O meu sonho de consumo
Era um chapéu de couro
Gastei a pele de um touro
Veja você se pode
Ainda usei uma de bode
Que tinha lá na fazenda
Pra fazer uma emenda
Pois a do touro não deu
Mas um problema se deu
E eu estou pondo a venda
 
Todo dia aparece gente
Pedindo ele emprestado
Eu já estou encabulado
Pois pedem ele pra tudo
Fico sério carrancudo
Mas num tem jeito não
Acho falta de educação
Mas nego aqui acolá
Já foi uru, foi caçuá
Vai terminar em confusão
 
Resolvi: eu vou vender
Não quero mais emprestar
Se pedirem vou negar
Pra evitar uma besteira
Nele guardo minha feira
É um chapéu de cabra macho
Só de coco tem três cacho
Meio saco de farinha
Umas coisas de cozinha
Umas três panelas e um tacho
 
Fiz doação a um amigo
Que é músico e é cantor
Exímio compositor
Ele anda aperreado
Pois ficou meio apertado
Mas eu soube de uma fonte
Que ele não quer que conte
Mas eu digo por onde ando
Que o nome dele é Ivando
E o sobrenome é Monte. (Celso Cruz)