NATAL PRESS

Em 10/12, comemora-se oficialmente o 70o aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, votada pela Assembleia Geral das Nações Unidas em Paris, no Palácio de Chaillot, no ano de 1948. Ela se tornou uma das principais cartas que regem as nobres iniciativas da ONU, inspirando a elaboração de outros importantes documentos e constituições, a exemplo da Carta brasileira, proclamada em 1988, a “constituição cidadã”, na definição do deputado Ulysses Guimarães (1916-1992), que presidiu a Assembleia Nacional Constituinte.

 

O “Rascunho de Genebra”

Eleanor Roosevelt (1884-1962), viúva do presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt (1882-1945), comandara desde janeiro de 1947 o Comitê dos Direitos Humanos, reunido pela ONU, até a adoção dos 30 artigos naquele memorável dezembro de 1948. Considerada a força motriz do projeto, dona Eleanor liderou um grupo com 18 integrantes de heterogênea formação cultural, política e religiosa, elaborando o que ficou conhecido como o “Rascunho de Genebra”, em setembro de 1948, apresentado e submetido à aprovação dos mais de 50 países membros. É com grande orgulho que recordamos a participação do ilustre jornalista brasileiro, meu dileto amigo, Austregésilo de Athayde (1898-1993), um dos mais destacados colaboradores desse extraordinário trabalho. Ele também ocupou a presidência da Academia Brasileira de Letras (ABL) e do Conselho de Honra para a construção do ParlaMundi da Legião da Boa Vontade, em Brasília/DF.

 

A almejada liberdade

Ao longo das eras, o estudo do Direito foi sendo aperfeiçoado, a fim de dar garantias cada vez mais sólidas à sociedade. O século 20, por exemplo, nos legou um imenso aprendizado por meio de sucessivas conquistas civis.

Em homenagem a tantos ativistas que, ao longo da História, almejaram liberdade e condições dignas de vida, e em contribuição a tão significativo marco, trago-lhes trecho de modesta palestra que proferi, publicada, entre outros, em Reflexões e Pensamentos — Dialética da Boa Vontade (1987) e no Manifesto da Boa Vontade (21 de outubro de 1991):

Acreditar que possa haver direitos sem deveres é levar ao maior prejuízo a causa da liberdade. Importante é esclarecer que, quando aponto os deveres do cidadão acima dos seus próprios direitos, em hipótese alguma defendo uma visão distorcida do trabalho, em que a escravidão é uma de suas facetas mais abomináveis.

Por isso, queremos que todos os seres humanos sejam realmente iguais em direitos e oportunidades, e cujos méritos sociais, intelectuais, culturais e religiosos, por mais louvados e reconhecidos, não se percam dos direitos e liberdades dos demais cidadãos. Porquanto, Liberdade sem responsabilidade e Fraternidade Ecumênica é condenação ao caos. Almejamos ainda uma sociedade em que Deus e Suas Leis de Amor e Justiça inspirem zelo à liberdade individual, para garantir segurança política e jurídica a todos, como nos suscita o Natal do Cristo de Deus. Falo do Criador Supremo, não do errôneo entendimento que procura fazer Dele, que é Amor, instrumento execrável de fanatismo e tirania, preconceito e ódio. Consequentemente, não me refiro ao deus antropomórfico, caricato, criado à imagem e semelhança do homem imperfeito. (...)

As virtudes reais serão aquelas constituídas pela própria criatura na ocupação honesta dos seus dias, na administração dos seus bens e no respeito pelo que é alheio, na bela e instigante aventura da vida. Uma nação que se faça de tais elementos será sempre forte e inviolável.

Desejo que, em pleno século 21, consigamos consolidar esses ideais e expandi-los aos povos da Terra, para que sejam plenamente vivenciados. E jamais repetir o século 20 naquilo em que ele foi um fracasso.

 

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

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A Economia não pode ser o reino do egoísmo. Ora, ela está aí para beneficiar todos os povos, compartilhando decentemente os bens da produção planetária. Se isso, porém, não ocorre, é porque se faz necessária uma mudança espiritual-ética de mentalidade, principalmente pelo prisma do Novo Mandamento de Jesus, o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista, pois ensina que nos devemos amar como Ele nos tem amado: “Amai-vos como Eu vos amei. Somente assim podereis ser reconhecidos como meus discípulos, se tiverdes o mesmo Amor uns pelos outros” (Evangelho, segundo João, 13:34 e 35). Senão, os predadores das multidões podem ganhar a batalha, que a eles no devido tempo, da mesma forma, consumirá. O desprezo às massas populares é multiplicação de desesperados. Certamente, alguém já concluiu que quem faz o pão deve, de igual modo, ter direito a ele. Alerto para o fato de que, se o território não é defendido pelos bons, os maus fazem “justa” a vitória da injustiça.
 
Haveremos de assistir ao dia em que a Economia terrestre será bafejada pelo espírito de Caridade, porque a Luz de Deus avança pelos mais recônditos ou soturnos ambientes do pensamento e da ação humanos. Portanto, que os chamados bons se levantem em nome da Paz e espalhem essa Sublime Claridade para iluminar a escuridão que ainda campeia pelo mundo. Foi o Divino Mestre quem afirmou: “Assim também brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos Céus” (Evangelho, segundo Mateus, 5:16).
 
