NATAL PRESS

Públio José – jornalista
(Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

O Brasil já viveu inúmeros modelos políticos. Sem irmos muito longe, para a análise não ficar cansativa, foquemos nosso olhar no período militar até os dias atuais. De 1964 até os últimos dias do governo de João Figueiredo os militares, no poder, criaram um sistema tripartite de gestão, onde imperava a convivência entre os políticos, os próprios militares e os tecnocratas. Era um sistema baloiçante – em português do tempo dos nossos avós. Em certas ocasiões dominavam a cena os políticos. Em outros momentos os espaços eram ocupados pelos tecnocratas. Em ambas as situações os militares estavam sempre por trás dando as regras, definindo, optando pela decisão final. O país aprendeu, a partir daí, a conviver com o noticiário badalando sempre a presença de um czar, de uma liderança vinda de um dos três mundos, trazendo a solução para os problemas nacionais.

É desse tempo, por exemplo, o grande fascínio que exerceu sobre os detentores do poder a figura poderosa de Delfim Neto – na qualidade de tecnocrata. Para entronizá-lo no poder, com ampla liberdade para pintar e bordar em torno das questões econômicas, os militares distribuíam pela imprensa longas considerações e argumentos sobre a vantagem de um técnico exercer o comando da economia ao invés de um político. Com essa poderosa couraça em torno de si – e dos “delfim boys” que normalmente o acompanhavam – Delfim Neto deu pitaco e opinião, durante um longo período, em todos os assuntos que demandavam a agenda política, econômica e social daquele tempo. Só não se responsabilizou pela escalação da seleção brasileira de futebol porque não quis. Nesse caso prevaleceu a vontade do mundo militar, com a solução insossa, inodora e incolor representada por Cláudio Coutinho.

Quem não se lembra do General Gollbery, com sua marcante onipresença ditando os rumos da política, do planejamento, do rumo que o país deveria seguir? Teve também a influência de políticos poderosos, como Magalhães Pinto, Dinarte Mariz, José Sarney, Célio Borja, Petrônio Portela, Antônio Carlos Magalhães, Paulo Maluf (até ele) e outros que agora não vêm à lembrança. Foi um período no qual a diretriz nacional se dividiu entre a visão dos políticos, dos militares e dos tecnocratas. Bom, depois veio a redemocratização, eleições diretas e a grande conclusão: militar no poder nunca mais! Tecnocratas mandando no país? Nem pensar! A visão política dos homens que sabiam disputar o voto do eleitor, que empolgavam as massas com seus discursos, que tinham na essência do seu conhecimento a solução dos problemas nacionais – pelo menos era assim que se dizia – passou a prevalecer.

Mais: somente aos políticos cabia a missão de levar o Brasil ao seu grandioso destino de futura potência mundial. A partir daí vieram, como se sabe, Tancredo, Sarney, Itamar, Collor, Fernando Henrique, Lula e agora Dilma. Com pequenas exceções, durante as quais o país viveu fugazes momentos de normalidade, nenhum dos tais conseguiu passar ao brasileiro a sensação de desenvolvimento tão esperada. E agora? Os militares não acertaram; os tecnocratas nos legaram uma enorme dívida pública; os políticos nos jogam, de tempos em tempos, em caldeirões de escândalo, corrupção e roubalheira. Chamemos, então, os marcianos? A saída está – mais uma vez – com o eleitor. Renovando. Fazendo prevalecer a sua vontade, através da qual poderão surgir novas lideranças. E um bom momento vem aí: as eleições de 5 de outubro. Os marcianos? Ficam para outra ocasião. Vamos renovar?

Públio José – jornalista
(Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

Uma das maiores preocupações dos pais atualmente é manter distância entre seus filhos e o alcoolismo. Distância que, lamentavelmente, fica mais curta a cada dia que passa. Embora seja um fenômeno ao qual as autoridades têm dado pouca atenção atualmente, o vício do consumo do álcool no âmbito infantil se constitui uma ameaça futura de alto poder de destruição. Afinal, a criança, o adolescente, o jovem de hoje será o profissional de amanhã, o futuro dirigente de empresas, o político a comandar os destinos de cidades, estados e do próprio país. E assumir tamanhas responsabilidades sendo íntimo do consumo do álcool é algo realmente preocupante. O interessante é que todo mundo sabe disso, mas as providências para que este público seja mais protegido, mais fortalecido, mais resguardado do consumo prematuro do álcool passam muito longe de uma base mais efetiva, mais objetiva.

