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Públio José

NATAL PRESS

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Quando se fala em amor nada consegue se comparar ao amor que Deus direcionou ao homem desde a criação do mundo. Aliás, antes da criação do mundo. Pois é certo que o Criador, antecipando-se ao nascimento físico do homem no desenrolar do processo da criação, investira um bom tempo no planejamento de sua obra. Ocupação, atividade, digamos assim, traduzida como gesto de puro amor, qual artista que tem sua obra em alta conta desde a idéia inicial, desde o momento primeiro de sua concepção, mesmo não conseguindo divisá-la, quando conclusa, em sua total grandeza. Por outro lado, se observarmos atentamente para a “máquina humana”, veremos, pela perfeição de sua criação, manifesto no encadeamento preciso de seus tecidos, órgãos, membros, pela capacidade de raciocinar, de formular idéias, de fazer escolhas, ser ação genuinamente amorosa o ato autoral que produziu o homem.

Como também podemos catalogar como gesto amoroso perfeito o esmero em trazer o homem ao cenário da vida na qualidade de herdeiro e detentor de um território inteiramente seu e capacitado, integralmente, a provê-lo de todos os itens necessários à sua subsistência. “Um jardim para cultivar e guardar”, com está escrito no Gênesis. Além do mais, não podemos nomear de outra forma – que não seja como do mais puro amor – o ato de Deus dotando o homem de livre arbítrio, atributo que agregou ao ser humano uma qualidade única em toda a natureza e que fê-lo construtor do seu próprio destino. Ou que título se pode dar ao ato daquele que fez de sua criação um ente livre, instrumentalizado, inclusive, da condição de amá-lo ou odiá-lo de acordo com a sua vontade? Quem chegaria a tanto? Quem daria condições de vida a alguém capacitado a voltar-se contra seu criador na medida em que assim o desejasse?

E Deus não ficou somente nisso. Tempos depois de dar ao homem todas as condições de viver, com Ele, uma existência de comunhão, de harmonia, de paz – tendo o mesmo homem, ao contrário, escolhido o caminho do pecado por livre e espontânea vontade – se fez homem na pessoa do Senhor Jesus Cristo para, através do sacrifício de sangue, quitar a fatura, a nota promissória de nossa dívida para com Ele desde os tempos de Adão. Atentem bem: sacrifício Dele; pecado nosso. Só nosso. E, da mesma forma que das vezes anteriores, agindo em amor genuíno e desinteressado, inaugurou, com a morte e ressurreição de Jesus, um novo tempo. Não mais baseado em sacrifícios, em ordenanças, nem em pesadas responsabilidades, mas em troca do exercício da fé, que, em última análise, quando praticado, transmuda-se, pelo conceito divino, em atitude da mais genuína doação e do mais puro amor.

E como se concretiza, como se realiza o amor de Deus em nossas vidas? Ou por outra, que efeitos são visíveis em nós em função do seu amor? Afinal, se este é um ato fundamental de Deus para o relacionamento salutar entre os homens, algo deve surgir, em nós, para testificar os seus efeitos. Este mistério é esclarecido pelo apóstolo Paulo em Gálatas 5.19-22: “as obras da carne são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias. Mas o fruto do Espírito é: caridade, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança”. As primeiras obras atestam a ausência de Deus; já as segundas sinalizam, em nós, a prevalência do seu amor, sua eficácia, alterando nosso caráter, nossas atitudes e nosso relacionamento com o próximo. Uma nova vida, enfim. Inteiramente nova. E amorosa.

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Uma das piores chagas sociais que atinge a humanidade é o analfabetismo. E seus efeitos se tornam ainda mais dolorosos porque o analfabetismo não escandaliza a mais ninguém. Ao longo do tempo tornou-se um cadáver insepulto, um tipo de paciente que perdeu a capacidade de tocar as pessoas, de fazê-las reagir aos seus pedidos de socorro. Na verdade, o analfabetismo é como um local putrefato no qual as pessoas que nele estão já se acostumaram com o odor que impera no ambiente. As narinas já não reagem mais à acidez que domina o lugar. E, com o passar dos dias, e diante dos atuais avanços tecnológicos, mais se acentua a distância que separa o analfabeto dos demais seres viventes deste mundo. Por outro lado, os esforços aplicados na sua solução têm apresentado, até o presente, resultados muito aquém do esperado, enquanto suas conseqüências se alastram feito pingo de tinta no papel.

