NATAL PRESS

Nessa vidinha de pouquíssimas perspectivas, o futebol, as peladas, os rachas, eram acontecimentos centrais em nossas existências. Mas tinha um problema: o dono da bola. Vivíamos sempre na dependência de um deles. E o que era pior: não jogava bulhufas. Normalmente era um filhinho de papai, presunçoso, arrogante, que tinha de maneira farta o que faltava abundantemente em nós: dinheiro. Com ele, o filhinho tinha acesso àquilo que era tão caro a nós: à bola – a tão cobiçada bola. Essa primazia era um tremendo entrave às nossas pretensões ao estrelato futebolístico. Para jogar era necessário convencer o dono da bola. E nem sempre suas pretensões combinavam com as nossas. Para ele ceder a bola chegava até a fazer propostas totalmente fora do nosso alcance. Exigia, por exemplo, ser o goleiro do time. Aí – como o gajo não jogava nada – nossa derrota já estava escrita até nas estrelas.

Outros queriam a posição de centro-avante. Era outro problemão. Com ele dificilmente nosso time poderia marcar gols. No mínimo sua escalação complicava o nosso desempenho em campo. Em suma, ou na defesa ou no meio de campo ou no ataque, o dono da bola era sempre “persona non grata” pelo pouquíssimo futebol que apresentava. Mas era sempre o dono da situação em razão de ter nas mãos a bola que tanto precisávamos. Parada duríssima. Como ao dono da bola, rigorosamente falando, parecia está vedado o sucesso no terreno futebolístico, pelas poucas qualidades técnicas que possuía, só lhe restava, então, fazer com que o aprendizado dos demais se tornasse um objetivo mais duro de conseguir, mais difícil de buscar – mais suado, enfim. O interessante é que olho para a vida atualmente e enxergo nela a repetição do mesmo fenômeno: os donos da bola estão em todo canto.

São pessoas, em sua grande maioria, insensíveis, despossuídas de respeito pelos outros, porém detentoras de extensas parcelas de poder, ocupantes de cargos de importância vital na vida de largas parcelas da população. Vejo hoje ainda – da mesma forma que mendigávamos a cessão da bola para usufruir um pouco de lazer e atinar para um futuro melhor naquela distante Natal dos anos cinqüenta – a grande maioria da população à espera de uma chance, de uma oportunidade para alcançar um horizonte mais digno para viver. Há exceções, graças a Deus. Mas ainda há um grande número de donos da bola atrapalhando, atravancando, obstruindo o direito das pessoas de crescerem, de progredirem, de seguirem em frente, de conquistarem o alcance de sonhos e ambições. Pessoas desejosas de se livrarem da pobreza, da miséria, da ignorância. Carentes, portanto, de libertação.

Os donos da bola estão aí. Em posição de passarem a bola para outros, porém interiorizando uma alta taxa de egoísmo e individualismo. Com isso, impedindo o próximo de disputar em melhores condições o campeonato da vida. Falando nisso, lembra-se quando Jesus celebrou a última ceia? E a ênfase toda especial que deu ao partir do pão? Ali, Jesus nos exortava a repartir também o que temos de melhor. A colocarmos à disposição do próximo todo o acervo que conquistamos ao longo da vida. O talento, a alegria, a inteligência, a capacidade de fazer os outros chegarem aonde não chegariam sozinhos. Em linguagem de futebol distribuir o jogo. Na ótica de Jesus: repartir, dividir, doar. Tem gente esperando o cruzamento da bola para fazer gols, muitos gols. O que você está esperando? Imagine você na ponta. Sozinho, desmarcado. Para cruzar a bola basta se dispor. Se cruzar é gol. Vamos lá? Cruzou. É gol, gol, gol. Goooooooooool……… Já imaginou se é gol de placa?

Estou passando um temporada em Miami e já deu pra vivenciar algumas diferenças entre as coisas do Brasil e as que ocorrem por aqui. Faço essa análise sem entrar na seara da corrupção, matéria na qual o Brasil é campeão em dimensões planetárias. Prefiro focar em questões que envolvem a infraestrutura. Item, por sinal, no qual o Brasil se iguala a nações de quinto mundo. Todos sabem – com exceção do período militar, quando se deu grande ênfase a hidrelétricas, rodovias, portos, eroportos e que tais – que o país tem sido negligente nesse assunto. Em infraestrutura, o Brasil é um país envelhecido, ultrapassado, pobre de soluções que venham dotá-lo, inclusive, de condições de competir no mercado internacional. Já é manjado mundo a fora o tal do “custo Brasil”: a soma da altíssima taxa tributária com a escandalosa ineficiência da sua infraestrutura. E, nesse contexto, o trem reina soberano.

Nos Estados Unidos o trem é um assunto tão sério que se confunde com a história da criação do país como nação. A primeira locomotiva americana correu pelos trilhos em 1827, ligando as cidades de Baltimore e Ellicott’s Mills, hoje Ellicott City, enquanto o Estado de Massachusetts foi o pioneiro em incluir a questão no planejamento estadual, criando seu Plano de Rede Ferroviária, em 1829. Já a invenção do trem é atribuida ao inglês Richard Trevithick em 1804. Interessante é que o Brasil faz parte do bloco de paises pioneiros no tema, ao implantar suas ferrovias em meados do século XIX, ainda no tempo do Império. Somente pela metade do século XX é que veio à tona a priorização da rodovia em detrimento da ferrovia, cultura estatal que vem até os dias de hoje. Atualmente, não se tem, no Brasil, nenhuma iniciativa de governos, ou da iniciativa privada, que coloque o trem em lugar de destaque.

