NATAL PRESS

No próximo dia 30 de janeiro, completam-se 70 anos do assassinato do líder pacifista indiano Mohandas Karamchand Gandhi (1869-1948). Num mundo marcado pela violência, é sempre bom recordar o exemplo vitorioso do Mahatma (“grande alma”) ao alcançar, por meio da filosofia da não violência, a independência da Índia.

Em 1891, Gandhi formou-se em Direito na Inglaterra e voltou à Índia, onde exerceu a profissão. Dois anos depois, iniciou um movimento na África do Sul — àquela altura colônia britânica —, no qual objetivava lutar contra o racismo e pelos direitos dos hindus.

Em 1914, voltou a seu país e difundiu seu movimento, cujo método principal era a resistência passiva, pregando a não violência como forma de luta. Em 1922, foi detido após organizar uma greve contra o aumento de impostos, sendo condenado a seis anos de detenção. Porém, foi libertado em 1924. Em 1930, liderou a marcha para o mar, uma caminhada de 320 quilômetros para protestar contra os preços dos tributos britânicos e a proibição aos indianos de fabricar sal (...). Finalmente, em 1947, foi proclamada a independência da Índia. Gandhi trabalhou também para evitar o embate entre muçulmanos e hindus, que estabeleceram um Estado separado, o Paquistão, dividido em duas frações, uma das quais, anos depois, se tornou Bangladesh. Acusado pela divisão territorial da Índia, atraiu o ódio dos nacionalistas hindus. Um deles o assassina a tiros no ano seguinte, quando Gandhi tinha 78 anos. Na época, mais de um milhão de indianos compareceram ao seu funeral.

Civilização civilizada? Só com diálogo!
Numa entrevista que concedi à jornalista portuguesa Ana Serra — quando em lancei, em Portugal, a minha obra Reflexões da Alma (editora Pergaminho, 2008) —, ressalto que Religião, Filosofia e Política não rimam com intolerância. A Ciência, idem. Observem a reflexão de Voltaire (1694-1778): “A tolerância é tão necessária na política como na religião; só o orgulho é intolerante”.

E outra coisa: jamais se deve pregar um Criador que apavore as criaturas, porém que as deixe mais responsáveis e fraternas.

Dias desses, li — na obra Farmácia de Pensamentos, da pesquisadora Sonia de Aguiar, com a qual fui presenteado pelo veterano jornalista gaúcho Luiz Carlos Lourenço — a seguinte sentença do dinâmico cantor e compositor Gilberto Gil: “A arte, a religião e a ciência são maneiras diferentes para atingir os mesmos fins. Mas, no fundo, todas elas procuram respostas para as mesmas perguntas”.

Indagações que apenas serão elucidadas quando a Fraternidade Ecumênica se tornar o fundamento do diálogo religioso, político, filosófico e científico numa sociedade planetária que se arvora civilizada. Diante disso, cabe aqui esta palavra do velho Goethe (1749-1832): “Aquele que tem vontade firme molda o mundo à sua imagem”.

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.
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Constantemente me chegam cartas, bilhetes, recados daqueles que enfrentam grandes padecimentos. São mães cujos filhos morreram, pais lutando para afastar seres queridos do vício, jovens à procura de um rumo certo, gente fragilizada por um mal incurável, velhinhos abandonados por quem lhes deveria proteger a existência. E igualmente há o problema da “solidão acompanhada”. Talvez seja um dos fatores pelos quais as pessoas hoje se exponham tanto, como a dizer, apesar de toda a proclamação de sucesso que se lhes fazem: “Ei, estou aqui! Também tenho coração!”

Uma senhora, a quem chamarei de Dona Rosalina, é uma dessas criaturas sofridas que anseiam, pelo menos, por uma palavra de conforto. Não vou entrar na particularidade do seu caso. Mas posso revelar uma pequena sugestão que lhe fiz e que, segundo me relata, lhe tem servido de apoio.

Vali-me de minha própria experiência. Nas horas de dificuldade, quando parece que não há saídas para certas questões, recorro à oração e ganho forças para o trabalho. E não me tenho arrependido, ao concordar com o lema do venerável São Bento (480-547): “Ora et labora” [Ora e trabalha].

