NATAL PRESS

"Os investimentos em Educação ocupam papel central no progresso das sociedades". (Darcy Ribeiro)

É fundamental compreender a questão educacional como parte de um Projeto civilizatório de Nação. É importante repetir que, no entender deste locutor que vos fala, a Educação não pode ser um projeto de governo ou um projeto de partido, mas um projeto da sociedade, um projeto de Nação.

Grande desafio do povo brasileiro, implicando na defesa da soberania nacional, na redefinição das prioridades de investimentos, visando um novo pacto federativo fundado na equidade, para superação das desigualdades e conquista do desenvolvimento com menos consumismo, mais respeito ao meio ambiente, universalização da educação de qualidade e da saúde pública, sustentabilidade da matriz energética a partir de fontes renováveis; com resgate pleno da cidadania.

A modernização brasileira foi atravessada por essas questões cruciais: impactos da urbanização acelerada, aviltamento do papel social do professor, projeto repartido de educação (público e privado), visão dominante preconceituosa em relação à pobreza, desigualdade espacial e cultural, e socialização vazia de Ética, de valores universais.

Os diversos indicadores educacionais ainda atestam as péssimas condições da educação brasileira, comparadas a outros países do mundo, e como esta situação afeta o nosso projeto de desenvolvimento, no médio e longo prazo. Vide nosso índice de desenvolvimento humano (IDH).

A escola atual não consegue levar as crianças e jovens a interiorizar e transferir para a vida cotidiana os conceitos, hábitos e atitudes que procura ensinar, e coloca os professores num difícil dilema.

Essa contradição somente poderá se resolver a partir da articulação estreita entre a Universidade e a sociedade, através de um fórum permanente de debates sobre as grandes questões locais vinculadas ao processo de desenvolvimento, tal como ele ocorre hoje no patropi.

Na situação específica hoje vivida pelas universidades brasileiras, somos compelidos a tentar responder a exigências históricas de reformar os currículos e repensar a relação Universidade/sociedade.

Algo de novo há de chegar, como uma lufada de ar fresco na arte de pensar.

Enfrentar esse desafio supõe o abandono das certezas, para aceitar a transitoriedade dos saberes e dos conceitos. Tais movimentos não se realizam por imposições externas, mas por consolidação de convicções pessoais e coletivas na busca de novos entendimentos para dar novos significados ao que fazemos ou desejamos fazer.

Trata-se, primordialmente, de um convite irrecusável ao exercício coletivo da reflexão sobre o que faz e o que pretende fazer a Universidade, como instância privilegiada de formação profissional.

O ponto de partida é a percepção de que qualquer instituição educacional tem a cumprir um papel que lhe é socialmente atribuído, e que esta deve se organizar e atuar no sentido de cumprir determinadas funções na sociedade a qual pertence ou está inserida. Depois, é preciso olhar em volta de si, para o mundo.

A sociedade mudou, o mundo mudou. Estamos na sociedade da informação e do conhecimento globalizado; interligados virtualmente - em tempo real – com infinitas possibilidades de criação.

No caso das universidades, historicamente, cabia-lhes (ainda cabe?) prioritariamente produzir e transmitir conhecimento, conservar e difundir a cultura elaborada, e garantir a formação daqueles indivíduos que poderão ampliar saberes que conduzam para o desenvolvimento.

Isto quer dizer que as atividades de ensino e as demais funções de uma Universidade devem responder – com competência - aos anseios da sociedade, principalmente em relação ao seu futuro.

Isto porque, mesmo considerando que os processos educativos são reflexos do modo como estão constituídas as sociedades e, portanto, exercem a função de manter esse modo, estou convicto de que, ao mesmo tempo, cabe às universidades enfrentar o paradoxo de promover mudanças socialmente desejáveis na direção do progresso humano. Sempre.

Para cumprir essa tarefa, a Universidade precisa ser maior do que ela mesma.

