NATAL PRESS

É comum as pessoas temerem chegar à chamada “terceira idade ou melhor idade” – dois eufemismos de velhice e de péssimo gosto, por sinal. Acham que o ocaso da vida se aproxima e, junto a isso, as doenças serão mais frequentes. É um medo justificado, já que faz parte do processo natural da nossa existência. Porém, não enxergo nada que cause mais pavor ao homem – aí eu falo do macho - do que imaginar que, junto a essa nova fase da vida que se avizinha, o desejo sexual venha a se extinguir, a libido se esvaneça, e, esse o seu pior pesadelo: venha a chegada cruel da impotência. Tal pensamento deixa qualquer um de cabeça para baixo. Literalmente!

Mas, queridos “coroas”, tudo é um ledo e lamentável engano. Isso está dentro da cabeça de cada um. Independe da idade, não tenham a menor dúvida. Claro que um dia essas mudanças vão chegar e sequer serão percebidas. Confio na natureza.
Para reforçar o que digo, observem que tem muita gente dentro da faixa etária mediana que já perdeu o interesse pelo assunto. Essa turma prefere um chá ou um copo de leite. Mas, cada qual tem seu gosto e viva a sua vida da forma que melhor lhe aprouver. Deixa para lá!

De volta à nossa conversa, creio que muitos desses equívocos acontecem quando alguns sessentões – homens e mulheres - partem em busca de pessoas bem mais jovens, ainda no curso universitário, saradas, frequentadores de academias, etc. Tudo numa reles esperança de que o relógio do tempo gire ao contrário e, ao contato com um corpo mais jovem, o desejo surgirá ardente como outrora. Never!

Ora, caros amigos, tesão é da pele, do olhar, não tem nada a ver com longevidade. A parceria ideal é exatamente formada por aqueles que têm mais ou menos a mesma idade. Viveram épocas comuns, as lembranças são similares e, por conseguinte, a convivência é ótima, a conversa flui naturalmente. Até as lembranças e anseios são quase parelhos. Isso é ótimo!

Vamos imaginar uma pessoa com sessenta anos ou mais namorando uma figura de trinta. O rapaz ou a moça, esbanjando músculos, barriga tanquinho, coxas duras como armaduras, cheio de energia, sai da academia, chega em casa e tomam aquele revigorante banho de ducha. No pensamento, planos para o futuro ou como será a festa que o amigo vai promover no fim de semana.

Já o outro, aposentado, deu sua caminhada ao redor da praça, olhou com certo ar de superioridade para alguns casais formados por pessoas da sua idade – de mãos dadas, diga-se - enquanto pensava: “Coitados. Se eles vissem com que namoro iam morrer de inveja.” Em seguida, após um banho demorado, senta-se na sua poltrona e espera a chegada do seu “crush”. Afinal, hoje é dia.

E ele chega, trocam um insosso beijo e vão para a cama. Imagino que os diálogos devam ser mais ou menos assim:
Ele ou ela pergunta:
- Fez quantos abdominais hoje?
Ela ou ele responde:
- Mais de 500! Meu personal é show! E você, como foi o jogo de buraco? Ganhou alguma?

Que coisa, não é mesmo? Não tem nada a ver. O bom mesmo é caminhar juntos, jantar um olhando para o outro, e, no tão conhecido local de aconchego, ficar deitado lado a lado, olhos nos olhos e trocando palavras de amor, A comunicação é quase por telepatia. Puxa, que coisa boa um alisado de cabelos um no outro. Tudo sem cobranças ou expectativas. E essa troca de carinhos continua. Até que, de repente, como num passe de mágica, as mãos ficam mais ousadas e começam a explorar seus corpos. O desejo bate e o interessante é que cada carícia, cada beijo, tudo é como se fosse a primeira vez. E o amor se faz. Puro, olho no olho. E o prazer é inigualável.

Essa idade é fantástica. A experiência nos leva a ver que todo dia surgirá algo a motivar os corações. Pena que muitos resistam a isso e achem que a vida se encerra quando – exatamente – ela está começando. Ora, quando chegamos nessa idade somos recém-nascidos. Tem um novo mundo inteiro a ser descoberto. Mãos à obra!