Passei-lhe então uma prece que, pela primeira vez, ouvi do saudoso mineiro de Santos Dumont, Geraldo de Aquino (1912-1984). Espero que sirva a quem me honra com a atenção, se, na liça diária, estiver atravessando provações que, às vezes, não pode revelar ao maior amigo ou à mais sincera confidente. Ninguém, religioso ou ateu, se encontra livre disso.

Essa oração, desde o nome, invoca um sentido de que todos necessitamos: Charitas, palavra latina que significa Caridade. Esse divino sentimento aprimora o convívio dos que buscam ver no semelhante algo além de um saco de carne ou fonte inesgotável de exploração. A Caridade não é cativa da restritíssima acepção a que alguns a querem condenar. Trata-se da mais elevada política. Ilumina o Espírito do cidadão. Ela inflama a coragem da gente. Por que perder a Esperança? A primeira vítima do desespero é o desesperado. Mas vamos à oração. De autoria do Espírito Cáritas, ela foi psicografada na noite de Natal, 25 de dezembro de 1873, por Madame W. Krell, em Bordeaux (França), e publicada em Rayonnements de la Vie Spirituelle.

 

Prece de Cáritas

“Deus, nosso Pai,/ que sois todo o Poder e Bondade,/ dai forças àqueles/ que passam pela provação,/ dai luz àqueles que procuram a Verdade,/ ponde no coração do homem/ a compaixão e a Caridade./ Deus!/ Dai ao viajor a estrela-guia,/ ao aflito, a consolação,/ ao doente, o repouso./ Induzi o culpado ao arrependimento./ Dai ao Espírito a Verdade,/ à criança, o guia,/ ao órfão, o pai./ Senhor! Que a Vossa Bondade/ se estenda sobre tudo o que criastes./ Piedade, Senhor,/ para aqueles que não Vos conhecem,/ esperança para aqueles que sofrem./ Que a Vossa Bondade permita/ aos Espíritos consoladores/ derramarem por toda a parte a Paz, a Esperança, a Fé!/ Oh! Deus!/ Um raio, uma centelha do Vosso Amor/ pode iluminar a Terra,/ deixai-nos beber nas fontes/ dessa Bondade fecunda e infinita./ E todas as lágrimas secarão,/ todas as dores se acalmarão./ Um só coração, um só pensamento subirá até Vós,/ como um grito de reconhecimento e de Amor./ Como Moisés sobre a montanha,/ nós Vos esperamos com os braços abertos,/ Oh! Bondade,/ Oh! Beleza,/ Oh! Perfeição./ Nós queremos, de alguma sorte,/ merecer a Vossa misericórdia./ Deus!/ Dai-nos força,/ ajudai o nosso progresso/ a fim de subirmos até Vós;/ dai-nos a Caridade pura e a humildade;/ dai-nos a fé e a razão;/ dai-nos a simplicidade,/ Pai,/ que fará de nossas Almas/ o espelho onde se refletirá/ a Vossa Divina Imagem.”

 

Com a palavra, um Nobel de Medicina e Fisiologia

O dr. Alexis Carrel (1873-1944), Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia (1912), famoso autor de O homem, esse desconhecido, escreveu a respeito do assunto que alenta as Almas:

“A oração é (...) a forma de energia mais poderosa que o homem é capaz de gerar. Trata-se de uma força tão real como a gravidade terrestre. Na minha qualidade de médico, tenho visto enfermos que, depois de tentarem, sem resultado, os outros meios terapêuticos, conseguiram libertar-se da melancolia e da doença, pelo sereno esforço da Prece. É esta, pois, no mundo, a única força que parece capaz de superar as chamadas ‘leis da Natureza’. Há muitas pessoas que se limitam a ver na Prece (...) um refúgio para os tímidos, ou mero apelo infantil movido pelo desejo de coisas materiais. Concebê-la, entretanto, nesses termos, é menosprezá-la erroneamente. (...) ‘Ninguém jamais rezou’, disse Emerson (1803-1882), ‘sem que houvesse aprendido alguma coisa’. (...) O mais profundo manancial de energia e perfeição, que se acha ao nosso alcance, tem sido miseravelmente abandonado. (...) Se a força da Prece for posta em ação na vida de homens e mulheres; se o Espírito proclamar os seus desígnios claramente, invictamente, haverá então confiança de que não sejam em vão os nossos anseios por um mundo melhor”.

Vejam que não se trata da opinião de nenhum “místico delirante”, porém, de um respeitado homem de ciência. Todo aquele que sofre, da choupana ao palácio, com certeza já teve o ensejo de comprovar essa realidade.

