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Minervino Wanderley
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"Se Lampião fosse vivo...". Minervino Wanderley

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Folheando a revista IstoÉ, de 10.11.2010, p. 72, uma matéria chamou-me a atenção. Assinada por Wilson Aquino, tem o seguinte título: “A influência estética de Lampião”. No texto, Aquino quase que chega chamar Capitão Virgulino de gay. Vejamos alguns trechos:

l “Mas quando não estava praticando crimes, o cangaceiro se atracava com agulhas e linhas para costurar e bordar, lindamente, roupas e lenços que usava ao estilo Jacques Leclair.”

l “Ele não era apenas o executor do bordado. Era também um estilista.”

l “FRESCURAS NO CANGAÇO. O lenço dos cangaceiros era feito de seda inglesa ou de tafetá francês. A jabiraca de Lampião era em seda vermelha e contava com 30 alianças de ouro.”

l “Se tivesse escolhido a profissão de costureiro, Lampião (até hoje constantemente revisitado pela indústria fashion) certamente teria tido uma carreira brilhante.”

Durma-se com um barulho desses. Esse camarada não sabe que Lampião era tão hábil com a espingarda que conseguia dar tantos tiros consecutivos que clareavam a noite. Por isso, Lampião.

Se essa figura dissesse essas coisas há 80 anos ele iria ver que o Capitão Virgulino costurava mesmo era com uma 44 Papo Amarelo.

Aquino com certeza não conhece a história da quadrilha junina que o Capitão organizou numa fazenda e que seu bisavô (De Aquino) participou. Só que esse fuzuê, além de ter Lampião como marcador, era diferente num aspecto: todo mundo nuzinho. Agora, quem conta a história é um dos participantes dessa “festa”:

- O Capitão mandou fazer as fileiras e mandou todo mundo tirar a roupa. Ordem rapidamente obedecida. No meio da quadrilha, Lampião gritou:

- Todo mundo com um dedo na boca e outro “lá” (vocês sabem aonde). Ordem imediatamente obedecida. - Daqui a pouco ele disse:

- Trocar de dedo! O dedo que tava na boca vai pra “lá” e o outro vai pra boca.

Foi aí que o bisavô de Aquino caiu na besteira de dizer:

- Tem mais isso, Capitão?

O Capitão deu um olhar de matar cobra venenosa e gritou:

- Isso o quê, cabra?

O camarada afroxou e, gemendo, disse:

- Isso é bom demais, Capitão!

Esse recado é pra você, Wilson Aquino.

*Jornalista.

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"Marcelino, esse incorrigível". Minervino Wanderley

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Marcelino, assim como tantos Pedros, Manueis, Joaquins, era um cara tranquilo. Gostava de música, especialmente dos Beatles, futebol, mulheres, um whisky, e assim ia levando sua vida. Casou-se uma penca de vezes com Marias, Marisas, Joanas, Aídas, e, entre idas e vindas, ele ia tocando o cotidiano.

Mas, um belo dia, o coração de Marcelino bateu mais forte. Foi na aula de pintura que ele a viu (Pois é. Até em aula de pintura esse camarada ia atrás de mulher!). Era uma menina de rosto bonito e o sorriso mais ainda. Tiana era o seu nome. Ele foi se chegando e começaram a namorar. Uns meses de beijos e carícias foram o suficiente para que ele juntasse os trapos com ela. Meses bons. Amores à luz da Lua, promessas, viagens, e tudo isso que um casal apaixonado faz.

Tudo levava a crer que o incorrigível Marcelino, coração já duro de tantas batalhas - "Ele tem mais 100 cabaços nas costas", diziam. -, tinha sido fisgado pelo amor. Parece mentira, mas até os sonhos de ir morar no exterior ele deixou de lado pela brancosa. "Lá eu não sei o que vai acontecer. Aqui o negócio tá garantido", justificava-se ele junto aos amigos.

E assim foi. Durante anos, décadas até, ele a branquinha viveram juntos. Era um amor bonito. Tão bonito quanto eram feias as brigas que eles tinham. Foi então, depois de bem 25 anos de casamento, que o incorrigível Marcelino sentiu que não sentia mais nada pela companheira. Tiana também sentiu que não sentia mais nada por Marcelino. E, sem as frescuras de divórcio, decidiram se separar. De nada adiantaram os apelos dos amigos comuns. "Bicho, pense de novo", dizia um pra ele. "Mulher, tenha calma e veja o que estão fazendo", dizia outra pra ela.

