NATAL PRESS

Neste sábado (22) é celebrado o Dia Mundial da Terra e o Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte, em parceria com astrônomos e pesquisadores potiguares, vai marcar a data com palestras, caminhada e observações astronômicas, a partir das 14 horas, dentro do projeto “Astronomia no Parque”. O evento é gratuito e, de acordo com os organizadores, é apartidário.

A data será celebrada com a “Marcha pela Ciência”, realizada, simultaneamente, em 500 cidades de todo o mundo (sendo 13 do Brasil) e Natal não ficará de fora. Os participantes pretendem chamar a atenção da sociedade para os cortes de investimento público na área da ciência e da tecnologia em todo o mundo e promover a aproximação entre os pesquisadores e a população. O centro do movimento será a cidade de Washington, DC, nos Estados Unidos.

Em Natal, a “Marcha pela Ciência” é organizada pelo Prof. Julio Rezende, do Departamento de Engenharia da Produção da UFRN e Diretor de Inovação da Fundação de Apoio à Pesquisa do Rio Grande do Norte (FAPERN) com o apoio do Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte (SEMURB/Prefeitura do Natal), do site Astronomia no Zênite (www.zenite.nu) e da ONG internacional “The Planetary Society” (www.planetary.org). “A ciência é um dos valores centrais da sociedade. Marcharemos pela Ciência para apoiar e salvaguardar toda nossa comunidade científica. É hora de contar com as pessoas que apoiam essa causa”, afirmou o americano Bill Nye, Diretor Executivo da Planetary Society.

O Dia Mundial da Terra foi criado pelo ativista ambiental e senador americano Gaylord Nelson, um dos principais precursores da luta pela preservação do meio ambiente na política dos Estados Unidos. Ele foi um dos organizadores da manifestação sobre o tema que aconteceu em 22 de abril de 1970 e entrou para a história dos movimentos ecológicos. Porém, a data só foi criada pela ONU em 2009.

A programação completa contará com atividades na UFRN no período da manhã e um ciclo de palestras a partir das 14h no auditório do Parque da Cidade. A Marcha acontecerá a partir das 16:30 na trilha do Sistema Solar do Parque da Cidade. O evento encerrará com a observação do céu por meio do telescópio, montado na Praça de Eventos.

PROGRAMAÇÃO

14h – Abertura: “Astronomia no Parque Especial: a Marcha da Ciência e o Dia da Terra”

14h10 – Palestra “O Dia da Terra e as inovações em práticas de sustentabilidade”, com o Prof. Júlio Rezende (Engenharia da Produção, UFRN).

14h40 – Palestra “Implicações Jurídico-Ambientais da Revisão do Plano Diretor de Natal: Propostas, Desafios e Instrumentos", com o Prof. Carlos Sérgio Gurgel da Silva.

15h30 – Palestra "Green Schools como sistema integrado de avaliação da sustentabilidade construtivo-arquitetônica em projetos de instituições de ensino localizadas no litoral do nordeste brasileiro", com Fernanda Azevedo.

16h30 – Marcha pela Ciência, na trilha do Sistema Solar do Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte.

17h15 – Observação do céu com telescópio.