A UNESCO já na quarta edição do Relatório Global de Monitoramento da Educação para Todos atentava para o caráter doloroso do tema. O documento de nome bonito e pomposo objetiva alertar governos e entidades civis a respeito da gravidade da situação. Lamentável, para nós brasileiros, é a posição ocupada pelo Brasil no citado documento. Lá está registrado: no Brasil, e em mais outros onze países, é onde se concentram três quartos de todos os analfabetos do mundo. Independente das mazelas apontadas no Relatório Global de Monitoramento da UNESCO, o grande estigma que dilacera o analfabetismo é a leitura piegas, desfocada, piedosa, meramente assistencialista que governos e entidades civis fazem do problema. Insistem em alfabetizar por um ato de misericórdia, como uma esmola, quando a alfabetização representa, de fato, um fator inerente à economia de uma região.

E estão nesse rumo as conclusões finais do documento da UNESCO. Lá está consignado que “o analfabetismo prejudica os esforços globais para reduzir pela metade a pobreza no mundo dentro de uma década”. Pela leitura vê-se, então, que o analfabetismo termina por ser causa e efeito de sua própria desgraça, pois, além de carregar em si mesmo a cruz da separação, da segregação, da dificuldade do analfabeto em existir como elemento profissional, ainda impede que a ação governamental se interne nos guetos para a erradicação da pobreza. Não é à toa, portanto, que o documento ainda arremata: “A poderosa ligação existente entre a alfabetização de adultos e uma melhor saúde, maior renda, uma cidadania mais ativa e a educação das crianças, deveria funcionar como forte incentivo para que governos e doadores sejam mais pró-ativos”. Porque?

Porque alfabetizar faz bem, gera renda, diminui a marginalidade, eleva a auto-estima individual e melhora os índices de qualidade de vida onde sua ação é implementada. No entanto, as estatísticas, ao contrário, e por enquanto, são de estarrecer: cerca de 20% da população mundial, segundo o relatório, ainda são constituídos de analfabetos e mais de 100 milhões de crianças em idade escolar estão fora das salas de aula. O Brasil, por sua vez, tem presença assegurada, de forma negativa, nesse ranking, fazendo companhia a países como Índia, China, Bangladesh, Paquistão, Nigéria, Etiópia, Indonésia, Egito, Irã, Marrocos e República Democrática do Congo. Sinal de que, em se tratando de alfabetização, nossas prioridades estão bem próximas das metas estabelecidas por esses países. Ou por outra: pobres dos nossos analfabetos. Continuarão, por longo tempo, em péssima companhia.

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Todos sabem ser muito sério o problema do analfabetismo no Brasil. Governo após governo, essa chaga social vem se eternizando, apesar dos programas, projetos, intenções e pacotes os mais diversos divulgados ao longo do tempo. E tudo isso acontece por uma questão muito simples: falta priorização das autoridades para enfrentar o monstrengo. Pode crer. É isso mesmo. Mentalmente, psicologicamente, intelectualmente, materialmente, governamentalmente o assunto educação, no Brasil, é semelhante à escolha do goleiro, tempos atrás, no futebol da meninada. Quando, nas peladas de rua, ou nos rachas dos terrenos baldios, se apresentava um garotão que não dava certo em nenhuma posição do time, era enquadrado naturalmente como goleiro. Não tinha apelação: ao gajo reconhecido e declarado como “perna de pau”, se quisesse mesmo jogar, não restava outra alternativa senão defender o gol.

Ao longo do tempo, essa desvalorização do goleiro, imposta pela visão infantil, alterou-se radicalmente, a ponto de termos hoje atletas consagrados, no Brasil e no exterior, defendendo as cores de seus times embaixo dos três paus – como os jornalistas esportivos qualificam também o território entregue à responsabilidade dos goleiros. Mas, afinal de contas, o que tem de comum entre o futebol, com seus naturais “pernas de pau”, e a educação? E, mais especificamente ainda, entre o futebol e o analfabetismo? Historicamente, também se assistiu o mesmo fenômeno atingindo o sistema educacional. Quando, num grupo político dominante, algum correligionário não se enquadra em nenhum posto, é logo lembrado para assumir a pasta da educação. Não por mérito, reconheça-se, mas por injunções políticas. “Vai cuidar das professorinhas!”, jogavam-lhe, de pronto, na cara, em tom de gozação.

Enquanto isso, na Bolívia – vejam bem, na Bolívia, li recentemente – o tema educação é tido como de altíssima prioridade, se constituindo numa verdadeira devoção das autoridades o cuidado com o assunto. Isso também ocorre na China, nas Coréias, no Vietnam do Sul, do Norte, no Canadá, no Japão, no... Afinal, em qualquer país que queira ser levado a sério. Já por aqui vi, dias atrás nos jornais, declaração do Ministro da Educação se dizendo alarmado com o índice de analfabetismo no Nordeste. Ôxente, Ministro! E só agora sua Excelência enxergou isso? Afinal, quem não sabe que aqui a taxa de analfabetos atinge mais de 15% da população dos 15 anos para cima? E que, dos estatisticamente alfabetizados, 76% (isso mesmo, cara pálida, 76%) não sabem escrever? Quem não sabe? Ou será que o Ministro de Educação é o goleiro do sistema político encabeçado pela Presidente Dilma?

