NATAL PRESS

Eu nunca entendi direito
O que é felicidade
Se é na simplicidade
Que ela faz sua morada
Pra matar essa “charada”
Eu resolvi pesquisar
Fui pruma mesa de bar
Um sorria, outro cantava
A cada um que passava
Eu resolvi perguntar

Agora, como entender
Essa tal felicidade
É muita subjetividade
Veja a pergunta que fiz
Como se sente feliz?
Responda como quiser
A resposta que vier
Eu computo por inteiro
É simples, é ter dinheiro
Respondeu uma mulher

Uma outra ia passando
E também quis responder
É perder peso, emagrecer
Foi a resposta que deu
Um bêbado ouviu e respondeu:
É pinga, de copo cheio
É minha ex com um cabra feio
Nisso uma loura com um Iphone
Um litro de silicone!
Gritou levantando um seio

Me assustei com um grito
De um bêbado no balcão
Feliz só teve Adão
Pois ele não teve sogra!
Quase a pesquisa malogra
O bêbado estava agressivo
Um outro, calmo, emotivo
Disse: ele não sabe o que diz
Que eu saiba pra ser feliz
Não é preciso ter motivo

Por isso #boraserfeliz
Colabore, compartilhe
Busque o caminho e trilhe
Não importa de onde vens
Se queres, podes e tens
Direito à felicidade
Não importa a idade
Vale o aqui e agora
Pois já sabes onde ela mora
Juntinho à simplicidade. (Celso Cruz)

Confesso que já nem sei quem sou.
Me chamam de Pedra do Navio, de Pedra do Cruzeiro, Pedra do Mirante...
Dizem que eu tenho mais de 500 milhões de anos. Que já fui margem de rios que corriam banhando-me com águas livres da poluição que hoje me circunda.
Acho bonito quando dizem que sou uma feição magmática/ígnea tabular em posição vertical. Um pegmatito. Uma rocha plutônica rica em minerais vários de cores e brilhos que me emprestam uma beleza única.
Envaidecido fico quando fotografado, em ângulos e formas diferentes.
Em uma foto abaixo Alex Gurgel me mostra de um ângulo na qual lembro um navio, singrando caatingas e despertando lembranças que justificam meu primeiro nome. Pedra do Navio.
A lua me empresta a luz que me é negada pelos homens. #cruzeiroiluminado
Em outra foto de autoria de Carla Belke, eu ressurjo no amanhecer emoldurando um sol que já surge abrasador, ardente, desquitado de nuvens e que não é ainda o céu sonhado pelo sertanejo castigado pelos efeitos da seca, mas que mesmo assim é belo e reacende a esperança e a fé, depositada aos meus pés pelas diversas religiões, e eu me presto ao serviço de depositário de preces. Talvez por ser ecumênico, talvez por ser um exemplo de resistência ao tempo ou, que quem sabe talvez, por estar mais perto dos céus.
Fico triste quando abandonado pelos homens. Quando fico no escuro e não cumpro o meu papel.
Fui tombada pelo Patrimônio Histórico, iluminada, e orgulhosa fiquei, pois estava ali cumprindo o meu papel ecumênico, histórico, contemplativo, testemunhando promessas feitas, graças alcançadas, juras de amor e por que não dizer, de atos irresponsáveis de uma juventude sem rumo, abandonada pela falta de compromisso de uma sociedade injusta.
Que pena que a minha importância não justifique uma iluminação que não seja a do sol e da lua.
Que pena que eu não possa receber visitas à noite nem ser contemplada dos diversos pontos da cidade que eu guardo.
Sigo feliz por ser iluminada pelo Senhor, pelo Sol, pela Lua mas, me confesso triste por permanecer na escuridão dos homens...
(Celso Cruz)

chico

Do amigo Chico Machado
Desfrutei da amizade
Um amigo de verdade
Por quem tenho gratidão
Bom pai, amigo e irmão
Amante da fraternidade
Na história da cidade
Algumas páginas escreveu
Quem com ele conviveu
E o passado desbrava
Ver um Machado que plantava
E a cidade colheu
Ela colheu no atletismo
Na cultura, no lazer
Vi Currais Novos vencer
Inacreditáveis batalhas
Trazendo troféus, medalhas
Tirando crianças da rua
Que Deus do céu retribua
E aos seus dê serenidade
É fato que a cidade
Vai sentir saudade sua. (Celso Cruz)

Saiba que tem duas vidas
E veja você por quê
Uma é a que cuida você
A outra é a que inventam
Ache bom quando comentam
Alegre-se no caminhar
A vida que deve levar
É a que lhe dita o coração
Articulado com a razão
Siga na vida a cantar

