NATAL PRESS

O apelo irresistível por novas e intensas sensações explica a proliferação de eventos ditos ‘ do século’ , versão rudimentar do já famoso ‘nunca antes na história dessepaiz’. Foi o caso do jogo de basquete da década, século, milênio, como queiram.

Na quadra, do ginásio recém inaugurado e, dizem, assaz superfaturado, desfilaram os maiores talentos, assistidos nas arquibancadas por uma plateia exigente, mas sabendo ser pródiga em aplausos, quando julgasse oportuno. E oportunidades não faltariam. Com o risco de cometer horríveis injustiças por omissão, assinalaremos algumas presenças notáveis nas tribunas, nos camarotes e nas arquibancadas. Lá estava Marina da Selva, soprano do teatro Scala de Milão. A seu lado, três irmãos Marx: Groucho com seu charuto, Harpo com sua harpa e Karl com sua urticária. Napoleão Bonaparte alegou uma indisposição estomacal, a mesma da batalha de Waterloo e se fez representar pelos primos François e Francisco Buarque – ambos de Hollanda, sendo que o último resolveu abandonar seu duro exílio na Île Saint Louis, depois de receber garantias de que o Fluminense jamais seria rebaixado. Foi notada também a presença discreta de renomado caçador de neologismos que preferiu manter um impossível anonimato, mesmo porque como antigo ocupante do Mistério das Ciências ocultas, nada precisaria ocultar. Identificado, Aldo Rebelde acenou para a plateia. Representantes de outros ministérios, maxistérios e mistérios também estavam lá, mas seria cansativo citá-los. Um público Maduro, em suma. Como detalhe pitoresco, na entrada o famoso bookmaker Guido Margarina apostava. Quais as apostas? Ora, resultado do jogo, PIB, inflação e apimentava as apostas, se é que se pode falar em apimentar, colocando em jogo vinhos de sua bem fornida adega.

Eis que surgiram os dois times.

De um lado, conduzidos por Magic Lula, ostentando uma invencibilidade de 12 anos, o Mens sana em salão. Desfilaram seu físico privilegiado, Wilt Chamberlain Dirceu, João Paulo Mallone, Larry Bird Delúbio, Nenê Genoino. LeBron Vaccari. Carmelo Anthony Berzoini, Paulo Bernardo Jordan e Rui Facão Pippen. Como atração adicional. o time ganharia reforços femininos no segundo tempo. No banco de reservas, Jack Niebelungo Wagner e Tony Merca Ewing.

Do lado oposto, entraram Zé lite1, Zé lite2, Zé lite 3 , e para não cansar o leitor, a lista termina com Zé lite 12. Todos pertencentes ao grupo que não gosta de ver pobre tomando avião e levando-o para casa.

Uma ameaça de invasão do ginásio pelo Coro do Exército Vermelho foi contida. Os integrantes se limitaram a cantar o clássico Kalinka sob a regência do maestro Stedilev.

Antes do apito inicial, houve um fremissement na tribuna de honra, motivado pela chegada de Didu Morumbi, seus convidados Noninha e Zé das Docas, escoltados pelo fiel mordomo Archibaaaald. Zé das docas tinha vindo especialmente para ver Rei Velino doutô de bola.

- Archibald , quando o Saint Paul de mon petit coeur marcar seu primeiro gol , tem direito de aplaudir.

- Mas, milord, é um jogo de basquete.

- Oh, my God, dê-me o binóculo com lentes tricolores, para mim acompanhar o jogo.

- Para eu acompanhar, milord.

- E eu não sei...plágio sem muito pudor da fala de José Lewgoy.

Fechemos essa janela indiscreta e vamos ao jogo.