Independência da dor só se consegue com o coração forte.

Não é mesmo, Dona Rosalina?

 

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.

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A morte não interrompe a vida, portanto o aprendizado não tem fim. Na Terra ou no Céu da Terra, prosseguimos trilhando o caminho da Eternidade.
 
Paiva Netto
 
Quando meus pais faleceram, muito padeceu o meu coração. Contudo, prontamente comecei a entoar comovido colóquio com o Criador, amenizando a saudade e lhes transmitindo mensagens de paz e de gratidão. Logo senti que continuam vivos, porque os mortos não morrem. E, quando se ora, a Alma respira, fertilizando a existência humana. Fazer prece é essencial para desanuviar o horizonte do coração. Alziro Zarur (1914-1979), Proclamador da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo, ensinava que “Deus não nos criou para nos matar” e que “não há morte em nenhum ponto do Universo”, assunto de que, em outras ocasiões, voltaremos a falar. Minha solidariedade, pois, aos que sofrem a aparente ausência de seus entes queridos. Mas tenham certeza de que realmente os mortos não morrem. Um dia, todos haveremos de nos reencontrar.

“A morte não existe
“E a dor é uma ilusão do nosso sentimento.”

Alentadoras palavras deixadas a nós pelo poeta português Teixeira de Pascoaes (1877-1952), coincidentemente nascido num “Dia de Finados”. Que Deus o tenha em bom lugar!

Dia de Finados
O ensejo recorda-me o pronunciamento do papa João Paulo II (1920-2005), em 2 de novembro de 1983, ao se dirigir aos fiéis reunidos no Vaticano. Nele, Sua Santidade enfatiza que o diálogo com os mortos não deve ser interrompido:

“Somos convidados a retomar com os mortos, no íntimo do coração, aquele diálogo que a morte não deve interromper. (...) Baseados na palavra reveladora de Cristo, o Redentor, estamos certos da imortalidade da alma. Na realidade, a vida não se encerra no horizonte deste mundo (...)”. (Os destaques são nossos).

Daí a precisão de refletirmos sobre esse ponto. É compreensível que sintamos saudade dos que partiram, mas não nos devemos exceder em lágrimas, porque a nossa aceitável dor pode perturbar-lhes, no Plano Espiritual, a adaptação à nova conjuntura.

Lições do fenômeno inafastável
Dia virá em que alguns pensadores não mais prescindirão dessa realidade confortadora. Deveriam, sobretudo, elucubrar a respeito da morte e não procurar explicações unicamente materiais para um fenômeno irremovível que envolve o Espírito. Quando desperta no “Outro Mundo”, a surpresa para muita gente é grande.
No cotidiano, persistem aqueles que possam sorrir dessas modestas ilações. No entanto, os imprescindíveis cultores do intelecto não se podem designar donos de uma certeza inamovível. Não se apraz com a boa índole de seu labor. De outra maneira, seu pensamento deixaria de ser ciência, visto que a incessante investigação provoca justamente o crescimento da cultura.
Há décadas, o sempre lembrado Zarur concluiu que “Deus criou o ser humano de tal forma que ele só pode ser feliz praticando o Bem”. Assim, é preciso existir amor desde o coração do homem douto até o do ser mais simples, de modo a derribar a mentalidade esterilizadora do ódio, que vive a castrar o avanço menos delituoso da civilização.

Espiritualização Ecumênica
A morte não interrompe a vida, portanto o aprendizado não tem fim. Na Terra ou no Céu da Terra, prosseguimos trilhando o caminho da Eternidade.
Em meu livro As Profecias sem Mistério (Editora Elevação, 1998), no capítulo “Progresso sem destruição”, afirmo que nenhum país progride sem boas escolas, posto que, entre outros benefícios, elas promovem a produtividade. E, no milênio terceiro, a Espiritualização Ecumênica das massas tornar-se-á fator inarredável. Desce das alturas a certidão de óbito da era macabra da intolerância religiosa ou acadêmica, tanta vez semeada no altar ou na banca de estudo.
Que a Paz de Deus esteja agora e sempre com todos! E vamos em frente, trabalhando, realizando e atuando com decisão, coragem, solidariedade, generosidade, porque Deus está presente!