Longe de mim criticar aqui gratuitamente as autoridades educacionais. Mas isso tudo revolta. E como! Afinal, nenhum país pode atingir um patamar de desenvolvimento social, pelo menos razoável, com uma taxa de analfabetismo como a brasileira – e, pior ainda, como a nordestina. Feitas as contas, chegaremos a um número assustador de analfabetos. No Brasil é um contingente superior a 20 milhões de pessoas; no Nordeste de 4,5 milhões; no Rio Grande do Norte de 450 mil pessoas. Estes números, além de desonrarem a memória das autoridades educacionais que já se foram, e das que estão aí, nos condenam, inexoravelmente, a ocupar um posto de irrelevância no contexto global. Ou será que, no campo da educação, por absoluta incapacidade de atingirmos outros objetivos, somente nos estará reservada a posição de goleiro? Quando estaremos em condição de lutar pela ponta-de-lança?

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Diferentemente dos tempos antigos, quando o processo de comunicação era demorado, do momento em que o fato acontecia até chegar ao conhecimento da população, hoje a cobertura é instantânea. Por mais desligado o cidadão, e mais distante o local onde resida, a informação chega até ele em tempo cada vez mais curto. Por um lado, isso trouxe a vantagem da instantaneidade; de outro, um altíssimo volume de exposição a cenas para as quais muita gente não está preparada. E o que se vê, em tempo demasiado, diante da tv, do computador, do smartphone não traz nenhuma satisfação. O mundo vive um daqueles momentos em que miséria, ignorância, fome, violência, corrução, analfabetismo e fenômeno climáticos contribuem para a formação de um caldeirão de tal dimensão que afeta as emoções (para alguns) a um ponto próximo da ruptura e (para outros) muito além do suportável.

Entretanto, tal fenomenologia é exclusiva dos dias de hoje? Claro que não. A diferença está nos métodos utilizados e no espaço de tempo em que os fatos chegam ao conhecimento geral. No mais, como dizia Lavoisier “na natureza (ou na vida) nada se cria; nada se perde; tudo se transforma”. Tanto é assim que o que é visto hoje já arregalou os olhos de muitos séculos atrás, milênios atrás. Populações inteiras igualmente aterrorizadas como as de hoje. Ora, o marginal que, de carro importado, arrasta alguém quilômetros e quilômetros não é o mesmo que, nos tempos bárbaros, ou mesmo na Idade Média, puxava o inimigo pelas aldeias de então amarrado à cela do cavalo ricamente ajaezado? Ora, direis, qual a diferença? Uma passada de olhos no Século XVIII e as cenas se repetem. Em plena ação, no nascedouro da Revolução Industrial, partidários de Ned Ludd quebrando tudo que encontravam pela frente.

Como se observa, no tempo o que difere é o discurso, o argumento. A energia para quebrar tudo o homem sempre teve. De sobra. E o que tem Ned Ludd a ver com essa história? Ele foi um personagem famoso durante quase uma década nas origens da Revolução Industrial, período de efervescentes descobertas na Inglaterra de 1779. As máquinas pondo em cheque a atividade artesanal em razão da produtividade que propiciava no confronto com o trabalho individual de então. Desemprego em alta, exploração da mão de obra feminina e infantil, péssimas condições de trabalho, salário vil. Nesse contexto, surge Ned Ludd (que muitos historiadores dizem ser o nome falso de Michel Homere) como o primeiro operário a arrebentar uma máquina em represália à realidade vigente – um verdadeiro “black bloc”. Seu gesto foi o rastilho de pólvora para a quebradeira generalizada que se espalhou pelos centros industriais.

Tudo muito semelhante ao que se vê hoje. Ned Ludd chegou ao ponto de se intitular general e levou a Inglaterra a um nível altíssimo de terror e insegurança, o que obrigou a Governo a editar leis duríssimas para combatê-lo. A partir daí, o “ludismo” passou a rotular os que se colocam contra novas tecnologias e que se insurgem pelo simples desejo de quebrar. Mesmo inconscientemente, os “black blocs” repetem o que ele fez séculos atrás. Enquanto Ned Ludd, sem nenhuma ideologia, arrebentava máquinas apenas pelo sentimento de revolta (sem buscar o diálogo nem apresentar proposta alguma ao Governo de então) os “Black blocs” contemporâneos se movem pelo mesmo afã estéril e improdutivo. Violentos gratuitos, difusos nas pretensões, assassinos potenciais, falta a eles tão somente a marreta ludista. De quebra, contam com a audiência e a impunidade que Ned Ludd nunca sonhou de ter.