Para se ter uma ideia para onde esse desprezo ferroviário levou o Brasil – agravado pelo fato de suas dimensões continentais – dados já de 2018 colocam o país em situação humilhante em termos internacionais. A maior malha ferroviária do mundo é a dos Estados Unidos, com quase 300 mil quilômetros de extensão, seguida da chinesa com extensão em torno de 125 mil quilômetros. O Brasil atualmente dispõe de apenas 30 mil quilômetros de trilhos, algo próximo de 10% da malha americana e cerca de 25% da chinesa. Voltemos a Miami. Perto de onde estou morando passa uma linha de trem. Em algumas ocasiões, fico parado no trânsito por conta da passagem do trem. Trânsito travado, com extensa fila de veículos à espera da passagem “do monstro de ferro”. São vagões, vagões e mais vagões. O morador local se irrita, enquanto em mim nasce um forte sentimento de inveja. Sim, uma baita de uma inveja…

Sem contar o porte imponente, mastodôntico, aquele trem espalha no ar, além do seu resfolegar, um apito forte, grave, solene que fere minha alma brasileira. Comparando com a situação do trem brasileiro, é como se do Brasil viesse um gemido, um ranger de dor, em contraste com o portento americano. E o pior é que nenhuma de nossas lideranças dão prioridade ao assunto, embora o Brasil viva agora um efervescente período eleitoral. E não falo em lideranças apenas políticas. Refiro-me também às empresariais, sindicais, de ONG’s, gente de alto coturno no comércio, na indústria, na área de serviços… Com influência, portanto, para puxar o debate sobre o tema. Pois todo país desenvolvido – e hoje até os do quinto mundo – possui uma moderna e eficaz malha ferroviária. Só o Brasil relega o trem às calendas. Talvez seja excesso de inteligência. A tal que ninguém alcança. Ah, Brasil… Piuí, piuí, piuí, piuí…

Públio José – Jornalista

Nos meus tempos de menino buchudo eu sonhava em ser jogador de futebol. E cheguei até a um certo destaque, atuando nos campos de pelada que existiam nas proximidades de onde morava. Eram campos desconfortáveis, às vezes arenosos demais, outros duros em demasia, descuidados em sua quase totalidade, porém encantadores aos nossos olhos de futuros craques. Nestes campos de pelada eu e demais companheiros desfilávamos os nossos dias de infância e de pré-adolescência. Éramos guris envolvidos por uma realidade impregnada de pobreza, vivendo a Natal dos anos cinqüenta, uma bucólica cidadela modorrando uma letargia gostosa, espreguiçando seu charme provinciano entre o rio e o mar. A Redinha era o templo de veraneio da elite de então, Ponta Negra apenas despontava e Pirangi era um lugar distante do nosso dia a dia – algo quase inacessível.

Nessa vidinha de pouquíssimas perspectivas, o futebol, as peladas, os rachas, eram acontecimentos centrais em nossas existências. Mas tinha um problema: o dono da bola. Vivíamos sempre na dependência de um deles. E o que era pior: não jogava bulhufas. Normalmente era um filhinho de papai, presunçoso, arrogante, que tinha de maneira farta o que faltava abundantemente em nós: dinheiro. Com ele, o filhinho tinha acesso àquilo que era tão caro a nós: à bola – a tão cobiçada bola. Essa primazia era um tremendo entrave às nossas pretensões ao estrelato futebolístico. Para jogar era necessário convencer o dono da bola. E nem sempre suas pretensões combinavam com as nossas. Para ele ceder a bola chegava até a fazer propostas totalmente fora do nosso alcance. Exigia, por exemplo, ser o goleiro do time. Aí – como o gajo não jogava nada – nossa derrota já estava escrita até nas estrelas.

Outros queriam a posição de centro-avante. Era outro problemão. Com ele dificilmente nosso time poderia marcar gols. No mínimo sua escalação complicava o nosso desempenho em campo. Em suma, ou na defesa ou no meio de campo ou no ataque, o dono da bola era sempre “persona non grata” pelo pouquíssimo futebol que apresentava. Mas era sempre o dono da situação em razão de ter nas mãos a bola que tanto precisávamos. Parada duríssima. Como ao dono da bola, rigorosamente falando, parecia está vedado o sucesso no terreno futebolístico, pelas poucas qualidades técnicas que possuía, só lhe restava, então, fazer com que o aprendizado dos demais se tornasse um objetivo mais duro de conseguir, mais difícil de buscar – mais suado, enfim. O interessante é que olho para a vida atualmente e enxergo nela a repetição do mesmo fenômeno: os donos da bola estão em todo canto.

