NATAL PRESS

A partir de hoje, clientes Oi que regularizarem suas faturas podem religar seus serviços imediatamente. Como parte de seu processo de transformação digital, a Oi lança a funcionalidade Religar Serviço na área pré-logada do portal de atendimento Minha Oi. Com o Religar Serviço, depois de pagar a conta, o cliente pode reativar seus serviços na hora, sem ter que esperar o pagamento ser compensado e confirmado pela empresa.

Caso o pagamento da conta não seja constatado em sete dias úteis, o serviço será desligado novamente. A reativação, antes solicitada apenas na central de atendimento, está disponível para clientes de telefonia fixa e móvel, banda larga e Oi Total.

Para utilizar o Reativar Serviço, o cliente não precisa de login e senha, apenas necessita acessar a área pré-logada do site (www.oi.com.br/minha-oi), onde vai encontrar também os dados necessários para realizar o pagamento de sua fatura, quais sejam: código de barras, valor a pagar e data de vencimento. É simples e ele pode imprimir, copiar para pagar no site do banco, compartilhar via email ou imprimir para pagar em qualquer canal de pagamento, inclusive casas lotéricas. Este serviço está disponível tanto na área pré-logada do site (desktop) como no aplicativo Minha Oi.

 
Todos os clientes podem acessar sua fatura pelo portal de autosserviços da Oi na internet (www.oi.com.br/minhaoi), o site m.oi.com.br no aparelho celular ou baixando o aplicativo Minha Oi (disponível na Apple Store e no Google Play). No portal, os clientes têm acesso também ao resumo da conta, possibilidade de obter a segunda via, conta detalhada, consulta de saldo, recarga online para qualquer celular Oi, entre outros serviços. Na greve de correios, este serviço e a conta online, na qual o cliente opta por receber sua conta via email, impediram que milhares de clientes ficassem sem acesso à sua conta e permitiram o pagamento da mesma em dia. Os clientes podem ter atendimento de seus reparos 24 horas por dia se baixarem o aplicativo Técnico Virtual, também disponível em Android e IOS.

 
Os clientes também podem solicitar o número do código de barras da fatura, valor da fatura e data de vencimento por meio da central de atendimento telefônico da empresa: 10331 para o Fixo e Banda Larga ou *144 para o móvel. Para garantir maior comodidade, além dessas ferramentas o cliente pode, através do seu banco ou pelo Minha Oi, cadastrar sua conta no serviço de Débito Automático. Clientes do Oi Fixo podem ainda utilizar o serviço de pagamento em lotérica sem a apresentação da fatura, serviço este sujeito a cobrança.

A cidade de Ielmo Marinho vai realizar uma grande festa de São João, entre os dias 22 e 24 deste mês. Promovido pela Prefeitura, o “Ielmo Junino” vai acontecer na praça da sede, com entrada gratuita. Serão 9 atrações, três a cada noite de festa. Na quinta, 22, a animação fica por conta de Pegado, Pode Balançar e Naldinho Ribeiro. Na noite de São João, 23, Circuito Musical, Farra de Rico e Puxado. E pra encerrar os festejos juninos, no dia 24 se apresentam Giannini Alencar, Giullian Monte e Mara Pavanelly.

IELMO JUNINO

Quinta, 22 - Pegado, Pode Balançar, Naldinho Ribeiro
Sexta, 23 - Circuito Musical, Farra de Rico, Puxado
Sábado, 24 - Giannini Alencar, Giullian Monte, Mara Pavanelly
Todos os dias, às 22h, na Praça Pública. ENTRADA GRATUITA!

A Prefeitura do Natal iniciou uma campanha educativa contra o uso de cerol em pipa com o lema “Cerol na pipa mata, é a vida por um fio”. A campanha acontecerá nas escolas, meios de comunicação, igrejas e associações de bairros com a distribuição de material educativo e ações presenciais de orientação.

O objetivo da campanha é conscientizar a população para a não utilização de “cerol” (mistura de caco de vidro e cola) aplicado em linhas de pipas para precaver acidentes. “A campanha tem o caráter de educar, principalmente as crianças e adolescentes que costumam empinar pipas para não usarem material cortante que pode causar lesões graves e até a morte”, afirma o secretário de Comunicação da Prefeitura do Natal, jornalista Heverton de Freitas.

