NATAL PRESS

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Uma contradição. Especialmente no Natal. Tristeza, é o que sinto à respeito do Brasil. Otimista nato, sei que a esperança triunfará. Acredito firmemente em nosso país. Mas, o seu momento é desanimador.

Minha tristeza é com seus governos em todos os níveis, seus políticos. Toda vez que vejo uma noticiário na TV, ou leio os jornais, ou as revistas semanais, me cobre esse sentimento de tristeza, de desânimo, de pessimismo, que não encontra uma justificativa mais profunda do que essa – o país está se desmanchando, se auto destruindo, seus valores se esvaindo no ar, a seriedade e o bom senso se evaporando, desaparecendo como bolinhas de sabão.

Que diabo está acontecendo? Os valores mais caros, os ensinamentos mais básicos, de respeito aos outros, de comportamento ético, de humanidade, de convivência social, enfim, todos os valores que constroem e consolidam uma sociedade, se esvaem com uma rapidez inexplicável. Para qualquer lado, em qualquer setor, em todos os planos da vida, a degradação e a deterioração dos mínimos valores sociais se desmilinguinam, desaparecem, se esvaem.

Fico pensando comigo mesmo. Será que esse meu sentimento se deve ao fato de estar envelhecendo? Será que não sou eu mesmo que estou fora de época, fora de validade, como alguns gostam de dizer de forma depreciativa, esquecendo que, se tiverem sorte, poderão atingir esse mesmo prazo? Mas, quando penso melhor, vejo que não. E, quando olho para a forma como caminham outras sociedades, especialmente as européias, mais antigas e por isso mesmo mais civilizadas, vejo que não. Não sou eu que estou superado. O que se vê, por todos os lados, é a total insensibilidade e capacidade da “elite” (que uso aqui no sentido novo que querem dar ao termo, que procura qualificar, ou desqualificar, as elites verdadeiras como danosas, que confundem “elite” com ter dinheiro) em dirigir os destinos do país. Predominam a insensatez e falta de bom senso.

Os dirigentes de hoje têm uma preocupação premente e sempre presente. Auto-aproveitar as posições de que usufruem, criando ao redor de si um aparente interesse para os problemas do povo, mas sempre cuidadosos em defender a si próprios e os que lhes cercam.

O povo, mesmo, o que precisa de saúde, segurança, educação, transporte coletivo, que lhes é de direito pelos impostos que pagam aos governos – as necessidades essenciais para se viver um pouco melhor – é esquecido. E, quando se entrevistam os responsáveis por esses desastrosos serviços, com os poucos que ainda concordam em dar alguma satisfação, sejam de que partido forem, a resposta é sempre a mesma – as providências estão sendo tomadas e daqui a um mês, dois meses, seis meses, um ano, prazos que se transformam em muitos anos, estará tudo resolvido. E nada se resolve, e o povo continua sofrendo dos mesmo males, sem esperança.

Quando fui secretário de Educação, qualquer problema que surgia me fazia sentir mal. Ficava super preocupado, buscando uma solução rápida. Enquanto não resolvia o problema, não tinha sossego. Hoje, me martiriza ver a insensibilidade, que deve ser também incapacidade, de certos dirigentes, em não dar a menor atenção à problemas que urgem uma solução. Novos tempos, novos costumes; piores costumes, piores tempos. Tudo isso é lamentável.

Como acredito no Brasil e no seu futuro, empurro a tristeza para o lado e desejo à todos que me lêem, aos que fazem este JH, um Feliz Natal e um 2014 renovado. Que mude a cabeça de nossos dirigentes. Para melhor, pois, infelizmente, também pode mudar para pior.



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