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
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Em 4 de outubro, comemoramos o Dia de São Francisco de Assis, patrono da Legião da Boa Vontade. O santo da Úmbria deve ser lembrado, principalmente, pela coragem que teve de vencer o egoísmo reinante em sua época (e em todos os tempos), reformando as Almas pelo exemplo de renúncia e amor ao próximo.

A grandeza do “Poverello” reside no ter-se integrado, abnegadamente, à divina vontade do Cristo. É, portanto, o melhor caminho para todos nós. Aspirações superiores supõem elevadas responsabilidades, que só podem ser levadas a bom termo quando a inteligência do plano espiritual permear as decisões humanas, não somente na religião, mas na política, na ciência, na filosofia, no esporte, enfim, em todos os aspectos sociais, porque nenhum deles pode prescindir da inspiração do Alto.

Aí o papel da oração, à qual todos devemos recorrer, não apenas nos momentos de dor, mas como exercício diário para o fortalecimento do Espírito e o refinamento da nossa sintonia com o Pai Celestial.

Nunca é demais, pois, transcrever a magistral prece de São Francisco de Assis, que o saudoso fundador da Legião da Boa Vontade, Alziro Zarur (1914-1979), deixou, à posteridade, imortalizada em sua voz. Ela alenta os corações de milhões de ouvintes e telespectadores da Super Rede Boa Vontade de Comunicação:

“Senhor, fazei de mim um instrumento da Vossa Paz; onde haja ódio, consenti que eu semeie Amor; perdão, onde haja injúria; fé, onde haja dúvida; verdade, onde haja mentira; esperança, onde haja desespero; luz, onde haja treva; união, onde haja discórdia; alegria, onde haja tristeza. Ó Divino Mestre! Permiti que eu não procure tanto ser consolado quanto consolar; compreendido quanto compreender; amado quanto amar. Porque é dando que recebemos; perdoando é que somos perdoados; e morrendo é que nascemos para a vida eterna”.
 
José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
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Meditando sobre o imenso valor da Caridade, ressalto que não basta dar o pão material, que depois pelo corpo é lançado fora... Necessário se faz também atender às carências do Espírito, de modo que ele, mesmo quando reencarnado, descubra as extraordinárias qualidades que, como Templo do Deus Vivo, traz dentro de si próprio. Assim aprenderá a empregá-las com pleno conhecimento das Leis Divinas. E saberá livrar-se dos erros, cuja origem — para os que têm “olhos de ver e ouvidos de ouvir” — acha-se no campo espiritual. Espírito enfermo, matéria enferma. Mente perturbada, corpo afetado. A solução é psicossomática. Pensamento é força realmente. Escreveu Adelaide Coutinho (1905-1975 aprox.), pela psicografia do médium Francisco Cândido Xavier“Se não lapidarmos o coração, sobrevém, para nós, a tempestade. São os votosmalcumpridos, as promessas olvidadas, as tarefas no abandono, os compromissos relegados ao esquecimento e a ânsia doentia de colher sem plantar e auferir lucros semesforços, na grande jornada da matéria, em que, juntos de nossos amigos e adversários, tanto poderíamos realizar em nosso próprio proveito”, completadas por estas deEmmanuel (Espírito): “O desânimo absorve-te o coração? Lembra-te de que o tédio é um insulto à fraternidade humana, porque a dor e a necessidade, a tristeza e a doença, a pobreza e a morte não se acham longe de ti”.

 

Eis por que a Legião da Boa Vontade não cuida somente do corpo, mas também do Espírito. De outra forma, há sempre o perigo de se promover a vagabundagem, coisa que absolutamente não fazemos. Como dizia o abade, poeta e tradutor francês Jacques Delille (1738-1813), “a Caridade que se faz por meio de esmola é uma forma de conservar a miséria”.

 

Que ninguém, todavia, se furte ao dever de ajudar. Amanhã poderá situar-se entre os suplicantes, necessitado urgente da esmola do que passa... “Hodie mihi, cras tibi.” (Hoje, eu; amanhã, você.)

