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Minervino Wanderley
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"A culpa é dos outros(?)". Por Minervino Wanderley

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Esse foi um lema que adotei durante grande parte da vida. A qualquer insucesso, qualquer tropeço, mais que depressa, atribuía a culpa a alguém. Não importava o que fosse, sempre era mais cômodo tirar a minha da seringa.

Se acontecesse no trabalho, a culpa era do chefe que “Não sabe de nada. Só sabe cobrar!” Partisse para o campo sentimental, usava o chavão: “Aquela mulher era chata demais! Uma incompreensiva!” No esporte, diante de qualquer fracasso, disparava: “O treinador não entende de porra nenhuma!”. Nos estudos, olhando um boletim que mais parecia um guarda-roupa de torcedor do América, dizia: “Meus Deus, até onde vai parar esse baixo nível de ensino?”, esbravejava. Assim era eu. Nem minha família escapou. Também pus culpa: “São uns ultrapassados. Não acompanham minha evolução”, me gabava. E por aí, ia.

Até que um dia, num raro momento de inteligência, pensei: “Porra, bicho, será há uma conspiração mundial contra você? Ou será que essa terrível culpa está em você?” Difícil de aceitar, mas havia uma brecha.

Pensando nisso, mas, ainda com certa relutância, resolvi mudar a estratégia. Procurei olhar para dentro de mim (sem ser endoscopista) e vi que talvez o caminho a seguir fosse outro. Assumir os erros, por que não? Conviver com as limitações? Posso. Admitir não ser o melhor numa porrada de coisas? Claro! Nem bonito, nem feio. Nem gênio, nem burro. Um cara normal, simplesmente.

Essa mudança de comportamento trouxe-me uma visão mais clara do mundo. Principalmente a de que eu não era o único a carregar esse transtorno. Percebi que muitas pessoas faziam uso dessa fuga. Uns, assim como eu, por pura ignorância. Outros, por esperteza. Esses, infelizmente, são aqueles que passam pela vida sem vivê-la, já que o erro nos transforma ou nos mantém como pessoas perfeitamente normais.

Cansamos de ver pessoas dizerem: “Porra, se não fosse Beltrano eu não estaria nessa situação”. Ou: “Se dependesse de mim a coisa seria outra, mas Siclano esculhambou tudo”. E por aí vai.

Melhor seria, para todos nós, que seguíssemos os ensinamentos de Jesus que nos mostrou a nunca omitir nossos erros nem muito menos negar nossos defeitos. Acreditem: são exatamente essas coisas que nos tornam mais humanos, mais pacientes, mais solidários e nos coloca, cada vez mais, perto Dele!

Jornalista

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"Doce Veneno". Por Minervino Wanderley

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Ah! Como seria bom a morte!

Não, não falo dessa morte causada por um infarto, AVC, ou coisa que o valha.

Quero morrer do veneno que você, meu amor, destila através dos olhos e de seus beijos.

E, e assim acontecer, pedirei a Ele que me traga de volta

Somente para morrer desse veneno outra vez!

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"Tolerância Zero!". Artigo de Minervino Wanderley*

