NATAL PRESS

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Um dos grandes problemas na vida das pessoas, nos dias atuais, é a falta de paz. Ah, como tem gente que não conhece o que é ter paz! Até porque tudo – ou quase tudo – que ocorre em suas vidas contribui para a falta de paz. Este, por sinal, é um problema de ordem universal, que atinge pessoas de todos os lugares, de todos os credos, todas as raças, ideologias e todas as condições sociais. E o mais interessante é que o ser humano deseja a paz, clama por paz, busca a paz, anseia pela paz – mas não sabe como construí-la, como alcançá-la. A mesma falta de paz que acarreta problemas na esfera individual também afeta a esfera coletiva. Como alguns indivíduos, isoladamente, não conseguem atingir um salutar estágio de paz, comunidades inteiras, países inteiros também padecem do mesmo mal, vivendo um exagerado e elevado patamar de ansiedade e conflitos que sempre deságuam na ausência de paz.

Segundo o dicionário dos homens, paz é a ausência de conflitos, de lutas, violências ou perturbações sociais. Também significa sossego, descanso, tranqüilidade, concórdia, harmonia. Como se vê, não deixa de ser interessante e alvissareiro o conceito, a definição de paz segundo a ótica dos homens. Aliás, respeito muito esse conceito, esse significado de paz segundo a visão humana. Mas prefiro a paz segundo o conceito de Deus. Este nos introduz num contexto bem mais amplo, profundo e abrangente do que, realmente, significa a paz. O termo vem do hebraico “shalom” e tem um sentido tão amplo que em nenhuma outra língua pode ser expresso através de um só termo. Originalmente, paz significa está completo, está são, está bem em todos os sentidos, ser próspero e feliz. Ter saúde, alegria, vida digna demonstrada através do perfeito equilíbrio entre a necessidade e a provisão.

Portanto, paz é o completo bem estar traduzido no seu mais profundo significado: paz com Deus, paz conosco e com os nossos semelhantes. Na Bíblia há uma passagem que bem demonstra a profundidade do termo, através de um dos textos do apóstolo Paulo (2 Ts.3.16) que diz: “Ora, o Senhor da Paz, ele mesmo, vos dê continuamente a paz em todas as circunstâncias”. Nessas simples palavras de despedida, escritas numa carta endereçada aos cristãos de Tessalônica, Paulo chega ao âmago da questão quando recebe a revelação de Jesus Cristo “o Senhor da paz”. Está aí, portanto, o grave equívoco cometido por grande parte da humanidade quando tenta, fora do contexto construído por Jesus, encontrar a paz. Ora, a paz não é atributo de homens! A paz é um dom de Deus que se expressa em Jesus. Afinal, não foi ele quem nos garantiu “Eu vos dou a minha paz?”

Então, porque buscar a paz fora de Jesus? Em outra ocasião, logo após a ressurreição, ao aparecer aos discípulos, antes de falar qualquer coisa, Jesus disse: “A paz seja convosco”. Pois era exatamente de paz o que mais seus seguidores precisavam naquele momento. Estavam trancados, atemorizados após a crucificação de Jesus, sem saber o que poderia lhes acontecer da parte de Roma e dos poderosos sacerdotes judeus. Jesus sabia do temor que se apossara de todos eles e ministrou-lhes, de início, a paz. A paz que equilibra, que acalma, que acalenta. Hoje, do mesmo modo que naquele tempo, o temor, a insegurança, a ansiedade se apossam das pessoas infernizando suas vidas, tirando-lhes o sono e apequenando-lhes a qualidade de vida. Para estas, Jesus continua a oferecer a paz, a sua paz, a “que excede todo o entendimento”. Por sinal, agora, nesse momento, você está em paz?

Públio José – jornalista

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Luiz Gonzaga, na música “Assum Preto”, relata o sofrimento de um pássaro que fora mutilado dos olhos para que passasse a cantar melhor. Seus versos ainda ecoam pelas mentes e corações nordestinos de todos os portes e tendências: “Assum preto seu cantar é tão triste quanto o meu, também roubaram o meu amor, ai, que era a luz, ai, dos óios meus”. O lamento mostra o sofrimento do personagem ao se ver privado da presença da amada. Segundo ele, da mesma forma que a vida impusera o furo aos olhos do pássaro “para ele, assim, cantar melhor”, também lhe colocara numa situação de dor, com a perda da mulher amada. Ambos fazem do sofrimento o combustível necessário para aprimorar a inspiração, enquanto também fazem do novo canto motivo para suportar as agruras da vida. Nenhuma penalidade, entretanto, surge para o terceiro personagem da história, o causador de tudo.

