NATAL PRESS

Públio José – jornalista
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A narração bíblica nos traz até os dias atuais o relato do nascimento de Jesus – o homem. Segundo o livro de Lucas, capítulo 2, versículos de 1 a 7, a saga do menino teve início em Belém. Um decreto do Imperador César Augusto “convocando a população do império para recensear-se”, foi a exigência que levou José a tomar o rumo de Belém, “cidade de Davi”, por ser ele da casa e da família de Davi. Segundo o versículo 7, “ela deu à luz o seu filho primogênito, enfaixou-o e o deitou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria”. Segundo relatos históricos, José perambulou por todos os lugares e recantos de Belém à procura de um espaço onde a criança pudesse nascer com um mínimo de conforto e segurança – e não encontrou. É nesse sentido que queremos focar a essência do dramático episódio. Ou seja: não havia, rigorosamente falando, nenhum lugar para Jesus em Belém.

Com certeza os conterrâneos ilustres, as personalidades de ali e de alhures tinham seus lugares garantidos em Belém. É absolutamente certo que o prefeito, os presidentes dos diversos órgãos da cidade, suas autoridades, seus parlamentares, seus sacerdotes, todos, enfim, estivessem muito bem instalados. Nos bairros periféricos, mesmo as pessoas mais humildes, embora disputando espaços exíguos, também tinham a certeza de um sono tranqüilo quando chegasse o advento da noite. Enfim, todos tinham lugar em Belém – menos Jesus. A Bíblia não registra, mas José deve ter entrado em desespero. Qual o chefe de família que quer ver seu primeiro filho nascer num curral, ao relento? José, na verdade, se deparou em Belém com a insensibilidade dos homens, com a dureza de seus corações. Os tais, quando bem instalados, pouco se importam com as adversidades alheias.

Não havia lugar para Jesus em Belém. Atualmente, essa realidade não está muito distante dos fatos ocorridos naquele tempo. Muitas pessoas, embora enfeitando suas casas e suas vidas com penduricalhos comercializados no período natalino, continuam com o mesmo sentimento de avareza, de insensibilidade e de aridez espiritual que se apossou do povo naquele tempo. Outras abarrotam os seus espaços domésticos com tantos símbolos, tantos enfeites e tanto consumismo, que não resta em suas vidas nenhuma condição para a manifestação dos ensinamentos e dos princípios que Jesus, tão sabiamente, propagou ao longo de sua existência. Onde está Jesus em sua vida? Qual a prioridade dedicada a Ele – mesmo nessa época do ano? Tem gente que valoriza muito mais a beleza da árvore de Natal do que o conhecimento das palavras e das promessas contidas nos Evangelhos que Ele nos deixou.

Nenhuma intenção de criticar aqui esforços mercadológicos para ampliar o raio de ação da indústria e do comércio. A questão é que a humanidade está enclausurada numa perigosa operação de religiosidade estéril, sem vínculos com Jesus. E assistindo inerte à troca de um fato verdadeiro, marcante, fascinante, cheio de significado – como o nascimento de Jesus, por uma tradição entranhada de sofismas e sem nenhum lastro espiritual – o Papai Noel. Onde está Jesus em sua vida? Ou por outra, qual a sua reação se José hoje batesse à porta? José bateu à porta em Belém e não lhe deram ouvidos. Você daria? Compartilharia seus espaços com José para Jesus nascer em sua vida? O consumismo não pode ser a razão principal do viver natalino. O importante é Jesus – sempre. Atenção, atenção! Tem gente batendo à porta. Está ouvindo? É José pedindo um espaço para Jesus nascer. Você vai abrir a porta?

Públio José – jornalista

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                        Todos nós já estamos acostumados com os ismos da vida. Nacionalismo, esquerdismo, anarquismo, direitismo, numa sucessão sem fim, entronizada para rotular tendências religiosas, políticas, econômicas, esportivas, culturais de quem quer que seja. Por mais esforços que se faça, ninguém escapa de ser encaixado em um ismo qualquer. É latente, intestina a necessidade no ser humano de rotular, de entalar o outro num ismo. “Fulano é de um esquerdismo revoltante”. Com certeza você já ouviu esse tipo de comentário de alguém a respeito de outra pessoa. Ou por outra: “Sicrano não passa de um reles defensor do capitalismo selvagem”. Os artistas, os intelectuais, os políticos, sofrem muito com esse, digamos, rotulismo. Independente de serem ou não o que os outros pensam a respeito deles, são logo encalacrados, mal surgem, como sementes do modernismo, conservadorismo, populismo, expressionismo...

