NATAL PRESS

Das coisas que andam mal, das mais lamentáveis são as que envolvem o nosso Teatro Alberto Maranhão, que continuo chamando de Carlos Gomes. Não gosto dessa troca-troca de nomes, seja por que motivo forem. Alguns, se originam em posições políticas, o que é pior. E sempre me lembro, quando isso ocorre, da resposta que tive, numa reunião no Quirinale (o Itamaraty italiano) da Comissão Cultural Brasil-Itália, do meu tempo da Assessoria Internacional do MEC, quando perguntei por que a coluna em frente ao prédio ainda mantinha o nome de Mussolini. Resposta: bem ou mal, fez parte de nossa história e não há como negá-lo.

Voltemos ao Teatro, que me lembra sempre Meira Pires. Quando fui Secretário de Educação no Governo Cortez Pereira, o Teatro ainda era administrado pela Secretaria e o seu Diretor era Meira Pires. Aliás, foi o mais longevo dos diretores. Havia conseguido ser nomeado diretor vitalício e só deixou a direção quando morreu. Ainda moço.

Logo depois da minha posse, recebi a primeira carta de Meira, que me entregou pessoalmente. Parabenizava-me pela posse e pedia meu apoio ao teatro. Agradeci e disse-lhe de meu apoio irrestrito à sua gestão. Daí em diante, sai dia entra dia, e as cartas de Meira não pararam. Às vezes, as entregava pessoalmente, outras, mandava por um funcionário antigo do Teatro, seu Pedro. Meira gostava de fazer cartas. Enchi uma pasta com elas. Todas, com um único objetivo – apoio ao teatro e manutenção de seu estado físico.

Até pela insistência, sempre o atendi, embora o fizesse mesmo sem as cartas. Um bem como o Teatro não pode ser esquecido. Cheguei ao ponto de pedir ao setor de engenharia que colocasse um estagiário à disposição das coisas do teatro. Como a manutenção era permanente, os custos eram bem menores, pois o prédio estava sempre um brinco. Graças à Meira.

Mas ele exagerava. Com o argumento da conservação, se negava a ceder o Teatro para certas atividades. Quando eu via razão, concordava. Quanto não, insistia e ele, resmungando, aceitava. Foi o que aconteceu com a apresentação da Sinfônica de Porto Alegre, dentro de um programa criado por nós para trazer orquestras à Natal. Ainda não tínhamos a nossa. Se preocupava de que poderia ir muita gente, sujaria o prédio, podiam quebrar cadeiras, danificar os banheiros. Insisti, disse que provavelmente isso não ocorreria, e sempre se podia recuperar o estrago, como sempre se fez. A apresentação foi um sucesso e sem danos.

Quando olho hoje e vejo o descaso com que é administrado o nosso patrimônio cultural, sempre me lembro de Meira Pires. Museu Café Filho, Biblioteca Câmara Cascudo, e não sei quantos outros, vitimas do descaso. O Forte dos Reis Magos está sendo destruído por esse descaso, coisa que os holandeses não foram capazes de fazer com as suas armas.

Será que vamos aprender um dia?

Posso dizer que fui um privilegiado. Não me lembro de ter ido a pé para a escola. Seis, sete anos, já ia de carro para o Colégio Pedro II. Morava em Petrópolis, e o colégio era na Ribeira. Meu pai comprou um carro muito cedo.

Era um Ford 1929, capota de pano, quatro portas. Provavelmente comprado de segunda mão. Resolvia. Dia de chuva, uma novela. Mas, ir a pé era pior. Depois de certo tempo, trocou por um Ford 1936, também capota de pano, quatro portas e também usado. Bem melhor do que o 29. Confortável, mais rápido. Pouco tempo depois, trocou por um Chevrolet 1937, esse já de capota dura. Para a época, carrão. Demorou com ele algum tempo. O interessante é que comprava gasolina em caixas da madeira, com duas latas de 18 litros cada. Os postos eram poucos e distantes. E o preço em caixas era bem menor.

