NATAL PRESS

Poetema :: Alexandru Solomon

Cartas que escasseiam


Fico sem notícias, não é fato raro

Aguardando cartas, resta esperar

Que de certa forma irá infirmar

O que já pressinto, através do faro.

Mas neste momento, fruto do progresso,

Toda residência tem computador.

Então , já vislumbro o meu salvador,

Já que simplifica tanto o processo.

Paira na lembrança uma velha história.

O dono de um burro tentou inovar,

Uma nova dieta tentou implantar.

Com aquele burro, procurou a glória.

A ração diária foi diminuindo.

Se tivesse lido Maquiavel, talvez

Teria feito todo o mal de uma vez.

Iludiu-se vendo o burro resistindo.

Reduziu a zero, como desejado,

Já se preparava pra comemorar.

Foi fatalidade ou, então, azar,

Encontrar o burro morto, estirado.

Vendo o desastre, lamentou decerto

Já que a experiência decorria bem,

Tudo andava certo, a menos de um porém

Que pôs tudo a pique, mesmo estando perto.

*Do livro ´´Desespero Provisório´´

Alexandru Solomon, formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas, autor de ´´Almanaque Anacrônico´´, ´´Versos Anacrônicos´´, ´´Apetite Famélico´´, ´´Mãos Outonais´´, ´´Sessão da Tarde´´, ´´Desespero Provisório´´, ´´Não basta sonhar´´, ´´Um Triângulo de Bermudas´´, ´´O Desmonte de Vênus´´,(Ed. Totalidade), ´´Plataforma G´´, ´´Bucareste´´ e ´´ A luta continua´´ (Ed. Letraviva). Nas livrarias Cultura e Siciliano. E-mail do autor: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

Há um provérbio na região dos Balcãs “A aldeia está em chamas e a anciã penteia seus cachos”. Talvez a terra dos ancestrais de nossa Presidenta tenha tido influência na farsa marqueteira da definição da amplitude do corte orçamentário. Nem supermercado agiria melhor ao estabelecer seus preços.

Não é o caso de se discutir se um corte de 70bi ia ser ou não suficiente. O ajuste é necessário por estar nossa economia desajustada, para usar um eufemismo. Uma vez que o mínimo proposto era 70bi, o que pode significar apresentar 69,9 bi? Até os farallones da ilha de Capri sabem que não existe uma precisão de 2milésimos (isso mesmo) numa peça orçamentária.

Dois quilômetros a menos numa estrada, alguns funcionários a menos, cortar meia dúzia de cartões corporativos... De mais a mais com a “ajuda” inesperada do PIB que , ao que tudo indica, será menor que o de 2014, ficaremos mais próximos do percentual almejado do superávit primário. Só pode ter sido, então, uma manobra para ‘’enquadrar” o ministro Levy. O fato de ele continuar- oxalá que continue - demonstra que ele tem plena consciência do desastre que seria uma saída sua neste momento. Esse 69,9 é uma vergonha, mistura de populismo, do ‘sabe quem manda aqui?’, de briguinhas nessa equipe econômica, na qual há mais de um pretendente a spalla nessa orquestra cacofônica. Enfim, demonstração de má-fé no seu mais alto grau.

Alexandru Solomon, formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas, autor de ´´Almanaque Anacrônico´´, ´´Versos Anacrônicos´´, ´´Apetite Famélico´´, ´´Mãos Outonais´´, ´´Sessão da Tarde´´, ´´Desespero Provisório´´, ´´Não basta sonhar´´, ´´Um Triângulo de Bermudas´´, ´´O Desmonte de Vênus´´,(Ed. Totalidade),  ´´Plataforma G´´, ´´Bucareste´´ e ´´ A luta continua´´  (Ed. Letraviva). Nas livrarias Cultura e Siciliano. E-mail do autor: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo." target="_blank" style="color: rgb(17, 85, 204);">Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

Dando prosseguimento ao relato de minhas experiências com essa empresa maravilhosa, tenho que, por uma questão de apego à verdade, reafirmar minha crença de ser o único ser afetado por tumbice galopante a poder declarar-me totalmente insatisfeito com o serviço que recebo. Isso tem tudo a ver, insisto, com meu proclamado azar. Encontrei um paralelo na famosa ópera de Puccini, La Bohême e sua célebre ária, Che gélida manina.(que mão gelada). No meu caso, seria o caso de transformá-la em: Mas que pé-frio. Encarnaria Rodolfo e sem o brilho de um Pavarotti poderia declamá-la – cantar seria demais e ninguém merece – a uma atenta Lucia, aliás Mimi.

Che cosa faccio? Scrivo.

E come vivo? Vivo.

De fato, atualmente, dedico-me a profanar a arte de escrever.

Uma simples questão de pontuação traduziria à perfeição minha situação:

E come vivo, Vivo?

Suponho que todos os meus doze leitores dispensarão a tradução. Pois é, Vivo, como consigo viver assim?