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É inconteste o fato de que a violência cresce a passos largos no Brasil e no mundo. É cristalino, também, que nós, neste antes tranquilo pedaço de província, passamos por uma situação de criminalidade que já chegou ao descontrole. Casos de verdadeira barbárie tornaram-se rotina, desenhando os contornos de um quadro verdadeiramente aterrador, além de doloroso e revoltante para aqueles que perderam parentes ou amigos pelas mãos insensíveis e cruéis dos assassinos. Para os que sofrem, só em Deus encontram um bálsamo de conforto para amenizar a dor que lhes rasga a alma. Fora isto, resta – até agora - a vã esperança da ação da Justiça na captura e punição dos culpados. Seria, pelo menos, um consolo.
Creio que a falta de uma segurança ostensiva, estudada, em muito tem contribuído para o aumento dessa situação. A realidade é que a violência, devagar e sem alarde, se instalou entre nós. Hoje, assaltos, arrastões, assassinatos, tráfico, tudo está banalizado. Passaram a fazer parte do nosso cotidiano. Chegamos até a achar bom quando uma pessoa é assaltada e o marginal surrupia “apenas” seus pertences. Não. Isto não é bom. Isto é péssimo! É sinal de que a indignação está dando lugar ao “deixa pra lá”. Quase que dizendo: “Não foi comigo, tá bom demais”.
É, amigos, estamos praticamente entregues aos marginais. Não temos gabinetes a nos proteger, nem moramos em locais cercados por atentos vigilantes. Se nada for feito, viraremos presos nas nossas casas. Temo muito que a situação chegue ao ponto em que a população comece a pensar que a solução deverá ser a justiça com as próprias mãos. Dr. Henrique Baltazar defende o porte de arma. Não sei se é a solução. Porque, se assim for, as ruas virarão campos de batalha. Cada um por si! Triste, isso.
O governador mexeu nas cabeças da Segurança. Agiu e isto é bom. Mas, no atual momento, é pouco. Não creio que nossas polícias consigam dar um basta nisso. Talvez fosse o momento de colocar-se verdadeiramente na batalha e pedir ajuda às forças armadas. Exército, Marinha e Aeronáutica, Polícia Milita e Civil. Todas juntas nessa guerra que, não se pode esconder, foi deflagrada.
Enxergo no Governo Federal uma grande dosagem de responsabilidade. Essa história de distribuir bolsa disso, bolsa daquilo, auxílio daqui, ajuda dacolá, nunca trouxe nada de bom para o país. Podem prestar atenção que esse “tsunami” de violência vem se formando há uns cinco, seis anos. Ora, quem quer trabalhar se tem quem lhe dê uma “mesada”? Fica a frase que todos nós ouvimos desde crianças: “Cabeça vazia é oficina do Diabo”.
E pior: se já não bastavam os adultos pintando e bordando, surge a verdadeira “integração” dos menores de idade à rede criminosa. Está evidente que a falta de uma legislação que trate bandidos - tenham eles a idade que tiverem – como bandidos, motiva o crime e os “menores” agem com toda crueldade sempre protegidos pelo falso escudo da maioridade.
Diante desse quadro, repito: defendo a adoção de uma medida radical! Tipo assim: TOLERÂNCIA ZERO! Como? Matou? Joga numa prisão de vergonha e deixa ele quebrando pedras e apodrecer. É o que merecem. Assim, talvez um dia, possamos dizer, outra vez, ao tomarmos conhecimento de casos de violência: “Ainda bem que não é por aqui”.
*Jornalista (morrendo de medo de sair de casa).
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'Cuidado com papai!'. Artigo de Minervino Wanderley

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Saudade desse aviso. É verdade. Isso lembra os primeiros namoros, primeiros beijos e primeiras aventuras na busca pelo então desconhecido e tão imaginado. Ave Maria, como era bom! Pois bem, vou tentar contar mais ou menos como era. Antes, porém, um aviso: QUALQUER SEMELHANÇA COM FATOS ACONTECIDOS É MERA COINCIDÊNCIA!

Quando começava o namoro de adolescência, o cara tinha uns 14, 15 anos e menina era sempre um pouco mais moça. Diziam que elas amadureciam mais rápido. Deve ser. Toda fruta boa é assim. Se bem que tem umas que o cidadão come quando ainda estão “inchadas” ou “de vez”. Deixa pra lá. Continuando, por volta das sete, sete e meia da noite, cigarro no bico pra impressionar a girl, o playboy chegava na casa da menina. Nervoso, mas sem querer demonstrar, é claro. Afinal, macho é macho! (Eita!) De longe, já na calçada, ela já estava lá a esperar. Bem bonitinha, vestido novo, cheirosa, coisa de deixar o cara doido.

Como o papo era minguado, o negócio era partir para o ataque. Pegava na mãozinha gelada dela com mais força e puxava para um beijo. Os dois corações pareciam a bateria da Mocidade. Só que descompassados de amor, como cantou Elis Regina num bolero de lascar o cano. Olhos fechados e pegue beijo. Cada um querendo mostrar mais “experiência”. Adquirida por ele nas revistas de sacanagem. Por ela, na Querida mais nova. Coisa linda! Com um detalhe: essa fase só de beijos às vezes demorava bem pouquinho. Não que eles enjoassem, é que tinha mais coisa pela frente.