Estourou a guerra, que só nos veio afetar um pouco depois. Em 1940 comprou, à João Bezerra de Melo, seu amigo e distribuidor da Ford, acho que o seu primeiro carro novo – um Ford 1940. Mais moderno, bonito, preto, confortável. Mas, a coisa complicou. Com a guerra, começou o racionamento de gasolina, totalmente proibida a venda à particulares. Sem gasolina, teve que parar o carro, que ficou na garagem em cima de quatro tamboretes até o final da guerra.

Para sorte nossa, tinha uma empresa que construiu quase todos os quartéis do Exército naquela época, com exceção do 16o. RI. Por essa razão, tinha direito a uma cota de combustível para se locomover, o que ajudou. Comprou um Ford 1929 que tinha, nas portas, um desenho com o nome “Construção do 16o. RI”, que era o controlador de todas as construções do Exército em Natal. Depois também foi construir em Parnamirim, o que melhorou sua cota de combustível.

Terminou a guerra. Tirou o Ford 40 dos tamboretes, em ótimo estado e pouquíssimos quilômetros rodados. Passou a usá-lo. Os EUA recomeçaram a produção de carros, nomeou distribuidores em Natal, Bila da Chevrolet, João Bezerra continuou com a Ford, Wandyck Lopes com a Buick. Resolveu comprar um Buick novo, importado para ele. O “bicho” chegou de navio e fomos busca-lo no Porto. Nunca me esqueci. O guindaste tirou uma caixa de madeira enorme, depositou no pátio e os funcionários começaram a abri-la. Dentro, o carrão 1948, duas cores, bonito paca. Meu pai tinha então 42 anos e eu 18, já me enfronhando para tirar a carteira de motorista. Que apressei, para dirigir o carrão.

Daí para a frente, as coisas normalizadas, trocava de carro de vez em quando. E começaram os nacionais. Comprou vários. Lembro-me de um Simca, belíssimo; de um Itamaraty, da Willys (no qual fomos até Curitiba (1967) e demos uma virada de ficar emborcados, com um pneu estourado; felizmente nada sofremos e continuamos a viagem, eu, meu pai, minha mãe, minha mulher e meu filho mais novo); um Corcel esportivo, bacana, e o seu último carro foi um Monza.  Nesses tempos eu já tinha os meus próprios e adorei uma DKW Vemaguete, três cilindros, dois tempos.

Tempos não esquecidos.

Para quem não se lembra mais, especialmente, para quem nem sequer ouviu falar. Natal, que já foi conhecida como a “terra do já teve” (e ainda é), tinha no remo um dos seus esportes favoritos. Dois Clubes, ambos à beira-rio na Rua Chile, o Centro Náutico e o Sport, eram os patrocinadores de uma das poucas movimentadas atrações esportivas da cidade. As regatas.

Dia de Regata, e o Cais Tavares de Lyra, o cais do Porto, e centenas de barcos, pululavam de gente para assistir as disputas. Que eram acirradas. Eu mesmo assisti várias, especialmente do Cais da Tavares de Lyra. Era torcedor entusiasmado do Centro Náutico. Torcia com entusiasmo pela guarnição de iole a quatro, com patrão, que tinham Humberto Nesi, Alvamar Furtado, Marito Lyra e Armandinho de Góis como remadores, e Luiz “Tabacão” (não me lembro do sobrenome) como patrão. Nunca perdiam uma regata. Como Nagib Salha, do Sport, que nunca foi derrotado no esquife, e também merecia nossos aplausos.


Mas, essa longa estória é para introduzir minha própria experiência como emérito remador. E como me veio isso à memória? Na academia que frequento, têm uma máquina que imita um barco à remo. Nunca usei, nem pretendo usar. É muito pesado. Mas lembrou-me da minha experiência.