Desumanidade gera desumanidade — No meu estudo Cidadania do Espírito (2001), afirmo que desumanidade gera desumanidade. Aí está, em resumo, a explicação do estado atual nas diversas regiões do planeta. Porém, com a riqueza de nosso Espírito, podemos edificar um amanhã mais apreciável. Entretanto, nenhuma reforma será duradoura se não houver o sentido de Caridade, o respeito ao ser humano e o bom comando das gentes atuando no coração. 
Caridade é a comprovação do supremo poder da Alma ao construir épocas melhores de vida material e espiritual para os países e seus povos, os Cidadãos do Espírito. Resta às criaturas aprender em definitivo a enxergar essa realidade e a desenvolver a compaixão, aliada à Justiça. Desse modo, com o passar das eras, o mundo abandonará a doença que, pelos milênios, lhe tem feito tanto mal: a pouca atenção que dá à força do Amor Fraterno, “princípio básico do ser, fator gerador de vida, que está em toda parte e é tudo”. 
 
Sobre o sublime ato de se doar ao próximo e suas consequências sociais, assim se manifestou o pensador político francês Alexis de Tocqueville (1805-1859), autor de A Democracia na América: “A caridade individual se dedica às maiores misérias, procura o infortúnio sem publicidade e, de maneira silenciosa e espontânea, repara os males. Ela se faz presente onde quer que haja um infeliz a ser resgatado e cresce junto com o sofrimento. (...) Pode produzir somente resultados benéficos. (...) Alivia muitas misérias, sem produzir nenhuma.
 
Identificação no Bem de norte a sul, de leste a oeste — Enquanto os governos não chegam às “soluções definitivas” para a miséria, que cada criatura, por iniciativa pessoal ou em comunidades, faça mais do que puder — e não o deixe de realizar — pelo semelhante, pondo em ação o poderoso espírito associativo de Caridade, tão apregoado e vivido por Jesus, Muhammad, Moisés, Buda, Onisaburo, Confúcio, Gandhi e outros luminares da História não somente do campo religioso.
 
José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
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Em 12 de outubro, no Brasil, homenageamos Maria Santíssima, Mãe Universal da Humanidade, e as crianças, alegria do mundo! Os pequeninos sempre aguardam com expectativa esse dia. Que Nossa Senhora Aparecida, uma referência dos Irmãos católicos à Mãe de Jesus, proteja do mal as criancinhas!

 Aproveito para lhes trazer um belo exemplo de Amor Fraterno, abençoado pela Mãe de Jesus, que vem dos jovenzinhos. Apresentei-o, há vários anos, na Super Rede Boa Vontade de Comunicação (rádio, TV e internet). Fui buscá-lo na obra Lendas do Céu e da Terra, de Malba Tahan. Muitos de vocês talvez já conheçam esse conto, mas, diante dos graves problemas de convivência humana no planeta, é importante ressaltarmos o que de bom igualmente existe para que o bem seja multiplicado.

 Vamos ao que Malba Tahan, pseudônimo do professor de matemática Júlio César de Melo e Sousa (1895-1974), escreveu e a alguns comentários que fiz:

 

“Uma menina chinesa conduzia às costas um pequenino de dois anos de idade. Ao vê-la passar, vergada ao peso daquela carga, um sacerdote perguntou-lhe:

“— É pesado, menina?

“— Não, senhor — respondeu ela, muito vivaz. — É meu irmão!

“Que linda resposta a desta menina! Atentem no profundo ensinamento que suas palavras encerram! Como parece suave a carga quando levamos ao ombro o irmãozinho querido!

“Do mesmo modo, se seguirmos fielmente os preceitos evangélicos, seremos induzidos a levar a Caridade a todos os nossos semelhantes. E o sacrifício em proveito do próximo, então, se tornará muito leve, pois será feito por um irmão”.

 

Jesus, o Cristo Ecumênico, o Pedagogo Celeste, ensinou que nos devemos amar uns aos outros como Ele nos amou e tem amado. E disse mais o Divino Amigo: “Somente assim podereis ser reconhecidos como meus discípulos, se tiverdes o mesmo Amor uns pelos outros. (...) Não há maior Amor do que doar a própria vida pelos seus amigos. (...) Porquanto, da mesma forma como o Pai me ama, Eu também vos amo. Permanecei no meu Amor” (Evangelho, segundo João, 13:34 e 35; 15:12, 13 e 9).

 

Vale a pena destacar novamente o que disse a garotinha quando o religioso lhe perguntou se era pesada a criança que carregava: “— Não, senhor — respondeu ela, muito vivaz. — É meu irmão!”