Votei em Bolsonaro e, diante do cenário que se apresentava, votaria outra vez. Tudo para tirar o Brasil do imenso lamaçal no qual se encontrava. Dessa forma, tal atitude me concede o legítimo direito de avaliar sua administração. Afinal, como qualquer outro cidadão brasileiro, sou atingido por qualquer decisão emanada através do nosso Executivo maior. Aliás, deixo claro que as observações que ora faço têm a nítida intenção de mostrar fatos que, no meu olhar, não trazem benefícios para o Brasil, bem como, de forma alguma, me conduzem à oposição.
 
Gosto da sua obstinação em fazer as coisas transparentes, vejo que seu semblante traduz boa intenção, além de honestidade, predicados naturalmente esperados em qualquer dirigente de um país. Por outro lado, preocupa-me sua forma por vezes açodada de emitir depoimentos, o que o leva a corrigir o dito. Como exemplo, ele afirmou que o STF “precisava de ministro evangélico”. Ora, não é requisito ser evangélico para ocupar uma cadeira no STF. Nem tampouco ser católico ou ateu.

Desconheço como os mais antigos lá chegaram. Mas, pelo “critério” adotado para os mais recentes - Toffoli, colocado por Lula e Alexandre Morais, por Temer – creio que o mérito do conhecimento jurídico e a consequente e fundamental postura de total isenção não foram colocadas na balança quando ocorreram as escolhas. Isso é muito ruim!

Voltando a Bolsonaro, fixo-me em um episódio que causou-me espanto, que foi a indicação do filho para ocupar um dos postos mais importantes do mundo que é ser embaixador nos Estados Unidos. Exatamente isso. Presidente, é lá onde as coisas acontecem. E é lá que sempre deve estar um nome com traquejo em Política Exterior, hábil negociador, conhecedor de Economia, Direito Internacional, além de uma vasta experiência no cargo. A carreira diplomática é difícil. Quem quiser ver o trajeto, basta acessar http://www.institutoriobranco.itamaraty.gov.br/concurso-de-admissao-a-carreira-de-diplomata .

Se o gesto de Bolsonaro foi, na minha ótica, um despautério, pior ainda foi o próprio indicado expelir suas qualificações em rede nacional – quiçá internacional. Vangloria-se de ter feito intercâmbio, fritado hamburguer, falar inglês, entre outras besteiras. Ora, milhões de pessoas no Brasil tem essas “qualidades”. Só não têm o pai como Presidente da República. Assim, tudo isso fica muito mais difícil de digerir do que os hambúrgueres fritos pelo “cheff”.

Presidente, sublinhar uma nomeação desse porte ancorada numa amizade dele com os filhos de Trump é dose cavalar. Só por curiosidade: eles eram amigos antes de Trump ser o presidente americano? Não sei, mas duvido! E ele vai para lá fazer outro intercâmbio ou representar o Brasil dentro da nação mais poderosa do planeta? Será que ele tem não amigos em outros países?

Lamento em dizer, mas isso parece muito com o comportamento que outrora era largamente adotado em cidades do interior, quando os filhos do prefeito tudo podiam e tudo faziam. Só lembro, Bolsonaro, que o Brasil não é cidade de interior, seus habitantes não usam mais o “cabresto” e, acima de tudo, vivem em um país que lutou por ela e hoje têm a Democracia como seu norte. Fique do lado dela e deixe que seu filho vá cuidar de outra coisa que esteja dentro do seu alcance.

Como bem disse Raul Seixas: “Pense outra vez...”

Com a sua atividade turística basicamente sustentada pelo binômio “sol & mar”, a cidade do Natal, ao longo dos anos, tem deixado escapar a oportunidade de fomentar novos negócios a partir da exploração do chamado “turismo histórico” – um nicho de mercado que gera significativas divisas em vários destinos do mundo.

Que Natal foi uma cidade abençoada pela Mãe Natureza, ninguém duvida. Incrustada no encontro do rio Potengi com o Oceano Atlântico, sua beleza é ímpar. Seu amplo litoral, banhado por águas azuis e mornas, é um ponto turístico vastamente procurado por visitantes nacionais e internacionais. A proximidade com os continentes europeu e africano lhe põe em posição privilegiada no cone sul-americano.

