NATAL PRESS

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Todos sabem que Jesus Cristo morreu crucificado. Muitos conhecem particularidades e minúcias da vida que viveu entre nós. Alguns até defendem teses tecendo mil comentários a respeito do fenômeno que foi Cristo. Em todos os momentos, principalmente no período da Semana Santa, a humanidade, quase por inteiro, celebra a sua morte. Encenações teatrais, filmes, reuniões, retiros, conferências – enfim, os eventos mais diversos marcam a paixão, a vida, o ministério e a morte do homem que dividiu o tempo do mundo em dois tempos: antes e depois Dele. Mas, nesse momento de tanto emocionalismo, de tanta comoção, algumas perguntas necessitam ser feitas: o que o sacrifício de Jesus na cruz representa para nós? O conhecimento do gesto de Jesus na cruz traz alguma diferença no nosso dia-a-dia? A morte de Jesus nos fez pessoas diferentes ou continuamos os mesmos?

A questão vital é se tomar conhecimento de que nada do que Jesus fez foi gratuito. O menor dos seus gestos teve uma significação especial. E o evento no Monte do Calvário, com sua crucificação, morte e ressurreição, foi o fato mais extraordinário já acontecido até hoje na história do homem. Aliás, Jesus só rivaliza com ele próprio. Pois outro acontecimento que pode se ombrear em magnitude à sua morte e ressurreição é o seu nascimento, único até hoje ocorrido nas condições especiais em que ocorreu. Mas hoje o assunto é a sua morte; do nascimento de Jesus cuidaremos outro dia. O relato sobre como tudo se passou recai na leitura do livro de Lucas, capítulo 23, a partir do versículo 33. Ali, após ser crucificado, Jesus profere uma das sentenças de maior significado prático para as nossas vidas, ao dizer “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”.

Nunca, jamais – e em nenhum outro momento da história humana – alguém manteve tamanha lucidez diante de uma realidade de tanto desconforto físico e tanta dor espiritual. Rejeitado, traído, cuspido, execrado, Jesus exalou amor até os minutos finais de sua vida. A humanidade O matava, porém Ele intercedia junto ao Pai em favor dos homens. Este gesto de Cristo deve ser seguido, praticado em todos os momentos de nossa vida. Afinal, se não perdoarmos a quem nos magoa, terminamos por transformar em acontecimento inútil o sacrifício de Jesus na cruz. Esta é, portanto, a primeira mensagem que Jesus nos envia da cruz – daqueles dias até os dias de hoje: o perdoar em qualquer circunstância. Pelo seu gesto, o perdão é uma condicionante fundamental para um viver cristão, para todos aqueles que se dizem seguidores de suas ideias e detentores de seu legado espiritual.

Passemos agora ao versículo 46, do mesmo capítulo 33 de Lucas. Ainda na cruz, já exalando seus últimos minutos de vida, Jesus faz uma confissão surpreendente – naquelas circunstâncias – de fidelidade incondicional ao Pai, dizendo: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”. O que é o espírito? A vida, a nossa essência, o nosso eu. Com a sua exclamação, Jesus queria dizer que o seu espírito, a sua essência Ele só entregaria ao Pai – e a mais ninguém. O que isso significa? Comunhão total, absoluta com Deus, apesar do extremo sofrimento que estava enfrentando. Com seu gesto, Jesus nos remete à segunda mensagem da cruz: mantermos a comunhão com Deus em qualquer situação, mesmo nos momentos mais dolorosos. Será que é fácil? Não, não é. Daí a necessidade de não apagarmos da mente o cenário da cruz, local onde Jesus praticou comunhão e fidelidade a Deus em condições extremamente adversas.

Ao lado de Jesus dois homens também foram crucificados, conforme o mesmo Lucas capítulo 33, versículo 43. Numa delas, um homem ruma para a morte. De repente, de forma surpreendente, se volta para Jesus: “Mestre, lembra-te de mim quando entrares no teu reino”. Momento terrível para ele descobrir que Jesus era mestre, um título nobilíssimo naquele tempo, e proprietário de um reino. Noutra cruz, o Filho de Deus, também nas piores condições físicas, se volta para ele: “Filho, ainda hoje estarás comigo no paraíso”. Estranho momento para chamar um marginal de filho e lhe garantir a salvação, não é verdade? Aí está, então, a terceira mensagem da cruz: ao nos voltarmos para Jesus – seja qual for a circunstância – Ele nos garante a salvação, a morada com Ele no paraíso! Portanto, sem a aceitação e vivência dessas três mensagens, de que serve, para nós, o sacrifício de Jesus? Perdão, comunhão e salvação – a verdadeira essência da cruz. Vamos vivê-la?