No Turcomenistão
 
Caixa dois
 
Lucy estava muito agitada, prova disso as repetidas investidas contra a geladeira do CIL. (centro de integração da Lucy). Quem é Lucy? – perguntará alguém. Ora, ora, agora vão perguntar também quem é Ababurtinogamerontes. Sorry, periferia, não pretendo repetir conceitos, significados e significantes. Leiam meu livro A Volta. Como? Nunca ouviram falar nele? Decididamente, não sei se vale a pena continuar, mas como vivo disso, sei que devo fazer algumas concessões. Voltemos à Lucy e seu estado de inquietação.
Tudo isso fora motivado pela frase de seu orientador:
- Lucy, precisa preparar seu TCC.
- Não quero me misturar com organizações interlopes.
- Eu disse TCC, não PCC, doce fóssil. Trabalho de conclusão de curso. Seu estágio está no fim e falta apenas esse remate. Sobre o que versará seu trabalho?
- Pensei escrever algo a respeito de fontes não convencionais de financiamento em uso no Turcomenistão.
- Excelente ideia. Suas anotações feitas durante a viagem serão de extrema valia. Vamos discutir um pouco, antes de você me apresentar um esboço do seu trabalho.
- Eu começaria discorrendo um pouco sobre as marcenarias daquele país e suas limitadas capacidades de produção.
- Poderia explicar melhor.
- Fiquei surpresa ao saber que o ‘output’ se limita apenas a duas unidades produzidas: caixa um e caixa dois. Falta diversificação, escala produtiva, espírito animal dos empreendedores locais,
- Não se precipite, e, na medida do possível evite diagnósticos apressados, que motivarão uma apreciação desfavorável por parte da comissão julgadora.
- Certo, mestre. Creio que devo refrear essa tendência de colocar rótulos em tudo.
- Lucy, vamos aos prolegômenos.
- Obedeço. Pretendo fazer uma abordagem pouco convencional, invertendo a ordem numérica dos produtos. Ou seja, iniciarei com algumas considerações preliminares a respeito da segunda caixa, a caixa dois. E, como trabalho definitivo, pretendo intitulá-lo “Uma introdução à caixologia”
- Pegou o espírito da coisa. 87,4% das teses são introduções. Apenas um reparo, é o caixa dois, Lucy!
- Estranho, bizarro, extravagante! Essas mudanças de gênero me deixam confusa, mas magister dixit – o mestre falou. Só para firmar a noção existem O caixa e A caixa, certo? Algo a ver com o tal de epiceno? Caixa-macho e caixa-fêmea?
- O assunto que escolheu versará sobre o macho.
- Tomara que não ganhe a pecha de discriminatório.
- Colocaremos notas explicativas para explicar isso.
- Mestre, explicativas explicando, que feio esse misto de colisão com tautologia!
- Bravo, Lucy! Receio que estejamos divagando. Vamos seguir seu roteiro e comecemos pelo caixa dois. Sugiro que conceitue o conceito;
- De novo, mestre?
- Foi para verificar se estava prestando atenção.
- Uma definição brilhante, magistral até, foi dada por um discípulo de Diógenes: trata-se de recursos não contabilizados. É um produto de marcenaria contábil, digamos assim. Quando uma empresa forma caixa dois? Quando, lassa de ortodoxia, vende sem nota ou quando paga valores inferiores ao oficialmente combinado.(com saída de caixa legitima e retorno a cargo da imaginação do infrator – no caso, são dois: o que paga menos e o que finge que recebeu o devido - maleta de dinheiro, carrinho de feira etc.).
- Lucy, você pode mencionar também sacolas e cuecas, Precisa ilustrar numericamente o segundo caso. A empresa compra um item, por exemplo um prendedor de gravata, recebe a fatura de 100, paga 37,50 e o vendedor fica satisfeito. A diferença é um dinheiro órfão. O prendedor ajudará a prender, se me passa essa.
- No caso dos financiamentos de campanhas eleitorais, as Picarechts da vida não faziam caixa dois a partir do superfaturamento como muitos foram induzidos a pensar. Não, Não três vezes Não. Superfaturamento é uma safadeza combinada entre corrupto e corruptor para pagar valores maiores do que uma obra ou serviço valem. Uma ponte sobre o rio Amu Darya cujo valor normal seria um milhão de Manats é faturada por dois milhões de manats.
- Manats, Lucy?
- É a moeda do Turcomenistão. Com sua permissão, prossigo. Esse valor entra no caixa da empreiteira, (recurso contabilizado), sendo consequência de um acordo de toma lá, dá pro papai em troca de qualquer “ bobagem” ( garantia de novos contratos, com ou sem formação de cartel etc.) e saída, claro, de uma grana para campanha, ou para algum mimo, simplex, algemas de ouro com brilhante, anel, entradas para shows de musica sertasneja etc.
- De fato,é uma safadeza, mas não é caixa dois. É dinheiro resultante de algo combinado. Tudo em ‘ordem’. Lucy, de onde tirou esse saber, ontem ainda mal sabia desenhar seu nome! Posso acrescentar que na visão do ETT –Extremo tribunal do Turcomenistão, esse dinheiro caracteriza corrupção. Continue.
- Para dar uma saída propínica as empresas tinham de se virar de alguma forma. Contratos fajutos com papelarias inexistentes, com cervejarias amigas, com promoção de eventos culturais como, por exemplo, camelejadas. Certo? Aí, sim, não pagavam o combinado e a papelaria do Zé faxineiro falecido ou inexistente tinha a sua contabilidade arrebentada. Follow the Money – sigas o dinheiro- e isso não deve ser tão complicado. Se um partido gastou na campanha mais do que recebeu oficialmente, aí temos , sim, caixa dois. Mas as empresas podiam ter doado dinheiro do caixa (contabilizado) fruto de simpatia, extorsão ou alinhamento político sait-on jamais. vá saber.
Entendo perfeitamente a lógica cínica de quem possa afirmar caso a aparência de sua contabilidade seja limpa: Minha campanha não foi financiada com caixa dois. O “ingênuo” beneficiário dos mimos, sabe que favoreceu uma empreiteira, mas o ( mais ingénuo ainda) tesoureiro da campanha recebe um dinheiro quente e não há TSE que , pelo cheiro do cheque, TED ou outro instrumento, possa identificar (oficialmente) a origem malsã da doação. Pecunia non olet, dinheiro (mesmo sujíssimo) não possui cheiro já disse o imperador Vespasiano, fazendo alusão a um imposto sobre latrinas. Haverá a convicção do procurador, NÂO haverá prova. E mesmo que a empresa doadora use um recurso não contabilizado, como poderá alguém ser acusado de conhecer a origem impura dos recursos? Nesse ponto a segunda turma do Extremo tende a considerar que contabilizado ou não, há corrupção. Esse estribilho, se musicado, poderá dar uma bela marchinha carnavalesca em Ashgabat – capital do Turcomenistão. Contabilizado ou não, há corrupção (bis)
Daí, surgem protestos: Tudo que recebi foi dinheiro que registrei no tribunal eleitoral. Não só no tri, mas também no tetrabunal, (Podem delatar ad nauseam, o beneficiário dirá que para ele foi tudo legal. O advogado do delatado baterá nessa tecla até a morte. Se, contudo, o dinheiro foi para o iraniano, o belga, ou o italiano. o suíno fêmea torce a extremidade da coluna vertebral. Se foi caixa dois ou caixa N é crime. O popular batom na cueca.
- Lucy, você está indo bem, mas evite essas expressões de péssimo gosto. O rigor analítico fica tisnado por esses tabuísmos.
- Claro que houve um acerto anterior, que a ponte ou o estádio custou à viúva mais do que uma concorrência limpa acarretaria, e se não foi o suficiente para aplacar a fome, para que existem os aditivos de contratos? Mas esse ‘detalhe’ , mesmo se confessado, poderá no máximo (ironia) deslustrar a figura do político corrupto e do Empreiteiro beneficiado posteriormente. A empresa retribuiu porque quis (ou foi no fio da moustache), o contraventor Friend, Mercado, Gato Persa etc., se recebeu foi através de pagamento a laranja, ou outra fruta cítrica que repassou, mas a grana está em algum lugar seja ele móvel ou imóvel ou conta em paraíso fiscal. Ou se evaporou através de pagamentos sem comprovação. O partido X pagou ao marqueteiro Y e nenhum dos dois declarou. Ou terá sido empregado bitcoin?
Resumindo: o financiamento de campanha não é (em geral) produto de caixa dois, foi produto de “operação estruturada” que beneficiou terceiros que repassaram a bufunfa- mordendo um pouco, pois não há sistema sem perdas, não é mesmo? É a segunda lei da Termodinâmica!
Não existe caixa dois benigno ou maligno! Se me passa a tautologia, caixa dois é caixa dois, - e vice-versa. Pode haver repasse de grana ganha indevidamente. Isso não é caixa dois. Pode haver repasse de grana lavada – e secada – e se quiser chamar de caixa dois, it´s up to you, como diria Shakespeare dirigindo-se a Oscar Wilde. Com o risco de me tornar inconvenientemente repetitiva reafirmo: Se a empreiteira X ganhou uma concorrência por um preço absurdo – vivam os carteis- o ‘plus a mais’ é dinheiro contabilmente limpo, embora moralmente sujo. O caixa dois surge quando o departamento especializado contrata uma empresa de lanches por 1000 e paga só 100, resultando 900 , agora sim, caixa dois. Ou financia nas mesmas condições um show, uma corrida de lesmas etc.etc.etc..
Estou indo bem, professor?
- Considero você bem papuda.
 
