Com essa decisão esdruxula do Reino Unido, intitulado de “Brexit”, em que votaram para se separar da Europa, fiquei tão assombrado que resolvi evocar uma alma para ver se encontrava uma explicação. E só uma teria condições de responder as minhas dúvidas. O velho Churchill.


    Achei que ele não iria me atender. Afinal, não o conhecia pessoalmente, nunca conversamos, nunca tivemos qualquer ligação. Foi um cara importantíssimo durante a II Guerra, sempre super ocupado, e não tinha tempo para conversar com um menino, o que eu era naquela época. E eu não era idiota em procura-lo. Ele estava lá, no Reino Unido, tentando enfrentar a sanha nazista, no começo só, depois ajudado pelos americanos, imprescindíveis na vitória final. Eu, aqui em Natal, acompanhando os acontecimentos, pelo rádio, jornais e revistas, e pela presença dos americanos por aqui. Mas, com essa decisão, para mim sem nexo, arrisquei incomodá-lo.


    Para minha surpresa, agradável surpresa não fossem as circunstâncias, concordou em conversar comigo. A primeira pergunta que fiz, óbvia, foi: como o senhor explica isso; é possível aceitar essa decisão?


    Meu filho, isso é uma loucura. Tenho observado você a algum tempo e vejo que leu meus livros. Leu pelo menos os principais. E você conhece minha opinião. Desde que terminou a guerra, me dediquei em tentar unir a Europa. Um dos meus primeiros discursos, na Suíça, poucos anos depois do fim da guerra, foi sugerindo a criação dos Estados Unidos da Europa, à semelhança dos EUA. Vi com alegria a aproximação da França e Alemanha, com o acordo do Carvão e do Aço, trabalho inteligente iniciado por Robert Schuman e Jean Monnet. Isso ocorreu em 1952 e partiu daí a formação do CEE (Comunidade Econômica Europeia) que evoluiu para o que temos hoje.


    Mas, confesso, isso não me surpreendeu muito. Se você fizer uma análise desapaixonada dos últimos anos do Reino Unido, e do resto da Europa, verá que o padrão dos governos caiu muito. Não gosto de dizer, pois parece que estou me promovendo. Mas, depois do meu governo, só recordo uma pessoa que bem dirigiu os destinos do país, a Primeira Ministra Margareth Thatcher. Os demais, antes e depois dela, diria eu, talvez exagerando, não tinham talento nem competência para a função. Talvez se possa incluir Tony Blair no rol dos aproveitáveis. E não vejo mais ninguém. Se exagero, que me perdoem. Mas, é o que sinto.


    E o futuro, perguntei? À Deus pertence, respondeu, mas isso não o preocupa. Estou aqui, perto dele, e ele anda muito ocupado com outros problemas, que para ele são mais sérios e urgentes, para dar muita bola para isso. Quer acabar com a fome, as guerras, o sofrimento de boa parte da humanidade. Isso lhe toma todo o tempo. Paciência. Sempre há esperança e vamos ver se a Europa e o Reino Unido se resolvem, de uma forma ou de outra. É o que desejo. E como você gosta de dizer, bola pra frente que o Real Madrid não é de nada, com o que concordo, pois torço pela Manchester United.

“Churchill”. Por Dalton Mello de Andrade

 

                Com essa decisão esdruxula do Reino Unido, intitulado de “Brexit”, em que votaram para se separar da Europa, fiquei tão assombrado que resolvi evocar uma alma para ver se encontrava uma explicação. E só uma teria condições de responder as minhas dúvidas. O velho Churchill.

                Achei que ele não iria me atender. Afinal, não o conhecia pessoalmente, nunca conversamos, nunca tivemos qualquer ligação. Foi um cara importantíssimo durante a II Guerra, sempre super ocupado, e não tinha tempo para conversar com um menino, o que eu era naquela época. E eu não era idiota em procura-lo. Ele estava lá, no Reino Unido, tentando enfrentar a sanha nazista, no começo só, depois ajudado pelos americanos, imprescindíveis na vitória final. Eu, aqui em Natal, acompanhando os acontecimentos, pelo rádio, jornais e revistas, e pela presença dos americanos por aqui. Mas, com essa decisão, para mim sem nexo, arrisquei incomodá-lo.

                Para minha surpresa, agradável surpresa não fossem as circunstâncias, concordou em conversar comigo. A primeira pergunta que fiz, óbvia, foi: como o senhor explica isso; é possível aceitar essa decisão?

                Meu filho, isso é uma loucura. Tenho observado você a algum tempo e vejo que leu meus livros. Leu pelo menos os principais. E você conhece minha opinião. Desde que terminou a guerra, me dediquei em tentar unir a Europa. Um dos meus primeiros discursos, na Suíça, poucos anos depois do fim da guerra, foi sugerindo a criação dos Estados Unidos da Europa, à semelhança dos EUA. Vi com alegria a aproximação da França e Alemanha, com o acordo do Carvão e do Aço, trabalho inteligente iniciado por Robert Schuman e Jean Monnet. Isso ocorreu em 1952 e partiu daí a formação do CEE (Comunidade Econômica Europeia) que evoluiu para o que temos hoje.

                Mas, confesso, isso não me surpreendeu muito. Se você fizer uma análise desapaixonada dos últimos anos do Reino Unido, e do resto da Europa, verá que o padrão dos governos caiu muito. Não gosto de dizer, pois parece que estou me promovendo. Mas, depois do meu governo, só recordo uma pessoa que bem dirigiu os destinos do país, a Primeira Ministra Margareth Thatcher. Os demais, antes e depois dela, diria eu, talvez exagerando, não tinham talento nem competência para a função. Talvez se possa incluir Tony Blair no rol dos aproveitáveis. E não vejo mais ninguém. Se exagero, que me perdoem. Mas, é o que sinto.

                E o futuro, perguntei? À Deus pertence, respondeu, mas isso não o preocupa. Estou aqui, perto dele, e ele anda muito ocupado com outros problemas, que para ele são mais sérios e urgentes, para dar muita bola para isso. Quer acabar com a fome, as guerras, o sofrimento de boa parte da humanidade. Isso lhe toma todo o tempo. Paciência. Sempre há esperança e vamos ver se a Europa e o Reino Unido se resolvem, de uma forma ou de outra. É o que desejo. E como você gosta de dizer, bola pra frente que o Real Madrid não é de nada, com o que concordo, pois torço pela Manchester United.

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