O mais recente episódio – seguramente não cometerei a imprudência de classificá-lo como o último - pode ser resumido assim. Antes de uma breve viagem, a internet pifou. (Exclamações horrorizadas da plateia, diante do inusitado: Ooooooooooooooh!) Seguiu-se a rotina já descrita, atendente recitando aquele script digno de um invertebrado, liga modem, desliga etc., a informação de que havia problemas na área, sem previsão de normalização, e... no dia seguinte serviço normalizado, a tempo de eu enviar uma declaração retificadora ao meu amigo Leão, corrigindo uma burrada cometida o ano precedente. Deixei a nova declaração pronta, mas seguindo uma rotina de muitos anos, deixei ‘dormir’ a declaração deste ano. Fui viajar por uma bela semana, decidido a enviar o informe assim que voltasse.

Não é preciso dizer que ao voltar, não havia mais serviço. Em que momento aconteceu a interrupção? Ora, não sou adivinho. A triste realidade é que estava colhendo mais uma evidência da minha já recorrentemente proclamada desdita. Segui novamente o roteiro familiar, naquela quinta-feira da semana passada. Manobra 1 , manobra 2, ncpa.cpl, rasphone, etc e a conclusão: “Será agendada uma visita de um técnico, pode ser no sábado à tarde?”. Não era, já, não era no dia seguinte... “Pelamordedeus, não pode ser amanhã, sexta?” Diante da resposta esperada,( devo abandonar esse triste hábito de imaginar que a grande empresa se sensibilizaria diante de um drama, que afinal de contas, aflige apenas um único assinante...talvez não seja o único, pois onde estava o glorioso exército de técnicos?) combinamos que seria na segunda, na parte da manhã. Chegou o dia aguardado com impaciência. Internet fora do ar, as horas passando e...nada. Vamos ao 10315. Anote o protocolo, em que posso ajudar, como devo chamá-lo etc.

“Onde está o técnico?” – concentrei nessas singelas palavras toda a minha expectativa frustrada? “ Que técnico?” foi a resposta glacial da outra extremidade da linha. Resumindo: Não havia visita programada.

“Mas foi acertado...!”

“No sistema não consta”

Ninguém discute com o sistema. Assumi a dupla identidade de azarado e gagá e acertamos uma visita para a terça feira. Não garanto ter mantido durante esse diálogo o desprendimento e os bons modos recomendados por Marcelino de Carvalho (alguém se lembra?).

Desliguei, desesperançado, quando, ó estupoire!... constatei estar conectado à rede mundial. Mais rápido que um político desses declarar-se indignado com as acusações da mídia golpista, aproveitei a janela de transferência... de dados, e cumpri meu dever cívico. Enquanto saboreava as delicias da normalidade, a janela se fechou, numa clara demonstração de quão efêmera pode ser a felicidade.

Por sorte, o técnico virá. Neste momento, ainda não sei se terei essa ventura, apesar de, escaldado pelo episódio precedente, ter confirmado que desta vez, a visita estava agendada no sistema.

E POR QUAL MILAGRE ESTÃO RECEBENDO ISSO? O TÉCNICO AINDA NÃO CHEGOU, MAS O SERVIÇO VOLTOU. DECIDIDAMENTE, TALVEZ EU NÃO SEJA TÃO AZARADO ASSIM!

Alexandru Solomon, formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas, autor de ´´Almanaque Anacrônico´´, ´´Versos Anacrônicos´´, ´´Apetite Famélico´´, ´´Mãos Outonais´´, ´´Sessão da Tarde´´, ´´Desespero Provisório´´, ´´Não basta sonhar´´, ´´Um Triângulo de Bermudas´´, ´´O Desmonte de Vênus´´,(Ed. Totalidade),  ´´Plataforma G´´, ´´Bucareste´´ e ´´ A luta continua´´  (Ed. Letraviva). Nas livrarias Cultura e Siciliano. E-mail do autor: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo." target="_blank" style="color: rgb(17, 85, 204);">Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

Segundo Lord Keynes: ´´é melhor estar vagamente certo do que rigorosamente errado´´. Não se sabe qual teria sido a apreciação de algo vagamente errado, que é o caso do balanço da Petrobrás. Salvo erro meu, a empresa preocupou-se em quantificar, ainda que de uma maneira tosca, o quanto seus fornecedores usaram para abastecer o ´propinoduto´ que foi desembocar em bolsos de... deixa pra lá. Parece óbvio que os fornecedores não se contentaram em colocar um sobrepreço de apenas 3%. O resto, sabe-se lá quanto foi, e de difícil quantificação entrou no bolo mensurado através do tal ´ímpairment´, considerando a época, a cotação do dólar, do barril, os aditivos contratuais etc. Ou seja, tem-se uma ideia vaga do que fizeram os fornecedores com os famosos 3%. Explicação encontrada para 6bi, o resto foi calculado de forma ´rigorosamente vaga´. Um último detalhe. Ao inflar o valor dos ativos, contabilizados a partir de lançamentos contábeis, a empresa deve ter depreciado esses ativos. Depreciou valores inflados, logo, diminuiu artificialmente o que seria o lucro, e... sonegou (involuntariamente) IR e CSLL. Espera-se que a ´Receita´ solte seus perdigueiros, dobermans, ou o que seja, para calcular multas, juros de mora etc . Lembremos Sergio Endrigo: La festa è appena cominciata. È già finita. Resta concordar com a primeira frase.

