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Públio José

NATAL PRESS

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O ser humano é, por natureza, seletivo. Seleciona amizades, relacionamentos, profissão, local de morada, de trabalho, bebidas, comidas, livros, filmes e uma série infindável dos mais variados itens que compõem o universo humano. E, da mesma forma que age seletivamente no campo racional, o homem é levado biologicamente a permanecer na esfera seletiva quando suas ações envolvem escolhas de natureza sensitiva, metafísica, espiritual. O olfato é seletivo, o tato também – como também o são todos os demais sentidos. Em vista disso, seria mais do que lógico gestar-se, no âmbito dos elementos que circunscrevem o homem, uma cultura correspondente. E isso realmente acontece, com a seletividade invadindo os terrenos mais díspares e celebrando os objetivos igualmente os mais variados. E aí (afinal, ninguém é de ferro) os limites extrapolam e os absurdos se fazem presentes, atingindo o inimaginável.

Hitler, por exemplo, praticou a seletividade na população alemã a grau extremo, querendo, com isso, atingir a expressão maior da pureza ariana, um sonho louco que outros loucos infelizmente apoiaram. Franco, na Espanha, à mesma época, exercitou a seletividade político/ideológica torrando, no campo do conflito armado, quem não se enquadrava nos seus devaneios ditatoriais. Stalin, um pouco depois, também se aprofundou na seara da seletividade, matando, a torto e a direito, aqueles que não se encaixavam no perfil que escolhera. Chegou, inclusive, a fazer seleção além mar, ao fincar, através de um fanático militante, uma machadinha na cabeça do camarada Trotsky. Como se vê, a prática da seletividade entregue ao livre arbítrio do homem consegue tisnar de negro a história em todos os quadrantes. (Embora, no que toca à Ciência, o selecionar tenha contabilizado enormes benefícios).

Mas não fiquemos somente ao lado de tais figuras. Aliás, bizarras figuras. Busquemos facetas mais amenas do ato de selecionar. Encontraremos? Dia desses, vendo um comercial de tv, tive a curiosidade despertada por um chavão que impregna a atividade publicitária e que quer nos fazer de idiotas. Em meio a imagens belíssimas de uma área gramada, (era um comercial de vinho), em idílico cenário, o locutor informa que o produto era resultado de um rigoroso processo de seleção de uvas. Fiquei a imaginar, então, a enorme quantidade de uvas lançadas fora após a seleção. Montanhas e montanhas delas certamente. Mais adiante, em anúncio de carne de frango, outro locutor comunica que a fábrica coloca no mercado frangos “rigorosamente selecionados”. E os não selecionados onde vão parar? O mesmo acontece com perfumes, leite, cervejas, roupas, produtos de beleza...

Faço um exercício mental e não consigo enxergar onde se encontra o resultado dessa gigantesca operação seletiva. Jogaram no mar? Distribuíram entre os pobres? O negócio começa a ficar complicado quando o processe envolve gente. Porque, entre frangos, uvas, roupas e que tais, sou “trabalhado” por outra empresa, cujo apresentador afirma, professoralmente, que o seu quadro funcional é resultado de uma “rigorosa política de seleção de recursos humanos”. Daí ser o seu produto o melhor, o maior, etc, etc, etc. E agora? Se em um processo seletivo apenas uma pequenina parte de um todo é escolhida, o que será feito da parcela sobrante? Em se tratando de mercadorias ainda dá pra amontoar o que restou da seleção em algum lugar. Ou, no mínimo, esperar que compradores menos exigentes adquiram o restolho. Mas com pessoas, com seres humanos, como se faz? É bronca! Alguma sugestão?

Públio José – jornalista

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Em todo final de ano o mesmo cenário se repete. Na sua casa ou escritório chove um montão de mensagens de fim de ano. São impressos luxuosos, cartões os mais bonitos (alguns nem tanto), outros bastante modernos, criativos, alguns de cunho mais conservador... Já, pelo computador, textos bem escritos (e mal também), acompanhados de melosas trilhas sonoras, entopem sua rotina com os conteúdos os mais diversificados. Nesse contexto, o objetivo se faz comum a todos: desejar ao endereçado da mensagem votos de saúde, paz, prosperidade, sonhos realizados, bonanças enfim. Por outro lado, em ações e gestos mais aprofundados – dependendo dos interesses em jogo – presentes também são enviados. Com a mensagem, enfeixam os desejos do remetente de que o outro seja cumulado de bênçãos, paz, prosperidade, etc., etc... Nada contra essas manifestações. Muito pelo contrário.

