NATAL PRESS

Passeando com minhas inquietudes
Nas estradas da imaginação
De mãos dadas com o meu coração
Revivendo roteiros do passado
O meu eu confuso e entrelaçado
Com lembranças agora descolores
Já não ver mais brilho nas cores
Com os caminhos já não tem afinidade
Pois ali hoje mora a saudade
Onde outrora viveu grandes amores

No passado caminhava embevecido
Embriagado pela força da paixão
Mas depois de um adeus sem explicação
O meu eu se sentiu atordoado
Ele teima em voltar para o passado
Quem sabe buscar um entendimento
Nas lembranças de um cruel momento
Seu olhar para o velho campanário
Traz lembranças da exatidão do horário
Que lhe causou transtorno e abatimento

Desaguando angustias revividas
O meu eu se volta pro presente
Confortado agora segue em frente
O futuro agora é o que interessa
Determinado ele segue sem pressa
Compartilhando a alegria que lhe invade
Procurando impingir qualidade
Descobrindo novos relacionamentos
E assim ele vive seus momentos
Na busca de uma tal felicidade.


Celso Cruz (Brocoió)

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Agradeço, sou um ser sobrevivente
Nascido lá nas brenhas do Sertão
Me dói, se me lembro do torrão
Com seus mosaicos de terra ressequidos
Dos meus pais com os seus rostos sofridos
De dividir seu dia a dia com a dor
Envelhecidos de sofrer e tanto se expor
A um sol de brasa, ardente e causticante
Sou sertanejo, esse ser quase mutante
Exemplo vivo de um ser forte e vencedor

Teimava a água em brotar apenas nos olhos
Das faces tristes dos nativos do sertão
A tristeza me apertava o coração
Mas eu tinha uma descolorida esperança
De um dia eu fartar a minha pança
E de todos que habitavam o lugarejo
Quando lembro, fecho os olhos e ainda vejo
Eu emudeço, é que esta marca inda me dói
O meu pai não resistiu, o meu herói
Cumpriu a sina de um valente sertanejo

Aprendi com o meu pai a dividir
Até mesmo o que não bastava nem a mim
Solidário eu nasci e sou assim
Só sou feliz se felizes estiverem ao meu redor
Quero pra todos o que consigo de melhor
Por isso volto sempre ao meu sertão
É lá onde escancaro o coração
E me farto da alegria ali reinante
Onde a fome que outrora foi rompante
Não faz mais parte da rotina do meu chão

Hoje aprendemos a conviver com o desatino
Não esperamos por esmola ou por promessa
Quem espera por político não sai dessa
Nem se livra do cabresto eleitoral
Ser um ente livre é o que importa afinal
A liberdade é inimiga da ilusão
Hoje voamos, a exemplo do gavião
Livres de amarras traçamos nosso destino
Adversidades enxergamos como ensino
Pra se viver da melhor forma no sertão.



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