Alexandru Solomon, empresário, escritor. Formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas, autor de ´Almanaque Anacrônico`, ´Versos Anacrônicos`, ´Apetite Famélico`, ´Mãos Outonais`, ´Sessão da Tarde`, ´Desespero Provisório` , ´Não basta sonhar`, ´Um Triângulo de Bermudas`, ´O Desmonte de Vênus` ´Plataforma G` (Ed. Totalidade), ´Bucareste`, ´A luta continua` e ´A Volta´ (Ed. Letraviva). Livrarias: Saraiva (www.livrariasaraiva.com.br), Cultura (www.livrariacultura.com.br), Loyola (www.livrarialoyola.com.br), Letraviva (www.letraviva.com.br). | E-mail do autor: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Carnaval
 
Como sempre, o deus Cronos brinca com a ampulheta.
Descobrimos um remédio, batizamos um cometa,
E cansados dessa vida, desse monte de misérias,
Decidimos dar um basta e tiramos umas férias.
 
Uma fuga, um subterfúgio ou será escapadela?
Para todos os efeitos , ele fica longe dela.
Céus , que será do mundo com o meu afastamento?
Pois garanto: Desprezível será todo seu tormento.
 
Cessará tudo que é guerra e se instaurará a trégua?
Sobre todos os pecados alguém passará a régua?
Ou como diria Dante do Inferno ao Paraíso,
Haverá um só caminho e seria seu sorriso?
 
Desde quando um feriado conseguiu esse poder?
Logo chega a quarta feira e o tempo de sofrer.
A folia implantada sob momesco patrocínio
Só reforça o pessimista e amargo vaticínio.
 