Este se esgueira pelo anonimato sem pagar pelo seu crime. Afinal, a letra deixa bem claro que alguém, na música não identificado, havia furado os olhos do pássaro. O canto também ressalta o prejuízo sentimental que alguém sofrera porque outro roubara o seu amor, “que era a luz, ai, dos óios meus”. Como se vê, esse terceiro personagem causou sofrimento e dor e, no entanto, nenhuma penalidade lhe aconteceu. Essa pérola do cancioneiro nordestino também serve de metáfora para as práticas atuais na vida política brasileira. Políticos inescrupulosos “furam” os olhos do eleitor, para que este não consiga enxergar a realidade dos seus atos, enquanto outros “roubam” os sonhos daqueles que neles depositaram sua confiança. O resultado é eleitor lamentando a cegueira na qual vem tateando há muito tempo e eleitor que teve tirado de si a luz dos seus anseios, de seus desejos perdidos e destroçados.

Políticos atuais representam bem esse personagem. À numerosa galera, ou seja, o eleitorado, os olhos foram furados. Durante longo tempo militantes de certo partido celebraram a pureza ideológica da agremiação sem se dar conta do enorme abismo que separava “as conversas pra boi dormir” da verdadeira realidade. Com raríssimas exceções, ninguém da massa, da famosa militância chegou a enxergar o mastodôntico estelionato que era praticado à vista de todos. Como descobrir o jogo se estavam todos cegos? E, como nos versos da música eternizada por Luiz Gonzaga, o pássaro com os olhos cegos canta – e canta muito melhor! O desempenho da militância era de fazer inveja aos demais partidos. A cegueira motivava inspiração toda especial. Ir às ruas, comprar camisetas, bottons e bonés do próprio bolso, além de brandir, com aguerrida devoção, os dogmas do partido, tudo era feito com cega determinação.

Aos demais eleitores sobrou também o lamento pela dura realidade. “Também roubaram o meu amor, ai, que era a luz, ai, dos óios meus”. Quanta gente no Brasil embalou seus sonhos, seus maiores anseios civis em cima das promessas defendidas por famosos políticos, não é verdade? Para muitos era como se fosse um novo amor, algo arrebatador, que lhes traria um novo país. No Brasil esse fenômeno aqueceu mentes e corações de milhões e milhões de apaixonados, de embevecidos, que creram em um novo amanhã. A eles, com raríssimas exceções, restou a descoberta da dura realidade: olhos furados de uns; sonhos roubados de outros. De palpável apenas o seguir tranqüilo do causador de tamanha decepção. Pois devagarinho, devagarinho, tal figura vai se esgueirando pelos desvãos da impunidade, deixando atrás de si o som de um forte lamento. “Assum preto meu penar é tão triste quanto o seu...”

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Desde que o homem se entende por gente, por mais diversos que sejam os hábitos, as tradições, a cultura, a hora e o lugar, o negócio é levar vantagem. A História está cheia de exemplos de homens e mulheres extremamente sabidos, ardilosos, manhosos, cuja máxima de vida era levar vantagem – sempre. Aqui no Brasil, logo após a Copa do Mundo de 70, notabilizou-se o jogador Gérson quando, ao estrelar um comercial para uma marca de cigarros, afirmava que o negócio era levar vantagem. Criou-se o estigma de que Gérson é que tinha inventado a Lei da Vantagem. Bobagem, conversa pra boi dormir. E onde ficariam Cleópatra, Lucrécia Bórgia, Jacó, Saul, Herodes e tantos outros personagens que fizeram do levar vantagem, do atropelar os outros, a expressão máxima do governar, do guerrear, do conquistar, do sempre chegar primeiro?

Ou por outra, quem é Gérson diante de tão sabidas criaturas? Não estou aqui para defender Gérson, mas para estabelecer uma análise fria, real, sem emocionalismos, entre o viver somente em busca da vantagem e a vantagem verdadeira que isso acarreta. Aliás, pelo que se nota, querer viver sempre na vantagem acarreta uma desvantagem incrível. Cleópatra, por exemplo, teve de se suicidar arrodeada de cobras, venenos e outras maldições em razão da opção de vida que escolhera; Saul terminou seus dias de Rei de Israel espetado numa lança de um amalequita, povo ao qual combatera e vencera tempos atrás com galhardia, mas através do qual encontrara a morte após querer ser sabido demais diante de Deus. O próprio Gérson depois do comercial que instituiu a Lei da Vantagem nunca mais foi o mesmo, amargando uma vida de ostracismo e isolamento das massas. Como se vê, desvantagem pura.