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O silêncio é uma atitude estranha. Na maioria das vezes, apresenta-se como demonstração de humildade, de submissão, de renúncia. Em outras, deixa transparecer o verniz da covardia, da omissão. Mas não deixa de ser um comportamento contraditório, polêmico até. Jesus, por exemplo, deu conotações edificantes ao silêncio. Utilizando-se dele, deixou Pilatos maravilhado e seus acusadores totalmente desnorteados, sem terem o que dizer. Calado, ele eternizou um momento em que o esperado, de sua parte, era que falasse, argumenta-se, se defendesse das acusações injustas que lhe imputavam. Do episódio saiu engrandecido. O seu silêncio rasga os séculos até os dias de hoje como elemento de sabedoria, de renúncia, de negação de si mesmo. Já outros personagens... Estes, pelo silêncio, fugiram do desconforto de falar e deram péssimo testemunho com essa atitude. 

                       

Um livro de um escritor cristão trata do assunto de forma interessante. Com o título “O Silêncio de Adão”, ele trata da paralisia cerebral e da inércia comportamental que acomete a grande maioria dos homens nos cruciais momentos de decisão. E constata que duas atitudes se destacam no universo masculino. A primeira delas é o silêncio simplesmente. Covarde, omisso, pegajoso – e, o que é pior, contagiante. Acontece na ocasião em que se faz necessária a prática do falar em defesa de uma causa, em defesa de alguém e – para não se prejudicar – o homem foge, se cala, se omite. A segunda atitude se traduz na incorporação, pelo homem, da figura do machão, que, não tendo o que falar, não tendo destreza mental para argumentar, opta pelo clássico gesto de usar da violência, de esmurrar a mesa. Em ambas as situações ele dá adeus ao diálogo e fecha a porta ao desabrochar de uma nova realidade.

                     

Com este enfoque, “O Silêncio de Adão” trata, enfim, da inclinação histórica que o homem vem apresentando através dos tempos para fugir de suas responsabilidades. O primeiro grande exemplo que o livro apresenta é o de Adão. Sim, o Adão da Bíblia, o primeiro homem. Pela narrativa bíblica, Deus fez de Adão o detentor de todo o plano divino para a humanidade. Só exigiu que Adão e Eva, ela criada posteriormente, não comessem da árvore do bem e do mal. A exigência foi feita especificamente a Adão. Certamente já sabendo disso, a serpente procura Eva para tentá-la na desobediência a Deus, convencendo-a a comer do fruto da árvore. O interessante é que Adão estava presente ao episódio e em nenhum momento se pronunciou contrário ao assédio da serpente a Eva. Fez pior. Além de se omitir, de se calar, concordou com a mulher e comeu do fruto da árvore proibida.


Porque Adão de calou? Porque não esbravejou contra a invasão da serpente ao território mental de Eva, terreno que, pelas instruções claras de Deus, teria que preservar? Ao que tudo indica, Adão se curvou ao auditório constituído tão somente de duas pessoas, ao invés de argumentar com as instruções das quais era possuidor. Também através de outro exemplo bíblico, o livro mostra um homem que se utilizou da truculência para resolver uma situação que tinha tudo para ser equacionada pelo diálogo. Trata-se de Caim, o assassino de Abel. Na narrativa bíblica consta apenas um convite de Caim a Abel para irem, juntos, ao campo. Lá, ele matou o irmão sem dar nenhuma chance ao diálogo. Foi a típica atitude de quem, não tendo disposição para se utilizar da fala, preferiu dar “um murro na mesa” para deixar bem claro que o mais forte fisicamente tinha o controle da situação. Será?


Esse comportamento também pode ser facilmente observado nos dias de hoje. No casamento, então, nem se fala. Quantos lares desfeitos, destruídos pela fuga, pela covardia, pela indisposição de falar, de dialogar, de enfrentar, da parte do homem, situações de conflito. Pelo exemplo de Adão, nessas ocasiões, só resta, ao universo masculino, duas soluções: ou se cala, se omite e vai embora, consumando a separação, ou dá um murro na mesa e vence a situação pela truculência, pela violência, pela lei do mais forte. E vence? Será vitorioso um homem que só sabe resolver suas questões pela violência, pela força? Essa, lamentavelmente, é a herança que o primeiro homem nos deixou. Como antídoto, temos a herança que o segundo homem nos legou, Jesus. Este sim, o Adão perfeito. Que tal conhecê-lo, para passar a praticar o silêncio que edifica e a fala que constrói?