Públio José – jornalista

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Não é de hoje que o homem – na busca por vantagens materiais, políticas, profissionais, sociais, familiares – decidiu adotar costumes, hábitos, procedimentos e atitudes para alcançar seus objetivos nem sempre empregando métodos aconselháveis. A História mesmo nos dá conta de um bom número de personagens que atropelaram os chamados “bons costumes” para atingir seus propósitos. É sabido também que existem inúmeras maneiras de tais propósitos serem alcançados. Inicialmente, o que difere o homem esperto do homem sábio é a paciência. A paciência é da essência da sabedoria, enquanto a esperteza tem na pressa, na agitação, na precipitação, na imoderação o “modus operandi” mais apropriado. O termo sábio vem do grego “sofós”, daí gerando “sofia” que significa sabedoria. Tem como características principais a habilidade para agir de maneira acertada.

O vocábulo tem a ver com a inteligência de certas pessoas no sentido de exercitar, mais do que outras, o dom de se proverem de conhecimento de forma mais rápida, mais eficiente, mais racional. O sábio é aquele que tem paciência para aprender a respeito das coisas e inteligência para executá-las corretamente, sempre respeitando a moral, a ética, os costumes. Outra característica do termo é sempre se inclinar para o bem, além de dotar de humildade, respeito para com o pensamento dos outros, gentileza no trato com o próximo e espírito público as pessoas dispostas a se lastrearem nessa concepção. Ao sábio também está reservada a capacidade de enxergar longe, fugindo das implicações do dia-a-dia, não permitindo que dificuldades ocasionais lhe turvem a visão ampla do futuro – isso sem lhe tirar a qualidade de reconhecer seus próprios erros e buscar as soluções com rigor e desassombro.

Já o esperto... Bom, o esperto sempre cai na graça da torcida. Principalmente no Brasil onde os princípios são atropelados e se mesclam de tal forma que ninguém consegue mais enxergá-lo na inteireza de suas (negativas) qualidades. Por aqui até os sábios já concluíram que não tem muita vantagem em ser sábio. O negócio é ser esperto, agir com competência para lograr êxito, mesmo que através de práticas que abusem de atos desonestos, imorais. É bem verdade que em certas ocasiões os sábios podem até ficar (não são) espertos, se valendo da esperteza para, digamos assim, encurtar caminho na busca do que procuram. Porém, dificilmente o contrário acontece. Dificilmente, podemos afirmar que alguns espertos se utilizam da sabedoria para alcançar seus objetivos. Por quê? Pela própria essência, pelas próprias características, pelos propósitos que movem o esperto em todas as direções.

Embora agindo com competência no contexto da esperteza, o esperto sempre se utiliza do logro, da sutileza, da perspicácia, da astúcia, da manha para iludir, para enganar – e, assim, alcançar seus intentos. Por sinal, essa prática tem levado muita gente a convencionar que o esperto é inteligente. Ledo engano. Erra o alvo quem confunde esperteza com inteligência, embora vários estudiosos tratem os dois termos como sinônimos. Porém, na prática, analisando-se os frutos das ações do esperto e das ações do inteligente, vê-se que é grande a distância que os separa. A inteligência – tida como a capacidade mental de raciocinar, de planejar e resolver problemas, de abstrair idéias – tem em seu âmago muito mais afinidade com a sabedoria. Sábios, espertos, Brasil... Sarney, Maluf, Renan e tantos mais... Teremos sábios no Brasil? Ou o Brasil é um país de espertos? Deus meu, acuda o Brasil!!!

Públio José – Jornalista

Públio José – jornalista

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De repente, surge a necessidade de algum objeto ser fixado na parede. Começa, então, a busca pelo prego e, em conseqüência, pelo martelo. Encontrados todos os elementos para suprir a necessidade da fixação, inicia-se a grande operação: bater na cabeça do prego para que o tal objeto seja fixado. Aí tem início um grande problema. Estará o pregador do prego devidamente capacitado a executar este trabalho? Não seria melhor convocar alguém do ramo ou, no mínimo, instruir-se melhor para bater no prego, com o martelo, para atingir o objetivo desejado? Dilema, grande dilema! Em razão do tempo, da necessidade urgente da fixação do objeto, da inexistência de alguém mais capacitado para executar o ofício, decide-se, então, pela grande empreitada. O prego é instalado no lugar correto, o martelo é devidamente levantado para desfecho do golpe – que se pretende certeiro. E, e, e, e...