E aí, meus caros, começava a verdadeira Guerra dos Sexos. Ou das mãos. Nessa fase, o banquinho já tinha ficado pra trás. O negócio era em pé. Tinha que ser. Um beijo molhado e lá vai mão em busca de um peito, de uma perna, etc. E lá vem mão tirando a atrevida. Tentava de um jeito, nada. De outro, nada. Então o cara, muito do sem-vergonha, olhava nos olhinhos dela e soltava: “Você não me ama? Se me amasse como eu lhe amo, deixava pelo menos eu dar uma pegadinha” (O safado já tinha mais coisa em mente). Ela, aflita, dizia: “Você sabe que lhe amo. Você é tudo que importa nessa vida. Mas papai disse para eu ter muito cuidado com essas coisas”.

Era nesse momento que o tarado começava a odiar o “sogro”. “Esse velho deve ter feito muita sacanagem na vida pra ter esse cuidado todo”, pensava ele indignado. Mas, com tempo e persistência, ela cedia. A carne era, e é, fraca. O cara apaixonado pela menina se refestelava todo. Pegava aqui, pegava acolá, ela se defendia aqui, aliviava acolá e negócio pegava fogo. E aí, amigos, chegava um dos melhores e saborosos momentos do romance. O cara, completamente “pronto”, encostava nela. Ficavam coladinhos dos pés à cabeça. E ia prum lado, ia pro outro e os olhos revirando, quando, de repente, vem a porra do aviso: “Cuidado com papai!”. Acabava tudo. O “circo” se desarmava ela se recompunha.

E essa novela se prolongava até que ela não resistia mais e – pensava ele – se entregava. De corpo e alma. No caso aí era bem mais corpo do que alma. E a coisa ia. Às vezes prosperava e havia noivado e casamento. Às vezes, ficava pelo meio do caminho. Só restavam as lembranças que cada um carregava. Essa parte está muito bem resumida em “Detalhes”, música que até hoje arrepia muita gente. Vige!

Hoje, aquele adolescente já virou cinquentão ou sessentão e algumas coisas continuam no mesmo formato. Se estiver solteiro, que fique claro! O mesmo ritual só que mais light. Assim, nas noites dos primeiros encontros na casa da dama, algumas coisas lembram os antigos romances. Porém, um determinado aviso mudou e é duro de ouvir, penso eu: “Cuidado com meu filho!”.

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‘Agora é tarde, Gisela é morta!’. Artigo de Minervino Wanderley*

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A bala disparada contra Gisela, de forma cruel, covarde, desumana, ceifou a sua vida. Tirou do nosso convívio uma criatura doce, semblante de paz, exalando bondade. Mas, amigos, essa bala também nos atingiu. Não conheço uma pessoa que tenha visto a cena que não ficou emocionada. Há, em todos, um sentimento de revolta e de lamento dentro do peito. Imagino, meu Deus, como estão as pessoas da família de Gisela. Filho ou filhos à procura da mãe que nunca mais virá. O marido olhando pelos lados à espera de que, a qualquer momento, ela apareça. Todos ainda incrédulos com o fato. A irmã, Andréa, é um poço de tristeza. Seus amigos ainda devem estar procurando explicações para o inexplicável.

Tenho a nítida sensação é de que essas balas estão cada vez mais próximas de nós. Deixaram de ser histórias que ouvíamos contar e se transformaram no nosso cotidiano. Basta ver os programas do gênero. Pergunto: será que a bala que matou Gisela pegou apenas de raspão nas autoridades? Por quanto tempo vamos resistir até sermos obrigados a ficar trancafiados em nossas casas enquanto os bandidos passeiam impunemente pelas ruas? Ir a um restaurante, um bar, ou dar uma caminhada virou uma corrida entre a saída e a volta para casa. Quando se chega em casa, uma sensação de alívio invade a alma.

O que é isso, amigos? Perdemos a briga para os marginais? Quantas “Giselas” serão necessárias para que se adote uma postura eficaz contra a bandidagem? O que diz o comandante da Polícia? “Vamos capturar esses bandidos.”? Tem que pegar antes do crime, comandante. Não me pergunte como, pois não sou policial nem aceitei ser o famoso “Chefe de Polícia”. Não digo que é fácil, de forma alguma. Mas, isso só chegou a esse ponto em razão da ineficiência do poder público.

Ninguém quer mais festejos, fogos, pontes, estradas. Queremos festejar o fim dessa verdadeira barbárie. Queremos soltar fogos a cada criminoso preso e condenado. Queremos atravessar a ponte que nos conduz à paz. Queremos, isso sim, poder andar pelas estradas alegres e fagueiros em busca da nossa Cidadania. Essa mesma Cidadania que, aos poucos, vão retirando de nós. Governador, isso virou guerra! E, numa guerra, só há vencidos e vencedores.
Por enquanto, estamos perdendo feio. Vamos reagir, embora agora seja tarde, já que Gisela é morta.