Hitler, louvado e celebrado como estadista e líder super dotado, que sempre sobrepujava os seus oponentes, inventou de enlarguecer seu horizonte de guerra abrindo uma nova frente na Rússia e se deu extremamente mal. Terminou seus dias ilhado num bunker, onde a única alternativa que lhe restou foi abraçar a morte. Judas, o mais letrado entre os discípulos de Jesus, imaginou ser uma grande vantagem vender o Mestre por 30 moedas e terminou tendo também a morte como a melhor das companheiras. A lista é enorme e permanecerá sempre inconclusa. Abrange políticos, atletas, profissionais liberais, religiosos... Enfim, líderes dos mais diversos quadrantes e especialidades. Todos almejando o melhor da vida, o reconhecimento dos adversários e amigos e a glória das massas. De comum entre eles os métodos e a indiferença pelos que foram atropelados e ficaram para trás.

Mas, graças a Deus, também temos exemplos de pessoas que fundamentaram suas vidas em razão do outro. Que se doaram sem nada pedir. E que, através desse caminho, encontraram uma prazerosa razão de existir. Exemplos como o de Moisés, Maria, Samuel, Daniel, Pedro, João, Paulo. Mais recentemente Ghandi, Teresa de Calcutá, e tantos outros. Uns mais reconhecidos, outros que preferiram a estrada do anonimato. Todos, porém, encarando um estilo de vida que contempla o ser ao invés do ter, a alegria pelo espaço ocupado positivamente na vida do próximo ao invés do sucesso efêmero. É interessante fazer uma comparação para se ver, verdadeiramente, com quem ficou a vantagem. Ou por outra, qual a glória melhor. Se a de Cleópatra ou a de Maria, a de Moisés ou a de Faraó, a de Nero ou a de Ghandi, a de Saul ou a de Davi, a de Pilatos ou a de Jesus?

Jesus, por sinal, é um caso a parte. Ninguém se doou tanto, se deu tanto quanto Ele. Tem o que comemorar? Com seus gestos impregnados de amor dividiu a história do homem em antes e depois Dele. Praticando uma vida plena de sabedoria e dedicação ao outro, introduziu na mente e no coração dos homens conceitos que permanecem inalteráveis, imutáveis e eternos até os dias de hoje. Todas as religiões do mundo bebem Dele; escritores – principalmente os de auto-ajuda – se lastreiam Nele para ditar aos leitores receitas da boa vida; a Ciência hoje se dobra à essência do que Ele ensinou; a Medicina proclama a validade de suas máximas. O sorrir, o abraçar, o perdoar sempre, o orar diante das dificuldades, tristezas e decepções são iniciativas largamente difundidas em todos os quadrantes. Jesus é, portanto, o mensageiro da vantagem. Da boa, da verdadeira vantagem. Tem vantagem melhor?

Públio José – jornalista

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Um dos fortes objetivos de Jesus em relação aos apóstolos era a preparação deles para os tempos futuros nos quais não se faria mais presente em suas vidas – e que seriam fartos em traições, perseguições, julgamentos dissimulados e morte. Entretanto, ao longo da mútua convivência, um fato se estabelecera de tal forma que, predominando, poderia prejudicar o futuro trabalho do grupo: a excessiva dependência de todos a Jesus. Ocorrência natural àquela altura dos acontecimentos, uma vez serem eles homens comuns, ignorantes alguns, desprovidos, até então, de qualquer resquício de poder espiritual. E muito mais ainda em função de terem testemunhado episódios extraordinários, entre os quais a cura de cegos, leprosos, aleijados, a ressurreição de mortos, a conversão de ladrões, assassinos, prostitutas... Fatos a fazê-los ainda mais dependentes diante de convivência tão marcante.

Desapregá-los fisicamente de Jesus – mantendo-os, porém, fieis e alinhados espiritualmente – se fazia fundamental para o sucesso do empreendimento divino, mesmo se revelando missão de difícil execução. Tanto é que, após a crucificação, todos eles (com exceção de Judas, já morto àquela altura) trataram de se esconder das autoridades judaicas e romanas, pois lhes faltava a pessoa confiante, intensa, fascinante de Jesus, tornada imprescindível após três anos de convívio seguro e enriquecedor. Já sabedor das deficiências e fragilidades dos apóstolos, Jesus se antecipa aos fatos (Mateus 11.7b), ressaltando a importância do aprendizado da Palavra e da firme postura mental e espiritual dos agentes que Deus escolhera para divulgar ao mundo seu plano de salvação. E que, ausente Jesus, seriam eles os fieis e resolutos executores de tão importante missão. A arma? A Palavra. Apenas.