Elas tornam, pelo menos nesse período, o mundo menos áspero e mais gentil. Mas nada resolvem. Pois, apesar de tantos cartões, mensagens pelo computador, presentes, firulas e salamaleques o mundo chora. As pessoas choram, embora, na maioria das vezes, as lágrimas não sejam visíveis. E porque choram? Tristezas, agressões, traições, incompreensões, violência, mágoas acumuladas... Um mundo, enfim, de gestos e ações responsáveis por um estado geral de infelicidade que, no período natalino, se tenta mascarar com mensagens, festinhas e presentes. A realidade, no entanto, é que o ser humano ainda não aprendeu a administrar suas vicissitudes interiores, mesmo tendo dominado o átomo e se tornado o senhor da mais avançada tecnologia. E agride, e é agredido, e se parte por dentro, abrindo a guarda para o cultivo de sentimentos negativos e estados mentais depressivos.

Observando todas essas coisas, descobri que apenas uma pessoa, entre bilhões e bilhões de seres vivos sobre a face da terra, tem o condão de mudar, de modificar esse cenário. Seu nome? Jesus Cristo. Cartões natalinos não resolvem, festas de confraternização também não, políticas governamentais idem – como também telefonemas e tapinhas nas costas. Ainda hoje as pessoas se sentem como Jó (Jó.16.16) remoendo a sua circunstância: “O meu rosto está todo avermelhado de chorar, e sobre as minhas pálpebras está a sombra da morte...” Porque isso acontece? É lamentável se constatar, mas o ser humano – tanto o daquele tempo como o de hoje – ainda não aprendeu a administrar suas crises interiores. E a grande maioria (sempre existem exceções) não descortinou ainda o caminho do aprendizado. Daí, como cego às apalpadelas, buscam soluções onde apenas ilusões e quimeras se dizem presentes.

Pois da mesma forma que se aprende sobre um montão de coisas nessa vida, é necessário também sermos ensinados sobre a administração das nossas engrenagens interiores. E nesse campo (volto a repetir) aprendi que só há um Mestre, só um Senhor: Jesus Cristo. Religiosidade, beatice, fanatismo? De jeito nenhum. Pura comprovação. Afinal, só ele teve e tem autoridade para afirmar (João 16.20) “Na verdade, na verdade vos digo que vós chorareis e vos lamentareis, e o mundo se alegrará, e vós estareis tristes, mas a vossa tristeza se converterá em alegria”. Seria Ele um mentiroso, um doido varrido para prometer a transformação (através Dele) da tristeza em alegria se tal fato, efetivamente, não ocorresse? Reflitamos! Custa refletir? Reflita, vamos!Pelo menos em mim, tais palavras deram origem a uma nova realidade de vida. Concreta. Cristalina. E isso não tem nada a ver com religião.

Tem a ver com Jesus e o seu inenarrável poder de transformar choro em alegria. Como também está escrito (a respeito desse poder) em Ap. 21.4: “Ele enxugará de seus olhos toda lágrima”. Como também fica demonstrado na vida da viúva de Naim, cujo filho único ela havia perdido (Lucas 7.13): “E, vendo-a, o Senhor moveu-se de íntima compaixão por ela, e disse-lhe: Não chores”. Ah, que riqueza espiritual incalculável você ter diante de si alguém com autoridade – e amor – para aplacar sua dor, enxugar de seu rosto toda lágrima – e criar no seu íntimo uma nova esperança! E somente Jesus para prometer – e cumprir – tais promessas. Aliás, o mesmo Jesus que fala também (Mateus 11.28): “Vinde a mim todos que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei”. E as mensagens natalinas? Palavras, palavras, nada mais que palavras. Eu estou com o Consolador, o Mestre, a Solução, o Caminho, a Verdade, a Vida...

Públio José – jornalista

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Tenho ouvido muito, ultimamente, se falar, se discutir, até se esbravejar sobre a modernidade da Igreja. É um tema recorrente e que vem abrasando sucessivos debates e polêmicas em auditórios os mais variados. Em toda revista que você abre, em todo programa de tv, ou matéria de jornal, principalmente para justificar os argumentos da comunidade gay, a exigência é uma só: a Igreja precisa se modernizar. O interessante em toda essa questão é que os defensores da necessidade urgente, premente, inadiável da Igreja passar por um processo de modernização não entendem do ofício, ou seja, não entendem de igreja. É como se um agricultor passasse a opinar sobre a modernização da política nuclear ou, da mesma forma, como se um pescador quisesse, por cima de pau e pedra, direcionar a política de investimentos de um banco. Seriam fatos totalmente impensáveis, para não dizê-los fora de propósito.

Assim, além das inúmeras dificuldades que a Igreja enfrenta nos seus movimentos de evangelização, ainda é obrigada a ver esse descabido propósito se avolumar diante de seus olhos. Em primeiro lugar, é preciso deixar bem claro que esse conceito de modernidade não se aplica à Igreja. Por quê? Porque a Igreja é uma instituição intemporal. Ela não se move de acordo com modismos e tendências delimitados pelo tempo. Mas o que, afinal, move a Igreja? Princípios. E princípios não se modernizam. Tomemos, como exemplo, o princípio mais forte a lastrear a ação da Igreja: o amor. Por ventura, o amor se moderniza? Tomemos outro exemplo: o princípio da verdade. A verdade se moderniza? Tomemos mais um: o princípio do perdão. O perdão se moderniza? Em vista disso, como modernizar a Igreja? Ou como modernizar fidelidade, honestidade, santificação?