                        O ismo é um sufixo que encerra em si mesmo um projeto de doutrinação, um conjunto de ações voltadas à implementação de uma tendência, de uma escola, de um movimento ou princípio artístico, filosófico, político ou religioso. Tem sempre atrás de si mil interesses. Nunca surge de graça, como também ninguém inventa um deles por acaso. Ao longo da história da humanidade os ismos se sucederam como panacéia para inúmeros males, ditando moda, hábitos, costumes, além de pautarem a rotina das atividades artísticas, políticas, econômicas, culturais e sociais. Alguns ismos se caracterizam pelo seu conteúdo exterior. É o caso do militarismo, do expansionismo, do ativismo voltado a fazer uma comunidade tentar um crescimento para fora de suas fronteiras. Outros são mais intrínsecos aos sentimentos e posicionamentos interiores, como idealismo, comodismo, egoísmo, altruísmo, individualismo – e por aí vai.

                        Há os de conotação política, como comunismo, nacionalismo, esquerdismo, direitismo, como também os mais sintonizados com a administração pública: monetarismo, liberalismo, capitalismo, socialismo, trabalhismo, todos, logicamente, direcionando a visão, as políticas, ações e projetos nos governos onde se enraizaram. A prática de um ismo qualquer diz bem a pessoa ou o conjunto de pessoas adeptas de sua essência. O ateísmo, por exemplo, enquadra em torno de si os que são contrários à existência de Deus. O altruísmo, por seu lado, já inclui o sentimento de quem põe o interesse dos outros à frente dos seus. E o egoísmo... Ah, esse é bronca! Bronca pura! Significa a eleição do próprio ego, do próprio eu, como início, meio e fim de todas as coisas. Ou seja, uma vida calcada na celebração de tudo que diz respeito a si. Só e somente só. Em suma, a doutrina da valorização excessiva do eu.

                        Se o sufixo ismo caracteriza a junção de atividades em torno de uma tendência, de um movimento, o egoísmo, por sua vez, encarna todo um posicionamento interior no sentido de erguer um trono à própria personalidade, um culto fanatizado à defesa dos próprios interesses. Entretanto, se o egoísmo ficasse por aí tudo bem. O problema com seus detentores é que, na medida em que supervalorizam os próprios interesses, agem no sentido contrário na escala de importância em que catalogam as pessoas. Para o egoísta o próximo vale muito pouco – quando não coisa nenhuma. E, muitas vezes, percebendo ou não, o egoísta vai deixando pelo caminho um rastro de destruição e ódio, oriundo de ações carregadas de um profundo menosprezo pelo outro. E agora? Agora? É constatar-se, vida a fora, o altruísmo de uns poucos em contraponto ao egoísmo de muitos. De muitos. Ah, o egoísmo... Que bronca!

Públio José – jornalista

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Uma dos aspectos mais marcantes e conhecidos na vida de Jó, do ponto de vista popular, diz respeito à sua paciência. Tanto é assim que virou ditado corrente a expressão que diz “fulano tem a paciência de Jó”. Outra faceta também realçada é a que aponta para a sua pobreza. Daí que, popularmente, é costume também se dizer “mais pobre do que Jó”. Logicamente, muitas pessoas usam a citação por ouvir falar, sem atentar nem conhecer a história real do personagem. Em primeiro lugar, Jó não era pobre. Ao contrário. Era riquíssimo para os parâmetros da época. A comprovação está na Bíblia, no livro que leva seu nome, conforme registrado no capítulo primeiro, versículo terceiro: “Possuía sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas; era também mui numeroso o pessoal a seu serviço, de maneira que este homem era o maior de todos os do Oriente”. Como se vê...

Acontece que um dia Jó ficou pobre. Não somente pobre como miserável. Extremamente miserável. O capítulo 2, versículo 8, diz: “Jó, sentado em cinza, tomou um caco para com ele raspar-se”. Era tudo que lhe restara: cinzas e cacos. Os bens já perdera; a família também (a morte levara os dez filhos), com exceção da esposa; a condição de líder; o status de pessoa admirada e acreditada como bom empresário, além da saúde. Esta, de maneira inexplicável, colocara-o em estado lastimável e estabelecera-lhe uma rotina extremamente dolorosa. Um manto de tumores malignos tomara conta do seu corpo “da planta do pé até o alto da cabeça”. A solução para descansar, diante da impossibilidade de usar cama convencional, foi acomodar-se em cinzas. Os amigos sumiram, o horizonte encurtou-se – a ponto de não vislumbrar mais nenhuma solução para a vida – e a mulher passou a jogá-lo na direção do suicídio.

