NATAL PRESS

1

O que me engole e devora

É o súbito, o indigitado

O alimento que me apavora

O vômito regurgitado

 

2

O que me tange e apascenta

É o cajado, adestrado

Cujo golpe me arrebenta

Como o verbo bem amado

 

3

O que me desce à garganta

É a vida, mal mastigada

Que ainda nos espanta

E faz de nós quase nada

 

4

O que me sustenta e redime

É o verso em decomposição

Como quem comete um crime

E sonha com a redenção



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