Estes, e os demais fundamentos que eternizam sua atividade, não são modernizáveis, nem passíveis de alteração. Muito menos podem ser objeto do desejo de alguns de reformar a base, o alicerce, da atuação da Igreja. Pois foi o próprio Jesus – o proprietário da Igreja – quem disse que “as portas do inferno não prevalecerão sobre ela”. Ora, de que forma as portas do inferno poderiam prevalecer sobre a Igreja? Através do pecado. Aí é onde está o X da questão. O que se pretende, na verdade, é que a Igreja abra seu corolário de princípios para nele ser inoculado o princípio do pecado – este sim, com capacidade suficiente para neutralizar, paralisar, anular, aniquilar a essência da atuação e do discurso da Igreja, atribuições, por sua vez, herdadas do ministério e do discurso de Jesus. Por sinal, na Bíblia, na primeira epístola a Timóteo, capítulo 3, versículo 15, Paulo realça uma das principais qualidades da Igreja.

Diz ele: “Para que, se eu tardar, fiques ciente de como se deve proceder na Casa de Deus, que é a Igreja do Deus vivo, coluna e baluarte da verdade”. E aí, tão-somente pelo querer de alguns, modernizar-se-ia, por acaso, a verdade? Mas talvez possamos encontrar uma saída para a questão. Se for moderno, por exemplo, alterar a cor das paredes da Igreja, vá lá que seja. Troquemos a pintura. Se for moderno o piso da Igreja subir ao telhado e o telhado assumir o lugar do piso, façamos isso, então. Quem sabe não fosse melhor trocar a posição das janelas? Elas se abrindo para fora – ao invés de se abrirem para dentro? Ironias à parte, o aspecto físico da Igreja pode até ser modernizado. Seus princípios jamais. Pois, sofrendo eles qualquer alteração, deixam de ser princípios, jogando a Igreja, em conseqüência, na vala comum das instituições humanas. Por acaso, seria este o propósito de Jesus?

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Começou o festival de falsa piedade que todo ano, nesse período, infesta nossas caixas de correio e ocupa preciosos espaços da mídia. Refiro-me a essa onda que ocorre no período natalino de se fazer caridade a favelados, desvalidos, desempregados, aos mais necessitados, enfim, através da distribuição de roupas, alimentos, brinquedos, remédios e outras coisas mais. Alguém, aí no seu canto, poderá indagar “mas não é essa a essência do espírito natalino?” Não, não é. O espírito natalino é muito mais profundo e muito mais duradouro. Aliás, quem restringiu, quem convencionou adotar essa postura de voltar-se ao próximo com mais intensidade somente nesse tempo foi o homem. Pois isso, com certeza, não é coisa de Deus. Ao contrário, aproveitar-se de um momento, de uma época, para praticar solidariedade a necessitados é a mais pura demonstração de falsa piedade.

Ou será que a ausência de suprimentos, de empregos, de roupas, de dignidade, enfim, só ocorre no período natalino? E o restante do ano como fica? Isso tudo é uma hipocrisia generalizada, uma onda de falsa piedade que acomete principalmente a classe média nessa época. É como se todos quisessem se livrar, na virada do ano, dos remorsos, das crises de consciência, ocasionadas pelo que deixou de fazer em benefício do próximo ao longo do ano. Miséria, fome, ausência de suprimento ocorre o tempo todo. Além do mais, o tal “espírito natalino” serve, sob medida, para esconder o principal culpado disso tudo: o governo federal. Que incentiva essas campanhas para, com isso, acobertar sua omissão, sua falta de planejamento sério, maduro, em relação às carências dos mais humildes. Aproveitando-se, inclusive, da boa vontade dos ingênuos, dos desavisados, daqueles que agem no emocional.

Pois a falsa piedade opera, principalmente, na falta de conhecimento e se concretiza nas pessoas, por excelência, no campo emocional. Aí, quando chega o período natalino, a um estalar de dedos da mídia, impulsivamente, todo mundo corre a tentar alegrar a vida dos que não têm nada para comemorar, integrando essa corrente demagógica, hipócrita, carregada de dissimulação que todos estamos acostumados a ver. Com isso, não quero dizer que seja maléfico, prejudicial ou anticristão fazer caridade no Natal. E que não tenha gente de boa vontade envolvida nessas campanhas. Tem. Tem, sim, gente bem intencionada na parada. Mas tem também aqueles que agem mais em função dos holofotes do que das carências reais e autênticas dos necessitados. A esses é hora de perguntar: a caridade feita agora tem o mesmo ímpeto, a mesma ênfase durante os meses de janeiro, fevereiro, março, abril?