É chegado o momento do encontro fatal entre a falta de capacitação para execução do trabalho e o corajoso gesto de se fazer o que não se sabe fazer. O golpe tão milimetricamente planejado erra o alvo e acerta com toda força o dedo do episódico e infeliz pregador de prego. A dor é lancinante. Na seqüência, a carne, machucada pela falta de destreza, abre-se pela força do golpe. O sangue, com seu odor e cor característicos, aparece triunfante, reclamando sua parte no negócio. Liberto dos limites que lhe são impostos pela pele e pelos tecidos goteja abundantemente para atestar que chegou ao cenário como conseqüência de um gesto mal executado. Sangue é vida. E, no episódio, um pouco da vida do nosso personagem se esvai sem apelação. Mas, interessante, daí não passa. Uma martelada no dedo não causa morte, embora machuque e até ocasione lágrimas, incômodos – e muita dor.

Essa experiência, guardadas as devidas particularidades, é semelhante ao atual momento vivido pelo Brasil. O Brasil pretende fixar na sua parede social, econômica, jurídica, política, eleitoral, a democracia, a ética, a moralidade, o respeito entre os poderes constituídos, o combate à corrução, uma melhor distribuição de renda, mas errou o alvo e acertou o dedo. A pancada não deu para matar, mas originou uma dor de profundas conseqüências e a perda de algum sangue – parte do patrimônio físico e moral que deveria preservar. Entre tantas marteladas brasileiras que erraram o alvo, e acertaram o dedo, destaque todo especial para a entronização, entre outros, de Renan Calheiros como liderança política. A dor, a vergonha, a impotência - lágrimas morais derramadas de difícil cicratização, mesmo que não tenham o condão de levar o país para a UTI dos propensos à morte.

Os sucessivos escândalos ocorridos no Congresso, a debilidade da matriz energética, o analfabetismo, a crônica situação de penúria que aflige a educação, a saúde e a segurança, são marteladas que machucam, que agridem a alma nacional, e impingem aos mais carentes e necessitados a condição da carne dilacerada pela conseqüência das políticas públicas mal conduzidas e mal executadas. Já está na hora do martelo brasileiro passar a ser manejado com competência e seriedade. Para que os pregos nacionais sejam fixados nos lugares corretos, trazendo, com isso, a solução de nossos problemas e não a eternização de carnes dilaceradas e sangue jorrado impunemente. Enquanto isso, a continuidade de Renan na presidência do Senado é como se à carne machucada fosse adicionado a cada dia um elemento nocivo para impedir-lhe a cicratização. Quem vai bater o martelo? Certeiramente, é claro...

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Muito se comenta no Brasil a respeito do alheamento do eleitor sobre as grandes questões, os grandes temas que envolvem a vida nacional. Pior: pesquisas, enquetes, levantamentos os mais diversos sempre afunilam para uma realidade inquestionável: a maioria do eleitorado nem se lembra em quem votou na última eleição. Além de comprovar o alheamento, a falta de memória do eleitor nos períodos posteriores às eleições, tal fato demonstra também a baixa qualidade do debate político e o desempenho pífio dos parlamentares no sentido de captar e manter acesa a atenção do eleitorado para as questões de importância ao dia a dia de todos. Seções sonolentas, propostas infantis, descabidas, dissociadas do interesse geral, chancelam e constroem o afastamento do brasileiro de tudo (ou quase tudo) do mundo político – e levam-no, além do mais, ao esquecimento impatriótico em quem votou no pleito passado.

Na qualidade de pessoas alçadas à condição de representantes, de porta vozes do povo (normalmente mais capacitadas, mais informadas a respeito de leis, projetos e tudo que envolve a rotina parlamentar), cabe muito mais aos políticos fazer por onde haja interesse da população do que se aproveitar da folclórica expressão “o brasileiro tem memória curta”. Ou será de interesse dos políticos, com raras exceções, manter o povo no desconhecimento do que se passa nos espaços parlamentares? Nisso aí talvez esteja a resposta a essa grande chaga nacional. Ou, quem sabe, nesse ponto, resida um grande impasse... Afinal, até hoje, não está comprovado se a pasmaceira da cena política brasileira está mais ligada ao baixo desempenho dos parlamentares ou à secular indisposição do brasileiro em participar da discussão de temas relevantes, muitos deles imprescindíveis. Nesse sentido, dois exemplos são gritantes.