Por outro lado, as estatísticas no tocante ao problema se apresentam, a cada dia, mais carregadas de negras projeções. A cada ano mais diminuem os espaços que separam as crianças do acesso ao álcool. Recentemente, uma reportagem de uma emissora de televisão constatou que o consumo costumeiro, rotineiro, diário de bebida alcoólica já chega, naturalmente, à faixa dos nove anos de idade. Você entendeu bem? Vou repetir: o alcoolismo já atinge crianças de nove anos de idade! E o que é pior: esse fenômeno só se alastra a cada ano, descendo cada vez mais na faixa de idade. Há até pouco tempo atrás, o vício do consumo do álcool era comum em jovens de 16 anos para cima; depois o vício passou a atingir os de 14 anos; depois os de 12. Agora, a conclusão dos estudos é que crianças com nove anos já se “deliciam” com os prazeres advindos do consumo rotineiro de bebidas alcoólicas.

Este fenômeno, extremamente negativo, passa por dois agentes como principais responsáveis pela sua propagação. O primeiro, indiscutivelmente, é a mídia. Com competência largamente demonstrada na glamorização dos mais variados assuntos, os veículos de comunicação têm contribuído, em muito, para a difusão do hábito de beber na população infantil. Durante a cobertura de campeonatos mundo a fora, as tv’s só têm exibido pessoas, nos mais diferentes países, comemorando as vitórias dos seus times com vistosos copos de cerveja na mão. As crianças estão vendo isso? Claro que sim. E a conclusão a que chegam? Também nos intervalos comerciais as tv’s mostram produções publicitárias sofisticadíssimas nas quais o charme, o enleio, a alegria, o prazer só são alcançados com um copo de bebida alcoólica bem à vista. Como as transmissões ocorrem em horário aberto aos olhos infantis...

Outro agente impulsionador do desejo infantil de atingir o mais cedo possível o tal “mundo de prazer” dos adultos – e de preferência com um copo na mão – é a família. Recentemente, uma adolescente alcoólatra declarou que se iniciou no álcool passando o dedinho nos copos de cerveja dos pais. Como fazíamos, quando crianças, (lembram?) ao passar o dedo na panela do bolo. A diferença é que era bolo o que comíamos. Já nos dias atuais... Outro, vejam só, começou sua vida de alcoólatra tomando cachaça na tampinha da garrafa do papai. Muitos pais não sabem da enorme influência que têm sobre os filhos como guias, amigos – educadores, enfim. E que sai muito caro praticar uma postura de desconhecimento, de omissão em relação ao exemplo que devem dar. Assim, pelo que se vê, só falta agora o bebê já nascer pedindo uma. “Por favor, um 12 anos on the rocks”. E a tv mostrando. Já pensou?

(Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

Quase diariamente eu vejo pessoas chorarem. Manifestando, através das lágrimas, os sentimentos dilacerados que carregam dentro de si. Na maioria das vezes são pessoas hipersensíveis, de um lastro de princípios extremamente rigoroso, convictas de suas posições e detentoras de muitos sonhos. Também são cheias de boa vontade, de um desejo imenso de contribuir, de influenciar, de fazer parte do dia a dia dos outros, do próximo, de sua cidade, de sua região, de seu país. Destas, muitas têm os nervos sempre à flor da pele, a sensibilidade exacerbada, o ponto de equilíbrio normalmente estourado, semelhante a um correntista de banco que tem feito, de forma exagerada, o uso do cheque especial. Estão sempre no vermelho, expostas demais às intempéries da vida, às agressões naturais que grassam do meio ambiente social. E choram, e sentem – e declaram sua dor abertamente através das lágrimas.

Outras não sabem chorar. Estão esterilizadas por dentro, trancadas em si. De uma forma ou de outra, foram induzidas a não se manifestar nunca, a não declarar, diante dos outros, o que se passa em seu íntimo. A vida atual, pela sua extrema competitividade, tem muito a ver com essa postura. Para essas pessoas o chorar é uma demonstração de fraqueza, de vacilo, de pequenez de atitudes diante do enorme desafio que a vida requer de todos nós. Chorar, então, passa a ser um gesto menor, de gente desqualificada, despreparada para os embates do cada vez mais exigente mundo globalizado de hoje. Indiferentes ao que se passa à sua volta, essas pessoas seguem em frente, muitas vezes sem levar em conta o rastro de dor que estão deixando atrás de si. Não sabem chorar. E isso lhes acarreta uma postura de vida carregada de insensibilidade, dureza de coração e a relativização de conceitos e valores.

Para que chorar, imaginam, se o choro nada resolve? Na sua insensibilidade não vislumbram que, junto com o choro – ou na ausência dele – desabrocha todo um estilo de vida, um direcionamento em relação ao meio em que vivem, à sociedade como um todo, e ao próximo em particular. E que, ao vir, o choro traz em sua manifestação uma tomada de consciência, um “cair em si” que muitas vezes altera radicalmente o curso de uma vida. Um terrorista, por exemplo, não sabe chorar. Um corrupto que rouba o leite de crianças, o remédio dos idosos, que desvia recursos públicos para seus projetos pessoais e que, com isso, alastra dentro de si, mais ainda, o fogo da insensibilidade, uma pessoa assim, com certeza, não sabe chorar. E, com seu “modus operandi” agride, maltrata, adultera, fere – e muitas vezes, por conseqüência, mata. Insensível, egoísta, árido, seco – sem nem sentir.