Empreitada, convenhamos, de fazer boquiaberto o mais crédulo entre os crédulos, uma vez viver-se uma circunstância em que somente pela força das armas se conseguiria acender em um povo a esperança da vinda de um novo tempo. Daí o que está registrado em Mateus: “Que saístes a ver no deserto? Um caniço agitado pelo vento?” dizendo de pessoas que se dobram aos ventos das vicissitudes, das dificuldades. E que, aos primeiros sinais dos vendavais da vida, desistem, fraquejam, abandonam sonhos, projetos – deixando-os se esfarelar como capim feito seco pelo passar do tempo. Mais adiante, Jesus repete: “Mas, então, que fostes ver? Um profeta? Sim, vos digo eu, e muito mais do que profeta”. Referia-se a João – o Batista, como exemplo de firmeza na visão, na fé, na concepção espiritual e no destemor com que enfrentara enormes desafios na execução da missão que lhe fora confiada.

Batizar Jesus? João alcançou esse objetivo. Pregar o Evangelho do Arrependimento? Ministrou-o com maestria. Ser o maior entre os nascidos de mulher? Esta qualificação o próprio Jesus lhe imputou. Destacar-se como profeta? Jesus também assim o distinguiu. No mesmo discurso Jesus enfatiza que “o Reino dos céus é tomado por esforço”, referindo-se aos fariseus que impediam o livre acesso a Deus, por se atribuírem intermediários divinos e por infligir ao povo incontáveis sacrifícios – por Jesus já desautorizados. Significando também que a “tomada do Reino” se faz com permanente esforço individual, empreitada reservada, evidentemente, aos que não se dobram, nem se deixam engolfar pelas aflições da vida. Nem por heresias, modismos, relativismos, falsas doutrinas, nem ilusória erudição secular. Ih! Tempestade à vista! Oh! Guru também! Ih! Vem forte vendaval! Vai virar caniço? Vai se esfarelar?

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Não é nossa pretensão atiçar aqui uma onda de sentimento saudosista. Afinal, no modernismo em que vivemos muitos acontecimentos são passivos de comemoração; conquistas surgiram e merecem celebração. A Tecnologia, por exemplo. Seus avanços trouxeram progresso inestimável às Telecomunicações, Medicina, Aeronáutica, Automobilística, Agricultura... Enfim, em todos os ramos da atividade humana. A exceção, mesmo com tais avanços, fica por conta da Política, seara na qual hábitos e costumes estão contaminados pelo lado perverso da Tecnologia, que lhes facilita a corrupção e a roubalheira. Nisso tudo chama a atenção a falta de patriotismo que impregna o brasileiro de todos os níveis, ou, para não sermos rigorosos demais, do pouco patriotismo que impera por aqui. Diferente de décadas atrás, não é verdade? Aliás, no Brasil, postura patriótica passou a ser exceção, quando deveria...

Analistas, pensadores, sociólogos, jornalistas e demais entendidos no assunto nomearam como patrióticas as manifestações que ocorreram Brasil afora recentemente. Olhando-se superficialmente as tais manifestações, vê-se que elas não deixaram de conter em seu âmago algum resquício de patriotismo, porém desprovido de um foco nítido, visível, concreto, palpável. E, deixando-se de lado o quebra-quebra e as agressões gratuitas a prédios de instituições e de empresas privadas (que podem e devem ser vistas como ira irracional, irrefletida, sem sentido e, portanto, passivas de punições no âmbito da Justiça), veremos que as massas que saíram às ruas não se revestiram de ardor patriótico em função do conteúdo difuso e impraticável de muitas de suas reivindicações. Ora, é patriotismo sair por aí bradando um corolário de centena de coisas, umas conflitantes com outras, e várias de adoção impossível? 

Por outro lado, não é justo taxar os movimentos de rua simplesmente de improdutivos e impatrióticos. Não. Alguns frutos foram gerados. Porém, por falta de visão patriótica, de objetividade patriótica, é certo que, do que se viu, fique muito pouco. Interessante se notar que os dicionários são econômicos quando conceituam o termo patriotismo: “sentimento de amor e devoção à pátria” – enunciado que deveria ser complementado: “e ao seu povo”. Pois, uma pátria não é simplesmente seu chão, seus símbolos, seus mares, rios e oceanos. Patriotismo verdadeiro é aquele que se manifesta em amor e devoção à pátria de modo a trazer benefícios e bem estar ao seu povo. Assim, trazendo o assunto para o âmbito pessoal, num exemplo prático de amor, é oportuno indagar se é amor o ato de entulhar-se o ente amado com propostas, além de numerosas em excesso, conflitantes, impraticáveis, descabidas?