Encerro com uma dica para nossos parlamentares federais: no mundo do "dever ser", o Brasil precisa urgente de uma "Lei de Responsabilidade Educacional", estabelecendo as premissas para a Revolução da Educação brasileira.

Refazendo tudo!

Opinião política por Rinaldo Barros

O programa 'Mais Médicos', anunciado pelo governo, quer ampliar a oferta de atenção básica à população, com atendimentos de urgência, emergência e consultas de clínica médica.

Essa medida é muito bem-vinda para suprir as deficiências do sistema público de saúde, mas de antemão enfrenta dificuldades na sua implementação por causa da indisponibilidade de médicos brasileiros em atender às demandas interiorizadas Brasil afora.

Os profissionais resistem à interiorização pelas precárias ou inadequadas condições de trabalho, e pelo receio de virem a ser responsabilizados por algum eventual incidente que leve pacientes à óbito ou sequelas graves.

Não faltam médicos em nosso país, atualmente são graduados cerca de 18 mil novos médicos, no Brasil, a cada ano.

A saúde pública é muito complexa, e é evidente que somente a presença de mais médicos não irá solucionar todos os problemas.

Fosse assim, nas capitais do Sudeste tudo estaria funcionando com padrão FIFA, e sabemos que não é assim.

Ninguém é contra a oferta de mais médicos para a população, independentemente do questionamento sobre a origem dessa mão de obra. Mas, é preciso ir além disso.
É fundamental assegurar 10% da receita da União para investimentos e melhorar o modelo de gestão dos recursos do setor, incluindo a desburocratização e o controle visando aumentar a resolutividade e a eficácia da logística de todos os serviços de saúde.

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Zé,

Sei que você não sabe ler direito e, se aprendeu, não gosta muito de ler, até porque a escola que você frequentou nunca incentivou o hábito em seus primeiros anos de vida. Mas, quero que saiba que existe um livro chamado “Escuta Zé Ninguém” de Wilhelm Reich (1896 a 1957), um psicanalista austríaco-americano, discípulo dissidente de Sigmund Freud.

O livro é, na verdade, um apelo ao inconformismo, uma reflexão sobre o poder de cada zé-ninguém, isto é, de cada anônimo a nada poder, e ter direito apenas a obedecer e conformar-se; mas que, potencialmente, tem o poder de revoltar-se e mudar o caminho da sua era.
Ou seja, o livro de Reich fala sobre o que nós, individualmente, podemos ou não fazer. O livro é ilustrado por uma foto da época do regime nazista na Alemanha, e mostra-nos um homem, um único homem, no meio de milhares de pessoas, a não agir coletivamente, mas a manter-se fiel àquilo em que acredita, independentemente das consequências.

O homem era August Landmesser e, quando a fotografia foi publicada num jornal em 1991, foi reconhecido pela filha, que certamente se terá sentido orgulhosa ao comprovar que o seu pai, entre milhares, se tinha mantido sempre fiel às suas convicções.

O que me toca profundamente nesta foto emblemática é perceber que sim, sem dúvida alguma, a maioria de nós compactua com a corrupção, com a violência, e outras barbaridades da nossa sociedade, desde que não nos atinja diretamente ou a alguém muito próximo.

Estamos embrenhados apenas no nosso umbigo e na crença de que tudo o que não nos toca, não nos diz respeito. É que a maioria de nós se conforma, levantando o braço ou balançando a cabeça em sinal de acordo, e só uma pequena minoria se manifesta para combater o sistema vigente, por mais inumano que seja.

E por mais que nos custe, no nosso sentido moral de quem vive numa democracia e sem medo, convictos de que nos teriam horrorizado os campos de concentração nazista e os assassinatos em massa, a verdade crua é que maioria de nós teria compactuado com o sistema que todos nós hoje condenamos.
Compactuaríamos, sim, por conformismo ou por medo, sem questionar.
E isto porque a maioria de nós ainda se acha apenas um zé-ninguém, sem importância, sem relevância numérica, e por isso prezando o conforto da segurança pessoal acima de tudo, achando que a revolta e miséria individuais não mudarão nada, e que por isso não vale a pena lutar; e, com medo, escolhe ficar quietinho, escondido no conforto do lar, sem fazer ondas pra não chamar a atenção dos poderosos.