Grandes personagens da história choraram. Fraqueza ou demonstração de grandeza? Pedro negou Jesus. Depois chorou – amargamente. E o choro reacendeu nele “a palavra que o Mestre lhe ensinara”. A partir daí nunca mais foi o mesmo. Jesus também chorou em inúmeras ocasiões, principalmente por sentir, momentos antes da sua prisão, a que ponto chega a avareza de homens voltados tão somente para seus próprios interesses. Mas, para os que não choram, ou desaprenderam a chorar, há sempre a oportunidade do reaprendizado. Acompanhado sempre, lamentavelmente, de um grande sofrimento, de uma grande dor. É o preço, por exemplo, que corruptos arrependidos têm que pagar para se reencontrar com o lado benéfico do choro. Limpando-se por dentro e redescobrindo a prática do sentimento de respeito para com os outros. Alegre-se se você ainda sabe chorar. Por sinal, você ainda sabe?


Públio José – jornalista

Públio José – jornalista

(Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

Os consultores, os entendidos em marketing, em processos industriais, os profissionais de venda, todos, enfim, envolvidos com a produção e a comercialização de produtos e serviços sabem que a qualidade é fundamental. Parafraseando Vinicius de Morais – que em certa ocasião falou “que me desculpem as feias, mas beleza é fundamental” – eu chego a afirmar: que me desculpem os produtos que não têm qualidade, mas qualidade é fundamental. Em tudo. Nas embalagens, na apresentação, no marketing, na assistência técnica e, principalmente agora, no que concerne à responsabilidade social e ao respeito ao meio ambiente. Todos esses passos têm que ser dados com qualidade. Chego até a ir mais além. Nos relacionamentos, no trabalho, em família, no que você produz, na palavra empenhada, no estilo de vida, a qualidade também se faz necessária, inclusive com o mesmo rigor da praticada no mundo dos negócios.

Alguém certamente irá pensar ser absolutamente óbvio o que estou dizendo. Entretanto, apesar da qualidade ser um princípio lógico, óbvio até demais, sua execução e sua prática deixam muito a desejar. Vejamos, por exemplo, os homens públicos. Quando agem movidos por estímulos ligados à corrução, estão agindo, com certeza, fora do princípio da qualidade. Pois a qualidade, no tocante ao desempenho de um homem público, significa, entre outros procedimentos, a prática constante da honestidade no manuseio do dinheiro alheio e a resistência a todo tipo de tentação que o induza a meter a mão naquilo que não é seu. Como se vê, o homem público também tem seu desempenho analisado sob a ótica da qualidade no que faz e no que produz, obrigação, aliás, a que todos eles estão sujeitos quando se dispõem a trabalhar em cargo público ou quando submetem seu nome, numa eleição, ao julgamento do eleitorado.

Do mesmo modo, o funcionário público, estando ali para servir, por isso mesmo chamado, apropriadamente, de servidor, também deve se submeter ao princípio da qualidade no serviço que presta à população. Entretanto, na realidade, o que se vê por esse Brasil afora? Tanto no que diz respeito ao comportamento dos homens públicos, como ao dos servidores estatais? No caso dos primeiros, um desprezo quase total às pessoas de quem mereceu o voto (afinal, uma procuração baseada na confiança), e, no caso dos segundos, uma má vontade no atendimento ao público de causar arrepios, aliada a um despreparo funcional gritante – com honrosas exceções, graças a Deus. Para essas pessoas, afinal, o que significa o princípio da qualidade? O que representa para elas estarem numa posição propícia à prática do bem comum e ao encaminhamento de soluções para problemas que afligem milhares e milhares de pessoas?

Pensando bem, a essas pessoas faltam, na verdade, o crédito e a prática do amor e da misericórdia. Aliás, os mesmos sentimentos, os mesmos princípios para os quais Jesus Cristo tanto se sacrificou para que deles tomássemos conhecimento. Falando em Jesus, a respeito do princípio da qualidade, ele nos dá uma grande lição na célebre passagem das bodas de Caná, conforme está escrito no livro de João, capítulo 2, versículo 1 ao 11. Trata-se da transformação, ocorrida em um casamento, da água em vinho. Na efervescência da festa, o vinho acabou, fato gerador de um desconforto enorme ao responsável pelas bodas. Procurado, Jesus salva a situação, transformando água em vinho. Entretanto, há que se ressaltar, no episódio, o compromisso de Jesus com a qualidade, com o rigor do produto a ser oferecido. Havia um profissional contratado para organizar a festa, que aprovou entusiasmado a qualidade do vinho que antes fora água.