Face a tudo isso, é compreensível que as ações da Petrobrás, em via de “privatização indireta”, ... subam.

Alexandru Solomon, formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas, autor de ´´Almanaque Anacrônico´´, ´´Versos Anacrônicos´´, ´´Apetite Famélico´´, ´´Mãos Outonais´´, ´´Sessão da Tarde´´, ´´Desespero Provisório´´, ´´Não basta sonhar´´, ´´Um Triângulo de Bermudas´´, ´´O Desmonte de Vênus´´,(Ed. Totalidade), ´´Plataforma G´´, ´´Bucareste´´ e ´´ A luta continua´´ (Ed. Letraviva). Nas livrarias Cultura e Siciliano. E-mail do autor: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

Poetema de Alexandru Solomon

´´ Vamos ser pedras?´´

Lembranças e lambanças


Num deserto de ideias, vale a pena enganar

O povão só vê novela, ele há de aceitar

O PT de roupa nova privatiza em surdina

Mas a “nossa” é diferente, temos o mapa da mina.

 

O discurso nunca muda: jogar pedras nos tucanos

Passatempo favorito que deu certo muitos anos

Eles “vende” o bem do povo e “consegue” preço vil

“Nois”, guiados pelo Lula, resgatamos o Brasil.

 

Dos tucanos ruins de bico veio a ‘privataria’

O PT, sempre do contra, sabotou quanto podia

Mas agora, oh surpresa, instalados no poder

Ao notar que vinha a Copa, decidiu se desdizer.

 

Segue tudo como antes, promoveu-se um leilão

Vai Cumbica, Viracopos, a seguir o Galeão

O dinheiro, ora essa, vem de fundos de pensão

Então, qual a diferença? AH, AGORA É CONCESSÃO!

 

Sobram esclarecimentos, ilustrando a diferença.

Ora, cale-se golpista, é maior que você pensa

Tudo bem, mas eu insisto, diz o crítico teimoso,

Só porque agora é Dilma e não mais o tal Cardoso?

 

Sem resposta à altura, o remédio é apelar.

Nem havia antes de Lula um Brasil pra mencionar.

Os blogueiros progressistas e a turma do agito

Batem firme, cospem fogo, para defender o mito.

 

Hoje tudo é diferente, vejam no retrovisor,

Quem nos elevou ao topo foi Lulinha, paz e amor.

O PT é onisciente, o PT é bom, é....

Manuais do MEC consignam: Lula inventou a roda.

 

Um escândalo por vezes turva de repente a cena

A gandaia anda solta. E a corrupção? Obscena!

Mas decerto é circunscrita, só envolve o baixo clero

Nosso Guia Luminoso nos tirou do “marco Zero”

Elegeu a sucessora tecnocrata de valor

Mãe do PAC é competente. Pé no acelerador.

 

Lehman Brothers, que bobagem, é apenas marolinha

Tudo isso é besteira, ela passa depressinha.

Tudo pronto para a Copa. Nota-se algum atraso

Valcke chia, mas que diabo, não vamos criar um caso!

São apenas pessimistas, e só fazem Zunzunzum.

A resposta vem no campo, um sonoro sete a um.

 

Uns escândalos pipocam envolvendo a Petrobrás

Mas todo o petróleo é nosso e a turma é capaz.

De repente, surge um nome pronunciado em surdina

 

É maracutaia, dizem – fala-se em Pasadena.

A notícia se espalha e a coisa é delicada

Lula não sabe de nada, Dilma fica ‘irritada’

Para estragar a festa, para poluir o clima,

 

Vem à tona outra bomba: Chama-se Abreu e Lima.

Que abacaxi solene num ano de eleição

Mas por sorte do governo não tem mesmo oposição

Com discursos e promessas o remédio costumeiro

O Brasil correu às urnas e elegeu... o marqueteiro.

 

Começou dois mil e cinzas, chega a hora da verdade

Um pibinho, inflaçãozinha – chega de mendacidade

Joga-se a ‘matriz’ no lixo, já não há mais pedalada

A verdade aparece não dá pra ser abafada.

 

Temos déficit primário, nossa nota é rebaixada

Dilma faz o seu discurso, só que não resolve nada

Uma luz no fim do túnel essa tal de Lava Jato.

Permaneçam nas poltronas, lá vem o segundo ato.