É um tríduo marcante, uma doce fantasia,
A miséria por instantes dá a vez à poesia.
Se o frevo entusiasta levantou toda poeira,
Ela logo se assenta, a partir da quarta feira.
 
Por saber que tudo é sonho, brincadeira dos sentidos,
Uns e outros aproveitam os momentos divertidos
E procuram, quando muito, prolongar a ilusão.
Erra quem se acomoda e prefere a inação.
 
Ao diabo a compostura e as tolas convenções.
Carnaval é carne vale, o recanto das paixões.
Um Pierrô desempregado dá adeus ao sossego,
Sobra tempo o ano todo para a busca do emprego.


 
*Do livro ´´Desespero Provisório``, Ed. Edicon.

Caixa dois. Definida pelo preclaro Delúbio como recursos não contabilizados.

Muito bem. Quando uma empresa forma caixa dois? Quando vende sem nota ou quando paga valores inferiores ao oficialmente combinado.
No caso dos financiamentos de campanhas, as Oderbrecht, OAS da vida não faziam caixa dois a partir do superfaturamento. Superfaturamento é uma safadeza combinada entre corrupto e corruptor para pagar valores maiores do que uma obra ou serviço valem, fruto de uma concorrência com cartas marcadas. Hoje vence A, amanhã será a vez de B etc. Uma ponte cujo valor normal seria CEM é FATURADA A MAIOR, DIGAMOS DUZENTOS.

Esse valor entra no caixa da empreiteira, sendo consequência de um acordo de toma lá, dá pro papai, em troca de qualquer “bobagem” (garantia de novos contratos, com ou sem formação de cartel etc.) e sai, claro, uma grana para campanha, ou para algum mimo, tríplex, colar, pagamentos a gestantes etc.
É uma safadeza, mas não é caixa dois.  É dinheiro resultante de algo combinado. Tudo em ‘ordem’.

Para dar uma saída propínica as empresas tinham de se virar de alguma forma e isso jamais foi escrito em contrato algum, tudo no fio do bigode, acordo de “cavalheiros”. Contratos fajutos com papelarias inexistentes, com cervejarias amigas, com promoção de eventos culturais etc. (a lista não se esgota aí). Certo? Aí, sim, não pagavam o combinado e a papelaria do Zé faxineiro falecido em 1990, vulgo testa de ferro, tinha a sua contabilidade arrebentada. Follow the Money.
Entendo perfeitamente a lógica cínica de quem diz: Minha campanha não foi financiada com caixa dois. O “ingênuo” beneficiário dos mimos sabe que favoreceu uma empreiteira, mas o tesoureiro da campanha recebe um cheque quente e não há TSE que, pelo cheiro do cheque, TED ou outro instrumento, possa identificar (oficialmente) a origem malsã da doação.

Daí os protestos: Tudo que recebi foi dinheiro que registrei no tribunal eleitoral. Falo de porcaria bem feita, não há lugar para amadores. Podem delatar ad nauseam, o beneficiário dirá que para ele foi tudo legal. O advogado do delatado baterá nessa tecla até a morte. O problema surge quando aparecem mimos extravagantes, incompatíveis com a renda do canalha distraído.

Claro que houve um acerto anterior, que a ponte ou o estádio custou à viúva mais do que uma concorrência limpa acarretaria, e se não foi o suficiente para aplacar a fome, para que existem os aditivos de contratos? Mas esse ‘detalhe’, mesmo se confessado, poderá no máximo (ironia) deslustrar a figura do político corrupto e do Empreiteiro beneficiado posteriormente. Nas novas eleições, os eleitores darão razão ao Pelé!

Resumindo: o financiamento de campanha não foi (em geral) produto de caixa dois, foi produto de “operação estruturada” que beneficiou terceiros e que repassaram a bufunfa - mordendo um pouco, pois não há sistema sem perdas, não é mesmo? É a segunda lei da Termodinâmica! Claro, há escorregões como doações em dinheiro vivo, mas...

PENSE, como dizia antigamente o Watson da IBM.

Abraços e Feliz ano Novo com os 3 ‘esses’: Sorte, Saúde e Sucesso.
(ou os três ‘eles’ Love, Live, Learn).
 

Alexandru Solomon, formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas, autor de ´´Almanaque Anacrônico´´, ´´Versos Anacrônicos´´, ´´Apetite Famélico´´, ´´Mãos Outonais´´, ´´Sessão da Tarde´´, ´´Desespero Provisório´´, ´´Não basta sonhar´´, ´´Um Triângulo de Bermudas´´, ´´O Desmonte de Vênus´´,  ´´Plataforma G´´, ´´Bucareste´´, ´´ A luta continua´´ e ´´A Volta´´. Nas livrarias Cultura e Siciliano. E-mail do autor: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

Ficou de bom tom demonizar o tal 'planejamento tributário'  sendo que seus detratores (e não faltam, desde o PT até o Estadão) parecem esquecer que não se trata NECESSARIAMENTE de falcatruas praticadas por empresários fumando enormes charutos. Um exemplo banal para aplacar essa fúria inquisitorial é o fato de escolher apresentar a declaração ao querido Leão no modelo Completo ou Simplificado. Ou será que é preciso escolher a pior alternativa?