 

Alimente-se, pois, o corpo combalido, mas que se lhe salve a Alma com o Evangelho e o Apocalipse de Jesus, em Espírito e Verdade, à luz do Novo Mandamento, de forma que o ser humano, conhecendo e vivendo as Leis de Deus, livre de sectarismos e fanatismos que tanto têm prejudicado as religiões no mundo, descubra que, sendo Templo do Deus Vivo, como ensinava Jesus, pode libertar-se da miséria. Descoberta a riqueza interior, a exterior, mais dia menos dia, surgirá. Analisando o trabalho de grandes pensadores, escreveu Henry Thomas (1886-1970) a respeito do filósofo e físico judeu-árabe Maimônides (1135-1204), conhecido como o Aristóteles da Idade Média: “(...) É especialmente famoso pelos seus Oito Degraus de Ouro da Caridade. Neste ensaio, expõe que há uma diferença entre dar e dar. Podeis dar com a mão, o pensamento e o coração. O primeiro e mais baixo degrau na escala da Caridade é dar com relutância. O segundo é dar insuficientemente. O terceiro é dar somente quando se é solicitado. E, assim por diante, até chegarmos ao oitavo degrau. Este é impedir a pobreza para evitar a necessidade da caridade. Este, conclui ele, é o mais alto degrau e o cume da escada de ouro da Caridade”.

 

Entretanto, não se deve restringir a Caridade ao louvável serviço da assistência material. Caridade é muito mais. Dirige-se ao Espírito do ser humano. Mesmo que os governos do mundo resolvessem toda a problemática social de seus povos, a Caridade seria necessária. Ela é, como prega a Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo, Amor. Deus é Amor. Ninguém vive sem Ele, nem mesmo os Irmãos ateus...

 

 

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

 

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Quando almejamos o apuramento das coisas, é imprescindível que localizemos o que está errado, a começar no nosso íntimo, porquanto, se não reconhecermos os nossos defeitos, como nos poderemos corrigir? Temos basicamente de deixar de enganar-nos a nós próprios, sob o risco de encenarmos, como protagonistas, este desabafo de La Fontaine (1621-1695): “A vergonha de confessar o primeiro erro leva-nos a muitos outros”.

 

Ora, isso se aplica a todos e a tudo para a melhor convivência global.

Tomemos como exemplo a atual crise. O capitalismo é uma sucessão delas. O que está a exigir, agora mais do que nunca, além das medidas técnicas corretivas, uma reforma que tenha como bandeira a dignidade, o respeito à criatura humana. Do contrário, a próxima explosão da bolha será muito pior que a da primeira década do século 21.

 

Erigir uma comunidade mundial mais responsável

Retificar esse costume doentio seria, digamos para argumentar, um categórico primeiro passo para erigir-se, no decurso do terceiro milênio, uma nova comunidade mundial mais responsável, portanto, com menos repentinas crises, incluídas as financeiras e econômicas — embora possível e ciclicamente armadas e previstas, pelo menos por aqueles que vivem a tirar ganancioso proveito do que a multidão nem imaginava acontecer. Junte-se a isso as proclamadas omissões e displicências de certos governos a fomentar sequelas como a grave questão do desemprego; a falta de uma melhor regularização e fundamentos econômicos sólidos; as estimativas equivocadas da situação econômica; e as inefáveis cobiça e arrogância, que têm sido o túmulo de tanta coisa apreciável que nem ao menos teve tempo de nascer, para orfandade das massas. Como vaticinava o Gandhi (1869-1948), “chegará o dia em que aqueles que estão na corrida louca de multiplicar os seus bens na vã tentativa de engrandecimento (extensão de territórios, acúmulo de armas, de riquezas, de poderes...) reavaliarão os seus atos e dirão: Que fizemos nós?”.

Por isso tudo, prefiro primeiramente confiar em Jesus, que o Mahatma, indiano, mas acima de tudo universalista, tanto respeitava, assim como o fazem os irmãos islâmicos. O Cordeiro de Deus não trai nem entra em crise. Para nossa segurança, Ele havia-nos confortado, ao revelar:

“Eu sou o Pão da Vida; quem vem a mim de forma alguma terá fome; e quem em mim crê jamais terá sede! (...) Eu sou o Pão Vivo que desceu do Céu. Se alguém dele comer, viverá eternamente” (Evangelho, segundo João, 6:35 e 51).

Ora, tudo neste planeta pode ficar além do controle dos homens, mas nada escapa ao comando de Deus. Todavia, quando os seres humanos verdadeiramente se reúnem com o fito de achar-se uma solução, mesmo que para os mais espinhosos problemas, ela surge. Mas é “preciso que haja Boa Vontade”, consoante propunha o saudoso fundador da LBV, Alziro Zarur (1914-1979), desde que não seja confundida com boa intenção, com a qual está calçado o inferno, como diz o povo.

