NATAL PRESS

Quadro 1

Diálogo 1

- Alô? Mamãe? É Paulo, tudo bem?
- Olá, meu filho, tudo em paz. E você, como está de novo emprego e nova cidade?
- Muito bem, mãe. Estou ligando para que a senhora e o velho venham passar o feriadão da Semana Santa aqui. Vai ser animado, churrasco, música, bebidas, uma beleza!
- Que bom, filho, nós não tínhamos ainda pensado o que fazer nesses feriados. Nós vamos.
- Vê se o velho traz aqueles whiskies 12 anos que ele guarda, tá? Um beijo.

Quadro 1

Diálogo 2

- Olá Suzana, como vai? Faz tanto tempo que não lhe vejo.
- Tudo bem, Alice. É a correria do dia-a-dia, agora pior com a chegada do Natal. Um saco! As crianças eufóricas com o Papai Noel e seus presentes, ajeitar a arvore, você sabe como é que é.
- Estou na mesma situação. Fora a tristeza que dá na gente, não é? Coisa chata, o Natal.
- Eu detesto.
- Eu também. Feliz Natal.
- Pra você também.


Quadro 2
Monólogo 1 (A mãe de Paulo, do diálogo 1)
Meu Jesus, ajudai-me nesse momento que meu filho está na mesa de operação. Foi um acidente tão feio, Senhor, que só Sua bondade pode salvá-lo. Por favor, não deixe que ele morra, ele é ainda tão moço, tem tanta vida pela frente. E o Senhor sabe que nunca Lhe esqueço. Oh, meu Jesus, intervenha. Atenda esse apelo de uma mãe aflita.

Quadro 2
Monólogo 2 (Suzana ou Alice)
Senhor, Vós que morrestes na cruz socorrei meu filho no julgamento de amanhã. Eu sei que ele tinha bebido e bateu no outro carro de forma irresponsável, mas tanta gente comete erros e é perdoado, não é, Jesus? Sempre confiei no Senhor e creio no Seu poder para ajudar meu filho. E o rapaz do outro carro, de nome Paulo, que ainda está no hospital entre a vida e a morte, não deixe que ele morra, Senhor. Ajude a mim e à mãe dele, que deve estar desesperada.


Pode parecer duro e cruel, mas é assim que Cristo é tratado. Na sua morte, a euforia é geral. Afinal, é um feriadão, dá pra ir para a praia, uma fazenda, ou ficar em casa, recebendo amigos para festas e muita diversão. Poucos param para reverenciar Cristo. Poucos sequer sabem da sua agonia. E olhe que ele pagou com a própria vida sua missão.

Já no seu nascimento, as pessoas só se lembram de presentes, festas, Papai Noel, árvores de Natal, etc. Muito raramente, ouvimos ou vemos alguém se reportar a 25 de dezembro como o dia em que ele nasceu. Poucos fazem dessa data um momento de alegria por Jesus haver nascido e nos dar tantas e tantas lições. Lições que pouco aprendemos. Ou, se aprendemos, raramente as colocamos em prática. É triste, mas é a verdade.


*Jornalista

Detesto a cor branca!
Quando penso nela, sinto dor no estômago!
Tudo porque um sorriso de marfim, sem dó nem piedade, disse-me adeus!
E junto com o adeus levou um naco da minha alma!
Hoje, com a alma amputada, vago pela vida!
Morrendo de medo de sorrisos!
Principalmente daqueles que parecem marfim!

Há, em todos nós, uma incurável doença chamada nostalgia. É fogo! À medida que o tempo vai passando, as pessoas mais ficam saudosas. É comum ouvir em rodas coisa do tipo “Naquele tempo é que era bom!”, “Se fosse antigamente vocês iam ver o que era um carnaval!”, “Os bons tempos voltaram! Teremos Colombinas, Pierrôs, tudo como antigamente!”, “Duvido que esse descaso do governo acontecesse na minha época!”. Tem umas assim: “Isso é uma vergonha! Aquele casal se beijando na frente de todo mundo. Por isso que os casamentos não dão certo. É tudo muito fácil!”. E por aí vai. Seria como o passado fosse um mar de rosas, o presente uma completa desordem. E o futuro, uma mistura de Babel com Sodoma e Gomorra, à espera do Armagedon.