São pessoas, em sua grande maioria, insensíveis, despossuídas de respeito pelos outros, porém detentoras de extensas parcelas de poder, ocupantes de cargos de importância vital na vida de largas parcelas da população. Vejo hoje ainda – da mesma forma que mendigávamos a cessão da bola para usufruir um pouco de lazer e atinar para um futuro melhor naquela distante Natal dos anos cinqüenta – a grande maioria da população à espera de uma chance, de uma oportunidade para alcançar um horizonte mais digno para viver. Há exceções, graças a Deus. Mas ainda há um grande número de donos da bola atrapalhando, atravancando, obstruindo o direito das pessoas de crescerem, de progredirem, de seguirem em frente, de conquistarem o alcance de sonhos e ambições. Pessoas desejosas de se livrarem da pobreza, da miséria, da ignorância. Carentes, portanto, de libertação.

Os donos da bola estão aí. Em posição de passarem a bola para outros, porém interiorizando uma alta taxa de egoísmo e individualismo. Com isso, impedindo o próximo de disputar em melhores condições o campeonato da vida. Falando nisso, lembra-se quando Jesus celebrou a última ceia? E a ênfase toda especial que deu ao partir do pão? Ali, Jesus nos exortava a repartir também o que temos de melhor. A colocarmos à disposição do próximo todo o acervo que conquistamos ao longo da vida. O talento, a alegria, a inteligência, a capacidade de fazer os outros chegarem aonde não chegariam sozinhos. Em linguagem de futebol distribuir o jogo. Na ótica de Jesus: repartir, dividir, doar. Tem gente esperando o cruzamento da bola para fazer gols, muitos gols. O que você está esperando? Imagine você na ponta. Sozinho, desmarcado. Para cruzar a bola basta se dispor. Se cruzar é gol. Vamos lá? Cruzou. É gol, gol, gol. Goooooooooool……… Já imaginou se é gol de placa?

 

*Jornalista

Os países em geral, e o Brasil em particular, têm enfrentado verdadeiros terremotos em seus sistemas políticos por conta da corrução. Qual célula cancerosa infectando o corpo humano, a corrução se insere no contexto da administração pública, tornando-se praticamente impossível, a cada dia que passa, o combate à sua manifestação e às conseqüências dos seus atos. A imprensa tem denunciado o surgimento de focos de corrução, por menores que sejam, vivendo seu papel de guardiã do processo democrático. Mesmo assim, episódios dolorosos e de magnitude variada têm se repetido com freqüência cada vez maior na vida das nações, envolvendo, de roldão, governos, partidos políticos e até empresas privadas. O resultado? Renúncias, demissões, desonra – e morte até, conseqüências extremamente prejudiciais ao funcionamento das instituições.

Em todo esse processo tem ficado bem patente, bem visível, a pessoa do corruto. Do político, do alto funcionário público, principalmente dos que administram polpudos orçamentos, ou dos que estão posicionados bem no centro das grandes decisões. O corruto, aquele que aparece em primeiro plano quando a denúncia explode, vai para as primeiras páginas dos jornais, para o horário nobre dos grandes noticiários de tv, para as páginas centrais das grandes revistas, quando, na verdade, ele se constitui tão somente a ponta do iceberg, o porta-estrandarte de um grande esquema. Ou você imagina que um porta-estandarte sairia sozinho na avenida para defender as cores de sua escola? A investigação deveria ir mais além, ao cerne da questão. Mas não vai. Fica na periferia, na instância do jogo miúdo, no universo dos jogadores de pequeno porte. Dificilmente chega ao epicentro, ao coração do sistema – ao corrutor.

Interessante é observar, também, a sanha e a ira dos que acusam o corruto. Meses e meses ele é execrado, apontado, perseguido, acusado muitas vezes até pelo que não praticou. Enquanto isso, lendas, mitos, distorções vão se agregando à investigação do processo, criando, com o passar do tempo, dificuldades cada vez maiores para se chegar aonde todo mundo quer chegar: ao corrutor – aquele que deu início a tudo. Ou como se pode imaginar um funcionário subalterno intermediando negócios que envolvem milhões e milhões de dólares sem ter, atrás de si, a segurança e a garantia de que o proposto será fielmente cumprido? E também como receber alguém em uma negociação não estando seguro do poder que essa pessoa representa? Você negocia com quem não está autorizado para tanto?

Ah, o corrutor! Vive nas sombras, plantando, insinuando, se inserindo, doutrinando – e manchando todo lugar com a planta de seus pés. O tempo passa, os processos se avolumam, os corrutos aparecem e desaparecem no noticiário, o país segue seu caminho, mas o corrutor continua lá, impassível, invisível, empoleirado no poder, acobertado pelas circunstâncias. Seu objetivo é ganhar dinheiro – sempre. Para tanto, envolve pessoas, mente, distorce, adultera. Desvia a merenda de crianças pobres, os remédios dos idosos carentes e o leite de populações indefesas. De quebra, joga o país na rua da amargura e as instituições num redemoinho sem fim. Pensando bem, quem é tal figura? Um mero sabichão? Um fruto degenerado da natureza humana? Ou uma disfunção do organismo político? É difícil a conclusão. Do corrutor, lamentavelmente, não se sabe quase nada. Somente as conseqüências daninhas da sua “lucrativa” atividade.