Seu comentário de que “todos costumam pôr primeiro o bom vinho e, quando já beberam fartamente, servem o inferior”, marca, profundamente, a diferença do conceito de qualidade para Jesus (“tu, porém guardaste o bom vinho até agora”) e o mesmo conceito na visão dos homens. Pois o noivo, mesmo tendo na festa pessoas importantes na sua escala de interesses, ainda tentou iludi-las com vinho de boa qualidade no início, para, posteriormente, enganá-las com uma bebida de qualidade inferior. Infelizmente, esse é o típico comportamento humano. Que cumula de gentilezas as pessoas segundo o retorno que delas terão, passando a tratá-las de forma diferente quando for incerto o retorno da vantagem. Essa não é postura de qualidade. O princípio da qualidade, segundo Jesus, deve ser exercitado antes, durante e depois de qualquer relacionamento. Até para aquele que você julga não ser merecedor de um gesto seu – de qualidade.

Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Não sei se você já passou por essa situação de ter de escolher entre o todo ou a parte, de decidir entre uma pessoa só ou um conjunto de pessoas. Ou por outra, se você já prestou atenção na situação de presidente de um clube de futebol que teve de decidir entre o técnico ou o time todo. O técnico é muito bom, já deu várias vitórias ao clube, é um sujeito inteligente, pode ser considerado até um “boa praça”, mas está criando problemas para o presidente do clube no campo do relacionamento pessoal. Já criou caso com um dos craques do time, ou melhor, não teve o discernimento necessário para administrar uma pequena quizumba, um leve atrito com um dos principais jogadores do time. De uma pequena rusga, o problema virou um problemão, jogando na área da discórdia irrecorrível todo um passado de companheirismo e convivência diária. Ninguém sabe o que se passa na cabeça do técnico.

Fechado, macambúzio, a cada dia mais isolado, ele tenta se mover, tenta escalar o time para entrar em campo, mas o clima está pesado. Já tem jogador até se recusando a entrar em campo, outro já iniciou conversa com um time adversário, enquanto um terceiro já declarou que quer o cargo do técnico. Ou seja, quer disputar com o técnico, junto ao presidente do clube, o cargo, a primazia, a condição de comandar o time. Situação difícil, não é? Vamos supor que, no exemplo acima, você seja o presidente do clube. Como você agiria? A situação está insustentável. O campeonato corre solto, os outros times estão se fortalecendo, contratando, conversando, se articulando..... O tempo passa e a situação a cada dia fica pior. E agora, o que você vai fazer? Você vai defender o técnico contra todo o time, ou vai dispensar o técnico para salvar “o restante da pátria?” A História nos mostra, em períodos diferentes, a réplica de situações semelhantes à que acabo de trazer à sua meditação.

E, na maioria dos casos, o responsável pelo time termina sendo obrigado a optar pela manutenção do time em detrimento do técnico. Mesmo lamentando a situação, mesmo sentindo de forma intensa a perda do auxiliar, do companheiro, do filho, do irmão. Você também optaria por essa alternativa? Essas divagações me vêm agora a propósito de algumas pessoas que estão na posição de príncipes imaginando já serem reis. E metem as mãos pelos pés no tocante a um item importantíssimo na vida de qualquer pessoa – principalmente dos que estão em posição de comando: a questão do relacionamento pessoal. É muito difícil você conquistar e manter com sucesso um cargo de liderança se você não valoriza esse lado fundamental da vida. Vivemos em comunidade, precisamos dos outros, principalmente dos amigos. Para complicar a análise dessa história, você precisa ficar sabendo que todos nós nascemos para exercer função de liderança.

O homem não nasceu para ser subalterno, submisso. Conseguir de alguém uma postura de submissão é algo a se conquistar – ou então se impor pela força. Neste último caso, os resultados já são conhecidos pelo suceder da história. Jesus Cristo, certo ocasião, dirigiu-se a Deus em oração, agradecendo ao Pai porque “dos amigos que Tu me deste eu não perdi nenhum, salvo o filho da maldição” (se referindo a Judas). Pois é, Jesus valorizava demais os amigos que conquistava – e mantinha. Em certas ocasiões a um custo altíssimo, como foi o caso do próprio Judas a quem fez tesoureiro de seu ministério, homem de sua inteira confiança, mesmo sabendo de seu caráter que variava da adoração momentânea à revolta latente pelos lucros e vantagens que pensava auferir ao se unir ao Mestre e que, com o passar dos dias, não via se concretizar. Outro foi Pedro que, como todos sabem, traiu a Jesus três vezes seguidas – numa noite só.

