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Dalton Melo de Andrade

NATAL PRESS

Cada um reage às manifestações que assolam o país de acordo com sua experiência e modo de pensar. Para deixar claro que estou antenado, começo dizendo que concordo com a maioria das reivindicações, que se podem discernir num meio tão difuso de idéias. Por exemplo, independência do eleitor, para votar e ser votado sem associação à partidos, voto não obrigatório, segurança, educação e saúde.

Essas ocorrências lembraram minhas aulas de Física no Atheneu, especialmente a 3a. Lei de Newton: cada ação, gera uma reação igual e contrária. Não vimos isso quando vândalos, destoando do tom geral dos protestos, atacaram bens públicos e privados. Alem da destruição em si, já condenável, houve saques e depredações imperdoáveis.

Por isso, tomo a liberdade de modificar aquela Lei, mesmo sem conhecimento de Física suficientes, para acrescentar uma 4a: cada má ação, deve gerar uma boa reação igual e contrária.

O que vimos nas TVs e lemos nos jornais, foi a apropriação das passeatas por um sem numero de criminosos, não tão pequeno quanto nos querem fazer crer, agindo indiscriminadamente e, geralmente, com reação tardia dos policiais. Entendo, até, essa demora em reagir. É que, além do risco que correm, muitas vezes, mesmo na maioria das vezes, são criticados por agirem com violência. Ao contrário, acho que até têm sido extremamente comedidos. Pergunto: quem, honestamente, reagiria com total frieza, diante de agressões como as que as TVs nos mostram, especialmente se a sua pessoa?

Todos que entendem do assunto dizem que multidões não têm modos. Basta alguém destoar do grupo e cometer um ato insano e muitos o sequem. Felizmente, parece que não chegamos a esse ponto, pois a grande maioria se tem comportado com correção. Mas multidões camuflam atos individuais, especialmente quando os mal intencionados já portam máscaras e capuzes, indicando de imediato que estão dirigidos à prática do vandalismo. Não seria o caso de exigir deles, se querem participar das manifestações, de mostrarem suas caras? Competiria aos responsáveis pelas convocações deixarem claro essa condição.

Também não entendo como achar “lindo”, como dizem alguns comentaristas, movimentos de massa cujos fins são difusos, sem lideranças identificáveis e que podem redundar, como vem acontecendo, em destruições e agressões. “Lindo”, sim, foi ver todo o povo no estádio de Fortaleza cantando o Hino Nacional à capela. Registre-se: não sou a favor da Copa, da forma como está sendo organizada, e escrevi artigos contra a destruição do nosso Machadão. O novo campo de futebol é um elefante branco. Como a maioria deles em todo o país. E, sem dúvida, o dinheiro gasto seria muito mais útil em saúde, educação e segurança.

Rir ou chorar. O dilema. Vejo na TV que hotéis em Brasília cobram até cinco vezes mais caro, quando há eventos turísticos na cidade. Esquentando os motores para a Copa. Parece mentira, mas o jornal entrevistou a vice-presidente da associação dos hoteleiros que disse: nós aproveitamos essas ocasiões para aumentar os preços.

Por aqui, alardeiam-se continuamente sobre os milhares de turistas que virão à Natal assistir os “grandes” jogos da Copa aqui realizados. Pelo que se escuta, os nossos hoteleiros devem estar também esquentando os motores para aproveitar essa benesse.

Mas, hoje, o que se vê é uma reclamação generalizada de que o turismo está acabando. Os hotéis estão vazios. O movimento vem caindo continuamente. E não é mais o mesmo. A pergunta que fica é, por quê. A resposta é fácil.
Quem usa a internet, nem precisa pesquisar. A quantidade de ofertas de viagens que se recebe por email, saindo de São Paulo ou do Rio para Natal, Recife, Fortaleza, é enorme. Natal sempre é a mais cara. E, se compararmos com os preços para Buenos Aires, Santiago do Chile, até mesmo para Miami ou Nova York, os preços para esses lugares são ainda mais baratos. Melhor ir à Lisboa ou Madrid do que vir à Natal.