Há quanto tempo rolam no Congresso as reformas política e tributária? E o brasileiro nem, nem. Serão, por acaso, assuntos desimportantes? Ou, quem sabe, tenha se apossado do brasileiro – por conviver longo tempo com uma realidade política que quase não lhe chama a atenção – a síndrome do boi manso, o boimansismo? Assim dito do fenômeno que registra as características de alguém que tem força e poder para alterar circunstâncias, mas se entrega a uma inércia, a um imobilismo de intrincada compreensão. Só assim se explica o comportamento do eleitor brasileiro diante de um contexto que lhe é sempre tão adverso – e tão necessitado, portanto, de sua adesão ao debate. E o boi manso? De jovem garrote agressivo, verdadeira força bruta, impetuosa, transforma-se em pouco tempo em dócil animal quando lhe jogam ao pescoço a canga da campinadeira ou a estrovenga do carro de boi.

E as manifestações de meados do ano passado, quando milhares de pessoas saíram às ruas para protestar por uma infinidade de mazelas praticadas pelos políticos em geral? Muita coisa se escreveu a respeito das manifestações, muita análise foi produzida, mas em um ponto todos concordam: os protestos pecaram pela falta de objetividade, pela profusão infrutífera de questões abordadas. Também aí um comportamento típico de boi manso. Quando se afoba, o boi manso solta coices e chifradas pra todo lado. Infrutiferamente. Falta-lhe foco, visão, objetivo definido para atacar. Passada a afobação, volta a ser o mesmo boi manso de sempre. Forte, robusto, poderoso, porém inerte, incapaz de defender seus interesses, quedado diante da esperteza do oponente. Das massivas manifestações do ano passado pouca coisa de concreto restou. A não ser o mugir do boi: mom, mom, moooooooommmmmmm...

Uma das maiores e mais constantes reclamações que ouvimos, no contato diário com as pessoas das mais diversas classes sociais, é o desrespeito e a desconsideração que recebem daquelas outras ditas importantes, ocupantes de altos cargos na administração pública e também na iniciativa privada. A queixa envolve a constatação de como é difícil a um integrante do primeiro, segundo, e até mesmo do terceiro escalão da administração pública, seguir as mais elementares noções de educação e etiqueta profissional para com os demais mortais, retornando as ligações e recados a eles dirigidos. Na iniciativa privada o índice de frieza e insensibilidade é bem menor. Porém, mesmo assim, atinge taxas igualmente altas de má educação e má vontade. É impressionante como atualmente por aqui e alhures, sem exceção, alastrou-se essa verdadeira praga de arrogância, soberba e descortesia.

E olhe que estamos falando de pessoas comuns. Gente assalariada, que tem problemas e dificuldades na sua rotina diária como qualquer outra. Porque se falarmos das elites, aí enquadrados empresários, autoridades, personalidades do mundo artístico e políticos em geral, o quadro fica pior, muito pior. No caso específico dos políticos, é interessante se notar que, para lograrem êxito, fazem todo tipo de paparico ao eleitor, principalmente aos mais necessitados. Aí, depois de alcançar seus objetivos, montam uma razoável estrutura para se livrar daqueles que os procuram, normalmente constituída de pessoas insensíveis, agressivas, escolhidas a dedo. O que se vê, então, é um quadro humilhante, degradante, de difícil narração. Pessoas, normalmente de condições humildes, perambulando de gabinete em gabinete, de sala em sala, solicitando atenção para suas dores, dissabores, aflições.

Recebendo, em troca, de assessores e secretárias, já devidamente instruídos, todo tipo de manifestação de descortesia, indiferença e arrogância. É interessante se observar, por outro lado, que tais profissionais são trazidos para funções importantes, estratégicas no tocante ao atendimento público, sem passar por nenhum preparo da parte daqueles que os nomeiam, que os constituem seus prepostos. Aí é de fazer dó as cenas presenciadas. Umas pessoas se dirigindo a outras – no sentido de terem seus pedidos atendidos; e estas se negando a atendê-las ou praticando um atendimento de péssima qualidade – gerando, com isso, tristezas e decepções de toda ordem. São, em resumo, as pessoas erradas, colocadas nos lugares errados por pessoas erradas, para atender gente que escolhe hora e lugares errados, com gente errada para recebê-las e erradas para encaminhar seus problemas, demandas e aflições.