É interessante se notar que, ao ressuscitar, Jesus se referiu aos demais apóstolos como seus irmãos, mas a Pedro ele se dirigiu pelo nome. Você talvez esteja afirmando ser muito difícil se fazer de Jesus para manter suas amizades. E realmente é. Nem eu estou pretendendo tal coisa. Acontece que tem gente que recebe uma herança de mão beijada e – praticando um dia-a-dia de arrogância e menosprezo pelos outros – consegue deixar escapar pelas mãos um leque de amizades que lhe dá a sustentação necessária à manutenção do cargo que ocupa. São pessoas, portanto, inaptas para funcionarem como príncipes, mesmo tendo chegado ao posto pelos laços de parentesco com o rei. Mas ao rei cabe decidir se troca todo o seu reinado por um príncipe, ou se, em última instância, começa a ruminar, a articular, em seu silêncio e solidão palacianos, a saída política mais favorável, menos traumática. Aliás, você precisa tomar uma decisão, lembra-se? Afinal, vai optar pelo reino ou pelo príncipe?

Públio José – jornalista

Públio José – jornalista

(Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

O título deste artigo é uma redundância. Pois destempero já é inconseqüente em sua essência, em sua natureza. Segundo o dicionário, destempero significa grosseria, atrevimento, desatino, destrambelho, estupidez, histeria, linguagem obscena. E modos obscenos, postura obscena, comportamento obscenamente destemperado foi o que a opinião pública de Natal presenciou da parte da vereadora Amanda Gurgel (PSTU/RN) na última quarta-feira, dia 21 de maio, no plenário da Câmara de Vereadores. Por vários dias, e por várias seções, a pauta da Casa foi ocupada pelas discussões e debates sobre a reforma administrativa, projeto encaminhado pelo Executivo municipal com o objetivo, segundo sua visão, de melhor ordenar, sistematizar e normatizar as ações da gestão municipal. Para a situação, tudo bem; para a oposição, tudo errado. Ok! Afinal, é o papel de cada uma.

O debate começou a desandar quando invadiu o terreno da irracionalidade. Em seu contexto, o projeto – além da extinção órgãos e cargos – retornava à realidade salarial do momento os vencimentos dos ocupantes de cargos comissionados, cujos salários – sem reajuste há 16 longos anos – estavam defasados em relação aos parâmetros de hoje. Em torno desse tema, travou-se um longo e cansativo debate entre situação e oposição – o que é de todo razoável. Entretanto, a partir do momento em que a oposição passou a agredir, cega aos argumentos contrários, sem atinar para os valores salariais praticados pelo mercado, eis que surge a figura da vereadora Amanda Gurgel, com seus destemperos de costume. Foi degradante. Toda Natal sabe do comportamento inconveniente e inoportuno adotado constantemente pela vereadora na tribuna da Câmara. Porém, no dia 21 passado, ela extrapolou

Até para os padrões Amanda. Ao microfone, arfante, olhos esbugalhados, mãos crispadas, dedos em riste, a vereadora usou e abusou de expressões inadequadas, ofensivas, de um linguajar grosseiro, absurdamente agressivo e totalmente inapropriado para o momento e o local. E contra quem? Contra os ocupantes de cargos comissionados! Nominou-os de escória, ladrões, corja de parasitas, vagabundos, paus-mandados, puxa-sacos, capachos e outros termos semelhantes. Tudo isso contra pessoas entre simples, humildes – porém íntegras, trabalhadoras, merecedoras de seus salários – e profissionais graduados, vários deles de curso superior, com mestrado, doutorado... Gente, enfim, de reconhecido valor. Alguns deles, quem sabe, até colegas de Amanda na universidade como estudantes, professores ou funcionários. Foi um espanto! Um senhor espanto!

Na tribuna, dentes arreganhados, Amanda mais parecia um animal acometido de raiva canina, cujos sintomas, segundo os cientistas, se manifestam pela mudança de comportamento, seguida de ansiedade, inquietude, desorientação, alucinações, agressividade em demasia e até convulsões. Convulsões? Sabe-se que o animal com raiva canina é um ser irracional. Já Amanda Gurgel, além de humana, é professora de Português (vejam só!), graduada em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte – e vereadora. No extremo contrário ao seu comportamento, o dicionário informa que vereador significa “zelar pelo sossego e bem estar dos munícipes”. Vem do latim “verear”, indicando vereda, caminho. É figura importante na engrenagem político-institucional do país, com a responsabilidade de indicar novos rumos aos munícipes. Com certeza, sem raiva canina. E as convulsões?

Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Um pacote de comerciais de televisão de um site de venda de produtos usados, utilizando vários bordões de cunho popularesco e agressivo, vem conquistando a atenção de telespectadores de todo o Brasil. O conteúdo produzido pela agência de propaganda que criou a série de filmetes já gerou, pelo inusitado, até uma interessante matéria analítica nas páginas da revista Veja. Realmente não é fácil criar uma série de comerciais de televisão de viés jocoso, debochado, agressivo – até ofensivo, como vem sendo empregado na propaganda em referência. Até porque o tom insultuoso é direcionado ao consumidor, ao cliente em potencial do site, ou seja, pessoas que têm um objeto usado qualquer, passível de venda, ainda indecisas em se desfazer do tal objeto. Um ator, escondido do pescoço para baixo, falando um texto curto, porém agressivo, dá voz à mercadoria em efeito produzido em perfeita sincronização.

Para modificar a constrangedora situação, o ator/objeto/usado é expelido de cena, tendo antes cumprido o seu papel: despertar no proprietário do objeto usado o desejo de se desvencilhar dele o mais rápido possível – para tanto se valendo, é claro, dos préstimos do anunciante. São vários os comerciais já produzidos, cada um deles apresentando um texto diferente. O que tem feito o Brasil se esbaldar é o que mostra o ator/objeto/usado chamando uma aturdida senhora de “ordinária” e “inocente”. Diz ele, lá pras tantas: “ordinária, sabe de nada, inocente!” No Brasil inteiro não se fala de outra coisa. De norte a sul, de leste a oeste, do Oiapoque ao Chuí, tal fraseado é repetido à exaustão nos mais diferentes ambientes, nas ocasiões mais diversas e por pessoas de nível social de A a Z. Por quê? O que motiva o Brasil inteiro a celebrar um conteúdo depreciativo, quando o normal seria censurá-lo e enviá-lo pras cucuias?

Será pela simples irreverência da situação? Ou o brasileiro pratica uma certa cafajestice inerente ao seu caráter? Teríamos, por aí, o tal “espírito macunaímico”, de que falam os estudiosos? O “inocente”, por seu turno, significaria indolência, omissão, alheamento? Macunaíma, célebre personagem de Mário de Andrade, caracterizado como um “herói sem nenhum caráter” retrataria também a índole “inocente” (omissa) como elemento da falta de caráter do povo brasileiro? Afinal, a inocência em referência é falta de caráter? Independente dessas análises de cunho sociológico, o fato é que o caráter dos comerciais tem tudo a ver com o espírito debochado, cínico, desavergonhado de Macunaíma. Valendo-se, então, do paralelismo entre a celebração ao comercial e outras questões nacionais, pode-se inferir perfeitamente o motivo pelo qual o brasileiro adota certos comportamentos.

Exemplos? Votar em macacos, rinocerontes, hipopótamos... E, por extensão, em Malufs, Sarneys, Tiriricas – e assemelhados. Alguém pode achar tal raciocínio exagerado, desproposital. Nelson Rodrigues não fez por menos ao retratar a sociedade brasileira na peça cujo título diz tudo: “Bonitinha, mas ordinária”. Ora, em um país cujos valores e princípios são espezinhados e amarfanhados a tal ponto que ninguém enxerga neles início e fim; em um país cujas principais lideranças políticas se enredam cada vez mais em atos de corrupção e outras práticas condenáveis; em um país cuja onda de violência vem atingindo níveis maiores do que em países em guerra civil; em um país cujas promessas de governo nunca devem ser levadas a sério; em um país... Ufa! Em um país assim, é natural soar engraçado o conteúdo que agride, que insulta. Mas, acalmemo-nos todos, ordinários e inocentes (ou não)! A Copa vem aí!

Públio José – jornalista

Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Nessa época do ano é comum o surgimento do mofo. Por onde você anda, ele se faz presente, afetando narizes e impregnando as roupas de manchas acinzentadas e bolorentas. O mofo aparece em razão da combinação do ar saturado de umidade, pela ocorrência da chuva, com o calor inerente ao clima tropical natalense. Para as donas de casa traz bastante preocupação. As crianças são logo acometidas de longas seções de espirros e o conseqüente aparecimento de corrimento nasal, gripes, garganta inflamada, etc, etc. Além de doentio, o mofo tem uma característica interessante: ele é anti-social. Gosta de sombras, de lugares não visitados, de enclaves pouco freqüentados, fechados, obscuros e inacessíveis. O mofo não gosta de locais abertos, claros, limpos, arejados, renovados. Sintomaticamente, a roupa clara não lhe é apetecível. Prefere os tecidos escuros, de pouco uso, entocados há bastante tempo.