Aí pelo final dos quarenta, com uns 16, 17 anos, tinha um grande amigo e colega de turma no Atheneu, Aluízio Pereira (que tinha o apelido de Aluízio Lagartixa e não se achava vitima de bullying, que nem existia naquele tempo), resolvemos enfrentar o “mar”. Nos associamos ao Centro e fomos para a nossa primeira experiência.


O zelador nos ajudou a escolher uma iole à dois. Nos ajudou a colocar o barco n’água, nos deu os remos e ainda deu um empurrãozinho para a largada. Devia ser por volta das quatro. Remamos pra cá e pra lá, com um entusiasmo esfuziante até chegar o cansaço.


Voltamos. Encostamos o barco no cais, colocamos os remos em cima do mole, e nos preparamos para ir embora, cansados e doidos para sairmos dali. Nisso, quase correndo, chega o zelador. Os senhores têm que lavar o barco com água doce, lavar os remos e colocar a iole no luar dela no estande. O que? É verdade? Claro, é a praxe. Fizemos a “praxe”, mas nunca mais voltamos ao Centro. Aí começou e se encerrou nossa carreira de grande remadores.


Segundo tenho escutado, esses clubes ainda existem, e nos mesmos lugares. Só que não são mais lembrados e das regatas, entusiasmantes em seu tempo, nem se falam mais.

Conversando com meu irmão Carlinhos, contou-me uma história de nosso tio Pelúsio que eu não sabia. Foi colega de Dixhuit Rosado na Escola de Medicina do Recife, eram amigos, e saíam todo fim de semana para tomar uma nos sábados. Numa dessas ocasiões, estavam lisos e não podiam sair. Mas, foram ao Derby, numa dessas feiras tradicionais que havia por lá e viram um ringue de boxe, onde se podia fazer uma luta e apostadores apareciam. Pelúsio disse:

- Dixhuit, vamos ganhar um dinheiro. Eu lhe desafio, a gente sobe no ringue e todo mundo vai apostar em você, um homenzarrão como você contra mim, quase um anão na sua frente. Quando começar a luta, você deixa que eu lhe dê um soco, cai no chão e não se levanta mais. Eu ganho as apostas e vamos tomar nossa cervejinha. Topas?  - claro que Dixhuit topou, perdeu a luta e foram tomar umas e outras!

Posso dizer que fui um privilegiado. Não me lembro de ter ido a pé para a escola. Seis, sete anos, já ia de carro para o Colégio Pedro II. Morava em Petrópolis, e o colégio era na Ribeira. Meu pai comprou um carro muito cedo.

Era um Ford 1929, capota de pano, quatro portas. Provavelmente comprado de segunda mão. Resolvia. Dia de chuva, uma novela. Mas, ir a pé era pior. Depois de certo tempo, trocou por um Ford 1936, também capota de pano, quatro portas e também usado. Bem melhor do que o 29. Confortável, mais rápido. Pouco tempo depois, trocou por um Chevrolet 1937, esse já de capota dura. Para a época, carrão. Demorou com ele algum tempo. O interessante é que comprava gasolina em caixas da madeira, com duas latas de 18 litros cada. Os postos eram poucos e distantes. E o preço em caixas era bem menor.

Estourou a guerra, que só nos veio afetar um pouco depois. Em 1940 comprou, à João Bezerra de Melo, seu amigo e distribuidor da Ford, acho que o seu primeiro carro novo – um Ford 1940. Mais moderno, bonito, preto, confortável. Mas, a coisa complicou. Com a guerra, começou o racionamento de gasolina, totalmente proibida a venda à particulares. Sem gasolina, teve que parar o carro, que ficou na garagem em cima de quatro tamboretes até o final da guerra.