O espírito cristão, traduzido em amor e respeito ao próximo, é coisa muito séria, pois é matéria prima gestada no coração de Deus. Não é à toa que o próprio Jesus classificou como o segundo maior mandamento “o amar ao próximo como a ti mesmo”. O primeiro, logicamente, é amar a Deus sobre todas as coisas, embora os dois preceitos estejam tão interligados e intrinsecamente tão associados um ao outro, que um não subsiste sem o outro – e vice-versa. Porque é impossível amar-se a Deus sem amar ao próximo. Como, igualmente, é impossível amar ao próximo sem amar a Deus. Assim, faça caridade nesse Natal – também. Distribua alimentos, roupas, amor, atenção, sabendo que estará, com isso, alegrando, em muito, o coração de Deus (se essas ações forem também repetidas em janeiro, fevereiro, março...). Aí, sim, estará sendo praticado o verdadeiro espírito cristão. Certo?

Públio José – jornalista

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Para a maioria da população mundial a afirmação de que Deus fala às pessoas constitui-se uma verdadeira doideira, uma aberração de cunho religioso. Para outras, que se dizem mais estudadas a respeito do assunto, Deus não fala às pessoas, mas se manifesta através dos elementos da Natureza (mares, rios, oceanos, lagos, montanhas), das estações do ano (verão, outono, inverno, primavera) dos fenômenos climáticos (secas, chuvas, nevadas, enchentes) e dos corpos celestes em geral (sol, lua, planetas, satélites). Tanto é assim que inúmeras civilizações passadas – e até expressivas parcelas da população atual – se dedicam a adorar tais elementos imaginando, dessa forma, cumprirem culto a Deus. (Na verdade, estão trocando a adoração ao Criador pela adoração à Criatura, invertendo uma equação espiritual que os faz se afastarem da ordem natural do que Deus planejou para o homem).

Bom, este é um assunto para tratarmos outro dia. Voltemos à questão principal: se Deus fala às pessoas – e se é ouvido por elas. Pelo ensaio anterior, sob título “Deus lhe ouve?”, recebemos várias manifestações, via e-mail, de pessoas favoráveis à afirmação e de outras tantas (o que é natural) divergindo. Entre as mensagens recebidas, a de um amigo chamou a atenção. Conta ele que viveu recentemente uma experiência extraordinária – que lhe comprovou que Deus ouve a quem a Ele se dirige. Numa certa madrugada, segundo seu relato, acordou com uma dor aguda no rosto. Além da dor, sentiu a face repuxada violentamente para um lado e a constatação de que sua voz tinha desaparecido. Tentou gritar, pedir socorro – e nada. Nenhum som lhe saiu pelos lábios. Sofrimento, pavor, impotência... Aí se lembrou de Deus. E clamou. E foi ouvido – e prontamente atendido.

Em questão de segundos, a dor passou; os músculos faciais retornaram ao lugar; e a voz voltou à normalidade. Aliado a isso tudo, uma sensação de paz, de serenidade, e a certeza de que Deus o ouvira. (Tanto o ouvira que providenciara sua cura). Este é um caso a atestar o desejo e a prontidão com que Deus ouve as pessoas. Mas, e a questão colocada pelo lado oposto? Ou seja, quando Deus quer se fazer ouvir? Algumas O ouvem – e O atendem (os testemunhos são inúmeros). Outras não. O que as diferencia? A fé, em parte, explica a diferença. Pois está escrito:“sem fé é impossível agradar (e ouvir) a Deus”. Daí nem se cogitar a possibilidade dos que não crêem vir a ouvi-Lo. Entretanto, mesmo parcelas expressivas dos que crêem (será?) dizem não ouvir a Deus. E agora? Segundo Jesus Cristo, o fato de tais pessoas não O ouvirem acontece pela prioridade às riquezas, aos favores – às seduções do mundo.

Como está escrito (Mateus 13.22): “E o que foi semeado entre espinhos é o que não ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo e a sedução das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera”. Nessa seara, por sinal, não existe receita pronta. (Afinal, Deus não é um computador!). Mas um fato é certo: o ouvir a Deus começa pela aceitação à sua Palavra, pela comunhão com suas revelações – manifestas na Bíblia – e pelo hábito contínuo da leitura, da meditação, do estudo. Pois muito da incredulidade e da insensibilidade espiritual advém não por maldade nem posicionamento antagônico explícito, mas do desconhecimento do que Deus deseja para o homem. Assim, antes de tudo, ouvir a Deus é um gesto de submissão, de humildade, de amor à sua Pessoa. Que, com o passar do tempo, e maturidade advinda, se desdobra em inimagináveis possibilidades. Orientação, consolo, carinho, atenção... Audivelmente. Já pensou?

