NATAL PRESS

Viajar é mais que preciso
Viajar é sonhar colorido
É dar a vida sentido
Não deixar a vida fugir
Sem dela usufruir
É um sonhar acordado
É tornar-se aculturado
É ver e é ser gente
Ser do igual o diferente
Ser do viver um apaixonado

É ver o mundo evoluindo
E compreender sua evolução
Com os olhos do coração
Entender toda beleza
É descobrir a grandeza
É dar a vida mais cor
É o brilho, a pompa, o esplendor
É estar aberto ao novo
É compreender cada povo
Ser um eclético sabedor

É a socialização
A realidade do sonhar
A felicidade do acordar
É sentir-se compreendido
É dar a vida sentido
Mais amor, mais romantismo
Ser feliz sem eufemismo
É exercitar o sorriso
Por isto acho ser preciso
Viajar, fazer turismo.


Uns chamam de teimosia
E de inércia também
Querendo ir mais além
Eu chamo de esperança
Até onde a mente alcança
Vou e sou determinado
O tempo é aliado
De quem é um sonhador
Faço tudo com amor
Sou esperançoso abnegado
A crença emocional
Que chamamos de esperança
Tem na perseverança
Sua maior aliada
Sem ela resultaria em nada
A alma ficava vazia
Então em desarmonia
Com a paciência e a fé
Desformaria o tripé
E o sonho desabaria
É valioso sonhar
Ser utópico, esperançoso
Ser paciente, teimoso
Persistir na esperança
Não haveria pujança
Na busca da paz e do amor
Não se combate o temor
Se a esperança agoniza
Ela é a perspectiva
E o prazer do sonhador.

Ao romper da madrugada
O sol de mansinho chegando
A chuva se retirando
Chega a hora do plantio
Após banhar-me no rio
Levando um balde na mão
Ouvindo o pássaro carão
Saudando o alvorecer
Não há como esquecer
O amanhecer no sertão

É a hora da ordenha
Sigo firme pro curral
Acarinho cada animal
E logo o balde tá cheio
Parto ouvindo o gorjeio
Do sabiá, do azulão
Ponho lenha no fogão
Espero o leite ferver
Não há como esquecer
O amanhecer no sertão

Rosa me espera na cama
Gemendo, se insinuando
Eu vou logo lhe abraçando
Lhe apago a chama do amor
E ali sob o cobertor
Confesso a minha paixão
Na mesa uma oração
Agradecendo o viver
Não há como esquecer
O amanhecer no sertão

Com a enxada sobre o ombro
Pra roça sigo feliz
Verde de toda matiz
É o milagre do inverno
Acabou-se o inferno
Já tem milho, tem feijão
Engordou meu alazão
Acabou o meu sofrer
Não há como esquecer
O amanhecer no sertão.


Cinco, quatro, três, um
Começa o horário eleitoral
E logo um cara de pau
Adentra a casa da gente
Faz a pose de decente
E o seu discurso professa
Esquece a vida pregressa
Diz pensar no bem comum
Mas é apenas mais um
A nos encher de promessa

Usa frases de efeito
Compra depoimentos
Vídeos mostrando momentos
Sorrindo abraçando o povo
Como pode ele de novo
Querendo nos enganar
Eu não me deixo abalar
Analiso cada proposta
O meu voto é uma aposta
Um dia hei de acertar

Quem sabe o povo não cansa
De acreditar em promessa
Quem sabe o povo não cessa
De vender sua consciência
E enxerga a deficiência
Da nossa educação
E que certas “bolsas” são
Na verdade uma esmola
Que nossa moral assola
E promove a corrupção

Cansei das velhas “raposas”
Eu não quero errar de novo
Quero o despertar do povo
Para uma nova nação
Abaixo a corrupção
O político incompetente
Vamos fazer diferente
Ser rigoroso de fato
E só escolher o candidato
Após uma análise concludente.

Quem saberia me dizer
O que é a amizade?
Ninguém sabe na verdade...
Será sonho, fantasia,
Algo mágico, utopia,
Será estima, afeição,
Afeto, amor? Sei não...
Mas é certo e aqui eu digo!
Nem todo irmão é amigo
Mas todo amigo é irmão

É soma de sentimentos
Apego, benevolência
Encontro de consciência
Ternura, fraternidade
Aduba-se com a verdade
Rega-se com o coração
Não é só estender a mão
É dar carinho, abrigo
Nem todo irmão é amigo
Mas todo amigo é irmão

Amigo é saber sorrir
É saber quando chorar
Saber ser triste e cantar
E sempre na hora certa.
Se a saudade aperta
Chegar junto, dar atenção
E sempre sem invasão
Dizer eu estou contigo
Nem todo irmão é amigo
Mas todo amigo é irmão

Dê amplitude as virtudes
E admita os defeitos
Pois se não somos perfeitos
O erro é coisa humana
A amizade irmana
E gera aproximação
Abra seu coração
E ofereça abrigo
Ao conquistar um amigo
Ganhamos sempre um irmão.

