NATAL PRESS

A votação demorou muito. Fui dormir, mas certo de que o deputado seria cassado. Quando acordei e liguei o computador, para ver as notícias, não acreditei. O criminoso condenado não havia sido cassado! Apesar do presidente Henrique esperar um tempão para aumentar o comparecimento, apenas 405 deputados estavam presentes. Faltaram 108. Nunca antes na história deste país se viu absurdo tão grande. E Lula tinha razão, quando falou nos 300 picaretas. A soma dos que votaram contra, se abstiveram e não compareceram somam 280.

Fiquei pensando. Como isso pode acontecer? Claro, não fosse secreto o voto, ele teria sido cassado por unanimidade. Disso, ninguém duvida. Foram 233 pela cassação, 131 contra e 41 abstenções. E mais 108 fujões. Pelo menos desses sabemos o nome, pois a ausência é anotada.

Como classificar esse povo? Para os que votaram contra e se abstiveram, é compará-los com os baderneiros que, atrás de máscaras, quebram tudo que vêm pela frente, nada respeitam, e ainda ficam impunes. Atrás do voto secreto, o comportamento é idêntico. Não são confiáveis. Os que faltaram, não merecem classificação. Um ou outro, talvez, venha a apresentar uma desculpa amarela por estar ausente.

O Presidente Henrique Eduardo, num gesto corajoso e de respeito ao povo, resolveu declarar suspenso o mandato e permitir a posse do suplente. E ainda disse que não mais promoverá votações desse tipo até que seja aprovado o voto aberto. Tem o apoio de todo o povo brasileiro. Ponto pare ele. Diminuiu a decepção de todos com esse resultado esdrúxulo e inesperado.

O que fica disso tudo é de que, se o Congresso já era o campeão absoluto do desprezo do povo brasileiro, com essa votação terminou de arrasar com a ínfima confiança ainda existente aqui e ali.

Escrevo este artigo dominado pela indignação. Sou um indivíduo tolerante, mente aberta e aceito o contraditório com a maior facilidade. Mas, tenho a impressão que estamos chegando ao limite. Pergunto, como um deputado, mesmo tendo votado pela cassação, pois não se sabe quem foi, vai ter coragem de sair às ruas e pedir votos? E, pior, mesmo que ele declare haver assim votado, quem vai acreditar?

Adquiri, pela idade, um direito que deveria ser de todos os brasileiros, a liberdade de votar ou não, ao seu bem querer. Essa história de voto obrigatório é uma estupidez. Tenho pensado em não renovar o meu título de eleitor. Mesmo escolhendo o melhor, e sempre procurei votar no melhor, independente de partidos que nada valem, nosso voto não tem valor. E o sacrifício para a renovação – pelas filas e quantidades de carros que vejo em frente ao TRE -, não vale a pena. E uma andorinha só não faz verão, mesmo com o apoio do Ibama e do Idema.



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