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Parafraseando um certo líder latino-americano, nunca nesta região se viu uma safra tão ruim de governantes e lideranças políticas. Até onde alcança o olhar do analista político (livre e desembaraçado de qualquer ideologia, ressalte-se) o cenário é desolador. Particularmente, desconheço outro período da história tão árido e carente da presença de lideranças ajuizadas como o que atravessa atualmente a América Latina. No Brasil, a catraca do desenvolvimento – agente catalizador para a conquista de um razoável padrão de crescimento – está rodando para trás há bastante tempo. A Venezuela, por sua vez, já cansou a plateia, tanto interna quanto externa, de tanto causar vexames. No país a crônica da insensatez chegou a tal ponto que o prato de rotina do venezuelano é a insuportável escassez de tudo – seus moradores já encontram dificuldades até para adquirir papel higiênico. Já pensou?

Na Argentina, a treslouquice de seus mandatários tirou o país do patamar, a até poucas décadas atrás, de um dos mais prósperos e avançados do mundo, para jogá-lo numa trilha de empobrecimento e atraso cujo desfecho final se afigura de cores trágicas e de indigestas consequências, culminando com a ascensão ao poder da Presidente Kirchner, cuja desmiolabilidade vem alcançando índices inimagináveis. Correndo por fora, numa desabalada e incompreensível disputa para ver quem alcança a primeira posição desse verdadeiro campeonato do caos, outros países da região também se dizem presentes, como a sinalizar a existência, entre eles, de uma irmandade de ações e pensamentos. De quebra, atiram para longe qualquer atitude de bom senso e de sensatez, demonstrando que, quanto mais ilógico e estapafúrdio for o desempenho de seus governos, mais pontos perfazem na disputa.

As consequências, diante da existência de tal trupe, são nefastas. Desabastecimento generalizado, contas públicas em frangalhos, déficits públicos monumentais, portos, aeroportos e estrutura viária em pandarecos, dificuldade para obtenção de créditos externos, moratória, falência de empresas e bancos – e uma imagem na comunidade internacional que condiz com o ditado popular: “fulano está mais sujo do que pau de galinheiro”. Entretanto, e apesar dos altíssimos sacrifícios impostos às populações, tais mandatários administram seus países com mão de ferro, impondo-lhes um regime que vacila, no fio da navalha, entre a democracia de araque e a ditadura. Em comum, a adoção de medidas que amordaçam a Imprensa, escravizam o Judiciário e emporcalham o Legislativo através da concessão de cargos, verbas de origem criminosa e vantagens de fazer corar o mais sem-vergonha dos canalhas.

E o Brasil? O Brasil também não fica atrás nesse contexto – embora ainda conte com uma Imprensa razoavelmente livre, um Judiciário não escancaradamente governista e um Congresso onde ainda se vê lampejos de oposição. O futuro, porém, é incerto. E para se ombrear aos demais integrantes do bloco, conta com uma Presidente que desperdiçou o primeiro mandato, prepara-se para fazer o mesmo no segundo – e segue com um discurso de difícil entendimento, caracterizado por uma tortuosidade mental insondável e um labiríntico raciocínio que ninguém alcança. Difícil. De quebra, se vê às voltas com uma onda de corrupção como nunca se viu, para a qual demonstra solene desprezo pela punição aos envolvidos, e uma ferrenha disposição de defender amigos e aliados – quando tudo aponta para o oposto. Um desastre! Que pode ficar bem pior: pelo risco de vê-la vencedora do certame.

Públio José – jornalista

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Há um ditado popular que assegura existir para cada mulher um homem. Por mais feio, fedorento, desdentado, desajeitado, pobre, burro, tapado, grosso, ignorante, que alguém seja, ou, por outra, com qualquer atributo (ou desatributo) que possua, dificilmente alguém – seja homem ou mulher – fica desacompanhado. É como se para cada fechadura houvesse uma chave.  Adaptando esse raciocínio ao campo político, pode se afirmar que para cada ideologia existe uma plateia correspondente. A História não nos deixa mentir. Ao longo do tempo, reis, imperadores, generais, mandatários, enfim, de qualquer índole, sempre contaram com (muitas vezes numerosíssimos) seguidores. Não à toa, pode ser relembrado aqui o episódio ocorrido em 18 de novembro de 1978 na Guiana, quando o líder religioso Jim Jones levou à morte centenas de pessoas, a maioria por envenenamento.


O argumento? O de que a “terra mãe” (os Estados Unidos), se transformara no império do Satanás – com isso, mantendo-as confinadas na selva da Guiana até a morte. Já Adolf Hitler conduziu a nação alemã à prática de crimes horrendos com base na pureza da raça ariana. Ora, ora! Para cada louco uma plateia; para cada ideologia – por mais ilógica – multidões dispostas a dar-lhe crédito. Nesse contexto, a América do Sul também não fica atrás. Sob o manto de uma tal “revolução bolivariana”, a Venezuela está sentindo de perto o péssimo negócio que fez ao dar ouvidos a Hugo Chávez. Seu período no poder coincidiu com o boom consumista mundial, com as exportações de petróleo trazendo fartos recursos a Venezuela – e a ele altíssimos índices de popularidade. Tanto dinheiro o elevou à líder regional, em condições até de enxergar a implantação do bolivarianismo em outros paises.