O caos, enfim. Tais pessoas agem como se fossem habitantes de um mundo à parte, como componentes de um extrato social diferente, majestático, desconectadas de responsabilidades e atenções para com o próximo. Retornar recados e ligações para elas é totalmente dispensável. Tanto faz como tanto fez. Insensíveis, não calculam o prejuízo que causam aos outros e aos órgãos que servem em razão da descontinuidade ocasionada pelo seu mau comportamento. Enganam-se, se pensam que estão “abafando”. Na verdade, agindo assim, estão mal diante de si e dos homens – e mais ainda perante Deus. Pois foi Jesus mesmo que disse “Aquele que recebe os que Eu envio, a mim me recebe”. Deu pra entender? É muito séria – e edificante para quem a faz com amor e zelo – a atividade de atender, receber e encaminhar pessoas. Digno e fidalgo é aquele que a cumpre com dedicação, carinho e boa vontade.

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Uma das piores conseqüências do coronelismo é o personalismo, o culto exagerado à imagem, ao nome, à atuação político/profissional de alguém. O personalismo, além do mais, é filhote perverso, asfixiante, anacrônico, de um processo absolutista, ditatorial, que deságua normalmente na tentativa de imposição – orquestrada por um sistema político, econômico, intelectual ou militar – de um contexto idolátrico em torno de pessoas ou de propostas de natureza diversa. E mais: o personalismo carrega em seu íntimo a semente da ignorância, da insensibilidade, da arrogância, da truculência (embora nem sempre de caráter policialesco, fisicamente intimidatório e agressivo), fatores, por sua vez, suficientemente capacitados a gerar os frutos do alheamento, da alienação, do isolacionismo, da cegueira coletiva, do fanatismo, do puxassaquismo e outros ismos de conteúdo semelhante.

Em suma, o coronelismo – e seus filhotes adjacentes – é praga horrenda, epidemia a deixar marcas e seqüelas de nefastas conseqüências na existência de um povo. Felizmente, no Brasil, analisando a balança, o prato onde se situa o coronelismo está, gradativamente, perdendo peso em relação aos outros fenômenos que acontecem no nosso sistema político, econômico, social. Entretanto, mesmo com o aperfeiçoamento gradual das engrenagens que movem a nação, sempre resta um embrião, um remanescente dessa raça, alguém, portanto, disposto a querer impor sua visão e, conseqüentemente, tirar dela inúmeras vantagens. Olhando para o horizonte atual brasileiro quase não se nota mais a forte presença dos coronéis de antigamente, prova concreta – mesmo que lenta, lentamente – do amadurecimento do nosso sistema democrático. A exceção atende pelo nome de José Sarney.

Quem já foi ao Maranhão sabe do que estou falando. E o pior é que, do solo maranhense, o coronelismo à moda Sarney espalhou-se pelo Brasil. Ocupou o Acre e abancou-se no Congresso Nacional, de onde processa sua influência para alhures e quejandos. Antes, esteve no Palácio do Planalto, período em que usufruiu da presidência da república, e onde se fortaleceu mais ainda, até chegar ao nível de poder que exerce hoje. Mas voltemos ao Maranhão. Lá o nome Sarney está em todo canto, em todas as áreas que detenham algum grau de importância, de exercício de mando. É escola com nome Sarney, é hospital, é clínica, é fórum, é rua, é avenida e mais o que se possa imaginar. É tanto exagero na utilização do nome – como forma de ocupação de espaços – que agora o estômago do organismo de tão empanturrado, de tão embrulhado, de um estágio de engulho passou para o vômito escancarado.

Ou não é assim que acontece com o estômago quando se vê invadido por alimentos em demasia? Inicialmente, um simples enjôo aqui, um pequeno desconforto ali, umas cólicas acolá... Que vão se agigantando, terminando por ocasionar forte ânsia de vômito ou o surgimento de uma baita diarréia. É o que acontece com o Império Sarney. De tanto empanturrar o organismo local, regional e nacional com seu coronelismo bizarro e de alto teor corruptivo, vê-se agora na iminência de ser vomitado da esfera do poder pela indigestão que acomete os organismos onde desfila sua influência. E pode até continuar no poder, como ocorre com aquela pequenina parte do vômito que volta pra barriga. Mas já não é o mesmo alimento; é, na verdade, resto putrefato e indesejado, a ser, mais dia menos dia, forçosamente expelido. Se não em novo vômito, pelo menos na ocorrência de nova diarréia. E a fedentina? Cruzes!!!

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Os primos iam chegando do interior, na carona de algum doente, ou então para passar as férias “na cidade grande”. A minha excitação era enorme no sentido de mostrar “aos do mato” as coisas da capital. Era um tempo bom. Nossa casa vivia cheia de novidades, servindo de posto de serviço para parentes e amigos vindos de longe, na busca da solução dos seus problemas. Gente transitando diariamente da sala para a cozinha.