Alexandru Solomon, empresário, escritor. Formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas, autor de ´Almanaque Anacrônico`, ´Versos Anacrônicos`, ´Apetite Famélico`, ´Mãos Outonais`, ´Sessão da Tarde`, ´Desespero Provisório` , ´Não basta sonhar`, ´Um Triângulo de Bermudas`, ´O Desmonte de Vênus` ´Plataforma G` (Ed. Totalidade), ´Bucareste` e ´A luta continua` (Ed. Letraviva). Livrarias: Saraiva (www.livrariasaraiva.com.br), Cultura (www.livrariacultura.com.br), Loyola (www.livrarialoyola.com.br), Letraviva (www.letraviva.com.br). | E-mail do autor: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Esta data já está definitivamente incorporada ao calendário. No dia 8 de março, o mundo inteiro comemora o Dia internacional da mulher. A perspectiva histórica aponta a origem da escolha, e, seria herética a separação da celebração, muitas vezes centrada na fogueira consumista, da longa história de lutas que as mulheres protagonizaram. Afinal, todas as profissões, praticamente, possuem um dia que as homenageia. Há uma profunda diferença. Seria leviano tentar equiparar o dia do advogado, por exemplo, ao Dia internacional da mulher. E por qual motivo não se instituiu o Dia internacional do homem, acrescentaria um cínico revoltado com essa injustificada discriminação. A pergunta permanece em aberto.

A segregação das mulheres, a associação da condição feminina a um nível inferior parece ter desconsiderado, durante séculos, o papel decisivo que elas sempre desempenharam. Não se tem notícia de homem ter protagonizado a função sublime de entregar ao mundo as crianças gestadas no seu organismo. Talvez, à luz dessa obviedade, faça sentido a frase de Alexandre Dumas "falar mal de uma mulher, sim, de todas, nunca".

As sentenças que diminuíam as mulheres perdem-se na névoa dos tempos. "Nada pior que uma mulher, a não ser outra", dizia Aristófanes. "Cabelos longos, idéias curtas", sentenciava Schopenhauer, para quem havia apenas dois tipos de mulheres, as enganadas e as enganadoras. Ao grande filósofo não ocorreu a possibilidade de haver a fusão desses tipos distintos.

O rótulo de "sexo frágil" procurou associar à mulher uma hipotética incapacidade de lidar com o dia-a-dia, refugiada que ela, ser meramente decorativo, objeto de devastadoras paixões, estaria num escondedouro de futilidades de onde obraria para enfeitiçar homens indefesos. "Frailty, thy name is woman"(fragilidade, teu nome é mulher) suspira um desconsolado Hamlet.

Claro está que, deixando de lado 'efeitos especiais' diferenças há, porém, equivocam-se aqueles que sustentam ainda hoje a dicotomia sexo forte – sexo frágil. Rotular a mulher de sexo frágil é tornar-se culpado de difamação, afirmava Gandhi.

Durante séculos, as mulheres tiveram de conviver com uma condição inferior, causada por uma divisão de trabalho que sempre as desfavoreceu. Poucas tinham acesso à uma educação melhor, cabendo à maioria o fardo da maternidade – esse inevitável – associado a condições de trabalho subumanas.

Em plena Revolução francesa, 1791, Olympe de Gouges reivindica o direito feminino a todas as dignidades e empregos segundo suas capacidades. Foi guilhotinada, dois anos mais tarde, resposta que a sociedade de então encontrou para ilustrar que o princípio da liberdade, igualdade, fraternidade possuía alcance limitado. A acusação? "Ter querido ser um homem de estado e ter esquecido as virtudes próprias do seu sexo.

Durante os séculos seguintes, as mulheres passaram a integrar a força de trabalho fabril, em jornadas que, não raro, chegavam a 14 horas diárias, durante seis dias por semana. Ao organizar um protesto contra as más condições de trabalho, pedindo uma jornada de trabalho de 10 horas, tecelãs de uma fábrica de vestuário feminino Tecidos Cotton, em Nova Iorque, foram obrigadas a refugiar-se dentro da fábrica, fugindo da polícia. As portas foram trancadas, foi ateado fogo à fábrica e, em 8 de março de 1857, 129 operárias morreram carbonizadas. A luta continuou, sendo que nos Estados Unidos o movimento por uma organização sindical foi liderado pelo setor têxtil , ressaltando-se a liderança de imigrantes judeus russos e poloneses.

Paralelamente, novos focos de tensão despontavam na Europa e nos EUA.

Em 1910 a segunda Conferência Internacional das Mulheres Socialistas debate o tema e, a seguir, a ativista Clara Zetkin, muito ligada a Rosa Luxemburgo, propõe, no jornal L´Égalité, do qual era redatora, que o dia 8 de março fosse declarado Dia Internacional da Mulher, em homenagem às vítimas de 1857. No ano seguinte, mais de um milhão de pessoas comemoraram a data. Essa prática continuou nas décadas de 1910 e 1920.