No Brasil, várias vertentes de partidos de esquerda – órfãos de profetas e gurus em razão da queda do Muro de Berlim, da derrocada da União Soviética e de outros acontecimentos semelhantes mundo a fora – entregaram-se de corpo e alma às teses chavistas, tentando, de todas as maneiras (algumas até ao arrepio da lei), implantá-las em solo brasileiro. E os frutos resultantes? No Brasil, um desastre. A mistura de lulopetismo com bolivarianismo deu no que deu: inflação alta, baixo crescimento, corrupção incontrolável, entre outras mazelas – Petrobrás no destaque. Na Venezuela, o sucessor de Hugo Chávez, Nicolás Maduro, deu de cara com outra realidade econômica – e está levando o país à bancarrota. A China não é mais o dragão devorador de commodities e petróleo como antes, fato que fez seus preços descerem a ladeira, muito em função da produção de petróleo americano extraído de xisto.


Em vista de tal realidade, e pela não priorização em infraestrutura, a Venezuela escorrega em direção ao caos social e econômico com o qual o bolivarianismo não sonhava, embora, paradoxalmente, Maduro tenha sido reeleito presidente (diz a oposição em eleições vergonhosamente fraudadas), e ainda conte com simpatizantes suficientes para continuar a tomar as mais loucas atitudes. Enquanto isso, a inflação dispara, o crescimento é zero, o desabastecimento de gêneros de primeira necessidade se generaliza, incluindo papel higiênico – e Maduro nem, nem. Quem faz crítica é taxado de traidor da pátria, a liberdade de Imprensa inexiste e o Parlamento e o Judiciário endossam toda tipo de patifaria. Recentemente, em verdadeiro tour, visitou a China tentando recursos para tapar o rombo. Será que a China lhe deu dinheiro pra comprar papel higiênico? Trágico. Ou será ridículo?


Públio José – jornalista

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Há dias atrás, ouviu-se no meio evangélico uma afirmação que encarei como muito interessante: “no Reino de Deus, para subir, o melhor caminho é descer – aos pés da cruz”. Até lamento o fato de não lembrar o autor da frase, pois gostaria de lhe dar o devido crédito. Porém, mesmo no anonimato, nosso desconhecido frasista cunhou uma dessas verdades que a rotina, a competitividade profissional, o desenrolar sucessivo dos acontecimentos diários, nos fazem esquecer: a importância da cruz para os que se dizem cristãos. Tal colocação também me lembra a resposta de João, o batista, a alguns de seus discípulos e a um judeu, sobre o fato de Jesus também estar batizando (prerrogativa que os tais creditavam somente a João): “É necessário que ele cresça e que eu diminua”, respondeu, conforme João, capítulo 3, versículo 30. Ou seja: no conceito de Deus, na visão do Pai Celeste, só cresce quem diminui.

Este conceito, por sinal, Jesus deixou bem claro inúmeras vezes em que tratou de humildade, em contraposição à arrogância, elevando João – o mesmo que se diminuiu para que Ele crescesse – a um patamar moral e espiritual de dimensão quase inalcançável, conforme Mateus 11, versículo 11: “Em verdade vos digo que, entre os que de mulher têm nascido, não apareceu alguém maior do que João Batista”, ao mesmo tempo em que, no mesmo versículo, arremata: “mas aquele que é o menor no Reino dos céus é maior do que ele”. Paradoxo? Inexplicabilidade? Incongruência? Tortuosidade mental? Claro que não. Na verdade, o que Jesus traduziu para atônitos circunstantes foi um dos mais sublimes enunciados da inteligência divina, pilar da concepção de Deus para a vivência e o testemunho do rebanho pertencente ao seu reino e que se estabelece na estranha equação: para ser grande é preciso ser pequeno.

E qual a melhor escola, qual o melhor ambiente, qual o melhor curso, qual a melhor condição para aprendermos sobre esse (muito estranho e impraticável para a grande maioria) extraordinário conceito: aos pés da cruz. Não para sofrermos as dores indescritíveis que Jesus padeceu; mas para entendermos o que significa, para Deus, ser grande no seu reino. Pois, se atentarmos, vivenciarmos, estudarmos, compartilharmos, nos aprofundarmos o que na cruz se passou, veremos de como Jesus se tornou pequeno (para o mundo de então e, ainda hoje, para empedernidos sabichões), porém enorme, maiúsculo, grandioso, imponente, monumental, gigantesco – majestoso para Deus. Para enxergarmos a real dimensão que Jesus alcançou na cruz (e até mesmo antes dela, nos diálogos com Pilatos), basta depurar sua resposta a Pedro, no Getsêmani, diante dos soldados do Sumo Sacerdote que vieram prendê-lo.