*Jornalista e amigo de Andréa Mousinho.

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'O meu (re) nascimento'. Por Minervino Wanderley*

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Quando nasci, meu pai, ansioso, perguntou ao médico:
- É macho?
O doutor, coitado, não pôde responder na hora. Primeiro ele queria saber o que era aquilo. Depois de muito analisar, disse:
- Acredito que sim, ‘seu’ Emílio.
E assim foi o meu, digamos, nascimento.

Quando as visitas chegavam, minha mãe pegava aquele troço magro, seco, parecendo uma lambisgóia e perguntava às amigas:
- Ele não é uma gracinha?
As senhoras, muito educadas, olhavam-se e, com o mesmo pensamento (que bicho feio danado!), concordavam. Afinal, elas se queriam muito bem, embora ao saírem da Maternidade Januário Cicco conversassem entre si:
- Até agora eu não sei quando o menino tá de costas ou de frente! - Dizia uma.
- De que será que ele se alimenta? - Perguntava outra. E tome gargalhadas.

O tempo passou e a coisa nada de melhorar. Começava pelo nome: Minervino. Isso não é um nome, isso é marca de remédio ou de sabão em pó, me disseram uma vez. E eu calado. Também, o que é que eu ia dizer? Eu mesmo me olhava no espelho e pensava:
- Valha-me Deus, tô lascado. Qual vai ser a mulher que vai querer um xamego com cara feio desses? Só me restava fazer promessas. E não era para um santo só, não. Era para TODOS OS SANTOS.

Mas, como toda promessa que se faz com fé se alcança, um dia, já tinha uns 15, 16 anos, quando aconteceu o fenômeno Ojuara, aquele herói que nos foi apresentado por Nei Leandro. Eu tava na fila do cinema Rex, quando um engraçadinho disse:
- Ei, galera, tem um ET aqui fora. - E isso na frente das meninas, que deram aquele risinho de canto de boca. Foi a última coisa que o engraçadinho falou na sua vida, tamanha foi a porrada que lhe dei pegando boca, queixo e nariz. A última notícia que tive dele, foi que ele estava procurando emprego num circo.

Pois bem, desse dia em diante, os meninos passaram a me respeitar, transei com as filhas das amigas de mamãe que riram de mim, e ainda fui chamado para trabalhar numa peça no Colégio Marista. Tá legal, não era uma grande peça, mas já era um progresso descomunal.
Comecei, também, a explorar alguns dotes que vieram com a força das promessas. E que dotes! Basta dizer que quando fui fazer uma determinada cirurgia, a pele que sobrou serviu pra duas empanadas de circo, deu pra fazer 12 surdos, 16 pandeiros e 30 tamborins pra a Malandros do Samba, sem contar com dois tamancos, um pra Diva Cunha e outro pra Valéria Queiroz.

E hoje, minha vida é essa que vocês conhecem: um sucesso! Participo do Jet da terrinha, dinheiro não falta, vivo nas colunas e blogs sociais, e são incontáveis os convites para peças publicitárias. Mulheres à vontade e tudo o mais.

Epa!!! O despertador tocou. Vou voltar à minha vidinha de sempre. Feliz por estar vivo e com saúde. É isso o que vale. O resto, o vento ou a vida se encarrega de levar.

*Jornalista

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'Saudade, por que não me deixas?' Por Minervino Wanderley

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Saudade, por que não me deixas?

Saudade, por que resolvestes ancorar no meu peito?
Chegastes abarrotada de lembranças amargas e reabristes os armazéns da memória.
Eles que estavam fechados há tempo à espera de cargas de amor. Por menor que elas fossem.
Vá embora!
Por que não procuras outro porto?
Há tantos por aí. Talvez até uns que nunca te abriram as portas.
Será que viestes guiada pela luz amarela da recordação?
Maldito farol!

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"Será que sou 'careta'?" . Artigo de Minervino Wanderley

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Esse pensamento surgiu depois que soube que uma menina de quinze anos colocou silicone nos seios para “dar uma turbinada” e não aprovei a atitude. Puxa! Não é cedo para isso? O corpo dela não está ainda em transformação? É culpa da televisão que mostra a atividade sexual cada vez mais precoce? Ou será culpa da mãe, que concordou com isso? Estou falando concordar, porque pode ser até que a mãe incentive. É verdade. Tem mães que são assim. Querem que as filhas sejam o que elas não conseguiram ser.