Na Rússia, dia 23 de fevereiro de 1917, de acordo com o calendário juliano, correspondente a 8 de março do calendário gregoriano, trabalhadoras do setor de tecelagem entram em greve. Segundo

Trotsky, teria sido o ponto de partida da Revolução de outubro. Depois do triunfo da revolução, a feminista bolchevique Alexandra Kollontai persuadiu Lênin a tornar a data de 8 de março em celebração da heróica mulher trabalhadora. Enquanto no Ocidente essa comemoração perdia forças, na então União Soviética e, depois da segunda guerra, nos seus satélites, a data continuou sendo festejada.

Outra faceta da luta das mulheres foi a dedicada à obtenção do direito de voto. Em 1893 esse direito foi conquistado, pela primeira vez na Nova Zelândia. No Brasil, tal viria ocorrer em 1932 com o Código eleitoral — lei 21076 de 24 de fevereiro. Para não desmerecer o famoso "jeitinho brasileiro", já em 1929, Alzira Soriano de Souza elegeu-se prefeita de Lages (RN).

Coincidentemente, em 1932, a delegação brasileira para os Jogos Olímpicos de Los Angeles incluiu uma mulher: Maria Lenk.

Em 1975, a ONU começou a patrocinar o Dia Internacional da Mulher, não por coincidência, durante o Ano internacional da Mulher.

Atualmente, passados os sobressaltos do feminismo exacerbado de Betty Friedan, com as queimas simbólicas de sutiãs, as mulheres se fazem cada vez mais presentes em todos os setores da atividade humana. Aquilo que era anômalo ou esporádico tornou-se normal. Se é normal que não as encontremos praticando futebol americano, não causa nenhuma surpresa vê-las presidindo um país. Não há mais atividade da qual as mulheres estejam alijadas. Desigualdades persistem ainda, embora seja possível afirmar que houve progressos gigantescos.

Pouco a pouco, é evidente a tendência de a data se tornar um evento, cuja conotação comercial tende a superar a história de lutas que a consagrou. O andar da carruagem há de reservar ainda muitas surpresas, embora algumas tendências possam ser consideradas como tendo prazo de validade indeterminado.

Por mais que se evolua nessa direção, uma evidência inarredável há de marcar para sempre. As palavras "mulher " e "paixão" possuem o mesmo número de letras. As conclusões quanto a essa curiosidade são livres.

Ao reler o texto, percebi que acabei de me tornar culpado por excesso de objetividade. Nessa crônica deveria caber no mínimo o tradicional: "Parabéns a todas as mulheres do mundo!"

Alexandru Solomon, empresário, escritor. Formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas, autor de ´Almanaque Anacrônico`, ´Versos Anacrônicos`, ´Apetite Famélico`, ´Mãos Outonais`, ´Sessão da Tarde`, ´Desespero Provisório` , ´Não basta sonhar`, ´Um Triângulo de Bermudas`, ´O Desmonte de Vênus` ´Plataforma G` (Ed. Totalidade), ´Bucareste`  e ´A luta continua` (Ed. Letraviva). Livrarias: Saraiva (www.livrariasaraiva.com.br), Cultura (www.livrariacultura.com.br), Loyola (www.livrarialoyola.com.br), Letraviva (www.letraviva.com.br). | E-mail do autor: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo." target="_blank" style="color: rgb(17, 85, 204);">Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

A escolha de Aldemir Bendine causou um verdadeiro rebuliço. Os mais irônicos sugeriram que se mudasse o nome da estatal de Petrobrás par PetroVal, numa alusão indelicada a um empréstimo do BB. Ora, senhores moralistas, acalmai-vos. Para outros, algumas irregularidades na declaração de IR maculariam o currículo do indicado. Bobagem pura. Ele pagou uma multa, logo lavou, tá novo.

Há aqueles que acham que falta familiaridade com o ramo e que o único contato com a atividade-fim da empresa que ele passará a dirigir se resume a encher o tanque do seu veículo de representação. Outra tolice. Quem enche o tanque é o motorista. E falando sério um CEO não precisa necessariamente ser do ramo. A IBM – a outrora flamejante BIG BLUE – recrutou um CEO – Louis Gerstner  da Nabisco.

Argumenta-se que por ter dirigido o BB o novo presidente da Petrobrás, entende de balanços e o seu relacionamento com o mercado financeiro lhe permitirá conseguir financiamentos imprescindíveis para prosseguir as atividades da companhia. Nesse ponto, é possível levantar algumas dúvidas. Essa tarefa poderá ser executada pelo CFO da empresa pessoa da mais alta qualificação.  Parecem esquecer um detalhe. Uma vez perdido o sufixo “do BB”, o novo CEO da Petrobrás deixará de ser visto com os mesmos olhos pela comunidade financeira.

Uma objeção séria ao processo de escolha é ter sido resolvido em dois dias. A admissão de um encarregado do almoxarifado de bens de consumo leva mais tempo. Teria sido a comprovada docilidade do senhor Bendine o argumento decisivo?