Além dessas, outras conclusões podem ser tiradas da leitura de sua saga. O “sentado em cinzas” revela, primeiramente, a vergonha social que sobre ele se abateu, e, em segundo lugar, o raquitismo empresarial e material a que chegou. As cinzas não representavam apenas um lenitivo para seu corpo coberto de tumores, mas a realidade que se instalara em sua vida. Afinal, o que são cinzas senão o resultado da queima de objetos sólidos, palpáveis, concretos, transformados em pó pela combustão da vida? Em Jó tudo virou cinzas. Seu patrimônio, dignidade, condição social, sonhos – e o pior: a saúde. A solidão também lhe pesava bastante. E, como empresário, concluíra: sentado em cinzas era o mesmo que sentado em nada. De tudo que perdeu só não perdeu a fé. Esta permaneceu firme. Segurar-se à fé foi a ponte que construiu, apesar de tudo, para atravessar seus dias de homem doente, falido e abandonado.

Como Jó, atualmente, tem muita gente sentada em cinzas. Vida sem sentido, oprimida, tornada pó. Rotina angustiante e vazia. A saída? Voltar-se para Deus. É o que se conclui da história de Jó. Dos amigos só recebeu acusações; da esposa exortação para amaldiçoar a Deus e, em seguida, abraçar a morte. A única ponte a segurar Jó em vida foi a ponte da fé. Em Deus – seu Redentor. O capítulo 19, versículo 25, registra o seu brado: “Porque eu sei que o meu Redentor vive...”. Esta confissão levou-o a vencer o desejo de morte e o manteve convicto de que outros dias lhe estavam reservados. Tempos depois, família restaurada, saúde restabelecida, teve de volta, dobrado, o seu patrimônio. “Porque veio a ter quatorze mil ovelhas, seis mil camelos, mil juntas de bois e mil jumentas”, segundo o capítulo 42, versículo 12. Eis o verdadeiro Jó e sua plenitude. Alçado a ela somente pela fé. Pela fé. Somente.

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Segundo o dicionário, liderança é a capacidade de influenciar pessoas, de comandar, de guiar, de orientar, de exercer fascínio sobre os outros. Qualidade baseada e alicerçada no prestígio pessoal e na aceitação pelos dirigidos. O conceito atual de liderança envolve a idéia, errônea, por sinal, de que a prática de liderar está ligada a números eloqüentes. Por esse raciocínio, líder é aquele que se impõe sobre um número expressivo de pessoas. Engano. Ao contrário, é bom você saber que todos nós somos líderes. Na família, no trabalho, na vizinha, na comunidade, em todo lugar exercemos liderança, influenciamos pessoas. A alguns é dada a condição de liderar grandes grupos; já a outros a condição é mais restrita, mais econômica numericamente falando. Entretanto, se ampliarmos o nosso olhar sobre o moderno horizonte dos dias atuais, veremos como está distorcida e mal entendida a questão da liderança.

E o que é pior: como a nossa capacidade individual de liderar está sendo comprometida pela ausência da prática. Isso, em grande parte, pelo receio de correr riscos, de assumir responsabilidades. Enfim, de se expor. Pois um dos principais atributos do líder é o destemor na nomeação precisa do tempo certo de agir, na escolha do momento exato de surgir como ponto de referência. Certa ocasião, durante a celebração da Páscoa, em Jerusalém, estando todos sentados, Jesus levantou-se e disse: “Aquele que crer em mim de seu interior correrão rios de água viva”. Todos estavam sentados, obedecendo, letárgicos, a uma tradição que em nada enriquecia suas vidas. Jesus, ousadamente, pôs-se de pé. Esta é a postura do líder: impor-se pela visão profunda, pela análise acurada, pelo discernimento de apontar rumos e caminhos novos. Pôr-se de pé no momento em que todos permanecem sentados.

Liderança, enfim, envolve muito mais a essência da qualidade do que a da quantidade. Jesus, por exemplo, liderou um exército de doze apóstolos. E transformou-os, de homens rudes e incultos que eram, em competentes divulgadores de seus ideais. Eram apenas doze. Depois formaram um grupo de setenta, depois de... Hoje, mais de dois bilhões de pessoas em todos os recantos seguem os princípios que ele ensinou. Já outros reuniram em torno de si, inicialmente, grandes multidões, exércitos formidáveis, mas, desprovidos da visão correta de liderança, perderam seus seguidores, no decorrer da vida, pelo exercício vacilante ou errôneo da liderança. Portanto, a capacidade de liderança não está ligada, necessariamente, a números expressivos para fazer valer a qualidade do líder. E sim à capacidade de ditar novos rumos, de encontrar novos e prósperos caminhos para os liderados.