Públio José – jornalista

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Praticamente toda atividade patrocinada pelo homem sofre o fenômeno do rotulismo. Pra onde você se volta, até onde sua vista alcança, os rótulos se fazem presentes. Isso independe de questões culturais, econômicas, sociais, geográficas, existenciais, políticas, ambientais... O homem rotula, carimba, cataloga, nomeia e estamos conversados! Essa atitude o homem cultiva desde os tempos mais remotos. Narra a Bíblia, por exemplo, que no Jardim do Éden, Deus colocou todos os animais diante de Adão para este dar-lhes nomes. E Adão rotulou todos. Não deixou nenhum deles sem nome. Ao lado a atividade intelectual de denominar, sabe-se que Deus assim o fez por uma questão de delegar autoridade, já que, por Sua vontade, depois Dele, Adão seria o senhor do jardim. Fica implícito, assim, que o ato de rotular é também um ato de exercício de autoridade, de escolha, de aplicação do livre arbítrio.

Ou por outra: “quero, logo rotulo”. O problema é a veracidade, a autenticidade, o conteúdo do rótulo empregado. Quando se diz, por exemplo, que um político é ladrão, não se tendo a prova real, cabal que dê lastro à afirmação, está-se cometendo um ato de irresponsabilidade, de leviandade – quando não de crime de lesão à honra alheia. E não foi com este objetivo que Deus nos distinguiu com autoridade para rotular. A capacidade de agir por impulso, impensadamente, tem levado a humanidade a cometer injustiças terríveis, com a agravante de que o rótulo, além da injustiça que pode trazer em si mesmo, tem o poder de destruir, de criar famas de características e conseqüências imprevisíveis. Quem foi vítima de um rótulo injusto sabe o sofrimento que tal fato acarreta. O rótulo maldoso e infundamentado é fogo destruidor e quem dele se utiliza torna-se senhor de poder incontrolável.

Tome-se o exemplo (e as conseqüências) do rótulo apensado a Getúlio Vargas, pela cúpula udenista, de corruto, assassino e ladrão. Depois de morto, segundo ele próprio para salvar a honra, nada restou provado. O próprio Jesus Cristo foi rotulado de glutão e beberrão pelos seus detratores. Logo Ele! Observe-se, também, o rótulo que vigiu, durante séculos, sobre Dom João VI, de glutão, abobalhado, indeciso, medroso, entre outros epítetos, quando, vê-se hoje, ter sido ele um dos maiores estrategistas do seu tempo, e o real construtor de um país chamado Brasil – de colossal patrimônio econômico e territorial. Foi também o tão mal rotulado Dom João que causou uma fragorosa derrota ao gênio militar Napoleão Bonaparte – sem sacrifício de uma vida sequer – quando transferiu a Corte portuguesa para o Brasil. Também na política, nas artes, basta surgir uma idéia nova que o rótulo é logo providenciado.

Modernista, pós-modernista, expressionista, primitivista, barroco, romântico, naturalista... Na política: conservador, liberal, socialista, comunista (este meio fora de moda), esquerdista, monetarista, neoliberal, arrivista, revisionista, reducionista, revolucionário, direitista... Fora os mais agressivos como trânsfuga, corruto, mau caráter, desonesto, infiel, néscio, ignorante – até ao mais sonoro e corrosivo ladrão. Vejam o que é rótulo: ainda hoje, quando se fala em Adhemar de Barros, ex-governador paulista, sua fama de ladrão logo surge. Verdade? Mentira? Dos atuais, Paulo Maluf também é assim designado. O que se observa, na verdade, é que o rotulismo impensado é um ato perigoso para quem o pratica (quando não uma demonstração de pobreza moral e intelectual) e, na maioria das vezes, um ditame a restringir, apequenar, a dimensão da pessoa rotulada e a essência da sua obra.

Públio José – jornalista

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Uma das maiores dúvidas do homem está relacionada ao seu contato com Deus e a incerteza de ser ouvido. Essa questão está ligada a duas realidades: a primeira é que ninguém tem a capacidade de visualizar Deus, de vê-lo fisicamente como se vê as demais pessoas; a segunda é que ninguém ouve a Deus do ponto de vista físico, como se ouve o trinar de um passarinho ou o bate-boca de dois adversários. Para quem nunca o fez, ouvir a Deus, na verdade, é atividade de demasiada complexidade e que habita um terreno intrincado – o terreno da fé. Entretanto, embora pouco relacionada entre as dificuldades que compõem o dia-a-dia atual, a incerteza de que se é ouvido ou não por Deus é uma das piores calamidades de hoje. O fato de um governante não ouvir os reclamos de um segmento já gera um desconforto e uma incômoda sensação de rejeição, quanto mais o fato de não ser ouvido pelo Pai Eterno.