Alexandru Solomon, formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas, autor de ´´Almanaque Anacrônico´´, ´´Versos Anacrônicos´´, ´´Apetite Famélico´´, ´´Mãos Outonais´´, ´´Sessão da Tarde´´, ´´Desespero Provisório´´, ´´Não basta sonhar´´, ´´Um Triângulo de Bermudas´´, ´´O Desmonte de Vênus´´,(Ed. Totalidade),  ´´Plataforma G´´, ´´Bucareste´´ e ´´ A luta continua´´Â  (Ed. Letraviva). Nas livrarias Cultura e Siciliano. E-mail do autor: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo." target="_blank">Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

Fantasias se criam e se destroem,

Em torno dos sonhos, sonhos constroem,

Sonhar é um luxo bem acessível,

Basta pra isso não ser insensível.

Para aquele infeliz que de dia labuta,

Seria um luxo pagar prostituta.

À noite na cama, amor solitário;

De dia, o mesmo problema:Salário.

Mas tem Internet. Se achar a comparsa,

Dizer que a ama seria uma farsa?

Não pode dizer que ama, afinal?

Eis o problema do pobre mortal.

E se lhe disser que é um qualquer,

Será que terá um segundo sequer?

Daquela que entra no chat como “Musa”,

Beldade hodierna um tanto obtusa.

O “chat”, é sabido, é neologismo.

Palavra importada, um anglicismo.

Lugar é de príncipe, nunca de sapo,

O antro sagrado do “Bate-papo”

De um lado, se tem um pobre coitado,

Só pena na vida, foi rejeitado.

Do outro, está a beldade obesa

Que ora é madona, ora marquesa.

Ele escreve: Eu sou um mancebo.

Ela responde: É claro, percebo.

Ele retruca: Sou executivo

E sou isso mesmo, sem diminutivo.

E a doce rainha tecla de onde?

Com muita vergonha de onde se esconde,

Responde a Ofélia “Quer mesmo saber”?

Eu sou sua musa, não uma qualquer.

Deusa eu sou, eu moro no Olimpo,

Com vista bonita e o céu sempre limpo.

Sou doce, sensível, já fui Miss Brasil,

Com corpo perfeito e alma febril.

Queria saber alguns outros detalhes.

O seu palácio é o de Versalhes?

Corada, a musa, no quarto alugado,

Responde: Olha como é abusado!!

Fingindo morar no palácio francês,

Responde com erros de português.

E chega a hora de o outro falar,

Chegou sua vez de querer inventar.

Cara senhora, minha alma é pura,

Evite com isso qualquer conjetura.

Sou viúvo, sou rico, procuro um par,

Espero, princesa, poder-lhe agradar.

O papo já dura faz mais de uma hora,

O nobre senhor e a doce senhora.

Cada qual construindo um mundo farsesco

No qual o real deu lugar ao burlesco.

Alexandru Solomon, empresário, escritor. Formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas, autor de ´Almanaque Anacrônico`, ´Versos Anacrônicos`, ´Apetite Famélico`, ´Mãos Outonais`, ´Sessão da Tarde`, ´Desespero Provisório` , ´Não basta sonhar`, ´Um Triângulo de Bermudas`, ´O Desmonte de Vênus` ´Plataforma G` (Ed. Totalidade), ´Bucareste`  e ´A luta continua` (Ed. Letraviva). Livrarias: Saraiva (www.livrariasaraiva.com.br), Cultura (www.livrariacultura.com.br), Loyola (www.livrarialoyola.com.br), Letraviva (www.letraviva.com.br). | E-mail do autor: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Determinado cidadão incomodado com o visual do Lula, nutre o projeto de raspar-lhe a barba. Daí, sabedores dessa vontade secreta, um barbeiro e um ajudante (de barbeiro, obviamente) marcam uma reunião com o sonhador. Na reunião o barbeiro louva seu talento em raspar barbas e oferece-se para ajudar. No meio da reunião que decorre em ambiente cordial, discussões sobre qualidades de navalhas rolam soltas, meu personagem ouve uma batida na porta. Entra o tio... dele que pede desculpas pela invasão, mas como conhece o barbeiro cumprimenta polidamente e sai.
 
Terminada a reunião, o barbeiro liga para um amigo dele que não pode comparecer ao meeting (com o perdão pelo horrível neologismo) e comenta o que foi discutido. “O tio está acompanhando”, diz ele. Por acaso, a ligação é interceptada por autoridades (com autorização judicial, naturalmente) e a frase pinçada – “a barba do Lula poderá ser cortada e o tio participou da reunião” faz alçar sobrancelhas preocupadas nas mais altas esferas. Pergunta-se. O meu personagem deve ser preso por intenção de agressão ao melhor presidente que o Brasil já teve, na apreciação algo imodesta do próprio? O tio que entrou e cumprimentou deve ser processado também por participação na trama sórdida?
 
