Passei a noite inteira fechando torneiras, voltando para ver se estavam bem fechadas, buscando vazamentos, inticando se o banho da minha mulher era demorado, ouvindo água escorrendo pelo ralo, dizendo a empregada para economizar e aproveitar a água da máquina de lavar, e por aí. É que lera um folheto anexo à VEJA, muito interessante e útil, sobre a necessidade, até mesmo a urgência, de economizarmos água.

Tempos atrás, e bote tempo nisso, li um livro que achei muito pessimista e, confesso, não fui até o final. Pelo menos há uns trinta anos. Um romance, ação no Rio. Não me lembro do autor, mais era um bem conhecido. O livro era bem escrito e interessante. Já alertava para o aquecimento global, a falta d’água que se prenunciava, e as dificuldades da vida com um calor terrível e sem água para as coisas básicas. Esses detalhes eram tão marcantes, que não me recordo dos demais. Levei esse livro para a praia, para ver se conseguia ler num lugar ventilado e que me fizesse tolerar um pouco o calor que anunciava. Mesmo assim, não consegui. Depois, o procurei e não o encontrei. Devo ter me livrado dele, talvez com medo de um incêndio, tanto era o calor que gerava.

Sempre fui um tanto cético com esse problema do aquecimento global. Mas sempre me preocupei com o assunto. Um outro livro que li alertava sobre esses problemas, talvez o primeiro, de um negócio chamado “O Clube de Roma”, um grupo que se preocupava com a sobrevivência de nosso globo, tem uns cinqüenta anos. Li e achei exagerado. Também desapareceu dos meus alfarrábios. Quando me mudei para o apartamento, doei grande parte dos meus livros de então, pois não cabiam todos, e esse foi no meio. Continuo lendo, tanto os que acham exagero, como eu, e os que exageram, como os dessas diversas ONGs que pedem o nosso dinheiro jurando salvar o planeta do calor, falta d’água, comida, etc.

Mas, sintomas há que nos deixam preocupados. Essa seca mundial, que se exacerba em alguns lugares, é realmente motivo de preocupação. Há anos não temos um inverno, que assim possa ser nomeado, em nosso Estado. São Paulo, capital, terra da garoa eterna, está quase a matar de sede seus habitantes. O problema se espalha pelo Brasil e pelo mundo. A Califórnia, que sempre gastou água à vontade, vindo de suas neves e geleiras das Rochosas, adotou um racionamento de 25% no uso de suas águas restantes, isso para começar. Para todos os lados, a falta d’água é uma ameaça. Cruz credo!

Recomendo que leiam esse folhetinho da Veja. Chama-se “Manual de Etiqueta - Água”, e talvez vocês, como eu, passem a noite fechando torneiras. É divertido.