Todo material impresso que será distribuído na rede municipal de educação e nas entidades e associações de bairro alerta para o risco que o uso de material significa para as outras pessoas, mas também  que o uso do cerol é crime e, portanto, quem utiliza esse tipo de material pode sofrer as conseqüências previstas na legislação.

As linhas com cerol são usadas para “cortar” outras pipas, mas são perigosas porque o material cortante pode ferir quem está passando na rua e causam muitos acidentes, principalmente entre motociclistas. De acordo com o motociclista Carlos Ednaldo, o uso de cerol em pipa causa preocupação a quem passa a maior parte do dia sobre uma motocicleta. “Ficamos com medo de perder a vida por uma brincadeira”.

O presidente do Moto Grupo Guardiões da Amizade, Charles Sávio, recebeu a notícia do início da campanha educativa com satisfação. “A campanha é muito bem vista pelos motociclistas do nosso grupo. É desse tipo de iniciativa que precisamos para conscientizar a população e evitar acidentes fatais”, comemorou o presidente.

Recentemente em Natal, um motociclista de 47 anos morreu ao ter a garganta cortada por uma linha de pipa com cerol quando trafegava pela avenida Tocantínea, na Zona Norte, e atravessou o local por volta das oito horas da noite quando foi surpreendido pela linha. O motociclista foi levado a UPA de Pajuçara, mas não resistiu ao ferimento e morreu deixando três filhos.

“Acidentes com vítimas fatais acontecem com frequência Brasil à fora por causa da utilização do cerol, levando sofrimento para muitas famílias. Essa campanha visa proteger a vida das pessoas que se transportam de moto pela cidade”, explicou o propositor da lei, Júlio Protásio.

A Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Norte (DEP-RN) irá encerrar, nesta sexta-feira (02), o prazo de inscrições para o VII Teste Seletivo para estagiários destinado aos estudantes do curso de Bacharelado em Direito. As vagas são para os núcleos de Natal, Parnamirim, Assu, Ceará-Mirim e Nova Cruz. As inscrições podem ser feitas pelo valor de R$ 40,00.

 

Para se inscrever o candidato deve procurar a sede de um dos núcleos da Defensoria com os documentos necessários e ainda apresentar o comprovante de pagamento. O valor para efetuar a inscrição deverá ser pago através de deposito identificado na conta definida pelo Edital. Confira o edital completo 

 

AQUI.

 

Somente poderão participar candidatos que comprovarem, à época da convocação, estarem cursando o 3°, 4º ou 5º ano do curso de Direito, ou semestre equivalente. O estágio tem duração máxima de 02 anos. A bolsa mensal de complementação educacional é de um salário mínimo.

Ter a oportunidade de subir num palco e cantar para dezenas, centenas ou quem sabe até milhares de pessoas é o que move a história de quem está começando no universo da música. No entanto, é difícil encontrar quem dê a oportunidade de dar o primeiro passo.

Com a intenção de apoiar sonhos e incentivar talentos, o Partage Norte Shopping criou o concurso “Solte a Voz”, que busca encontrar um grande cantor escondido na multidão para mostrar o seu potencial.

Depois de centenas de inscrições, várias seletivas e uma semifinal de tirar o fôlego, nesta terça (09), a partir das 19h, a Praça de Alimentação do empreendimento receberá a grande final deste concurso que conquistou corações e mostrou que tem muita gente boa esperando a oportunidade de mostrar o seu talento.

Com apresentações que levantaram o público e conquistaram os jurados, Bruno Cruz, Ariadne Mendes, Elayne Lima, Wisla Ferreira e Allyson Lins foram os escolhidos e ficaram mais perto de realizar esse sonho.

O campeão do “Solte a Voz” ganhará um iPhone 7 e terá uma música reproduzida na rádio 96 FM; o segundo colocado, um Moto G4; e o terceiro, um LG Style.

 

Serviço:

Show de Talentos “Solte a Voz” - Final

Data: 09 de maio de 2017;

Horário: A partir das 19h;

Entrada: Gratuita;

Local: Praça de alimentação do Partage Norte Shopping Natal.



           É impossível negar o que todos constataram. No último dia 28 ocorreu no Brasil uma rebelião de sindicalistas que, mediante um sem número de ações criminosas, impediram o ir e vir dos cidadãos. Convém, a propósito, ler o disposto no Código Penal sobre crime de constrangimento ilegal:

Art. 146 - "Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, (...) a não fazer o que a lei permite, ou a fazer o que ela não manda. Pena – detenção, de três meses a um ano, ou multa". A pena se agrava quando, para a execução do crime, se reúnem mais de três pessoas.