Só preste contas da vida
Quando conversar com o seu eu
Se a vida Deus lhe deu
Viva a vida com verdade
Buscando a felicidade
Fazendo por merecer
Todo dia é um renascer
Tenha sempre em sua mente
Que a humildade é tão somente
A razão do bem viver

E nunca se preocupe
Com o que venham a dizer
Viva e deixe viver
Deixe livre o seu pensar
Assim o seu caminhar
Será calcado na verdade
Alicerçado na amizade
Na família e no amor
Orgulhe-se em ser sonhador
E viciado em liberdade. (Celso Cruz)

O dedilhado do canhestro
É mais próximo ao coração
Daí porque o violão
Soa mais puro, mais belo
Parece ingênuo, é singelo
Foge a lógica e é normal
Conheci o magistral
Chico Soares, o Canhoto
Uma alma de garoto
Era um gênio musical


Um exímio musicista
Exemplo de simplicidade
Sua musicalidade
Chegava a transcender
O que brotava do seu ser
Era a mais pura emoção
Trespassava a razão
Com acordes de magia
Demonstrando a harmonia
Do seu eu e o violão. (Celso Cruz)

Um peteleco na orelha
Por um malfeito flagrado
Um castigo, um beliscão
Por um gesto mais ousado.
O Branco de uma coalhada
O pretume do escuro
Uma paquera na missa
Namoro de pé de muro
O queijo, a raspa do tacho
O meu avô, minha avó
O Voar de Uma Asa Branca
O canto de um Curió.
Uma coberta de algodão
Um chinelinho de dedo
Um arroubo de coragem
Uma pitada de medo
Um tiro de baladeira
Uma pedrada zunindo
Um sai pra lá meninada
Um vem pra dentro menino.
Um timbungar em um poço
A correnteza, o rio
O possuir-se em desejo
De um moleque no cio.
Um bêbado fazendo graça
Moleque correndo atrás
Menina pensa que é moça
Se enxerindo pro rapaz.
Um preto velho descalço
O caminhar na procissão
O repicado do sino
O vigário, o sacristão.
Sermão de todo domingo
Uma beata profana
O debulhar de um rosário
Nossa Sra. Santana.
É meu passado boiando
Nas águas de uma barragem
Sou eu no fundo buscando
Meus tempos de molecagem. (Celso Cruz)

Eita Papa arretado!

O Papa Francisco Primeiro
Com o seu sorriso cativante
Tem de forma irradiante
Demonstrado seu saber
A sua forma de ser
Denota acuidade
Sua sensibilidade
Faz-nos crer em algo novo
Faz ressurgir a fé do povo
Com grande intensidade

Quer a igreja nas ruas
Não quer acomodação
Irmão ajudando irmão
Sem pressa para ouvir
Ele que reconstruir
A paz, a fraternidade
A família, a amizade
Nossa fé em Jesus Cristo
E talvez seja, por isto
O Papa da Humildade

Ele está sempre sorrindo
É sempre alegre e contente
É do nosso continente
É nosso irmão argentino
Mas parece um nordestino
Alegre, simples, educado
Deu novo sentido ao papado
Moralizou a Santa Sé
Renovou a minha Fé
Eita Papa arretado! (Celso Cruz)

Aberto é um mestre que fala
Fechado, um amigo que espera
Que nunca se destempera
E se esquecido perdoa
O seu conhecimento doa
Se lido ou consultado
Triste se posto de lado
Se destruído ele chora
Por não ter posto pra fora
O saber que lhe foi legado

O bom livro ele distrai
Afasta a solidão
Massageia o coração
Nos dotando de saber
Quem os tem e não os ler
E os deixa presos numa estante
Em atitude errante
Comete uma desventura
Quem não viaja na leitura
Não é um ser edificante

Viaje pela leitura
Sem rumo, sem direção
Tenha sempre um livro á mão
Cada livro é uma aventura
Depositário de cultura
Só nos faz engrandecer
Melhora nosso viver
Nos dando conhecimento
É o livro um alimento
É a essência do saber.

PRA COLHER FELICIDADE

Se há algo que toca a alma
É a generosidade
Ela traduz na verdade
O valor real do “eu”
Feliz de quem percebeu
Que cresce por dividir
Pois a vida é um ir e vir
Um bailar de sentimentos
De bons e de maus momentos
Carentes de um colorir

Até o ato de sorrir
Dá colorido a alma
Afaga o peito, abranda, acalma
Gera o entendimento
Desperta o bom sentimento
Favorecendo a verdade
É a magnanimidade
A arte do bem servir
Faz somar ao dividir
Viva a solidariedade

A partilha multiplica
Fazer o bem nos faz crescer
O segredo do bem viver
É estar de bem consigo
Quem olha só pro umbigo
Vai mais fácil tropeçar
Dificulta o caminhar
Quem nunca se dá a mão
Quem não abre o coração
Quem não consegue se doar

Doe o seu positivismo
Dizendo: eu posso, eu faço
Doe um sorriso, um abraço
Busque viver em harmonia
Viva o seu dia a dia
No amor, na amizade
Seja amante da verdade
Trate o próximo como irmão
Regue um coração
E colha felicidade.