Mas é explicável. Essas pessoas ficaram presas a um passado que foi bom e não querem, sob nenhuma hipótese, dar esse passo à frente. “Era tão bom, pra que mudar?”, pensam elas, inseguras. Cá pra nós, tivemos momentos no passado que, se fosse possível “salvá-los” para vivermos outras vezes, nós o faríamos. Não tenho dúvidas. Porém, temos que ter em mente que a vida segue inapelavelmente na sua rotina e temos que acompanhá-la. Caso não o façamos, ficamos numa espécie de limbo. Nem lá, nem cá.

Por que não pensarmos no presente, que é algo que estamos vivendo agora e, a partir daí, construir nosso futuro? O ontem se foi. O presente está aqui, fazemos parte dele. O futuro, ao contrário do dito popular, pertence a Deus até certo ponto. Calma! Ele nos dá as ferramentas para que forjemos essa estrada, a inteligência para que a utilizemos nessa construção, a saúde para podermos levar à frente nossos projetos, enfim, Ele nos dá tudo. Isso de ficar flanando e deixar tudo por conta d’Ele é deixar de lado a sua vida. Nada disso. Mãos à obra!

O presente, se enxergado com bons olhos, pode proporcionar momentos deliciosos. Nada de se queixar de governo, de taxa de juros, do trânsito, isso é outra coisa. Tem a sua hora – ou quinze minutos, no máximo. Vamos viver um amor que está em plena ebulição! Isso é momento único! Vamos ver as coisas que a Mãe Natureza nos deixou. Não é frescura, não. Isso é sensibilidade. Vamos beijar nossas pessoas amadas. Vamos perdoar eventuais falhas. Vamos ser solidários. Vamos dar bom dia, boa tarde, boa noite, por favor, obrigado. Vamos sorrir, mesmo quando o tempo está carrancudo. Vamos ligar para os amigos. Vamos visitar nossos familiares com mais frequência. Vamos dar menos valor ao vil metal que a gente se liberta de muita coisa. Vamos ser felizes. Afinal, estamos aqui pra isso.

*Jornalista

Muitos vibraram com a escolha de natal para ser uma da sub-sedes da Copa do Mundo FIFA 2014. "Natal é primeiro mundo!", gritavam uns. "Governo é isso! Só traz coisas boas!", bradavam os babões políticos. "Quero ver agora de que vão reclamar!", dizia o otimista. Mas, outros, mais sensatos e com a visão voltada para África do Sul, país do Terceiro Mundo que sediou o torneio e, que, até hoje, não sabe o que fazer com os estádios construídos a preço de ouro - li-te-ral-men-te - e na mesma penúria de vida sem as prometidas obras de viabilidade, viraram o rosto à escolha.

Parece implicância, pessimismo, falta de boa vontade, mas não é. Apenas a realidade exposta. Eles lá, como nós cá, caíram no conto da FIFA. Pior do que o do Vigário mil vezes. Nós, com um agravante: já sabíamos do golpe que tinha sido passado na África. Mas os políticos, sempre eles, com os cifrões gravados nos olhos, exergaram mais uma oportunidade de se locupletarem. Seja politicamente ou financeiramente eles vão tirar partido disso. Para isso, bastou jogar a velha conversa em cima do povão - como o sedutor em cima da inocente - e a coisa foi aceita. Em clima de festa, diga-se de passagem.

Hoje, faltando menos de um ano para o início da competição, só tem uma coisa pronta e é extamente a que menos importa para Natal e para o RN: o Arena das Dunas. Depois de dois ou três jogos da Copa, pra que danado ele vai servir? Quando ABC e América - que, por sinal, marcham firmemente para a Série "C" - colocarão 40.000 espectadores no estádio? Nunca! "Vai ser uma arena multiuso, vai servir pra isso, praquilo, blá, blá, blá!", afirmam os que estão à frente do projeto. Porra nenhuma! Não vai servir pra nada!