          Ora, em muitos casos havia mais pneus queimando do que delinquentes praticando o crime de constrangimento ilegal. Mas, visivelmente, sempre eram mais de três a pôr fogo na pista, com a finalidade de impedir a população de fazer o que a lei permite. A necessidade de ostentar como adesão à greve aquilo que foi o seu inverso, ou seja, a paralisia forçada de um sem número de atividades, incluiu a reiterada prática de uma outra conduta criminosa capitulada no Código Penal:

Art. 163 - "Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia. Pena - Detenção de um a seis meses ou multa". Uma das hipóteses de agravamento da pena se refere, especificamente, ao dano causado em patrimônio público.

          Convocaram a greve geral com voz de gente grande, como expressão de uma eminente tarefa, mas se comportaram qual marmanjos incivilizados. Como pretende essa esquerda voltar ao poder se nem uma greve assim é capaz de realizar? O evento foi do esmero do planejamento à selvageria da execução. A data, escolhida a dedo na folhinha: sexta-feira, véspera de feriadão. O Brasil já estaria em slow motion natural, com milhões de brasileiros na malemolência da beira da praia, sob o sol dos trópicos. Passo seguinte, cometeram duas nítidas incongruências: 1ª)  terceirizaram, a soldo (a CUT terceirizando!), contratando ações de fechamento de rodovias, avenidas, pontes, ferrovias; e 2ª) buscaram, à base de "miguelitos" e queima de ônibus,  o objetivo principal do desastrado empreendimento - a paralisia forçada do transporte de passageiros. Tudo em nome da liberdade de manifestação. Tudo em nome do butim de R$ 2,1 bilhões referentes à contribuição sindical compulsória.

          "E o povo?", perguntará o leitor destas linhas. O povo não conseguiu chegar aos hospitais ou comparecer a consultas médicas. O povo ficou parado nos congestionamentos forçados, impedido de cumprir tarefas e honrar compromissos. O povo indignou-se com o constrangimento a que estava submetido. O povo sabia que seus detratores, nutridos com os direitos que lhe tomavam, arrotavam sucesso nos megafones.

          De toda aquela atrapalhação não se aproveitou um discurso, não surgiu uma ideia útil para as reformas, nada aconteceu que conferisse substância e força aos que as antagonizavam. O fracasso da greve geral se mede pelos milhares de vezes, Brasil afora, que o Código Penal foi violado para que a rebelião dos sindicalistas se tornasse visível.

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* Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.

Neste sábado (22) é celebrado o Dia Mundial da Terra e o Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte, em parceria com astrônomos e pesquisadores potiguares, vai marcar a data com palestras, caminhada e observações astronômicas, a partir das 14 horas, dentro do projeto “Astronomia no Parque”. O evento é gratuito e, de acordo com os organizadores, é apartidário.

A data será celebrada com a “Marcha pela Ciência”, realizada, simultaneamente, em 500 cidades de todo o mundo (sendo 13 do Brasil) e Natal não ficará de fora. Os participantes pretendem chamar a atenção da sociedade para os cortes de investimento público na área da ciência e da tecnologia em todo o mundo e promover a aproximação entre os pesquisadores e a população. O centro do movimento será a cidade de Washington, DC, nos Estados Unidos.

Em Natal, a “Marcha pela Ciência” é organizada pelo Prof. Julio Rezende, do Departamento de Engenharia da Produção da UFRN e Diretor de Inovação da Fundação de Apoio à Pesquisa do Rio Grande do Norte (FAPERN) com o apoio do Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte (SEMURB/Prefeitura do Natal), do site Astronomia no Zênite (www.zenite.nu) e da ONG internacional “The Planetary Society” (www.planetary.org). “A ciência é um dos valores centrais da sociedade. Marcharemos pela Ciência para apoiar e salvaguardar toda nossa comunidade científica. É hora de contar com as pessoas que apoiam essa causa”, afirmou o americano Bill Nye, Diretor Executivo da Planetary Society.

O Dia Mundial da Terra foi criado pelo ativista ambiental e senador americano Gaylord Nelson, um dos principais precursores da luta pela preservação do meio ambiente na política dos Estados Unidos. Ele foi um dos organizadores da manifestação sobre o tema que aconteceu em 22 de abril de 1970 e entrou para a história dos movimentos ecológicos. Porém, a data só foi criada pela ONU em 2009.