Todavia, Reich ensinou que cada um de nós tem responsabilidade, sim, pelo que se passa à nossa volta e no mundo, e as maiores revoluções foram feita por conjuntos de zés-ninguém, que sozinhos não eram nada, mas que, em conjunto, foram conseguindo mudar as suas realidades, como surpreendentemente se tem visto em alguns países, árabes e europeus, ultimamente.

August Landmesser era um zé-ninguém igual a você, um zé-ninguém sem esperança de instaurar mudanças, mas ainda assim um zé ninguém que hoje é um símbolo do inconformismo, integridade e resistência ao que se considera profundamente errado, com uma foto reproduzida mundialmente. Tal como você, como todos nós também podemos ser. Basta ter coragem para fazer sempre o que achamos certo, mesmo quando parecer que estamos sós.
Sei que você, Zé, não foi educado para ter coragem. Por isso, você escolhe permanecer com a vidinha que já conhece, ainda que não goste dela.
A explicação é que, apesar de manter-se fiel às “suas convicções”, as propostas que representam o futuro a ser construído com Desenvolvimento e Paz, representam igualmente o inusitado. São - ao mesmo tempo - inovadoras e assustadoras, exatamente por serem transformadoras. No fundo, Zé, você é um conservador.

Você não sabe, por exemplo, que a economia global é guiada predominantemente, pelas gigantescas empresas multinacionais. E que a trama destes negócios é tão emaranhada que muito pouca gente é capaz de descobrir o fio da meada. O universalismo e o ecumenismo que, antes, diziam respeito somente a algumas religiões, hoje concernem a todo e qualquer aspecto da vida: da criminalidade aos cartões de crédito, das batatinhas fritas ao design, dos remédios aos combustíveis; pior, até a produção do conhecimento novo, as novas invenções – como a nanotecnologia – quase todas as patentes são propriedades dos poderosos conglomerados econômicos internacionais.

Ou seja, nem os governantes de cada país podem decidir sobre as grandes questões. O poder é global.
Zé Ninguém, eu lhe entendo. Não é que você não deseje a mudança, você a quer. Mas, você tem medo Zé, porque você foi “educado” para não assumir responsabilidades, você foi feito para se conformar.
Escuta Zé, tenho observado que você, aos poucos, está começando a deixar de ser besta. Será?
E a eleição passada mostrou que já somos quase 50 milhões almas inconformadas, aqui no patropi.
Quem sabe, na próxima?

Rinaldo Barros é professor

Todos os movimentos sociais, ao longo da história, foram inicialmente de cunho emocional; e este a que estamos assistindo não foge à regra. Todavia, é preciso ainda compreender quem são esses "novos atores" e o porquê dessas manifestações espontâneas, sem liderança e sem partido político.

O aumento de 20 centavos nas passagens serviu de pavio para os atuais protestos que incendeiam o Brasil. Mas, o dado de realidade é que, de um modo geral, o transporte público no Brasil é caro, inseguro e mal gerido, afetando especialmente passageiros pobres que não têm escolha a não ser contar com esse sistema.

Como se isso não fosse bastante, o governo federal - de forma equivocada, há muito tempo pratica políticas de incentivo à venda de veículos individuais (carros e motos), com crédito fácil e redução de impostos para as montadoras e revendas.

Além disso, por teimosia (ou cegueira) ideológica, não há registro de qualquer investimento significativo recente na infraestrutura de transportes, em qualquer modal. Nossos portos, aeroportos, estradas e ferrovias estão superados e sucateados. E somente este ano, o governo admitiu realizar concessões onerosas ao setor produtivo para solucionar alguns desses problemas.

O resultado tem sido o crescente sofrimento da maioria da população com engarrafamentos gigantescos no deslocamento diário para estudar, trabalhar, produzir riquezas; o que se traduz em cansaço, estresse e esgotamento físico e mental crônico de milhões de pessoas pelo país afora.

