Eleições às portas. Todos às urnas. Defendo, e sempre defendi, que o voto não deve ser obrigatório. Pela idade, atingi esse direito – votar ou não votar – ao meu bel prazer. Sem dúvida, essa liberdade valoriza o meu voto, como o faria com o voto de qualquer cidadão que pudesse decidir, por si próprio, o comparecimento ou não às urnas. Na grande maioria das democracias, é assim que ocorre.

E simplificar o processo. Essa parafernália montada pelo Justiça Eleitoral – que parece só existir por aqui – complica. Por que não usar sua carteira de identidade, ou de motorista? Por outro lado, o uso da urna eletrônica foi um avanço e tanto. Lembro-me. Quando vivia em Washington, perto de uma eleição para presidente, mesas estavam espalhadas num shopping que freqüentava. Senhoras, voluntárias, maioria idosas, chamavam as pessoas e as registravam para votar nas eleições. Simples, sem burocracia, rápido. A mim me chamaram e expliquei que era brasileiro e não votava. Mas, parece, as coisas por lá também estão se complicando. Em alguns estados, especialmente do Sul, começam a surgir exigências, tudo na tentativa de dificultar os votos dos negros e hispânicos. Iniciativa dos Republicanos. Uma pena.

Essa liberdade de escolha, poder decidir se vai ou não votar, não quer dizer que não se deva votar. Ao contrário, essa possibilidade dá mais valor ao seu voto e permite uma escolha mais racional. Quem vota sob coação, na sua maioria, o faz com raiva e o seu voto pode ser, e às vezes é, uma revolta à imposição, e chega mesmo a votar em branco ou nulo ou, pior, votar, conscientemente, no pior candidato – pelo menos para ele.

Na hora em que você tem a liberdade de escolher se vai votar ou não, sem pressão de leis, você tem certeza do que está fazendo e plena consciência de sua responsabilidade. Nesse momento, a sua escolha será racional. Sem constrangimentos, sem pressões legais, comparece às urnas de mente aberta e decisão livre. O seu voto será de qualidade, o que resultará num pleito mais sério e conseqüentemente só trará benefícios ao país.

Por essas razões, continuo pregando o voto livre. Sou terminantemente contra o voto obrigatório, que não proporciona qualquer vantagem para o país e só permite a exploração dos menos conscientes por parte de uma parcela de políticos desonestos.

Vamos todos votar neste domingo, mesmo que você vote por obrigação, e não por livre escolha, como eu. Estarei na boca da urna dando o meu voto aos meus candidatos. Espero que vençam. Mas, se perderem, estará minha consciência tranqüila, pois cumpri o meu dever de cidadão – por minha livre e espontânea vontade – o que me permitiu escolher achando que o fiz pelos melhores.

Por eleições livres, pelo voto livre, e pela democracia plena. Enquanto há vida, há esperança. Nada de “après moi, le déluge”. Isso é coisa de rei francês.