A programação completa contará com atividades na UFRN no período da manhã e um ciclo de palestras a partir das 14h no auditório do Parque da Cidade. A Marcha acontecerá a partir das 16:30 na trilha do Sistema Solar do Parque da Cidade. O evento encerrará com a observação do céu por meio do telescópio, montado na Praça de Eventos.

PROGRAMAÇÃO

14h – Abertura: “Astronomia no Parque Especial: a Marcha da Ciência e o Dia da Terra”

14h10 – Palestra “O Dia da Terra e as inovações em práticas de sustentabilidade”, com o Prof. Júlio Rezende (Engenharia da Produção, UFRN).

14h40 – Palestra “Implicações Jurídico-Ambientais da Revisão do Plano Diretor de Natal: Propostas, Desafios e Instrumentos", com o Prof. Carlos Sérgio Gurgel da Silva.

15h30 – Palestra "Green Schools como sistema integrado de avaliação da sustentabilidade construtivo-arquitetônica em projetos de instituições de ensino localizadas no litoral do nordeste brasileiro", com Fernanda Azevedo.

16h30 – Marcha pela Ciência, na trilha do Sistema Solar do Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte.

17h15 – Observação do céu com telescópio.

Era preciso encontrar um assunto. Depois de meses em busca de algo mais concreto do que eventuais bicos, havia conseguido enfim uma bela posição no principal jornal da cidade. Além de coordenador da seção de esportes, era também responsável por uma coluna diária de crônicas.

O começo tinha sido muito animador e produzira vários textos muito bons na opinião dos colegas, dos leitores e das suas admiradoras, a sua mãe e a sua esposa. Lembrava ainda que, na empolgação inicial, conseguira criar um verdadeiro seguro contra possíveis imprevistos, escrevendo algumas crônicas além da obrigação diária. Em alguns dias especialmente produtivos, tinha escrito entre três e quatro matérias. Assim, a menos que algum assunto especial demandasse um comentário, podia tranquilamente procurar no seu estoque algum material, todas as vezes que houvesse deserção por parte da sua inspiração, em geral presente aos encontros marcados. Aos poucos, a situação passou a se inverter, dias estéreis alternavam-se com dias produtivos, e as reservas minguaram, tragadas pela necessidade da publicação diária da coluna, confrontada com uma produção que de fecunda estava passando a irregular.

De confortável, a situação havia se tornado crítica naquela quinta-feira.

Era preciso conseguir a qualquer custo honrar o seu compromisso, e não tinha a mais remota ideia do que seria a crônica que estaria sendo impressa dentro de algumas horas.

Restava-lhe muito pouco tempo, e estava aterrorizado com a perspectiva de, pela primeira vez, falhar no compromisso. Eles não iriam republicar uma crônica antiga, não havia a menor chance de que isso acontecesse. Provavelmente dentro de menos de uma hora, a página seria rediagramada, sem a sua coluna, apareceria uma observação do tipo “por motivos de força maior, hoje deixamos de publicar a coluna Caleidoscópio”.

Imaginava as explicações que teria de dar, e sentia-se como um colegial em falta.

Estava no canto da sala transformado em escritório, remexendo-se sem parar na sua cadeira, em frente à mesa, com o microcomputador ligado, uma pilha de revistas juncando o chão em sua volta, o cinzeiro cheio de tocos de cigarro, um copo de uísque no qual nadavam cubos de gelo em adiantado estado de decomposição, e de lá lançava um olhar suplicante ao teto, em busca de alguma ajuda.

Para variar, o teto pouco contribuiu, além de insi¬nuar estar necessitando de algum trato.

Precisaria de um produto que limpasse “mais branco”, pois agora o teto estava “menos branco”, estava cinza, cinza como o céu no poema de Verlaine, só não caíam pingos de chuva no seu coração como caíam na cidade.

As crianças já deviam estar dormindo. A esposa estava no quarto de onde vinha o murmúrio confuso de um programa de televisão.

Aquilo era irritante. Havia pedido tantas vezes que o volume da televisão fosse deixado alto o suficiente para poder acompanhar as falas, ou baixo a ponto de não perturbar. Aquele burburinho somente servia para aguçar-lhe a curiosidade, tirando completa¬mente sua concentração.

