NATAL PRESS

Amigos, corre sobre os trilhos das redes sociais um lotado trem de passageiros felizes. Sem concursos, encheram seus bolsos enquanto a elite silenciosa se omitia. Ninguém dizia nada. Ninguém fala nada. E esse manhoso silêncio é o preço que a desonra cobra para manter a hegemonia da ignomínia.

No meu doce rio há lama da superfície ao fundo. Só lhe dão o Norte do infortúnio. Aqui, tem de tudo. Espada que leva dinheiro - e não é peixe. Preso que parte sem dizer adeus. Um circo que leva do erário R$11 milhões mensais. Confisco do fundo previdenciário.

Tudo para manter esse Estado vadio e preguiçoso.

Amigos, deixem-me ir embora. Vou arrumar meu matolão. Quero ir para os braços de uma cabocla. Sob a sombra de uma velha choupana quero dormir e sonhar de novo.

Este era o imperativo que mais ouvia na minha infância. Não me ensinaram como conquistar a felicidade. Não me disseram onde a encontraria. Também, não me falaram se a felicidade, quando na casa da gente faz morada, traz todo seu encanto para definitivamente nunca mais ir embora. Com tanta dúvida, passei uma rede no alpendre. Quando naquele exato momento, a linda adolescente que venceu o tempo chegou. 

- Lua Morena, como sei quando estarei feliz?
Respondeu-me no mesmo inesperado da indagação:
- Olhe no seu rosto, menino tolo, quando eu entrar de novo.
A partir daquele dia, entendi que a felicidade é uma conquista que se renova em todos os dias da vida da gente.

Ainda hoje uma lua branca vem nos visitar . A mim e ao sonho que me mantém vivo ao longo da minha vida até quando adentrar novamente em algum alpendre a linda lua com a mesma sensualidade daquele tempo.

Amigos, a desonestidade venceu porque nossa omissão permitiu esse triste triunfo. Ingênuos fomos quando imaginamos que a Política não é assunto que nos interessa. E assim governar passou a ser uma ótima possibilidade de aumentar o patrimônio dos aventureiros enquanto a sociedade se mantém refém de assassinos cruéis, e a saúde foi reduzida a uma gota de sangue coalhado num corredor imundo de um hospital abandonado.

O crime praticado pelos agentes políticos na esfera mais alta do governo federal é o doce que completa a garapa dos assassinos que matam diante de um estado que se preocupa mais em gastar com a verba destinada à publicidade.

A despesa de R$11 milhões mensais para pagamento da dívida com a construção desse absurdo que se denominou ARENA DAS DUNAS seria muito útil se fosse outra a destinação. Mas estamos no reino da propina. É bola rolando no chão da pocilga. É bola no bolso dos canalhas. E assim, a ignorância bêbada grita gooooool.

A 'santa' Assembléia do meu estado foi unânime em aprovar tudo pois os cartolas estavam famintos.
Natal é a cidade dos assaltos. O governo do meu país é feito para estimular a corrupção. Em cada canto há um arrecadador de dinheiro clandestino. Que se lasque Papai Noel, que se quedem nossas esperanças. Não, não há um ano novo . Há , sim, um ano velho cuspindo na cara da gente.



Pressinto teu olhar banhando de luz meu corpo ansioso.
As tuas mãos de seda na sede da minha pele cheia de esperança.
Sombra tua, dorme junto ao meu peito ardente, beija-me beijando esse lençol.
Nasci sem medo. Mas medo tenho de perder-te .
Derrama sobre meu ombro o teu silêncio. Guarda-me contigo. Unta com teu mel a minha boca.
Quero viver, sonhar, amar-te de novo.

Tecelão do Tempo


Da noite me acompanham as imagens de poemas banhados em vinho.
O teu lindo olhar derramando rosas brancas iluminava, mais uma vez,
Nossas mãos, nossos sonhos, nossa ventura para a taça primeira.
E nem sequer, ingenuamente, sabíamos ser único aquele instante.
E quando ao coração esse tempo volta, não podemos esquecê-lo.
No rio da vida , o barco do esquecimento só carrega o que é banal.
Assim, não me peças o impossível da fumaça de velas apagadas;
E, eu não te pedirei o desencanto dos sons de cristais quebrados.
À luz de vela dessas lembranças, vamos erguendo taças de saudade.

'Meu medo'. Poema de Sales Felipe


Tenho medo de morrer. Sim. De morrer sozinho.
Não que tenha medo da morte. A morte, no seu tempo.
Mas me angustia partir sem te dizer a palavra escondida.
A palavra guardada no meu orgulho ou na minha vaidade.
Tenho, sim, medo de morrer em mim a cantiga que te ensinei.
E porque se fez canto de esperança, hoje é hino de lembrança.
Quando souberes da notícia do viajor mais uma vez partindo,
Confessa-me, agora, que dirás no segredo do teu soluço saudoso:
Era fogo de fogueira. Riacho cheio correndo. Era intenso nosso amor.

Posso te mostrar minhas mãos fiando destinos?
As flores vestindo a primavera nos teus olhos nascendo? 
Ah! como é bom o orvalho tocando na pele da manhã...
E deixando amanhecer sonhos nessas planícies de teu corpo.
Deixa-me, alvorada, ser o último fio de luz desse candeeiro
A iluminar a taça da madrugada marcada por tantos beijos.
Leva-me contigo, amada, nesse teu colo de rosas brancas.
Perdendo-me nessas ilusões para me encontrar nos lábios de tua boca.


E trazes novamente as lembranças desses céus azuis
Nessas luzes acendendo no teu rosto de rosas as esperanças.
E voltas assim como quem na madrugada exala a noite passada.
E vens plena de rua, enchendo a cidade com tuas mãos cheias de lua.
Não sei porque me entregas sempre a distância de teu vulto passando.
Por que me elevas tanto me levando nesse horizonte de incerteza?
E quando ainda avisto na esquina do longe os teus últimos acenos,
Sinto em mim como se rasga no espaço o bom tempo que passou.

Peço-te perdão pelo desejo.
Vi um rio de sensualidade. Descia de teus olhos.
E suavemente ia ao estuário de tuas coxas.
Os teus pés brotavam flores no chão onde pisavas.
A tua boca guardava o nosso silêncio.
Peço-te, também, a esperança. Um cais. Um porto.
E quando chegares, volverás aos meus dias a alegria
De tantas noites tecendo o tempo e fiando as ilusões.
Se me indagares onde deixei a minha solidão enquanto te esperei,
Dir-te-ei: Éramos um. A soma do meu sonho à tua doce imagem.


Deixa-me te dar as planícies de meus beijos.
Deixa- me cantar em teu ouvido as cantigas que aprendi.
Dá-me teu colo. Dá-me o sonho de tua boca.
Dá-me o caminho de teus abraços.
Entrega-me a exclamação de tua pele cheia de esperança.
Vem vestida com a ilusão de quem nunca desistirá.
Olha, agora, o céu. Vê como as estrelas estão brilhando.



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