Para nós, sofredores locais, sentimos na pele os preços e serviços terríveis que temos em nossos restaurantes. Felizmente, não temos que ir aos hotéis. Os preços estão nas alturas. Mais barato comer em Londres. Os serviços, e aqui reconhecemos a boa vontade dos garçons, em seu esforço para atender, são tristes. Uma enorme quantidade de garçons, correndo de um lado para o outro como baratas tontas, ou juntos em um canto do restaurante batendo papo, com os clientes se esforçando para serem vistos quando desejam pedir alguma coisa. É melhor levantar e ir buscar pessoalmente. Domingos desses, num restaurante de ponta, levamos mais de duas horas para recebermos nosso pedido. Total falta de orientação e treinamento. Há exceções. Um ou dois restaurante são extremamente eficientes. Mas os preços são caros, e vêem subindo. Mas, deve ser engano nosso, pois o governo continua dizendo que não há inflação.

Para resolver tudo isso, temos duas Secretarias de Turismo. Uma do estado, outra do município. Não sei, mas suponho que tentam somar esforços. Vejo, às vezes, nos jornais, que viajam juntos. Demonstram interesse e se esforçam para vender Natal e o estado. Minha impressão, provavelmente errada, e peço desculpas antecipadas, é que voltam com todos os ingressos.

Contam com o novo aeroporto, para melhorar o turismo. Deus queira. Dizem, que ficará pronto em Abril do ano próximo. E vão parar o Augusto Severo. E aí você vai levar três horas do Rio para Natal, e mais três do aeroporto para a cidade. É que os acessos são prometidos para Maio de 2014. Você acredita que estarão prontos?

Não digo isso com alegria. Ao contrario, lamento profundamente. Dependesse de mim, as ruas, hotéis e restaurante estariam cheios de turistas, falando uma babel de línguas e gastando um montão de dinheiro.

Dalton Melo de Andrade é professor universitário aposentado.

Três vezes por semana saio de casa cedo, para a academia do Incor. Ultimamente, tenho encontrado duas dificuldades que me levam a pensar duas vezes em continuar esse exercício. Primeiro, o trânsito. Por incrível que pareça, mesmo em redor das sete, a Prudente de Morais já está insuportável. Depois, local para estacionar. Já dei voltas e mais voltas ao quarteirão, para encontrar uma vaga. Vou continuar, claro, por motivo de saúde. E pelo atendimento que temos por lá, excelente.
Tudo isso me faz lembrar como era o trânsito quando comecei a dirigir. Tirei minha carteira de “chofer”, como se dizia então, aos 18 anos. Mas, já dirigia desde os 15 – 1945. Natal tinha uma modesta penca de carros, entre os quais o de meu pai. Havíamos acabado de atravessar o racionamento imposto pela II Guerra, pois não havia gasolina para carros particulares. Meu pai, que havia comprado um Ford 1940 logo no início daquele ano, o colocou na garagem, em cima de cavaletes, até o final da guerra e do racionamento. Aliás, que eu saiba, Natal é a única cidade brasileira onde se usam termos como antes, durante e depois da guerra, em conversas sobre aquele tempo.
Óbvio que não advogo, nem comparo, o hoje com o ontem. Sem dúvida, concordo integralmente com o hoje. Em que uma grande maioria tem meios de possuir um automóvel. Acho isso ótimo.
Com o que não concordo é com a completa e total desorganização do setor. Naquele tempo, com poucos carros, já havia uma preocupação com o trânsito. Sentia-se, nas ruas, a eficiência de uma organização incipiente, mas atuante. Hoje, a impressão que nos causa é de total desinteresse dos responsáveis pelo que ocorre.
Medidas simples, desde que efetivas e permanentes, facilitariam sobremodo o fluxo de veículos por nossas ruas. Nos cruzamentos, por exemplo, nas horas de pico, um guarda ajudaria sobremodo o movimento de carros. Desde que soubesse o que o que ia fazer. Desligaria as sinaleiras, os semáforos, como se diz hoje, e faria o controle manual. Sempre há uma rua com mais trânsito que outra, e a presença humana traria melhor resultado, permitindo maior fluxo do lado com mais movimento. Não só evitaria filas enormes, como impediria o fechamento do cruzamento, o que é corriqueiro, exatamente por falta de fiscalização.
Outra idéia, já discutida mas até agora não implementada, de uma faixa exclusiva para ônibus, e desde que fossem proibidos de deixá-las, pois habitualmente tomam toda a rua, seria outra solução viável. Outras idéias existem, mas não sou eu que vou expô-las. Experiências positivas em outras cidades podem ser copiadas. É só buscá-las.
Só mais um exemplo. Entrar a esquerda, com fechamento de vários cruzamentos e retornos, também tem aumentado o problema. Mais das vezes, o caminho se prolonga por muito mais tempo e com considerável aumento de consumo de combustível, pela distância que se tem de percorrer até encontrar um retorno. E os congestionamentos apenas mudam de lugar. Por que não mais sinais de três ou quatro tempos, que já existem em alguns lugares e funcionam muito bem?
Não, não pretendo ser diretor do Detran nem secretário da Prefeitura. Mas adoraria ver essas figuras se preocuparem mais com o trânsito de Natal, e menos com as multas que arrecadam.
E, palavra final, todos sabem que muitos dos nossos motoristas são mal educados, irresponsáveis, egoístas. São a causa maior de todos os problemas. Mas, reconheça-se, foram aprovados em exames feitos no Detran.