Some-se a isso tudo o crescente distanciamento entre o Estado e a Sociedade, com o sucateamento dos hospitais e das escolas, ao lado da perda da segurança ou do aumento da criminalidade em todos os recantos do País. Por outro lado, tornou-se público os investimentos astronômicos com as obras dos novos estádios para as Copas: 30 bilhões de reais. O povo fez as contas, e uma bomba explodiu no colo da Dilma.

Mas, quem são esses "atores" que formam as multidões nos protestos recentes, e como surgiram?

Basicamente, são jovens - da recém-formada classe "C" - que não vivenciaram a realidade das fases da ditadura e da inflação, fenômenos sofridos pela geração dos seus pais.

Esse segmento da população não tem a menor tolerância com a perda do poder aquisitivo que ressurgiu com a volta da inflação e, pior, todos sentem e pensam que eles não são respeitados pelos atuais governantes, sejam prefeitos, governadores, deputados, senadores ou presidente da República. Aliás, não distinguem a diferença entre os poderes, o que os leva a incluir os juízes, promotores, desembargadores, ministros, dirigentes partidários, e todos os que exercem algum cargo que simbolize o poder.

Registre-se que mais da metade dessa juventude que grita "vem pra rua" pertence a comunidade universitária. São relativamente bem informados e - o mais importante - dispõem de um instrumento poderoso, eficaz e impossível de ser controlado pelo Estado: as redes sociais da internet.

Ou seja, o que é novo atualmente é que os cidadãos têm um instrumento próprio de informação, auto-organização e automobilização que não existia. Antes, se estavam descontentes, a única coisa que podiam fazer era ir diretamente para uma manifestação de massa organizada por partidos e sindicatos, com líderes que logo negociavam em nome deles.

Mas, agora, a capacidade de auto-organização é espontânea. Isso é novo e isso é força das redes sociais já testadas em diversas partes do mundo. Essa é a novidade.

Sem depender das organizações partidárias e sindicais, a sociedade brasileira encontrou um caminho e agora descobriu que tem a capacidade de se organizar, debater e intervir no espaço público. E mais: de pressionar, e até amedrontar os que detêm o poder.

Não vejo sinal de que nossos governantes queiram fazer grandes coisas. Até porque mudar verdadeiramente a realidade social é responsabilidade da sociedade, não dos poderosos.

É o que sempre ensinou a História em todas as civilizações.

Pra terminar, arrisco dizer que os atuais protestos não têm volta, vão se transformar num caminho de lutas para novas conquistas do povo brasileiro.

A evolução mais imediata e concreta que consigo vislumbrar será a conquista da tarifa zero para os transportes coletivos, com resgate do debate sobre o tema, iniciado na gestão da prefeita Luiza Erundina (SP).

Para custear o sistema, seria implantado o "Fundo de Transporte", que reservaria parte dos recursos coletados no IPTU. Dessa forma, o custo do transporte coletivo para os cidadãos seriam proporcionais a seus ganhos salariais. A conferir.

Resumo da ópera: no limite, o povo brasileiro quer apenas uma vida sem catraca.

RINALDO BARROS - Perfil do Autor:
Rinaldo Barros é professor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, desde 1988. Até recentemente ocupou a Diretoria Científica da FAPERN – Fundação de Apoio à Pesquisa do Rio Grande do Norte, onde busca contribuir para que a disseminação do conhecimento científico e a prática da pesquisa se tornem mecanismos de desenvolvimento do Rio Grande do Norte. Atualmente, é consultor e presidente municipal do PSDB, em Natal (RN).

Escrevo esta carta com esperança de ser lido novamente daqui a alguns anos, por vocês, meus netos (Maria Clara, Pedro, Isabella, João e Lucas), os quais chegaram a este Mundo agora recentemente; e pouco ainda sabem dos mistérios da vida neste lindo planeta azul.