Tudo em vão. Marcelino e Tiana se separaram e cada um tomou seu rumo. Porém, quis o destino (sempre ele), que, tanto Marcelino quanto Tiana não encontrassem as 'tampas de suas panelas', como se diz. Tentaram os errados e as erradas na esperança de encontrar o certo e a certa, mas nada aconteceu. A solidão insitia em ser a companheira dos dois.

Mas, como tudo neste mundo tem um fim, o jejum de amor de Marcelino chegou ao final. E foi assim, sem querer, que aquela sensação invadiu seu corpo. Marcelino não acreditou. "Que danado é isso!", pensou. A razão dessa dúvida era porque esse sentimento veio, sem quê nem mais, porém de forma avassaladora, por uma pessoa que ele julgava que apenas fazia parte do seu passado. Que nada! Bastou vê-la para o coração se descompassar. E, pelo olhar dela, havia reciprocidade.

Pois bem. O destino (de novo ele!) foi buscar no fundo do baú a figura de Elza, uma morena cheia de graça que ele namorou nas suas andanças. Fazia algum tempo que ele não a via. Mas, para o amor, isso pouco importa. Marcelino estava, outra vez, com a flecha do amor cravada no coração. Como ele era de pouca conversa nesses casos, largou-lhe um beijo e propôs casamento. Elza, hoje independente e dona de si, topou na hora.

A última notícia que se tem dele é que foi, com Elza, é claro, para o Canadá buscar uma filha de nome Luiza que teimava em não sair de lá.

Tenho saudades do grande e incorrigível Marcelino. Tomara que ele tenha tomado juízo e se aquietado com Elza e seus doze filhos.
PS: Não tive mais notícias de Tiana.

*Jornalista

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"O vacilo do armário". Por Minervino Wanderley

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Era um domingo como outro qualquer e fui para o Clube de Engenharia assistir ao jogo Flamengo X Corinthians, na espera de uma vitória do rubro-negro. Cheguei e fiquei numa mesa na qual estavam, entre outros, Léo Sodré, Wilson Cardoso, à época presidente do Clube, Mário Galvão e Josué Teixeira.

Como estava sem beber, o papo foi ficando chato pra danado ecomo o jogo só começaria às 18h, resolvi dar uma navegada na net, pra ver o que estava acontecendo, consultar e-mails, redes sociais, esses babados.
Acontece que, ao sair do computador, deixei aberta, num grave vacilo, minha página do Facebook. Vocês não imaginam o que me aconteceu por este erro.

Léo Sodré, como sempre brincalhão, percebeu o descuido e, fazendo-se passar por mim, postou um novo perfil para este inocente usuário. Neste novo Minervino, constava que eu “Tinha assumido minha preferência sexual e ia sair do armário.” Até aí, sem saber de nada, assisti ao jogo e, depois, fui ao Kopenhagen do Midway Mall encontrar a namorada que demonstrava, pelos momentos vividos entre nós, estar apaixonada. Assim como eu, confesso.
Ao chegar, estranhei sua frieza quando me sentei ao seu lado. Recusou um carinhoso beijo e inventou uma esfarrapada desculpa para ir embora. “Que porra é essa?”, pensei. Ora, tínhamos combinado de ir jantar num motel, como tinha sido no domingo passado. Eu tinha gostado muito do slogan COMA DUAS E PAGUE UMA. Fiquei com aquela cara de idiota frustrado e fui pra casa.

Convenhamos: domingo à noite, sozinho em casa, é de lascar. Fui direto para o computador me distrair e pensar sobre a atitude da minha ainda amada.

Amigos, quando abri o meu correio fiquei pasmo, desorientado, e com saudades de mamãe. Tinha um monte de mensagens de homens (?) me elogiando e me fazendo convites nada agradáveis, tipo “Parabéns por sua coragem”, ou “Unidas jamais seremos vencidas” e outras mais. Mas, o que me deixou boquiaberto foi o fato de que algumas mensagens vinham de conhecidos meus que eu julgava serem machos até a alma. Tudo querendo marcar encontro, convidando para festas “alegres”, etc.

