Recebi um telefonema via celular de um amigo. Quando atendi, o escutava, mas ele não. Retornei a ligação, ele me escutava e eu não. Na terceira tentativa, finalmente, nos comunicamos. O que me leva a comentar o passado.

Boa parte dos anos 70, estava em Washington. Comunicações com o Brasil eram praticamente impossíveis. Uma carta via aérea levava de 10 a 15 dias. Um jornal ou revista que amigos me mandavam pelo correio comum, em redor de um mês, ou mais. Telefone, nem pensar. Difícil e caro. Internet, ainda para ser inventada.

Eu levava uma vantagem. Montei minha estação de rádio-amador e falava quase todos os dias com o Brasil. Tinha um comunicado semanal com colegas de Natal. O meu contato habitual era com Hermita Cansanção, de saudosa memória. Mantinha-me atualizado com as coisas de Natal. Cansanção, uma grande figura, começava o papo com o obituário. Deixava-me sempre atualizado com as mortes que ocorriam por aqui. E contava os outros acontecimentos. Esses contatos diminuam a saudade da terra e dos amigos.

Hoje, com o computador, internet, emails, o mundo está dentro de nossa casa. Para quem gosta dessas coisas, como eu, a gente se mantém em dia com tudo e com todos, todo o tempo.

Tenho um filho que mora em Montreal. Estamos em contato quase todo dia, inclusive ao vivo e em cores, e sem gastar um centavo. No momento que queremos e como quisermos. Telefone e computador, os veículos utilizados, com wifi, internet e programas como Viber, WhatsApp, Facetime, e outros tantos similares, que nos permitem comunicação instantânea e perfeita.

Muito dessa bonança devemos a privatização das teles. Mesmo com as deficiências ainda existentes, como o acima relatado, preços que ainda são caros mas já baixaram muito, houve uma melhoria nas nossas comunicações. No passado, telefone era bem de raiz e era incluído como um “bem” no imposto de renda. Uma originalidade brasileira! Nenhum outro país do mundo tinha essa excrescência. Para conseguir uma linha telefônica, três caminhos: muito dinheiro, prestígio político, ou amizade com alguém da companhia. E ainda custava caro, caríssimo. Absurdo. Hoje, todo mundo tem um telefone. E, em alguns casos, você contrata a linha e recebe o telefone de graça. Há mais telefones celulares do que gente.

O correio, que piorou muito, e vive em greve, felizmente é praticamente dispensável. (No dia 28 de março recebi uma conta da Claro vencida em 24 de fevereiro – um mês depois da postagem; como a telefônica cobrou por email, já havia pago e escapei da multa e juros). Com os emails, você se comunica rápido e fácil com o mundo todo. Até para enviar encomendas. O SEDEX já foi ótimo, mas hoje você possui alternativas mais eficientes e custos semelhantes. Com segurança e rapidez.

Pela menos nas comunicações e apesar dos contratempos, desde que foi entregue a iniciativa privada, este pais melhorou paca. E ainda há meia dúzia de retrógrados que defendem a estatização!