços que usava ao estilo Jacques Leclair.”

l “Ele não era apenas o executor do bordado. Era também um estilista.”

l “FRESCURAS NO CANGAÇO. O lenço dos cangaceiros era feito de seda inglesa ou de tafetá francês. A jabiraca de Lampião era em seda vermelha e contava com 30 alianças de ouro.”

l “Se tivesse escolhido a profissão de costureiro, Lampião (até hoje constantemente revisitado pela indústria fashion) certamente teria tido uma carreira brilhante.”

Durma-se com um barulho desses. Esse camarada não sabe que Lampião era tão hábil com a espingarda que conseguia dar tantos tiros consecutivos que clareavam a noite. Por isso, Lampião.

Se essa figura dissesse essas coisas há 80 anos ele iria ver que o Capitão Virgulino costurava mesmo era com uma 44 Papo Amarelo.

Aquino com certeza não conhece a história da quadrilha junina que o Capitão organizou numa fazenda e que seu bisavô (De Aquino) participou. Só que esse fuzuê, além de ter Lampião como marcador, era diferente num aspecto: todo mundo nuzinho. Agora, quem conta a história é um dos participantes dessa “festa”:

- O Capitão mandou fazer as fileiras e mandou todo mundo tirar a roupa. Ordem rapidamente obedecida. No meio da quadrilha, Lampião gritou:

- Todo mundo com um dedo na boca e outro “lá” (vocês sabem aonde). Ordem imediatamente obedecida. - Daqui a pouco ele disse:

- Trocar de dedo! O dedo que tava na boca vai pra “lá” e o outro vai pra boca.

Foi aí que o bisavô de Aquino caiu na besteira de dizer:

- Tem mais isso, Capitão?

O Capitão deu um olhar de matar cobra venenosa e gritou:

- Isso o quê, cabra?

O camarada afroxou e, gemendo, disse:

- Isso é bom demais, Capitão!

Esse recado é pra você, Wilson Aquino.

*Jornalista.

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"Marcelino, esse incorrigível". Minervino Wanderley

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Marcelino, assim como tantos Pedros, Manueis, Joaquins, era um cara tranquilo. Gostava de música, especialmente dos Beatles, futebol, mulheres, um whisky, e assim ia levando sua vida. Casou-se uma penca de vezes com Marias, Marisas, Joanas, Aídas, e, entre idas e vindas, ele ia tocando o cotidiano.

Mas, um belo dia, o coração de Marcelino bateu mais forte. Foi na aula de pintura que ele a viu (Pois é. Até em aula de pintura esse camarada ia atrás de mulher!). Era uma menina de rosto bonito e o sorriso mais ainda. Tiana era o seu nome. Ele foi se chegando e começaram a namorar. Uns meses de beijos e carícias foram o suficiente para que ele juntasse os trapos com ela. Meses bons. Amores à luz da Lua, promessas, viagens, e tudo isso que um casal apaixonado faz.

Tudo levava a crer que o incorrigível Marcelino, coração já duro de tantas batalhas - "Ele tem mais 100 cabaços nas costas", diziam. -, tinha sido fisgado pelo amor. Parece mentira, mas até os sonhos de ir morar no exterior ele deixou de lado pela brancosa. "Lá eu não sei o que vai acontecer. Aqui o negócio tá garantido", justificava-se ele junto aos amigos.

E assim foi. Durante anos, décadas até, ele a branquinha viveram juntos. Era um amor bonito. Tão bonito quanto eram feias as brigas que eles tinham. Foi então, depois de bem 25 anos de casamento, que o incorrigível Marcelino sentiu que não sentia mais nada pela companheira. Tiana também sentiu que não sentia mais nada por Marcelino. E, sem as frescuras de divórcio, decidiram se separar. De nada adiantaram os apelos dos amigos comuns. "Bicho, pense de novo", dizia um pra ele. "Mulher, tenha calma e veja o que estão fazendo", dizia outra pra ela.

Tudo em vão. Marcelino e Tiana se separaram e cada um tomou seu rumo. Porém, quis o destino (sempre ele), que, tanto Marcelino quanto Tiana não encontrassem as 'tampas de suas panelas', como se diz. Tentaram os errados e as erradas na esperança de encontrar o certo e a certa, mas nada aconteceu. A solidão insitia em ser a companheira dos dois.

Mas, como tudo neste mundo tem um fim, o jejum de amor de Marcelino chegou ao final. E foi assim, sem querer, que aquela sensação invadiu seu corpo. Marcelino não acreditou. "Que danado é isso!", pensou. A razão dessa dúvida era porque esse sentimento veio, sem quê nem mais, porém de forma avassaladora, por uma pessoa que ele julgava que apenas fazia parte do seu passado. Que nada! Bastou vê-la para o coração se descompassar. E, pelo olhar dela, havia reciprocidade.