Eu cansei de ser artista
Fazer teatro pra que?
Pra tentar sobreviver?
Defender um idealismo?
Fugindo do realismo
Fazendo rir e chorar?
Eu chego a me perguntar
Em nome de que faço isso?
Acaba aqui meu compromisso
Desculpem, mas vou parar

Deixo a vocês de herança
Tudo que fiz e o que faço
O meu nariz de palhaço
As lágrimas que derramei
Tudo que fiz eu amei
Tentei passar emoção
Como acordes de canção.
Se coisa boa ou ruim
Eram pedaços de mim
Saídos do coração

Tentei viver os meus sonhos
Fui à luta com bravura
Fui guardião da cultura
Era este o meu papel
Valorizar o cordel
Interpretar, cantar, dançar
Fazer sorrir, fazer chorar
Homem, mulher e menino
Com ou sem figurino
Um artista popular

Arte é vida, é memória
Seja no palco ou na rua
De máscara ou face nua
A arte é a alma de um povo
Onde o velho junta-se ao novo
A arte transpira humildade
Nos despe da vaidade
Dos rótulos, dos preconceitos
Arte viva sai do peito
Mas não se faz só com vontade

Não sei ainda pra onde vou
Vou tentar ser empregado
Voltar a ser pau mandado
Garantir o vale refeição
Abandonar a criação
Pra ser escravo do horário
Do tempo ser perdulário
Viver da anti-cultura
Eu sei que é desventura
Mas se recebe salário

Cansei de viver de palmas
De trocar minhas idéias
Por aplausos de platéias
Isto não enche barriga.
Nem minhas noites abriga
Não me tira do relento
Não adianta ter talento
Viver de arte é utopia
Teatro, música, poesia
Não ampara, nem dá sustento

Vale pro novo, pro antigo
Talentoso ou tabaréu
Viver de passar chapéu
É uma constante na arte.
E aqui faço um aparte
Aos senhores do poder
Deixar o artista sofrer
Com a falta de incentivo
Ou com apoio inexpressivo
Só faz a arte morrer

Já sei não ser mais o mesmo
Eu quero é barriga cheia
Não adianta ter na veia
O sangue puro do artista
Quimérico idealista.
Eu caio fora da rinha.
Toda vontade que tinha
Agora desmoronou.
Eu não sei pra onde vou
Nem que futuro se avizinha

Já não sou nenhum menino
O meu jardim já não tem flor
Minha alma perdeu a cor
Meu coração não ver graça
Cansei de dormir na praça
Saio cego desta corrida
Minha experiência vivida
Estar em busca de espaço
E eu já sinto o cansaço
Dos descompassos da vida

Entrei na arte: juvenil
Como filosofia: a liberdade
Não conhecia a maldade
Do mundo que habitamos
Pois quando interpretamos
Damos vida a um personagem
Ali fazemos uma viagem
A um mundo de fantasia
Na volta é a carteira vazia
O que sobra da aprendizagem

Se o pássaro que bica
É o mesmo pássaro que canta
Quem cai um dia levanta
Sempre terá um amanhã.
Mas que não seja um divã
Que venha a me abrigar
Muito me custa parar
Estou com a mente cansada
De levar muita pancada
Sei que é preciso mudar

Ser plebeu no camarim
E ser no palco um rei
E amanhã onde estarei?
Como será meu dia-a-dia?
De novo em romaria
Buscando novo trabalho?
Estou de cabelo grisalho
Preciso de segurança
Por não ter mais esperança
Sou carta fora do baralho

Não sou destruidor de sonhos
Tenho medo é do futuro
Indecifrável, obscuro
Seara de todo artista.
Sem querer ser pessimista
Que futuro me aguarda?
A mente atordoada
Em outra conexão
Brigando com a solidão
Como uma eminência parda

É real, não é discurso
De quem está desmotivado
Não tenho mais encontrado
Nenhum prazer na labuta
Por isso abandono a luta
Não consigo mais ser risonho
Saio cabisbaixo, tristonho
Vou por este mundo sozinho
Abandono meu caminho
Minha razão de ser, o meu sonho. (Celso Cruz)



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