O maior defeito de fábulas desse gênero é induzir os leitores a procurar algum vínculo com situações reais, o que seguramente não é a intenção do autor (da fábula)
Como dizia Baltasar Gracián, uns séculos atrás: ´´Alguns fazem caso daquilo que pouco importa e deixam de lado o que tem muita importância´´. Mas isso valia no século XVII, não é mesmo?
 
Alexandru Solomon, formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas, autor de ´´Almanaque Anacrônico´´, ´´Versos Anacrônicos´´, ´´Apetite Famélico´´, ´´Mãos Outonais´´, ´´Sessão da Tarde´´, ´´Desespero Provisório´´, ´´Não basta sonhar´´, ´´Um Triângulo de Bermudas´´, ´´O Desmonte de Vênus´´,(Ed. Totalidade),  ´´Plataforma G´´, ´´Bucareste´´ e ´´ A luta continua´´Â  (Ed. Letraviva). Nas livrarias Cultura e Siciliano. E-mail do autor: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

Não sinto a menor simpatia – para usar um eufemismo ­– para os envolvidos na Lava Jato.
 
Para minha tristeza, não vejo como poderão ser pegos.
 
Em primeiro lugar rebaterão com indignação todas as acusações, frutos da direita reacionária e de da mídia golpista a ela subordinada.

Em segundo lugar, tomemos um deles. O Exmo X.

Alma impoluta, desejava apenas ser competitivo nas eleições. Sem dinheiro para financiar aqueles vídeos imbecis para os quais não conseguiu aprovação de projeto da lei Rouanet. –Aqueles vídeos são arte pura, ou não? O que fazer? Soube o Exmo. X da existência de um senhor Sérgio Machado, presidente de uma subsidiária da Petrobrás (não vamos ser antipáticos e aludir à Presidente do Conselho de Administração – o petróleo é nosso e somos autossuficientes). Pois esse S.M consegue persuadir Oderbrechts e outras Engevix a financiar campanhas eleitorais. Pronto, basta pedir. Ele entrega a grana ao comitê eleitoral, à tia do político, pouco importa. Esse dinheiro será registrado no tribunal Eleitoral. Por sua vez o Tribunal não possui faro para identificar grana suja. Vespasiano já dizia. Pecunia non olet. A grana não tem cheiro.
 
Pois então. Exmo X sai assobiando. Está tudo dominado. Por qual razão as empreiteiras irrigam contas oficiais e outras nem tanto Exmo. X não sabe e tem raiva de quem sabe.
 
Na sua ingênua visão do mundo Exmo X fica constrangido em recusar alguns depósitos em paraísos fiscais... ele é apenas um stranger in the Paradise... fiscal, tudo bem.

Diante da delação de empreiteiras pegas de calças curtas – moda em voga no Tirol – Exmo. X reage com indignação. Ele não sabia. “Mostrem-me onde assinei recibo de propina”.

Caixa 2? O que vem a ser isso?
 
Vêm uns cretinos arrependidos e confessam superfaturamento de obras públicas? Isso não é comigo. Trata-se de aditivos de contratos prevendo reajustes devido à inflação, aos dissídios da mão de obra, a exigências de ambientalistas, mas está tudo contabilizado. Exmo. X manifesta sua indignação ante esses juízes que exigem delação de presos. Que absurdo! Essas delações não passam de manifestações de alergia de indivíduos claustrofóbicos que não se ambientam em celas. Aversão ao xilindró, nada mais.  Por que estão lá? Problema deles.

Coroando essas manifestações, Exmo X declara que está à disposição da Justiça, como se houvesse alternativas! Mais ainda, abre mão do seu sigilo, fiscal, telefônico, bancário etc, como se pudesse deixar de fazê-lo caso um juiz assim determine. E como se essa grana tivesse circulado em contas correntes de bancos em atividade em Pindorama. Vamos nos entender, ninguém possui dinheiro fora dessa terra onde cantarola o sabiá. Se acharem é de quem achou. Paraísos fiscais? De novo?
 
Ah, sim, alguns gastos incompatíveis com as remunerações? Exmo X sempre foi um exímio poupador e realizou negócios bem-sucedidos, incluindo, mas não limitados a ganhos na Loteria, vendas de gado, heranças de tios distantes etc.
 
Eis porque não haverá pizzas, pois a mozarella em excesso favorece o crescimento do colesterol, mas haverá longos e inúteis debates, receio eu.
 
Mas já há alguns condenados, dirão. Alguns já estão atrás das grades. Certo. Mas no fim, haverá apenas uma demanda de tornozeleiras eletônicas – com alto conteúdo nacional, esperemos. Ah sim, Marcos Valério cumprirá décadas na prisão.