Para sorte nossa, tinha uma empresa que construiu quase todos os quartéis do Exército naquela época, com exceção do 16o. RI. Por essa razão, tinha direito a uma cota de combustível para se locomover, o que ajudou. Comprou um Ford 1929 que tinha, nas portas, um desenho com o nome “Construção do 16o. RI”, que era o controlador de todas as construções do Exército em Natal. Depois também foi construir em Parnamirim, o que melhorou sua cota de combustível.

Terminou a guerra. Tirou o Ford 40 dos tamboretes, em ótimo estado e pouquíssimos quilômetros rodados. Passou a usá-lo. Os EUA recomeçaram a produção de carros, nomeou distribuidores em Natal, Bila da Chevrolet, João Bezerra continuou com a Ford, Wandyck Lopes com a Buick. Resolveu comprar um Buick novo, importado para ele. O “bicho” chegou de navio e fomos busca-lo no Porto. Nunca me esqueci. O guindaste tirou uma caixa de madeira enorme, depositou no pátio e os funcionários começaram a abri-la. Dentro, o carrão 1948, duas cores, bonito paca. Meu pai tinha então 42 anos e eu 18, já me enfronhando para tirar a carteira de motorista. Que apressei, para dirigir o carrão.

Daí para a frente, as coisas normalizadas, trocava de carro de vez em quando. E começaram os nacionais. Comprou vários. Lembro-me de um Simca, belíssimo; de um Itamaraty, da Willys (no qual fomos até Curitiba (1967) e demos uma virada de ficar emborcados, com um pneu estourado; felizmente nada sofremos e continuamos a viagem, eu, meu pai, minha mãe, minha mulher e meu filho mais novo); um Corcel esportivo, bacana, e o seu último carro foi um Monza.  Nesses tempos eu já tinha os meus próprios e adorei uma DKW Vemaguete, três cilindros, dois tempos.

Tempos não esquecidos.

Sempre estou pensando. Nem que seja "nonsense".


Dias passados escrevi sobre a passagem do tempo. Sua velocidade estonteante. E disse da minha ansiedade em chegar aos dezoito anos. Nessa ansiedade, embora com menor intensidade, estava minha expectativa em fazer a barba. E, quem sabe, nutrir um bigode. Os pelos custavam a sair mas, em redor dos 17, 18, andei fazendo uma experiência com os apetrechos de barba de meu pai, às escondidas.

Finalmente, pouco tempo depois, fui obrigado a começar a fazer a barba. E aí a preguiça se apresentou firme. Já não fazia a barba todos os dias, e ficava com uma aparência que, me perdoem os que usam barba, para mim era de sujo. Um dia, hospedado em nossa casa, pois era grande amigo de meu pai, Aristides Barcellos, alto funcionário do Banco do Brasil, olhou para mim cedinho pela manhã e perguntou, esqueceu de fazer a barba? Dei uma desculpa esfarrapada, de que se fizesse a barba todos os dias a pele ficava ferida. Deu-me uma resposta definitiva: primeiro, se você fizer a barba todo dia a pele acostuma e depois, essa sua aparência de desleixo desaparece. Encabulado, adotei o seu ensinamento, que vale até hoje. Nem em bigode pensei mais. Especialmente agora, que há uns barbichas por aí fazendo das suas. Sem preconceitos.

Mas, sem duvida, é um ritual cansativo. Uma obrigação chata. Já experimentei tudo quando é instrumento para diminuir a estafa. Comprei barbeadores elétricos de todos os tipos e modelos. Nunca fico satisfeito com os resultados, e sempre retorno à velha e confiável gilete. É a única forma de você deixar a pele macia como bunda de menino, ou menina, novo (sendo politicamente correto).

Quem dizia isso era João Lira, que a maioria de vocês não conheceu ou sequer se lembra. Fiscal das companhias de cinema, acompanhava a freqüência dos cinemas de Natal. Todos os domingos, por exemplo, estava na porta do “Rio Grande”, vendo a entrada e cuidando para que as companhias não fossem passadas para trás. Sempre no seu linho branco Taylor S-120 e barba super bem feita, elegantérrimo. E foi lá que ele me contou essa história de pele lisa como bunda de menino/a novo. João era irmão de Paulo Lira, pianista, de conhecida tradição natalense. Ambos duas belas figuras de nossa cidade.