Foi aí que me deu o estalo. Lembrei-me do Clube e de que tinha saído abruptamente do computador e não havia fechado todas as páginas. Quando vi, o estrago estava feito. Tive que refazer o perfil, responder aos e-mails relatando o fato e jurando que jamais contaria a ninguém os emissores e seus respectivos teores.

Ficou chato pra caramba isso. Até hoje, quando passo por um “daqueles”, vejo em seus olhares a pergunta: “Arrependeu-se?”. A namorada só voltou pra mim depois que Léo confessou de joelhos a ela o que tinha feito e eu, à custa de um Cialis, tive que provar, numa mesma noite, várias vezes que gostava da fruta.
Fica o conselho: ao sair de um computador, deixe tudo fechado, sob a pena de passar o que passei. Principalmente se Léo estiver por perto. Você corre o risco de receber uma mensagem dele. (MW)

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"(Quase) Tudo passa!". Por Minervino Wanderley

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Riso franco, tristeza, alegria, angústia, prazer, solidão, amizades, abandono, amigos, saudades, boas lembranças, arrependimento, retidão, ilusão, certeza, dor, gozo, falta de amor, paixão, sofrimento, felicidade, vazio, perda, melancolia, frio na alma, sonho, amor, ciúmes, traição, companheirismo, etc., etc., etc. Tudo passa! É uma das certezas da vida. Não importa a dimensão do sentimento ou situação, isso passa.

Digo isso, caro amigo, não só baseado em momentos meus, como também nas histórias da vida. Já chamei o ritmo dela de eletrocardiograma, tantos são os altos baixos pelos quais passam os que trafegam por ela. Há dias que acordamos felizes ou tristes e um simples telefonema muda tudo. Acredito que muitos – ou quase todos – já se encontraram nessa situação.

Uma promoção no trabalho, um "up grade" no visual, um carango novo, tudo é motivo pra tocar a vida. Numa boa!!! Ora, Jesus!, lá vem meus netos. É um baita motivo pra se dizer feliz. Assim como a perda de ente querido, o fim de um romance, ser despedido, acordar naqueles dia em nada dá certo, são motivos pro cara dizer: "Essa vida é uma merda!". Que nada, companheiro! Amanhã é outro dia e tudo aquilo passou. Temos que ter em mente que a vida é feita de momentos. Eles são felizes, tristes, e, às vezes, nem um nem outro.

Sexta-feira de carnaval é bom demais, não é, amigo? E a quarta-feira de cinzas não é pra morrer? Calma! Logo vem o fim de semana e aquela folia toda vai ser apenas uma das muitas lembranças que vamos levar conosco. Passou! Pode até ser que, nesse caso, algo fique. Quem sabe um amor surgido entre goles de bebida, cantorias, fantasias não seja o amor definitivo? Casamento que levou a sério o que o padre disse: "Até que a morte os separe." Pode ser. Por que não? Aí cairia por terra a teoria do "tudo passa". Cai não. Como diria minha mãe, Dona Martha: "Nesse mundo nada regula". Ou seja, na vida, nada é preciso.
Por essas razões, amigos, vamos viver a vida na sua plenitude. Sem medo de ser feliz.

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"O vacilo do armário". Por Minervino Wanderley

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Era um domingo como outro qualquer e fui para o Clube de Engenharia assistir ao jogo Flamengo X Corinthians, na espera de uma vitória do rubro-negro. Cheguei e fiquei numa mesa na qual estavam, entre outros, Léo Sodré, Wilson Cardoso (presidente do Clube), Mário Galvão e Josué Teixeira.

Como estava sem beber, o papo foi ficando chato pra danado ecomo o jogo só começaria às 18h, resolvi dar uma navegada na net, pra ver o que estava acontecendo, consultar e-mails, redes sociais, esses babados.
Acontece que, ao sair do computador, deixei aberta, num grave vacilo, minha página do Facebook. Vocês não imaginam o que me aconteceu por este erro.

Léo Sodré, como sempre brincalhão, percebeu o descuido e, fazendo-se passar por mim, postou um novo perfil para este inocente usuário. Neste novo Minervino, constava que eu “Tinha assumido minha preferência sexual e ia sair do armário.” Até aí, sem saber de nada, assisti ao jogo e, depois, fui ao Kopenhagen do Midway Mall encontrar a namorada que demonstrava, pelos momentos vividos entre nós, estar apaixonada. Assim como eu, confesso.