Procurou a garrafa térmica em cima da pequena bandeja, apanhou uma xícara e colocou café para rebater o torpor causado pelo uísque. O espetáculo da mesa de trabalho nada tinha de animador. Reinava a mais completa desordem: a bandeja de café, recoberta com fórmica, com uma parte enegrecida devido a uma desastrada proximidade com a chama do fogão, o cin¬zeiro repleto, o bloco de anotações aberto, o copo cheio de lápis e canetas Bic, na sua maioria sem tampinha protetora, alguns disquetes, evadidos sabe-se lá como de uma das caixas que compunham uma pirâmide quase asteca, a indefectível foto de família numa moldura provida de um vidro protetor. No espaço entre o vidro e a moldura, uma foto três por quatro do filho mais velho, para a renovação da car¬teira do clube, e uma conta de luz a pagar. Uma agenda, da qual emergiam papeluchos com pequenas anotações, aberta e virada com a capa para cima e, finalmente, a pequena impressora, esperando pacien¬temente que seus préstimos fossem solicitados.

Levantou-se e deu alguns passos pela sala. Somente a mesa recebia o facho de luz de uma lumi¬nária embutida no teto, o resto do ambiente estava mergulhado numa penumbra discreta.

Sentou-se numa poltrona e fitou o cone de luz no qual notava a subida de uma coluna de fumaça que um cigarro mal apagado lançava ao ar. Com os pés em cima da mesinha de centro, continuou imóvel, mastigando a extremidade de um lápis que, através deste processo, estava começando a se parecer com um pincel. Lembrou-se de broncas passadas por ter ficado com os pés em cima da mesa, desfez-se dos sapatos com movimentos tão bruscos que foram parar no meio da sala. Precisaria tomar cuidado, ao ir dormir, para não tropeçar neles e se esborrachar. Mas isto era uma preocupação para o “depois”. Imaginou por um momento o tropeção, o estalo da cabeça chocando-se com a quina do pequeno baú, o desmaio, o ruído da sirene da ambulância, pessoas atarefadas ao seu redor, tentando reanimá-lo.

– É grave, doutor? – a voz preocupada da esposa, misturando-se ao choro das crianças.

– Não sabemos ainda, será necessário um período de observação, uma tomografia, uma radiografia, uma ressonância magnética. Tem de ser internado imediatamente. Vocês têm um plano de seguro saúde? Qual? Ah, este não cobre a totalidade dos exames. É o Completo Júnior, mas só o Absoluto Estrela cobre todos os exames. Estou apenas alertando, porque no hospital poderá haver dificuldades.

– Mas como? Sempre nos foi dito que a cobertura era completa, vamos aos jornais, ao rádio, à televisão, ao Procon, ao Ministro. Para que seguro, então?

– Vamos tentar salvá-lo primeiro, minha senhora. Ele perdeu muito sangue.

– Justo no carpete novo...

– Não se preocupe – era a vizinha do andar de cima – tenho um produto que remove todas as manchas, posso lhe ceder, e depois, quando tiver tempo, venha participar de uma reunião do nosso grupo que distribui o produto. Além de ter a casa limpa, poderá ainda alcançar o conforto material. É a solução, dizia, apontando para um pequeno distintivo espetado na lapela de um paletó, colocado por cima do pijama, na pressa de acudir. Presumivelmente, o paletó do marido.

– Deixe a pregação para depois, veio a voz abafada do marido.

– Está chovendo lá fora...

Carregado na maca, o elevador, os curiosos em volta da ambulância e a sensação refrescante da chuva no seu rosto.

– Abre, sai da frente, deixem passar!

A saída em disparada. Pelo vidrinho da porta traseira, via a esposa correndo atrás da ambulância. Parecia filme italiano dos anos sessenta, faltavam os gritos “Il mio marito!!!”

O hospital, os médicos mascarados, a maca deslizando pelo corredor.

Sacudiu a cabeça. Estava divagando. Não tinha acontecido tombo algum. E o melhor de tudo havia encontrado. Heureca! Não teve de sair da banheira correndo, qual Arquimedes. Bastou dirigir-se para a mesa, tomando cuidado para não tropeçar em algum pérfido sapato.

Começou a escrever febrilmente.

Tropeçou, ouviu-se o estalo da cabeça chocando-se com a quina do pequeno baú...

