Rir ou chorar. O dilema. Vejo na TV que hotéis em Brasília cobram até cinco vezes mais caro, quando há eventos turísticos na cidade. Esquentando os motores para a Copa. Parece mentira, mas o jornal entrevistou a vice-presidente da associação dos hoteleiros que disse: nós aproveitamos essas ocasiões para aumentar os preços.

Por aqui, alardeiam-se continuamente sobre os milhares de turistas que virão à Natal assistir os “grandes” jogos da Copa aqui realizados. Pelo que se escuta, os nossos hoteleiros devem estar também esquentando os motores para aproveitar essa benesse.

Mas, hoje, o que se vê é uma reclamação generalizada de que o turismo está acabando. Os hotéis estão vazios. O movimento vem caindo continuamente. E não é mais o mesmo. A pergunta que fica é, por quê. A resposta é fácil.
Quem usa a internet, nem precisa pesquisar. A quantidade de ofertas de viagens que se recebe por email, saindo de São Paulo ou do Rio para Natal, Recife, Fortaleza, é enorme. Natal sempre é a mais cara. E, se compararmos com os preços para Buenos Aires, Santiago do Chile, até mesmo para Miami ou Nova York, os preços para esses lugares são ainda mais baratos. Melhor ir à Lisboa ou Madrid do que vir à Natal.

Para nós, sofredores locais, sentimos na pele os preços e serviços terríveis que temos em nossos restaurantes. Felizmente, não temos que ir aos hotéis. Os preços estão nas alturas. Mais barato comer em Londres. Os serviços, e aqui reconhecemos a boa vontade dos garçons, em seu esforço para atender, são tristes. Uma enorme quantidade de garçons, correndo de um lado para o outro como baratas tontas, ou juntos em um canto do restaurante batendo papo, com os clientes se esforçando para serem vistos quando desejam pedir alguma coisa. É melhor levantar e ir buscar pessoalmente. Domingos desses, num restaurante de ponta, levamos mais de duas horas para recebermos nosso pedido. Total falta de orientação e treinamento. Há exceções. Um ou dois restaurante são extremamente eficientes. Mas os preços são caros, e vêem subindo. Mas, deve ser engano nosso, pois o governo continua dizendo que não há inflação.

Para resolver tudo isso, temos duas Secretarias de Turismo. Uma do estado, outra do município. Não sei, mas suponho que tentam somar esforços. Vejo, às vezes, nos jornais, que viajam juntos. Demonstram interesse e se esforçam para vender Natal e o estado. Minha impressão, provavelmente errada, e peço desculpas antecipadas, é que voltam com todos os ingressos.

Contam com o novo aeroporto, para melhorar o turismo. Deus queira. Dizem, que ficará pronto em Abril do ano próximo. E vão parar o Augusto Severo. E aí você vai levar três horas do Rio para Natal, e mais três do aeroporto para a cidade. É que os acessos são prometidos para Maio de 2014. Você acredita que estarão prontos?

Não digo isso com alegria. Ao contrario, lamento profundamente. Dependesse de mim, as ruas, hotéis e restaurante estariam cheios de turistas, falando uma babel de línguas e gastando um montão de dinheiro.

Dalton Melo de Andrade é professor universitário aposentado.