 

Reconheçamos também nesse irmão bem querido o Brasil, cujo verdadeiro progresso depende da real dedicação de governantes e governados. Ora, meus jovens, quem não intuir ou entender essa lição de Lendas do Céu e da Terra jamais compreenderá a solidariedade humana ensinada pelo Cristo de Deus. Não será um bom menino, uma boa menina, um bom pai, uma boa mãe, um bom avô, uma boa avó, um bom sacerdote, um bom político, um bom filósofo, um bom cientista, um bom economista, um bom pedagogo ou professor, um bom artista, e assim por diante, porque, se não tiver Amor Fraterno no coração, não saberá viver em comunidade, não poderá participar da Sociedade Solidária Altruística Ecumênica, na qual todos compreendem que o sofrimento de um é o de todos.

 

Agora, a conclusão de Malba Tahan em sua página, na forma de tocante prece: “Ó Jesus, Divino Modelo da Caridade, dai-me aqueles puros sentimentos de Amor ao próximo, de que nos deixastes tão admiráveis exemplos; fazei, Senhor, que eu ame santamente os meus semelhantes por Amor de Vós, que nunca deles suponha mal; que lhes acuda em suas necessidades; e que, sofrendo suas fraquezas neste mundo, por amor de Vós [Jesus], possa um dia cantar com eles Vossos louvores, [assim na Terra como] no Céu!”. Amém! Viva Jesus!

 

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

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Ninguém está livre das influenciações espirituais inferiores, as quais, mesmo quando não se revelam num gesto tão extremado como matar-se, encerra consequências que podem configurar verdadeiro suicídio em vida.

Quantas empresas, por exemplo, são levadas à “morte”, ou seja, à falência? Quantos casais estão em conflito, arrastando em seu bojo a felicidade dos filhos? Quantos se entregam à “morte” pelos vícios da bebida, do cigarro, das drogas, que enfermam e destroem nosso veículo físico e distorcem a Alma? E as chagas do ódio, da violência doméstica, do feminicídio, da pedofilia, da efebofilia, dos estupros...? Quantos são drasticamente atingidos, arrancados do mundo por essas barbáries? E as guerras, o desmantelamento econômico de países, os conflitos étnicos de toda sorte?... E a hipnose coletiva que, pelo planeta, enceguece governantes e governados? Todos são Espíritos na carne; portanto, completamente suscetíveis de sofrer o magnetismo inferior desses “invasores de Almas”, que aqui denominamos “lobos invisíveis” ou espíritos obsessores. Contudo, em medida ainda mais vigorosa, qualquer pessoa é capaz de se tornar instrumento benfazejo sob os cuidados das Falanges Divinas, das Almas Benditas. Todos somos médiuns, conforme nos revela Allan Kardec. E poder nenhum é maior que o de Deus.

Reitero a importância da leitura de “Quanto à Abrangência do Templo da Boa Vontade” e “O equilíbrio como objetivo” (disponíveis no blog PaivaNetto.com), páginas nas quais esclareço que o mundo material não mais poderá evoluir sem o auxílio flagrante do Mundo Invisível Superior. (...)

 

Como impedir a ação dos espíritos malignos

Meus Irmãos e minhas Irmãs, que drama enfrentam, muitas vezes, nossos Anjos Guardiães a fim de nos livrar de funestas ambiências, que acabamos atraindo para dentro de nossos lares, de nossas empresas, de nossas igrejas, de nossas comunidades, de nossos países! No entanto, alguém pode dizer: “Mas, Irmão Paiva, eu tento, eu luto; contudo, não consigo afastar esses obsessores espirituais de meu caminho. No ambiente da minha empresa, pelas ruas, em minha casa, nas dos meus entes queridos, eles sempre estão lá, ou acolá, me atormentando, fazendo com que minha competência no trabalho seja abalada; minha felicidade, minha saúde, minha paz sejam postas abaixo. Já não tenho forças...”

Tem forças, sim!!! Quem lhe disse que não? Afaste de si as sugestões de fraqueza, justamente, do aqui ultradenunciado “lobo malfeitor espiritual”. E ore por ele, de maneira que a prece fervorosa toque os recônditos de sua alma, tornando-o, pela transformação do caráter, um bom sujeito. Rogue pelo apoio de seu Anjo da Guarda, ou Espírito Guia, ou Nume Tutelar — seja qual for a maneira que você denomine esses Benfeitores (ainda) Invisíveis.

 

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

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O ser humano deve orgulhar-se de existir e lutar infatigavelmente pela Vida. Vencer a si próprio, de modo a conquistar, para todo o sempre, sua dignidade espiritual, “o tesouro que o ladrão não rouba, a traça não rói nem a ferrugem consome” (Evangelho de Jesus, segundo Mateus, 6:20).
 
“Vencedor é aquele que vence a si mesmo”, preconiza André Luiz (Espírito). Deus, que é Vida, para a Vida o criou. Dizia Napoleão Bonaparte (1769-1821) que “a melhor figura de retórica é a repetição”. É bom, portanto, reiterar esta advertência de Jesus: “Deus não é Deus de mortos, mas de vivos. Por não crerdes nisso, errais muito” (Evangelho, segundo Marcos, 12:27).
 
Eis por que, quando o alcança a morte, dela não herda o esquecimento ou o ócio perenes; porém, mais e mais Vida... A morte não existe. É um boato. “Deus não nos criou para nos matar”, afirmava Alziro Zarur (1914-1979).
 