 

Alexandru Solomon, empresário, escritor. Formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas, autor de ´Almanaque Anacrônico`, ´Versos Anacrônicos`, ´Apetite Famélico`, ´Mãos Outonais`, ´Sessão da Tarde`, ´Desespero Provisório` , ´Não basta sonhar`, ´Um Triângulo de Bermudas`, ´O Desmonte de Vênus` ´Plataforma G` (Ed. Totalidade), ´Bucareste`, ´A luta continua` e ´A Volta´ (Ed. Letraviva). Livrarias: Saraiva (www.livrariasaraiva.com.br), Cultura (www.livrariacultura.com.br), Loyola (www.livrarialoyola.com.br), Letraviva (www.letraviva.com.br). | E-mail do autor: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

No Turcomenistão
 
Caixa dois
 
Lucy estava muito agitada, prova disso as repetidas investidas contra a geladeira do CIL. (centro de integração da Lucy). Quem é Lucy? – perguntará alguém. Ora, ora, agora vão perguntar também quem é Ababurtinogamerontes. Sorry, periferia, não pretendo repetir conceitos, significados e significantes. Leiam meu livro A Volta. Como? Nunca ouviram falar nele? Decididamente, não sei se vale a pena continuar, mas como vivo disso, sei que devo fazer algumas concessões. Voltemos à Lucy e seu estado de inquietação.
Tudo isso fora motivado pela frase de seu orientador:
- Lucy, precisa preparar seu TCC.
- Não quero me misturar com organizações interlopes.
- Eu disse TCC, não PCC, doce fóssil. Trabalho de conclusão de curso. Seu estágio está no fim e falta apenas esse remate. Sobre o que versará seu trabalho?
- Pensei escrever algo a respeito de fontes não convencionais de financiamento em uso no Turcomenistão.
- Excelente ideia. Suas anotações feitas durante a viagem serão de extrema valia. Vamos discutir um pouco, antes de você me apresentar um esboço do seu trabalho.
- Eu começaria discorrendo um pouco sobre as marcenarias daquele país e suas limitadas capacidades de produção.
- Poderia explicar melhor.
- Fiquei surpresa ao saber que o ‘output’ se limita apenas a duas unidades produzidas: caixa um e caixa dois. Falta diversificação, escala produtiva, espírito animal dos empreendedores locais,
- Não se precipite, e, na medida do possível evite diagnósticos apressados, que motivarão uma apreciação desfavorável por parte da comissão julgadora.
- Certo, mestre. Creio que devo refrear essa tendência de colocar rótulos em tudo.
- Lucy, vamos aos prolegômenos.
- Obedeço. Pretendo fazer uma abordagem pouco convencional, invertendo a ordem numérica dos produtos. Ou seja, iniciarei com algumas considerações preliminares a respeito da segunda caixa, a caixa dois. E, como trabalho definitivo, pretendo intitulá-lo “Uma introdução à caixologia”
- Pegou o espírito da coisa. 87,4% das teses são introduções. Apenas um reparo, é o caixa dois, Lucy!
- Estranho, bizarro, extravagante! Essas mudanças de gênero me deixam confusa, mas magister dixit – o mestre falou. Só para firmar a noção existem O caixa e A caixa, certo? Algo a ver com o tal de epiceno? Caixa-macho e caixa-fêmea?
- O assunto que escolheu versará sobre o macho.
- Tomara que não ganhe a pecha de discriminatório.
- Colocaremos notas explicativas para explicar isso.
- Mestre, explicativas explicando, que feio esse misto de colisão com tautologia!
- Bravo, Lucy! Receio que estejamos divagando. Vamos seguir seu roteiro e comecemos pelo caixa dois. Sugiro que conceitue o conceito;
- De novo, mestre?
- Foi para verificar se estava prestando atenção.
- Uma definição brilhante, magistral até, foi dada por um discípulo de Diógenes: trata-se de recursos não contabilizados. É um produto de marcenaria contábil, digamos assim. Quando uma empresa forma caixa dois? Quando, lassa de ortodoxia, vende sem nota ou quando paga valores inferiores ao oficialmente combinado.(com saída de caixa legitima e retorno a cargo da imaginação do infrator – no caso, são dois: o que paga menos e o que finge que recebeu o devido - maleta de dinheiro, carrinho de feira etc.).
- Lucy, você pode mencionar também sacolas e cuecas, Precisa ilustrar numericamente o segundo caso. A empresa compra um item, por exemplo um prendedor de gravata, recebe a fatura de 100, paga 37,50 e o vendedor fica satisfeito. A diferença é um dinheiro órfão. O prendedor ajudará a prender, se me passa essa.
- No caso dos financiamentos de campanhas eleitorais, as Picarechts da vida não faziam caixa dois a partir do superfaturamento como muitos foram induzidos a pensar. Não, Não três vezes Não. Superfaturamento é uma safadeza combinada entre corrupto e corruptor para pagar valores maiores do que uma obra ou serviço valem. Uma ponte sobre o rio Amu Darya cujo valor normal seria um milhão de Manats é faturada por dois milhões de manats.
- Manats, Lucy?