O episódio, narrado em Mateus 26, versículos 52 e 53, todos conhecem. Após recompor a orelha do soldado atacado por Pedro, Jesus volta-se para o discípulo, dizendo: “Mete no seu lugar a tua espada, porque todos os que lançarem mão da espada à espada morrerão. Ou pensas tu que eu não poderia, agora, orar a meu Pai e que ele não me daria mais de doze legiões de anjos?” Ora, uma legião era composta por seis mil soldados. Ao se referir a 12 legiões, Jesus enumerava 72 mil guerreiros celestiais, àquela altura um exército formidável diante do pequeno comando que Pilatos mantinha em Jerusalém. Por alguns instantes, Jesus mostrou todo o seu poder, enquanto – em humildade e estrita obediência a Deus – submetia-se às ordens de pouco mais de uma dúzia de soldados. Começara ali o caminho do Calvário. Local de sofrimento, de morte – porém sem vez, nem espaço, para a soberba e a arrogância.

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De acordo com a origem da humanidade narrada na Bíblia, segundo o livro de Gênesis (Gn. 2.15-17), Deus colocou o homem no jardim do Éden para dele tomar conta e usufruir das benesses daí advindas. Está lá escrito: “E ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore da ciência do bem e do mal, dela não comerás; porque, no dia em que dela comeres, certamente morrerás”. No capítulo 3, versículo 3, também de Gênesis, a localização geográfica da árvore (um item norteador deste artigo), fica bem explícita, conforme diz o texto: “Mas, do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais”. Portanto, a localização da árvore no meio do jardim se constituiria um problema contínuo para o homem, haja vista a proximidade física dela para com ele, em contraposição à proibição.

Pelo texto bíblico, manifestando o desejo de Deus, ali tudo era harmonioso, inofensivo, e de livre acesso ao homem. O problema – aliás, o único problema – estava no meio do ambiente. Ao mesmo tempo em que representava a vitória, a conquista definitiva de um destino pleno de paz e prosperidade, o jardim (com a árvore proibida no seu contexto) ensejava também o enfrentamento permanente do homem com a tentação, com a curiosidade, com o desejo inato humano de desvendar o desconhecido, mesmo quando este desejo é operado no terreno da desobediência. Uma realidade, como se vê, a exigir-lhe um alto grau de renúncia, de obediência, de domínio próprio – ao que tudo indica elementos, àquela altura, ainda não amadurecidos no homem. O desfecho dessa história é por demais conhecido, embora, ainda hoje, cheio de distorções, lendas, sofismas e falsas interpretações.

O que o texto bíblico assegura é que o fruto da árvore, ao ser consumido, abriria ao homem o conhecimento do bem e do mal. O que, lamentavelmente, terminou acontecendo. Nos dias atuais, também temos nosso jardim, representado por tudo aquilo que recebemos de Deus para cuidar – e usufruir. O casamento, a família, a saúde, os sonhos, o conhecimento, a prosperidade nos negócios, os amigos... Conquistas, enfim, que se concretizam em nossas vidas diariamente sem nem ao menos percebermos e que, na maioria das vezes, pouco valorizamos. Entretanto, no meio de tudo, há sempre a necessidade da prática da renúncia, do exercício de contenção de nossos desejos mais caros (muitos dos quais inconfessáveis), como se, à semelhança do Éden, bem no meio das nossas pretensões, tivéssemos também a nossa árvore proibida sinalizando até onde podemos ir – materializando nossos próprios limites.

Desobedecer à orientação de Deus, abrir a cortina do desconhecido, vasculhar espaços antes inacessíveis, constituem atitudes que trouxeram conseqüências extraordinárias na vida do homem. Primeiramente, a responsabilidade de arcar com sua própria sobrevivência. Em segundo lugar, a obrigatoriedade de exercer o livre arbítrio com o conhecimento nítido da existência do bem e do mal, e a consciência de que, na consecução de qualquer iniciativa, estas duas realidades se farão sempre presentes – latentes, acessíveis, praticáveis. O que Deus permitiu ao homem, na essência do episódio, foi a capacidade de conviver no jardim tendo, no seu interior, condições de resistir e refrear a própria sofreguidão quando o que pretende alcançar transpõe o limite do ético, do moral, do legítimo, do recomendável. Resumo: o homem, o jardim, a árvore, o fruto do bem e do mal. Você é livre. Qual a sua escolha?