Mas Natal, além de bela, também teve seus momentos de glória. Exatamente por sua localização geográfica, ela foi “colocada” em meio ao maior conflito da História, que foi a Segunda Guerra Mundia. Ao servir de apoio às tropas americanas que se dirigiam aos combates na Europa e África, Natal contribuiu, de forma, significativa, para o sucesso dos aliados, deixando, dessa forma, seu nome escrito no cenário mundial

Aqui, em 1942, foi construída a maior base americana fora dos Estados Unidos. Aos cerca de 35.000 natalenses que compunham sua população, se juntaram mais de 10.000 soldados americanos, fato que alterou a feição da cidade, deixando-a com ares “americanizados”. Em razão disso, os hábitos dos natalenses foram profundamente alterados, como, por exemplo, as moças passaram a fumar, a beber e a frequentar bailes, no mais perfeito estilo americano.

E assim, Natal perdia aos poucos suas características de cidade pequena, provinciana. Seus habitantes, que até então levavam uma vida modesta e tranquila, passaram a compor um cenário cosmopolita, quando por aqui transitaram um sem número de pessoas de outras nacionalidades. Podemos destacar figuras importantes, como D. Francis J. Spellman (arcebispo de Nova York), Bernard (príncipe da Holanda), Higinio Morringo (presidente do Paraguai), Sra. Franklin D. Roosevelt (Primeira-dama dos Estados Unidos), Sr. Noel Cherles (embaixador do Reino Unido no Brasil), a madame Chiang Kai Chek (Primeira-dama de Formosa), T. V. Soong, ministro das Relações Exteriores da China, os atores Humphrey Bogart, Clark Gable, o músico Glenn Miller, o cantor Al Johnson, entre outras personalidades.

Mas, o que restou de tudo isso? Qual a herança histórica de Natal? Quase nada. Enquanto vemos cidades como Casablanca, no Marrocos, também por sua condição geográfica, teve importante papel na Guerra, servindo, inclusive, de pano de fundo para um clássico do cinema, Natal mereceu um registro - acanhado, diga-se de passagem- quando aqui foi filmado “For All – O Trampolim da Vitória”.

Não se concebe a ausência de um museu preservando aqueles momentos ímpares da nossa história. Quantos turistas, principalmente americanos, seriam atraídos por esse pedaço de memória? Infelizmente, continuamos com o mesmo espírito tacanho, quando os feitos dos outros são mais importantes que os nossos.

Personagens como Maria Boa e Zé Areia têm que ser resgatados e colocados nos livros de História. Eles não podem - nem devem - existir somente na memória dos antigos. Fizeram parte, de forma ativa, daquela Natal fervilhante.

Maria Boa, com seu bordel que encantou a todos que por lá passaram, foi merecedora de uma homenagem dos americanos, quando pilotos dos famosos B-25 pintaram sua imagem em um dos aviões.

Flávio Silva, no seu trabalho “Natal na Segunda Guerra Mundial: influência americana e prostituição feminina”, conta que “cercada por muros altíssimos, iguais às fortalezas de guardar donzelas nos tempos medievais, protegida dos olhares indiscretos e sombreada por enormes mangueiras, a boate de Maria Boa, principalmente durante a Segunda Guerra Mundial, estava para a boêmia local e internacional assim como o Maracanã está para o futebol mundial”.

Já Zé Areia, com sua “verve”, fez rir toda uma geração. Sua convivência com os soldados americanos é merecedora de obra literária. Seu “comércio” com os soldados tem passagens hilárias.

Nesse contexto, há uma memorável passagem do nosso herói. Ele vendeu um papagaio muito novo, que tinha um ferimento na cabeça. Para cobrir o “defeito” da mercadoria, ele colou um selo postal. Como o americano estranhasse, ele foi rápido: “Com este selo, ele já está pronto para passar pela alfândega. Fiscalização muito exigente!”.

Figuras como Maria Boa e Zé Areia merecem ser eternizadas. Os visitantes precisam conhecer nossa história. Infelizmente pouco, ou quase nada tem sido feito visando isso.

Mas nada está perdido. Temos pessoas que se interessam por essas passagens. São aquelas que amam Natal. Falta o poder público colocar essa parte da nossa história como prioridade, que Natal terá um dos maiores chamarizes turísticos do Brasil. É pagar para ver.

 

A pessoa que pensa assim, um dia se apaixona por outra que ela julga ser sua "cara metade". A partir de então, essa "cara metade" que trate de fazê-la feliz. Mas os dias passam e essa tal felicidade não chega. Mais uma vez, ainda na ilusão, ela acha que aquela não era a "cara" esperada e sai atrás de outra. Depois de inúmeras "caras metades" e “almas gêmeas”, a infelicidade continua. O tão sonhado sentimento que ela tanto procura nos outros não dá sinal de sua existência.

