Para quem escreve, nada melhor que receber comentários. Mesmo que, muitas vezes, sejam críticos. Os recebo, por email, telefonemas, encontros pessoais. Tem um comentarista que aprecio muito, pela sua consistência. Quase toda semana, lê e me telefona sobre o que escrevi. Sempre elogia. Fico grato.

Acha que escrevo pouco sobre a conjuntura. Quer que eu fale de política, de economia, de saúde, de educação. Diz, gosto do que você escreve, me divirto com isso, e leio tudo com prazer. Mas, acho que você precisa falar mais dos nossos problemas. Agradeço seus comentários, suas sugestões – chega a me dar temas – mas respondo que tenho escrito. Se não na constância que gostaria, escrevo sobre o assunto, aqui e ali.

Já lhe dei razões para não escrever mais sobre tais assuntos. É que há muita gente que já escreve a respeito, muitos mais competentes do que eu e, afinal, as pessoas gostam de ler outras coisas. Como eu. Por isso, me dedico mais a relembrar o passado, contar coisas de outrora, às vezes de hoje, esquecidas por muitos e que merecem ser relembradas.

Sei que não o convenci, pois ainda me telefona e comenta – homem, meta o pau nesses governos irresponsáveis, nesses políticos safados, nessa economia maluca, nessa saúde que mata e nessas escolas que não ensinam. Concordo com ele, para não prolongar a conversa. Vai me telefonar reclamando deste artigo mas, como nos entendemos bem, sei que não vai ficar com raiva. Inclusive por que, reconheço, tem muita razão nos seus argumentos.

Quando ele me faz esses comentários, sempre concordo. As coisas neste nosso país vão de mal a pior. A gente olha em torno, busca com insistência por alguma coisa boa para elogiar e, infelizmente, não encontra nada. Sobre qualquer ângulo, as notícias são sempre más. Dólar que sobe, inflação que dispara, indústria em descenso, comércio reclamando de poucos negócios, e por ai vai. Perspectivas, segundo comentaristas, as piores possíveis.

Daí, minha dedicação aos assuntos agradáveis, que melhoram nosso astral, e trazem alegria. Entendo, meu caro amigo, seu ponto de vista, mas não vou mudar.