Antes, a vaia ao hino norte-americano e a execução do Ouviramdu por Fafá de Belém

Bola ao ar. De imediato Magic Lula agarra o calção de um Zé Lite e ao ser admoestado, declara nada poder declarar, pedindo apenas perdão ao povo brasileiro. Segue o jogo, alternando–se cestas de dois, de três pontos e cestas básicas. LeBron Vaccari , Nenê Genoino e João Paulo Mallone defendem por zona, aliás está tudo uma zona.. Esgotado Magic Lula, pede substituição, e nem terminou o primeiro quarto. O técnico Tony Gramsci o saca do time. Nervoso, Magic faz embaixadas do lado de fora. Após a de Tuvalu, passa a fazer apenas consulados. Termina o primeiro quarto. Para os curiosos, procurem a contagem no Google. O time de Magic está carregado de faltas. De caráter, de decência, de decoro etc., mas o limite coletivo jamais será atingido devido a um embargo intransigente julgado no Supremo e ratificado do Extremo.

Recomeça o jogo e até a metade nada sucede. A defesa prevalece e a contagem não se altera. Não, não foi falha do painel de leds, mesmo porque nem instalado está, sua colocação faz parte do PAC5. Na súmula, Mens sana em salão ou Nightmare team amarga uma acachapante derrota, com menos de 10% de arremessos bem sucedidos.

No intervalo entre o primeiro e segundo tempo, entra em campo um meninão aparentando uns cinquenta aninhos, com um balde de tinta e alguns pinceis. E começa a desenhar um complicado labirinto: o ciclo da via. Melanie Klein explica aos presentes tratar-se de uma abordagem lúdica de uma personalidade cuja infância foi marcada por ausência de Édipo – partido em missão a Moscou.

Para divertir a plateia Eddy Matt entoa sua pièce de resistance Blowin in the Wind. Ao ser gongado, retira-se e retoca seu programa de renda mínima, a ser utilizado pela indústria de monoquínis.

Recomeça o jogo. Parecia que o Dream team estivesse indo Moro abaixo. Nada disso. O time de Magic apresenta a pivô Marta, enquanto Magic prepara uma pivoa – ela faz questão de ser assim chamada-. Sai Marta, transferida para outro time, entra a Pivoa e o panorama do jogo muda. Nas tribunas Cerveró pisca – que maldade - para Yousseff, agora vai. Todos ficam sem Graça com o comentário. Didu Morumbi autoriza Archibald a bater 5 vezes palmas em sinal de júbilo. Nos vestiários o técnico ministrou aula de Levytação e a esperança renasce.A pivoa começa o show de enterradas. Enterra a Economia, enterra a Industria, enterra o PIB e ao escorregar numa poça de água na quadra, consequência de uma goteira ou de alguma pequena marolinha, falha ao enterrar ‘essepaiz’. A companhia das letras altera um famoso título para À Gombra das Goteiras Imortais , futuro best seller. Magic já está em São Bernardo assando coelhinhos. E o jogo? Verdade. É que a pivoa fez um corta luz, faltou luz no ginásio e o jogo foi anulado.

Alexandru Solomon, formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas, autor de ´´Almanaque Anacrônico´´, ´´Versos Anacrônicos´´, ´´Apetite Famélico´´, ´´Mãos Outonais´´, ´´Sessão da Tarde´´, ´´Desespero Provisório´´, ´´Não basta sonhar´´, ´´Um Triângulo de Bermudas´´, ´´O Desmonte de Vênus´´,(Ed. Totalidade), ´´Plataforma G´´, ´´Bucareste´´ e ´´ A luta continua´´ (Ed. Letraviva). Nas livrarias Cultura e Siciliano. E-mail do autor: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

A ilustre senadora Gleisi Hoffmann deve nutrir uma particular simpatia pelos números primos. Isso explica porque ela pretendeu elevar a CSLL dos bancos de 15% para 23% e alterar o conteúdo da MP 675, estipulando uma CSLL de 17% para as cooperativas de crédito, ao invés dos mesmos 20%. Vale lembrar que a CSLL subiu de 9% para 15% através da MP 413, que foi objeto de Ação Direta de Inconstitucionalidade, que não deu em nada, ninguém quer largar o bife, quer dizer o osso.