Por essas razões, e para me sentir bem comigo mesmo, mesmo em casa a maior parte do tempo, faço a barba todos os dias, sem perdão e sem desculpa. E aí posso me olhar no espelho. Sem sustos.

        Vão me chamar de arcaico, conservador, superado. Não importa. O que realmente importa são os valores sob os quais nasci e cresci. Até hoje. E não vejo razões para mudar. Pena que tenham sido gradualmente abandonados.
        Vejam o quadro do Brasil de hoje, transcrito de um editorial do Estadão de hoje (30/9):

“Os resultados da “luta em benefício das causas populares” foram a gastança descontrolada dos recursos públicos, a “nova matriz econômica” que resultou na recessão econômica, no estouro da inflação – que afeta principalmente os mais pobres – e nos mais de 12 milhões de desempregados em todo o País”.

        Desamor à Patria. Podemos tolerar isso? Podemos aceitar que levem o país à bancarrota sem reação? De jeito nenhum. Temos que reagir e buscar modificações que tirem o país dessa crise terrível que nos assola. E que preocupa a grande maioria dos brasileiros sensatos, mas que deixa muito a desejar quando olhamos o cenário político. Embora haja políticos sérios, preocupados com a nação, prontos a apoiar as medidas necessárias para nos tirar desse precipício, há ainda um número de irresponsáveis que pensam apenas em si próprios. E vêm tentando por todos os meios sabotar as iniciativas do governo para enfrentar o problema, à frente os maiores responsáveis pela nossa dramática situação, os antes governo e agora oposição.
        Sou do tempo em que os valores da Pátria estavam acima de tudo. Do tempo em que, no curso primário, cantávamos todos os dias o Hino Nacional ou o Hino à Bandeira, hasteávamos o nosso pavilhão, e tínhamos convicção que assim agíamos por amor ao nosso país. Ainda me emociono quando ouço cantar o nosso Hino, especialmente quando acompanhado por uma Banda Marcial de qualidade. Ainda aprecio um desfile militar garbo e bem organizado, que mostra nossa virilidade e nosso amor pelo país. Hoje, muitos dizem que isso é cafona, alguns dirão que sou um velho superado, que ainda vivo no século passado ou, pior ainda, no século atrasado.
        Enganam-se. Não sou um conservador superado. Entendo que vivemos novos tempos e devemos caminhar com a modernidade. E essa modernidade está nos que buscam e aceitam novas ideais; não a daqueles que ainda vivem nos tempos pré-Muro de Berlim, defendem ideias econômicas superadas, cuja tentativa de implantação nos levaram quase ao caos.
        Em vésperas de eleição, comecemos a mudar essa mentalidade, essa sim superada, e elejamos figuras que se posicionem pelas modificações necessárias e que tragam amanhã, nas eleições federais, pessoas que comunguem com as ideias dos novos tempos, tão esperados e quase destruídos por treze anos de inépcia e irresponsabilidade.

As eleições municipais estão à porta. Antes de mais nada, deixem-me expressar minha admiração pela dedicação dos candidatos, pelas suas preocupações com Natal, seus desejos de resolverem os problemas da cidade, pelo seu interesse em abandonar suas vidas privadas, seus lazeres, pelo sacrifício de seu próprio bem-estar, para cuidar do nosso. Realmente louvável, e causa-me emoção ver suas promessas nos programas eleitorais. Será que há sinceridade nisso?