Na família, por exemplo, o pai é um líder. E as famílias, pelo menos nos dias atuais, são núcleos constituídos por poucas pessoas. Nem por isso o pai deixa de ser um líder. Um professor em sala de aula também é um líder. Como também o é um chefe de uma repartição. A questão é saber que tipo de liderança está sendo exercido por essas pessoas. Ou por outra, que tipo de resultado a liderança está gerando nos outros. Ou, ainda, o que está acontecendo pela omissão da liderança. Pois a não liderança é uma omissão grave. Por sinal, você, que está lendo agora este artigo, é um líder. Mesmo que não queira, você é um líder. Pois influencia, orienta, sugere, causa fascínio em outras pessoas. Esta constatação é que nos leva a refletir na qualidade da liderança que estamos praticando. Será uma boa ou uma má liderança? Afinal, que tipo de líder você é? Qual o fruto que está sendo gerado através da sua liderança?

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                               De certo tempo pra cá, vem se instalando no Brasil uma gigantesca onda de relativização. Salvo raríssimas exceções, tudo está sendo relativizado. Como, do ponto de vista histórico, para tudo existe o lado contrário, estamos lançando o outro lado da moeda: vamos defender a absoluta absolutização dos fatos! Ora, nos informa a História, para se contrapor à esquerda surgiu a direita; para se contrapor ao preto existe o branco; para se contrapor ao capitalismo veio o comunismo; para se contrapor ao culturalismo criou-se o multiculturalismo; para se contrapor ao liberalismo surgiu o conservadorismo; para se contrapor ao ódio Jesus semeou o amor; para se contrapor ao cristianismo nasceu o ateísmo; para se contrapor ao hedonismo apareceu o anedonismo; para se contrapor ao idealismo despontou o realismo... Daí, para se contrapor ao relativismo, ressuscitemos o absolutismo! Ora, ora, cara pálida!

                               Interessante se notar que o termo absoluto é atualmente tão distorcido, que está mais ligado à idéia de tirania do que ao posicionamento integral, a postura por inteiro das pessoas nas mais diversas questões. A realidade é que o relativismo vem ganhando mais espaço na concepção moderna de vida, deixando ao absoluto terreno cada vez mais periférico. Isso tanto do ponto de vista individual como universal. Fala-se bastante no relativismo de princípios e valores no Brasil quando, na verdade, tal fenômeno se espalha em todas as latitudes e longitudes. Atingindo mais a quem? Às novas gerações, claro! Pelo desconhecimento e distanciamento quase total delas a respeito de normas de condutas calcadas no absoluto. Hoje, muralhas solidificadas no absoluto – antes intransponíveis aos ataques do relativismo – vêm sendo solapadas em sua natureza por conceitos toscos, enviesados e modernismos extravagantes. 

                               O cristianismo é um exemplo clássico nesse sentido. Dia a dia, o edifício cristão, erguido ao custo de milhões e milhões de vidas – à frente o sacrifício de Jesus na cruz – plantado na seara do amor, do perdão, da santificação, da tolerância, vem sendo dilapidado com precisão cirúrgica. Por quem? Pelo relativismo. A família, baluarte indiscutível dos valores do mundo civilizado, vem sendo desconstruída diuturnamente em seus mais profundos alicerces. A onda é gigantesca, feito tsunami de alarmantes proporções. E aí o que fazer? Embarcar no navio do relativismo para se dar bem, em razão de seu navegar contínuo e agressivo? Adaptar-se aos ditames relativistas da mídia, de ONGs e de governos? Embriagar-se ao som relativista para dançar de antenado diante de amigos e familiares? Ou dar um pouco de espaço à reflexão, à inteligência, ao bom senso, ao discernimento, à análise crítica dos fatos?     

                               Ressuscitemos, portanto, o absolutismo! Ao relativismo da desonestidade respondamos com o absolutismo da honestidade! Ao relativismo da corrupção respondamos com o absolutismo da retidão de caráter! Ao relativismo da frouxidão de hábitos e de costumes respondamos com o absolutismo da ética! Ao relativismo do suborno respondamos com o absolutismo da correção profissional! Ao relativismo da imoralidade respondamos com o absolutismo da moralidade! Ao relativismo da mentira respondamos com o absolutismo da verdade! Afinal, se não agirmos com rigor agora na defesa dos princípios e valores que herdamos, que tipo de civilização deixaremos para os que vierem depois? Um mundo onde corrupção, desfaçatez, desonestidade, imoralidade, amoralidade – de tão banais – passem a vigir como regras de conduta? Acordemos! A hora é de absolutizar. Ou já será tarde demais?