Públio José - Jornalista
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Os consultores, os entendidos em marketing, em processos industriais, os profissionais de venda, todos, enfim, envolvidos com a produção e a comercialização de produtos e serviços sabem que a qualidade é fundamental. Parafraseando Vinicius de Morais – que em certa ocasião falou “que me desculpem as feias, mas beleza é fundamental” – eu chego a afirmar: que me desculpem os produtos que não têm qualidade, mas qualidade é fundamental. Em tudo. Nas embalagens, na apresentação, no marketing, na assistência técnica e, principalmente agora, no que concerne à responsabilidade social e ao respeito ao meio ambiente. Todos esses passos têm que ser dados com qualidade. Chego até a ir mais além. Nos relacionamentos, no trabalho, em família, no que você produz, na palavra empenhada, no estilo de vida, a qualidade também se faz necessária, inclusive com o mesmo rigor da praticada no mundo dos negócios.

Alguém certamente irá pensar ser absolutamente óbvio o que estou dizendo. Entretanto, apesar da qualidade ser um princípio lógico, óbvio até demais, sua execução e sua prática deixam muito a desejar. Vejamos, por exemplo, os homens públicos. Quando agem movidos por estímulos ligados à corrução, estão agindo, com certeza, fora do princípio da qualidade. Pois a qualidade, no tocante ao desempenho de um homem público, significa, entre outros procedimentos, a prática constante da honestidade no manuseio do dinheiro alheio e a resistência a todo tipo de tentação que o induza a meter a mão naquilo que não é seu. Como se vê, o homem público também tem seu desempenho analisado sob a ótica da qualidade no que faz e no que produz, obrigação, aliás, a que todos eles estão sujeitos quando se dispõem a trabalhar em cargo público ou quando submetem seu nome, numa eleição, ao julgamento do eleitorado.

Do mesmo modo, o funcionário público, estando ali para servir, por isso mesmo chamado, apropriadamente, de servidor, também deve se submeter ao princípio da qualidade no serviço que presta à população. Entretanto, na realidade, o que se vê por esse Brasil afora? Tanto no que diz respeito ao comportamento dos homens públicos, como ao dos servidores estatais? No caso dos primeiros, um desprezo quase total às pessoas de quem mereceu o voto (afinal, uma procuração baseada na confiança), e, no caso dos segundos, uma má vontade no atendimento ao público de causar arrepios, aliada a um despreparo funcional gritante – com honrosas exceções, graças a Deus. Para essas pessoas, afinal, o que significa o princípio da qualidade? O que representa para elas estarem numa posição propícia à prática do bem comum e ao encaminhamento de soluções para problemas que afligem milhares e milhares de pessoas?

Pensando bem, a essas pessoas faltam, na verdade, o crédito e a prática do amor e da misericórdia. Aliás, os mesmos sentimentos, os mesmos princípios para os quais Jesus Cristo tanto se sacrificou para que deles tomássemos conhecimento. Falando em Jesus, a respeito do princípio da qualidade, ele nos dá uma grande lição na célebre passagem das bodas de Caná, conforme está escrito no livro de João, capítulo 2, versículo 1 ao 11. Trata-se da transformação, ocorrida em um casamento, da água em vinho. Na efervescência da festa, o vinho acabou, fato gerador de um desconforto enorme ao responsável pelas bodas. Procurado, Jesus salva a situação, transformando água em vinho. Entretanto, há que se ressaltar, no episódio, o compromisso de Jesus com a qualidade, com o rigor do produto a ser oferecido. Havia um profissional contratado para organizar a festa, que aprovou entusiasmado a qualidade do vinho que antes fora água.

Seu comentário de que “todos costumam pôr primeiro o bom vinho e, quando já beberam fartamente, servem o inferior”, marca, profundamente, a diferença do conceito de qualidade para Jesus (“tu, porém guardaste o bom vinho até agora”) e o mesmo conceito na visão dos homens. Pois o noivo, mesmo tendo na festa pessoas importantes na sua escala de interesses, ainda tentou iludi-las com vinho de boa qualidade no início, para, posteriormente, enganá-las com uma bebida de qualidade inferior. Infelizmente, esse é o típico comportamento humano. Que cumula de gentilezas as pessoas segundo o retorno que delas terão, passando a tratá-las de forma diferente quando for incerto o retorno da vantagem. Essa não é postura de qualidade. O princípio da qualidade, segundo Jesus, deve ser exercitado antes, durante e depois de qualquer relacionamento. Até para aquele que você julga não ser merecedor de um gesto seu – de qualidade.

Públio José – jornalista

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Na vida do apóstolo Pedro inúmeras passagens relatam sua rica convivência com Jesus. Entretanto, uma das mais significativas diz respeito ao início da caminhada do apóstolo com Jesus. Jesus chegara à praia e estava sem condição de falar à multidão porque “esta o apertava”. Olhando de um lado para outro, Ele divisou o barco de Pedro, naquelas circunstâncias a tribuna ideal, o púlpito perfeito. O texto bíblico não relata, mas Jesus deve ter pedido licença, permissão a Pedro para utilizar o seu barco como palanque. Naquele momento o espaço que pertencia a Pedro – o seu barco – era um elemento importantíssimo para o discurso que Jesus pretendia proferir. Pedro era tido como uma figura explosiva, sanguínea, e era de se esperar, pelo seu agir natural, que ele negasse a Jesus o seu espaço. Além do mais porque acabara de chegar de uma pescaria – pescaria, por sinal, totalmente infrutífera.