Mas, felizmente para alguns, o tempo passa e, somado aos desacertos da vida, geralmente traz bons frutos, como a sabedoria, por exemplo. É nesse momento, então, que, num lapso de lucidez, ela percebe que sua "cara metade" nada mais é do que ela mesma!

Ora, o ser humano para ser ele mesmo, tem que ser inteiro, completo. Ninguém é capaz de lhe trazer a felicidade. Nascemos sós e sós morreremos. Ter admiração e amor por ele mesmo é a base de tudo. Perceber suas limitações e virtudes são ingredientes necessários para o autoconhecimento.

Nós só podemos ser felizes e só conseguiremos amar alguém se formos apaixonados por nós mesmos. A partir dessa descoberta, estaremos preparados para viver com outra pessoa. Sem essa de "cara metade", de “alma gêmea”, de responsabilidade pela felicidade um do outro. Simplesmente são dois seres que se amam e descobrem que essa é a verdadeira estrada que conduz à felicidade.

Dois inteiros que, aí sim, se tornam um só. Ponto final.

 

Ser poeta é ser um ser infeliz
E só assim sendo ele consegue sê-lo
Serve-se da angústia como combustível do seu ser
Sem ela, é um ser qualquer, um ser comum. E, se for para assim ser, ele foge

Esta é sua sina, posto que...
O poeta se alegra quando a tristeza chega
O poeta gosta do sabor da amargura
O poeta goza quando a solidão lhe invade
O poeta ri quando a dor lhe bate na alma

Ora, pensa o poeta a contemplar o copo vazio…
Ser feliz qualquer idiota o é
Ser doce é ser coisa banal, açucarada
Ser um vivente acompanhado é para limitados de espírito 
Ser dono de uma alma livre é para os fracos que por aí penam

Diz o poeta em voz alta, embargada... 
Que o bom é o fundo do poço
Que o gostoso é o desprezo que ele atrai
Que o ápice da sua vida foi a traição por ele sofrida
Que a desesperança é seu caminho futuro

E não poderia ser diferente...
O poeta escreve com a alma
O poeta deixa fluir seus sentimentos
O poeta não tem limites
O poeta sangra nas letras que vomita

Por isso que nos toca tanto o poeta...
Pois só ele consegue descrever a dor que não sabemos sentir e que fingimos senti-la 
Pois só ele tem o dom de nos liberar as lágrimas represadas que não sabemos chorar
Pois só ele pode desnudar a solidão que de nós toma conta, mesmo quando acompanhados
Pois só ele ama a alma com cuja dona nunca falou e nunca um olhar sequer trocou

Pensando bem, feliz é ele, o poeta
Vive a essência da vida
Saboreia o cotidiano no seu âmago
E, no final, ri de nós, pobres e ignorantes mortais
De nós, que nada sabemos fazer, a não ser simplesmente viver (MW)

 

Ele é assim. Ninguém consegue explicar quando surge. Extremamente mal-educado, chega sem avisar, entra sem bater na porta do nosso coração e vai alma adentro. Assim, como se fosse um morador antigo, ele vai, sem cerimônias, até ao nosso âmago. Aos poucos, esse intruso, sem que a gente perceba, começa a tomar conta do nosso pensamento e nos deixa à sua mercê. E nós, viventes, na medida em que nos sentimos dominados, mais gostamos de senti-lo encravado nas nossas profundezas. Ele carrega consigo uma sensação tão boa que jamais queremos que ele saia.

 

Ele é singular. Tem vontade própria e não tem preconceitos de nenhuma espécie. Cor, raça, gênero, idade, seja o que for, inesperadamente ele pode atingir a quem quer que seja. Não há dia nem hora, mas é sempre certeiro e fulminante! Qualquer um, desde que tenha um mínimo de sentimento, está sujeito a receber tal visita.

 

Às vezes, quando o rio das nossas vidas já correu um pouco e estamos até meio sossegados, julgando que a vida é assim mesmo, que as emoções são coisas do passado, ele nos surpreende. Chega e, como se fôssemos um automóvel sem combustível, nos reabastece. Num repente, a vida ganha novos e lindos contornos.