Públio José – jornalista
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A cada eleição que o Brasil realiza, conforme constatam os números, mais cresce o universo dos que escolhem a opção pelo voto branco e nulo – além dos que simplesmente se negam a comparecer às urnas. O quadro é preocupante. No fragor das apurações, esse cenário aflora com tal intensidade nos comentários da imprensa, e na análise dos cientistas políticos, que chega até a enganar: “ah, dessa vez os políticos, as lideranças partidárias vão levar esse fenômeno a sério”. Ou: “agora, os políticos vão se emendar, prestar atenção ao protesto do eleitorado”. E por aí vai. Realmente, ano após ano, mais cresce o exército dos desencantados com o mundo político brasileiro, aí considerados os poderes Executivo e Legislativo. Mancha que, lamentavelmente, também vem colorindo com tom cada vez mais cinza o Poder Judiciário, seara de escândalos emergindo ultimamente com nefasta regularidade.

Hoje em dia, é raro o local em que a obrigação (alguns falam em direito ao voto, mas tal colocação é uma balela em função do voto no Brasil ser obrigatório) de votar seja vista com bons olhos. É o tipo da responsabilidade vista por quase todos como um fardo insuportável, algo de cheiro infecto e sabor nauseante. É bem verdade que na alma do eleitor – mesmo o mais humilde, o mais desinformado – bate a noção clara, nítida da importância do voto. O povão sabe que através do voto se acentuam as conquistas coletivas e as mudanças que se traduzem em benefícios gerais. Porém, o desencanto, o desalento, a constatação, enfim, de que uma geração de políticos dos mais diversos partidos está corrompendo sistematicamente o terreno da administração pública e as engrenagens do nosso sistema político/eleitoral, faz esgotarem-se mais rapidamente a cada eleição os limites do civismo e da paciência dos brasileiros.

Guardadas as devidas particularidades, é como a praga de gafanhotos que assolou o Egito nos tempos bíblicos e que – é perfeitamente mensurável – tanto prejuízo causou à economia e à qualidade de vida de um país que tanto dependia da atividade rural para viver e progredir. No caso do Brasil, a onda de descrédito na atividade política, nas instituições, nos governos representa também uma verdadeira praga de gafanhotos a corroer raizes, caules, galhos, folhas e frutos da terra, tornando mais improdutivo, a cada ano, o terreno onde a semente da democracia, da civilidade, da ética, das boas práticas administrativas deveria vicejar e produzir frutos benéficos a todos. A Bíblia não entra em detalhes sobre as consequências que os gafanhotos trouxeram ao Egito. Já em relação à democracia brasileira, o prejuízo é enorme. E não é bom aguardar os estragos desse malefício para que as providências sejam tomadas. 

Porque a realidade está aí. Em certos estados, o número de votos brancos e nulos ultrapassou o total de votos dados ao candidato que alcançou o primeiro lugar, enquanto em outros o total de votos brancos e nulos, adicionados ao crescente universo dos que se negam a ir às urnas, alcançou marca superior aos 40% do eleitorado – percentual inquietante, considerando-se o voto obrigatório. Terá conserto tal cenário? Como se observa, devagar e sempre, a praga de gafanhotos a atacar o sistema eleitoral – e, por extensão, a democracia brasileira – não é fenômeno que venha ser deixado ao largo. A incerteza gira em torno da nova geração que está chegando ao poder. Se empenhada em resgatar a confiança e o ânimo do eleitor, ou contagiada, viciada pelos métodos dos que estão aí, impunes, engordando à custa da corrução generalizada. Afinal, o Brasil terá inseticida suficiente ou não para tratar gafanhoto?

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De um lado Barrabás. Do outro Jesus de Nazaré. Entre os dois o procurador romano na Palestina, Pôncio Pilatos, representando o sistema político-militar vigente na região. De Jesus muito se sabe – do ponto de vista histórico. Já do seu legado espiritual pouco se tira proveito. A respeito de Barrabás pouco ou quase nada é sabido. Uma nesga da história narra Barrabás como um criminoso, culpado de sedição e homicídio, que merecia morrer por crucificação segundo a lei romana. Outros historiadores tentam colocar uma neblina de charme à sua biografia, taxando-o de terrorista que promovera algumas ações na tentativa de derrubar o governo romano na Palestina. De uma forma ou de outra alguém que vivia ao arrepio da lei. Merecedor, portanto, de julgamento e condenação, o que de fato ocorrera já que Barrabás estava na prisão tão somente à espera da hora de ser crucificado.

