NATAL PRESS

"Um acordar na Rajada".Por Celso Cruz

Mas um feliz acordar

Aqui na Serra da Rajada

Só o silêncio faz zuada

Mexendo no inconsciente

O passado se faz presente

Mostrando sua importância

No café sinto a fragrância

Das lembranças do passado

O meu eu fica inundado

De lembranças da infância

O sol surge sorrateiro

Pássaros cantam em sinfonia

O gado muge em harmonia

Com o som de seus chocalhos

Minha mente faz atalhos

Entre o passado e o presente

Hoje fruto, ontem semente

Minha alma sente-se acolhida

Mostrando que lá fora a vida

É dessa vida decorrente

E nisso um “bença vovô”

Traz-me pra realidade

Percebo a felicidade

Albergada em nosso ninho

No cantar do passarinho

Na imensurável grandeza

Dos braços da natureza

Que acalanta e faz vigília

Na minha amada família

Minha infinita riqueza. (Celso Cruz)


Currais Novos do ciclo do gado
Do ciclo do algodão
Do ciclo da mineração
De um povo simples e ordeiro
Do destemido vaqueiro
Do valoroso agricultor
Terra do minerador
De uma forte gastronomia
Do bem viver, da alegria
Da amizade e do amor

Rica em arte e cultura
De um povo autêntico e verdadeiro
Alegre e hospitaleiro
Amante do bem servir
É desde o seu existir
Uma Progressista cidade
Terra da prosperidade
Orgulho do Seridó
Nascida no Totoró
Berço da felicidade. (Celso Cruz)

Um coração Infartado


Eu fui abrir para ver
Um coração infartado
Tinha medo aprisionado
Tinha manchas de ingratidão
Resquícios de solidão
E muito choro contido
Mágoas de ente querido
Um amortecido saber
A vontade de viver
É que não vi, tinha fugido

Por isso bebo, jogo e danço
Extravaso a alegria
Persigo no dia-a-dia
A vontade de viver
Eu não quero é padecer
Do medo de ir embora
Ponho a tristeza pra fora
Pois se a vida Deus me deu
Meu destino faço eu
Vivo o aqui e o agora

Confesso sou sonhador
Sou preso a esperança
Só quem busca é quem alcança
Essa tal felicidade
Busco na simplicidade
Ser empático, dar atenção
Ser amigo, ser irmão
Tento viver o momento
E sempre ouvindo atento
O que me diz o coração

Alicerçado na amizade
Me solto, tento voar
Não é utópico sonhar
Dou asas á imaginação
Demonstro satisfação
Com o pouco conquistado
Eu valorizo o passado
Não o deixo adormecido
E sempre tenho agradecido
Ao que a vida tem me dado

Se é complicado ser simples
Ser simples é mais complicado
O que a vida tem me dado
Não é muito, é o bastante
Sou feliz e sigo avante
Vivo preso a liberdade
Procuro ter humildade
Sou simples não me envergonho
Persigo meu maior sonho
Viver na felicidade.

Eu nunca entendi direito
O que é felicidade
Se é na simplicidade
Que ela faz sua morada
Pra matar essa “charada”
Eu resolvi pesquisar
Fui pruma mesa de bar
Um sorria, outro cantava
A cada um que passava
Eu resolvi perguntar

Agora, como entender
Essa tal felicidade
É muita subjetividade
Veja a pergunta que fiz
Como se sente feliz?
Responda como quiser
A resposta que vier
Eu computo por inteiro
É simples, é ter dinheiro
Respondeu uma mulher

Uma outra ia passando
E também quis responder
É perder peso, emagrecer
Foi a resposta que deu
Um bêbado ouviu e respondeu:
É pinga, de copo cheio
É minha ex com um cabra feio
Nisso uma loura com um Iphone
Um litro de silicone!
Gritou levantando um seio

Me assustei com um grito
De um bêbado no balcão
Feliz só teve Adão
Pois ele não teve sogra!
Quase a pesquisa malogra
O bêbado estava agressivo
Um outro, calmo, emotivo
Disse: ele não sabe o que diz
Que eu saiba pra ser feliz
Não é preciso ter motivo

Por isso #boraserfeliz
Colabore, compartilhe
Busque o caminho e trilhe
Não importa de onde vens
Se queres, podes e tens
Direito à felicidade
Não importa a idade
Vale o aqui e agora
Pois já sabes onde ela mora
Juntinho à simplicidade. (Celso Cruz)