Imagine o maridão exigindo da amada: “querida, voe até o Pólo Norte e, de lá, me traga gelo em abundância”; ou “quero que essa feijoada fique pronta em dois minutos”. Isso é amor? Semelhantemente não é amor, nem tão pouco patriotismo, bradar slogans e palavras de ordem que não levam a lugar algum. Patriotismo, além dos grandes gestos que resultam mudanças concretas, se traduz também em coisas simples do dia a dia: respeitar fila; não furar sinal de trânsito; não subornar – nem receber suborno; não ocupar vaga destinada a idoso/deficiente; cumprir as obrigações profissionais; não sonegar impostos... Por acaso, houve mudanças dessa ordem no Brasil? Foi decretado o fim do jeitinho brasileiro? Os líderes das ruas passaram a ostentar conduta diferente da que mantinham? De concreto, até aqui ficou apenas a algazarra. Patriotismo? Ainda fumaça. À espera de cabeças de melhor conteúdo.


Públio José – jornalista

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O silêncio é associado normalmente à manifestação de um estado de tristeza. Dificilmente se vê alguém, em condições normais de saúde física e mental, mergulhado em dificuldades, angústias, apreensões, que não seja calado, introspectivo, semblante fechado. Mas será que o silêncio é sempre sinal de tristeza? Ou será que, nele, cabe espaço para a alegria, para o cultivo de prazerosos instantes interiores? Com certeza, no silêncio estão embutidas altas doses de prudência, necessárias durante situações de perigo, e também nos momentos de ansiosa expectativa em função do alcance de algum objetivo. Se partirmos para uma análise mais profunda, teremos no silêncio motivo para outras práticas, inclinações para outros comportamentos. No tocante ao mundo exterior, por exemplo, podemos afirmar que o silêncio é a ausência de ruído, fato que nos desobriga a ter que ligá-lo a um estado específico da alma.

Mas será que, de algum modo, podemos associá-lo à alegria? É certo termos condições de aliá-lo à meditação. Autores, artistas, políticos, músicos, místicos e religiosos, principalmente, usam-no para dele fazerem tema, condições e argumentos para longos e introspectivos períodos de meditação. Cientistas e estudiosos da natureza humana também receitam a utilização do silêncio como terapia, lenitivo para nos contrapormos a longos espaços de tempo dedicados a atividades desgastantes. Afinal, ninguém pode ficar com a máquina mental ligada ininterruptamente. É necessário desligá-la durante alguns momentos e o silêncio é aliado imprescindível nessas horas. Ao contrário daqueles que o associam a dificuldades, angústia, apreensões, outros já o têm em alta conta para a obtenção de um estado de sossego, de calma, de satisfação. Satisfação? Pronto! Conseguimos! Eis o elo que faltava ligar silêncio à alegria!

Pois, o que é satisfação senão um formato, uma exteriorização de um sentimento de prazer, de alegria que algumas vezes se aconchega no fundo da alma totalmente em silêncio? Porquanto, se pode haver satisfação no silêncio, podemos concluir, com toda certeza, haver nele alegria! E quais os frutos dessa constatação? Afinal, pra que serve termos alegria em ou no silêncio? As pessoas sábias, bem lastreadas interiormente, fazem uso do silêncio como elemento de fortalecimento e de capacitação física e mental necessária aos desafios da vida. Levadas pelo silêncio ao fértil terreno da meditação, da reflexão, retiram da experiência lições proveitosas de como se mover, de como se estabelecer na vida para a longa batalha da existência. Entre essas pessoas, uma houve que fez do silêncio uma esplêndida ferramenta de interação entre ele e o tormentoso mundo dos homens. Seu nome? Jesus Cristo.

Por várias ocasiões, Jesus se utilizou do silêncio para criar dentro de si condições ideais de enfrentamento aos grandes desafios da vida. É natural, então, que, desse exercício, brotasse uma agradável sensação de prazer, uma crescente alegria pelas soluções obtidas e pelos novos caminhos passíveis de serem trilhados. Seria o caso de vir a ocorrer em nossas vidas, fruto da meditação, desfecho semelhante? Ou devemos argumentar que o que ocorria com Jesus é vedado aos homens em razão de sua natureza divina? A resposta é do próprio Jesus: “Tudo é possível ao que crer”. Na verdade, a prática reflexiva de Jesus – que redundava na transformação de tristeza em alegria – era a fórmula perfeita do aprofundamento de sua comunhão com Deus, condicionante maior a dar lastro à mudança de seu estado de espírito. Eis aí, portanto, a fórmula, o caminho. Trilhá-lo e praticá-lo é escolha nossa. Vai aprender?