Pois bem. O destino (de novo ele!) foi buscar no fundo do baú a figura de Elza, uma morena cheia de graça que ele namorou nas suas andanças. Fazia algum tempo que ele não a via. Mas, para o amor, isso pouco importa. Marcelino estava, outra vez, com a flecha do amor cravada no coração. Como ele era de pouca conversa nesses casos, largou-lhe um beijo e propôs casamento. Elza, hoje independente e dona de si, topou na hora.

A última notícia que se tem dele é que foi, com Elza, é claro, para o Canadá buscar uma filha de nome Luiza que teimava em não sair de lá.

Tenho saudades do grande e incorrigível Marcelino. Tomara que ele tenha tomado juízo e se aquietado com Elza e seus doze filhos.
PS: Não tive mais notícias de Tiana.

*Jornalista

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"O vacilo do armário". Por Minervino Wanderley

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Era um domingo como outro qualquer e fui para o Clube de Engenharia assistir ao jogo Flamengo X Corinthians, na espera de uma vitória do rubro-negro. Cheguei e fiquei numa mesa na qual estavam, entre outros, Léo Sodré, Wilson Cardoso, à época presidente do Clube, Mário Galvão e Josué Teixeira.

Como estava sem beber, o papo foi ficando chato pra danado ecomo o jogo só começaria às 18h, resolvi dar uma navegada na net, pra ver o que estava acontecendo, consultar e-mails, redes sociais, esses babados.
Acontece que, ao sair do computador, deixei aberta, num grave vacilo, minha página do Facebook. Vocês não imaginam o que me aconteceu por este erro.

Léo Sodré, como sempre brincalhão, percebeu o descuido e, fazendo-se passar por mim, postou um novo perfil para este inocente usuário. Neste novo Minervino, constava que eu “Tinha assumido minha preferência sexual e ia sair do armário.” Até aí, sem saber de nada, assisti ao jogo e, depois, fui ao Kopenhagen do Midway Mall encontrar a namorada que demonstrava, pelos momentos vividos entre nós, estar apaixonada. Assim como eu, confesso.
Ao chegar, estranhei sua frieza quando me sentei ao seu lado. Recusou um carinhoso beijo e inventou uma esfarrapada desculpa para ir embora. “Que porra é essa?”, pensei. Ora, tínhamos combinado de ir jantar num motel, como tinha sido no domingo passado. Eu tinha gostado muito do slogan COMA DUAS E PAGUE UMA. Fiquei com aquela cara de idiota frustrado e fui pra casa.

Convenhamos: domingo à noite, sozinho em casa, é de lascar. Fui direto para o computador me distrair e pensar sobre a atitude da minha ainda amada.

Amigos, quando abri o meu correio fiquei pasmo, desorientado, e com saudades de mamãe. Tinha um monte de mensagens de homens (?) me elogiando e me fazendo convites nada agradáveis, tipo “Parabéns por sua coragem”, ou “Unidas jamais seremos vencidas” e outras mais. Mas, o que me deixou boquiaberto foi o fato de que algumas mensagens vinham de conhecidos meus que eu julgava serem machos até a alma. Tudo querendo marcar encontro, convidando para festas “alegres”, etc.

Foi aí que me deu o estalo. Lembrei-me do Clube e de que tinha saído abruptamente do computador e não havia fechado todas as páginas. Quando vi, o estrago estava feito. Tive que refazer o perfil, responder aos e-mails relatando o fato e jurando que jamais contaria a ninguém os emissores e seus respectivos teores.

Ficou chato pra caramba isso. Até hoje, quando passo por um “daqueles”, vejo em seus olhares a pergunta: “Arrependeu-se?”. A namorada só voltou pra mim depois que Léo confessou de joelhos a ela o que tinha feito e eu, à custa de um Cialis, tive que provar, numa mesma noite, várias vezes que gostava da fruta.
Fica o conselho: ao sair de um computador, deixe tudo fechado, sob a pena de passar o que passei. Principalmente se Léo estiver por perto. Você corre o risco de receber uma mensagem dele. (MW)

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"(Quase) Tudo passa!". Por Minervino Wanderley

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Riso franco, tristeza, alegria, angústia, prazer, solidão, amizades, abandono, amigos, saudades, boas lembranças, arrependimento, retidão, ilusão, certeza, dor, gozo, falta de amor, paixão, sofrimento, felicidade, vazio, perda, melancolia, frio na alma, sonho, amor, ciúmes, traição, companheirismo, etc., etc., etc. Tudo passa! É uma das certezas da vida. Não importa a dimensão do sentimento ou situação, isso passa.

