NATAL PRESS



“Palavras são palavras, e a gente
nem percebe o que disse sem querer...”

Demorei um pouco a entender o verdadeiro significado para castelos de areia. Quando criança, achava que eram aquelas “construções” que fazíamos na beira da praia. Sempre que estávamos próximos a terminar vinha uma antipática onda e derrubava tudo, transformando a obra em areia. A solução era subir para um local no qual a maré ainda não ameaçava chegar. Mas a rotina era implacável. Quantos castelos fossem erguidos, tantos eram reduzidos a areia pelas ondas.

Com o andar da vida, percebi que esses castelos de areia guardavam muita similaridade com nossos sonhos. Criamos ou imaginamos situações de vida agradáveis, repletas de felicidade, mas vinha a realidade da vida – tal qual a onda – e nos trazia à realidade, transformando nossos devaneios em fumaça. E, da mesma forma, passamos a elaborar novos sonhos e, agora mais espertos, feitos de pensamentos mais resistentes, que pudessem resistir à força desta chata e, às vezes, cruel realidade.

Assim é o amor. Conhecemos a pessoa, sentimos a atração, vamos para as conversar até que, num tácito acordo, ficamos namorados um do outro. A partir de então, tendo o amor como matéria-prima, começamos a construir nossos castelos. Apaixonados, a planta fica rápida num piscar de olhos. Esse castelo é mais ou menos assim: terminar a faculdade, arranjar um trabalho bem remunerado, comprar uma casa, casar, ter filhos, netos, bisnetos...

Muitos edificam os seus sonhos bem alicerçados e alcançam o objetivo traçado. Outros, muito embora se amando, não conseguem atingir o alvo. Surgem coisas no trajeto da vida e desistem desse sonho juntos. Separam-se e cada qual vai em busca de um outro parceiro em busca desse sonho. O implacável tempo passa e, às vezes, já cansados de insucessos na tentativa de conseguir encontrar essa alma gêmea, uns param de lutar e simplesmente se entregam à vida. Viram espectadores da vida.

Mas, existe uma classe de pessoas que, mesmo considerado “coroas”, continuam com obstinação seu caminho em busca da construção de seu castelo. Com sorte, encontram e, pelo traquejo da vida, percebem que ali está a companhia do resto dos seus dias. Então a vida se transforma. O sol volta a brilhar, a luz do luar mexe com as almas dos apaixonados e eles se entregam a essa dádiva.

Por outro lado, lamentavelmente, há “coroas” que encontram seus pares e, por motivos bestas como ciúmes, insegurança, incompreensão, deixam que as ondas do mar da vida destruam seus castelos. Bastava um pouco só de paciência, de entender as fraquezas um do outro, de parceria, e essas ondas seriam rechaçadas. Como não são flexíveis, ambos perdem nesse embate e a vontade de reconstrução fica comprometida. Uma pena. A vida ainda tinha tanto para oferecer, mas optaram por um orgulho que nada mais é do que a ferrugem que destrói o ferro; não passa de cupim dizimando a madeira reduzindo tudo a pó. Uma pena mesmo.

É um final no qual todos perdem. Um final de vida digno e feliz trocado por uma solidão só amenizada por um gato ou um cachorro. Visitas esporádicas e rápidas de filhos e netos. Isso não é vida.

“Coroas”, ainda é tempo! Deixem esse orgulho de lado e se entreguem de corpo e alma a esse amor – quem sabe o melhor e o último. Vocês jamais se arrependerão de ter tentado. Lutem pela felicidade!



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