 

É assim que eu me sinto, meu amor. Tanque cheio e disposto a percorrer os caminhos que me conduzam até seu coração. E aí, juntos, poderemos fazer grandes viagens para um futuro que agora nos parece palpável. Até onde vai dar, ninguém sabe. Pouco importa, aliás. Importa, sim, o que sentimos.

 

Deixemos que ele nos guie por essa nova estrada que é, como todas, plena de retas e curvas. Por isso, devemos ter cuidado para que o trajeto seja feito em paz. Sempre! Sabemos que ele é muito sensível e que não vê com bons olhos quem o maltrata. Se o tratarmos bem, como o fazemos, ele é até capaz de fixar residência nos nossos corações. Que continuemos assim. Cada vez mais alimentando esse forasteiro que queremos que fique para sempre dentro de cada um de nós.

 

O nosso amor é legítimo, como legítimos são os mais simples momentos que passamos. Só quem ama é capaz de entender o que digo. Quando estou ao seu lado, corações juntos pelas mãos entrelaçadas, entrego-me a esse sentimento e sou completamente seu. Corpo e alma.

Amo você. Definitivamente!

 

 

*Jornalista


Não sei se me precipito na avaliação, mas creio que, às vezes, há uma banalização de tal honraria. A escolha de alguém deveria ser mais criteriosa, passar por setores pelos quais o homenageado fez algo, mostrar o porquê da deferência. Não tenho a fórmula para se chegar a esse consenso, mas existem entidades que representam os mais diversos segmentos da sociedade, como Fiern, CDL, CRM, OAB, etc. 

Dificilmente uma proposição de um vereador será rejeitada pelos demais. Claro, já que, um dia, será a vez de cada um apresentar seu candidato e ele contará com o "sim" dos outros colegas. Temos que ampliar essa escolha. Natal é nossa e não me convence o fato de que os vereadores "representam a vontade povo". É minha opinião.

Pobre ser vivente que só consegue ser feliz se encontrar sua "alma gêmea". Triste criatura aquela que permite que outros escrevam o roteiro do seu destino. Deplorável o homem que se acha apenas uma metade de si mesmo. Merecedores de pena aqueles que se julgam incapazes de se bastarem.

A pessoa que pensa assim, um dia se apaixona por outra que ela julga ser sua "cara metade". A partir de então, essa "cara metade" que trate de fazê-la feliz. Mas os dias passam e essa tal felicidade não chega. Mais uma vez, ainda na ilusão, ela acha que aquela não era a "cara" esperada e sai atrás de outra. Depois de inúmeras "caras metades" e “almas gêmeas”, a infelicidade continua. O tão sonhado sentimento que ela tanto procura nos outros não dá sinal de sua existência.

Mas, felizmente para alguns, o tempo passa e, somado aos desacertos da vida, geralmente traz bons frutos, como a sabedoria, por exemplo. É nesse momento, então, que, num lapso de lucidez, ela percebe que sua "cara metade" nada mais é do que ela mesma!

Ora, o ser humano para ser ele mesmo, tem que ser inteiro, completo. Ninguém é capaz de lhe trazer a felicidade. Nascemos sós e sós morreremos. Ter admiração e amor por ele mesmo é a base de tudo. Perceber suas limitações e virtudes são ingredientes necessários para o autoconhecimento.

Nós só podemos ser felizes e só conseguiremos amar alguém se formos apaixonados por nós mesmos. A partir dessa descoberta, estaremos preparados para viver com outra pessoa. Sem essa de "cara metade", de “alma gêmea”, de responsabilidade pela felicidade um do outro. Simplesmente são dois seres que se amam e descobrem que essa é a verdadeira estrada que conduz à felicidade.

Dois inteiros que, aí sim, se tornam um só. Ponto final.

É comum as pessoas temerem chegar à chamada “terceira idade ou melhor idade” – ambas de péssimo gosto, por sinal. Acham que o ocaso da vida se aproxima e, junto a isso, as doenças serão mais frequentes. Mas, nada apavora mais o homem do que, no meio dessas mazelas todas, do que o desejo sexual vá se extinguir, a libido vai desaparecer, etc.

Ledo e lamentável engano. Isso está dentro da cabeça de cada um. Tem tanta gente nova que já perdeu o interesse pelo “negócio”. Creio que muitos desses equívocos acontecem quando esses sessentões – homens e mulheres - partem em busca de pessoas bem mais jovens, saradas, frequentadores de academias. Tudo numa reles esperança de o tempo vai parar e, ao contato de uma pele mais jovem, o “cidadão” ou a “perseguida” vão se animar.

