Quem se lembra da “Noite dos Cristais Quebrados”, no dia 9 de novembro de 1939? Que fez agora 74 anos? Poucos, acho eu. Acredito que deve ter saído alguma coisa sobre o assunto na mídia brasileira, mas não vi nada. Jornais estrangeiros não esquecem esses fatos, especialmente os europeus.

Nesse dia, os nazista agrediram judeus por toda a Alemanha, à mando de Goebell, ministro da Informação de Hitler (hoje, marqueteiro) e com a concordância do partido nazista. Suas pessoas, suas propriedades, lojas e casas, foram atacados e destruídos em todo o país. Foi um prenuncio do que estaria por vir no “Reich” dos propalados mil anos.

Foram mortos cerca de cem judeus, foram destruídas centenas de sinagogas, escolas, lares, e lojas a eles pertencentes. Cerca de 35.000 foram presos, muitos dos quais foram enviados aos já então criados campos de concentração, torturados e assassinados. Foi o começo do Holocausto, que matou seis milhões de judeus. E outras etnias consideradas inferiores pelos “deuses” nazistas.

O argumento dos nazistas foi de que isso era uma reação espontânea ao assassinato de um diplomata alemão em Paris, Ernst Von Rath, morto por um judeu polonês de 17 anos, Herschel Grynzpan. A história diz que ele procurava se vingar, em razão da perseguição à sua família na Alemanha. No entanto, o ataque aos judeus estava muito bem preparado, as organizações nazistas devidamente orientadas pelo partido, e a policia e corpo de bombeiros instruídos para não interferir. Uma noite de terror, muito bem orquestrada, tudo executado com a melhor eficiência, que é e sempre foi a marca registrada do país. A morte do diplomata foi um argumento fajuto.

Quando olhamos para o mundo de hoje, com as conturbações que andam por aí, quando vemos os desentendimentos crescentes no Oriente Médio, as chamadas “primaveras árabes”, a falta de dialogo entre as nações, não há como não nos preocuparmos com o futuro. O que esperar de tudo isso? Teremos adiante novas “noites de cristal”, sem alvo definido ou motivações evidentes?

O que esperar de vândalos, como os que ultimamente surgiram em nossas cidades, sem posições claras ou razões objetivas para um tresloucado comportamento, que prenunciam apenas a anarquia e o desprezo pelo direito dos outros e pela convivência sadia? Do protesto pelo protesto?

Por isso, é bom lembrar essa noite marcante da história da humanidade. Lembrando o passado, podemos evitar que ele se repita. A tolerância dos cidadãos, que aceitaram a destruição e os ataques com um “não foi comigo”, os levaram a pagar muito caro por essa indiferença. Que não se repita o mesmo nos dias presentes e especialmente entre nós.

O populismo, o desprezo pela liberdade em geral e da imprensa especialmente, o desrespeito ao direito, a aceitação das agressões ao patrimônio público e privado, às pessoas e aos policiais, nos leva a prever um triste cenário para o futuro deste país. E não vemos uma reação inteligente ao problema. Muita conversa e pouca ação.