- É a moeda do Turcomenistão. Com sua permissão, prossigo. Esse valor entra no caixa da empreiteira, (recurso contabilizado), sendo consequência de um acordo de toma lá, dá pro papai em troca de qualquer “ bobagem” ( garantia de novos contratos, com ou sem formação de cartel etc.) e saída, claro, de uma grana para campanha, ou para algum mimo, simplex, algemas de ouro com brilhante, anel, entradas para shows de musica sertasneja etc.
- De fato,é uma safadeza, mas não é caixa dois. É dinheiro resultante de algo combinado. Tudo em ‘ordem’. Lucy, de onde tirou esse saber, ontem ainda mal sabia desenhar seu nome! Posso acrescentar que na visão do ETT –Extremo tribunal do Turcomenistão, esse dinheiro caracteriza corrupção. Continue.
- Para dar uma saída propínica as empresas tinham de se virar de alguma forma. Contratos fajutos com papelarias inexistentes, com cervejarias amigas, com promoção de eventos culturais como, por exemplo, camelejadas. Certo? Aí, sim, não pagavam o combinado e a papelaria do Zé faxineiro falecido ou inexistente tinha a sua contabilidade arrebentada. Follow the Money – sigas o dinheiro- e isso não deve ser tão complicado. Se um partido gastou na campanha mais do que recebeu oficialmente, aí temos , sim, caixa dois. Mas as empresas podiam ter doado dinheiro do caixa (contabilizado) fruto de simpatia, extorsão ou alinhamento político sait-on jamais. vá saber.
Entendo perfeitamente a lógica cínica de quem possa afirmar caso a aparência de sua contabilidade seja limpa: Minha campanha não foi financiada com caixa dois. O “ingênuo” beneficiário dos mimos, sabe que favoreceu uma empreiteira, mas o ( mais ingénuo ainda) tesoureiro da campanha recebe um dinheiro quente e não há TSE que , pelo cheiro do cheque, TED ou outro instrumento, possa identificar (oficialmente) a origem malsã da doação. Pecunia non olet, dinheiro (mesmo sujíssimo) não possui cheiro já disse o imperador Vespasiano, fazendo alusão a um imposto sobre latrinas. Haverá a convicção do procurador, NÂO haverá prova. E mesmo que a empresa doadora use um recurso não contabilizado, como poderá alguém ser acusado de conhecer a origem impura dos recursos? Nesse ponto a segunda turma do Extremo tende a considerar que contabilizado ou não, há corrupção. Esse estribilho, se musicado, poderá dar uma bela marchinha carnavalesca em Ashgabat – capital do Turcomenistão. Contabilizado ou não, há corrupção (bis)
Daí, surgem protestos: Tudo que recebi foi dinheiro que registrei no tribunal eleitoral. Não só no tri, mas também no tetrabunal, (Podem delatar ad nauseam, o beneficiário dirá que para ele foi tudo legal. O advogado do delatado baterá nessa tecla até a morte. Se, contudo, o dinheiro foi para o iraniano, o belga, ou o italiano. o suíno fêmea torce a extremidade da coluna vertebral. Se foi caixa dois ou caixa N é crime. O popular batom na cueca.
- Lucy, você está indo bem, mas evite essas expressões de péssimo gosto. O rigor analítico fica tisnado por esses tabuísmos.
- Claro que houve um acerto anterior, que a ponte ou o estádio custou à viúva mais do que uma concorrência limpa acarretaria, e se não foi o suficiente para aplacar a fome, para que existem os aditivos de contratos? Mas esse ‘detalhe’ , mesmo se confessado, poderá no máximo (ironia) deslustrar a figura do político corrupto e do Empreiteiro beneficiado posteriormente. A empresa retribuiu porque quis (ou foi no fio da moustache), o contraventor Friend, Mercado, Gato Persa etc., se recebeu foi através de pagamento a laranja, ou outra fruta cítrica que repassou, mas a grana está em algum lugar seja ele móvel ou imóvel ou conta em paraíso fiscal. Ou se evaporou através de pagamentos sem comprovação. O partido X pagou ao marqueteiro Y e nenhum dos dois declarou. Ou terá sido empregado bitcoin?
Resumindo: o financiamento de campanha não é (em geral) produto de caixa dois, foi produto de “operação estruturada” que beneficiou terceiros que repassaram a bufunfa- mordendo um pouco, pois não há sistema sem perdas, não é mesmo? É a segunda lei da Termodinâmica!
Não existe caixa dois benigno ou maligno! Se me passa a tautologia, caixa dois é caixa dois, - e vice-versa. Pode haver repasse de grana ganha indevidamente. Isso não é caixa dois. Pode haver repasse de grana lavada – e secada – e se quiser chamar de caixa dois, it´s up to you, como diria Shakespeare dirigindo-se a Oscar Wilde. Com o risco de me tornar inconvenientemente repetitiva reafirmo: Se a empreiteira X ganhou uma concorrência por um preço absurdo – vivam os carteis- o ‘plus a mais’ é dinheiro contabilmente limpo, embora moralmente sujo. O caixa dois surge quando o departamento especializado contrata uma empresa de lanches por 1000 e paga só 100, resultando 900 , agora sim, caixa dois. Ou financia nas mesmas condições um show, uma corrida de lesmas etc.etc.etc..
Estou indo bem, professor?
- Considero você bem papuda.
 