Sei lá! Não me considero um cara preso às regras do passado. De forma alguma. Do passado, só guardo as boas lembranças para, vez por outra, dar uma viajada no tempo. Guardo também algumas más lembranças. Essas, somente para que eu me lembre e não cometa os mesmo erros. Só. Com relação às mudanças do nosso cotidiano, adaptei-me perfeitamente. Vivo em paz com isso. O que me deixa encucado – palavrinha antiga, né? – é ver que a infância e adolescência estão cada vez mais se unindo. Do jeito que vai a criança sai da infância direto para as boates e shows da vida. Não tem mais bonecas, nem peladas, nem sonhos de ser uma princesa, nem de ser o galã da rua. Nada.

Porra! Como é bom passar por aquelas fases. Ser criança e não ligar pra porra nenhuma. Ser adolescente e se ligar “naquelas coisas”. Ir para a faculdade e sentir a vida de adulto acenando. Bom demais! Namoros escondidos, beijos roubados - nem sempre -, cinemas, praia, a família em casa, era tudo muito bom. Dei uma volta ao passado danada, não é verdade? Eu sei. Mas é para registrar o quanto é bom lembrar-se disso.

Nos dias de hoje, vejo meninas de quatorze, quinze anos, com corpos cada vez maiores que tentam ficar escondidos por roupas cada vez menores. Vejo, também, meninas que mal chegaram à adolescência já com um bebê no colo. O pai, uma criança também. Esse filho vai ser criado pela avó, é claro. Pois quando se casam, o tempo de casado é menor que o tempo que passaram fazendo a encomenda. Ora, a menina vai querer sair para as baladas e o pai vai por aí em busca de novas mães. Ou mães novas.

Tive um treinador - quando ainda jogávamos futebol de salão – chamado Bel, que dizia quando um zagueiro se metia a sair driblando: “Não adianta forçar a natureza!”. O que Bel queria dizer era que tudo tem seu tempo, sua hora, e seu lugar. Não podemos atropelar a vida. Por mais que se tente, mais na frente vem a resposta. Às vezes muito dura. Portanto, vamos viver de acordo com nossos instintos e criar nossos filhos nessa linha de pensamento. Caso contrário, vamos criar netos.

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'O vacilo do armário'. Artigo de Minervino Wanderley

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Isso aconteceu mesmo!

Era um domingo como outro qualquer e fui para o Clube de Engenharia assistir ao jogo Flamengo X Corinthians, na espera de uma vitória do rubro-negro. Cheguei e fiquei numa mesa na qual estavam, entre outros, Léo Sodré, Wilson Cardoso ,à época presidente do Clube, Mário Galvão e Josué Teixeira.

Estava sem beber e não precisa dizer o quanto o papo foi ficando chato. Ex- biriteiro é assim. Exigente nas conversas. Bem, como o jogo só começaria às 18h, resolvi dar uma navegada na net, pra ver o que estava acontecendo, consultar e-mails, redes sociais, esses babados. Acontece que, ao sair do computador, deixei aberta, num grave vacilo, minha página do Facebook.

Vocês não imaginam o que me aconteceu por este erro.

Léo Sodré, como sempre brincalhão, percebeu o descuido e, fazendo-se passar por mim, postou um novo perfil para este inocente usuário. Neste novo Minervino, constava que eu “Tinha assumido minha preferência sexual e ia sair do armário.”

Até aí, sem saber de nada, assisti ao jogo e, depois, fui ao Kopenhagen do Midway Mall encontrar a namorada que demonstrara, pelos momentos vividos, estar apaixonada. Assim como eu, confesso. 

Ao chegar, estranhei sua frieza quando me sentei ao seu lado. Recusou um carinhoso beijo e inventou uma esfarrapada desculpa para ir embora. “Que porra é essa?”, pensei. Ora, tínhamos combinado de ir jantar num motel, do mesmo jeito como tinha sido no domingo passado. Eu tinha gostado muito do slogan COMA DUAS E PAGUE UMA. Não comi nada, paguei o café e fiquei com aquela cara de idiota frustrado e fui pra casa.

Convenhamos: domingo à noite, sozinho em casa, é de lascar. Fui direto para o computador me distrair e pensar sobre a atitude da minha - ainda - amada.