Do ponto de vista eleitoral o cenário estava completo. Num patamar superior – lembrando os palanques de campanha dos dias de hoje – os dois candidatos. Junto a eles o TRE daquele tempo, representado na pessoa de sua excelência Pôncio Pilatos. O período de campanha, embora curto, fora muito bem trabalhado por um dos contendores e seus correligionários. O outro candidato não teve o direito de falar nada, embora anteriormente já tivesse feito inúmeros discursos sobre o seu programa de governo, àquela hora totalmente esquecido. Pelo marketing empregado, havia uma nítida vantagem para Barrabás sobre Jesus de Nazaré. Os cabos eleitorais do bandido doutrinavam o povo sob intenso frenesi. Havia pressa, uma vez que não era desejo da elite religiosa permitir que o eleitorado viesse a raciocinar. Barrabás tinha que ganhar – mesmo que condenáveis os métodos utilizados.

Esse paralelismo em torno dos fatos reais da condenação de Jesus serve para demonstrar como são irracionais, em certas ocasiões, as escolhas que fazemos em nossas vidas. Em sã consciência ninguém deixaria de votar em Jesus para sufragar o nome de Barrabás. Mas todos sabem o desfecho ocorrido naquele tempo. Por leviandade, emocionalismo e superficialismo gritante, cometeu-se uma das maiores injustiças já praticadas pela humanidade, fruto de um processo eleitoral cheio de vício e de técnicas deturpadas de persuasão coletiva. Embora não tendo a carga dramática da escolha que condenou Jesus à morte, o processo político vivido pelo Brasil atualmente tem uma importância crucial para a vida de milhares e milhares de pessoas. E da mesma forma que naquele tempo, processos cavilosos de comunicação e persuasão tentarão vender gato por lebre, fantasia por realidade.

O direito de exercer o voto é algo realmente extraordinário. Através dele ciclos inteiros na vida da humanidade foram alterados. Pela força do voto – não somente o voto do ponto de vista eleitoral, mas todo processo de escolha que envolva um posicionamento, uma alternativa – o que era deixou de ser e o que não era passou a existir. Falo do voto muito além do contexto político. Das tomadas de decisão que temos de adotar diariamente, de pessoas que temos de escolher como companheiros, parceiros, sócios. Dos processos que tomamos parte e que envolvem outras vidas. As chefias nas empresas, o comando nos quartéis, a liderança que exercemos na vizinhança, na comunidade, no seio da família..... Em todo momento há a necessidade de votar, de escolher, de se direcionar. E todo processo de escolha deve ser visto e tratado com responsabilidade e equilíbrio, visando o bem comum.

E Jesus? Ah, a Ele nós traímos diariamente. Há uma tendência generalizada de condenar as pessoas que condenaram Jesus. Assistindo aos relatos da Paixão de Cristo as pessoas choram, se emocionam – e julgam quem levou Jesus à cruz. Acontece que a todo instante um processo de escolha se estabelece diante de nós. Entre o que Ele nos ensinou e o que nosso querer determina. E agora, qual o procedimento a ser adotado? Viver a Palavra que Jesus Cristo nos deixou é o caminho a ser seguido. Perdoar, amar ao próximo, não corromper nem ser corrompido, defender o direito dos mais fracos, dos mais humildes. Mas, será que é assim? Ao agir diferente do Seu legado estamos ou não traindo-O como os escribas e fariseus fizeram naquele tempo? O período eleitoral de agora é também uma oportunidade de praticarmos o bem comum levando a sério o processo de escolha. Você confirma?


Públio José – jornalista

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Há uma passagem na Bíblia, no livro de Marcos, (2. 3.) que nos mostra uma cena bastante estranha. Jesus chegara a Cafarnaum, vindo da Galiléia, e logo a notícia correu de que Ele chegara à cidade. Sua fama já era bastante conhecida. Por onde andava grandes multidões se apertavam para vê-lo e ouvi-lo. O versículo 3 narra, então, que “alguns foram ter com Ele, conduzindo um paralítico, levado por quatro homens”. Pelo que se vê, uma pequena multidão se aglomerara em torno de um paralítico, sendo que destes todos quatro foram escolhidos para levar o paralítico a Jesus. O paralítico foi carregado em sua própria cama, certamente em razão de dificuldades de movê-lo até Jesus de outra maneira, ou pelas dificuldades financeiras de contratar outro tipo de transporte. O que se depreende do episódio é que o paralítico não era um qualquer – uma vez que muitos se juntaram para socorrê-lo.

Assim, fica configurado o inusitado da cena. Um bando de homens, (às mulheres não era permitida tal empreitada, em função da cultura e hábitos judaicos) carregando uma cama, desfila com um paralítico pelas ruas da cidade em busca de solução para suas dores. Da cena se extrai, no mínimo, uma alta demonstração de solidariedade, pois é muito difícil conciliar tempo e interesses de um bom número de pessoas dispostas a desfilar, pelas ruas de uma cidade, carregando um paralítico numa cama. A cena, olhando-se de fora, teria também algo de ridículo, de insólito, de cômico. Mesmo assim, temos que admitir o forte fascínio que o doente exercia sobre as pessoas a ponto de convencê-las a se irmanarem com ele na incomum tarefa. Embora pobre, houve argumentos da parte dele que sensibilizaram outros homens a ajudá-lo na busca da solução para os seus problemas.