Ao chegar, estranhei sua frieza quando me sentei ao seu lado. Recusou um carinhoso beijo e inventou uma esfarrapada desculpa para ir embora. “Que porra é essa?”, pensei. Ora, tínhamos combinado de ir jantar num motel, como tinha sido no domingo passado. Eu tinha gostado muito do slogan COMA DUAS E PAGUE UMA. Fiquei com aquela cara de idiota frustrado e fui pra casa.

Convenhamos: domingo à noite, sozinho em casa, é de lascar. Fui direto para o computador me distrair e pensar sobre a atitude da minha ainda amada.

Amigos, quando abri o meu correio fiquei pasmo, desorientado, e com saudades de mamãe. Tinha um monte de mensagens de homens (?) me elogiando e me fazendo convites nada agradáveis, tipo “Parabéns por sua coragem”, ou “Unidas jamais seremos vencidas” e outras mais. Mas, o que me deixou boquiaberto foi o fato de que algumas mensagens vinham de conhecidos meus que eu julgava serem machos até a alma. Tudo querendo marcar encontro, convidando para festas “alegres”, etc.

Foi aí que me deu o estalo. Lembrei-me do Clube e de que tinha saído abruptamente do computador e não havia fechado todas as páginas. Quando vi, o estrago estava feito. Tive que refazer o perfil, responder aos e-mails relatando o fato e jurando que jamais contaria a ninguém os emissores e seus respectivos teores.

Ficou chato pra caramba isso. Até hoje, quando passo por um “daqueles”, vejo em seus olhares a pergunta: “Arrependeu-se?”. A namorada só voltou pra mim depois que Léo confessou de joelhos a ela o que tinha feito e eu, à custa de um Cialis, tive que provar, numa mesma noite, várias vezes que gostava da fruta.

Fica o conselho: ao sair de um computador, deixe tudo fechado, sob a pena de passar o que passei. Principalmente se Léo estiver por perto. Você corre o risco de receber uma mensagem dele. (MW)

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"A chaga de Marinho". Por Minervino Wanderley

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O sucesso e o fracasso andam de mãos dadas. Assim, como se namorados fossem, tamanha é a proximidade. Não são raras as histórias que ouvimos sobre pessoas que conheceram a glória e foram merecedores de respeito, muitas vezes pelo mundo inteiro, e que depois, num átimo, desaparecem. Ninguém fala nelas, ninguém sabe onde andam, sequer sabem se ainda estão vivas, tamanho é o desinteresse.

Com Marinho ocorreu esse fenômeno. Surgiu do nada e se transformou no melhor lateral esquerdo da Copa do Mundo de 1974. Foi endeusado pelos homens, adorado e desejado pelas mulheres. Sua fama corria o mundo e a mídia não lhe poupava elogios. Digo isso com certeza porque minha mãe, Martha Wanderley Salem, era professora de alemão e Jair Paiva, então o “padrinho” de Marinho, levava revistas alemães para que ela traduzisse as matérias sobre o “Diabo Louro” – como na Alemanha era conhecido. Isso tudo porque houve uma negociação com Shalke 04 e o fato virou notícia principal nos jornais e revistas germânicas especializadas em esporte.

Marinho foi cidadão do mundo. Jogou nos Estados Unidos, ganhou dinheiro e lá sentiu a sensação de ser rico e poderoso. Mas Marinho era simples e não tinha a exata ideia do que agora representava para o esporte. Continuou jogando seu futebol e esbanjando o dinheiro que ganhava. Não se preocupou em fazer investimentos, pé de meia, essas coisas, porque, como todo ídolo, se julgava imortal. Imune às mazelas da vida. Infelizmente, veio a conhecer e conviver com isso quando parou de jogar: roda de aproveitadores, biriteiros e por aí vai.

Para piorar sua situação, Marinho foi procurar num amigo o ombro e os conselhos para a vida. Pobre Marinho. O amigo que ele escolhera era o seu pior inimigo, pois se fazia de amigo e quando era usado deixava nosso jogador mais perto do buraco que, sem saber, tinha começado a cavar. Esse amigo, que é facilmente encontrado em qualquer birosca é conhecido por muitos nomes: Branquinha, Água que passarinho não bebe, Caninha, etc. Seu nome mesmo era Álcool. E Marinho abusou de fazer uso dele.