Ora, caros colegas. O tesão é da pele, do olhar, não tem nada a ver com longevidade. A parceria ideal é exatamente formada por aqueles que tem mais ou menos a mesma idade. Viveram épocas comuns, as lembranças são similares e, por conseguinte, a convivência é ótima, a conversa flui naturalmente.

Imaginemos um(a) coroa namorando uma figura de 30 anos. O cara ou a moça, barriga tanquinho, coxas duras como armaduras, cheio de energia, chegam em casa e, ao deitar, creio que os diálogos seriam mais ou menos assim:
- Fez quantos abdominais hoje? – ela responde:
- Mais de 100! Meu personal é show! E você, como foi o jogo de buraco? Ganhou alguma?

Porra! Não tem nada a ver. Papo furado! O bom mesmo é caminhar juntos, almoçar um olhando para o outro, e, na tão conhecida cama, ficar deitado lado a lado, olhos nos olhos e trocando palavras de amor. Puxa, que coisa boa um alisado de cabelos um do outro. E essa troca de carinhos continua. Até que, de repente, como num passe de mágica, as mãos ficam mais ousadas e começam a explorar seus corpos.

E o interessante é que toda vida é como se fora a primeira vez. E o amor se faz. Puro, olho no olho e o prazer é inigualável.

Essa idade é fantástica. Todo dia surge algo a motivar os corações. Pena que muitos resistam a isso e achem que a vida se encerra quando – exatamente – ela está começando. Quando chegamos nessa idade somos recém-nascidos. Tem um novo mundo a ser descoberto. Mãos à obra!

Ninguém consegue explicar quando ele surge. Primeiro, porque é mal-educado. Chega sem avisar, entra sem bater na porta do nosso coração e vai alma adentro. Assim como se fosse um morador antigo, ele vai, sem cerimónias, até ao nosso âmago. Aos poucos, esse intruso, sem que a gente perceba, começa a tomar conta do nosso pensamento. E nós, na medida em que nos sentimos dominados, mais gostamos de senti-lo encravado nas nossas profundezas. Ele carrega consigo uma sensação tão boa que jamais queremos que ele saia.
Ele é singular. Não tem preconceitos de nenhuma espécie. Cor, raça, género, idade, seja o que for, inesperadamente ele pode chegar.
Não há dia nem hora, mas é sempre certeiro e fulminante! Qualquer um, desde que tenha um mínimo de sentimento, está sujeito a receber tal visita.

Mas, cuidado! Não o trate mal porque ele não gosta. Qualquer sintoma de descaso é suficiente para que ele, da mesma forma que veio, faça seu caminho de volta. Para nunca mais retornar.


Às vezes, quando estamos meio sossegados, achando que a vida é assim mesmo, que as emoções são coisas do passado, ele nos surpreende, chega e, como se fôssemos um automóvel sem combustível, ele nos reabastece. E a vida, até então sem prazer, ganha novos e lindos contornos.


É assim que nos sentimos quando apaixonados. Tanques cheios de amor e dispostos a percorrer os caminhos que nos conduzam até o coração da pessoa amada. E aí, juntos, pode-se fazer grandes viagens para um futuro que agora nos parece palpável. Até onde vai dar, ninguém sabe. Pouco importa, aliás. Importa, sim, o que sentimos.

Deixemos que ele nos guie por essa nova estrada. São, como todas, plenas de retas e curvas, e devemos ter cuidado para que o trajeto seja feito em paz.
E então, na penumbra e no silêncio do nosso quarto descobrimos coisas que sequer sabíamos que existiam. As peles, ao menor contato com a outra, nos leva viajar por um mundo de sonhos. Uma delícia! Cabelos que se assanham, olhos que se cruzam e bocas que se unem, enchem nossos peitos de sentimentos nunca antes experimentados. Aí, o nosso amor se torna legítimo e gostoso como só dois seres que se amam são capazes de sentir.

Quando os nossos corpos estão banhados em suor, a sensação é de entrega total. Sem limites, como deve ser. São completamente um do outro. Corpos e almas. Que continuemos assim. Cada vez mais alimentando esse forasteiro que queremos que fique para sempre dentro de cada um de nós.



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