 

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

 

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Dia dos Pais! Nosso pensamento se eleva em primeiro lugar ao Pai de todos, o Celestial, que gerou nossos pais e fez igualmente de nós pais. Alguns argumentam: “E como ficam os homens que não têm filhos?”

Já expliquei que pai também é aquele que faz nascer boas obras — como que suas filhas —, o que levanta indispensáveis construções espirituais e sociais — como que seus filhos. Grandes figuras da Humanidade não foram genitores no sentido literal da palavra, contudo trouxeram à Terra filhos livros, descobertas científicas e desbravamentos filosóficos, morais, políticos, religiosos. São admiráveis descendentes que beneficiam multidões, geração após geração.

Aos pais de filhos espirituais, carnais, morais, sociais, o reconhecimento fraterno da Legião da Boa Vontade, dos seus Centros Comunitários, Educacionais, Culturais, Artísticos, Esportivos, do Conjunto Educacional Boa Vontade, em São Paulo/SP, do Centro Comunitário de Assistência Social Alziro Zarur, da LBV, em Glorinha/RS, de todas as obras que sustentamos pela força da Fé Realizante, porque a Fé, ensinou Jesus, remove montanhas.

E mais afirmou o Divino Chefe: “Tudo é possível àquele que crê” (Evangelho, segundo Marcos, 9:23).

A quantos o Excelso Taumaturgo tem convidado: “Levantai e andai!” (Evangelho, consoante Lucas, 5:23). E caminharam. A quantas pessoas ordenou: “Vede!” E viram. O Cristo curou cegos de nascença (Evangelho, segundo João, 9:1 a 91). Porque a cada um, Ele mesmo adverte: “de acordo com as obras de cada um” (Evangelho, segundo Mateus, 16:27, e Apocalipse, 20:13).

Seres de Boa Vontade, do Brasil, do mundo, do plano espiritual ainda invisível aos nossos parcos sentidos físicos, para a frente e para o Cristo Ecumênico, o Divino Estadista! Como disse o Irmão André Luiz, Espírito: “A LBV é a nossa caravana de agora. Não nos iludamos: Jesus segue na vanguarda do nosso Movimento”.

 

Oração dedicada aos pais

Vamos elevar o nosso pensamento a Deus, ao Pai Celestial. Pedir a Ele a proteção para os pais terrenos. Na dor, no sofrimento, na guerra, a primeira invocação que se ouve por parte dos que padecem é o nome daqueles que os geraram. Agora, vamos orar a Prece Ecumênica de Jesus, a Oração do Senhor deste planeta, que se encontra no Seu Evangelho, segundo Mateus, 6:9 a 13.

 

“Pai Nosso que estais no Céu, santificado seja o Vosso nome. Venha a nós o Vosso Reino. Seja feita a Vossa Vontade assim na Terra como no Céu. O pão nosso de cada dia dai-nos hoje. Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoarmos aos nossos ofensores. E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal, porque Vosso é o Reino, e o Poder, e a Glória para sempre. Amém!”

 

O sentido da liberdade verdadeira

“O pão nosso de cada dia dai-nos hoje. Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoarmos aos nossos ofensores.”

Fosse essa a súplica permanente do mundo e muita coisa se transformaria. Porque, para começar, estaríamos pedindo ao Criador o pão espiritual, a fortaleza para a nossa mente, o sentido da liberdade verdadeira, a independência de julgamento, que só pode vir pela celeste inspiração. Se o corpo precisa do alimento material, o Espírito necessita do pão da liberdade.

Mas o que é a liberdade? As mãos livres para fazer mal ao semelhante? Para infamar, para caluniar, uma comunidade, uma família? Não! Isso seria o mal estabelecido. A liberdade tem de ser iluminada pelo coração que ama, respeitando-se a Justiça que provém de Deus. Isso é que é moral, justo! Todavia, para que essa concepção possa, na verdade, viger, edificando um país, temos de procurar a compreensão do que seja realmente a Lei Divina.

Urge nos conscientizarmos de que o Amor Fraterno é também Justiça, não condescendência com o erro. Alguém pode perguntar: “Mas o que está certo e o que está errado?”

O que causa prejuízo e dor não pode estar correto. O desequilíbrio da Humanidade vem muito disso.