A lógica, portanto, indicaria uma recusa total de Pedro às pretensões do Mestre. A história nos informa que o futuro apóstolo estava passando por momentos empresariais dificílimos. Pedro devia impostos a Roma e o faturamento advindo da pesca, naquele tempo ainda feita em condições extremamente precárias, não vinha correspondendo às suas expectativas. Entretanto, Pedro acedeu. Abriu seu espaço físico para a pregação da palavra de Jesus. Este foi um momento importante, demarcatório na sua vida. No primeiro contato com Jesus ele aceitou interagir, colaborar. A narração está contida na Bíblia, em Lucas 5, do versículo 1 ao 13. Mas, o mais importante não foi somente Pedro emprestar seu barco a Jesus – foi também abrir coração e mente para o conteúdo do que Jesus falava e, conseqüentemente, aceitar, na sua lógica, a essência do discurso proferido.

Depois de ouvir a Jesus pela primeira vez Pedro nunca mais foi o mesmo. De início foi testemunha e alvo principal de um milagre promovido pelo Mestre. Após emitir a sua fala, Jesus – sabedor das extremas dificuldades empresariais que ele enfrentava – se volta para Pedro e lhe ordena que se faça ao largo e lance as redes ao mar. Ainda impactado pelo discurso que ouvira minutos atrás, Pedro faz uma declaração de fé ao afirmar: “Mestre, havendo trabalhado toda à noite, nada apanhamos, mas sob a tua palavra lançarei as redes”. O resultado é por demais conhecido. As redes ao serem trazidas à tona estavam abarrotadas de peixe, e, de tão pesadas, quase que se romperam, necessitando da ajuda de outros pescadores que estavam próximos. Foi um caso típico de superprodução inesperada.... Pedro, assim, sentiu na própria pele o resultado da abertura de seus espaços para Jesus.

Em nossas vidas nós também temos nossos espaços a administrar, a preencher. A questão é saber com que tipo de proposta, de discurso nossos espaços estão sendo preenchidos. A nossa residência é um espaço importantíssimo; nossa mente, a família, ambiente de trabalho, o ambiente social que habitamos – enfim, as áreas ao nosso redor que influenciamos, mas também os espaços, sob nossa responsabilidade, que sofrem influências externas, influências de outrem. Pedro poderia ter negado seu espaço a Jesus. E aí, o que teria acontecido? A pesca tão frutífera, que quase afunda o barco e quase rasga as redes, teria ocorrido? Certamente o Evangelho de Jesus teria de ter uma outra redação, um outro desfecho. Pedro cedeu seu espaço físico e mental para Jesus. É hora, então, de se perguntar: com que tipo de conteúdo nós estamos preenchendo nossos espaços físicos, mentais e espirituais?

Em certos ambientes só se fala em dinheiro; em outros é a ascensão social, política e empresarial que ocupa todos os momentos. Para certas pessoas o importante é curtir futilidades, superficialidades. Um grupo, extremamente numeroso, é integrado por gente que não pensa em outra coisa que não tenha um forte peso material. E a salvação? Poucos se preocupam em buscar uma explicação para esse fenômeno espiritual que irá marcar nossas vidas para a eternidade. Para a grande maioria o imediatismo é que importa, com a vantagem correspondente. Outros estão ocupando seus espaços com crimes, mortes, seqüestros, corrução. Para alguns o se prostituir é a atividade ideal, compensadora. Pedro destinou todos os seus espaços a Jesus. Deu-se bem, fez história. Resta saber, a essas alturas, se é positiva ou não a destinação que estamos dando aos nossos espaços. Não já está na hora de refletir?

Eu gosto muito de Jesus Cristo. E quem não gosta? Mas você já observou que qualquer pessoa que tenta falar a respeito de Jesus é logo interrompida com uma observação do tipo “olha, nesse papo de religião eu não entro. Tenho minha religião e respeito a dos outros; prefiro conversar sobre outro assunto”. Aí desanda a falar mal da vida alheia, de futilidades e vaidades. Já faz algum tempo, comecei a ficar invocado a respeito desse preconceito absurdo. As pessoas conversam sobre tudo. Os vinhos da moda, os uísques da moda, a roupa da moda, o escritor da moda, o time da moda, o filme da moda, a novela da moda. Isso no caso de pessoas de inteligência mediana. Porque os ditos cultos, eruditos, conversam a maior parte do tempo sobre Marx, Engels, Eco, Hemingway, Machado, Trotsky, Danton, Drumond, Sócrates, Lenin, Cony, Almodóvar, Guevara, Buarque, Amado, Wharol e tantas outras personalidades que fazem e fizeram história.