Arbitrar alíquotas envolve sempre um grau de subjetividade, se bem que algum estudo, mal algum faria. Detectada essa simpatia pelos números primos, sobra o receio de que a próxima estação seja 29 ou quiçá 31%, supondo que a voracidade ´arrecadatória´ se intimide diante dos demais números primos, 37, 43 etc.

Não é impossível imaginar que diante do aumento da cunha fiscal, as instituições financeiras tentarão repassar esse aumento, resultando um estreitamento do crédito  um aumento da inadimplência seguido de um decréscimo dos lucros e, consequentemente, uma redução da receita que se pretendia auferir. Nada mais seria do que a aplicação da curva de Laffer –contestada por alguns – que mostra a elasticidade da renda taxável. Dito de outra forma, à medida que aumenta a taxação, a receita sobe até determinado nível, passando a decrescer com novos acréscimos.

Procurando entender o que determinou o recuo da senadora – claro, o medo de comprometer a aprovação da MP 675 foi o pretexto invocado – vale lembrar que essa paulada destinada às instituições financeiras em geral, incidiria também sobre BB, CEF, last but not least sobre o BNDES, sem contar BASA e BNB. O resultado da aplicação de uma alíquota mais alta sobre empresas totalmente controladas pelo Governo, ou sobre aquelas que possuem abnegados acionistas minoritários (caso do BB) será uma simples transferência, com alguma perda, do bolso esquerdo para o bolso direito da viúva. Ou seria o contrário?

A CSLL em si já uma jabuticaba. Por sorte, o efeito laxativo da jabuticaba é limitado.

Mas como não há mal que não possa piorar, o fantasma da famigerada CPMF volta a se materializar.

Vale a pena lembrar Baltasar Gracián: ”São necessárias hoje mais condições para fazer um sábio do que antigamente para fazer sete”. Os sábios estão escasseando.

Alexandru Solomon, formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas, autor de ´´Almanaque Anacrônico´´, ´´Versos Anacrônicos´´, ´´Apetite Famélico´´, ´´Mãos Outonais´´, ´´Sessão da Tarde´´, ´´Desespero Provisório´´, ´´Não basta sonhar´´, ´´Um Triângulo de Bermudas´´, ´´O Desmonte de Vênus´´,(Ed. Totalidade),  ´´Plataforma G´´, ´´Bucareste´´ e ´´ A luta continua´´  (Ed. Letraviva). Nas livrarias Cultura e Siciliano. E-mail do autor: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo." target="_blank" style="color: rgb(17, 85, 204);">Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

Muito menos por causa da decantada “marolinha” e muito mais pela desorganização de nossa economia, nas asas da nefasta “nova matriz econômica”, o País enfrenta uma situação calamitosa. As seguidas pajelanças inovadoras, obras de feiticeiros-aprendizes, ventríloquos de um poder absoluto – absolutamente incompetente -, criaram uma desorganização tal, que seria dar prova de um verdadeiro autismo afirmar que após uma breve “travessia”, um crescimento vigoroso está para acontecer. Mas como tudo é relativo, o conceito de “breve” se presta a qualquer interpretação. O tratamento dado à inflação durante o Dilma 1, associado a uma série de medidas cuja enumeração serviria apenas para desopilar o fígado, trouxe repercussões de difícil avaliação. Qualquer que seja a decisão do COPOM, a SELIC aprisiona nossa economia numa armadilha de difícil escapatória. Uma ‘brincadeira’ de Cila e Cáribdes. Aumentar os juros combate a inflação, porém o custo do serviço da dívida arrebenta o já improvável superávit primário. Diminuir a taxa básica possibilita um aparente alívio, logo varrido pela volta do dragão que pensávamos ter sido sepultado definitivamente. No momento, falar em “estagflação” (estagnação mais inflação) passa a ser um eufemismo, quando o mais adequado seria falar numa ‘receflação’ (recessão mais inflação). Nessa crise que sufoca a indústria, um único segmento está com boas perspectivas no curto prazo: o da fabricação de panelas. A Nação há de ser eternamente grata aos artífices desse flagelo.