Vai que é sua, “Dida”!

Alexandru Solomon, empresário, escritor. Formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas, autor de ´Almanaque Anacrônico`, ´Versos Anacrônicos`, ´Apetite Famélico`, ´Mãos Outonais`, ´Sessão da Tarde`, ´Desespero Provisório` , ´Não basta sonhar`, ´Um Triângulo de Bermudas`, ´O Desmonte de Vênus` ´Plataforma G` (Ed. Totalidade), ´Bucareste`  e ´A luta continua` (Ed. Letraviva). Livrarias: Saraiva (www.livrariasaraiva.com.br), Cultura (www.livrariacultura.com.br), Loyola (www.livrarialoyola.com.br), Letraviva (www.letraviva.com.br). | E-mail do autor: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo." target="_blank" style="color: rgb(17, 85, 204);">Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Faz um mês inauguraram uma nova galeria

Na feliz combinação arte com hotelaria.

Desde então vive tão cheia, impossível visitar,

Desafio aos amadores, longas filas enfrentar.


Finalmente, um belo dia, ajudado pela sorte

E por uma patronesse, cujo santo era forte,

Conseguiu por um milagre o ingresso tão sonhado,

Constatando que o destino não o tinha abandonado.


O lugar impressionante e repleto de pinturas

Em painéis dependuradas e, no meio, esculturas.

Alguns guias voluntários interpretam as mensagens,

Traduzindo em palavra a linguagem das imagens.


Decidiu seguir um guia todo uniformizado,

Que as obras explicava com um ar compenetrado.

Convidado com o resto, um lugar tomou num banco

E ouviu os comentários sobre uma tela em branco.


‘Linda tela que por sorte foi possível adquirir.

O pintor foi inovando, pôde até substituir

O convencional do traço por um ritmo interior.

Essa obra sem ambages é de nível superior.’


E, perante a tela branca, o discurso continua,

A inspiração da obra foi uma modelo nua,

Pela qual ele nutria um amor indescritível.

Falecida em desastre. O destino é terrível!

Esse outro representa a essência do borrão.


Para espalhar as cores, o pintor usou a mão.

Surge ali um comentário: ‘Olha, para ser bem franco,

Creio que ainda fico com aquela tela em branco.’


‘Meu senhor, são dois momentos igualmente criativos,

Ambos dignos de elogios, ambos são superlativos!

Ficaria um dia inteiro admirando essas obras,

Não há quem lhes chegue perto, nem os mais famosos cobras.’


Frente a uma nova tela, a sessão explicativa

‘Livre se sentiu do jugo da arte figurativa,

Vejam, um simples quadrado. Quanta força ele exala.

Olhem bem, este quadrado ponto alto é da sala!’


‘Outra obra milionária, olhem por aqui, senhores,

Este monte de areia, cacos de diversas cores,

É um marco da escultura, coisa igual já não se faz,

Essa obra tolstoiana chama-se Guerra e Paz.’


A platéia cativada nem ousava divergir.

Comentários em voz baixa, todos querem prosseguir:

‘ E aquela outra obra, a vermelha, meu senhor,

Valerá uma fortuna?’ ‘Vale, sim, é o extintor’.



Do livro ´´Desespero Provisório´´

Alexandru Solomon, empresário, escritor. Formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas, autor de ´Almanaque Anacrônico`, ´Versos Anacrônicos`, ´Apetite Famélico`, ´Mãos Outonais`, ´Sessão da Tarde`, ´Desespero Provisório` , ´Não basta sonhar`, ´Um Triângulo de Bermudas`, ´O Desmonte de Vênus` ´Plataforma G` (Ed. Totalidade), ´Bucareste` e ´A luta continua` (Ed. Letraviva). Livrarias: Saraiva (www.livrariasaraiva.com.br), Cultura (www.livrariacultura.com.br), Loyola (www.livrarialoyola.com.br), Letraviva (www.letraviva.com.br). | E-mail do autor: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Existe um projeto que corre por aí, de autoria de Renato Simões de Ricardo Berzoini – ambos do PT. Em resumo, de acordo com o projeto, os dividendos – lucro distribuído por pessoas jurídicas – seria tributado novamente na declaração de rendimentos das pessoas físicas. Essa medida, se implantada, representaria obviamente uma bitributação. Bem, o Sr. Berzoini já imaginou coisas piores, como as Berzofilas dos aposentados que deveriam comprovar – se sobrevivessem às filas – que estão em vida.

Além disso, o projeto eliminaria a figura dos juros sobre o capital próprio (JCP), que hoje representam uma despesa dedutível na declaração das empresas, cuja obrigação é de recolher um imposto de 15%, na fonte. O acionista arca com esses 15%, em compensação as empresas deixam de pagar IR e CSLL sobre uma parcela de lucro que passou a ser uma despesa. Como diria o conselheiro Acácio, caso perguntado, trata-se de um incentivo beneficiando em última análise empresas e acionistas.