Falar sobre Jesus, ao que parece, causa desconforto. Por quê? As dondocas bocejam, os analfabetos ou pouco letrados o ignoram e os eruditos têm sempre algo mais importante a tratar. “Jesus é religião e isso é coisa de gente ignorante”; ou “religião é o ópio do povo”; ou ainda “esse é um papo careta, quadrado”; e por aí vai. Eu tenho estudado sobre Jesus na Bíblia e tenho descoberto coisas incríveis, importantes. E muita sabedoria. Primeiramente: Jesus não é religião. Em nenhum de seus discursos ele tocou nesse assunto. Então, porque acusá-lo de um fundamento que ele não plantou? Acredito que isso ocorre por dois motivos: por desconhecimento a respeito da essência do seu discurso e para nivelá-lo aos fundadores de religiões. Pois é, existe uma vontade enorme de colocar Jesus no mesmo patamar de homens famosos como Kardec, Buda, Maomé, Ghandy e outros mais ou menos votados. Com que propósito se Jesus é Deus?


Em segundo lugar aprendi que as religiões nos oferecem um céu futuro, após a morte. Ou seja, você tem que penar aqui na terra e achar bom para, após a morte, ser premiado com uma vida celestial. Até que não é mal este conceito. Mas Jesus nos oferece algo muito melhor. Ele assegura agora uma vida bem aventurada, de paz abundante, de amor, alegria, perdão e até de prosperidade material – aos que crêem, é claro! É ou não é diferente? Sendo assim, porque as pessoas têm receio, inibição, de conhecer Jesus mais profundamente? De garimpar conhecimentos que lhes assegurem a vida que Ele prometeu? Afinal, porque Jesus tanto incomoda? Porque modifica, restaura, transforma. E as pessoas normalmente não querem isso. Elas têm o receio de perder o controle de si mesmas, seus manuais de poder, seu desejo de fazer, de dominar, de controlar sua vida e a dos outros. E também porque – à primeira vista – não entendem.

                       

E porque não buscam entender? O que tanto lhes impede? Há nas pessoas um receio enorme de sair da rotina, de se reposicionar na vida. Jesus – ao contrário - é transformação e renovação permanentes. Observe um tanque com água. Se a água não for renovada ela apodrece. Da mesma forma, se sua vida, seu intelecto, não se renovar, o que dele vai restar? Saia dessa posição de imobilismo e inflexibilidade. Procure conhecer melhor o seu lado espiritual. Dê chance a Jesus de fazer na sua vida o que fez na vida do cego de Jericó, dos leprosos, do paralítico, de Maria, Pedro, Paulo, Tiago, João, da prostituta, do ladrão, do fariseu, de Zaqueu, Mateus, e de outros que, já nos dias atuais, deixaram para trás o que estava arraigado, estabelecido, e se direcionaram na busca de um novo e melhor projeto de vida. Concretizando algo realmente original e diferente que só Jesus sabe e tem para dar. A experiência é maravilhosa. Vamos vivenciar?

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É desestimulante, de uns tempos pra cá, assistir-se a uma partida de futebol no Brasil. É claro que no campo o que se joga é futebol – ou algo parecido; é claro que no campo todos os elementos têm ligações com o tal esporte bretão. Lá estão o estádio, as torcidas, os atletas, os juízes, os dirigentes... Mas futebol mesmo é mercadoria difícil de se achar. E um dos fatores a contribuir para esse desencanto é o relacionamento dentro de campo entre jogadores e juizes. No Brasil, o que se passa nos estádios é digno de estudo para psicólogos, psiquiatras e neurologistas – e de outros profissionais ligados ao comportamento mental das pessoas. Em campo, além do pouco futebol, o que se vê é um repetitivo festival de histeria dos atletas a tudo que o juiz apita. Se é um lateral o xingamento logo se faz presente; se é um impedimento do mesmo jeito. E raro, muito raro presenciar-se um gesto de educação, de civilidade.
Agressões físicas e verbais, faltas maldosas, malandragens explícitas, simulações desavergonhadas – e nunca, nunca mesmo, os jogadores aceitam a punição. Sempre tem aquela rebeldia chata, aquela indisciplina tristemente já esperada. Ou os tais – sem exceção – fazem parte de um quadro patológico além da compreensão ou são instruídos pelos técnicos e dirigentes a agirem como irracionais. Na marcação de um falta correm todos pro juiz como se ele fosse voltar atrás da decisão; na marcação de um pênalti é um deus nos acuda; no caso de uma expulsão a reação é bem pior, chegando muitas vezes a agressão física. Técnicos e dirigentes também não ficam atrás. Vociferam, xingam, jogam a culpa em tudo e em todos – menos no faltoso. E quem pensa que tal cenário está circunscrito aos campos de futebol está redondamente enganado. É só olhar para o universo político que a realidade é a mesma.

Quando funcionários de governos, altos dirigentes de partidos e parlamentares são flagrados roubando descaradamente, logo aparecem superiores hierárquicos para colocar culpa em tudo – menos nos larápios. E, como no futebol, logo sobram acusações para o Judiciário, para os adversários, para a imprensa – menos para os faltosos. No caso específico dos ladrões do atual governo, e dos corruptos do partido petista, o argumento é sempre o mesmo: o mensalão – apesar de fartamente comprovado – foi invenção das elites, da mídia golpista, da direita reacionária. Já a corrupção da Petrobras é invenção de quem quer acabar com a empresa; da direita revanchista; dos que não aceitam a eleição de um operário à Presidência da República – nunca dos corruptos. E o caso da Petrobras é exemplar. Simples. Nela, jamais houve alguém com tanta influência como a Dilma Rousseff.