Alexandru Solomon, formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas, autor de ´´Almanaque Anacrônico´´, ´´Versos Anacrônicos´´, ´´Apetite Famélico´´, ´´Mãos Outonais´´, ´´Sessão da Tarde´´, ´´Desespero Provisório´´, ´´Não basta sonhar´´, ´´Um Triângulo de Bermudas´´, ´´O Desmonte de Vênus´´,(Ed. Totalidade), ´´Plataforma G´´, ´´Bucareste´´ e ´´ A luta continua´´ (Ed. Letraviva). Nas livrarias Cultura e Siciliano. E-mail do autor: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

- Estamos subindo?

- Não, estamos descendo.

Assim tem início o romance A ilha mistérios de Jules Verne. Os fugitivos Cyrus Smith, Nab, Pencrof, Gedeon Spilett e o cão Top. A bordo de um aerostato preso numa tempestade, assistem impotentes à perda de altitude do balão. Para evitar a queda nas ondas enfurecidas do oceano, começam a atirar os objetos a bordo. Lá se vão mantimentos, utensílios, moedas de ouro etc. Isso não bastou, então, em desespero de causa, resolvem separar-se da nacela, permanecendo agarrados nas cordas, conseguindo chegar à ilha misteriosa.

Essa passagem tem uma incrível semelhança com uma situação presente. Ante a queda iminente, foram atirados às ondas, Delúbio, Genoino, Dirceu, Vaccari, e, por fim o próprio PT simbolizado pela nacela. A História se encarregará de contar o resto.

Alexandru Solomon, formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas, autor de ´´Almanaque Anacrônico´´, ´´Versos Anacrônicos´´, ´´Apetite Famélico´´, ´´Mãos Outonais´´, ´´Sessão da Tarde´´, ´´Desespero Provisório´´, ´´Não basta sonhar´´, ´´Um Triângulo de Bermudas´´, ´´O Desmonte de Vênus´´,(Ed. Totalidade), ´´Plataforma G´´, ´´Bucareste´´ e ´´ A luta continua´´ (Ed. Letraviva). Nas livrarias Cultura e Siciliano. E-mail do autor: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

Mais uma vez o imposto sobre grandes fortunas volta às manchetes. Há alguns argumentos de peso contrários à adoção desse imposto. É fácil enumerar alguns. Em primeiro lugar, poucos são os países que o adotam. Se é um mecanismo tão bom, seríamos nos uns entre os poucos a identificar essa solução maravilhosa? Em segundo lugar, em muitos casos há ‘grandes fortunas’ constituídas basicamente por propriedades, já taxadas por impostos como IPVA e congêneres, além de os recursos que possibilitaram as aquisições desses bens já terem sido ‘mordidos’ pelo Leão. Os detentores de grandes patrimônios imobiliários não estariam aptos a pagar o imposto sem se desfazer de casas, terrenos, obras de arte etc. Finalmente, as realmente grandes fortunas líquidas conseguirão se esquivar através do efeito Depardieu, ou seja, sairiam do País, de maneira absolutamente legal. E são justamente essas, cujo espírito animal dos seus proprietários que se quer despertar, grandes geradoras de empregos. Simples assim. Na ânsia de taxar o “andar de cima”, os estragos ficarão no mezanino. Já circularam números absurdos quanto ao potencial arrecadatório desse imposto, alguns deles da ordem de grandeza do nosso PIB. Deixando de lado a conotação populista por trás dessa pregação, seria interessante que os defensores dessa medida, no próximo congresso nacional do PT avaliassem de maneira objetiva seu real potencial e possíveis inconvenientes. Nem se diga que advogar contra esse imposto é uma atitude antipetista, uma vez que o autor do projeto é o insuspeito (?) FHC.