Todavia, espero que aí por volta de 2030, a geração dos meus netos possa avaliar se, enfim, triunfou a estupidez humana, ou se conseguimos, pelo menos, manter viva a esperança. Prestem atenção!

Neste início de Milênio, não estamos atravessando apenas mais um momento de turbulência. Estamos dentro do olho do furacão.

A história contemporânea nos levou ao término da onda industrial, à drástica diminuição do Estado, à universalização da sociedade da informação (dominada pelo grande capital financeiro internacional), ao crescimento extraordinário dos fundos de previdência e aos lucros astronômicos das grandes instituições financeiras, fenômeno que fez explodir o estoque de recursos financeiros disponíveis, dos quais uma boa parte tem se destinado a perigosas especulações de curtíssimo prazo.

Falo do “capital volátil”. Um dinheiro sem pátria, ganancioso, sem coração, que quer ganhar muito e, se possível, muito rapidamente. Algumas fontes chegam a estimá-lo em mais de 30 trilhões de dólares. Especulação financeira pura e simples, que vai pra onde estiverem os juros estão altos. Com um poder diabólico.
Nada deste dinheiro é investido para melhorar a qualidade de vida, não há interesse em acabar com a fome, nem preservar o meio ambiente, nem desenvolver qualquer economia, além de ser incontrolável.

Além disso, é preciso não esquecer a virulência da política externa da (por enquanto) maior potência do planeta, agora estimulada pela “vitória” na guerra contra um inimigo que não existia, nem tinha armas nucleares: o Iraque. Para quem não sabe, Bin Laden, era da Arábia Saudita; não era iraquiano.

Para manter os lucros do complexo industrial-militar, e para conquistar reservas estratégicas de minérios, petróleo, entre outras; a guerra contra o Iraque bem não acabou; e já estão preparando outras invasões.

As vendas do complexo industrial-militar não podem parar. São muitas indústrias multinacionais, faturando bilhões de dólares em aviões, helicópteros, veículos blindados, mísseis, armamentos, bombas, minas, munições, uniformes, alimentos, medicamentos, a lista é imensa.

Ah! O terrorismo deve ser incluído como ingrediente desse molho. Semana passada, uma nova série aparentemente coordenada de explosões acordou Bagdá e cercanias na manhã do aniversário de dez anos da Guerra do Iraque. São mais de 2.000 mortos e feridos apenas em 2013, que começa a ser um dos anos mais violentos no país desde a retirada das últimas tropas norte-americanas.

Na mesma sequência de ações de guerra, vimos caças de Israel bombardearem alvos dentro da Síria. Segundo o New York Times, o carregamento era de mísseis terra-terra de última geração que vinham do Irã.

Será o início do indesejado (?) triunfo da estupidez humana?

Relembro: para depor Saddam Hussein, Bush mentiu e sacrificou, além das vidas de milhares de iraquianos (mártires, na visão árabe); desrespeitou a ONU, a OTAN (aliança militar ocidental), a coalizão antiterror; comprometeu a imagem dos EUA perante o mundo; destruiu monumentos e milhares de relíquias do berço da civilização e a própria noção de que a humanidade progride, ou deveria estar evoluindo.

Bush inaugurou a barbárie contemporânea. Aparentemente, o mundo caminha, perigosamente, sob uma estúpida hegemonia, no médio prazo, para a barbárie de alta tecnologia.
Cá no meu canto, ingenuamente, como queria Agostinho (354 a 430 d.C), eu persisto com a Esperança, ao lado de suas duas filhas lindas: a Indignação e a Coragem de continuar lutando por um mundo melhor.

Na estação futuro, vocês, Maria Clara, Pedro, Isabella, João e Lucas, poderão tirar a limpo se valeu a pena este avô haver sonhado com a Estrela da Manhã; ou se a estupidez humana triunfou.

Saibam que torço e vibro para que, com os pés bem firmes no chão, toda a geração dos meus netos possa ter os olhos, o coração e a mente nas estrelas.
E que possam encontrar motivos para continuar gostando da vida como ela é.