Chorar é tão importante quanto o ato de respirar
O choro é o grito da alma desaguando inquietudes
Transbordando sentimentos, reveses, vicissitudes
É o sentimento calado que não teve voz nem vez
É a razão reclamando pelo que a emoção lhe fez
É a alegria reinando, são as agruras do amor
É a lágrima diminuindo a profundidade da dor
É a alma valsando livre driblando a solidão
É a solidariedade do riso afagando o coração
Corpo e alma em sintonia em momentos de esplendor

Cante, ria, dance, abrace, mas não esqueça de chorar
As lágrimas abrem caminhos para novos sentimentos
Chore se sentir saudades ao relembrar bons momentos
Chore varrendo a tristeza e a ela declare aversão
De mãos dadas com a alegria busque a sua adesão
Busque os bons sentimentos e pinte-os de toda cor
Ouse com galhardia mostre sempre o seu valor
Regue sempre o coração para que floresça a bondade
Não esqueça de adubar com um pouco de humildade
Chore que o choro é nobre e tem poder reparador.


Eu invejo a liberdade
Gozada pela poesia
Ela tem autonomia
Inclusive do poeta
Ela se porta inquieta
Ele se vai e ela fica
Nem o tempo a erradica
Viaja por corações
Desnuda as emoções
Do livre não abdica

Imortaliza o belo
Respiração de pensamentos
Transborda dos sentimentos
Buscando a liberdade
Sempre guarda lealdade
E é da alma a expressão
Desentende-se com a razão
Se tomada por amor
Chega a dar cheiro e sabor
As coisas do coração

A poesia não envelhece
E dá brilho a lembrança
Viaja pela esperança
De mão dadas com o sonhar
Alimenta-se do amar
Se espalha com o bem querer
Amenizando o sofrer
Como um sussurro que acalma
Sua morada é na alma
E o seu amante, o viver.

O sofrer que mais marca e machuca
Eu creio que seja a melancolia
Essa tristeza vaga, essa apatia
Que traduz a carência de afeto
A saudade aflora e vem direto
Num rompante instiga o coração
Que se alia a desmotivação
E maltratam o corpo e ferem a alma
Só a presença fortalece e nos traz calma
E promove uma real transmutação

Não sabia o espaço que ocupavas
Só que moravas no meu coração
Quando partistes e já na estação
Percebi o vazio que ficou
A saudade apressada se mudou
Como quem chega de mudança pra morar
Sem forças não consegui evitar
A visita dessa tal melancolia
A esperança anseia pela alegria
Que de braços com você vai retornar.


Vá lá e tente de novo
Sussurrou-me a esperança
Lá aonde a vista alcança
Mora uma possibilidade
Calcado na sua verdade
Drible a voz da razão
Já que a voz do coração
É sempre o sentimento
Leve o seu argumento
E faça uma concessão

Se há algo que não tem pressa
É essa tal felicidade
Demonstre sinceridade
Que ela se alia a você
Nunca se deixe a mercê
Da mentira ou fantasia
Quem não albergaria
A quem gosta e lhe completa
Quem sua alma aquieta
E só lhe dá alegria?

Proponha um reinício
Do zero, um recomeço
Esqueça qualquer tropeço
Ou qualquer mal entendido
Diga haver compreendido
Desculpe, estenda a mão
Entenda como lição
E busque o crescimento
Sem esquecer que o sentimento
É a voz do coração.

O meu desejar de chuva
Não exclui o brilho do sol
As nuvens como um lençol
O Esconde sorrateiramente
E de uma forma diferente
O sol volta a brilhar
Com a passarada a cantar
Um desabrochar de flores
Com um arco íris de cores
Ele volta a encantar

Mesmo com chuva eu enxergo o sol
Se ele apaga eu rabisco
Caminho sob o chuvisco
Sentindo, não me molhando
A chuva vai perfumando
Da terra eu sinto o cheiro
O meu eu alvissareiro
Lembra de coisas do passado
Um namoro bem demorado
Sob a luz de um candeeiro

O som dos pingos da chuva
Caindo sobre o telhado
Um corpo desnudo deitado
Entrelaçado ao meu
Lá fora escuro como um breu
Coral de rãs a coaxar
É música o tilintar
De goteiras na bacia
Espero o nascer do dia
Amando sem me abastar

Levanto ao nascer da aurora
Minha vontade é cantar
Com brilho no meu olhar
Com meu sorriso escancarado
Me sentindo abençoado
Por ter chuva no sertão
Lá fora a plantação
Parece me da bom dia
Há muito tempo eu não sentia
Tanta paz no coração. (Celso Cruz)



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