Não é bem a minha praia. Prefiro assuntos mais amenos. Mas foi o que veio hoje à cabeça. A dissertação pedida pelo ENEM, e que parece ser o “via crucis” mas efetivo do exame. Segundo tenho lido. Também tenho lido que os temas propostos são os mais estranhos. Todos, quase sem exceção, com viés esquerdista, procurando desenvolver na mente dos examinados teorias oriundas dos ensinamentos gramcistas da subversão, usando a própria democracia como instrumento fundamental. E o resultado disso tudo tem sido, em primeiro lugar, o alto numero de reprovados e, em segundo, os protestos enunciados pelos que se preocupam com os rumos que o Brasil vem tomando. Eu inclusive. É o caso.   

Mas, também me trouxe à lembrança o meu tempo de ginasiano do velho Atheneu. Todos os professores de Português (Antonio Fagundes, Israel “Tuiuiú” Nazareno, Edgar Barbosa) excelentes, diga-se, nos exigiam, constantemente, que fizemos dissertações. Todas as provas de meio e fim de ano continham temas para dissertações. E durante todo o ano escrevíamos nossas dissertações. Desnecessário salientar que temas sadios. Todos promovendo o respeito às nossas origens cristãs e ocidentais. Todos encaminhando nossos escritos para assuntos relevantes ao bem da sociedade e do país. Todos buscando nos direcionar aos bons costumes, em sentido lato, tanto políticos quanto sociais. Respeito às nossas tradições.

E esses exercícios nos foram realmente muito úteis. Duvido d–ó, que alguém do nosso tempo tivesse dificuldades em enfrentar as dissertações do ENEM. Talvez o viés adotado os levassem à más notas – já escutei comentários que alunos que discordaram do tema e o criticaram, embora tivessem desenvolvido com competência o assunto apresentado, foram reprovados, o que não sei se é verdadeiro ou não – por não aceitarem os temas sugeridos e os criticassem. Mas, certeza tenho, desenvolveriam o assunto com inteligência.

Devo, muito, a esses meus professores, e às milhares de dissertações que escrevi na minha vida de estudante, a capacidade de juntar algumas linhas. Aprendi com eles a procurar ser explícito, não prolixo, e externar  meus pensamentos de forma simples e ordenada. E de ler várias vezes, “antes de entregar a dissertação para receber a nota”, para evitar erros de linguagem e confirmar a propriedade dos assuntos veiculados.

Essa é a minha prática até hoje. Embora não me considere um perito na nossa língua, que é complicada paca, tenho muito cuidado com o seu uso, buscando objetivamente duas coisas – simplicidade e clareza. Não sei se tenho muito sucesso. Já escutei de um amigo, professor de Português que, numa das minhas crônicas, teria encontrado  erros. Pedi que os corrigisse, para que eu aprendesse. E fiquei mandando para ele meus textos antes de publicar. Acho que cansou. Nunca me devolveu um só corrigido e nunca mais me criticou. E eu deixei de mandar-lhe meus textos. O que foi um alivio, para ele e para mim.