Confesso que já nem sei quem sou.
Me chamam de Pedra do Navio, de Pedra do Cruzeiro, Pedra do Mirante...
Dizem que eu tenho mais de 500 milhões de anos. Que já fui margem de rios que corriam banhando-me com águas livres da poluição que hoje me circunda.
Acho bonito quando dizem que sou uma feição magmática/ígnea tabular em posição vertical. Um pegmatito. Uma rocha plutônica rica em minerais vários de cores e brilhos que me emprestam uma beleza única.
Envaidecido fico quando fotografado, em ângulos e formas diferentes.
Em uma foto abaixo Alex Gurgel me mostra de um ângulo na qual lembro um navio, singrando caatingas e despertando lembranças que justificam meu primeiro nome. Pedra do Navio.
A lua me empresta a luz que me é negada pelos homens. #cruzeiroiluminado
Em outra foto de autoria de Carla Belke, eu ressurjo no amanhecer emoldurando um sol que já surge abrasador, ardente, desquitado de nuvens e que não é ainda o céu sonhado pelo sertanejo castigado pelos efeitos da seca, mas que mesmo assim é belo e reacende a esperança e a fé, depositada aos meus pés pelas diversas religiões, e eu me presto ao serviço de depositário de preces. Talvez por ser ecumênico, talvez por ser um exemplo de resistência ao tempo ou, que quem sabe talvez, por estar mais perto dos céus.
Fico triste quando abandonado pelos homens. Quando fico no escuro e não cumpro o meu papel.
Fui tombada pelo Patrimônio Histórico, iluminada, e orgulhosa fiquei, pois estava ali cumprindo o meu papel ecumênico, histórico, contemplativo, testemunhando promessas feitas, graças alcançadas, juras de amor e por que não dizer, de atos irresponsáveis de uma juventude sem rumo, abandonada pela falta de compromisso de uma sociedade injusta.
Que pena que a minha importância não justifique uma iluminação que não seja a do sol e da lua.
Que pena que eu não possa receber visitas à noite nem ser contemplada dos diversos pontos da cidade que eu guardo.
Sigo feliz por ser iluminada pelo Senhor, pelo Sol, pela Lua mas, me confesso triste por permanecer na escuridão dos homens...
(Celso Cruz)

chico

Do amigo Chico Machado
Desfrutei da amizade
Um amigo de verdade
Por quem tenho gratidão
Bom pai, amigo e irmão
Amante da fraternidade
Na história da cidade
Algumas páginas escreveu
Quem com ele conviveu
E o passado desbrava
Ver um Machado que plantava
E a cidade colheu
Ela colheu no atletismo
Na cultura, no lazer
Vi Currais Novos vencer
Inacreditáveis batalhas
Trazendo troféus, medalhas
Tirando crianças da rua
Que Deus do céu retribua
E aos seus dê serenidade
É fato que a cidade
Vai sentir saudade sua. (Celso Cruz)

Saiba que tem duas vidas
E veja você por quê
Uma é a que cuida você
A outra é a que inventam
Ache bom quando comentam
Alegre-se no caminhar
A vida que deve levar
É a que lhe dita o coração
Articulado com a razão
Siga na vida a cantar

Só preste contas da vida
Quando conversar com o seu eu
Se a vida Deus lhe deu
Viva a vida com verdade
Buscando a felicidade
Fazendo por merecer
Todo dia é um renascer
Tenha sempre em sua mente
Que a humildade é tão somente
A razão do bem viver

E nunca se preocupe
Com o que venham a dizer
Viva e deixe viver
Deixe livre o seu pensar
Assim o seu caminhar
Será calcado na verdade
Alicerçado na amizade
Na família e no amor
Orgulhe-se em ser sonhador
E viciado em liberdade. (Celso Cruz)

O dedilhado do canhestro
É mais próximo ao coração
Daí porque o violão
Soa mais puro, mais belo
Parece ingênuo, é singelo
Foge a lógica e é normal
Conheci o magistral
Chico Soares, o Canhoto
Uma alma de garoto
Era um gênio musical


Um exímio musicista
Exemplo de simplicidade
Sua musicalidade
Chegava a transcender
O que brotava do seu ser
Era a mais pura emoção
Trespassava a razão
Com acordes de magia
Demonstrando a harmonia
Do seu eu e o violão. (Celso Cruz)

Um peteleco na orelha
Por um malfeito flagrado
Um castigo, um beliscão
Por um gesto mais ousado.
O Branco de uma coalhada
O pretume do escuro
Uma paquera na missa
Namoro de pé de muro
O queijo, a raspa do tacho
O meu avô, minha avó
O Voar de Uma Asa Branca
O canto de um Curió.
Uma coberta de algodão
Um chinelinho de dedo
Um arroubo de coragem
Uma pitada de medo
Um tiro de baladeira
Uma pedrada zunindo
Um sai pra lá meninada
Um vem pra dentro menino.
Um timbungar em um poço
A correnteza, o rio
O possuir-se em desejo
De um moleque no cio.
Um bêbado fazendo graça
Moleque correndo atrás
Menina pensa que é moça
Se enxerindo pro rapaz.
Um preto velho descalço
O caminhar na procissão
O repicado do sino
O vigário, o sacristão.
Sermão de todo domingo
Uma beata profana
O debulhar de um rosário
Nossa Sra. Santana.
É meu passado boiando
Nas águas de uma barragem
Sou eu no fundo buscando
Meus tempos de molecagem. (Celso Cruz)

Eita Papa arretado!

O Papa Francisco Primeiro
Com o seu sorriso cativante
Tem de forma irradiante
Demonstrado seu saber
A sua forma de ser
Denota acuidade
Sua sensibilidade
Faz-nos crer em algo novo
Faz ressurgir a fé do povo
Com grande intensidade

Quer a igreja nas ruas
Não quer acomodação
Irmão ajudando irmão
Sem pressa para ouvir
Ele que reconstruir
A paz, a fraternidade
A família, a amizade
Nossa fé em Jesus Cristo
E talvez seja, por isto
O Papa da Humildade

Ele está sempre sorrindo
É sempre alegre e contente
É do nosso continente
É nosso irmão argentino
Mas parece um nordestino
Alegre, simples, educado
Deu novo sentido ao papado
Moralizou a Santa Sé
Renovou a minha Fé
Eita Papa arretado! (Celso Cruz)



Twitter