O dia seguinte. Desde a passagem do milênio, com aquela conversa dos problemas com os computadores, com a ameaça de que o mundo ia acabar em 2012, a ameaça de um asteróide gigante colidir com a Terra, e catástrofes outras, dezenas de filmes foram produzidos explorando esse tema. Um deles, aliás, se chamou mesmo “The Day After”. Desde a antiguidade, já se prenunciava o fim do mundo. É só ler o Apocalipse. Como tudo tem começo e fim, é só esperar. O que lembra a velhinha que escutou um palestrante dizendo que o mundo ia se acabar em oito bilhões de anos. Com dificuldade de audição, pediu para que repetisse. Bilhões de anos. Ah!, grato, pensei que o senhor tinha dito milhões.

Vivemos agora o “dia seguinte” das eleições. Como já se passaram duas semanas, as cabeças estão mais frias. Já ficou claro que o Nordeste não foi o único responsável pela reeleição da presidente. Sem dúvida, o Bolsa Família deu sua contribuição inestimável. Mas o Rio de Janeiro, e especialmente Minas Gerais, deram sua contribuição insofismável, e decisiva. Embora com uma maioria ínfima para o total de votantes, Dilma foi escolhida e dirigirá o país por mais quatro anos. Não ponho dúvida na lisura do pleito (alguns põem); mesmo que a maioria fosse só um voto, está eleita. Democracia é isso, gostem alguns ou não do resultado. Para um democrata, só resta aceitá-lo, fazer oposição lúcida quando necessário, e torcer para que se faça um governo eficiente e eficaz, para o bem do país.

Os cinqüenta milhões que votaram em Aécio Neves absorveram a derrota e aceitaram sem contestações a vitória de Dilma. Após o resultado do pleito, Aécio fez um pronunciamento em que disse haver telefonado à Dilma dando parabéns pelo resultado e desejando sucesso. Pouco depois, ela apareceu na TV agradecendo os seus eleitores, dizendo-se interessada em diálogo permanente, mostrando-se aberta a conversar com a oposição, mas não mencionou o telefonema de Aécio nem a ele se referiu. Como eu, muitos notaram esse lapso da presidente, que esperamos não tenha sido intencional. Até revistas e jornais estrangeiros comentaram esse fato. Pegou mal.

A pergunta que fica, sem resposta até agora é: se fosse o contrário, tivesse Dilma perdido, esse resultado seria aceito com a mesma magnanimidade e mesmo espírito democrático demonstrado pelos perdedores? Algumas manifestações de militantes, que, pelo menos para mim, pareceram exageradas, nos deixam preocupações quanto a isso.

Aqui no nosso RN, o que vimos, patente, foi a rejeição evidente aos acordos do passado. A vitória de Robson Farias parece indicar que vamos entrar em novos caminhos. Deus permita que ele faça um bom governo, para a felicidade do Estado. Sinto pelos que perderam, me regozijo com os vitoriosos.

Todos esses comportamentos, ao final, apenas evidenciam que o regime democrático ainda é o melhor caminho. Os perdedores de hoje poderão ser os vencedores de amanhã.