Graham Greene (1904-1991), famoso escritor inglês, nas suas meditações concluiu, esperançoso, que “nosso mundo não é todo o Universo. Talvez exista um lugar onde Cristo não esteja morto”.
 
Ora, sabemos, com certeza, que essa dimensão esplêndida é uma realidade. Aos Seus seguidores — aqueles que, pelos milênios, perseverarem até o fim —, Jesus, o Divino Mestre, deixou esta revelação consoladora:
 
“Jesus conforta os Discípulos
(Boa Nova, segundo João, 14:1 a 3)
 
“1 Não se turbe o vosso coração; crede em Deus, crede também em mim.
 
“2 Na casa de meu Pai [o Universo], há muitas moradas. Se assim não fosse, Eu o teria dito a vós. Vou preparar-vos lugar.
 
“3 E, quando Eu for e vos preparar lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que, onde Eu estiver, estejais vós também”.
 
Antes e depois da Vida, há Vida. Diga não ao suicídio!
Sucumbem em erro os que buscam o suicídio, pois a parca lhes ofuscará os olhos, que procuraram a sombra de uma pretensa inação, com mais luz, isto é, mais Vida, a lhes cobrar severas contas de antigos compromissos assumidos. Antes e depois da Vida, há Vida e as incorruptíveis Leis que universalmente a regem e sobre ela preponderam.
 
De Deus não se zomba
Recordemos o alertamento de Paulo Apóstolo: “De Deus não se zomba. Aquilo que o homem semear, isso mesmo terá de colher” (Epístola aos Gálatas, 6:7).
 
Assim está, sob muitos aspectos, o mundo nestes últimos tempos: suicida.
 
A maior das reformas: a do ser humano
A Terra é belíssima! Convida ao sucesso. Mas o ser humano nem sempre tem sabido respeitá-la. Por isso, a reforma precípua é a dele próprio. Urge, neste término de século e milênio, que esta preceda as demais. Daí a importância da Educação com Espiritualidade Ecumênica, o mais seguro passo que uma nação pode dar em favor da liberdade de seu povo, pois, quanto mais ignorante for, mais escravo será.
 
A Vida é uma conquista diária. Lição de Fé Realizante a todo momento solicitada, para que não venhamos a cair na ociosidade, mãe e pai dos piores males que assolam o Espírito e enfermam consequentemente o corpo físico e o social.
 
Na verdade, não basta ter agido bem ontem. Necessário se faz melhor caminhar hoje e ainda mais gloriosamente amanhã.
Água parada: lodo. Vida ociosa: inferno
Bem a propósito estas palavras do filósofo alemão Arthur Schopenhauer (1788-1860): “Aristóteles dizia com acerto: ‘A vida consiste em movimento e nele tem sua essência’ (De Anima, I,2). Em todo o interior do organismo, impera um movimento incessante e rápido. (...) Se houver uma ausência quase completa de movimento externo, como ocorre na maneira de vida sedentária de inúmeras pessoas, então nascerá uma desproporção gritante e perniciosa entre a calma exterior e o tumulto interior, pois até o constante movimento interior quer ser apoiado pelo exterior”.
Observou Goethe (1749-1832) que “Uma vida ociosa é morte antecipada”.
E o escritor irlandês Oliver Goldsmith (1728-1774) sugere: “Tal como a abelha, façamos do nosso ofício a nossa satisfação”. Deus é o Criador do Universo, Magna Vida, na qual sobrevivem todas as Suas criaturas. O Cosmos é, pois, dinâmica. Jesus, o maior dos pensadores, sintetiza tudo: “Meu Pai não cessa de trabalhar” (Evangelho, segundo João, 5:17).
 
É, portanto, obtusa a ideia de um paraíso de desfrutáveis tocadores de harpa, ditos salvos, mas, na verdade, pelo que parece, totalmente despreocupados com o sofrimento dos seus Irmãos. Tal lugar não pode ser o Paraíso de um Deus de Amor, cujo Filho Primogênito veio à Terra pregar a Solidariedade sem fronteiras. Cabe-lhe melhor, àquele pseudoparaíso, o título de inferno.
 
Neste acentuado transcurso de tempos, nenhum país poderá progredir sem promover Desenvolvimento Social e Sustentável, Educação e Cultura, Arte e Esporte, com Espiritualidade Ecumênica, a fim de que haja Consciência Socioambiental, Alimentação, Segurança, Saúde e Trabalho para todos os seus componentes, despertando neles a Cidadania Planetária.
 
A existência humana sem atividade produtiva e lazer é a própria morte para o cidadão.
 
                                                                                                                                                                                                                                José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
                                                                                                                                                                                                                                    paivanetto@lbv.org.brwww.boavontade.com
 

 

 

 

Abuso e exploração sexual infantojuvenil. Assuntos que não podem ser ignorados. Problemas de magnitude global que exigem alerta constante de todos nós, principalmente dos pais e dos governos. Nada melhor que procurarmos caminhos eficientes em prol da assistência aos pequeninos.

 

Juntamos nossos esforços aos de numerosas organizações do Terceiro Setor e aos do próprio governo no combate a essa terrível violência.