Várias internações, visitas nobres, como Platini, Beckenbauer, nada fez com que ele criasse forças e driblasse esse inimigo. Foi inapelavelmente batido pelo álcool. O mundo do esporte perde um gênio. Os pais perdem um filho. Os verdadeiros amigos já choram de saudade. O RN perde seu maior nome do meio esportivo. Nós, que gostamos de futebol, ficamos órfãos.

Tem nada não, Marinho. Lá em cima você encontrará amigos de verdade e a bola rolará outra vez. Para a alegria de Garrincha, que era como você. Tudo sob o olhar complacente Dele, que era, sem dúvidas, seu fã.

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"Manoel, o errante". Artigo de Minervino Wanderley

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Manoel é que se pode chamar de “self made man”. Caçula de uma família de seis, ficou órfão de pai aos seis anos. A mãe, d. Hertha, teve que dar duro para sustentar a família, já que 'seu' Salim morreu sem deixar nada para a família. Aliás, deixou. Saudades, muitas saudades! D. Hertha trabalhava desde a manhã até à noite para colocar comida na mesa. Sobrou para Manoel, que cresceu sem ter os afagos e carinhos tão divinos e necessários de uma mãe.

E assim, Manoel encarou seu futuro. Sempre aprendendo na dura escola da vida. Como tinha uma certa habilidade para o futebol, as coisas se tornaram menos difíceis, pois havia um lugar na pelada e a diversão estava garantida. E ele seguiu em frente, pulando as barreiras que, com muita frequência, apareciam à sua frente. Conseguiu terminar o curso primário e foi para o ginasial com dez anos. Ginásio 7 de Setembro. Aí, amigo velho, a coisa empancou. Penou para sair do primeiro ano, e ficou no segundo um bom tempo. Perambulou por alguns colégios, mas não achava graça em nada. Até expulso foi. Manoel começava a mostrar seu desgosto com a vida.

Virou “hippie” e viajou em busca do sonho que ele criara em seus pensamentos. Nunca o achou. Voltou para casa, teve um acesso de lucidez, fez um supletivo e passou. O ginasial tinha ficado para trás. Empolgada, d. Elza colocou-o no Colégio Marista para fazer o científico e "pré". Chegou até o "pré', mas não suportou aquele ritmo “careta” que o levaria a fazer o vestibular, se formar e ser apenas mais um na multidão.

Ele queria mais e resolveu dar um passo maior. Botou na cabeça que seu destino era São Francisco, California, terra na qual tudo era permitido. E falou que iria caminhando igual ao cara do Johnnie Walker. Na verdade, ele queria mesmo era imitar os caras de "Perdidos na Noite", Dustin Hoffman e Jon Voight, no filmaço de John Schlesinger.

A decisão estava tomada. Mas, ("Mas" é de lascar! Tira a graça da coisa.) como não tinha uma prata no bolso, um cunhado o aconselhou a fazer um concurso, juntar dinheiro e, depois, partir para sua odisseia. Assim ele fez. Passou para os quadros do Banco do Brasil. Um glória pra todo mundo e uma chatice para Manoel. Tinha um porém nisso tudo. A grana que o BB pagava era respeitável, fato o que o colocava numa dúvida cruel: largar tudo e dar asas ao sonho ou ficar naquela de bancário? Mesmo a contragosto, optou por permanecer no emprego.

Um belo dia, já casado com uma moça de nome russo e de tradicional família, foi a São Francisco conhecer o seu sonho. Só que de avião. Primeira classe. Cheio de mimos. Tudo em ceu de brigadeiro. Depois, escolheu a Europa como seu destino de férias. Foi várias vezes. Tinha bom gosto, o cara. Parecia que a vida, já cansada de tanto flerte, estava abrindo os braços pra ele.