Alexandru Solomon, formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas, autor de ´´Almanaque Anacrônico´´, ´´Versos Anacrônicos´´, ´´Apetite Famélico´´, ´´Mãos Outonais´´, ´´Sessão da Tarde´´, ´´Desespero Provisório´´, ´´Não basta sonhar´´, ´´Um Triângulo de Bermudas´´, ´´O Desmonte de Vênus´´,(Ed. Totalidade),  ´´Plataforma G´´, ´´Bucareste´´ e ´´ A luta continua´´Â  (Ed. Letraviva). Nas livrarias Cultura e Siciliano. E-mail do autor: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

Celso Fernandes, jornalista, escritor. Colunista de Moda, TV e Literatura. Assessoria de imprensa. Blog:
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Em Cannes, talvez inspirados pela cor do tapete, de frente para a Croisette, artistas brasileiros do elenco do filme Aquarius, protestaram contra o que chamaram – e não são os únicos -  de golpe. Não consta que eles pretendam pedir asilo político para fugir das perseguições, como ocorreria se houvesse um regime ditatorial na pátria amada, salve, salve. Fizeram uso do direito de expressar livremente sua opinião, como poderão fazer ao voltarem ao Brasil. Divulgaram para a clientela dos bares em frente ao Palais des Festivals et des Congrés de Cannes, o retrato daquilo que lhes parece ser uma república de bananas. Se o público deixou de bebericar seus drinques , a imprensa não revelou.

A poeira ainda não baixou. Uma página está prestes a ser virada, mas ainda não o foi. A mulher sapiens reclama. Diz ter sido vítima de um golpe, pois não praticou crime algum, não roubou, não tem conta em paraísos fiscais. Não ter praticado roubos é louvável, mas trata-se apenas de uma condição necessária, para o exercício da Presidência. Quanto aos roubos – até agora não se tem uma ideia exata do rombo - praticados durante seu governo foi omissa, ou não foi competente o suficiente para detectá-los, impedi-los e punir os culpados. Queira ou não a presidente afastada, por mais que insista em posar como mártir, a lenda do "golpe" caminha para a lata de lixo. É absurdo falar em milhões de votos pisoteados, como se expressou o senhor Rui Falcão. Para que um presidente seja afastado, em função de crimes de responsabilidade, precisa primeiro ter sido eleito, e se ganhou as eleições, obviamente, o foi  com milhões de votos. O afastamento, que ainda não ocorreu de forma definitiva, poderá ser imposto por causa da prática de " malfeitos" depois de um ritual discutido e aprovado pelo STF, e transmitido ao vivo. Os que se opuseram ao tal golpe, na concepção da militância petista , da esquerda caviar, e de simpatizantes da presidenta o fizeram livremente, fato que não se verificaria, por exemplo na Venezuela ou Cuba e outras repúblicas bolivarianas. Por sinal, o que é ser bolivariano?

Isso sem falar que boa parte dos milhões de votos antes de serem "pisoteados" foram obtidos vendendo um punhado de mentiras, algumas proferidas na maior cara de pau durante a campanha eleitoral, outras, sustentadas pelas fantasias delituosas, carinhosamente chamadas de pedaladas.
Finalmente, discutir a qualidade dos parlamentares, sem a ironia condescendente de um New York Times, é apenas constatar o óbvio: eles são apenas aquilo que as urnas pariram. Fazer o quê? Seguir o chiste de Berthold Brecht e demitir o povo? Sem abusar do latinório, vale repetir: semelhante cura semelhante ou, como diria Lula: similia similibus curantur.

Alexandru Solomon, formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas, autor de ´´Almanaque Anacrônico´´, ´´Versos Anacrônicos´´, ´´Apetite Famélico´´, ´´Mãos Outonais´´, ´´Sessão da Tarde´´, ´´Desespero Provisório´´, ´´Não basta sonhar´´, ´´Um Triângulo de Bermudas´´, ´´O Desmonte de Vênus´´,(Ed. Totalidade),  ´´Plataforma G´´, ´´Bucareste´´ e ´´ A luta continua´´Â  (Ed. Letraviva). Nas livrarias Cultura e Siciliano. E-mail do autor: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..


