Toda essa discussão em torno do ebola me trouxe à lembrança meu tio Pelúsio Mello, a vida toda médico da Saúde do Porto, inclusive nos anos da Segunda Guerra em Natal. Deu um duro danado em Parnamirim, revistando tudo que era avião que chegava da África, com os seus colegas de trabalho. Médicos, Antonio Feijó, José Pinto e Fernando de Góis. Comentava comigo, muitas vezes, ter pegado mosquitos vivos, principalmente o “anopheles gambiae”, transmissor da febre amarela, que era o alvo principal das buscas. Também dizia da cooperação irrestrita dos americanos, que obedeciam à risca todas as instruções da Saúde. Mesmo sendo aviões militares, só abriam as portas e desembarcavam depois da visita da Saúde. E quando o movimento cresceu muito e o nosso pessoal não dava conta do recado, colocaram o seu próprio pessoal médico para ajudar na tarefa.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o ebola é extremamente perigoso. A atenuante é que sua propagação é relativamente lenta, pois o vírus, tem vida curta, quaro, cindo dias, e a contaminação é por contato; sangue, saliva, fezes, outros fluídos. Países no mundo inteiro tomam medidas preventivas para evitar o ingresso do vírus em suas terras e a propagação da doença.

Aqui no Brasil, vi uma declaração do Ministério da Saúde que o risco da disseminação do vírus é ínfima, se não mesmo inexistente. Só espero que estejam realmente seguros disso. Uma contaminação com o ebola, por aqui, seria muito mais grave, incomparavelmente mais grave, pela alto nível de mortalidade, que pode chegar aos 90% dos contaminados, do que qualquer outra das doenças que nos assolam, inclusive a dengue.

Não sou médico, pouco conhecimento tenho para discutir o assunto. Mas, tenho a desagradável mania de acompanhar as notícias. Estou vendo como as vítimas desse vírus aumentam diariamente, com um número de mortes elevado. Não existe um remédio ou vacina realmente eficaz. Parece haver surgido agora, nos Estados Unidos, um medicamente que tem tido um resultado positivo no tratamento, mas de produção limitada e que, obviamente, será usado prioritariamente no próprio país. E a OMS, de tão preocupada com o problema, já autorizou até o uso dos medicamentos experimentais.

Por tudo isso, é de se esperar que as nossas autoridades sanitárias estejam realmente seguras do que dizem, e do que fazem, se é que estão fazendo mesmo alguma coisa. É difícil acreditar na Saúde oferecida pelo governo.