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“Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende”. (João Guimarães Rosa, escritor)

Os computadores tomarão o lugar dos professores?
Esta é uma questão que deveria ser debatida em todas as “reuniões de pais e mestres” de todas as escolas brasileiras.
Não resta dúvida de que, nos dias de hoje, a utilização de novas formas de interação on-line atende às novas necessidades dos alunos; o incentivo à aprendizagem ativa ao aluno já pode ser comprovada por meio de vários projetos já desenvolvidos em todo pais; é evidente o acesso rápido e eficiente na obtenção de informações relevantes e diversificadas e a melhoria da qualidade da comunicação entre professores e alunos são viabilizadas pelas ferramentas interativas.
Hoje a tecnologia é útil ao aprendizado, pois o seu desconhecimento vem gerando no mundo atual o mesmo tipo de exclusão que sofre o analfabeto no mundo da escrita. Agora, temos o “analfabite”.

O essencial, todavia, deveria ser acreditar no potencial cognitivo de cada um.
Mas o que existe de verdade é a falta de conforto com o uso da tecnologia nos ambientes educacionais, que é decorrente do escasso investimento governamental em políticas de formação e atualização do professor.

Para o docente que vê na tecnologia uma forma de qualificar melhor suas práticas pedagógicas, é fundamental enxergar a realidade e principalmente lutar contra o discurso paralisante que domina o meio educacional. É preciso conhecer melhor as políticas equivocadas que fazem parte da história da utilização da informática na educação no Brasil.

Evitar a resistência pelo desconhecimento é entender que o computador e o software educacional, seja ele qual for, é uma ferramenta auxiliar do processo de aprendizagem do aluno.

Uma aula ruim é ruim com ou sem tecnologia, e uma aula boa será sempre boa independentemente da tecnologia utilizada. Isto significa dizer que: a qualidade está no conteúdo que deve ser bem planejado e disponibilizado de modo que seja possível a aquisição de conhecimento pelo aluno.

A tecnologia não cria ambientes que prescindem do professor. É preciso, no entanto, que o professor tome para si a tarefa de projetar o material didático e a pedagogia a ser utilizada no processo de ensino. Não inovar na produção do material didático e nas metodologias de aprendizagem, significa deixar a cargo de profissionais da área tecnológica, a tarefa de ensinar por meio de software desenvolvido sem o viés da educação, do pensamento crítico, o que de um modo geral vem ocorrendo com frequência.

É fato que os perfis dos profissionais, que hoje planejam software educacional, são de programadores de computador, que desconhecem a realidade da área educacional. O planejamento de um bom projeto necessita da formação de uma equipe multidisciplinar, cujos participantes complementem o projeto utilizando suas competências específicas e diversificadas.

É nesse contexto que informações provenientes de diversas direções chegam a indivíduos cuja realidade não lhes permite desenvolver capacidade crítica de análise, competência fundamental para evitar o colapso de valores importantes para o desenvolvimento da cidadania, da ética e da solidariedade.
Por meio dessa abordagem, o uso da tecnologia integra novos saberes à prática educacional proporcionando ao professor uma maior capacidade crítica de sua ação pedagógica e um leque maior de possibilidades na busca pelo interesse dos seus alunos.

Estudos demonstram que a utilização das novas tecnologias de informação e comunicação (NTICs), como ferramenta, traz uma enorme contribuição para a prática escolar em qualquer nível de ensino.

Com a revolução tecnológica e científica, a sociedade mudou muito nas últimas décadas. Assim, a educação não tem somente que adaptar às novas necessidades dessa sociedade do conhecimento. Mas, principalmente, tem que assumir um papel de ponta nesse processo.
Os computadores não irão tomar o lugar dos professores. Mas, os professores terão que aprender – de repente – a demonstrar, na prática, quem está no comando. Falei!