Entretanto, o mofo não mata. Eu, pelo menos, nunca fui a um enterro de alguém que tenha sucumbido vítima do mofo. Ele enche o saco das donas de casa diante de roupas imprestáveis para o uso, impregna ambientes com seu odor característico, causa crises de sinusite, olhos lacrimejantes, nariz entupido, dor de cabeça, deixa você com um jeitão caído, entristecido, arrasa seu humor... Mas, matar não. Isso não ele não faz. Outro detalhe evidente no mofo é que ele não escolhe classes sociais. Sua ocorrência se registra de maneira universal, atingindo a todos, em todos os lugares. Logicamente que os mais abastados têm mais e melhores elementos para combatê-lo do que os menos favorecidos. Enfim, metaforicamente, há uma semelhança incrível entre este período de tempo – no qual o ar e os ambientes estão carregados de mofo – e o atual momento político vivido pelo Brasil.

Ambos não matam. Mas causam um prejuízo considerável. Semelhantemente ao mofo, a corrupção é um silencioso elemento nocivo às engrenagens políticas, administrativas e institucionais. A corrupção não gosta de ambientes abertos, da luz clara e ofuscante do debate de idéias. De ambientes visitados por gestores detentores dos princípios da honestidade, da seriedade, das boas práticas administrativas. Como o mofo, a corrupção impera em lugares obscuros, vedados ao exercício investigativo, auditorial, dos órgãos destinados ao seu combate. Da mesma forma que o mofo, a corrupção não resiste a uma boa investigação. Quando uma dona de casa abre um armário ou joga à luz do sol uma roupa impregnada de mofo, seu arsenal doentio desaparece rapidamente sob o poder antisséptico, regenerador e crestador dos raios solares.

Num processo inicial, o mofo e a corrupção não matam. Mas suas conseqüências, além de imprevisíveis, podem desaguar num processo de morte. Da congestão nasal dos primeiros momentos, o mofo pode progredir para distúrbios gravíssimos. Sem o tratamento adequado, seu desenvolvimento descontrolado, após se estabelecer no organismo humano, pode gerar até óbitos, pela ocorrência de distúrbios pulmonares e de outra natureza. Do mesmo modo, nas engrenagens públicas, a corrupção pode causar infecções tremendamente danosas e abalos políticos de enormes proporções. As donas de casa aprenderam a combater o mofo e têm contra ele armas bastante eficazes. Por seu turno, o organismo estatal precisa aprender a combater a corrupção e encontrar rapidamente remédios eficazes contra a sua proliferação. Senão, atchim, atchim, atchim... Cadê o descongestionante!!!?

Públio José – jornalista

Públio José – jornalista

(Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

O Brasil é, realmente, um país singular, como diria aquele intelectual após entornar a quinta dose de uísque. A diferença é que ele falaria com a língua enrolada pelo efeito entorpecedor do álcool. Já eu falo por sentir na própria pele, na qualidade de brasileiro, a gravidade de tal afirmação. No campo médico um paciente é dado como morto, embora apresente alguns sinais de vida, quando a ministração de medicamentos, de remédios, de drogas, mesmo que as mais modernas e de comprovada eficácia, não sinaliza mais seu retorno à vida. O médico não pode afirmar que o paciente está morto – embora também não possa catalogá-lo como um corpo vivo. É nesse estágio que está o Brasil no que diz respeito ao combate à corrução. São tantos os casos, são tantos os envolvidos e, pior, são tantos os processos, as investigações, que o organismo legal brasileiro começa a dar sinais de infecção generalizada.

Os sinais de exaustão da máquina jurídica nacional são evidentes. Como são também evidentes os sinais que começam a esborrotar da cabeça da opinião pública brasileira, pelo altíssimo volume de informações, denúncias, investigações, quebra de sigilo telefônico, quebra de sigilo bancário, e mais aquilo, e mais aquilo outro. Quando se analisa a série história que envolve a justiça brasileira, quando se olha para trás e se vê o mundão de casos ainda sem encaminhamento, sem julgamento pela máquina judiciária, quando se observa o sem número de casos de impunidade – e, inclusive, do significativo volume de casos de corrução que envolve membros da própria justiça, a que conclusão devemos chegar? Se os casos anteriores não tiveram, na justiça, o encaminhamento que deveriam ter, a que desfecho chegarão os casos de agora, quando, além do mais, envolvem gente grossa de todos os segmentos?

Santa ingenuidade é se esperar que dessa cartola saia algum coelho que nos regenere a esperança. Pois a justiça está tão empanturrada de coisas para fazer, investigar, julgar, que dificilmente se desincumbirá dessa tarefa, mesmo que queira, nos próximos dez, vinte anos. Nesse período outras realidades se instalarão, outros interesses serão estabelecidos, outros modismos ocuparão os espaços da mídia e – o que é pior – a histórica falta de memória do brasileiro se encarregará de jogar tudo em um profundo e insondável mar do esquecimento. O que expresso, portanto, não é fruto de uma momentânea demonstração de pessimismo, mas a constatação de que o volume de casos de corrução no Brasil chegou a um volume tão alto, e de investigação tão simultânea, que o país, à semelhança de um paciente terminal, não encontra mais forças, no seu espaço judiciário, para buscar as soluções que o momento está a exigir.