Alexandru Solomon, formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas, autor de ´´Almanaque Anacrônico´´, ´´Versos Anacrônicos´´, ´´Apetite Famélico´´, ´´Mãos Outonais´´, ´´Sessão da Tarde´´, ´´Desespero Provisório´´, ´´Não basta sonhar´´, ´´Um Triângulo de Bermudas´´, ´´O Desmonte de Vênus´´,(Ed. Totalidade), ´´Plataforma G´´, ´´Bucareste´´ e ´´ A luta continua´´ (Ed. Letraviva). Nas livrarias Cultura e Siciliano. E-mail do autor: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

Poetema :: Alexandru Solomon

Cartas que escasseiam


Fico sem notícias, não é fato raro

Aguardando cartas, resta esperar

Que de certa forma irá infirmar

O que já pressinto, através do faro.

Mas neste momento, fruto do progresso,

Toda residência tem computador.

Então , já vislumbro o meu salvador,

Já que simplifica tanto o processo.

Paira na lembrança uma velha história.

O dono de um burro tentou inovar,

Uma nova dieta tentou implantar.

Com aquele burro, procurou a glória.

A ração diária foi diminuindo.

Se tivesse lido Maquiavel, talvez

Teria feito todo o mal de uma vez.

Iludiu-se vendo o burro resistindo.

Reduziu a zero, como desejado,

Já se preparava pra comemorar.

Foi fatalidade ou, então, azar,

Encontrar o burro morto, estirado.

Vendo o desastre, lamentou decerto

Já que a experiência decorria bem,

Tudo andava certo, a menos de um porém

Que pôs tudo a pique, mesmo estando perto.

*Do livro ´´Desespero Provisório´´

Alexandru Solomon, formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas, autor de ´´Almanaque Anacrônico´´, ´´Versos Anacrônicos´´, ´´Apetite Famélico´´, ´´Mãos Outonais´´, ´´Sessão da Tarde´´, ´´Desespero Provisório´´, ´´Não basta sonhar´´, ´´Um Triângulo de Bermudas´´, ´´O Desmonte de Vênus´´,(Ed. Totalidade), ´´Plataforma G´´, ´´Bucareste´´ e ´´ A luta continua´´ (Ed. Letraviva). Nas livrarias Cultura e Siciliano. E-mail do autor: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

Há um provérbio na região dos Balcãs “A aldeia está em chamas e a anciã penteia seus cachos”. Talvez a terra dos ancestrais de nossa Presidenta tenha tido influência na farsa marqueteira da definição da amplitude do corte orçamentário. Nem supermercado agiria melhor ao estabelecer seus preços.

Não é o caso de se discutir se um corte de 70bi ia ser ou não suficiente. O ajuste é necessário por estar nossa economia desajustada, para usar um eufemismo. Uma vez que o mínimo proposto era 70bi, o que pode significar apresentar 69,9 bi? Até os farallones da ilha de Capri sabem que não existe uma precisão de 2milésimos (isso mesmo) numa peça orçamentária.

Dois quilômetros a menos numa estrada, alguns funcionários a menos, cortar meia dúzia de cartões corporativos... De mais a mais com a “ajuda” inesperada do PIB que , ao que tudo indica, será menor que o de 2014, ficaremos mais próximos do percentual almejado do superávit primário. Só pode ter sido, então, uma manobra para ‘’enquadrar” o ministro Levy. O fato de ele continuar- oxalá que continue - demonstra que ele tem plena consciência do desastre que seria uma saída sua neste momento. Esse 69,9 é uma vergonha, mistura de populismo, do ‘sabe quem manda aqui?’, de briguinhas nessa equipe econômica, na qual há mais de um pretendente a spalla nessa orquestra cacofônica. Enfim, demonstração de má-fé no seu mais alto grau.