Mas Manoel não tinha jeito. Com quase 25 anos de serviço, pediu demissão e foi, mais uma vez, para a aventura da vida. Pena que ele tinha esquecido que os caminhos dessa vida que ele já conhecera eram muito tortuosos e cheios de armadilhas. E ele quase sucumbiu ante às adversidades. Ora, Manoel era um forte. Com a ajuda de amigos e parentes, refez-se das porradas, formou-se em Jornalismo e mostrou sua inteligência, o quinhão que lhe cabia na herança de d. Hertha.

Não tive mais notícias dele. O que se sabe é que ele estava morando em frente a um bar em Lagoa Nova que, por sinal, tem um nome muito sugestivo para uma clínica de proctologia, estava solteiro outra vez, ainda correndo atrás da bola com seus ex-colegas do BB e pensando em ser evangélico.

Gente boa, Manoel. Como dizem que ele parou de beber, espero que ele esteja tomando, no lugar de whisky, pelo menos um pouco de juízo.

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"A culpa é dos outros (?)". Artigo de Minervino Wanderley

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Esse foi um lema que adotei durante grande parte da vida. A qualquer insucesso, qualquer tropeço, mais que depressa, atribuía a culpa a alguém. Não importava o que fosse, sempre era mais cômodo tirar a minha da seringa.

Se acontecesse no trabalho, a culpa era do chefe que “Não sabe de nada. Só sabe cobrar!” Partisse para o campo sentimental, usava o chavão: “Aquela mulher era chata demais! Uma incompreensiva!” No esporte, diante de qualquer fracasso, disparava: “O treinador não entende de porra nenhuma!”. Nos estudos, olhando um boletim que mais parecia um guarda-roupa de torcedor do América, dizia: “Meus Deus, até onde vai parar esse baixo nível de ensino?”, esbravejava. Assim era eu. Nem minha família escapou. Também pus culpa: “São uns ultrapassados. Não acompanham minha evolução”, me gabava. E por aí, ia.

Até que um dia, num raro momento de inteligência, pensei: “Porra, bicho, será há uma conspiração mundial contra você? Ou será que essa terrível culpa está em você?” Difícil de aceitar, mas havia uma brecha.

Pensando nisso, mas, ainda com certa relutância, resolvi mudar a estratégia. Procurei olhar para dentro de mim (sem ser endoscopista) e vi que talvez o caminho a seguir fosse outro. Assumir os erros, por que não? Conviver com as limitações? Posso. Admitir não ser o melhor numa porrada de coisas? Claro! Nem bonito, nem feio. Nem gênio, nem burro. Um cara normal, simplesmente.

Essa mudança de comportamento trouxe-me uma visão mais clara do mundo. Principalmente a de que eu não era o único a carregar esse transtorno. Percebi que muitas pessoas faziam uso dessa fuga. Uns, assim como eu, por pura ignorância. Outros, por esperteza. Esses, infelizmente, são aqueles que passam pela vida sem vivê-la, já que o erro nos transforma ou nos mantém como pessoas perfeitamente normais.

Cansamos de ver pessoas dizerem: “Porra, se não fosse Beltrano eu não estaria nessa situação”. Ou: “Se dependesse de mim a coisa seria outra, mas Siclano esculhambou tudo”. E por aí vai.

Melhor seria, para todos nós, que seguíssemos os ensinamentos de Jesus que nos mostrou a nunca omitir nossos erros nem muito menos negar nossos defeitos. Acreditem: são exatamente essas coisas que nos tornam mais humanos, mais pacientes, mais solidários e nos coloca, cada vez mais, perto Dele!

*Jornalista

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"O Dia de Natal". Minervino Wanderley

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No dia 25 de dezembro comemora-se o Dia de Natal, data instituída em homenagem ao nascimento de Jesus. O Natal passou a ser contemplado em 330 d.C pelas igrejas Católica, Anglicana e Protestante. A igreja Ortodoxa comemora a data em sete de janeiro, data do batismo de Jesus. A palavra Natal se originou do latim (natalis), tendo como significado nascer.
Antes do nascimento de Jesus, aconteciam nesse dia as comemorações pelo sol invencível (Solis Invictus), em agradecimento aos raios solares que ficavam mais fortes. Mas, por ser uma festa pagã, que adorava um elemento da natureza e não a Deus, os cristãos adotaram-na com outro sentido, o do Natal, sendo oficialmente registrada pela Vossa Santidade o Papa Libério, em 354 d.C.

