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“Pelúsio, de novo”. Por Dalton Mello de Andrade

NATAL PRESS

Meu amigo Laélio Ferreira me pede para contar uma estória que se atribui à Pelúsio com Dom Eugênio. A presença de Dom Eugênio é uma invenção. Mas a estória não, e vale ser contada.

Um dia, boca da noite, para um carro em frente a casa de Pelúsio e o motorista vem falar com ele. Dr. Pelúsio, Dom Eugênio está convidando o senhor para acompanha-lo numa visita a um doente terminal, ao qual talvez tenha que dar extrema unção, mas gostaria de sua presença. Pelúsio não se fez de rogado; botou a gravata e o paletó e saiu (sempre usava gravata e paletó). A mulher dele, que procurava controlá-lo, observando tudo. Muito religiosa, até ficou feliz com o prestígio do marido. Na volta, coisa das dez horas, Pelúsio salta do carro e diz, em tom um tanto alto: boa noite, Dom Eugênio, estou sempre ao seu dispor. Sabia que a mulher, sempre desconfiada, estava olhando e escutando pelas frestas da janela.

Daí por diante, de vez em quando, esse carro preto parava em frente a casa de Pelúsio, boca da noite, e com a mesma estória. Ele saía e voltava sempre em redor das dez. Não era D. Eugênio coisa nenhuma. Era Manoel Henriques, motorista da praça da Rio Branco, cujo carro de aluguel (taxi surgiu aqui muito depois, era carro de aluguel) era igual ao de Dom Eugênio. Fazia essas escapadas com parcimônia, e a mulher nunca desconfiou.

Aproveito o “momentum” para contar outra estória envolvendo a mulher dele, Nair. Estavam sem empregada e faziam as refeições em Nemésio. Foram atravessar a Rio Branco, e vinha um carro em disparada, do Baldo. Pelúsio segurou o braço de Nair: não vai dar tempo. Ela, sempre voluntariosa, soltou-se e começou a atravessar a rua. Foi atropelada. O motorista parou para prestar socorro (coisa rara hoje em dia) e Pelúsio pediu que os levassem para a Policlínica do Alecrim. O motorista, muito nervoso, perguntou, e agora, doutor? Não se preocupe, você não tem culpa; avisei que não ia dar tempo, mas ela insistiu. Fique tranquilo. O rapaz, aliviado, entregou-lhe o cartão e disse: se precisar de algo, é só telefonar. O acidente não foi muito grave e Nair recuperou-se rapidamente. Um dia, ela ainda no hospital, ele foi almoçar em casa de meus pais. Minha mãe perguntou como estava Nair e ele respondeu: bem, deve ter alta este fim de semana. Eu é que estou muito preocupado. Por que?  Você sabe como ela é braba e agora, que tomou transfusão de sangue de soldado, deve ficar uma fera. Tínhamos um parente que era oficial no 16º R.I. e conseguiu uns soldados para uma transfusão. Mamãe reagiu, você não tem jeito.

E tem a das bandeiras. Campanha de Dinarte e Aluízio, a cidade cheia de bandeiras verdes e vermelhas. A rua de Pelúsio, a Apodi, praticamente com todas as casas embandeiradas. Menos a dele. Um vizinho amigo o procurou. Dr. Pelúsio, a única casa que não tem bandeira na nossa rua é a do senhor. Meu caro, não esqueça, eu já sou casado com uma Bandeira. Acha pouco?

“Pelúsio, de novo”. Por Dalton Mello de Andrade

 

                Meu amigo Laélio Ferreira me pede para contar uma estória que se atribui à Pelúsio com Dom Eugênio. A presença de Dom Eugênio é uma invenção. Mas a estória não, e vale ser contada.

Um dia, boca da noite, para um carro em frente a casa de Pelúsio e o motorista vem falar com ele. Dr. Pelúsio, Dom Eugênio está convidando o senhor para acompanha-lo numa visita a um doente terminal, ao qual talvez tenha que dar extrema unção, mas gostaria de sua presença. Pelúsio não se fez de rogado; botou a gravata e o paletó e saiu (sempre usava gravata e paletó). A mulher dele, que procurava controlá-lo, observando tudo. Muito religiosa, até ficou feliz com o prestígio do marido. Na volta, coisa das dez horas, Pelúsio salta do carro e diz, em tom um tanto alto: boa noite, Dom Eugênio, estou sempre ao seu dispor. Sabia que a mulher, sempre desconfiada, estava olhando e escutando pelas frestas da janela.

Daí por diante, de vez em quando, esse carro preto parava em frente a casa de Pelúsio, boca da noite, e com a mesma estória. Ele saía e voltava sempre em redor das dez. Não era D. Eugênio coisa nenhuma. Era Manoel Henriques, motorista da praça da Rio Branco, cujo carro de aluguel (taxi surgiu aqui muito depois, era carro de aluguel) era igual ao de Dom Eugênio. Fazia essas escapadas com parcimônia, e a mulher nunca desconfiou.

Aproveito o “momentum” para contar outra estória envolvendo a mulher dele, Nair. Estavam sem empregada e faziam as refeições em Nemésio. Foram atravessar a Rio Branco, e vinha um carro em disparada, do Baldo. Pelúsio segurou o braço de Nair: não vai dar tempo. Ela, sempre voluntariosa, soltou-se e começou a atravessar a rua. Foi atropelada. O motorista parou para prestar socorro (coisa rara hoje em dia) e Pelúsio pediu que os levassem para a Policlínica do Alecrim. O motorista, muito nervoso, perguntou, e agora, doutor? Não se preocupe, você não tem culpa; avisei que não ia dar tempo, mas ela insistiu. Fique tranquilo. O rapaz, aliviado, entregou-lhe o cartão e disse: se precisar de algo, é só telefonar. O acidente não foi muito grave e Nair recuperou-se rapidamente. Um dia, ela ainda no hospital, ele foi almoçar em casa de meus pais. Minha mãe perguntou como estava Nair e ele respondeu: bem, deve ter alta este fim de semana. Eu é que estou muito preocupado. Por que?  Você sabe como ela é braba e agora, que tomou transfusão de sangue de soldado, deve ficar uma fera. Tínhamos um parente que era oficial no 16º R.I. e conseguiu uns soldados para uma transfusão. Mamãe reagiu, você não tem jeito.

E tem a das bandeiras. Campanha de Dinarte e Aluízio, a cidade cheia de bandeiras verdes e vermelhas. A rua de Pelúsio, a Apodi, praticamente com todas as casas embandeiradas. Menos a dele. Um vizinho amigo o procurou. Dr. Pelúsio, a única casa que não tem bandeira na nossa rua é a do senhor. Meu caro, não esqueça, eu já sou casado com uma Bandeira. Acha pouco?

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