 

A Boa Vontade TV (Oi TV — Canal 212 — e Net Brasil/Claro TV — Canais 196 e 696), no programa Sociedade Solidária, trouxe elucidativa entrevista com a professora Dalka Chaves de Almeida Ferrari, membro da diretoria do Instituto Sedes Sapientiae, de São Paulo/SP, e coordenadora-geral do Centro de Referência às Vítimas de Violência (CNRVV).

 

A segurança das crianças e dos jovens, segundo a professora Dalka, carece de uma mobilização geral: “Trata-se de trabalho contínuo que merece uma atenção constante da política pública para fazer esse enfrentamento. E hoje são necessárias a capacitação e a sensibilização dos hotéis, com seus gerentes e todo o corpo de trabalho, dos taxistas, do pessoal da rodoviária, dos ônibus, dos aeroportos. Se for pensar em política, todos os ministérios teriam que ser capacitados para fazer esse enfrentamento”.

 

Quebrar o pacto do silêncio

Durante sua conversa com o sociólogo Daniel Guimarães, apresentador do Sociedade Solidária, a professora Dalka Ferrari enfatizou também a imprescindível providência de proteção da criança dos abusos sexuais nos ambientes doméstico e social: “Quebrar o pacto do silêncio, conseguir falar desse assunto, porque ainda é muito velado, é meio tabu dentro da sociedade. Se a gente tiver jovens esclarecidos, conscientizados, sensibilizados sobre os cuidados que têm que ter com o próprio corpo, os limites que são dados, eles se sentirão bem e não deixarão que esse corpo seja invadido. Então, é quase que uma reeducação do autoconhecimento. A pessoa tem que se conhecer, saber exatamente o que ela quer para sua vida, os riscos que pode correr com os envolvimentos”. (...)

 

E prossegue, enfática: “Isso tudo é algo que precisa ser discutido, porque, se a gente não conscientizar, desde a criança, o adolescente, o jovem até os pais, os educadores, que cuidam dessa criança e desse adolescente todo dia, a gente não vai fazer esse problema vir à tona. As pessoas têm vergonha de falar, não querem enfrentá-lo. E, à medida que o jovem ficar autônomo, sabendo como se defender, ele poderá ajudar outro jovem, poderá ser um multiplicador desses conhecimentos”.

 

Psicóloga, especialista em violência doméstica, ela reforça: “Então, o objetivo maior de tudo isso é fazer com que eles conheçam (...) quais são as situações perigosas em que podem se envolver, ou em que precisam se defender dentro e fora da família. Porque é assim: a proteção dos pais existe por um tempo, mas há uma hora que vai depender da criança e do jovem fugirem, saírem ou pedirem ajuda por causa do risco que estão enfrentando”.

 

Estamos tratando de tema realmente complexo e que deve ser salientado e discutido na mídia, em casa, nas igrejas, nas escolas, nas universidades, no trabalho, em toda a parte, de modo a ampliarmos a guarda em torno da infância e da juventude. E tenhamos em nossas agendas o Disque 100 (Disque Direitos Humanos), para fazer denúncias, procurar ajuda.

 

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

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Em meu livro Jesus, a Dor e a origem de Sua Autoridade – O Poder do Cristo em nós, apresento-lhes extensa dissertação sobre a Dor e a partir do extraordinário exemplo do Cristo, a capacidade de vencê-la; portanto, não para a derrota nossa no desânimo, mas visando à vitória, visto que os tenho capacitado para pegar até do tormento e, com ele, alavancar a coragem.

Por oportuno, destaco hoje aqui o seguinte trecho:

 

Por meio dela, a Dor, o Cristo alcançou também Sua Divina Autoridade. E não se esquivou de Seu infortúnio nem foi derrotado por ele no Supremo Sacrifício da tortura e da crucificação:

 

- Pai, todas as coisas Vos são possíveis. Afasta de mim este cálice. Contudo, se for da Vossa Vontade, que se faça de acordo com ela, e não com a minha (Evangelho, segundo Marcos, 14:36).

 

Sobre o desprendimento do Cristo e a entrega Dele à Vontade do Pai Celeste, assim declarou, em entrevista à Super Rede Boa Vontade de Comunicação (rádio, TV e internet), o professor dr. Ricardo Mário Gonçalves, livre-docente em História Social pela Universidade de São Paulo (USP) e missionário budista da Verdadeira Escola Terra Pura, ordem japonesa fundada no século 13, pelo mestre Shinran (1173-1263):

 

- Para o Budismo, a principal experiência do ser humano a ser vivenciada seria uma experiência de esvaziamento do ego, de despojamento. Temos aqui um texto básico do Apóstolo Paulo com esse conceito. É a Epístola aos Filipenses, 2:6 a 8. Falando de Jesus, o Apóstolo Paulo diz o seguinte: “Ele tinha condição divina e não considerou que o ser igual a Deus era algo a que se devia apegar ciosamente, mas esvaziou-se a si mesmo e assumiu a condição de servo, tomando a semelhança humana. E, achado em forma humana, humilhou-se ainda mais e foi obediente até à morte, e morte de cruz!” O termo central dessa passagem é o esvaziamento. No texto grego, encontramos a forma ekenosen, que vem do verbo kenou, que significa esvaziar, esvaziamento, despojamento. Então, em torno dessa noção, estamos num terreno que é comum ao Cristianismo e ao Budismo. Eu diria que nesse texto o Apóstolo Paulo apresenta Jesus como um modelo de despojamento a ser seguido por nós. (O destaque é meu.)