A guerra fria legou ao mundo, entre tantas desgraças, o Muro de Berlim. Anteriormente, Mao Tse Tung já dera sua contribuição ao tema ao erguer a Muralha da China. Tanto um como outro são símbolos físicos, palpáveis, do desejo do homem de separar, segundo loucas ideologias, determinados agrupamentos humanos dos demais. É também uma forma de se elitizar, de se diferenciar em relação a outros, em função do estabelecimento de doutrinas as mais diversas, de cunho ideológico, social, cultural, político, esportivo, religioso, militar, econômico... É ainda, e principalmente, uma forma de aprisionar pessoas segundo conveniências as mais variadas. São notórios os casos recentes da Coréia do Norte e de Cuba, e da antiga União Soviética, todos à esquerda do espectro político, países onde o ir e vir das pessoas era e é dificultado a todo momento, conforme apontem as idiossincrasias de seus dirigentes.

A direita também não ficou atrás e tratou de erigir seus muros, muitos dos quais, se não em formato físico, também contribuíram para o estabelecimento dos guetos mais diversos. Aliás, basta consultar a História para se ter conhecimento dos muros físicos e não físicos que o homem construiu para se separar de outros, ou para aprisionar populações inteiras – segundos seus interesses. Na China, das dinastias imperiais, a Cidade Proibida é um exemplo clássico de elitização e domínio de uma classe em relação às demais; na Grécia e na Roma antigas, as castas também serviram de muro para separar os nobres de escravos e plebeus; a Índia é famosa ainda hoje pelo sem número de castas que servem de muro no contexto geográfico e populacional do país. Enfim, até onde o olhar do passado e do presente alcançam, o homem teve em muros e separações de toda ordem uma forte marca do seu mover na História. 

Também pode ser incluído nesse tema a utilização, como muro, do aparato econômico para separar pessoas, embora, de certa forma, isso possa ser visto como incentivo às pessoas para a conquista de espaços maiores no ambiente social que habitam (o tal do “subir na vida” que nossos pais tanto bradavam). Mas, e os muros do Brasil? Como país diferente dos demais, ou melhor, mais criativo que os demais, o Brasil tinha que arrasar nesse quesito. Aqui, além dos formatos de muro conhecidos em outros quadrantes, a corrupção se estabeleceu com um forte baluarte da separação entre as pessoas. Outro muro a vicejar em solo verde e amarelo, além da corrupção, é o da impunidade. No Brasil, legislação, costumes, hábitos, canalhices, sem-vergonhices e que tais se transformaram em verdadeiros muros a beneficiar pilantras, ladrões de colarinho branco, políticos, autoridades, funcionários públicos, magistrados...   

           Como exemplo de muro, de fenômeno a distinguir pessoas, a corrupção brasileira, principalmente em Brasília, chegou a tal ponto que saiu do terreno do palpável, do real – e achegou-se à ficção. Ora, em um país onde o trabalhador conta centavos para chegar ao fim do mês, como explicar um funcionário de quarto escalão da Petrobras ter em banco estratosféricos 100 milhões de dólares! Uau! Isso, sim, é que é muro! E o que se vê mais em Brasília? Integrantes do establishment local vivendo como nababos, padrão de vida incompatível com os salários declarados – surrupiando, para tanto, recursos da merenda de estudantes humildes, dos remédios dos idosos, de postos de saúde, estradas, portos... Note-se que, de toda a roubalheira divulgada, a Petrobras atingiu um nível ainda mais superior – pelos volumes registrados. Alguém da empresa na cadeia? Não. Não é Brasília cidade de portentosos muros?

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Temos lido e ouvido muitas besteiras atualmente. Uma delas expõe ocupantes de cargos públicos a uma classificação entre técnicos e políticos. Por esse raciocínio, o agente público só pode ser ou uma coisa ou outra. Para mim, além de pobre, esse conceito é um desrespeito à capacidade intelectual dos homens públicos. Fico também perplexo como uma mera análise feita por certos “expert’s” a respeito do desempenho, da aptidão do homem público de administrar segundo um modo duro, retilíneo, científico ou maleável, flexível, termina como obra acabada, irrespondível. Cataloga-se um (o técnico), como insensível, capaz de cometer verdadeiras aberrações contra o social, enquanto o outro é bonachão, tem experiência no contato com o povo ou é irresponsável demais no gastar para atender os reclamos dos mais necessitados.

O primeiro administra seguindo uma rígida linha orçamentária, enquanto o segundo tem uma capacidade maior de improvisação, de “jogo de cintura” para cometer deslizes que justifiquem a defesa do social. Isso tudo é uma arrematada tolice. Aliás, no mundo político, tem coisas distorcidas colocadas como retas, assuntos discutíveis postos como incontestáveis – e grandes besteiras aceitas como fato consumado. Essa história de ocupante de cargo público ser técnico ou político é uma delas. Primeiramente, porque conhecemos muitos homens de grande conhecimento técnico se havendo muito bem como políticos, enquanto grandes políticos se transformaram em verdadeiras enciclopédias de conhecimentos técnicos, dignos, portanto, de causar inveja tanto a uns quanto a outros.