Assim, o fato de não ver Deus e concluir que não é ouvido por Ele – em razão de não escutar claramente a sua voz – tem levado muitas pessoas a abdicar totalmente de um contato com Sua Pessoa e, em conseqüência, adentrar perigosamente no terreno da descrença e da incredulidade. Pois a pior sensação experimentada pelo ser humano, no encaminhamento de seus problemas existenciais, é quando cessam suas tentativas, suas buscas para a solução que almeja, e sua mente é invadida pelo vazio, pelo sentimento de que nada mais resta a fazer. A não ser se defrontar com o fruto cruel e amargo da impotência e da insustentabilidade. É também o tempo de se abraçar com a conclusão e a certeza de não se ter mais a quem recorrer. E agora? Do interior, angustiado, parte o grito, o clamor: “Porquê ninguém me ouve? Porquê ninguém me socorre; qual a razão para tamanho menosprezo?”.

Imaginemos, por exemplo, a situação de um suicida. Porquê o atentado à própria vida? Com certeza, pelo sentimento de que o momento de continuar a luta chegou ao fim, exauriu-se a força para permanecer na peleja. E, se nas pessoas que vivem essa dolorosa experiência, se aconchegar uma certeza de que alguém lhe ouve, de que alguém muito poderoso está disposto a lhe escutar? Certamente as atitudes serão outras, não é verdade? Mas, afinal de contas, Deus nos ouve ou não? Se nos ouve, como é a Sua voz? Grave, aguda, alta, baixa, calma, Toni troante, acariciadora, intimista, impositora ou audível, simplesmente? E, se não nos ouve, qual o tom do seu silêncio? Duro, seco, ausente ou tão somente o ronronar do nada? Muitas pessoas há no mundo dando testemunho de que ouviram a voz de Deus. E ficaram maravilhadas. Dizem até que tal experiência modificou totalmente as suas vidas.

E o que fizeram de tão especial para ouvir a voz de Deus? Creram. Simplesmente creram. Personalidades bíblicas do porte de Davi também testemunharam ter ouvido a voz de Deus. No salmo 40, versículo 1, por exemplo, Davi assegura: “Esperei confiantemente pelo Senhor; ele se inclinou para mim e me ouviu quando clamei por socorro”. Também no salmo 54, versículo 17: “À tarde, pela manhã e ao meio-dia, farei as minhas queixas e lamentarei; e Ele ouvirá a minha voz”. E ainda como escreveu no salmo 120, versículo 1: “Na minha angústia, clamo ao Senhor, e Ele me ouve”. O profeta Daniel também viveu essa certeza, como está escrito no livro que leva seu nome, capitulo 10, versículo 12: “Não temas, Daniel, porque, desde o primeiro dia em que aplicaste o coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, foram ouvidas as tuas palavras; e, por causa das tuas palavras, é que eu vim”.

Vários escritores bíblicos asseguram, além do mais, que o próprio Jesus Cristo, como homem, como carne, também suportou todos os seus sofrimentos por conta da certeza de que Deus lhe ouvia. Essa convicção, para nós salvadora, está bem registrada em João, capítulo 17, versículo 1 ao 26, na célebre oração sacerdotal quando agradeceu a Deus que, “dos que me deste, protegi-os, e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição”, se referindo a Judas. Também no livro de João, capítulo 11, versículo 41, na conhecida passagem da ressurreição de Lázaro, Jesus agradece de público a Deus o fato de ser ouvido: “E Jesus, levantando os olhos para o céu, disse: Pai, graças te dou porque me ouviste”. Assim, com fé, está na hora de passarmos a ter, em Deus, um conselheiro e confidente especial. Afinal, como nos assegura Davi, “se meu pai e minha mãe me desampararem, o Senhor me acolherá”. Beleza, não?


Públio José – jornalista

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A narração bíblica e a conteúdo histórico nos colocam a par dos acontecimentos que dizem respeito à vida de Judas. (Falo do Iscariotes, o que traiu Jesus. A Bíblia cita vários deles, inclusive o Judas irmão de Jesus). Sua trajetória tem um início fascinante, embora o desfecho tenha sido trágico. De modo geral, sabe-se que Judas traiu Jesus em troca de 30 moedas, passando à História como um assassino frio e calculista. Esse estigma levou até alguns estudiosos a traduzir Iscariotes como assassino, mas essa tentativa esfumou-se com o tempo por falta de consistência semântica. O mais provável é que o termo Iscariotes se refira à localidade onde Judas nasceu, da mesma forma que Maria Madalena (antigamente escrito Magdalena), leva o segundo nome por ter nascido em Magdala (ou Magadã – outra forma de grafia) povoação de localização incerta, provavelmente próxima ao Mar da Galiléia.