 

É do Educador Celeste o ensinamento basilar que exemplificou Sua condição una com Deus:

 

- (...) antes, o maior entre vós seja como o menor; e quem governa, como quem serve (Evangelho, segundo Lucas, 22:26).

 

Esta é a Política de Deus, exercida pela Autoridade do Mestre Jesus: o verdadeiro político é aquele que serve e que não se serve. Quantos exemplos existirão hoje no mundo?

 

Como vimos, Jesus privou-se da própria vontade em benefício do semelhante, mas não deixou de pregar a Doutrina que trouxe do Pai Celestial:

 

- Mas, em qualquer cidade em que entrardes e não vos receberem, saindo por suas ruas, dizei: “Até o pó que da vossa cidade se nos pegou aos pés sacudimos sobre vós. Sabei, contudo, isto: já vos é chegado o Reino de Deus”.

Jesus (Lucas, 10:10 e 11)

 

Entenderam?

Em minha obra A Missão dos Setenta e o Lobo Invisível, ressalto que – mesmo não tendo sido aceita pela “cidade” a Palavra de Jesus – de forma alguma podemos deixar de proclamar o que viemos fazer por Vontade do Criador.

Jesus persistiu além do “fim”, pois ressuscitou e garantiu:

 

- Na vossa perseverança, salvareis as vossas Almas (Boa Nova, consoante Lucas, 21:19).

 

Em face desse pujante exemplo de dedicação ao próximo, o missionário de Deus precisa compreender a Dor como instrumento de vitória ante o Céu, para possuir o Poder de reformar a Terra. Afinal, o bom trabalhador, ao integrar-se em Deus, recebe, por merecimento pessoal, a iluminação da Autoridade do Cristo, a fim de transformar seres terrestres e Seres Espirituais.

 

- (...) Porque vós sois o Templo do Deus Vivo, como Deus disse: Neles habitarei e entre eles andarei; e Eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo (Segunda Epístola de Paulo aos Coríntios, 6:16).

 

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

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No próximo dia 30 de janeiro, completam-se 70 anos do assassinato do líder pacifista indiano Mohandas Karamchand Gandhi (1869-1948). Num mundo marcado pela violência, é sempre bom recordar o exemplo vitorioso do Mahatma (“grande alma”) ao alcançar, por meio da filosofia da não violência, a independência da Índia.

Em 1891, Gandhi formou-se em Direito na Inglaterra e voltou à Índia, onde exerceu a profissão. Dois anos depois, iniciou um movimento na África do Sul — àquela altura colônia britânica —, no qual objetivava lutar contra o racismo e pelos direitos dos hindus.

Em 1914, voltou a seu país e difundiu seu movimento, cujo método principal era a resistência passiva, pregando a não violência como forma de luta. Em 1922, foi detido após organizar uma greve contra o aumento de impostos, sendo condenado a seis anos de detenção. Porém, foi libertado em 1924. Em 1930, liderou a marcha para o mar, uma caminhada de 320 quilômetros para protestar contra os preços dos tributos britânicos e a proibição aos indianos de fabricar sal (...). Finalmente, em 1947, foi proclamada a independência da Índia. Gandhi trabalhou também para evitar o embate entre muçulmanos e hindus, que estabeleceram um Estado separado, o Paquistão, dividido em duas frações, uma das quais, anos depois, se tornou Bangladesh. Acusado pela divisão territorial da Índia, atraiu o ódio dos nacionalistas hindus. Um deles o assassina a tiros no ano seguinte, quando Gandhi tinha 78 anos. Na época, mais de um milhão de indianos compareceram ao seu funeral.

Civilização civilizada? Só com diálogo!
Numa entrevista que concedi à jornalista portuguesa Ana Serra — quando em lancei, em Portugal, a minha obra Reflexões da Alma (editora Pergaminho, 2008) —, ressalto que Religião, Filosofia e Política não rimam com intolerância. A Ciência, idem. Observem a reflexão de Voltaire (1694-1778): “A tolerância é tão necessária na política como na religião; só o orgulho é intolerante”.

E outra coisa: jamais se deve pregar um Criador que apavore as criaturas, porém que as deixe mais responsáveis e fraternas.

Dias desses, li — na obra Farmácia de Pensamentos, da pesquisadora Sonia de Aguiar, com a qual fui presenteado pelo veterano jornalista gaúcho Luiz Carlos Lourenço — a seguinte sentença do dinâmico cantor e compositor Gilberto Gil: “A arte, a religião e a ciência são maneiras diferentes para atingir os mesmos fins. Mas, no fundo, todas elas procuram respostas para as mesmas perguntas”.