Cadê a duplicação da Roberto Freire? Aeroporto? Veículo Leve Sobre Trilhos (Nome bonito danado!)? Hospitais padrão FIFA? Ruas e avenidas dentro do padrão FIFA? Escolas olhando para o Primeiro Mundo? Viadutos? Túneis? Nada! Só conversa fiada! Tudo como antes. Para nós, é claro. Para outros, as contas bancárias deverão estar diferentes.

Amigos, mais uma vez esses salafrários passaram a perna no povo. Assim, não é possível que nas próximas eleições, esses eleitores que foram engabelados não usem suas armas contra esse câncer: SEU VOTO! Tome tento, povo!!!

Minervino Wanderley é jornalista.



Vem! Rápido! Toma conta deste coração vazio.
Vem! Mas vem com pressa porque a solidão invade.
Vem! Aplaca essa dor que enche meu peito e mal me deixa respirar.
Vem! Não de onde vais surgir, mas vem.
Vem! Chegue e não bata à porta. Ela está aberta há tempo.
Vem! Venha pra ficar. Deixe, pelo menos, a ilusão de que é para sempre.
Vem! Não deixe mais que as lágrimas molhem minha face.
Vem! Não nasci para viver de saudade.
Vem! Vamos fazer um futuro do nosso presente.
Vem! Antes que seja tarde e ele desista de amar.
Vem! Preciso desse combustível chamado amor.
Vem que eu prometo que, depois que você entrar, jogarei a chave no mais fundo precipício que possa existir.
Vem...

Ah! Como seria bom a morte!

Não, não falo dessa morte causada por um infarte, AVC, ou coisa que o valha.

Quero morrer do veneno que você, meu amor, destila através dos olhos e de seus beijos.

E, e assim acontecer, pedirei a Ele que me traga de volta

Somente para morrer desse veneno outra vez!

Existem frases que ficam marcadas para a sempre e tomam o rumo da eternidade. Uma dessas é aquela de Ataulfo Alves que um dia disparou: “Eu era feliz e não sabia”.

É claro que para alguns essa frase não venha a ter o efeito por ele desejado. Muito casaram, tiveram filhos, melhoraram de vida e o passado, para estes, é algo para esquecer. Mesmo assim, eles jamais poderão dizer o inverso, ou seja, “Fui infeliz e não sabia”, pois estariam, dessa forma, vivendo seus piores momentos.

Quando Ataulfo falou aquilo, ele se referia apenas à inocência que ainda habitava nossos corações. Assim como uma bola de futebol ou uma boneca eram motivos para noites em claro de tanta felicidade. Como esquecer a família unida em torno de uma mesa comemorando o Natal, com direito a peru assado e ervilhas? E os afagos dos pais e irmãos mais velhos que nos deixavam com a certeza de tudo aquilo seria para sempre? O desconhecimento da dor, da solidão, da tristeza, fazia de nós os próprios heróis das revistas em quadrinhos. Isso era felicidade!

Hoje, amargos em alguns momentos, felizes em outros, voltamo-nos ao passado e, creio eu, pouquíssimo de nós não sente saudades quando o fazem. Não é para menos: as famílias nas Noites de Natal já não se reúnem mais. Afinal, há lugares vazios, pois muitos já partiram. A bola de futebol e a boneca se transformaram em compromissos – quase sempre inadiáveis. Os afagos, ah! os afagos, esses não passam de lembranças que nos dilaceram o coração, posto que muitas daquelas mãos não mais existem. A dor, a solidão e a tristeza andam ao nosso lado como se nos estivessem cobrando por aquele período em que nós simplesmente não lhes dávamos a menor das atenções.


A vontade que me dá neste exato momento é de me embriagar e tentar, pela embriaguês, voltar ao passado. Aos colos de Emilio e Martha Salem, meus pais, ao convívio com Emilinho, meu irmão, e a desfrutar da doçura de Bebete, minha irmã.


Gosto de beber whisky, mas amargo como estou, só entra Campari.

Amigo Caio Salem,

Começo dizendo que nossos temores eram infundados. Deu tudo certo! Graças ao bom Deus e à preciosa ajuda de Nossa Senhora de Fátima.