Voltemos ao Iscariotes. Detentor de um dos postos mais importantes do ministério de Jesus, destacou-se desde o início por se situar bem acima dos demais do ponto de vista intelectual. Era o tesoureiro do grupo, escolha que comprova o reconhecimento do seu talento e a confiança nele depositada. Ao que tudo indica, os problemas de Judas tiveram início a partir da conceituação, feita para si, da missão de Jesus. Para os apóstolos de cunho messiânico, ou seja, de forte lastro espiritual; já para a massa judaica – Judas entre estes – o messianismo do Cristo compreendia fortes tons de atividade político-militar, daí derivando para a sonhada reconquista do território pátrio – e a conseqüente expulsão do invasor romano. Aparentemente inócua de início, tal disparidade cresceu sorrateiramente, e em tal dimensão, que levou Jesus e Judas a caminhos totalmente opostos, culminando com o desfecho da irremediável traição.

O fato de ter recebido dinheiro para indicar a localização de Jesus – àquela hora buscando isolamento e proteção para si e para os apóstolos em razão das crescentes ameaças da cúpula judaica – não indica uma simples busca pela vantagem financeira. O dinheiro foi o último empurrão a ferir, num lance de morte, um contexto há muito carregado de desânimo, decepção, frustração e revolta. Seu gesto, na realidade, foi um ato de vingança e a tentativa última de trazer Jesus ao ponto original, quando esquentava corações e mentes com a promessa da vinda de um novo reino. Para Jesus espiritual; para Judas – e a maioria – um reino tomado pelo sangue derramado aos romanos. E o dinheiro? Foi muito? Foi pouco? Numa atualização aproximada, as trinta moedas de prata que Judas recebeu (equivalente a cinco meses do salário mínimo de então) totalizariam hoje em torno de três mil e cem reais.

Como se vê, quantia de valor baixo para a dimensão do serviço prestado por Judas aos sacerdotes judeus, motivo que certamente – após uma profunda reflexão – levou-o a cultivar o remorso intermitente que redundou na sua morte. Hoje, quando se presencia as barbaridades cometidas em troca de milhões e milhões de reais pelos larápios de plantão, principalmente na seara política, dos quais o Brasil é produtor privilegiado, vê-se o quanto foi franzino o valor recebido por Judas. Por mais inflação que se enxerte nas estimativas, a conclusão é que, se o homem de hoje não evoluiu espiritualmente, se não aprendeu a cultivar princípios e hábitos que Jesus pregou, soube “crescer e se multiplicar” nos valores cobrados para se corromper, para cometer os crimes mais abjetos. Coitado de Judas. Ficaria estupefato ao descobrir que, hoje, na cena do crime, seria fichinha, aprendiz de aprendiz de meliante de quinta categoria.

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A cada dia o brasileiro fica mais desorientado com a eclosão de fatos à sua volta carregados de transtornos e prejuízos diversos, e que, em conseqüência, vêm atingindo a todos com agressividade incomum. Aliás, há tempos o brasileiro médio – aquele que pensa sair do trabalho para casa a tempo de assistir a novela, o noticiário, o futebol pela tv – é impactado com o que se passa no vídeo. Nele, vê-se o Brasil como se uma câmera desfocada gerasse uma sucessão de imagens distorcidas. Ou que um pintor, muito loucão, invertesse a lógica estética e trouxesse à luz algo muito além do que imaginam os mais empedernidos expressionistas. Crimes, mortes horrendas, assaltos, seqüestros, tudo ali, à frente de todos, oferecido por estrelas ascendentes do jornalismo televisivo, sempre às horas das refeições, feito prato comercial servido nos restaurantes self service da vida. Apelação? Realidade? Loucura?

Essa salada indigesta vem pontuando o dia a dia do brasileiro com uma regularidade obsessiva e ininterrupta – a fazer todos se indagarem “que país é este? onde estou afinal?” Além do mais, se observamos assim o que vemos no campo do crime, da marginalidade, do bruto e tenebroso terreno das delegacias de polícia, em outras searas o cenário não é diferente. Na política, por exemplo, o que acontece que leve o brasileiro a se orgulhar? O judiciário, por seu turno, à frente o Supremo – onde até pouco tempo se ancorava a esperança do brasileiro comum – lambuzou-se a tal ponto com a influência de governos e partidos políticos que hoje nem merece mais ser visto como “a suprema corte”. Suprema em quê, afinal? Pelo dicionário, o termo se mostra uma maravilha: dignidade, pureza absoluta, preeminência, o mais importante, superior a tudo. É assim que é visto o Supremo nos dias de hoje?

Agora, vem somar-se a esse quadro horroroso as tais manifestações – os protestos de grupos organizados. E o que se vê? Em passeatas de professores, por exemplo, cenas de agressões, vandalismos, quebra-quebra, puro desrespeito à autoridade. Os alunos, em casa, confusos, vendo os mestres do saber, das boas práticas de vida engalfinhados com a polícia, certamente se indagarão se professor é aquilo que mostra a televisão. A todo instante, o termo democracia é distorcido, amarfanhado, para utilização da forma que mais agrada ao transgressor de plantão. Nas escolas, professores são espancados – e mortos – a bem da democracia escolar, amontoado de hábitos que confere à meninada uma impunidade absoluta, além de péssimos índices de aprendizado. Nos locais de trabalho, desceu pelo ralo a autoridade em louvor do igualitarismo que tudo pode. Não é da essência democrática a igualdade de direitos?

