Meu amigo de príscas eras, colega de colégio, e bate-papo permanente Pery Lamartine, lembrou de vários apelidos de colegas e professores de nosso tempo de Atheneu – 1942 até 1949.

De saída, preciso dizer que todos os apelidos aqui comentados não tinham qualquer conotação pejorativa. Pelo contrario, eram forma patente e real de admiração pelas pessoas, quase até uma homenagem, pelo bem-querer intrínseco nessa aparente e, muitas vezes, real intimidade com os homenageados.

O primeiro que nos veio à lembrança foi o de Celestino Pimentel, figura inesquecível para quem foi seu aluno, ou o teve como Diretor. O seu apelido era Celé. Óbvio. Era, com toda certeza, dos mais estimado de nossos professores. Todos o admirávamos pela sua tranqüilidade, igualdade de tratamento, e sua energia, quando necessário. Eu mesmo, por haver quebrado uma carteira numa “amigável” discussão com Amaro Marinho, meu grande amigo de toda uma vida, fui, junto com ele, suspenso por 30 dias. Escapamos da punição por que resolvemos pagar o conserto da carteira. Se não me engano, um mil réis. Para nós, lisos, dinheiro paca.

Um outro professor, muito querido, tinha a audácia de querer nos ensinar Português. Israel Nazareno era conhecido como “Tuiuiú”. Não me perguntem a razão. Mas, era original em seu comportamento. Nas chamadas, quando dizia o nome de algum estudante ausente, completava: ausente, não está, faltou, não veio, não está presente; nunca repetia o termo. Certa feita, chegou para nos dar aula e, quando viu os poucos alunos presentes, comentou: “Palmilhei longos caminhos para dar esta aula, e não os encontro”. Vinha do Atheneu feminino, onde hoje está a Fundação José Augusto, caminhando, até o nosso, na Junqueira Aires. Não tinha carro, e o bonde, muitas vezes, demorava. Para não perder o horário, caminhava.

Clementino Câmara, grande professor, exigente, chegava na hora e não faltava uma aula. Ensinava História do Brasil. Sempre com um charuto, aceso ou apagado, tinha o apelido de “Botocudo”. Não me perguntem a razão. A aula dele era às 7 da manhã, e ai de quem chegasse atrasado.

Tivemos professores de Latim padres e leigos. Dos padres, Monsenhor Landim, das melhores almas que conheci, nunca botava uma nota ruim em alguém; apenas insistia para que estudássemos mais. Já Cônego Luiz Wanderley era durão. E a gente só escapava de nota ruim quando o Vasco ganhava e elogiávamos o time. Como o Vasco perdia mais do que ganhava, já viram. Havia um professor, boa gente, não padre, lembro-me dele, mas esqueci o nome, pois todos o conhecíamos apenas pelo apelido: José Bundinha.

Professor de Desenho, tivemos, primeiro, Hostilio Dantas. A fineza e tranquilidade em pessoa. Não tinha, que me lembre, apelido. Mas o seu substituo, que tinha uma sinal azulado no rosto, era conhecido por “Faixa Azul”. A da cerveja Antártica.

Pedro Soares, outra grande figura, simplicidade e cordialidade em pessoa, se dirigia à nós sempre com um “ora, meus senhores”. Era o seu apelido. Tentou e insistiu, sem sucesso, me ensinar Química. O que leva ao professor de Física, com um livro de Nobre (não me lembro o nome todo do autor), mas, naquela época, já ultrapassado. E que dava como exemplo de alavanca o remo e fulcro do remo de um esquife. Era remador e grande figura, José Gurgel, pai de Ney, nosso colega, que se foi de forma terrível meses atrás.

Muitos outros há que lembrar. Voltarei sobre o assunto, e inclusive com os apelidos dos colegas. Como se dizia nas fitas em série, aguardem até a próxima semana. Como aperitivo, o apelido de Ivanildo Saturnino de Paiva, “Deus”. Vou contar o por que.