Rinaldo Barros, professor (Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

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“Conhecimento é poder”; (Francis Bacon, 1561 a 1626)

Começo a conversa de hoje com algumas perguntas fundamentais, e muito pouco presentes na mente da maioria. De onde viemos? Para onde iremos, após a morte? A vida é apenas um fenômeno físico, ou existe também um mundo puramente espiritual? Para que estamos aqui, neste planeta? A vida humana tem alguma finalidade definida, frente à complexidade do Universo? Ou não?

As respostas variam conforme a ideologia e a crença de cada grupo social ou até conforme a fase da formação de cada pessoa, já que somos mutantes.
O acentuado progresso da Ciência e Tecnologia, acelerado neste século, gerou condições para a melhoria da qualidade de vida das sociedades. Estes benefícios, contudo, ainda não alcançaram grande parte da população do mundo. Saúde, instrução, habitação, alimentos, água e energia, e muitos outros aspectos relacionados à construção da cidadania, ainda são negados a uma parcela significativa da população mundial.

Para que isso ocorra, as barreiras que dificultam o aproveitamento das oportunidades de uso da Ciência e Tecnologia para a solução dos problemas que afetam essa parcela subalterna (ou dominada) necessitam ser debatidas e enfrentadas com clareza e visão holística, envolvendo todos os agentes da sociedade civil organizada, e não somente com aqueles pertencentes às comunidades científicas e governamentais.
Ao mesmo tempo em que a Ciência e Tecnologia avançam, a importância dos aspectos ambientais, de segurança e éticos aumenta: aplicações possíveis de ciência, tecnologia e inovação (CT&I) podem ameaçar o futuro da humanidade. É necessário que se exercitem visões de futuro, de forma a colocar o desenvolvimento científico e tecnológico na direção da visão de futuro desejada como evolução do “Homo Sapiens sapiens” e, também, sob algum tipo de controle ou acompanhamento.

Esse desafio passa necessariamente pela consolidação de canais de diálogo e reflexão sobre o futuro das atividades de CT&I com os mais diversos setores da sociedade.
Entre os principais problemas que vêm pressionando as sociedades modernas destacam-se: 1) os avanços do desenvolvimento econômico e o aquecimento global; 2) questões relacionadas à segurança e ao terrorismo; 3) água e energia limpa e o controle de doenças infectocontagiosas; 4) as nanotecnologias, a biotecnologia e os organismos geneticamente modificados; 5) a clonagem humana e os problemas de bioética relacionados.
Esforços internacionais no sentido de buscar soluções para essas questões são cada vez mais requeridos, pois se torna imperativo aproveitar as oportunidades sem, entretanto, esquecer que os riscos devem ser controlados.

Por conta do aumento da complexidade dos problemas que a humanidade enfrenta atualmente, dos imperativos da globalização e do crescimento da competitividade entre os conglomerados econômicos nos mercados internacionais. Os riscos que se apresentam encontram-se, muitas vezes, além do controle dos Estados nacionais. Perigosamente, o poder real está nas mãos dos conglomerados econômicos internacionais.
Tais questões também estão fora do controle das comunidades científicas e tecnológicas, porque muitos dos problemas a serem enfrentados envolvem a construção de consensos, baseados numa postura ética responsável e no princípio da prudência ecológica, que permitam a elaboração de um conjunto de normas legais, visando instituir a regulação internacional sobre as questões já citadas.

As políticas públicas brasileiras enfrentam o desafio de incentivar a participação dos cidadãos, em questões que envolvem ciência, tecnologia e sociedade. As decisões deveram ampliar-se até iniciativas que contemplem o direito à informação e à participação da sociedade como um requisito fundamental para o exercício da democracia.
Espera-se com isso gerar e difundir conhecimentos que possam resultar em novo momento para essas atividades no Brasil, refletindo uma tendência internacional que tem demonstrado a importância crescente da participação da sociedade no conjunto das decisões sobre o futuro, no contexto da produção do conhecimento.
Com a esperança de que seja um instrumento estratégico capaz de responder a perguntas fundamentais para a vida neste Planeta.

Rinaldo Barros é professor



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