Os principais símbolos do natal são: a estrela de Belém, que guiou os três Reis Magos até Jerusalém; os próprios Reis Magos, que levaram incenso, ouro e mirra a Jesus; o presépio, criado por São Francisco de Assis, no século XIII; a árvore, desde as festas pagãs, tendo sido adotadas mais tarde pelos cristãos; a guirlanda e as velas, que representam as etapas da salvação de Cristo; Papai Noel, homenagem a são Nicolau – que no século IV oferecia presentes às crianças; a ceia, que simboliza o momento do nascimento; os presentes, como forma de lembrar a visita dos três Reis Magos que presentearam Jesus; dentre outros.

O que o Natal representa para alguns povos/religiões
Islamismo - Ao contrário das religiões cristãs - para as quais Jesus é o Messias, o enviado de Deus - o islamismo dá maior relevância aos ensinamentos de Mohamad, profeta posterior a Jesus (que teria vivido entre os anos 570 e 632 d.C.), pois este teria vindo ao mundo completar a mensagem de Jesus e dos demais profetas.
Em relação à celebração do Natal, os muçulmanos mantêm uma relação de respeito, apesar de a data não ser considerada sagrado para o seu credo. Para os muçulmanos, existem apenas duas festas religiosas: o Eid El Fitr, que é a comemoração após o término do mês de jejum (Ramadan) e o Eid Al Adha, onde comemoram a obediência do Profeta Abraão a Deus.

Judaísmo - Os judeus não comemorem o Natal e o Ano Novo na mesma época que a grande maioria dos povos, mas para eles, o mês de dezembro também é de festa. Apesar de acreditarem que Jesus existiu, os judeus não mantêm uma relação de divindade com ele. Na noite do mesmo dia 24 de dezembro os judeus comemoram o Hanukah, que do hebraico significa festa das luzes. Esta data marca a vitória do povo judeu sobre os gregos conquistada há dois mil anos, em uma batalha pela liberdade de poder seguir sua religião.
Apesar de não ser tão famosa no Brasil, a festa de Hanukah, que, tradicionalmente, dura 8 dias, em outros países é tão "pop" como o Natal. Em Nova Iorque, por exemplo, as lojas que vendem enfeites de Natal também vendem o menorah (candelabro de 8 velas considerado o símbolo da festividade judaica). "Para cada um dos 8 dias acendemos uma vela até que o candelabro todo esteja aceso no último dia de festa", explica o rabino.
O peru e bacalhau típicos do Natal católico são substituídos por panquecas de batata e bolinhos fritos em azeite. E em vez de desembrulharem presentes à meia-noite, as crianças recebem habitualmente dinheiro.

Budismo - Não há envolvimento do budista com a característica particular da comemoração do Natal do mundo ocidental, ou seja, da comemoração do nascimento de Jesus Cristo. Mas, os budistas admiraram as qualidades daqueles que lutam pela humanidade e, por isso, respeitam a tradição já estabelecida, respeitando a figura de Jesus Cristo, que para eles é considerado um “Bodhisattva” – um santo ou aquele que ama a humanidade a ponto de se sacrificar por ela. Para os budistas ocidentais, o dia 25 de Dezembro tem um cunho não cristão, mas sim, espiritual.

Protestantismo - Embora seja uma religião cristã, é subdividida em diversas “visões” da Bíblia. Algumas comemoram o Natal como os católicos, outros buscam na Bíblia e no histórico religioso, cuja data de nascimento de Cristo é discutida, um fundamento para não comemorar a data tal como é comemorada no catolicismo. É o caso das testemunhas de Jeová, por exemplo. Já a Assembleia de Deus e a Presbiteriana comemoram o Natal com o simbolismo da presença de Cristo entre os homens, onde a finalidade é levar a uma instância reflexiva a respeito de Cristo. Festejar condignamente o Natal é uma bênção e inspiração para todos quantos nasceram do Espírito ao tornarem-se filhos de Deus pela fé em Cristo, para os evangélicos.

