Como comentava no meu artigo anterior, fui ao campo ver os jogos da Copa. Só não fui ao primeiro. Chovia pra burro, tudo cheio d’água, e eu não sei nadar.

Confesso, fui contra esse novo campo de futebol. É, campo mesmo. Sou do tempo do campo Juvenal Lamartine. Depois, passaram a chamar de estádio; hoje, chamam de arena. Continuo chamando de campo. Mais apropriado, embora estádio seja bastante aceitável. Mas, depois de estar presente nele, digo que gostei.

Bonito, confortável, visão muito boa de todo o campo, movimentação muito bem organizada. Gostei, embora não pretenda repetir a dose. O espetáculo da torcida, que é uma das atrações, o movimento incessante, gente que entra e que sai de seus lugares, o barulho, o som alto, atrapalha e tira sua atenção. E se perdem os melhores lances do jogo. Por exemplo, não vi a mordida do jogador do Uruguai no italiano. Na TV, você não perde nada e ainda tem o replay.

Apesar disso tudo, meus argumentos básicos contra a construção desse campo continuam, pelo menos para mim – para que gastar tanto dinheiro? Haverá, mesmo, um legado duradouro? Deus queira que sim. Os túneis, elevados, calçadas, pavimentações, claro, permanecerão. Mas, poderiam ser construídos sem precisar gastar tanto dinheiro no estádio. O velho Machadão poderia ser reformado, como o foi o Maracanã. Por que não?

Como está aí e pronto, vamos, como disse uma ministra do PT, uma dos 39, “relaxar e gozar”. Aproveitemos o dinheiro que foi gasto, e torçamos para que venha o estádio a ser bem utilizado, ocupado com jogos, shows, o que for, para minorar, pelo menos, as despesas de manutenção e evitando que se torne, como afirmam muitos, um elefante branco.

Dizem que houve uma grande contribuição ao turismo. Pode ser. Vi muitos estrangeiros nos jogos e provavelmente não viriam aqui se não fossem os jogos. Duvido que voltem. Ou que influenciem outros a nos visitar. Não é que seja pessimista. Pelo contrário. Sou realista. Estamos longe, os preços que cobramos em hotéis, restaurantes, barzinhos, cada vez mais caros. Existem lugares tão atraentes, até mesmo mais atraentes, oferecendo proximidade, custos mais baixos e atrações iguais às nossas, se não melhores.

Não me atrevo a dizer que a Copa, aqui, seria dispensável. Deixou recordações positivas. Mas, entre as recordações e os benefícios efetivos, vai uma longa distância.