Nas esferas partidárias, alianças absurdas são sacramentadas sob o argumento de que “é necessário garantir-se a governabilidade”. Ah, pera lá! Governabilidade, teu nome é safadeza! Baderneiros, quando presos, são soltos em seguida, sem nada a pesar-lhes no cocuruto. Quando muito alguns arranhões, logo esquecidos em razão do estrelato garantido pela mídia. Enquanto isso, com receio de desagradar o que vai pelas ruas, governantes se omitem – e a ordem que vá pro beleléu! O intuito? Serem vistos como... democratas. Em casa, o brasileiro engole tudo isso, se perguntando se no dia seguinte encontrará de pé a loja onde trabalha. Impunidade, incivilidade, impatriotismo... Isso é democracia? Ou estamos, sem sentir, numa ditadura. De que tipo? Vinda de onde? Patrocinada por quem? Cadê o Brasil que amo? Brasiiiiillllll, onde estás que não respondeeeeeees? Te cuida, cara pálida!

Públio José – jornalista

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Na parábola do filho pródigo, contada na Bíblia, (Lucas, capítulo 15, versículo 11 em diante) de conteúdo bastante conhecido, fica esboçado o desejo muito forte, da parte de um dos principais personagens da história, em conquistar muito cedo a liberdade. Trata-se de um dos filhos de um próspero fazendeiro que não estava aceitando a realidade simples, bucólica, singela até, que vivia no campo. Ele queria rebuliço. Queria viver novas emoções, experimentar o que se passava no horizonte distante da cidade. As notícias chegavam até ele com cores fortes, dando conta do charme, do frisson, dos prazeres que a urbe oferecia. Assim, essas informações começaram a atiçar sua curiosidade. E o desejo de colocar a mão noutro estilo de vida se instalou, definitivamente, em seu íntimo. Só uma coisa ele não sabia: o preço que teria de pagar pela liberdade precocemente conquistada.

Os problemas começaram na divisão do patrimônio. O pai do rapaz não estava preparado para fazer a partilha da riqueza. Mas, para atender à vontade do filho, aceitou vender parte dos bens da família para antecipar a cota que cabia ao herdeiro tão ansioso. O desfecho da história todos conhecem: o moço pegou o dinheiro da herança e partiu para a cidade, onde torrou a fortuna inteira. Arruinado, teve que trabalhar. E, como não tinha nenhuma qualificação profissional, contentou-se com o primeiro emprego oferecido. Nesse momento o preconceito começou a falar mais alto e a sua condição de falido fez surgir a face cruel da frieza e da insensibilidade humanas. O rapaz, antes tão cheio de amigos e de garbosos companheiros da alta sociedade, fora contratado para tratar de porcos. Assim, de repente, viu-se rodeado apenas pela solidão do curral dos porcos e pelo fedor sempre presente dos animais.

Além do mais, cuidar de porcos era uma atividade desprezível. Segundo a tradição, eram animais impuros. Mais degradante ainda, e inteiramente impensável, era dividir com eles a comida, o que terminou acontecendo em razão da sua penúria financeira. Os porcos eram alimentados com alfarrobas, fruto, em forma de vagem, da alfarrobeira, árvore comum na Palestina. E as pessoas sem recursos, em caso de extrema necessidade, também recorriam a ela para fugir da fome. O moço chegara, assim, ao fundo do poço. E a ansiedade da juventude, enfim, cobrara seu preço. Agora, o que fazer? Como sair de posição tão humilhante? O filho decidiu, então, voltar ao pai. O consumo da alfarroba, na história do filho pródigo, representa o estágio mais dramático na luta de um homem pela sobrevivência, semelhantemente aos que ainda hoje, praticando uma rotina degradante, recorrem à lata do lixo.

Estes o fazem tão somente para continuar a ruminar sua miséria e indigência. Já o rapaz encontrou na alfarroba o desfecho doloroso pela busca ansiosa, insana até, pela liberdade, sem dispor ainda de uma estrutura psicológica condizente para tanto. Na Bíblia, há um livro de uma sabedoria imensa, o Eclesiastes, que diz em seu capítulo 3, versículo 1: “Tudo tem seu tempo determinado”. Antecipar o tempo pode acarretar prejuízos incalculáveis, além de dar início, precocemente, ao consumo de porções indigestas da vida. Portanto, retornar ao pai foi, antes de tudo, um gesto de maturidade. Uma prova de sensatez. Já o fazendeiro, no episódio, representa a figura do próprio Deus. Que se coloca sempre de coração aberto para receber – e perdoar – o filho que retorna ao lar paterno. Mesmo que este tenha decidido, por conta própria, antecipar seu tempo, causando ao pai, com isso, incontáveis prejuízos.


Públio José – jornalista



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