Do episódio podemos tirar várias lições. A principal delas é que aquele homem jamais se entregou à sua desdita. Podemos concluir isso pelo simples fato de que, ao primeiro sinal da presença de Jesus na cidade, ele se movimentou para procurar ajuda. Pelo pronto atendimento dos amigos ao seu chamado, podemos concluir também que em redor de si havia sempre trânsito de pessoas. Isso demonstra que, apesar de suas dores, de sua vergonha, da sua incapacidade física, ele tinha um comportamento que gerava nas pessoas afeição, carinho, afinidade – irmandade até. Afinal, como narra o texto bíblico, aquele grupo de companheiros topou uma empreitada nada fácil. Ao chegarem na casa onde Jesus atendia o povo se depararam com uma difícil realidade: não havia como entrar na casa; não havia como chegar a Jesus, pois o ambiente, de tão freqüentado, estava completamente tomado.

Mesmo assim eles não desistiram. Acredito que tenham feito uma pequena conferência em torno da dificuldade. “E agora, como vamos fazer?” Um deles, certamente o mais afoito, sugeriu a cena que se perpetua até os dias de hoje: “vamos pelo eirado”. E subiram o paralítico, com cama e tudo, até o telhado, cavaram um buraco no teto e desceram o conjunto até Jesus. Muita coragem, ousadia e disposição para ajudar uma pessoa necessitada! Você chegaria a tanto? Do episódio o que me fascina é o carisma do paralítico. De como ele – em meio a uma realidade dolorosa – permaneceu firme, deixando de lado uma realidade de derrota, para seguir em frente. E como conseguiu unir ao seu projeto um grupo compacto de homens dispostos a tudo para ajudá-lo. Ah, o melhor é o resultado. Curado por Jesus, voltou para casa ereto, feliz, levando de volta o leito às costas. Vitória. Pura vitória...

Públio José– jornalista

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Quem acompanha futebol talvez não tenha percebido. Mas ocorre hoje dentro de campo um festival de cotoveladas digno de lutador de vale tudo. Em quase todas as partidas, principalmente as exibidas pela televisão, o torcedor presencia, de vez em quando, com apreensão e constrangimento, um atleta sendo atendido à beira do gramado, sangrando, vítima de traiçoeira cotovelada. De repente, lá está um jogador com uma bandagem lhe tomando boa parte do rosto, ou da cabeça, mostrando à torcida, com tal adereço, o absurdo da agressão. Interessante se notar que essas ocorrências têm vida recente. Não se tinha notícia de tantos casos assim antigamente. Até parece que os jogadores estão sendo treinados e orientados para a prática desse tipo de agressão. A cotovelada se dá, normalmente, na disputa de bola pelo alto. Um dos jogadores se aproveita do elemento surpresa e acerta o adversário.

Sempre na testa, no nariz, no alta da cabeça... E aí cabe a pergunta: essa agressão – covarde, gratuita, matreira, antiesportiva, antiética, desleal, inoportuna – traz algum benefício à equipe do agressor? Por acaso, a cotovelada garantirá a vitória ao time cujo atleta pratica essas coisas? Ganhará o esporte em termos de beleza plástica, de emoção, de resultados práticos com esse tipo de atitude? Observe-se que, apesar dos aspectos negativos desse costume, os jogadores continuam se aproveitando de certos momentos da partida para acertar o adversário com a mais “proveitosa” das cotoveladas. Entretanto, passando do plano esportivo para o cenário geral da vida, também cabe a pergunta: e as cotoveladas acontecem somente no campo esportivo ou invadem outras áreas do convívio humano? Hum... E agora? As tais cotoveladas fazem sangrar somente o adversário esportivo ou derramam sangue em outras paragens?

Na verdade, o que faz um agente público que desvia o leite e a merenda das escolas, como forma de engordar seu patrimônio, senão desfechar uma violenta cotovelada nas pobres e indefesas crianças? E os altos executivos que compram equipamentos e contratam obras superfaturadas? Da mesma maneira, não estão acertando dolorosas cotoveladas no cidadão que paga seus impostos esperando ter de volta as soluções para suas demandas diárias? E os políticos que prometem mundos e fundos, além de se colocarem como guardiães da ética, da moral, dos boas práticas administrativas em períodos eleitorais – e que, ao serem eleitos, se lambuzam com todo tipo de falcatrua, de roubalheira, de atos de corrupção? Não são tais atos verdadeiras cotoveladas no pau da venta do pobre e indefeso eleitor? E o pai que mente à esposa, aos filhos, para levar vantagem também não está procedendo da mesma maneira?