Claro que se o projeto prosperar o governo apuraria sonhados bilhões, vale dizer, além dos que já apura de maneira abusiva – focando ainda esse microcosmos.

Os acionistas, seres demonizados por investir no mercado de ações, já têm motivos de sobra para resmungar.

Nas entranhas do Plano Real existe a intenção de acabar com as indexações. Uma intenção louvável, mas que não se aplica de maneira universal, por uma razão excelente. Não vivemos num mundo de inflação zero. Daí salários e tarifas de serviços são corrigidos e parece justo, embora como toda correção monetária, realimentem o processo inflacionário. Não se tem notícias de qualquer categoria profissional que tenha rejeitado a reposição de perdas inflacionárias em nome do combate à inflação. Tentem persuadir seu dentista na próxima oportunidade.

Com os odiados acionistas essa eliminação assume um efeito perverso, sobretudo no caso dos investidores de longo prazo, aquele prazo que segundo Keynes, uma vez decorrido nos iguala perante a dama da foice. Suponha-se um investidor detentor de um lote de ações adquiridas há uns 20 anos, ao preço unitário de 100. Decorridos esses 20 anos, eis que esse cidadão decide vender as ações, pelas quais apuraria hipotéticos 120. Vem o fisco, sempre vigilante, e tributa a diferença. Não é preciso ser doutor Honoris causa por Sciences Po, na França, ou um mero PHD pela Universidade de Chicago para perceber que o pobre diabo será tributado sobre um lucro inexistente. Se alguém tiver paciência de examinar uma tabela do IBGE, notará, caso não esteja com preguiça de fazer as contas, que o IPCA no período 1995-2014 evoluiu algo como 222%. Ou seja, o investidor paciente deveria apurar mais que 322, para que pudesse falar em lucro. O Fisco vigilante não quer saber disso. Trata-se de um exemplo extremo, mas ignorar a existência da inflação produz distorções. No caso dos imóveis já existe a figura da correção quando da alienação. Para as ações isso seria consideravelmente mais trabalhoso, então ...

Por outro lado, o Plano Real eliminou a correção dos balanços. Com isso, empresas capitalizadas passam a apresentar lucros inflados por uma parcela inexistente, sobre os quais incidem IR e CSLL, com a maior naturalidade. Para um período curto, o efeito é menor, mas considerando o fato de essa medida ter soprado 20 velinhas, há uma distorção. Então verberar os JCP como ‘planejamento tributário’ parece algo exagerado. Para ser franco – ou euro, já que os francos perderam a validade – no caso das empresas altamente endividadas, ocorre o efeito oposto e elas SONEGAM LEGALMENTE, já que seu lucro é subestimado.

Possivelmente nossos parlamentares, ao examinar o tal projeto de lei, se é que o examinarão algum dia, poderiam dedicar um olhar distraído a essas distorções, ou só vale arrumar $$? Desmoralizar o mercado de ações não parece uma boa ideia. Para todos os efeitos, amaldiçoar os especuladores já dá bastante IBOPE.

Alexandru Solomon, formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas, autor de ´´Almanaque Anacrônico´´, ´´Versos Anacrônicos´´, ´´Apetite Famélico´´, ´´Mãos Outonais´´, ´´Sessão da Tarde´´, ´´Desespero Provisório´´, ´´Não basta sonhar´´, ´´Um Triângulo de Bermudas´´, ´´O Desmonte de Vênus´´,(Ed. Totalidade), ´´Plataforma G´´, ´´Bucareste´´ e ´´ A luta continua´´ (Ed. Letraviva). Nas livrarias Cultura e Siciliano. E-mail do autor: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

Quanto mais muda, afinal teremos um ‘novo’ governo, mais fica igual.

Numa carta da Marta – a rima foi involuntária – a ministra saiu do ministério, tascando votos de sucesso à Presidenta. Para os amadores de Química o pH da carta situa-se perto de zero. Para os menos iniciados, trata-se de uma alta acidez. Apesar da aparente tranquilidade da destinatária, ao afirmar ter se inteirado previamente do conteúdo da missiva, essa acidez deve ter causado um uso adicional de Maalox ou outro antiácido disponível em Qatar. Dizia Marta, entre as demais fórmulas protocolares, que desejava à Dilma que “ seja iluminada” – suprema ironia ao se dirigir a um poste – e que escolhesse uma equipe econômica independente, experiente etc. comprometida com uma “nova agenda de crescimento e estabilidade”. Ora, direis, mas o que mais se ouviu e viu durante a campanha foi um desmedido autoelogio à sábia política econômica, que aparentemente, com alguns retoques, um ajuste fino, vá lá, será matéria obrigatória dos livros de Economia daqui para frente.

Mas a carta da Marta insinuava algo diferente.  Talvez tenha sido escrita a quatro mãos com o marqueteiro do candidato derrotado.