Públio José – jornalista

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“Incitatus”, o cavalo de Calígula, entre outras regalias, tinha 18 servidores e colar de pedras preciosas no pescoço. Foi incluído pelo imperador no rol de senadores (ou seja, para todos os efeitos, para Calígula, “Incitatus” era uma personalidade senatorial), além de cogitado para cônsul. A História não esclarece os artifícios utilizados pelos homens da alta cúpula do governo romano para demover o Imperador de seu extravagante projeto político. O fato, porém, é que “Incitatus”, por muito pouco, não foi alçado à condição de alto executivo da máquina administrativa de Roma. Outro cavalo, “Mossoró”, vencedor do Primeiro Grande Prêmio Brasil, em 6 de agosto de 1933, quase foi carregado no colo pela vitória e virou ídolo no Brasil daquele tempo. “Botafogo”, na Argentina de 1920, assim chamado pela estrela na testa, era uma instituição nacional a ponto de ser tido como “El caballo Del pueblo”.

A História também registra a importância que “Bucéfalo”, o cavalo de Alexandre, o Grande, representou na vida do conquistador. Seu nome provinha do agigantado formato de sua cabeça e significava cabeça grande ou cabeça de boi. Com ele, Alexandre mantinha um relacionamento todo especial, em reconhecimento à robustez e às proezas que realizava, em batalha, como animal de alto desempenho. “Baloubet Du Rovet”, montado por Rodrigo Pessoa, foi alçado à condição de estrela de primeira grandeza do turfe pelo tricampeonato mundial conquistado em 1998, 1999 e em 2000, além de campeão olímpico em 2004. São inúmeros, portanto, os exemplos de cavalos famosos, admirados, reverenciados, mimados em função do apego de seus donos ou por admiráveis atributos demonstrados nas mais diversas competições. Já acerca do jumento não consta nenhuma celebração, nenhuma pompa semelhante.

Com seu passado ligado a conquistas militares e a demonstrações de poder, autoritarismo e esquisitices de seus proprietários, o cavalo herdou o estigma da força, da arrogância, ao contrário do jumento – visto como símbolo de humildade e docilidade devotado ao trabalho. É sintomática, assim, a opção feita por Jesus pelo jumento todas as vezes que necessitou de animal de montaria, ao contrário de Saulo, chamado assim antes da conversão. Segundo a Bíblia, “Saulo, montado em seu cavalo, assolava os cristãos, invadindo suas casas, oprimindo-os e enviando-os para a prisão”. Temos, então, de um lado, Jesus e o seu evangelho – em um jumento; e, de outro, Saulo – a cavalo – cruel no cumprimento de sua missão de caçador de cristãos, despótico, intransigente e arrogante no plano pessoal. Entre outros fatores, pelo fato de ser, entre os fariseus, um dos mais profundos conhecedores da Lei – O Velho Testamento.

A opção pelo jumento não é tão singela quanto parece – e está muito longe de registrar uma mera escolha de animais de montaria. Sem proferir nenhuma palavra, Jesus propôs o caráter, a visão espiritual, o procedimento ministerial que pretende dos seus seguidores, ao se utilizar de um símbolo ligado à humildade para impregnar suas mentes com a essência da sua mensagem. Seu gesto representa também o desejo de ver acontecer no íntimo dos homens um processo de mudança que os faça priorizar o despojamento, a simplicidade, o altruísmo, a desambição. E Saulo é forte exemplo: em viagem de perseguição aos cristãos, caiu do cavalo e converteu-se. De Saulo perseguidor, passou a ser Paulo, o perseguido; de intransigente defensor da Lei, a incansável e memorável pregador do Evangelho – o do amor, do perdão, da salvação, da misericórdia, da graça. O Evangelho de Jesus. Em jumento.

Públio José – jornalista

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Na linguagem do boxe, jogar a toalha significa desistir da luta, se dar por vencido. É o gesto extremo do treinador no sentido de preservar a integridade física do lutador, tentando lhe causar o menor mal possível diante do inevitável da derrota. É um ato extremamente frustrante. O lutador ainda está de pé, mas o julgamento de outrem determina que suas chances acabaram, que seu tempo se encerrou. Depoimentos de entendidos dão conta de que a renúncia do treinador causa uma frustração muito grande, um impacto muito forte no boxeador. E que ele preferiria até ser derrotado por nocaute, de que pela toalha jogada no ringue. A realidade competitiva do ringue se assemelha em muito com a dura realidade da vida. Entre trombadas, safanões, dores físicas e interiores você vai se transformando num bom ou num mal lutador – à medida que a vida desfila seus longos dias diante do tempo.

Vários exemplos de homens ilustres, através da História, vão fixando a grande diferença entre uns e outros. Entre os que, às primeiras dificuldades da vida, desistem logo, jogam a toalha, abandonando seus projetos, seus ideais. Destes a História nem se ocupa. E os vencedores, aqueles dotados de uma capacidade enorme de resistência, persistentes, perseverantes, que fazem das barreiras e obstáculos da vida combustível para seguir adiante, robustecidos interiormente para empreender a luta – e vencer. A visão lógica dos fatos tem enterrado muitos sonhos. Tem contribuído para levar para o solo estéril do improvável, do impossível, uma boa quantidade de sementes de bons projetos. O realismo do ser humano mata a sua capacidade de sonhar, de retirar de dentro de si a força necessária para seguir em frente, vencendo os obstáculos para conquistar vitórias. Um grande vencedor chamado Jesus Cristo já nos assegurava “tudo é possível ao que crê”.