O interessante é ter de se assistir, diante dessa realidade de coisa imposta, o clamor, o brado, a exigência de boa parcela da mídia, de correligionários, de gente com interesses contrariados, pressionando o administrador público a fazer mudanças urgentes em sua equipe, “pois o ministério (ou o secretariado) está excessivamente técnico ou excessivamente político”. Desconhece-se, assim, a capacidade de adaptação desses profissionais, muitos deles experientes, lastreados, perfeitamente capacitados a exercer cargo público e a se amoldar a circunstâncias adversas. Dessa maneira, pessoas sérias, bem intencionadas são dadas como duronas, insensíveis, enquanto políticos com boa carga de conhecimentos são tidos como irresponsáveis a sangrar o orçamento público.

Na verdade existem outros interesses por trás disso tudo. E nesse afã, nessa ânsia de levar vantagem, pessoas são envolvidas e manipuladas para que, através da veiculação de conceitos enganosos, grupos e blocos políticos possam concretizar desejos às vezes escusos, que nem podem ser publicamente expostos. Quando um profissional é catalogado como técnico é porque maquinações outras querem expô-lo publicamente dessa forma, com o intuito de enfraquecê-lo e cuspi-lo do poder. Para que? Para abrir o cofre e promover ações lastreadas por verbas que, com toda certeza, vão beneficiar o bolso de alguém. Da mesma forma, quando se exige um técnico para um cargo, em detrimento de um político, é com o desejo de fechar a torneira que está forrando o bolso de um concorrente.

O que o povo quer? O que o povo deseja? Ponha-se isso na máquina de pesquisa, planejamento e execução do governo que a resposta será diferente. Entretanto, anos, décadas e séculos se passam e os nossos governantes estão sempre na contramão das aspirações do povo. O que se quer, na verdade, são pessoas que não se desgarrem do “modus operandi” das ruas, das fábricas, das casas mais humildes, dos bairros mais pobres, dos rincões mais distantes. Agentes públicos que não percam o contato com o pedido de socorro dos violentados, dos desempregados, dos desdentados, dos que não têm mais a quem apelar. Ficar apontando se este ou aquele é técnico ou político é uma questão de somenos importância, além de deixar o debate num plano muito superficial. Ser humano, ter sentimentos, sofrer, chorar, se contaminar, se contagiar com as dores dos mais humildes – eis a questão. Vamos mudar de conceito?

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Pesquisas mais recentes sobre o funcionamento da mente humana, sobre os elementos que regem a formação da inteligência e suas várias formas de manifestação, demonstram não haver, necessariamente, nenhuma relação entre a inteligência e a moral. Os estudos, da mesma forma, concluem pela inexistência de conexão entre a inteligência e a ética, como também entre ela e o caráter. Nesse território ainda pouco vasculhado da mente, a conclusão a que se chega, lamentavelmente, é que o personagem de uma história, para ser inteligente, não terá, obrigatoriamente, de agir em sua comunidade como pessoa de moral, de caráter, de boa índole. Por tais estudos, a inteligência está desatrelada dos demais elementos que constituem a base do comportamento humano, para planar, como águia, acima dos valores e escolher o rumo indicado pela individualidade e pelo livre arbítrio.

Tais considerações são pertinentes pelo momento de verdadeira inversão de valores que se observa, praticados na vida das pessoas, independente do segmento social que se venha a analisar. Maliciosos, antiéticos e imorais são visíveis em todos os quadrantes a olho nu, sem a necessidade, para descobri-los, de sofisticados instrumentos de medição científica. De todo modo, a conclusão dos estudiosos vem a calhar, pois passa a estabelecer uma rigorosa conexão científica entre o resultado dos trabalhos acadêmicos e a realidade que se vive no dia a dia contemporâneo. E no que isso tudo resulta? Que conclusões, do ponto de vista prático, podemos tirar de tais observações? É que, se antes o homem, em sua grande maioria, agregava à inteligência fortes conceitos carregados de moral e de ética, atualmente posiciona-se numa direção contrária, separando-a e cultivando-a para a prática de delitos de toda ordem.

Se agora está explicado, cientificamente, que a inteligência corre por fora, desligada do caráter, da moral, da ética, nos trejeitos que articula diante dos embates diários da vida, está justificada, então, a onda de safadezas e malandragens que abarrota o noticiário e enche de vergonha, entre outros, os espaços mais nobres da rotina nacional. É corriqueiro, pois, notar-se o uso que se faz da inteligência a serviço dos valores mais mesquinhos, para, como isso, glorificar-se a máxima de que o negócio é levar vantagem – em tudo. Rigor exagerado no que afirmo? Gostaria demais que assim fosse. Gostaria, inclusive, de serem totalmente erradas as observações que faço em torno deste assunto e de outros que compõem o cotidiano humano. Entretanto, não se tapa o sol com a peneira. E o que fica em nós, inexoravelmente, diante da realidade que rola, é o gosto amargo da decepção, da impotência, do desengano.