Procurando satisfazer a curiosidade dos repórteres quanto à composição da nova equipe, a Presidenta desautorizou boatos supostamente plantados por fontes palacianas: “O Palácio não fala. O Palácio é integrado por paredes mudas”, desmontando, assim, a prosopopeia insinuada pela audiência ávida por um furo. Logo, é errado atribuir a uma construção, por mais vistosa e pouco funcional que seja, qualidades humanas. Perfeito. As paredes são mudas, embora haja quem jure que possuem ouvidos. Dizem que alguém teria pensado com seus botões: Além de paredes mudas, não haveria por acaso um telhado de vidro?

Voltando à nossa Pindorama, houve quem estranhasse o projeto de lei permitindo o desconto das despesas do PAC e das desonerações da meta fiscal. Estamos falando da LDO de 2014. De forma bastante lógica, é possível afirmar que se a última revisão for concluída em fevereiro de 2015, embora o passado seja coisa incerta entre nós, será possível dizer que as diretrizes orçamentárias foram obedecidas.

Então qual é o problema?

O tal superávit primário. Sim, aquela parcela destinada a pagar (parte) dos juros da dívida. É um conceito relativamente bobo, já que o ideal seria conseguir um superávit nominal, ou seja, depois de pagar os juros, sobrar algo. Mas se trata de uma abordagem “rudimentar” segundo frase atribuída à então Chefa da Casa Civil. Se non è vero, azar do goleiro.

Grosseiramente, a superávit primários seria em escala nacional algo como o EBITDA  (earnings before I tricked damn auditor) das empresas , ou LAJIDA.

Ocorre que, anualmente, em meio a rufar de tambores anuncia-se que faremos um “primário” de algo como 2% do PIB. Mesmo insuficiente para fazer frente ao pagamento dos juros, o crescimento da dívida seria contrabalançado pelo crescimento do PIB e nosso “cadastro”, apreciado pelas empresas de “rating” (de classificação de risco, se preferirem) continuará bom. “O sujeito deve mais, mas possui mais um imóvel (quitado), então vamos conceder um empréstimo a juro camarada para ele comprar uma moto, pagar a empregada etc.  Se ele dever mais e não aumentou o patrimônio vamos conceder o empréstimo, mas a juros maiores;” Simples assim.

Sucede que as surpresas vêm de ambos os lados. O PIB não cresce o quanto trombeteiam as “otoridades” econômicas, em compensação a tal economia não se realiza nas proporções prometidas por culpa das despesas. O quadro perfeito para que chovam críticas. Daí, nossa criatividade partiu para um atalho. Já que não se conseguirá realizar a tal economia: a receita é “errática (apud Miriam Belchior) e as despesas (vigiadas com a lupa) teimam em se elevar mais do que o fariam se bem comportadas fossem, introduz-se um artifício. Parte dos investimentos passam a ser considerados tão virtuosos que podem ser descontados da tal meta anunciada em meio ao rufar de tambores e som de clarins no início do ano e “suavizada” à medida que o fim do exercício se aproxima. Não vai dar para pagar tudo isso de juros, porém, transpusemos o “velho Chico”. Então além das virtudes da moeda listadas pelo professor Gudin: instrumento de troca, meio de pagamento, reserva de valor, unidade de conta etc. surge o dom da ubiquidade. O mesmo dinheiro faria duas coisas ao mesmo tempo.

Em 2014 falava-se em abater uns míseros 67 bi da meta,. Agora, caso o liberou geral prevalecer, serão mais de 120, correspondentes ao investimento do PAC e ás desonerações. Esse valor é superior à meta cheia. So what? (em original no texto) E daí? Daí, que não há mais sentido em falar em meta do primário. A meta será cumprida sempre, já que poderá sofrer abatimentos de 100% do valor. E por que não mais? Para que parar se estamos num caminho tão bom?

Mais fácil seria reconhecer que no ano X não houve superávit e partir para outra, mas seria tolher a criatividade daqueles que imaginaram tão bela manobra. A quem enganará?

A resposta ainda não está clara.

Portanto a iluminação do poste viria em boa hora, sem necessidade de esperar a virada do ano. Admita-se o não cumprimento, afinal e meta não pode virar um eterno espartilho e, abandonando os esqueletos para as escolas de medicina, que se parta para uma administração responsável. Alguém falou em LRF. A exemplo de Scarlett O´Hara, nisso pensaremos amanhã.

Alexandru Solomon, formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas, autor de ´´Almanaque Anacrônico´´, ´´Versos Anacrônicos´´, ´´Apetite Famélico´´, ´´Mãos Outonais´´, ´´Sessão da Tarde´´, ´´Desespero Provisório´´, ´´Não basta sonhar´´, ´´Um Triângulo de Bermudas´´, ´´O Desmonte de Vênus´´,(Ed. Totalidade),  ´´Plataforma G´´, ´´Bucareste´´ e ´´ A luta continua´´  (Ed. Letraviva). Nas livrarias Cultura e Siciliano. E-mail do autor: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.



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