Como Ministra de Minas e Energia, como Ministra Chefe da Casa Civil (período no qual foi também Presidente do seu Conselho de Administração) e depois como Presidente da República. É público e notório que ela mandava, mandava e mandava na empresa. E não somente na Petrobrás, mas em tudo que diz respeito ao setor petrolífero brasileiro. E o que se observa? Para o governo, ao contrário de toda lógica, Dilma de nada sabia a respeito do escândalo que devasta a Petrobras – e, por extensão, a toda economia brasileira. Quanta inocência! Também dela não se tem um pedido de desculpa, nenhum reconhecimento ao prejuízo causado aos brasileiros, aos contribuintes, aos acionistas. Nada. No futebol, embora pressionado, de vez em quando o juiz expulsa um de campo. Já no caso de Dilma, ela vem dando botinadas pra todo lado e nada lhe acontece. Cadê o juiz? Cadê o apito? Prrrriiiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!

Públio José – jornalista Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Muito se tem falado atualmente a respeito de custo. É custo a respeito de tudo. Tudo tem seu custo. É custo pra lá, é custo pra cá, numa neurose que não acaba mais. Tinha um custo, muito famoso por sinal, que até saiu de cena: o Custo Brasil. Falava-se nele a todo momento. Os entendidos nesses mistérios, entre os quais economistas, parlamentares, sociólogos, jornalistas, entre outros, enchiam páginas e mais páginas de jornal e revistas debulhando para nós o tão decantado custo. Agora, ao que parece, está meio fora de moda (Ou voltará à ribalta em função do estouro da inflação?) Pois é, tudo tem um custo. Olhando essas coisas todas e de tanto ver a mão de Lula sem o quinto dedo, comecei a imaginar o custo para o Brasil do dedo que falta na mão do nosso ex-presidente. Sabe-se que o ex-metalúrgico perdeu o seu dedo numa prensa – uma máquina industrial. Imagine a dor. Imagine que pensamentos afloraram a sua mente naquele instante.

Certamente que o operário foi prontamente atendido e levado até a um hospital. No leito hospitalar, ou quem sabe na própria residência, depois das visitas, depois que o silêncio se fez, quais pensamentos acorreram àquele – até então – insignificante operário? Poucos têm parado para pensar a respeito desse momento. Mas é importante se indagar. O que aconteceu ali, Lula sozinho, com a sua dor, um sentimento de impotência enorme a lhe invadir o peito? Ódio, mágoa, rancor, desilusão, decepção, frustração? Ou uma nova tomada de posição, uma nova postura frente ao momento doloroso que estava vivendo? A intensidade da dor era maior na carne ou na alma? Como encarar a vida de metalúrgico sem um dedo? Ficaria desempregado? Como aceitar e administrar essa nova realidade? Pensamentos, mil pensamentos. Diz o ditado popular “que o gato, de tanto ser perseguido pelo cachorro, e se vendo sem saída, termina atacando seu agressor”.

Daí será que dá para concluir que Lula – na qualidade de “operário espoliado e explorado pelas elites” – decidiu então atacar? A verdade é que a sua vida não foi mais a mesma. Aquele dedo faltoso, com certeza, começou a incomodar. Suponho até que gerando em sua mente novos planos. Postura inteiramente nova. Será? Mas voltemos a falar a respeito do assunto principal desse papo. O que tem a ver o tal dedo que Lula não tem com essa conversa sobre custo. Com uma grande aceitação popular e um impactante reconhecimento internacional, com as pesquisas sobre sua popularidade, à época, lhe alçando a mais de 83% de aceitação, poucas, acredito mesmo que pouquíssimas pessoas no Brasil estariam preocupadas, àquele tempo, a respeito de quanto isso tudo nos custaria. Um ex-operário assumiu a presidência da república e quanto teremos de pagar por isso? A imprensa estrangeira – principalmente a europeia – se babava de orgulho.

Os líderes políticos – principalmente os de esquerda – se rejubilavam diante de uma nova experiência socialista na América Latina. Avante, companheiro! Mas não é no quintal deles que a subida da cotação do dólar está trazendo sufoco, nem é no bolso deles que está doendo os novos preços da gasolina e dos alimentos. Não é em suas searas que a subida de um ex-metalúrgico ao poder, e a eleição da afilhada Dilma, ocasionou uma tremenda elevação nos índices de corrupção e a perspectiva futura de um tempo de crescimento praticamente zero do Produto Interno Bruto. Ah, um ex-operário no poder! E sem um dedo... Claro que isso teria um custo! Romantismos à parte, é certo que todos estamos pagando por essa experiência ter redundado, à época, em sucesso. Sucesso aparente, ressalte-se. A realidade é que, hoje, estamos chorando esperanças perdidas, desilusão coletiva e um alto preço pelo investimento político feito em Lula.