Dalton Melo de Andrade, professor universitário aposentado.

Meu amigo de príscas eras, colega de colégio, e bate-papo permanente Pery Lamartine, lembrou de vários apelidos de colegas e professores de nosso tempo de Atheneu – 1942 até 1949.

De saída, preciso dizer que todos os apelidos aqui comentados não tinham qualquer conotação pejorativa. Pelo contrario, eram forma patente e real de admiração pelas pessoas, quase até uma homenagem, pelo bem-querer intrínseco nessa aparente e, muitas vezes, real intimidade com os homenageados.

O primeiro que nos veio à lembrança foi o de Celestino Pimentel, figura inesquecível para quem foi seu aluno, ou o teve como Diretor. O seu apelido era Celé. Óbvio. Era, com toda certeza, dos mais estimado de nossos professores. Todos o admirávamos pela sua tranqüilidade, igualdade de tratamento, e sua energia, quando necessário. Eu mesmo, por haver quebrado uma carteira numa “amigável” discussão com Amaro Marinho, meu grande amigo de toda uma vida, fui, junto com ele, suspenso por 30 dias. Escapamos da punição por que resolvemos pagar o conserto da carteira. Se não me engano, um mil réis. Para nós, lisos, dinheiro paca.

Um outro professor, muito querido, tinha a audácia de querer nos ensinar Português. Israel Nazareno era conhecido como “Tuiuiú”. Não me perguntem a razão. Mas, era original em seu comportamento. Nas chamadas, quando dizia o nome de algum estudante ausente, completava: ausente, não está, faltou, não veio, não está presente; nunca repetia o termo. Certa feita, chegou para nos dar aula e, quando viu os poucos alunos presentes, comentou: “Palmilhei longos caminhos para dar esta aula, e não os encontro”. Vinha do Atheneu feminino, onde hoje está a Fundação José Augusto, caminhando, até o nosso, na Junqueira Aires. Não tinha carro, e o bonde, muitas vezes, demorava. Para não perder o horário, caminhava.

Clementino Câmara, grande professor, exigente, chegava na hora e não faltava uma aula. Ensinava História do Brasil. Sempre com um charuto, aceso ou apagado, tinha o apelido de “Botocudo”. Não me perguntem a razão. A aula dele era às 7 da manhã, e ai de quem chegasse atrasado.