Alexandru Solomon, formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas, autor de ´´Almanaque Anacrônico´´, ´´Versos Anacrônicos´´, ´´Apetite Famélico´´, ´´Mãos Outonais´´, ´´Sessão da Tarde´´, ´´Desespero Provisório´´, ´´Não basta sonhar´´, ´´Um Triângulo de Bermudas´´, ´´O Desmonte de Vênus´´,(Ed. Totalidade),  ´´Plataforma G´´, ´´Bucareste´´ e ´´ A luta continua´´  (Ed. Letraviva). Nas livrarias Cultura e Siciliano. E-mail do autor: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo." target="_blank" style="color: rgb(17, 85, 204);">Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

Dando prosseguimento ao relato de minhas experiências com essa empresa maravilhosa, tenho que, por uma questão de apego à verdade, reafirmar minha crença de ser o único ser afetado por tumbice galopante a poder declarar-me totalmente insatisfeito com o serviço que recebo. Isso tem tudo a ver, insisto, com meu proclamado azar. Encontrei um paralelo na famosa ópera de Puccini, La Bohême e sua célebre ária, Che gélida manina.(que mão gelada). No meu caso, seria o caso de transformá-la em: Mas que pé-frio. Encarnaria Rodolfo e sem o brilho de um Pavarotti poderia declamá-la – cantar seria demais e ninguém merece – a uma atenta Lucia, aliás Mimi.

Che cosa faccio? Scrivo.

E come vivo? Vivo.

De fato, atualmente, dedico-me a profanar a arte de escrever.

Uma simples questão de pontuação traduziria à perfeição minha situação:

E come vivo, Vivo?

Suponho que todos os meus doze leitores dispensarão a tradução. Pois é, Vivo, como consigo viver assim?

O mais recente episódio – seguramente não cometerei a imprudência de classificá-lo como o último - pode ser resumido assim. Antes de uma breve viagem, a internet pifou. (Exclamações horrorizadas da plateia, diante do inusitado: Ooooooooooooooh!) Seguiu-se a rotina já descrita, atendente recitando aquele script digno de um invertebrado, liga modem, desliga etc., a informação de que havia problemas na área, sem previsão de normalização, e... no dia seguinte serviço normalizado, a tempo de eu enviar uma declaração retificadora ao meu amigo Leão, corrigindo uma burrada cometida o ano precedente. Deixei a nova declaração pronta, mas seguindo uma rotina de muitos anos, deixei ‘dormir’ a declaração deste ano. Fui viajar por uma bela semana, decidido a enviar o informe assim que voltasse.

Não é preciso dizer que ao voltar, não havia mais serviço. Em que momento aconteceu a interrupção? Ora, não sou adivinho. A triste realidade é que estava colhendo mais uma evidência da minha já recorrentemente proclamada desdita. Segui novamente o roteiro familiar, naquela quinta-feira da semana passada. Manobra 1 , manobra 2, ncpa.cpl, rasphone, etc e a conclusão: “Será agendada uma visita de um técnico, pode ser no sábado à tarde?”. Não era, já, não era no dia seguinte... “Pelamordedeus, não pode ser amanhã, sexta?” Diante da resposta esperada,( devo abandonar esse triste hábito de imaginar que a grande empresa se sensibilizaria diante de um drama, que afinal de contas, aflige apenas um único assinante...talvez não seja o único, pois onde estava o glorioso exército de técnicos?) combinamos que seria na segunda, na parte da manhã. Chegou o dia aguardado com impaciência. Internet fora do ar, as horas passando e...nada. Vamos ao 10315. Anote o protocolo, em que posso ajudar, como devo chamá-lo etc.

“Onde está o técnico?” – concentrei nessas singelas palavras toda a minha expectativa frustrada? “ Que técnico?” foi a resposta glacial da outra extremidade da linha. Resumindo: Não havia visita programada.

“Mas foi acertado...!”

“No sistema não consta”

Ninguém discute com o sistema. Assumi a dupla identidade de azarado e gagá e acertamos uma visita para a terça feira. Não garanto ter mantido durante esse diálogo o desprendimento e os bons modos recomendados por Marcelino de Carvalho (alguém se lembra?).

Desliguei, desesperançado, quando, ó estupoire!... constatei estar conectado à rede mundial. Mais rápido que um político desses declarar-se indignado com as acusações da mídia golpista, aproveitei a janela de transferência... de dados, e cumpri meu dever cívico. Enquanto saboreava as delicias da normalidade, a janela se fechou, numa clara demonstração de quão efêmera pode ser a felicidade.