Atualmente, são incontáveis os casos de pessoas que já desistiram da vida. Vivem-na pela simples circunstância de estarem vivas. Já não crêem no país, nos homens, em Deus, na família, nas engrenagens políticas e sociais – e muito menos em si mesmas. São meros cadáveres ambulantes a ocupar espaços urbanos sem se darem conta de que estão sem contribuir em nada para o bem estar de si mesmas nem das pessoas que lhe estão próximas. Por covardia medular se negam a ousar, a arriscar, a procurar – diante das dificuldades comuns a todos – o desafio salutar do bom combate, da refrega que, quando ganha, satisfaz a alma e enche o coração de alegria. O homem por natureza é um lutador, um dominador. E quando se nega essa qualidade, esse atributo, propicia uma quebra da ordem natural do seu mecanismo interior. Torna-se um estranho a si mesmo, um inimigo de si próprio, um velejador de um barco sem leme e sem vela.

O objetivo do homem é a vitória – em qualquer circunstância. Os exemplos são belos e inúmeros nesse sentido. Não que para isso tenha de fazer uso da violência, da truculência, da irracionalidade. Churchill, por exemplo, divisou a oportunidade de vitória contra os alemães em meio ao caos dos bombardeios sobre Londres. Como? Simplesmente contando os caças germânicos derrubados pelas forças antiaéreas londrinas. Pelos aviões derrubados, concluiu que Hitler não teria condições de repor tantas aeronaves fora de combate. A virada, portanto, era somente uma questão de tempo. Assim, em meio à dor generalizada, convocou uma cadeia de rádio e bradou o que para todos soou como uma enorme loucura: “a partir deste momento começamos a ganhar a guerra. Ânimo! A Inglaterra não se dobra”. Já pensou se Churchill joga a toalha?

Públio José – jornalista

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Tem muita gente que ainda faz beicinho ou torce o nariz para a Internet como instrumento divulgador de culturas, de idéias, de informações. Confesso que durante um bom tempo eu também pensei assim. Mas depois de comprovar que, ao lado de muito porcaria, você pode colher também verdadeiras preciosidades no campo do conhecimento, passei a encarar a rede de modo totalmente diferente. O que é bom eu guardo e o que me desagrada eu deleto imediatamente. Aliás, a Bíblia já nos ensina que devemos ouvir o que os outros têm a nos dizer “retendo o que é bom”. Do contrário você se torna um chato, um pernóstico, um arrogante, chegando até a ser um escravo de suas próprias idéias e convicções. Ou seja, aquele que só aceita e consome o que vem de si próprio. A essa demência os entendidos dão o nome de “cárcere intelectual” – você preso a você mesmo, ao seu próprio conjunto de conhecimentos.

Será que consegui, com esse arrazoado, vender a Internet direitinho? Porque tudo o que falei até agora foi para lastrear o conteúdo, muito interessante, que recebi através da rede dias atrás. Era uma matéria mostrando os projetos de autoria de alguns deputados na Câmara Federal. Projetos, por sinal, ridículos, estapafúrdios – para não dizer coisa pior. Estava lá, por exemplo, a idéia de um parlamentar tentando criar o Dia do Macarrão. Outro defendia com unhas e dentes a criação do Dia da Esperança. E mais um outro, imbuído talvez do desejo de disputar com os companheiros o Campeonato Nacional da Idiotice e da Inutilidade, lutava bravamente para instituir o Dia do Sono. Estes eram os itens principais da matéria que recebi pela Internet. Outros absurdos integravam também o teor da mensagem. Preferi me ater a esses três para efeito do espaço que temos para este artigo.

De início, uma curiosidade me assaltou com relação ao projeto que tenta estabelecer a data comemorativa ao macarrão. Como seria essa celebração? O produto seria distribuído nas ruas para o povo? Grandes macarronadas seriam promovidas para distribuição gratuita nas periferias das cidades? E nas favelas como seriam as comemorações? Por acaso não haveria eventos festivos nas favelas? E nas escolas como o macarrão teria seu dia comemorado? Certamente um hino ao macarrão seria composto. Por quem? E quem se encarregaria de tal façanha? Outra questão importante se impõe: quem coordenaria as comemorações? Uma data cívica de tal magnitude deveria contar, com certeza, com um lastro institucional muito forte para coordená-la. O prefeito de cada cidade, o governador de cada estado ou a própria presidência da república tomaria para si a tarefa de coordenar o evento?