E o funcionário público que aceita suborno no exercício da profissão? Também não está dando cotoveladas na ética, no código de conduta que lhe veda tal procedimento? E quem suborna o guarda de trânsito em troca de se ver livre de uma multa também não está, de certo modo, distribuindo suas cotoveladas? Na verdade, o que se observa em campo é a extensão de práticas que acontecem o tempo inteiro nas mais diversas situações e circunstâncias vida afora. Não é o jogador, não é o funcionário, não é o político, não é o gestor estatal simplesmente que distribui cotoveladas a torto e à direita. É o ser humano. Sim, ele mesmo. Com sua agressividade, sua animalidade inata. Enfim, as cotoveladas nos campos de futebol - e que têm chocado muita gente dita educada, civilizada – é o retrato por inteiro do ser humano. Simples assim. Por sinal, quando você vai desferir sua próxima cotovelada?

Públio José – jornalista
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O Brasil já viveu inúmeros modelos políticos. Sem irmos muito longe, para a análise não ficar cansativa, foquemos nosso olhar no período militar até os dias atuais. De 1964 até os últimos dias do governo de João Figueiredo os militares, no poder, criaram um sistema tripartite de gestão, onde imperava a convivência entre os políticos, os próprios militares e os tecnocratas. Era um sistema baloiçante – em português do tempo dos nossos avós. Em certas ocasiões dominavam a cena os políticos. Em outros momentos os espaços eram ocupados pelos tecnocratas. Em ambas as situações os militares estavam sempre por trás dando as regras, definindo, optando pela decisão final. O país aprendeu, a partir daí, a conviver com o noticiário badalando sempre a presença de um czar, de uma liderança vinda de um dos três mundos, trazendo a solução para os problemas nacionais.

É desse tempo, por exemplo, o grande fascínio que exerceu sobre os detentores do poder a figura poderosa de Delfim Neto – na qualidade de tecnocrata. Para entronizá-lo no poder, com ampla liberdade para pintar e bordar em torno das questões econômicas, os militares distribuíam pela imprensa longas considerações e argumentos sobre a vantagem de um técnico exercer o comando da economia ao invés de um político. Com essa poderosa couraça em torno de si – e dos “delfim boys” que normalmente o acompanhavam – Delfim Neto deu pitaco e opinião, durante um longo período, em todos os assuntos que demandavam a agenda política, econômica e social daquele tempo. Só não se responsabilizou pela escalação da seleção brasileira de futebol porque não quis. Nesse caso prevaleceu a vontade do mundo militar, com a solução insossa, inodora e incolor representada por Cláudio Coutinho.

Quem não se lembra do General Gollbery, com sua marcante onipresença ditando os rumos da política, do planejamento, do rumo que o país deveria seguir? Teve também a influência de políticos poderosos, como Magalhães Pinto, Dinarte Mariz, José Sarney, Célio Borja, Petrônio Portela, Antônio Carlos Magalhães, Paulo Maluf (até ele) e outros que agora não vêm à lembrança. Foi um período no qual a diretriz nacional se dividiu entre a visão dos políticos, dos militares e dos tecnocratas. Bom, depois veio a redemocratização, eleições diretas e a grande conclusão: militar no poder nunca mais! Tecnocratas mandando no país? Nem pensar! A visão política dos homens que sabiam disputar o voto do eleitor, que empolgavam as massas com seus discursos, que tinham na essência do seu conhecimento a solução dos problemas nacionais – pelo menos era assim que se dizia – passou a prevalecer.

Mais: somente aos políticos cabia a missão de levar o Brasil ao seu grandioso destino de futura potência mundial. A partir daí vieram, como se sabe, Tancredo, Sarney, Itamar, Collor, Fernando Henrique, Lula e agora Dilma. Com pequenas exceções, durante as quais o país viveu fugazes momentos de normalidade, nenhum dos tais conseguiu passar ao brasileiro a sensação de desenvolvimento tão esperada. E agora? Os militares não acertaram; os tecnocratas nos legaram uma enorme dívida pública; os políticos nos jogam, de tempos em tempos, em caldeirões de escândalo, corrupção e roubalheira. Chamemos, então, os marcianos? A saída está – mais uma vez – com o eleitor. Renovando. Fazendo prevalecer a sua vontade, através da qual poderão surgir novas lideranças. E um bom momento vem aí: as eleições de 5 de outubro. Os marcianos? Ficam para outra ocasião. Vamos renovar?



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