Alexandru Solomon, empresário, escritor. Formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas, autor de ´Almanaque Anacrônico`, ´Versos Anacrônicos`, ´Apetite Famélico`, ´Mãos Outonais`, ´Sessão da Tarde`, ´Desespero Provisório` , ´Não basta sonhar`, ´Um Triângulo de Bermudas`, ´O Desmonte de Vênus` ´Plataforma G` (Ed. Totalidade), ´Bucareste`, ´A luta continua` e ´A Volta´ (Ed. Letraviva). Livrarias: Saraiva (www.livrariasaraiva.com.br), Cultura (www.livrariacultura.com.br), Loyola (www.livrarialoyola.com.br), Letraviva (www.letraviva.com.br). | E-mail do autor: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Carnaval
 
Como sempre, o deus Cronos brinca com a ampulheta.
Descobrimos um remédio, batizamos um cometa,
E cansados dessa vida, desse monte de misérias,
Decidimos dar um basta e tiramos umas férias.
 
Uma fuga, um subterfúgio ou será escapadela?
Para todos os efeitos , ele fica longe dela.
Céus , que será do mundo com o meu afastamento?
Pois garanto: Desprezível será todo seu tormento.
 
Cessará tudo que é guerra e se instaurará a trégua?
Sobre todos os pecados alguém passará a régua?
Ou como diria Dante do Inferno ao Paraíso,
Haverá um só caminho e seria seu sorriso?
 
Desde quando um feriado conseguiu esse poder?
Logo chega a quarta feira e o tempo de sofrer.
A folia implantada sob momesco patrocínio
Só reforça o pessimista e amargo vaticínio.
 
É um tríduo marcante, uma doce fantasia,
A miséria por instantes dá a vez à poesia.
Se o frevo entusiasta levantou toda poeira,
Ela logo se assenta, a partir da quarta feira.
 
Por saber que tudo é sonho, brincadeira dos sentidos,
Uns e outros aproveitam os momentos divertidos
E procuram, quando muito, prolongar a ilusão.
Erra quem se acomoda e prefere a inação.
 
Ao diabo a compostura e as tolas convenções.
Carnaval é carne vale, o recanto das paixões.
Um Pierrô desempregado dá adeus ao sossego,
Sobra tempo o ano todo para a busca do emprego.


 
*Do livro ´´Desespero Provisório``, Ed. Edicon.

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Percival Puggina (70), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+

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Heriberto Gadê, funcionário aposentado do BB, consultor administrativo/financeiro de empresas e cronista. Blog: heribertogade.blogspot.com/



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