Muitas perguntas, não é verdade? Como, para tais perguntas, não existem respostas, conclui-se, então, pela total inutilidade do tão acalentado projeto do nobre deputado. Passemos, assim, ao outro, o do Dia da Esperança. Como seria isso? Nessa data aumentaríamos nossa esperança ou passaríamos o dia totalmente desesperançados? Ou grandes multidões seriam conclamadas a sair às ruas para renovarem, unidas, as suas esperanças? Mas em quê? Em quem? O que se conclui é que devemos manter a esperança para os eleitores desses deputados despertarem para a não renovação dos seus mandatos. Ou que a esperança nos embale o sonho de vermos tais figuras ocupando o tempo com projetos que contemplem a nossa realidade. Dia do Macarrão, Dia do Sono. De tanto me ocupar com essas besteiras, faltou espaço hoje para coisas sérias. Dia da Esperança, do Macarrão, do Sono, zzzzzzzz...

Públio José – jornalista

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A onda de violência que antes nos provocava espanto, algumas vezes até comoção, hoje praticamente não nos agride mais. De tanto se ver banalizada, tornada comum pela sua intensa rotatividade, já não causa mais impacto como antes. As exceções são raríssimas e já se perderam na poeira de nossas lembranças. Quando falo em violência não me refiro apenas àquela praticada por marginais que roubam, assaltam, seqüestram e matam. Enquadro também nessa seara os bandidos em todas as tonalidades: políticos, funcionários públicos, policiais, magistrados… Enfim, tudo aquilo que se costuma designar de “a máquina do estado”, necessária à nossa vida como seres civilizados, porém, juntamente com marginais e meliantes os mais diversos, causadora de inúmeras dores de cabeça a nós, que dela dependemos, pelo viés da corrução, do desserviço, do desvio de conduta, da mais cínica desonestidade.

Impressiona – e, pelo que se observa, contagia em assombrosa velocidade – a prosperidade, o bom desempenho da atividade criminosa no Brasil. E o pior é a constatação a que se chega: que o aparelho estatal de combate ao crime não vem dando conta de sua missão de reprimir este pavoroso estado de coisas. Ao contrário. Tanto do ponto de vista da logística (os marginais já estão bem mais armados e instrumentalizados do que a polícia, com exceção em uma região ou outra) quanto da eficiente infiltração do banditismo no aparelho do estado, através de suas numerosas vertentes. Isso acontece nas barbas das autoridades ditas competentes e em todos os escalões da vida pública brasileira – afinal, Correios, Caixa Econômica, Polícias, BNDES, Casa Civil, Congresso Nacional não nos deixam dúvidas. Aliado a tudo isso um clima de impunidade de fazer inveja ao mais ensaboado dos mafiosos.

Assim, no geral, a alma do brasileiro está sufocada num perigoso contexto de desalento, de inércia, de silenciosa resignação. Entretanto, será possível, apesar de tudo, alguma mudança, alguma perspectiva de melhora, pelo menos algum paliativo que nos devolva a esperança? Algo, enfim, que nos venha tirar desse estado de degradação? Sim, degradação. Políticos roubam e nada lhes acontece; perigosos marginais são livres pelas facilidades da legislação e pela incúria da Justiça, voltando a praticar horrores; funcionários públicos são flagrados recebendo propina, dinheiro vivo à mão, e são defendidos pelas maiores autoridades do país… Com que termo, então, se nomina tal fenômeno? Degradação é o que me ocorre. Afrouxamento de princípios, relativização de valores, adulteração de normas e entronização do império da vantagem – buscada e cultivada a todo custo. Sim, que nome se dá a isso?

De repente, um fiapo de idéia me ocorre, um leve pensar, uma breve sensação de conforto. Pela constatação de que, apesar de tudo, os marginais e os corrutos jamais vencerão. É questão numérica. Vejam: as residências são tantas que eles jamais darão conta de arrombar todas; a merenda escolar tem tonelagem tão grande que nunca será totalmente desviada; os jovens são tão numerosos que os traficantes nunca conseguirão drogá-los totalmente; os carros são tantos que os ladrões nunca conseguirão puxar todos; a população é tão numerosa que nunca será seqüestrada e/ou assaltada em sua totalidade; as repartições públicas são tantas que nunca serão totalmente corrompidas; o orçamento público, de tão gigantesco, mesmo sendo sistematicamente assaltado, nunca será zerado; Ah, grande consolo… Isso lá é idéia, cara pálida. Ah, Brasil… Cadê as autoridades? Auuutoooriiidaaadeeeees!!!



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