NATAL PRESS

Toma este pedaço de pano. Molha no azeite do tempo.
Quero ver mais uma vez no teu pavio as chamas do ontem.
Vem comigo meu bom candeeiro. Nas madrugadas passadas,
Sempre foste a minha luz iluminando o meu silêncio e meu estudo.
Vim juntar, companheiro, teus fragmentos aos meus desencantos.
Vê , agora, pelo teu abajour o meu rosto assombrado e cansado.
Ainda há pouco, sonhador, quis azul o céu cobrindo as manhãs.
Naquelas horas, nós dois apenas esperávamos o raiar do dia .
Esquecemo-nos que existe a maldade amortalhando o homem.
Nesse sótão de poeira e solidão, vejo, tristemente, teus nacos.
Bem sei, confesso-te, a razão por que ambos estamos assim.
Não. Não foi a passagem do tempo o algoz desses escombros.
Foi, sim, a visão habitual de um mundo que corre para a morte,
Machucando e ferindo, cegamente, as entranhas da honra.


Natal, Primeiro de novembro deste.

Amigos, HABEMUS comandante. Não seria lógico que, depois de tanto roubo, de tanto saque ao patrimônio público, de tanta desonra, essa quadrilha não tivesse um chefe , um comandante.

Pois bem, finalmente, a lama, a podridão, a desonra encontraram o seu senhor orientador, estimulador supremo da corrupção brasileira que nos subtraiu quase um trilhão de reais nos últimos treze anos.

E quem de qualquer modo foi co-autor, partícipe, ou beneficiário desse crime merece nosso repúdio.

Quem se elegeu com o mel fácil oriundo dos favos desse crime tão monstruoso é canalha também.

Quem ocupou a tribuna para defender os que saquearam nosso patrimônio é tão odioso quanto os criminosos que ficaram ricos enquanto muitos morriam nos corredores dos hospitais abandonados.

Quem ainda encontrar razão para defender esses saqueadores, é burro ou beneficiário desse crime contra a nação brasileira.


A chuva cai. E conheces tão bem a canção desses pingos.
E tanto mais docemente descem essas ilusões líquidas,
Quanto mais sonho se derrama nesses telhados sem nome.
Enxuga-me a toalha. Acolhe-me ainda aquele lençol branco.
E um vulto desaparece quando o olhar avista ao longe o fim
Da neblina. E sutilmente se finda a chuva que cai em mim.

Amigos, não descerei para fazer comentários sobre cuspe e "ensaio" de bumbum da pretensa primeira-dama do turismo. É baixaria demais. Fui ali elaborar um poeminha. E voltei com estes versos:

Todo entardecer eu me acompanho da finitude.
Há pouco o pujante sol nascente acendia a manhã.
Não demorou muito. Agora, vejo-o partindo no poente.
E assim o orgulho se despe e a arrogância se finda.


Fugindo desse círculo finito quero encontrar a ternura
Dos pássaros animando uma antiga e frondosa oiticica.
Vou levar Deus comigo. Vou levar uma rede para mim.
E Deus por ser insone vai cuidar do meu sono e sonho.

Quando acordar, me banharei no riacho do teu perfume.
E dormirei ouvindo a terra, o mar e as canções vindas
Nas tuas mãos de luz, no teu rosto coberto de silêncio,
No teu corpo de paz porque o amor é a sublime calma
Que eterniza um olhar, uma palavra e um meigo gesto.
Quero me diluir na língua da tua boca no primeiro beijo.

E depois? Ah, Deus não acorda os amantes quando
Estão tecendo espumas azuis nas noites enluaradas.

Não me peça para respeitar sua posição partidária quando sei que esta é a roupa que você veste quando quer esconder sua falta de caráter diante da crise moral e política em que vive o Brasil. Não pretende você defender o partido do qual se diz adepto. Você se identifica, no seu egoísmo, com o crime perpetrado pelos saqueadores da Pátria - ou é beneficiário de alguma sobra depois que os chefões fazem a festa com o dinheiro da gente.

Se você sabe que esse seu trapo não esconderá por muito tempo seu delito calado e sua desonra fria por que vai por aí espalhando a desesperança quando sequer tem como sanar a ferida que carrega nessa sua alma perdida?

Você faz sua feira mas quem paga sou eu. Você mete a mão na coisa pública e abre um grande sorriso quando se refestela nos restaurantes de luxo. Mas me manda sempre a conta. Você, canalha, beija a boca da sua mula amante e lhe oferece champagne. Mas a conta é debitada como sacrifício da nação. Você é preso e eu lhe pago o salário de senador . Você recebe um triplex de presente. E eu pago o imposto que o dono de suas mãos imundas sonega. Você, sem ter prestado uma hora de labor, sem ter estudado, tem um sítio onde o faisão alça seu voo aristocrático. Enquanto milhões adormecem sem a certeza do pão chegando ao amanhecer. A mesma procissão que rezou ao santo, assiste, atônita, à cena triste, do coveiro que desce do andor para sepultar numa cova rasa os sonhos de um Brasil honesto. Você não é alienado. Quem o entorpece é sua pouca vergonha. Nem olhar você tem. Seus olhos perderam o brilho quando sua alma se deslumbrou pelo poder conquistado depois de ter mentido tanto. E depois de tanto ter saqueado o erário da nação. Você é o crime na sua expressão mais imunda. Você é o último excremento da descarga dada pelo inferno.