Tivemos professores de Latim padres e leigos. Dos padres, Monsenhor Landim, das melhores almas que conheci, nunca botava uma nota ruim em alguém; apenas insistia para que estudássemos mais. Já Cônego Luiz Wanderley era durão. E a gente só escapava de nota ruim quando o Vasco ganhava e elogiávamos o time. Como o Vasco perdia mais do que ganhava, já viram. Havia um professor, boa gente, não padre, lembro-me dele, mas esqueci o nome, pois todos o conhecíamos apenas pelo apelido: José Bundinha.

Professor de Desenho, tivemos, primeiro, Hostilio Dantas. A fineza e tranquilidade em pessoa. Não tinha, que me lembre, apelido. Mas o seu substituo, que tinha uma sinal azulado no rosto, era conhecido por “Faixa Azul”. A da cerveja Antártica.

Pedro Soares, outra grande figura, simplicidade e cordialidade em pessoa, se dirigia à nós sempre com um “ora, meus senhores”. Era o seu apelido. Tentou e insistiu, sem sucesso, me ensinar Química. O que leva ao professor de Física, com um livro de Nobre (não me lembro o nome todo do autor), mas, naquela época, já ultrapassado. E que dava como exemplo de alavanca o remo e fulcro do remo de um esquife. Era remador e grande figura, José Gurgel, pai de Ney, nosso colega, que se foi de forma terrível meses atrás.

Muitos outros há que lembrar. Voltarei sobre o assunto, e inclusive com os apelidos dos colegas. Como se dizia nas fitas em série, aguardem até a próxima semana. Como aperitivo, o apelido de Ivanildo Saturnino de Paiva, “Deus”. Vou contar o por que.

Três vezes por semana saio de casa cedo, para a academia do Incor. Ultimamente, tenho encontrado duas dificuldades que me levam a pensar duas vezes em continuar esse exercício. Primeiro, o trânsito. Por incrível que pareça, mesmo em redor das sete, a Prudente de Morais já está insuportável. Depois, local para estacionar. Já dei voltas e mais voltas ao quarteirão, para encontrar uma vaga. Vou continuar, claro, por motivo de saúde. E pelo atendimento que temos por lá, excelente.

Tudo isso me faz lembrar como era o trânsito quando comecei a dirigir. Tirei minha carteira de “chofer”, como se dizia então, aos 18 anos. Mas, já dirigia desde os 15 – 1945. Natal tinha uma modesta penca de carros, entre os quais o de meu pai. Havíamos acabado de atravessar o racionamento imposto pela II Guerra, pois não havia gasolina para carros particulares. Meu pai, que havia comprado um Ford 1940 logo no início daquele ano, o colocou na garagem, em cima de cavaletes, até o final da guerra e do racionamento. Aliás, que eu saiba, Natal é a única cidade brasileira onde se usam termos como antes, durante e depois da guerra, em conversas sobre aquele tempo.
Óbvio que não advogo, nem comparo, o hoje com o ontem. Sem dúvida, concordo integralmente com o hoje. Em que uma grande maioria tem meios de possuir um automóvel. Acho isso ótimo.

Com o que não concordo é com a completa e total desorganização do setor. Naquele tempo, com poucos carros, já havia uma preocupação com o trânsito. Sentia-se, nas ruas, a eficiência de uma organização incipiente, mas atuante. Hoje, a impressão que nos causa é de total desinteresse dos responsáveis pelo que ocorre.

Medidas simples, desde que efetivas e permanentes, facilitariam sobremodo o fluxo de veículos por nossas ruas. Nos cruzamentos, por exemplo, nas horas de pico, um guarda ajudaria sobremodo o movimento de carros. Desde que soubesse o que o que ia fazer. Desligaria as sinaleiras, os semáforos, como se diz hoje, e faria o controle manual. Sempre há uma rua com mais trânsito que outra, e a presença humana traria melhor resultado, permitindo maior fluxo do lado com mais movimento. Não só evitaria filas enormes, como impediria o fechamento do cruzamento, o que é corriqueiro, exatamente por falta de fiscalização.

