NATAL PRESS

Culpo-me porque não fui mais intransigente.
Pensando, talvez, que inglória fosse a luta solitária.
O crime se vestiu de toga, eu não disse nada.
Colocou uma gravata e foi ser deputado.
E eu escondi a dor . Não disse nada.
Foi mais longe, fez-se senador.
E, novamente, não disse nada.
Agora, assisto à morte do amanhã.
É tarde. Não me restou nada.
Leio na lápide fria e triste:
Aqui jaz uma nação.

Em que pântano se firmou o estado brasileiro nesses últimos 16 anos?
Qual o tamanho da vergonha? Qual foi o valor do legado?
3,5 bilhões de reais bloqueados pela LAVA JATO. Sentadas nas poltronas do congresso as meretrizes gargalham. O tesouro nacional já lhes pagou com o nosso suor o coito. E entre os trapos que lhes cobrem as malditas coxas ainda desce o gozo líquido desse crime hediondo. 
Eis, brasileiros, como definha a nossa esperança. Pasmem, os algozes desse crime precificam ainda o voto quando lhes são mendigados um pouco de patriotismo para salvar o Brasil do iminente abismo.
Pouco a pouco, o crime vai consumindo nossas instituições. E a ruína destas será a cova na qual se amortalhará a democracia.

Talvez fosse assim. Um abandonar-se docemente.
Um deixar que tudo acontecesse nesse bom tempo.
Não se ouvia nada. A não ser os passos da gente.
Eu te entregaria, amada, a rua que tanto te esperou.
Eu te daria a lua no abajur que o tempo nos emprestou.
Somos dois até nos despir do mundo que nos impediu
De amar, amar silenciosamente. Amar desesperadamente.

A vilania agoniza. A derrota que lhe foi imposta aproxima o filho da lama de uma merecida prisão. Chora o picadeiro. É retirada a lona desse circo que enojou a nação.

Os sócios desses saqueadores do patrimônio público ainda insistem no caminho do crime. Identificam-se com o criminoso porque são feitos do mesmo tecido. É pústula do mesmo tumor. É catarro do mesmo peito tísico.

Não há razão alguma que nos leve a comemorar o fim desses apátridas que dilapidaram as nossas riquezas, que sepultaram nosssas esperanças e que a tantos engaram. Nesta hora, resta-nos a tristeza de não ter mais uma liderança confiável que possa juntar os cacos dessa desilusão para restabelecer a autoestima dos que ainda não perderam a capacidade de sonhar com um Brasil próspero. 

Não se enganem, amigos. A corrupção é essa amaldiçoada galinha cujos ovos são postos nos morros. E só se abrem nas favelas quando milhares de pintos vão servir como mulas ao tráfico de droga. É o crime parindo criminosos.

Eliminem as galinhas com o mesmo fervor que desejam a morte dos seus filhotes.

Quem vai acreditar nessa mentira, quando te desejo FELIZ NATAL?
Natal feliz é de quem ficou rico depois que te levou o sol do amanhã.
Natal de luz e felicidade é de quem te negou o pão por te subtrair o salário pelo trabalho suado por todo o ano.
E o menino na manjedoura? É o pirulito que te dão para esconder o crime da permitida corrupção.
Feliz Natal?! Só vejo quando no rosto do menino Gilmar uma boca de beiços sobejantes diz é Natal com os panetones feitos de todas as lamas que enfeitam a rota bandeira dos crimes praticados contra a nação

Ergueste um muro para guardar todos os desencantos.
E dizes a mim ser este o nome da tua louca solidão.
Desarrumas minha liberdade enquanto nasce a manhã
Nos teus gestos de esperança. E renasces mais bela.
Entrego-te o tempo intenso do pouco tempo que tenho.
Mas ainda assim, inexplicavelmente, foges de mim.

 

Toma este pedaço de pano. Molha no azeite do tempo.
Quero ver mais uma vez no teu pavio as chamas do ontem.
Vem comigo meu bom candeeiro. Nas madrugadas passadas,
Sempre foste a minha luz iluminando o meu silêncio e meu estudo.
Vim juntar, companheiro, teus fragmentos aos meus desencantos.
Vê , agora, pelo teu abajour o meu rosto assombrado e cansado.
Ainda há pouco, sonhador, quis azul o céu cobrindo as manhãs.
Naquelas horas, nós dois apenas esperávamos o raiar do dia .
Esquecemo-nos que existe a maldade amortalhando o homem.
Nesse sótão de poeira e solidão, vejo, tristemente, teus nacos.
Bem sei, confesso-te, a razão por que ambos estamos assim.
Não. Não foi a passagem do tempo o algoz desses escombros.
Foi, sim, a visão habitual de um mundo que corre para a morte,
Machucando e ferindo, cegamente, as entranhas da honra.


Natal, Primeiro de novembro deste.

Amigos, HABEMUS comandante. Não seria lógico que, depois de tanto roubo, de tanto saque ao patrimônio público, de tanta desonra, essa quadrilha não tivesse um chefe , um comandante.

Pois bem, finalmente, a lama, a podridão, a desonra encontraram o seu senhor orientador, estimulador supremo da corrupção brasileira que nos subtraiu quase um trilhão de reais nos últimos treze anos.

E quem de qualquer modo foi co-autor, partícipe, ou beneficiário desse crime merece nosso repúdio.

Quem se elegeu com o mel fácil oriundo dos favos desse crime tão monstruoso é canalha também.

Quem ocupou a tribuna para defender os que saquearam nosso patrimônio é tão odioso quanto os criminosos que ficaram ricos enquanto muitos morriam nos corredores dos hospitais abandonados.

Quem ainda encontrar razão para defender esses saqueadores, é burro ou beneficiário desse crime contra a nação brasileira.


A chuva cai. E conheces tão bem a canção desses pingos.
E tanto mais docemente descem essas ilusões líquidas,
Quanto mais sonho se derrama nesses telhados sem nome.
Enxuga-me a toalha. Acolhe-me ainda aquele lençol branco.
E um vulto desaparece quando o olhar avista ao longe o fim
Da neblina. E sutilmente se finda a chuva que cai em mim.

Amigos, não descerei para fazer comentários sobre cuspe e "ensaio" de bumbum da pretensa primeira-dama do turismo. É baixaria demais. Fui ali elaborar um poeminha. E voltei com estes versos:

Todo entardecer eu me acompanho da finitude.
Há pouco o pujante sol nascente acendia a manhã.
Não demorou muito. Agora, vejo-o partindo no poente.
E assim o orgulho se despe e a arrogância se finda.


Fugindo desse círculo finito quero encontrar a ternura
Dos pássaros animando uma antiga e frondosa oiticica.
Vou levar Deus comigo. Vou levar uma rede para mim.
E Deus por ser insone vai cuidar do meu sono e sonho.

Quando acordar, me banharei no riacho do teu perfume.
E dormirei ouvindo a terra, o mar e as canções vindas
Nas tuas mãos de luz, no teu rosto coberto de silêncio,
No teu corpo de paz porque o amor é a sublime calma
Que eterniza um olhar, uma palavra e um meigo gesto.
Quero me diluir na língua da tua boca no primeiro beijo.

E depois? Ah, Deus não acorda os amantes quando
Estão tecendo espumas azuis nas noites enluaradas.



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