Digo isso, caro amigo, não só baseado em momentos meus, como também nas histórias da vida. Já chamei o ritmo dela de eletrocardiograma, tantos são os altos baixos pelos quais passam os que trafegam por ela. Há dias que acordamos felizes ou tristes e um simples telefonema muda tudo. Acredito que muitos – ou quase todos – já se encontraram nessa situação.

Uma promoção no trabalho, um "up grade" no visual, um carango novo, tudo é motivo pra tocar a vida. Numa boa!!! Ora, Jesus!, lá vem meus netos. É um baita motivo pra se dizer feliz. Assim como a perda de ente querido, o fim de um romance, ser despedido, acordar naqueles dia em nada dá certo, são motivos pro cara dizer: "Essa vida é uma merda!". Que nada, companheiro! Amanhã é outro dia e tudo aquilo passou. Temos que ter em mente que a vida é feita de momentos. Eles são felizes, tristes, e, às vezes, nem um nem outro.

Sexta-feira de carnaval é bom demais, não é, amigo? E a quarta-feira de cinzas não é pra morrer? Calma! Logo vem o fim de semana e aquela folia toda vai ser apenas uma das muitas lembranças que vamos levar conosco. Passou! Pode até ser que, nesse caso, algo fique. Quem sabe um amor surgido entre goles de bebida, cantorias, fantasias não seja o amor definitivo? Casamento que levou a sério o que o padre disse: "Até que a morte os separe." Pode ser. Por que não? Aí cairia por terra a teoria do "tudo passa". Cai não. Como diria minha mãe, Dona Martha: "Nesse mundo nada regula". Ou seja, na vida, nada é preciso.
Por essas razões, amigos, vamos viver a vida na sua plenitude. Sem medo de ser feliz.

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"O vacilo do armário". Por Minervino Wanderley

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Era um domingo como outro qualquer e fui para o Clube de Engenharia assistir ao jogo Flamengo X Corinthians, na espera de uma vitória do rubro-negro. Cheguei e fiquei numa mesa na qual estavam, entre outros, Léo Sodré, Wilson Cardoso (presidente do Clube), Mário Galvão e Josué Teixeira.

Como estava sem beber, o papo foi ficando chato pra danado ecomo o jogo só começaria às 18h, resolvi dar uma navegada na net, pra ver o que estava acontecendo, consultar e-mails, redes sociais, esses babados.
Acontece que, ao sair do computador, deixei aberta, num grave vacilo, minha página do Facebook. Vocês não imaginam o que me aconteceu por este erro.

Léo Sodré, como sempre brincalhão, percebeu o descuido e, fazendo-se passar por mim, postou um novo perfil para este inocente usuário. Neste novo Minervino, constava que eu “Tinha assumido minha preferência sexual e ia sair do armário.” Até aí, sem saber de nada, assisti ao jogo e, depois, fui ao Kopenhagen do Midway Mall encontrar a namorada que demonstrava, pelos momentos vividos entre nós, estar apaixonada. Assim como eu, confesso.

Ao chegar, estranhei sua frieza quando me sentei ao seu lado. Recusou um carinhoso beijo e inventou uma esfarrapada desculpa para ir embora. “Que porra é essa?”, pensei. Ora, tínhamos combinado de ir jantar num motel, como tinha sido no domingo passado. Eu tinha gostado muito do slogan COMA DUAS E PAGUE UMA. Fiquei com aquela cara de idiota frustrado e fui pra casa.

Convenhamos: domingo à noite, sozinho em casa, é de lascar. Fui direto para o computador me distrair e pensar sobre a atitude da minha ainda amada.

Amigos, quando abri o meu correio fiquei pasmo, desorientado, e com saudades de mamãe. Tinha um monte de mensagens de homens (?) me elogiando e me fazendo convites nada agradáveis, tipo “Parabéns por sua coragem”, ou “Unidas jamais seremos vencidas” e outras mais. Mas, o que me deixou boquiaberto foi o fato de que algumas mensagens vinham de conhecidos meus que eu julgava serem machos até a alma. Tudo querendo marcar encontro, convidando para festas “alegres”, etc.

Foi aí que me deu o estalo. Lembrei-me do Clube e de que tinha saído abruptamente do computador e não havia fechado todas as páginas. Quando vi, o estrago estava feito. Tive que refazer o perfil, responder aos e-mails relatando o fato e jurando que jamais contaria a ninguém os emissores e seus respectivos teores.

Ficou chato pra caramba isso. Até hoje, quando passo por um “daqueles”, vejo em seus olhares a pergunta: “Arrependeu-se?”. A namorada só voltou pra mim depois que Léo confessou de joelhos a ela o que tinha feito e eu, à custa de um Cialis, tive que provar, numa mesma noite, várias vezes que gostava da fruta.

Fica o conselho: ao sair de um computador, deixe tudo fechado, sob a pena de passar o que passei. Principalmente se Léo estiver por perto. Você corre o risco de receber uma mensagem dele. (MW)

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