Amigos, quando abri o facebook fiquei pasmo, desorientado, e com saudades de mamãe. Também pudera! Tinha um monte de mensagens de homens (?) me elogiando e me fazendo convites nada agradáveis, tipo “Parabéns por sua coragem”, ou “Unidas jamais seremos vencidas” e outras desse naipe. Mas, o que me deixou boquiaberto foi o fato de que algumas mensagens vinham de conhecidos meus que eu julgava serem machos até a alma. Tudo querendo marcar encontro, convidando para festas “alegres”, etc.

Foi aí que me deu o estalo. Lembrei-me do Clube e de que tinha saído abruptamente do computador e não havia fechado todas as páginas. Quando vi, o estrago estava feito. Tive que refazer o perfil, responder aos e-mails relatando o fato e jurando que jamais contaria a ninguém os emissores e seus respectivos teores.

Ficou chato pra caramba isso. Até hoje, quando passo por um “daqueles”, vejo em seus olhares a pergunta: “Arrependeu-se?”. A namorada só voltou pra mim depois que Léo confessou de joelhos a ela o que tinha feito e eu, à custa de um Cialis, tive que provar, várias vezes numa mesma noite,  que gostava da fruta.

Fica o conselho: ao sair de um computador, deixe tudo fechado, sob a pena de passar o que passei. Principalmente se Léo estiver por perto. Você corre o risco de receber uma mensagem dele. (MW)

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'A chaga de Marinho'. Por Minervino Wanderley*

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O sucesso e o fracasso andam de mãos dadas. Assim, como se namorados fossem, tamanha é a proximidade. Não são raras as histórias que ouvimos sobre pessoas que conheceram a glória e foram merecedores de respeito, muitas vezes pelo mundo inteiro, e que depois, num átimo, desaparecem. Ninguém fala nelas, ninguém sabe onde andam, sequer sabem se ainda estão vivas, tamanho é o desinteresse.

Com Marinho ocorreu esse fenômeno. Surgiu do nada e se transformou no melhor lateral esquerdo da Copa do Mundo de 1974. Foi endeusado pelos homens, adorado e desejado pelas mulheres. Sua fama corria o mundo e a mídia não lhe poupava elogios. Digo isso com certeza porque minha mãe, Martha Wanderley Salem, era professora de alemão e Jair Paiva, então o “padrinho” de Marinho, levava revistas alemães para que ela traduzisse as matérias sobre o “Diabo Louro” – como na Alemanha era conhecido. Isso tudo porque houve uma negociação com Shalke 04 e o fato virou notícia principal nos jornais e revistas germânicas especializadas em esporte.

Marinho foi cidadão do mundo. Jogou nos Estados Unidos, ganhou dinheiro e lá sentiu a sensação de ser rico e poderoso. Mas Marinho era simples e não tinha a exata ideia do que agora representava para o esporte. Continuou jogando seu futebol e esbanjando o dinheiro que ganhava. Não se preocupou em fazer investimentos, pé de meia, essas coisas, por que se julgava imortal. Imune às mazelas da vida. Infelizmente, veio a conhecer e conviver com isso quando parou de jogar. roda de aproveitadores, biriteiros e por aí vai.

Para piorar sua situação, Marinho foi procurar num amigo o ombro e os conselhos para a vida. Pobre Marinho. O amigo que ele escolhera era o seu pior inimigo, pois se fazia de amigo e quando era usado deixava nosso jogador mais perto do buraco que, sem saber, tinha começado a cavar. Esse amigo, que é facilmente encontrado em qualquer birosca é conhecido por muitos nomes: Branquinha, Água que passarinho não bebe, Caninha, etc. Seu nome mesmo era Álcool. E Marinho abusou de fazer uso dele.

Várias internações, visitas nobres, como Platini, Beckenbauer, nada fez com que ele criasse forças e driblasse esse inimigo. Foi inapelavelmente batido pelo álcool. O mundo do esporte perdeu um gênio. Os pais perderam um filho. Os verdadeiros amigos ainda choram de saudade. O RN perdeu seu maior nome do meio esportivo. Nós, que gostamos de futebol, ficamos órfãos.

Tem nada não, Marinho. Lá em cima você deve ter encontrado amigos de verdade e a bola rola outra vez. Para a alegria de Garrincha, que era como você. Tudo sob o olhar complacente Dele, que era, sem dúvidas, seu fã.

*Jornalista

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