Não posso falar por você, mas estou ficando cansado. Inclusive do tema deste artigo. O fato é que vamos de mal a pior. Quase não tenho mais paciência para acompanhar os noticiários de TV, jornais, revistas. Especialmente TV, mais dinâmico e mais atual. Repetem, o tempo todo e em todas as estações, crimes cada dia mais constantes e violentos, desgovernos cada vez mais evidentes, impunidades que se multiplicam e, para completar, anúncios e mais anúncios de bugigangas dispensáveis. E acentuam os desastres que são nossas segurança, saúde, educação, política e tudo mais que depende de ações de governos. Notícias positivas são raras, cada vez mais raras.

Poucos dias atrás, recebi de um amigo que mora em Brasília e trabalhou comigo no MEC um telefonema de Boas Festas e Feliz Ano Novo. Ele deve ser mais ou menos de minha idade. Mas, pela amargura, o senti desanimado. Reclamou de que morava no centro da bagunça, da desgovernança, da irresponsabilidade, da desonestidade, da ladroeira, da safadeza e do crime. E, acrescentou, sinto que tudo isso está se espalhando pelo resto do Brasil. Falta inteligência, espírito público, bom senso, patriotismo. Não acreditava mais em nada.

Fiz um esforço para animá-lo, embora, no fundo, sei que ele tem muito de razão. Na verdade, estamos mal. E, olhando ao redor, sem perspectivas de vermos alguma melhora num futuro próximo. Chega-se mesmo a desanimar, como esse amigo. Mas, disse-lhe, não podemos desistir. Lembre-se dos filhos e dos netos. Temos que tentar entregar-lhes um pais melhor do que o que herdamos.

Eu, que me considero um otimista nato, tenho momentos de descrença no nosso futuro. Com o que presenciamos no dia a dia, há que se ter um espírito forte, muita força de vontade, e muita confiança no futuro, para crer que vamos melhorar. É que, olhando para todos os lados, vemos sempre canalhice, desrespeito aos outros, anarquia, violência, roubo, assassinatos, desmandos, exploração do bem público em benefício próprio, e tudo sem punição. E, para completar, setores do governo e da sociedade defendendo esses criminosos como se vitimas fossem. Enquanto esquecem as verdadeiras vitimas e acusam a policia quando reagem como devem.

É ou não para desacreditar no nosso futuro? Necessita-se de muita fé, esperança e caridade, para confiar que as coisas vão mudar. Mas, reconheçamos, até mesmo essas virtudes têm limites, que parece já estão sendo ultrapassados. Queira estar eu errado.

Sonho com um Brasil, e um Rio Grande do Norte, que seja pelo menos assemelhado às propagandas publicadas pelos governos. Tudo azul e brilhante. E, logo em seguida, o sonho se desfaz com os noticiários mostrando, aí sim, o desastre que é o país real.