Outra idéia, já discutida mas até agora não implementada, de uma faixa exclusiva para ônibus, e desde que fossem proibidos de deixá-las, pois habitualmente tomam toda a rua, seria outra solução viável. Outras idéias existem, mas não sou eu que vou expô-las. Experiências positivas em outras cidades podem ser copiadas. É só buscá-las.
Só mais um exemplo. Entrar a esquerda, com fechamento de vários cruzamentos e retornos, também tem aumentado o problema. Mais das vezes, o caminho se prolonga por muito mais tempo e com considerável aumento de consumo de combustível, pela distância que se tem de percorrer até encontrar um retorno. E os congestionamentos apenas mudam de lugar. Por que não mais sinais de três ou quatro tempos, que já existem em alguns lugares e funcionam muito bem?

Não, não pretendo ser diretor do Detran nem secretário da Prefeitura. Mas adoraria ver essas figuras se preocuparem mais com o trânsito de Natal, e menos com as multas que arrecadam.
E, palavra final, todos sabem que muitos dos nossos motoristas são mal educados, irresponsáveis, egoístas. São a causa maior de todos os problemas. Mas, reconheça-se, foram aprovados em exames feitos no Detran.

Dalton Melo de Andrade é professor universitário aposentado

Três vezes por semana saio de casa cedo, para a academia do Incor. Ultimamente, tenho encontrado duas dificuldades que me levam a pensar duas vezes em continuar esse exercício. Primeiro, o trânsito. Por incrível que pareça, mesmo em redor das sete, a Prudente de Morais já está insuportável. Depois, local para estacionar. Já dei voltas e mais voltas ao quarteirão, para encontrar uma vaga. Vou continuar, claro, por motivo de saúde. E pelo atendimento que temos por lá, excelente.

Tudo isso me faz lembrar como era o trânsito quando comecei a dirigir. Tirei minha carteira de “chofer”, como se dizia então, aos 18 anos. Mas, já dirigia desde os 15 – 1945. Natal tinha uma modesta penca de carros, entre os quais o de meu pai. Havíamos acabado de atravessar o racionamento imposto pela II Guerra, pois não havia gasolina para carros particulares. Meu pai, que havia comprado um Ford 1940 logo no início daquele ano, o colocou na garagem, em cima de cavaletes, até o final da guerra e do racionamento. Aliás, que eu saiba, Natal é a única cidade brasileira onde se usam termos como antes, durante e depois da guerra, em conversas sobre aquele tempo.
Óbvio que não advogo, nem comparo, o hoje com o ontem. Sem dúvida, concordo integralmente com o hoje. Em que uma grande maioria tem meios de possuir um automóvel. Acho isso ótimo.

Com o que não concordo é com a completa e total desorganização do setor. Naquele tempo, com poucos carros, já havia uma preocupação com o trânsito. Sentia-se, nas ruas, a eficiência de uma organização incipiente, mas atuante. Hoje, a impressão que nos causa é de total desinteresse dos responsáveis pelo que ocorre.

Medidas simples, desde que efetivas e permanentes, facilitariam sobremodo o fluxo de veículos por nossas ruas. Nos cruzamentos, por exemplo, nas horas de pico, um guarda ajudaria sobremodo o movimento de carros. Desde que soubesse o que o que ia fazer. Desligaria as sinaleiras, os semáforos, como se diz hoje, e faria o controle manual. Sempre há uma rua com mais trânsito que outra, e a presença humana traria melhor resultado, permitindo maior fluxo do lado com mais movimento. Não só evitaria filas enormes, como impediria o fechamento do cruzamento, o que é corriqueiro, exatamente por falta de fiscalização.

Outra idéia, já discutida mas até agora não implementada, de uma faixa exclusiva para ônibus, e desde que fossem proibidos de deixá-las, pois habitualmente tomam toda a rua, seria outra solução viável. Outras idéias existem, mas não sou eu que vou expô-las. Experiências positivas em outras cidades podem ser copiadas. É só buscá-las.