Por sorte, o técnico virá. Neste momento, ainda não sei se terei essa ventura, apesar de, escaldado pelo episódio precedente, ter confirmado que desta vez, a visita estava agendada no sistema.

E POR QUAL MILAGRE ESTÃO RECEBENDO ISSO? O TÉCNICO AINDA NÃO CHEGOU, MAS O SERVIÇO VOLTOU. DECIDIDAMENTE, TALVEZ EU NÃO SEJA TÃO AZARADO ASSIM!

Alexandru Solomon, formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas, autor de ´´Almanaque Anacrônico´´, ´´Versos Anacrônicos´´, ´´Apetite Famélico´´, ´´Mãos Outonais´´, ´´Sessão da Tarde´´, ´´Desespero Provisório´´, ´´Não basta sonhar´´, ´´Um Triângulo de Bermudas´´, ´´O Desmonte de Vênus´´,(Ed. Totalidade),  ´´Plataforma G´´, ´´Bucareste´´ e ´´ A luta continua´´  (Ed. Letraviva). Nas livrarias Cultura e Siciliano. E-mail do autor: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo." target="_blank" style="color: rgb(17, 85, 204);">Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

Segundo Lord Keynes: ´´é melhor estar vagamente certo do que rigorosamente errado´´. Não se sabe qual teria sido a apreciação de algo vagamente errado, que é o caso do balanço da Petrobrás. Salvo erro meu, a empresa preocupou-se em quantificar, ainda que de uma maneira tosca, o quanto seus fornecedores usaram para abastecer o ´propinoduto´ que foi desembocar em bolsos de... deixa pra lá. Parece óbvio que os fornecedores não se contentaram em colocar um sobrepreço de apenas 3%. O resto, sabe-se lá quanto foi, e de difícil quantificação entrou no bolo mensurado através do tal ´ímpairment´, considerando a época, a cotação do dólar, do barril, os aditivos contratuais etc. Ou seja, tem-se uma ideia vaga do que fizeram os fornecedores com os famosos 3%. Explicação encontrada para 6bi, o resto foi calculado de forma ´rigorosamente vaga´. Um último detalhe. Ao inflar o valor dos ativos, contabilizados a partir de lançamentos contábeis, a empresa deve ter depreciado esses ativos. Depreciou valores inflados, logo, diminuiu artificialmente o que seria o lucro, e... sonegou (involuntariamente) IR e CSLL. Espera-se que a ´Receita´ solte seus perdigueiros, dobermans, ou o que seja, para calcular multas, juros de mora etc . Lembremos Sergio Endrigo: La festa è appena cominciata. È già finita. Resta concordar com a primeira frase.

Face a tudo isso, é compreensível que as ações da Petrobrás, em via de “privatização indireta”, ... subam.

Alexandru Solomon, formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas, autor de ´´Almanaque Anacrônico´´, ´´Versos Anacrônicos´´, ´´Apetite Famélico´´, ´´Mãos Outonais´´, ´´Sessão da Tarde´´, ´´Desespero Provisório´´, ´´Não basta sonhar´´, ´´Um Triângulo de Bermudas´´, ´´O Desmonte de Vênus´´,(Ed. Totalidade), ´´Plataforma G´´, ´´Bucareste´´ e ´´ A luta continua´´ (Ed. Letraviva). Nas livrarias Cultura e Siciliano. E-mail do autor: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

Poetema de Alexandru Solomon

´´ Vamos ser pedras?´´

Lembranças e lambanças


Num deserto de ideias, vale a pena enganar

O povão só vê novela, ele há de aceitar

O PT de roupa nova privatiza em surdina

Mas a “nossa” é diferente, temos o mapa da mina.

 

O discurso nunca muda: jogar pedras nos tucanos

Passatempo favorito que deu certo muitos anos

Eles “vende” o bem do povo e “consegue” preço vil

“Nois”, guiados pelo Lula, resgatamos o Brasil.