Depois de uma serena travessia sobre o Atlântico, pousamos em terras lusas. Afora uns probleminhas com uma aeromoça que conheci no trajeto e que queria, a todo custo, pedir demissão da TAP e ir comigo nessa missão, o resto foi tranquilo. Quanto ao problema sentimental da moça - macaco velho como sou - usei uma nova técnica de escape: “Meu bem, vou ali comprar cigarros e volto já”. Como parte do plano de fuga, comprei um disfarce de Roberto Leal, saí cantando fados pelo saguão do aeroporto e driblei a criatura.

Em seguida, peguei o trem que me levaria ao encontro do nosso velho amigo. Apesar dos insistentes olhares de uma ferromoça, não quis conversa e me concentrei na viagem. Cheguei à Coimbra pelas dez da matina e fazia um frio que lembrava muito a Serra do Lima, que fica ali entre Patu e São Miguel. Enquanto pegava minha bagagem – que era bem grande, por sinal – senti que alguém me olhava. Virei-me e dei de cara com um par de olhos suplicantes e ansiosos. Não era Camões, com certeza! Era ele, afinal. Alex Roberto Rodrigues do Nascimento. Quis esboçar um sorriso, mas ele não correspondeu. Eu sabia o que ele tanto almejava e, calmamente, retirei da bolsa e mostrei-lhe, de longe, sua primeira encomenda: um pacote novinho de Plaza curto! Senti um certo alívio por parte dele, mas faltava muita coisa.

Depois dos abraços e manjadas perguntas, entramos no taxi. Antes que ele perguntasse: “E o resto?”, tranquilizei-o com um aceno de cabeça que queria dizer que estava tudo aqui. O trajeto, do pequeno aeroporto até sua casa, que fica nos arredores daquela Açu portuguesa, lembrava muito a estrada Macaíba-São Gonçalo, mandacaru de um lado, aveloz do outro. Bateu uma saudade!

Agora sei o que Alex está passando. Cadê a feira do Alecrim? A Cabeça do Bode? E o Picado do Monteiro, onde ele tantas vezes varou a noite tocando surdo na turma do “Pagode do Atlântiico”? Não tem nada disso por aqui. Só bibliotecas, museus, galerias de arte, essas baboseiras. Perguntei se estava batendo uma bolinha e ele fuzilou-me com os olhos e respondeu: “Mané, aqui não tem Vila Naval”. Pobre Alex. Quanto tempo ainda ele vai ter que aturar isso? Mas tem que pagar essa pena. Afinal, quem mandou mexer com a moça no fatídico carnaval do Quintas Clube? Fez aqui, paga aqui! É a lei!
Enfim, chegamos à sua casa. O bairro lembrava muito o estilo de construção da Cidade da Esperança. Quando entrei, quase não consigo segurar uma teimosa lágrima. Logo na sala, um enorme pôster do ABC de Alberi. Ao lado, uma foto do Mons. Walfredo e, como não poderia deixar de ser, o diploma da UFRN. Sentei-me, tirei uma garrafa de Pitu da bolsa e tomamos uma lapada, que é pra espalhar o sangue. Comecei, então, a transformar seus sonhos em realidade. Carne de Sol, jerimum, miúdo de porco, farinha, mocotó, um peba, 2 garrafas de Murim, uma fita K7 com edições da Patrulha da Cidade, uma fita VHS com trechos do Aqui Agora e do Programa Luiz Almir.

Ficamos o resto do dia bebendo, fumando e relembrando as nossas coisas. Olhei para o relógio – já tava vendo dois – e em ambos eram 20h30. Olhei para os Alex – também tinham dois – e eles, sem dizerem uma palavra, ficaram balançando as cabeças, como se não acreditassem no que viam e que podiam, quando bem entendessem, saborear aquilo tudo.

No dia seguinte, tomei um Sonrisal e fui cuidar do retorno com a certeza da missão cumprida. Alex merece esse sacrifício e eu entendo isso. Já passei por esse drama quando fugi com Isadora Ribeiro e me escondi em Viena. Mas é outra história, depois eu conto.