Amigos, corre sobre os trilhos das redes sociais um lotado trem de passageiros felizes. Sem concursos, encheram seus bolsos enquanto a elite silenciosa se omitia. Ninguém dizia nada. Ninguém fala nada. E esse manhoso silêncio é o preço que a desonra cobra para manter a hegemonia da ignomínia.

No meu doce rio há lama da superfície ao fundo. Só lhe dão o Norte do infortúnio. Aqui, tem de tudo. Espada que leva dinheiro - e não é peixe. Preso que parte sem dizer adeus. Um circo que leva do erário R$11 milhões mensais. Confisco do fundo previdenciário.

Tudo para manter esse Estado vadio e preguiçoso.

Amigos, deixem-me ir embora. Vou arrumar meu matolão. Quero ir para os braços de uma cabocla. Sob a sombra de uma velha choupana quero dormir e sonhar de novo.

Este era o imperativo que mais ouvia na minha infância. Não me ensinaram como conquistar a felicidade. Não me disseram onde a encontraria. Também, não me falaram se a felicidade, quando na casa da gente faz morada, traz todo seu encanto para definitivamente nunca mais ir embora. Com tanta dúvida, passei uma rede no alpendre. Quando naquele exato momento, a linda adolescente que venceu o tempo chegou. 

- Lua Morena, como sei quando estarei feliz?
Respondeu-me no mesmo inesperado da indagação:
- Olhe no seu rosto, menino tolo, quando eu entrar de novo.
A partir daquele dia, entendi que a felicidade é uma conquista que se renova em todos os dias da vida da gente.

Ainda hoje uma lua branca vem nos visitar . A mim e ao sonho que me mantém vivo ao longo da minha vida até quando adentrar novamente em algum alpendre a linda lua com a mesma sensualidade daquele tempo.

Amigos, a desonestidade venceu porque nossa omissão permitiu esse triste triunfo. Ingênuos fomos quando imaginamos que a Política não é assunto que nos interessa. E assim governar passou a ser uma ótima possibilidade de aumentar o patrimônio dos aventureiros enquanto a sociedade se mantém refém de assassinos cruéis, e a saúde foi reduzida a uma gota de sangue coalhado num corredor imundo de um hospital abandonado.

O crime praticado pelos agentes políticos na esfera mais alta do governo federal é o doce que completa a garapa dos assassinos que matam diante de um estado que se preocupa mais em gastar com a verba destinada à publicidade.

A despesa de R$11 milhões mensais para pagamento da dívida com a construção desse absurdo que se denominou ARENA DAS DUNAS seria muito útil se fosse outra a destinação. Mas estamos no reino da propina. É bola rolando no chão da pocilga. É bola no bolso dos canalhas. E assim, a ignorância bêbada grita gooooool.

A 'santa' Assembléia do meu estado foi unânime em aprovar tudo pois os cartolas estavam famintos.
Natal é a cidade dos assaltos. O governo do meu país é feito para estimular a corrupção. Em cada canto há um arrecadador de dinheiro clandestino. Que se lasque Papai Noel, que se quedem nossas esperanças. Não, não há um ano novo . Há , sim, um ano velho cuspindo na cara da gente.



Pressinto teu olhar banhando de luz meu corpo ansioso.
As tuas mãos de seda na sede da minha pele cheia de esperança.
Sombra tua, dorme junto ao meu peito ardente, beija-me beijando esse lençol.
Nasci sem medo. Mas medo tenho de perder-te .
Derrama sobre meu ombro o teu silêncio. Guarda-me contigo. Unta com teu mel a minha boca.
Quero viver, sonhar, amar-te de novo.

Tecelão do Tempo


Da noite me acompanham as imagens de poemas banhados em vinho.
O teu lindo olhar derramando rosas brancas iluminava, mais uma vez,
Nossas mãos, nossos sonhos, nossa ventura para a taça primeira.
E nem sequer, ingenuamente, sabíamos ser único aquele instante.
E quando ao coração esse tempo volta, não podemos esquecê-lo.
No rio da vida , o barco do esquecimento só carrega o que é banal.
Assim, não me peças o impossível da fumaça de velas apagadas;
E, eu não te pedirei o desencanto dos sons de cristais quebrados.
À luz de vela dessas lembranças, vamos erguendo taças de saudade.



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