Mas, atenção. Não estou aqui entrando no mérito da questão, se foi certa ou não, boa ou não, a eleição dele. Mas me deixa interessado saber que influência na vida de Lula teve aquele momento da perda do quinto dedo – e como essa circunstância poderá afetar, para o bem ou para o mal, o destino de milhões de brasileiros. Será que foi naquele momento que ele decidiu perseguir com unhas e dentes a presidência da república? Se foi, já pensou o que pode causar a perda de um dedo? Divagações de lado, o fato é que o Brasil entrou numa aposta muito alta. De Lula veio Dilma. Até aqui desastre, desacerto. Será que o custo de ter feito Lula uma grande liderança redundou em enorme fracasso? Será que tudo não passou de um grande erro? E o dedo perdido que papel tem nisso tudo? Será que um dedo é tão impactante assim? E porque tantas perguntas em função de um dedo? Será que o dedo de Lula merece tanto espaço? Ou não...

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Todos sabem que Jesus Cristo morreu crucificado. Muitos conhecem particularidades e minúcias da vida que viveu entre nós. Alguns até defendem teses tecendo mil comentários a respeito do fenômeno que foi Cristo. Em todos os momentos, principalmente no período da Semana Santa, a humanidade, quase por inteiro, celebra a sua morte. Encenações teatrais, filmes, reuniões, retiros, conferências – enfim, os eventos mais diversos marcam a paixão, a vida, o ministério e a morte do homem que dividiu o tempo do mundo em dois tempos: antes e depois Dele. Mas, nesse momento de tanto emocionalismo, de tanta comoção, algumas perguntas necessitam ser feitas: o que o sacrifício de Jesus na cruz representa para nós? O conhecimento do gesto de Jesus na cruz traz alguma diferença no nosso dia-a-dia? A morte de Jesus nos fez pessoas diferentes ou continuamos os mesmos?

A questão vital é se tomar conhecimento de que nada do que Jesus fez foi gratuito. O menor dos seus gestos teve uma significação especial. E o evento no Monte do Calvário, com sua crucificação, morte e ressurreição, foi o fato mais extraordinário já acontecido até hoje na história do homem. Aliás, Jesus só rivaliza com ele próprio. Pois outro acontecimento que pode se ombrear em magnitude à sua morte e ressurreição é o seu nascimento, único até hoje ocorrido nas condições especiais em que ocorreu. Mas hoje o assunto é a sua morte; do nascimento de Jesus cuidaremos outro dia. O relato sobre como tudo se passou recai na leitura do livro de Lucas, capítulo 23, a partir do versículo 33. Ali, após ser crucificado, Jesus profere uma das sentenças de maior significado prático para as nossas vidas, ao dizer “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem”.

Nunca, jamais – e em nenhum outro momento da história humana – alguém manteve tamanha lucidez diante de uma realidade de tanto desconforto físico e tanta dor espiritual. Rejeitado, traído, cuspido, execrado, Jesus exalou amor até os minutos finais de sua vida. A humanidade O matava, porém Ele intercedia junto ao Pai em favor dos homens. Este gesto de Cristo deve ser seguido, praticado em todos os momentos de nossa vida. Afinal, se não perdoarmos a quem nos magoa, terminamos por transformar em acontecimento inútil o sacrifício de Jesus na cruz. Esta é, portanto, a primeira mensagem que Jesus nos envia da cruz – daqueles dias até os dias de hoje: o perdoar em qualquer circunstância. Pelo seu gesto, o perdão é uma condicionante fundamental para um viver cristão, para todos aqueles que se dizem seguidores de suas ideias e detentores de seu legado espiritual.

Passemos agora ao versículo 46, do mesmo capítulo 33 de Lucas. Ainda na cruz, já exalando seus últimos minutos de vida, Jesus faz uma confissão surpreendente – naquelas circunstâncias – de fidelidade incondicional ao Pai, dizendo: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”. O que é o espírito? A vida, a nossa essência, o nosso eu. Com a sua exclamação, Jesus queria dizer que o seu espírito, a sua essência Ele só entregaria ao Pai – e a mais ninguém. O que isso significa? Comunhão total, absoluta com Deus, apesar do extremo sofrimento que estava enfrentando. Com seu gesto, Jesus nos remete à segunda mensagem da cruz: mantermos a comunhão com Deus em qualquer situação, mesmo nos momentos mais dolorosos. Será que é fácil? Não, não é. Daí a necessidade de não apagarmos da mente o cenário da cruz, local onde Jesus praticou comunhão e fidelidade a Deus em condições extremamente adversas.

Ao lado de Jesus dois homens também foram crucificados, conforme o mesmo Lucas capítulo 33, versículo 43. Numa delas, um homem ruma para a morte. De repente, de forma surpreendente, se volta para Jesus: “Mestre, lembra-te de mim quando entrares no teu reino”. Momento terrível para ele descobrir que Jesus era mestre, um título nobilíssimo naquele tempo, e proprietário de um reino. Noutra cruz, o Filho de Deus, também nas piores condições físicas, se volta para ele: “Filho, ainda hoje estarás comigo no paraíso”. Estranho momento para chamar um marginal de filho e lhe garantir a salvação, não é verdade? Aí está, então, a terceira mensagem da cruz: ao nos voltarmos para Jesus – seja qual for a circunstância – Ele nos garante a salvação, a morada com Ele no paraíso! Portanto, sem a aceitação e vivência dessas três mensagens, de que serve, para nós, o sacrifício de Jesus? Perdão, comunhão e salvação – a verdadeira essência da cruz. Vamos vivê-la?



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