 

Dos tucanos ruins de bico veio a ‘privataria’

O PT, sempre do contra, sabotou quanto podia

Mas agora, oh surpresa, instalados no poder

Ao notar que vinha a Copa, decidiu se desdizer.

 

Segue tudo como antes, promoveu-se um leilão

Vai Cumbica, Viracopos, a seguir o Galeão

O dinheiro, ora essa, vem de fundos de pensão

Então, qual a diferença? AH, AGORA É CONCESSÃO!

 

Sobram esclarecimentos, ilustrando a diferença.

Ora, cale-se golpista, é maior que você pensa

Tudo bem, mas eu insisto, diz o crítico teimoso,

Só porque agora é Dilma e não mais o tal Cardoso?

 

Sem resposta à altura, o remédio é apelar.

Nem havia antes de Lula um Brasil pra mencionar.

Os blogueiros progressistas e a turma do agito

Batem firme, cospem fogo, para defender o mito.

 

Hoje tudo é diferente, vejam no retrovisor,

Quem nos elevou ao topo foi Lulinha, paz e amor.

O PT é onisciente, o PT é bom, é....

Manuais do MEC consignam: Lula inventou a roda.

 

Um escândalo por vezes turva de repente a cena

A gandaia anda solta. E a corrupção? Obscena!

Mas decerto é circunscrita, só envolve o baixo clero

Nosso Guia Luminoso nos tirou do “marco Zero”

Elegeu a sucessora tecnocrata de valor

Mãe do PAC é competente. Pé no acelerador.

 

Lehman Brothers, que bobagem, é apenas marolinha

Tudo isso é besteira, ela passa depressinha.

Tudo pronto para a Copa. Nota-se algum atraso

Valcke chia, mas que diabo, não vamos criar um caso!

São apenas pessimistas, e só fazem Zunzunzum.

A resposta vem no campo, um sonoro sete a um.

 

Uns escândalos pipocam envolvendo a Petrobrás

Mas todo o petróleo é nosso e a turma é capaz.

De repente, surge um nome pronunciado em surdina

 

É maracutaia, dizem – fala-se em Pasadena.

A notícia se espalha e a coisa é delicada

Lula não sabe de nada, Dilma fica ‘irritada’

Para estragar a festa, para poluir o clima,

 

Vem à tona outra bomba: Chama-se Abreu e Lima.

Que abacaxi solene num ano de eleição

Mas por sorte do governo não tem mesmo oposição

Com discursos e promessas o remédio costumeiro

O Brasil correu às urnas e elegeu... o marqueteiro.

 

Começou dois mil e cinzas, chega a hora da verdade

Um pibinho, inflaçãozinha – chega de mendacidade

Joga-se a ‘matriz’ no lixo, já não há mais pedalada

A verdade aparece não dá pra ser abafada.

 

Temos déficit primário, nossa nota é rebaixada

Dilma faz o seu discurso, só que não resolve nada

Uma luz no fim do túnel essa tal de Lava Jato.

Permaneçam nas poltronas, lá vem o segundo ato.

Alexandru Solomon, empresário, escritor. Formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas, autor de ´Almanaque Anacrônico`, ´Versos Anacrônicos`, ´Apetite Famélico`, ´Mãos Outonais`, ´Sessão da Tarde`, ´Desespero Provisório` , ´Não basta sonhar`, ´Um Triângulo de Bermudas`, ´O Desmonte de Vênus` ´Plataforma G` (Ed. Totalidade), ´Bucareste` e ´A luta continua` (Ed. Letraviva). Livrarias: Saraiva (www.livrariasaraiva.com.br), Cultura (www.livrariacultura.com.br), Loyola (www.livrarialoyola.com.br), Letraviva (www.letraviva.com.br). | E-mail do autor: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Subcategorias

Percival Puggina (70), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+

descricao descricao descricao

Heriberto Gadê, funcionário aposentado do BB, consultor administrativo/financeiro de empresas e cronista. Blog: heribertogade.blogspot.com/



Twitter