Vocês já sabem em quem vão votar? Eu não. Sei, e com toda certeza, em quem não vou votar. Nos candidatos do pstu, psol e pt. São partidos ultraconservadores, que querem nos retroceder sessenta anos, nos levando de volta aos tempos de Stalin e suas mazelas. Ainda não tomaram conhecimento da queda do muro de Berlim, das modificações ocorrida na Europa Oriental, do desmanche da União Soviética devido a uma política retrograda, que continuam querendo implantar por aqui, dos novos tempos que surgiram por lá nestes últimos trinta anos. Por coincidência, estava em Colônia, na Alemanha quando da queda do muro em novembro de 1989.

Para sorte nossa, mesmo que não seja brasileiro, Deus olha para o Brasil de vez em quando. Foi o que fez com o impedimento, evitando que Dilma Rousseff, autora de um desastre econômico que nos esmaga, que fez de tudo e tudo faria e fará, para nos levar de volta àquele tempo, continuasse no poder. Os brasileiros, mesmo os políticos, estes pressionados pela sociedade, enxergaram o desastre em andamento e resolveram estancá-lo. Embora pela metade, essa medida nos livrou de um mal maior.

Eliminados os que não merecem o meu voto, fica a dúvida. Em quem votar? Impossível nos basearmos nas propagandas, todas enganosos. Promessas e mais promessas, nenhuma delas com a imprescindível fonte de recursos. Nem os caminhos de como chegar lá. Além disso, se comprometem a iniciativas que não competem ao munícipio o qual, no máximo, poderia ser acessório. Portanto, difícil acreditar nas “bondades” anunciadas.

Como todos sabem, a experiência é essencial à governança. O atual Prefeito recebeu uma Prefeitura sucateada e sem um centavo. Inegável que, diante das circunstâncias, tem feito o possível do impossível. Este não é um comentário de endosso ao atual Prefeito, mas a realidade. Você olha em volta e não encontra ninguém mais preparado para o cargo. Há, e sempre haverá, problemas velhos a enfrentar e novos surgem todos os dias.  Não tenho maiores razões para defende-lo ou recomendá-lo. São as verdades dos fatos, realidade que não pode ser desprezada. Ainda não fiz minha cabeça. Não quero influenciar ninguém. Meu desejo sincero é que cada um de nós faça uma análise consciente antes de sua decisão. Só um pedido, não deixem de votar.

O que tenho lido ultimamente de como anda o cuidado com tudo que é cultura em nosso Estado tem me deixado triste. Claro, nesse meu comentário há que considerar as exceções, que não são muitas.

Das coisas que andam mal, das mais lamentáveis são as que envolvem o nosso Teatro Alberto Maranhão, que continuo chamando de Carlos Gomes. Não gosto dessa troca-troca de nomes, seja por que motivo forem. Alguns, se originam em posições políticas, o que é pior. E sempre me lembro, quando isso ocorre, da resposta que tive, numa reunião no Quirinale (o Itamaraty italiano) da Comissão Cultural Brasil-Itália, do meu tempo da Assessoria Internacional do MEC, quando perguntei por que a coluna em frente ao prédio ainda mantinha o nome de Mussolini. Resposta: bem ou mal, fez parte de nossa história e não há como negá-lo.

Voltemos ao Teatro, que me lembra sempre Meira Pires. Quando fui Secretário de Educação no Governo Cortez Pereira, o Teatro ainda era administrado pela Secretaria e o seu Diretor era Meira Pires. Aliás, foi o mais longevo dos diretores. Havia conseguido ser nomeado diretor vitalício e só deixou a direção quando morreu. Ainda moço.

Logo depois da minha posse, recebi a primeira carta de Meira, que me entregou pessoalmente. Parabenizava-me pela posse e pedia meu apoio ao teatro. Agradeci e disse-lhe de meu apoio irrestrito à sua gestão. Daí em diante, sai dia entra dia, e as cartas de Meira não pararam. Às vezes, as entregava pessoalmente, outras, mandava por um funcionário antigo do Teatro, seu Pedro. Meira gostava de fazer cartas. Enchi uma pasta com elas. Todas, com um único objetivo – apoio ao teatro e manutenção de seu estado físico.