 

Jesus como paradigma

Salve o Dia dos Pais, o Dia das Mães, dos Avós! Salve Jesus! Às crianças e aos jovens do Brasil e do exterior, a nossa saudação! Que a grama verde (a mocidade), descrita no estudo sem tabus do Apocalipse, não seja destruída. Do contrário, não haverá continuidade de vida na Terra. E quando falamos não ser aniquilada a juventude, não pensamos somente no sentido restrito da morte do corpo físico, porque, se a consciência estiver falida, estaremos mortos também. Existem o intelecto e a consciência. A segunda conduz-nos à sabedoria, quando iluminada, se assim o quisermos, pela Bondade Divina.

Que a Paz de Deus esteja agora e sempre no coração de todos e de todas, quer acreditem na Espiritualidade Superior, quer sejam ateus ou ateias. O importante é ser honesta, digna; ser honesto, digno. Aí está o segredo: Jesus como paradigma! Que Ele tenha piedade de nós, e que a Sua generosidade conduza os nossos destinos!

Finalizando, registro, emocionado, meus sinceros agradecimentos ao meu saudoso pai, Bruno Simões de Paiva (1911-2000). Um dos principais responsáveis pela minha formação cultural, ainda que modesta. Constantemente me presenteava com livros, preocupado que foi com a educação do filho, como também de minha irmã, Lícia Margarida (1942-2010). Receba, seu Bruno, onde estiver, ao lado de dona Idalina (1913-1994), um beijo no coração!

 

José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

 

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Reflexões da Alma, título que lancei em 2008, em terras lusitanas, segue a Ideologia do Bom Samaritano, tão bem acolhida pelo ilustre povo português, acerca da qual escrevi na revista BOA VONTADE, número 197, de janeiro de 2005: ajudar o próximo e esclarecê-lo, espiritual e intelectualmente, para que saiba enfrentar os inúmeros desafios cotidianos e consiga erguer uma jornada de vitórias. E conforme elucidei em Como Vencer o Sofrimento (1990), quando o ser humano se esmera em aprimorar-se no Espírito, tudo melhora à sua volta. A saída está em educar ecumenicamente.

O Ecumenismo Divino é uma questão a ser realizada, pois o estado do mundo real infelizmente é, sob diversos aspectos, ainda este: “Mesmo que seja certa a proposta de outra criatura, se não é do meu rebanho, não interessa”. A solução, portanto, para tamanho absurdo é o Ecumenismo, do qual tanto lhes falo nas múltiplas publicações da Editora Elevação e na mídia eletrônica, destacando-se a internet. Exemplificando que a Boa Vontade é o elo de sapiência que nos une como seres espirituais e terrenos, porque a vida na Terra começa no Céu, exponho nos meus escritos e palestras o pensamento de gente dos incontáveis redis religiosos, políticos, científicos. E, universalizando, ideológicos. Esses meus Irmãos em humanidade, quando trazem em si e nos seus textos uma extensa variedade de expressões em que todos podemos, com um mínimo de Boa Vontade, encontrar-nos, demonstram, assim, que o Ecumenismo é verdadeiramente instrumento de Paz num planeta em que qualquer diletante promove a guerra. Mas “se queres a Paz, prepara-te para a Paz”, já dizia Rui Barbosa (1849-1923). Concordo com Vinicius de Moraes (1913-1980), o saudoso poetinha — como ficou conhecido o inesquecível parceiro de outro gênio da Bossa Nova, Tom Jobim (1927-1994) —, que, com sua peculiar inspiração, versejou: “Você é, ao mesmo tempo, um coração que bate e um único batimento nesse corpo chamado humanidade”.

 

* José de Paiva Netto, jornalista, radialista e escritor.

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Dezessete de junho é o Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca. Vale, portanto, ressaltar recentes e alarmantes estatísticas. Uma delas vem da OMS, conforme nos informa o site da ONU-Brasil: “A Organização Mundial da Saúde (OMS) destacou a necessidade de reduzir as emissões de poluentes como o carbono negro, o ozônio, o metano e o dióxido de carbono, que não só contribuem para as mudanças climáticas, como também provocam mais de 7 milhões de mortes associadas à poluição do ar por ano”. E, conforme noticiou a Deutsche Welle, uma pesquisa do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica diz que os reservatórios de água no país, considerados críticos pela Agência Nacional de Águas (ANA), perderam em média 80% de sua cobertura florestal.
Ora, os danosos impactos desse verdadeiro “arboricídio” estão aí. O ar, o solo e a água diariamente escasseiam em qualidade, fertilidade e abundância.
 