Só mais um exemplo. Entrar a esquerda, com fechamento de vários cruzamentos e retornos, também tem aumentado o problema. Mais das vezes, o caminho se prolonga por muito mais tempo e com considerável aumento de consumo de combustível, pela distância que se tem de percorrer até encontrar um retorno. E os congestionamentos apenas mudam de lugar. Por que não mais sinais de três ou quatro tempos, que já existem em alguns lugares e funcionam muito bem?

Não, não pretendo ser diretor do Detran nem secretário da Prefeitura. Mas adoraria ver essas figuras se preocuparem mais com o trânsito de Natal, e menos com as multas que arrecadam.
E, palavra final, todos sabem que muitos dos nossos motoristas são mal educados, irresponsáveis, egoístas. São a causa maior de todos os problemas. Mas, reconheça-se, foram aprovados em exames feitos no Detran.


Dalton Melo de Andrade é professor universitário aposentado

Preconceito, quem não os tem? Tive os meus e não os nego. Mas, verdade, os fui perdendo ao passar do tempo e hoje, posso dizer, não os tenho mais. E, quando ainda surgem, os descarto de imediato. A idade trás bom senso em doses maiores, e a gente vai perdendo as besteiras da vida com rapidez. Aconteceu comigo e acho que acontece com a maioria das pessoas.

Um exemplo? Passei um tempo achando que tudo da América Latina era execrável. Não gostava da língua, achava a musica horrível, os povos eram “cucarachas”. Não me perguntem por que. Nem eu mesmo sabia. O tempo me foi mudando. Comecei gostando de boleros, e gostando de dançar ao seu som. Depois, comecei a ler em espanhol – que havia estudado durante um ano no Atheneu, que tinha o curso, no meu tempo, e cujo professor era Paulo Gomes, tio de meu colega Fernando Gomes e meu amigo Moacyr Gomes. Depois, a musica cubana. Fidel quase acaba com ela, mas surgiu um americano , Ry Cooder, que a salvou, com o “Buena Vista Social Club”.
E o tango e a música argentinos, hoje uma das minhas paixões. Que tem gente como Piazzola e o admirável Ariel Palácios, menos conhecido, compositor de uma grande “Missa Criola”, com ritmos e instrumentos do folclore argentino. Esse preconceito idiota ( e qual não é?) desapareceu totalmente quando fui para a Organização dos Estados Americanos (OEA), onde aprendi muito sobre a América Latina, onde soube que o homem da Venezuela era Francisco Miranda e não Bolívar, hoje endeusado por Chávez, e fiz grandes amizades. Além de ter tido a oportunidade de conhecer a maioria dos países. Hoje, sou um apaixonada pela região, e visito especialmente a Argentina e o Chile, sempre que posso.


Toda essa lengalenga é para chegar à Revista Palumbo. Recebi a coleção completa de presente de minha neta, Flávia Urbano de Andrade, jornalista. Foi uma agradável surpresa. Bem feita, ótimas entrevistas, bons artigos e comentários. Tinha ouvido à respeito dela. Tentei até comprá-la quando surgiu. Cheguei a buscar em uma ou duas cigarreiras. Não as encontrei e não insisti. Parte da culpa foi minha, talvez um pouco de preconceito e muita comodidade. Talvez um pouco da culpa seja dos editores – todos muito bons -, mas, aparentemente, falhos no marketing. Recebi o presente já com a notícia de que a revista deixou de circular. Depois de as ler todas, lamento que tenha desaparecido. A Carta do Editor, no último número, não dá qualquer indicação de que aquela seria a revista final. Permito-me especular, dado os poucos anúncios, que o motivo maior deve ter sido financeiro.

Vejam só. Por mínimo que seja, um preconceito pode causar enorme prejuízo. Deixei de conhecer uma excelente revista quando ela surgiu. E, não fosse por minha neta, nunca a teria conhecido e confirmado o valor dos que a fizeram.

– Dalton Melo de Andrade é professor universitário aposentado

– Dalton Melo de Andrade Professor universitário aposentado



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