NATAL PRESS

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“Plus ça change, plus c’est la méme chose”

Esse velho ditado francês se torna mais verdadeiro a cada dia. Os jornais e a TV continuam a mencionar essa confusão sem fim, da provável defenestração da governadora. Essas notícias trouxeram-me à lembrança fatos passados, especialmente por que um dos circunstantes era o pai de Robinson Farias, meu amigo e companheiro de lutas, Osmundo Farias.

Ano de 1974. Éramos auxiliares do governo de Cortez Pereira. Osmundo, presidente do BDRN (Banco de Desenvolvimento do RN) e eu do BANDERN (Banco do Estado do RN). Osmundo, candidato ao governo do Estado. Como seu amigo de longa data, companheiro de governo, o apoiava o quanto podia. Não é preciso salientar que, naquele tempo, a escolha era do Presidente da República. Portanto, sua fortaleza tinha que ser, claro, política, mas com o imprescindível suporte militar. Osmundo tinha seus apoios de políticos locais, e também na área militar.

Dias antes da escolha do nome do nosso governador pelo Presidente, fomos à Brasília, foco da luta, para tentar garantir o nome de Osmundo. Tudo correu muito bem, mesmo com a oposição de Dinarte Mariz, cujo candidato era Tarcísio Maia. O apoio à Osmundo, na área militar, era patrocinado pelo Gal. Dale Coutinho, homem forte do futuro governo Figueiredo, de quem seria ministro da Guerra.

Saímos de Brasília para o Rio com Osmundo escolhido e praticamente nomeado. Jantamos com Garibaldi Ribeiro, então deputado federal e que apoiava o nome de Osmundo, já quase em ritmo de comemoração da nomeação oficial ainda pendente, mas certa. Pela manhã, notícia da morte repentina do general Dale. A estrutura de Osmundo se desmanchou. Dinarte mexeu com os seus pauzinhos e Tarcísio foi nomeado.

Será que não aconteceu o mesmo agora? Robinson, seu filho, com a decisão do TRE, já era considerado por todos como o novo governador. De repente, uma decisão dessas que só acontecem no Brasil. Uma única pessoa, embora com respaldo legal, desmancha uma decisão colegiada, e todas as expectativas se desmancham, por sua vez, no ar. Claro, o pleno do TSE ainda tem que se pronunciar, mas ninguém sabe quando e nem como. Enquanto isso, fica tudo em suspenso. E tempo para que os pauzinhos sejam mexidos. Como o tempo é curto, tudo pode acontecer, inclusive nada.

“Quanto mais se muda, mais fica a mesma coisa”.



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