Afro-Brasileiras (Candomblé e Umbanda) - Yemanjá, Yansã e Oxum são entidades comemoradas ao longo do ano nas religiões afro-brasileiras, que têm no mês de dezembro um simbolismo todo especial. Mas para os umbandistas a comemoração do natal cristão é algo mais natural, porque a maioria dos seus seguidores e médiuns praticantes veio da religião cristã. A umbanda encontrou um lugar para Cristo no rol de suas divindades – ele é associado a Oxalá, considerado o maior Orixá de todos. No dia 25 de dezembro, os umbandistas agradecem à entidade que, segundo a sua crença, comanda todas as forças da natureza. Alguns terreiros de Candomblé também oferecem algum ritual especial à data, mas a prática não configura uma passagem obrigatória em todos os centros.

Espiritismo - Segundo o “Portal do Espírito”: “O Natal convencionado no mundo está envolto em tradições e simbolismos, dos quais não participa o Espiritismo, o que não afasta o nosso dever de respeitar e reconhecer que na época do Natal a sociedade costuma ser envolvida num clima de maior fraternidade.” Natal espírita não se relacionaria ao nascimento físico de Jesus, mas sim ao seu nascimento "espiritual" em nossas almas. Isto é, o Natal para o espírita é aquele momento em que nós nos impregnaríamos da mensagem evangélica, permitindo a Jesus nascer em nossos corações, para nos tornarmos o "homem novo".

Fontes:
http://www.ebc.com.br/cultura
http://www.brasilescola.com
http://www.espirito.org.br/portal/artigos/diversos/natal/natal-suas-origens.html

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"Viver o presente de olho no futuro". Minervino Wanderley

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Há, em todos nós, uma incurável doença chamada nostalgia. É fogo! À medida que o tempo vai passando, as pessoas mais ficam saudosas. É comum ouvir em rodas coisa do tipo “Naquele tempo é que era bom!”, “Se fosse antigamente vocês iam ver o que era um carnaval!”, “Os bons tempos voltaram! Teremos Colombinas, Pierrôs, tudo como antigamente!”, “Duvido que esse descaso do governo acontecesse na minha época!”. Tem umas assim: “Isso é uma vergonha! Aquele casal se beijando na frente de todo mundo. Por isso que os casamentos não dão certo. É tudo muito fácil!”. E por aí vai. Seria como se o passado fosse um mar de rosas, o presente uma completa desordem. E o futuro, uma mistura de Babel com Sodoma e Gomorra, à espera do Armagedon.

Mas é explicável. Essas pessoas ficaram presas a um passado que foi bom e não querem, sob nenhuma hipótese, dar esse passo à frente. “Era tão bom, pra que mudar?”, pensam elas, inseguras. Cá pra nós, tivemos momentos no passado que, se fosse possível “salvá-los” para vivermos outras vezes, nós o faríamos. Não tenho dúvidas. Porém, temos que ter em mente que a vida segue inapelavelmente na sua rotina e temos que acompanhá-la. Caso não o façamos, ficamos numa espécie de limbo. Nem lá, nem cá.

Por que não pensarmos no presente, que é algo que estamos vivendo agora e, a partir daí, construir nosso futuro? O ontem se foi. O presente está aqui, fazemos parte dele. O futuro, ao contrário do dito popular, pertence a Deus até certo ponto. Calma! Ele nos dá as ferramentas para que forjemos essa estrada, a inteligência para que a utilizemos nessa construção, a saúde para podermos levar à frente nossos projetos, enfim, Ele nos dá tudo. Isso de ficar flanando e deixar tudo por conta d’Ele é deixar de lado a sua vida. Nada disso. Mãos à obra!

O presente, se enxergado com bons olhos, pode proporcionar momentos deliciosos. Nada de se queixar de governo, de taxa de juros, do trânsito, isso é outra coisa. Tem a sua hora – ou quinze minutos, no máximo. Vamos viver um amor que está em plena ebulição! Isso é momento único! Vamos ver as coisas que a Mãe Natureza nos deixou. Não é frescura, não. Isso é sensibilidade. Vamos beijar nossas pessoas amadas. Vamos perdoar eventuais falhas. Vamos ser solidários. Vamos dar bom dia, boa tarde, boa noite, por favor, obrigado. Vamos sorrir, mesmo quando o tempo está carrancudo. Vamos ligar para os amigos. Vamos visitar nossos familiares com mais frequência. Vamos dar menos valor ao vil metal que a gente se liberta de muita coisa. Vamos ser felizes. Afinal, estamos aqui pra isso.

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