E o caráter como é que fica? Pra que direção se inclina, afinal? Segundo o dicionário, o caráter é o conjunto de traços psicológicos, o modo de ser, de sentir e de agir do indivíduo. Já a inteligência é a capacidade de fazê-lo perspicaz, de fazê-lo aprender com rapidez, de adaptá-lo a situações adversas. Enfim, de resolver pepinos e propor soluções. Daí, logo se vê que a inteligência trava uma luta renhida entre devotar-se a causas nobres, tendo no caráter um bom parceiro, ou amoldar-se de vez às exigências que afloram no contexto da tão apregoada modernidade. Para o caráter manter-se atrelado a princípios morais e éticos, com a inteligência se lambendo por vantagens imorais, não é tarefa fácil. Das duas uma: ou ele vence-a, subjuga-a – para permanecerem ambos num elevado padrão ético –- ou também embarca na gandaia. Pois, como justificam – com cinismo – os tais inteligentes, resistir, quem há de?

Públio José – jornalista Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Certas imagens – embora aparentemente sem importância – deveriam marcar a paisagem profundamente. Mas não conseguem. A rotina diária, impregnada de violência acontecente a todo momento, faz com que certos fatos ocorram e sumam na poeira do tempo sem deixar rastro, sem nenhum registro. Esse contexto, por sinal, se insere na luta da grande mídia em selecionar o que acontece nos mais variados recantos para trazê-lo à presença do expectador. E, apesar das modernas tecnologias à sua disposição, e do batalhão de profissionais que emprega, inúmeros episódios fogem ao foco da grande mídia. Frise-se, porém, que tais fatos, embora não sofrendo registro, permanecem importantes, impactantes, e cumprem o papel de expressar, de expor, para quem os presencia, o modus vivendi das gerações de hoje. Em suma, coisas acontecem, muitos não tomam conhecimento – mas elas estão aí. Acontecem.

Essa introdução serve para trazer à tona o registro de um fato e de como ele expressa o paradoxo de fazermos parte de uma nação dita civilizada e que, ao mesmo tempo, produz episódios de pura selvageria, coisa de deixar de queixo caído bárbaros de épocas pré-históricas. Para demonstrar essa realidade, não precisamos nem nos apegar à espantosa roubalheira que toma conta dos altos escalões da administração pública em todas as instâncias. Basta, apenas, nos fixarmos no futebol. Por sinal, em termos de imagem impactante, o futebol é cenário farto e rico. E é uma imagem de um jogo de futebol – ou melhor, de seu final, que nos deixa a refletir sobre o impacto que certas cenas deveriam causar e como somem na fumaça da rotina e do anonimato. E, afinal, o que se viu? Teve tiros, mortes, cenas em delegacias de polícia ou em emergências de hospital? Não. Foi pacífico, então, o que se viu? Foi.

Então, onde está a estupefação, o queixo caído, os olhos arregalados? Era fim de um jogo entre os times do ABC e do América, noite de uma quarta-feira qualquer. De fora do estádio, dava para se ver o cortejo de torcedores americanos em direção ao estacionamento e às paradas de ônibus. E aí, o que chamou a atenção? Só havia ali, naquele momento, torcedores de um time só. E os da outra agremiação, do ABC, onde estavam? Enjaulados. Enjaulados? Isso mesmo. De fora do estádio, via-se o frenesi dos que tratavam de ir pra casa, enquanto a outra torcida permanecia trancafiada no interior do estádio. Alguns agarravam-se às grades dos portões, como querendo apressar a saída, dando a nítida impressão, a quem olhava de fora, de que algo de grave acontecera e que fora necessária a retenção de alguns para o restabelecimento e a manutenção da ordem. Engano. Nada de grave acontecera.

Explicação: aqueles torcedores não estavam presos, retidos. Porém, a polícia e os administradores do estádio não se arriscavam a permitir que as duas torcidas saíssem ao mesmo tempo. Elas não poderiam se encontrar. Uau! Seria, digamos, uma medida de prevenção. Certamente, baseada em fato anterior que levou as autoridades a adotar a cautela. Que cena! Ali, presos – à espera de que os outros torcedores tomassem seus destinos – estariam homens simples do povo, mas também, e com certeza, magistrados, políticos, altos funcionários públicos, jornalistas, médicos, advogados, professores, empresários... Gente de poder, responsável, em grade parte, pelos destinos da cidade. Estranha civilização essa em que tais pessoas, em função de uma paixão, se veem na condição de bárbaros, de incivilizados, de irracionais – por não poderem conviver com outros que nutrem paixão diferente. Enjaulados. Uau...



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