Indagações que apenas serão elucidadas quando a Fraternidade Ecumênica se tornar o fundamento do diálogo religioso, político, filosófico e científico numa sociedade planetária que se arvora civilizada. Diante disso, cabe aqui esta palavra do velho Goethe (1749-1832): “Aquele que tem vontade firme molda o mundo à sua imagem”.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
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Constantemente me chegam cartas, bilhetes, recados daqueles que enfrentam grandes padecimentos. São mães cujos filhos morreram, pais lutando para afastar seres queridos do vício, jovens à procura de um rumo certo, gente fragilizada por um mal incurável, velhinhos abandonados por quem lhes deveria proteger a existência. E igualmente há o problema da “solidão acompanhada”. Talvez seja um dos fatores pelos quais as pessoas hoje se exponham tanto, como a dizer, apesar de toda a proclamação de sucesso que se lhes fazem: “Ei, estou aqui! Também tenho coração!”

Uma senhora, a quem chamarei de Dona Rosalina, é uma dessas criaturas sofridas que anseiam, pelo menos, por uma palavra de conforto. Não vou entrar na particularidade do seu caso. Mas posso revelar uma pequena sugestão que lhe fiz e que, segundo me relata, lhe tem servido de apoio.

Vali-me de minha própria experiência. Nas horas de dificuldade, quando parece que não há saídas para certas questões, recorro à oração e ganho forças para o trabalho. E não me tenho arrependido, ao concordar com o lema do venerável São Bento (480-547): “Ora et labora” [Ora e trabalha].

Passei-lhe então uma prece que, pela primeira vez, ouvi do saudoso mineiro de Santos Dumont, Geraldo de Aquino (1912-1984). Espero que sirva a quem me honra com a atenção, se, na liça diária, estiver atravessando provações que, às vezes, não pode revelar ao maior amigo ou à mais sincera confidente. Ninguém, religioso ou ateu, se encontra livre disso.

Essa oração, desde o nome, invoca um sentido de que todos necessitamos: Charitas, palavra latina que significa Caridade. Esse divino sentimento aprimora o convívio dos que buscam ver no semelhante algo além de um saco de carne ou fonte inesgotável de exploração. A Caridade não é cativa da restritíssima acepção a que alguns a querem condenar. Trata-se da mais elevada política. Ilumina o Espírito do cidadão. Ela inflama a coragem da gente. Por que perder a Esperança? A primeira vítima do desespero é o desesperado. Mas vamos à oração. De autoria do Espírito Cáritas, ela foi psicografada na noite de Natal, 25 de dezembro de 1873, por Madame W. Krell, em Bordeaux (França), e publicada em Rayonnements de la Vie Spirituelle.

 

Prece de Cáritas

“Deus, nosso Pai,/ que sois todo o Poder e Bondade,/ dai forças àqueles/ que passam pela provação,/ dai luz àqueles que procuram a Verdade,/ ponde no coração do homem/ a compaixão e a Caridade./ Deus!/ Dai ao viajor a estrela-guia,/ ao aflito, a consolação,/ ao doente, o repouso./ Induzi o culpado ao arrependimento./ Dai ao Espírito a Verdade,/ à criança, o guia,/ ao órfão, o pai./ Senhor! Que a Vossa Bondade/ se estenda sobre tudo o que criastes./ Piedade, Senhor,/ para aqueles que não Vos conhecem,/ esperança para aqueles que sofrem./ Que a Vossa Bondade permita/ aos Espíritos consoladores/ derramarem por toda a parte a Paz, a Esperança, a Fé!/ Oh! Deus!/ Um raio, uma centelha do Vosso Amor/ pode iluminar a Terra,/ deixai-nos beber nas fontes/ dessa Bondade fecunda e infinita./ E todas as lágrimas secarão,/ todas as dores se acalmarão./ Um só coração, um só pensamento subirá até Vós,/ como um grito de reconhecimento e de Amor./ Como Moisés sobre a montanha,/ nós Vos esperamos com os braços abertos,/ Oh! Bondade,/ Oh! Beleza,/ Oh! Perfeição./ Nós queremos, de alguma sorte,/ merecer a Vossa misericórdia./ Deus!/ Dai-nos força,/ ajudai o nosso progresso/ a fim de subirmos até Vós;/ dai-nos a Caridade pura e a humildade;/ dai-nos a fé e a razão;/ dai-nos a simplicidade,/ Pai,/ que fará de nossas Almas/ o espelho onde se refletirá/ a Vossa Divina Imagem.”

