Públio José – jornalista

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Por menor que seja o conhecimento bíblico das pessoas, muitas sabem que Jesus nasceu em Belém, na Judéia, e que depois se transferiu para a Galiléia. Por qual motivo? Qual a explicação para a mudança? Mistério... O termo galiléia vem do hebraico, galil, que significa círculo, anel. Assim, trazendo o termo para o sentido geográfico, galil envolve uma circunscrição, uma região, um distrito. De origem antiqüíssima, o termo sofreu transformações através dos tempos, até se fixar como designativo do nativo daquele espaço geográfico. Desde longo tempo, a Galiléia, juntamente com a Judéia e Samaria, passou a integrar o território da Palestina. Das três, a Galiléia era a mais pobre, a mais atrasada e a que mais se distanciou, ao longo da história, dos preceitos religiosos que caracterizaram mais fortemente as outras duas províncias, e que redundaram no surgimento do judaísmo – a fé no Deus único.

Desde suas origens, por um capricho geográfico, a Galiléia se viu espremida entre as maiores potências da região, fazendo fronteira com a Assíria e a Babilônia. Por conta de tal vizinhança, foi invadida, dominada e explorada inúmeras vezes, com seu povo sendo escravizado por longos períodos. Daí o seu atraso intelectual, material e religioso em relação à Judéia e Samaria, motivo de preconceito, afastamento e desprezo dos outros dois povos em relação aos galileus, apesar das origens comuns. Aliás, o preconceito da parte dos outros dois povos aos galileus era tão grande que eles não eram considerados do “tronco de Davi”, sendo-lhes negado também o cumprimento amistoso, o parentesco com o Messias (que ainda viria), casamentos e transações comerciais que os envolvessem. Dita com arrogância e soberba, a frase “pode sair algo de bom da Galiléia?” resumia todo o preconceito.

É aí que entra Jesus Cristo na história da Galiléia. Embora nascido em Belém, também conhecida por Belém de Judá, povoado situado a oito quilômetros de Jerusalém, Jesus estabeleceu-se logo cedo em solo galileu, fazendo, nos seus trinta e três anos de vida, um sintomático itinerário: nasceu em Belém (que significa “casa do pão”); foi criado em Nazaré (que significa “renovo”, “ramo novo”); fixou sua base de operações em Cafarnaum (que significa “compassivo”, “misericordioso”), e terminou seus dias em Jerusalém (que significa “lugar de paz”). É importante se ressaltar que o período mais importante e frutífero de sua obra, durante três breves anos, transcorreu quase sempre em terras da Galiléia. Como (em linguagem popular) para bom entendedor, meia palavra basta, no caso de Jesus, mesmo que não tivesse dito uma só palavra, só o percurso que percorreu já soaria como um recado claríssimo.

Senão, vejamos. Jesus nasceu em Belém, cujo significado expressa “casa do pão”; não foi à toa, então, que Ele disse “eu sou o pão da vida”. Jesus foi criado em Nazaré, cujo significado (“renovo”, “ramo novo”), retrata sua pessoa como a proposta renovada de Deus para a salvação dos homens; também não foi à toa que disse: “eu sou a videira verdadeira”. Jesus estabeleceu seu ministério em Cafarnaum, que significa “compassivo, misericordioso”, termos que marcaram fortemente a essência do seu ministério; igualmente, não foi à toa que disse “misericórdia quero e não sacrifício”. Jesus, crucificado, encerrou seus dias em Jerusalém (“lugar de paz”), gesto que traduz com fidelidade seu desejo para que a paz prevaleça entre os homens; por isso não foi à toa que falou “eu vos dou a minha paz”. Dádiva, aliás, de difícil aplicação em razão de exceder o entendimento humano. “Amai-vos uns aos outros...”