Até pela insistência, sempre o atendi, embora o fizesse mesmo sem as cartas. Um bem como o Teatro não pode ser esquecido. Cheguei ao ponto de pedir ao setor de engenharia que colocasse um estagiário à disposição das coisas do teatro. Como a manutenção era permanente, os custos eram bem menores, pois o prédio estava sempre um brinco. Graças à Meira.

Mas ele exagerava. Com o argumento da conservação, se negava a ceder o Teatro para certas atividades. Quando eu via razão, concordava. Quanto não, insistia e ele, resmungando, aceitava. Foi o que aconteceu com a apresentação da Sinfônica de Porto Alegre, dentro de um programa criado por nós para trazer orquestras à Natal. Ainda não tínhamos a nossa. Se preocupava de que poderia ir muita gente, sujaria o prédio, podiam quebrar cadeiras, danificar os banheiros. Insisti, disse que provavelmente isso não ocorreria, e sempre se podia recuperar o estrago, como sempre se fez. A apresentação foi um sucesso e sem danos.

Quando olho hoje e vejo o descaso com que é administrado o nosso patrimônio cultural, sempre me lembro de Meira Pires. Museu Café Filho, Biblioteca Câmara Cascudo, e não sei quantos outros, vitimas do descaso. O Forte dos Reis Magos está sendo destruído por esse descaso, coisa que os holandeses não foram capazes de fazer com as suas armas.

Será que vamos aprender um dia?

O lançamento do “Meu olhar sobre a Vida” me trouxe muita alegria e muitas recordações. Agradeço a todos que prestigiaram a minha noite e que muito contribuíram para todo esse momento.

A primeira recordação foi para o meu tempo de menino, estudando no Colégio Pedro Segundo. É que minha letra nos autógrafos estava péssima, e deve ter dificultado muito a leitura. Idade, com emoção, pioraram ainda mais letras que já não são boas. Lembrei-me das lições de Caligrafia. Havia um caderno especial, com um exemplo das letras no topo, e que você tinha que reproduzir, numa espécie de pauta, para as maiúsculas e minúsculas. Esse exercício deve ter contribuído para que ainda seja possível ler o que escrevo.

A outra lembrança foi a presença de colaboradores meus na Secretaria de Educação, Governo Corte Pereira. Quarenta anos depois, ainda encontro pessoas ligadas à educação, que recordam minha administração como das melhores. Mas, enfatizo, devo esse sucesso aos meus colaboradores, que escolhi sem interferência política ou do Governador, o que me deu ampla liberdade. E fiz essa escolha de forma sui-generes. O primeiro, escolhi só; mas do segundo em diante escolhi num consenso dos que já faziam parte da equipe. Isso nos deu uma unidade de trabalho que contribuiu muito para o nosso sucesso.

A presença desses meus amigos e colaboradores me trouxe a lembrança meu curso de Mestrado nos EUA. Esse curso me ajudou, e muito, nas tarefas em que me envolvi. E a melhor lição aprendi no primeiro dia de aula, na apresentação do curso, quando o Diretor da Escola foi nos dar as boas vindas. Começou dizendo: “Quem veio aqui pensando em fazer coisas, está no lugar errado, vá para o curso de Engenharia; os que estão aqui para aprender a mandar, estão no lugar certo. É isso que vocês aprenderão aqui”.

Usei essa lição por onde andei. Ao lado disso, também aprendi nesse curso a simplificação de processos e eliminação de burocracia. Que na Secretaria era enorme. O Secretario tinha que autorizar, ele mesmo, as coisas mais simples. E, algumas, ainda precisavam da assinatura do próprio Governador. Uma burocracia maluca, que tratei de eliminar, e consegui, em sua maior parte.