Eu, cheio de superioridade, ansioso por mostrar as últimas novidades, o que estava moda. Lembro-me que entre as coisas mais modernas e que eu fazia questão de mostrar, de fazer os meus amigos conhecer o mais rápido possível era o trem. Ah, o trem! Seus mistérios, seu charme, sua presença forte, seu apito piuíííííííííííííií tomando conta de nosso dia-a-dia. O encantamento que me ocorria quando ia receber meu avô na estação. Ele chegando de Baixa Verde pelo trem. Eu, cheio de graça, de alegria, na grande expectativa de pisar o saguão iluminado e amplo da estação ferroviária.

De repente o trem saiu de cena. “O Milagre Brasileiro” dos anos 70 fizera o Brasil tomar outro rumo. A prioridade total agora era o mundo trepidante do automóvel. O Fusca, o Corcel, o Opala, os ônibus, os caminhões etc, etc., tomaram as ruas e estradas do Brasil, ceifando de nossas lembranças a presença marcante do trem. Piuíííííííííí. Para nós, crianças nascidas e crescidas embaladas pelo seu resfolegar robusto e o estremecer do chão sob nossos pés, o trem era muito mais do que motivo de simples brincadeiras. O que nos enchia de esperança era um dia viajar pelos seus trilhos nossas ansiedades infantis.

Do ponto de vista dos adultos, o trem era progresso, desenvolvimento, emprego, renda. Toda uma tradição, toda uma cultura, todo um modo de vida de grande parte das nossas populações girando em torno de trilhos, vagões, locomotivas, estações. Nas cidades do interior os relógios, os compromissos, os afazeres, tudo era sincronizado pelo seu chegar e pelo seu partir. Estudantes em férias, comadres chegando para a visita, a festa da padroeira, mercadorias chegando, embarcando... Tudo isso foi levado pela fumaça do tempo e pelo privilégio dado pelo Governo à indústria automobilística.

Ah, mais eis que um dia voltam as esperanças. O trem estatal, atrasado, lerdo, arcaico, prejudicial às finanças públicas, de empregados despreparados, acomodados, protegidos por sindicatos corporativistas, esse trem – junto com outros paquidermes estatais como empresas de energia, bancos, telefônicas – vai sair de cena e dar lugar a outro trem. Um trem moderno, eficaz, rápido, de fazer inveja a trem de Primeiro Mundo. Até o FMI ia ficar maravilhado. Minha expectativa foi tamanha diante dessas notícias, que tive vontade de convocar os velhos companheiros de infância, tanto os da cidade como os do interior, para lhes contar a grande novidade: o trem, enfim, ia voltar ao seu trono, ao lugar de destaque que tinha nas nossas brincadeiras e nas nossas lembranças.

A privatização foi coroada de êxito. Altos funcionários do Governo e altos executivos de empresas nacionais e internacionais comemoram o sucesso do novo modelo econômico. A Bolsa de Valores exulta, o mercado envaidecido espoca seus champanhes. A voz do locutor do Jornal Nacional nos emociona. Agora o Brasil (e o trem junto) vai. Foi? Que nada. Passam-se os anos e nada acontece. Estações desertas, maquinistas desempregados, trilhos desaparecendo, e uma atividade que tinha tudo para lastrear a atividade econômica do Rio Grande do Norte continua seu processo de fenecer, murchar, se encaminhando lenta e inexoravelmente para a extinção.

O turismo reclama o trem, o progresso econômico também, a lógica matemática, o bom senso. Nos países avançados o trem é reverenciado. Um dos homens mais ricos do mundo – um japonês – fez sua fortuna pilotando uma empresa ferroviária. O trem vai muito bem ali, acolá, alhures. No Brasil, nada. No Rio Grande do Norte, muito pior. Recentemente grandes investimentos foram anunciados no sul e no sudeste, estatísticas comprovam que o transporte de contêineres e de passageiros por trem sai muito mais barato, empresários locais afirmam que o “Estado deve investir em melhorias na rede ferroviária”. E nada acontece. Ou melhor: tudo piora.

Revejo meus sonhos, amplio meus horizontes e me vejo viajando de trem pela França, Japão, Alemanha, Suécia, Dinamarca, Rússia, Turquia, Estados Unidos, Canadá... Que povo mais besta, esse de lá, perdendo tempo com trem. Andando de um lado para outro sob trilhos. O brasileiro não. O brasileiro não perde tempo com trem. Ao que tudo indica somos mais inteligentes, muito mais. Aqui nós jogamos o trem na lata do lixo e andamos de carro, ônibus, caminhão, carroça, por estradas... esburacadas. Bem melhor, você não acha?



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