Cuidado, estamos respirando a morte
Há 17 anos, em 1o de julho de 2000, a revista Manchete publicou um artigo meu que parece até que foi escrito hoje:
Atualmente, em vastas regiões da Terra, o simples ato de respirar corresponde à abreviação da vida. Sofrimentos de origem pulmonar e alérgica crescem em progressão geométrica. Hospitais e consultórios de especialistas vivem lotados com as vítimas das mais diferentes impurezas.
Abeirar-se do escapamento de um veículo é suicídio, tal a adulteração de combustível vigente por aí. Isso sem citar os motores desregulados...
 
Cidades assassinadas
Quando você se aproxima, por estrada, via aérea ou marítima, de grandes centros populacionais do mundo, logo avista paisagem sitiada por oceano de gases nocivos.
Crianças e idosos moram lá... Merecem respeito.
No entanto, de maneira implacável, sua saúde vai sendo minada. A começar pela psíquica, porquanto as mentes humanas vêm padecendo toda espécie de pressões. Por isso, pouco adiantará cercar-se de muros cada vez mais altos, se de antemão a ameaça estiver dentro de casa, atingindo o corpo e a psicologia do ser.
Em cidades praieiras, a despeito do mar, o envenenamento atmosférico avança, sem referência à contaminação das águas e das areias... O que surpreende é constituírem, muitas delas, metrópoles altamente politizadas, e só de algum tempo para cá seus habitantes na verdade despertarem para tão terrível risco.
Despoluir qualquer área urbana ou rural deveria fazer parte do programa corajoso do político que realmente a amasse. Não se pode esperar que isso apenas ocorra quando se torna assunto lucrativo. Ora, nada mais proveitoso do que cuidar do cidadão, o Capital de Deus.
As questões são múltiplas, mas esta é gravíssima: estamos respirando a morte. Encontramo-nos diante de um tipo de progresso que, ao mesmo tempo, espalha ruína. A nossa própria.
Comprova-se a precisão urgente de ampliar em largo espectro a consciência ecológica do povo, antes que a queda de sua qualidade de vida seja irreversível. Este tem sido o desafio enfrentado por vários idealistas pragmáticos. Entretanto, por vezes, a ganância revela-se maior que a razão. O descuido no preparo de certas comunidades, para que não esterilizem o solo, mostra-se superior ao instinto de sobrevivência. (...)
 
A poluição que chega antes
A infinidade de poluições que vêm prejudicando a vida de cada um deriva da falência moral que, de uma forma ou de outra, inferniza a todos. Viver no presente momento é administrar o perigo. Mas ainda há tempo de acolhermos a asserção de Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944): “É preciso construir estradas entre os homens”. Realmente, porque cada vez menos nos estamos encontrando nos caminhos da existência como irmãos. Longe da Fraternidade Ecumênica, não desfrutaremos a Paz.
 

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.
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Em Jesus, a Dor e a origem de Sua Autoridade, destaquei que, ao escrever esse livro, meu intuito foi mostrar aos prezados leitores que a Dor nos fortalece e nos instrui a vencer todos os obstá­culos, por piores que sejam. Por isso, suicidar-se é um tremendo engano. Alziro Zarur (1914-1979) alertava: “O suicídio não resolve as angústias de ninguém”.

No encarte do CD da radionovela Memórias de um Suicida*, lançada pela gravadora Som Puro, afirmo que o suicídio é um ato que infalivelmente golpeia a Alma de quem o pratica. Ao chegar ao Outro Lado, ela vai encontrar-se mais viva do que nunca, a padecer opressivas aflições por ter fugido de sua responsabilidade terrena. Convém assinalar que sempre alguém fica ferido e/ou abandonado com a deserção da pessoa amada ou amiga, em quem confiava, seja aqui ou no Mundo da Verdade.

E é de muito bom senso não olvidarmos que no Tribunal Celeste vigora o Amor, mas não existe impunidade. (...)

José de Paiva Netto ― Jornalista, radialista e escritor.

Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. — www.boavontade.com

Serviço:

* Memórias de um Suicida — Para adquirir, ligue para o Clube Cultura de Paz (0300 10 07 940) ou acesse www.clubeculturadepaz.com.br.



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