Soluções à vista? Só o tempo, com sua enorme capacidade de acomodação, pode responder a essa pergunta. O que se depreende do ponto de vista histórico, e também o que pode vir a nos consolar, é que o Brasil já enfrentou períodos indigestos de natureza política, traduzidos em simples tremores e também em terremotos de grandes proporções, e sempre se saiu deles de forma ordeira e pacífica – graças a Deus. Atualmente, do eleitorado pouco se pode esperar pelos motivos já expostos. A esperança talvez resida no surgimento de uma nova liderança. Liderança, afinal, que dê exemplo de decência, de coerência, de visão voltada para o bem comum e para os interesses maiores da nação brasileira. Por hora, só nos resta esperar e sonhar com um provável novo tempo, enquanto, lamentavelmente, assistimos a corrução generalizada ganhando a parada. Palmas para ela. E ela merece?

Públio José – jornalista

(Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.)

Todos sabem que no Maranhão os superlativos começam pelo nome do estado, com um ão no final. E, ao se dar uma espiada mais acurada em sua história ao longo do tempo, vê-se que no Maranhão tudo é ão mesmo. A miséria maranhense é ão; a pobreza generalizada é ão; o analfabetismo também não fica atrás e é ão; a escravidão política do povo maranhense também é ão; a educação por lá também é ão pela péssima qualidade; a saúde não fica atrás de ruim e se perfila aos demais aspectos da realidade do estado também sendo ão; a economia, de tão concentrada, também é ão; as estradas, quase inexistentes, também são ão; enfim, tudo no Maranhão é ão. Tudo lá é aumentativo – com viés e essência negativos. Para completar a realidade ão do Maranhão, a Procuradoria Geral da República está em vias de entrar na Justiça do Estado pedindo a intervenção pela crise de segurança que atinge o Maranhão.

E, numa região do Brasil em que tudo é ão, aparece um diminutivo para confundir as coisas e criar um paradoxo digno das criações mais tresloucadas do mais tresloucado roteirista. Refiro-me ao CDP – Centro de Detenção Provisória de Pedrinhas. Ironizando ainda mais a história do Estado, esse CDP que atende pelo nome de Pedrinhas é a instituição mais ão do Maranhão, uma verdadeira casa de horrores. Segundo levantamento do jornal Folha de São Paulo, o inha do Maranhão é responsável pela morte de sete detentos só nos quatro meses deste ano, de um total de dez assassinatos ocorridos no interior do sistema prisional maranhense. E são mortes de deixar boquiabertos os piores matadores da história da humanidade, a ponto de chamar a atenção da imprensa internacional e levar a Procuradoria Geral da República, como já dito, a solicitar à Justiça a intervenção federal no Estado.

Segundo a Folha, para a imprensa estrangeira, “Pedrinhas tornou-se, desde o ano passado, sinônimo de violência e barbárie do que ocorre nas cadeias brasileiras”. Ou seja, do bárbaro, insano e bestial sistema prisional brasileiro, Pedrinhas se destaca por ser ainda mais bárbaro, mais insano, mais bestial. Por lá, com a capacidade gerencial ão do governo, as coisas alcançaram o mais alto patamar do ão, do absurdo. Vídeo da Folha mostra em detalhes o horror de três presos sendo decapitados, “enquanto seus algozes comemoram, com deboche, o assassinato frio”. E isso tudo acontecendo em um Estado dominado pelo poderoso senador José Sarney, cujo staff – entre asseclas, correligionários, lideranças as mais diversas e familiares em abundância – faz o Maranhão permanecer no mais baixo degrau da escala da pobreza, da miséria, da ignorância, da violência, do analfabetismo.

E Pedrinhas? Não é uma graça esse nome? Pedrinhas... Parece até literatura infantil. Pedrinhas... Em criança, lembro de passar tempo na praia recolhendo pedrinhas. Com elas eu cultivava a imaginação, além de usá-las para várias atividades de lazer. Pedrinhas eram dinheiro nos jogos da meninada; pedrinhas eram munição para baladeiras; pedrinhas eram veículos nas estradas da imaginação; pedrinhas eram elementos de decoração na sala de estar da família; pedrinhas, nas aulas de desenho da escola, eram elementos para exercitar os dotes artísticos de futuros pintores e desenhistas. Tudo muito inocente; tudo muito inhas. Hoje, o Brasil descobre que em um ambiente ão, como o do Maranhão, o inha representa o lado mais negro, mais sórdido da perversidade humana agregada à incompetência – a ponto de tornar o já enorme ão do Maranhão muito mais ão. Pedrinhas... Pobre Maranhão...



Twitter