Lembro-me que, na primeira semana, havia uma enorme quantidade de processos que precisavam da assinatura do Governador. Conhecendo Cortez, preparei um decreto me delegando poderes para tudo aquilo e me permitindo delegar poderes internamente. Enchi uma caminhonete com os processos e parei em frente ao Palácio Potengi. Subi, chamei Cortez, mostrei a ele a quantidade de processos para ele assinar, devido a burocracia idiota. Riu muito, como era seu costume, e disse: vamos resolver isso.

A solução eu já trouxe. Está neste decreto, que me delega poderes para assinar tudo e me autoriza a delegar poderes dentro da Secretaria. Assinou na hora, e daí em diante, ele nunca mais assinou um papel, e eu nunca mas assinei um que não fosse realmente importante. Agilizamos nossa atividade, o que sem duvida contribuiu para uma boa administração.

“Meu livro”. Por Dalton Mello de Andrade

 

                O lançamento do “Meu olhar sobre a Vida” me trouxe muita alegria e muitas recordações. Agradeço a todos que prestigiaram a minha noite e que muito contribuíram para todo esse momento.

                A primeira recordação foi para o meu tempo de menino, estudando no Colégio Pedro Segundo. É que minha letra nos autógrafos estava péssima, e deve ter dificultado muito a leitura. Idade, com emoção, pioraram ainda mais letras que já não são boas. Lembrei-me das lições de Caligrafia. Havia um caderno especial, com um exemplo das letras no topo, e que você tinha que reproduzir, numa espécie de pauta, para as maiúsculas e minúsculas. Esse exercício deve ter contribuído para que ainda seja possível ler o que escrevo.

                A outra lembrança foi a presença de colaboradores meus na Secretaria de Educação, Governo Corte Pereira. Quarenta anos depois, ainda encontro pessoas ligadas à educação, que recordam minha administração como das melhores. Mas, enfatizo, devo esse sucesso aos meus colaboradores, que escolhi sem interferência política ou do Governador, o que me deu ampla liberdade. E fiz essa escolha de forma sui-generes. O primeiro, escolhi só; mas do segundo em diante escolhi num consenso dos que já faziam parte da equipe. Isso nos deu uma unidade de trabalho que contribuiu muito para o nosso sucesso.

                A presença desses meus amigos e colaboradores me trouxe a lembrança meu curso de Mestrado nos EUA. Esse curso me ajudou, e muito, nas tarefas em que me envolvi. E a melhor lição aprendi no primeiro dia de aula, na apresentação do curso, quando o Diretor da Escola foi nos dar as boas vindas. Começou dizendo: “Quem veio aqui pensando em fazer coisas, está no lugar errado, vá para o curso de Engenharia; os que estão aqui para aprender a mandar, estão no lugar certo. É isso que vocês aprenderão aqui”.

                Usei essa lição por onde andei. Ao lado disso, também aprendi nesse curso a simplificação de processos e eliminação de burocracia. Que na Secretaria era enorme. O Secretario tinha que autorizar, ele mesmo, as coisas mais simples. E, algumas, ainda precisavam da assinatura do próprio Governador. Uma burocracia maluca, que tratei de eliminar, e consegui, em sua maior parte.

                Lembro-me que, na primeira semana, havia uma enorme quantidade de processos que precisavam da assinatura do Governador. Conhecendo Cortez, preparei um decreto me delegando poderes para tudo aquilo e me permitindo delegar poderes internamente. Enchi uma caminhonete com os processos e parei em frente ao Palácio Potengi. Subi, chamei Cortez, mostrei a ele a quantidade de processos para ele assinar, devido a burocracia idiota. Riu muito, como era seu costume, e disse: vamos resolver isso.

                A solução eu já trouxe. Está neste decreto, que me delega poderes para assinar tudo e me autoriza a delegar poderes dentro da Secretaria. Assinou na hora, e daí em diante, ele nunca mais assinou um papel, e eu nunca mas assinei um que não fosse realmente importante. Agilizamos nossa atividade, o que sem duvida contribuiu para uma boa administração.

 

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