 

Com a palavra, um Nobel de Medicina e Fisiologia

O dr. Alexis Carrel (1873-1944), Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia (1912), famoso autor de O homem, esse desconhecido, escreveu a respeito do assunto que alenta as Almas:

“A oração é (...) a forma de energia mais poderosa que o homem é capaz de gerar. Trata-se de uma força tão real como a gravidade terrestre. Na minha qualidade de médico, tenho visto enfermos que, depois de tentarem, sem resultado, os outros meios terapêuticos, conseguiram libertar-se da melancolia e da doença, pelo sereno esforço da Prece. É esta, pois, no mundo, a única força que parece capaz de superar as chamadas ‘leis da Natureza’. Há muitas pessoas que se limitam a ver na Prece (...) um refúgio para os tímidos, ou mero apelo infantil movido pelo desejo de coisas materiais. Concebê-la, entretanto, nesses termos, é menosprezá-la erroneamente. (...) ‘Ninguém jamais rezou’, disse Emerson (1803-1882), ‘sem que houvesse aprendido alguma coisa’. (...) O mais profundo manancial de energia e perfeição, que se acha ao nosso alcance, tem sido miseravelmente abandonado. (...) Se a força da Prece for posta em ação na vida de homens e mulheres; se o Espírito proclamar os seus desígnios claramente, invictamente, haverá então confiança de que não sejam em vão os nossos anseios por um mundo melhor”.

Vejam que não se trata da opinião de nenhum “místico delirante”, porém, de um respeitado homem de ciência. Todo aquele que sofre, da choupana ao palácio, com certeza já teve o ensejo de comprovar essa realidade.

Independência da dor só se consegue com o coração forte.

Não é mesmo, Dona Rosalina?

 

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.

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A morte não interrompe a vida, portanto o aprendizado não tem fim. Na Terra ou no Céu da Terra, prosseguimos trilhando o caminho da Eternidade.
 
Paiva Netto
 
Quando meus pais faleceram, muito padeceu o meu coração. Contudo, prontamente comecei a entoar comovido colóquio com o Criador, amenizando a saudade e lhes transmitindo mensagens de paz e de gratidão. Logo senti que continuam vivos, porque os mortos não morrem. E, quando se ora, a Alma respira, fertilizando a existência humana. Fazer prece é essencial para desanuviar o horizonte do coração. Alziro Zarur (1914-1979), Proclamador da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo, ensinava que “Deus não nos criou para nos matar” e que “não há morte em nenhum ponto do Universo”, assunto de que, em outras ocasiões, voltaremos a falar. Minha solidariedade, pois, aos que sofrem a aparente ausência de seus entes queridos. Mas tenham certeza de que realmente os mortos não morrem. Um dia, todos haveremos de nos reencontrar.

“A morte não existe
“E a dor é uma ilusão do nosso sentimento.”

Alentadoras palavras deixadas a nós pelo poeta português Teixeira de Pascoaes (1877-1952), coincidentemente nascido num “Dia de Finados”. Que Deus o tenha em bom lugar!

Dia de Finados
O ensejo recorda-me o pronunciamento do papa João Paulo II (1920-2005), em 2 de novembro de 1983, ao se dirigir aos fiéis reunidos no Vaticano. Nele, Sua Santidade enfatiza que o diálogo com os mortos não deve ser interrompido:

“Somos convidados a retomar com os mortos, no íntimo do coração, aquele diálogo que a morte não deve interromper. (...) Baseados na palavra reveladora de Cristo, o Redentor, estamos certos da imortalidade da alma. Na realidade, a vida não se encerra no horizonte deste mundo (...)”. (Os destaques são nossos).

Daí a precisão de refletirmos sobre esse ponto. É compreensível que sintamos saudade dos que partiram, mas não nos devemos exceder em lágrimas, porque a nossa aceitável dor pode perturbar-lhes, no Plano Espiritual, a adaptação à nova conjuntura.

Lições do fenômeno inafastável
Dia virá em que alguns pensadores não mais prescindirão dessa realidade confortadora. Deveriam, sobretudo, elucubrar a respeito da morte e não procurar explicações unicamente materiais para um fenômeno irremovível que envolve o Espírito. Quando desperta no “Outro Mundo”, a surpresa para muita gente é grande.
No cotidiano, persistem aqueles que possam sorrir dessas modestas ilações. No entanto, os imprescindíveis cultores do intelecto não se podem designar donos de uma certeza inamovível. Não se apraz com a boa índole de seu labor. De outra maneira, seu pensamento deixaria de ser ciência, visto que a incessante investigação provoca justamente o crescimento da cultura.
Há décadas, o sempre lembrado Zarur concluiu que “Deus criou o ser humano de tal forma que ele só pode ser feliz praticando o Bem”. Assim, é preciso existir amor desde o coração do homem douto até o do ser mais simples, de modo a derribar a mentalidade esterilizadora do ódio, que vive a castrar o avanço menos delituoso da civilização.

Espiritualização Ecumênica
A morte não interrompe a vida, portanto o aprendizado não tem fim. Na Terra ou no Céu da Terra, prosseguimos trilhando o caminho da Eternidade.
Em meu livro As Profecias sem Mistério (Editora Elevação, 1998), no capítulo “Progresso sem destruição”, afirmo que nenhum país progride sem boas escolas, posto que, entre outros benefícios, elas promovem a produtividade. E, no milênio terceiro, a Espiritualização Ecumênica das massas tornar-se-á fator inarredável. Desce das alturas a certidão de óbito da era macabra da intolerância religiosa ou acadêmica, tanta vez semeada no altar ou na banca de estudo.
Que a Paz de Deus esteja agora e sempre com todos! E vamos em frente, trabalhando, realizando e atuando com decisão, coragem, solidariedade, generosidade, porque Deus está presente!

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
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