Um abraço,
Minervino

(Republicação)

Jorge Amado e Zélia Gattai. Dorival Caymmi e Stella Maris. E, para quem tem por volta de 50 anos, os pais. Estes são exemplos daqueles que levaram a sério o que o padre falou: “Até que a morte os separe”. Era um compromisso. Hoje, não existe mais o “amor eterno” nem o perfume inesquecível que ele ou ela usava. O banco da pracinha foi-se com o tempo. As cumplicidades levavam uma vida inteira. Assim era o amor. Ou, para ser mais sincero, assim é o amor.

A forma de amar mudou. Os corações de agora se enchem e se esvaziam numa velocidade estonteante. O que era um namoro sério, hoje virou uma mera “ficada”. Um beijo, ah! Um beijo era a demonstração do amor, como se as duas bocas selassem um eterno acordo de vida comum. Nos dias atuais, beijar passou a ser um verbo sem muita importância. Todo mundo beija todo mundo e ponto final. As antigas mãos geladas e trêmulas do primeiro encontro se transformaram em corajosas “mãos bobas”. Perderam a emoção. Banalizaram-se. Pobre juventude!

Tudo na vida existe um porquê, como diz a vovó do rock ‘n’ roll, Rita Lee. A frieza de hoje pode ser debitada à velocidade com que as coisas acontecem. O telefone, por exemplo, era um meio de comunicação eficiente. Não existia o aparelho móvel, mas todo mundo se encontrava. No local e hora certos. Os namorados marcavam seus encontros sem problemas. Com a chegada do celular, vieram os desencontros: “Desculpe, mas tava fora da área”, ou “A bateria descarregou”, e por aí vai. As conversas deixaram de ser olho no olho e passaram a existir via e-mails e MSN ou outro programa qualquer. O beijo, mesmo o amigo, é dado por uma caricatura virtual. Fria e gélida como uma replicante de ‘Blade Runner’.

Ora, se McLuhan achava que com o avanço tecnológico o mundo se transformaria numa “aldeia global”, o que vemos é um distanciamento pessoal cada vez maior. É fato que a internet diminuiu distâncias, agilizou serviços outrora terrivelmente burocráticos e lentos e nos apresentou a um novo mundo. Mas até que ponto isso é benéfico? Cadê o calor humano, a proximidade, a visão do sorriso ou de um pranto? São coisas que só “ao vivo” podem dar sua exata dimensão. O que aqui coloco aqui pode ser visto no encontro de dois amigos, que se comunicam diariamente via fios e fibras óticas, mas não se veem e, quando se encontram, a expressão é a mesma: “Porra, há quanto tempo!”. Ou seja, a simples troca de mensagens não supriu a necessidade da presença física, do contato.

Para termos a ideia de como desvalorizamos essa proximidade, é possível que ‎22/‎02/‎2013cada um de nós conheça alguém que ouviu falar de uma mulher ou um homem que tenha partido para outros lugares para casar com “uma pessoa que conheci na internet”. Bacana. né? Quer dizer que essas pessoas sentem aquele friozinho na barriga quando ligam o computador? Tomam banhos demorados, se perfumam e se vestem com a melhor roupa para sentarem-se diante de um monitor e pensar: “Estou tão nervosa. Vou falar com meu namorado?" Fala sério!

O bom é ali, ó! Olhando nos olhinhos, cheirando os cabelos lavados para você. Beijando os lábios e sentindo o gosto do batom que ela escolheu PARA VOCÊ! Isso é o que nos faz viver. Sentir a vida e gozá-la. Em qualquer sentido. O amor, amigos, é o combustível da vida. A sensação de estar amando e sendo amado é inigualável. Pouco importa se o governo autorizou aumentos nisso ou naquilo. Dane-se. Você tem o seu amor a lhe esperar. O resto é besteira.

Portanto, usemos as parafernálias eletrônicas para aquilo que foram feitas. Não percamos jamais nossos sentimentos mais puros e infantis. Diante de um mundo tão cheio de violência, desigualdade social, fome, corrupção, é o que nos resta de valor.

Obs.: esse texto é dedicado à minha mãe, Martha Wanderley Salem.



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