Celso Fernandes, jornalista, escritor. Colunista de Moda, TV e Literatura. Assessoria de imprensa. Blog:
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De tanto ver triunfar as nulidades’, exclamou Ruy Barbosa por volta de 1914, ‘...o homem chega a desanimar da virtude’. Naquela época, como hoje, o desânimo se justificava, dizem. Será? Para quem a tarefa de endireitar o mundo parece excessivamente aborrecida, resta o consolo de entender que o que puder ser salvo o será. Dito de outra maneira: Se estiver confuso, confunda os demais e ganhe tempo. Sobretudo, jamais interpele os impostores. Para quê? A credulidade substitui a contestação; o fraco andará a reboque de conceitos que não entende, sempre disposto a amaldiçoar uma verdade em conflito com a crença que acabaram de lhe instilar. Exigir algo de meros títeres subordinados aos próprios instintos é um pensamento utópico e indigesto, já que a injustiça jamais se limitou a gerar um filho único. Quanto à justiça, ela é cega por definição. Importante é deixar sempre um espaço para um recuo, que permita contemplar o todo hostil com um sorriso, mesmo com o risco de saber que, a qualquer momento, poderá virar um ricto. O segredo, se é que existe, é tocar sempre com a ponta dos dedos, roçar sem o compromisso de aprofundar-se, sem provocar a alergia à verdade daqueles que dela se proclamam donos. Ressaltar o mal que se esconde atrás de argumentos traiçoeiros, é, seguramente, uma armadilha ao nosso comodismo, a ser cuidadosamente evitada.

Visto assim, tudo passa a ser mero objeto de escárnio. Não há mais o risco de tombar empunhando a bandeira de um ideal com seu prazo de validade vencido. Aos que imaginam ser esse um caminho para a superficialidade, para a alienação, termo abusivamente presente em debates acalorados, Pascal retrucaria ser importante ter um pouco de tudo e não tudo de alguma coisa. Não é uma receita de vida nem um convite ao alheamento, e sim uma forma menos tensa de examinar o palco da existência, no qual um detalhe irrelevante pode arruinar o mais ambicioso projeto, um toque inoportuno de celular consegue dissipar a aura de um momento mágico, em que, finalmente, ídolos adquirem essa condição, enquanto iluminados pelo jogo de luzes de um diretor experiente, para se desintegrar quando baixa a cortina. O ‘para sempre’ dura no máximo até o fenecer da inútil paixão.

Indiferente a reflexões desse jaez, a sociedade se encarrega de ignorar a imagem tétrica do relógio sem ponteiros de ‘Morangos silvestres’, soterrada pelo advento de inexpressivos relógios digitais. O diálogo encontrou substituto digno no discurso vazio, sem contestação possível, a arenga insossa do ‘vender o peixe’. Tão compacta é a fala que rege a sociedade, que não há espaço para discussão. Aforismos sem valor, e não vale a pena enumerá-los, passam a governar as mentes. Contestar? Por acaso existe a certeza – e se existe, onde é que ela fixou residência? Deve estar perdida entre a teia de Penélope e o vão esforço de Sísifo, entre o ardil e a sentença.

Levar a sério a realidade? Melhor dirigir-lhe um olhar zombeteiro. Será essa a desforra. A pretexto de estarmos vivendo intensamente determinado momento, não faz sentido afirmar ser um instante mais importante do que outro. Não há mais nada de excepcional, inexistem encruzilhadas históricas, a não ser para nós mesmos. Se houver alguma perspectiva inebriante, bastará um olhar irônico para demolir qualquer arcabouço ou dogma, para bagatelizar ao invés de sofrer por conta de males, cuja cura teima em fugir à sabedoria. O caniço pensante precisa, com urgência, aprender a dar de ombros.

Nossa jornada é apenas o atalho para descobrir, algo tardiamente, a inutilidade de ser sério. Os mais nobres sentimentos abdicam da sua solidão majestática ao chocarem-se com o trivial. Entre sermos inconsoláveis cassandras, ou torcer pelo fracasso das nulidades, manter o sorriso é uma medida de sobrevivência. Saída poética, talvez, já que sem sermos poetas, saberemos ser fingidores. Ante a falta de pudor do político, o sorriso do sábio. Isso não irá mudar algo, mas, se não é a solução, proporcionará pelo menos um agradável fim de semana.
E as nulidades? Bem, quantos têm na ponta da língua o nome de quem derrotou Ruy Barbosa nas urnas? Eis a resposta, ainda que disfarçada de pergunta.

Crônica do livro “Sessão da tarde”, Ed. Edicon
 
Alexandru Solomon, empresário, escritor. Formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas, autor de ´Almanaque Anacrônico`, ´Versos Anacrônicos`, ´Apetite Famélico`, ´Mãos Outonais`, ´Sessão da Tarde`, ´Desespero Provisório` , ´Não basta sonhar`, ´Um Triângulo de Bermudas`, ´O Desmonte de Vênus` ´Plataforma G` (Ed. Totalidade), ´Bucareste`  e ´A luta continua` (Ed. Letraviva). Livrarias: Saraiva (www.livrariasaraiva.com.br), Cultura (www.livrariacultura.com.br), Loyola (www.livrarialoyola.com.br), Letraviva (www.letraviva.com.br). | E-mail do autor: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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Percival Puggina (70), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+

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Heriberto Gadê, funcionário aposentado do BB, consultor administrativo/financeiro de empresas e cronista. Blog: heribertogade.blogspot.com/



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