NATAL PRESS

 

Por Cinthia Moreno*

 

 

 

Definida pela Associação Internacional para Estudo da Dor como uma experiência sensitiva e emocional desagradável, associada ou relacionada à lesão real ou potencial dos tecidos, algumas vezes a dor é o primeiro sintoma do câncer. Ela também pode surgir em conseqüência de exames invasivos, do tratamento, complicações pós-operatórias ou gravidade da doença, como o surgimento de metástases. A presença de dor pode causar insônia, diminuição ou perda do convívio social, restrição ao leito que, por sua vez, pode comprometer a amplitude de movimento (ADM) das articulações, o condicionamento físico, a força e a extensibilidade muscular.

 

A maioria das pessoas acredita que a dor de quem tem câncer é terrível e incontrolável, mas há muitas formas de amenizar a dor, principalmente, quando é avaliada e tratada adequadamente. A Fisioterapia tem recursos específicos que podem não só controlar ou reduzir a dor, mas também contribuir para a diminuição do uso de analgésicos e, consequentemente, seus efeitos colaterais.

 

A estimulação nervosa elétrica transcutânea (TENS) é uma das modalidades utilizadas. A corrente elétrica produzida consegue impedir que as informações de dor sejam transmitidas ao cérebro e estimula a liberação de opioides endógenos (analgésicos naturais) como as endorfinas. Outra modalidade utilizada é a crioterapia (aplicação local de compressas de gelo) que diminui o fluxo sanguíneo, o inchaço e reduz a velocidade de condução do nervo que leva os estímulos de dor ao cérebro. Técnicas de massagem podem ser utilizadas para promover relaxamento muscular e conforto. Todos os recursos para diminuir a dor são utilizados também em cuidados paliativos, quando não se tem possibilidade terapêutica de cura e o objetivo principal é promover conforto e qualidade de vida.

 

Pacientes com dores decorrentes do desuso ou repouso no leito tem melhora considerável através do exercício físico, melhorando também a ADM, resistência, forca muscular e padrão de marcha (caminhada).

As crianças e adolescentes com câncer que são atendidos no setor de fisioterapia da Casa Durval Paiva são beneficiadas com todos esses recursos para tratar e aliviar as dores e ainda são orientados a tomar medidas preventivas para que não tenham piora do quadro doloroso.

            Também podemos “desviar a atenção” de crianças com dor usando brinquedos, jogos, desenhos e contando histórias para proporcionar um momento de diversão e bem estar. O fisioterapeuta, integrantes da equipe multidisciplinar e familiares que cuidam de crianças e adolescentes com câncer devem ter atenção e valorizar (sem potencializar) as queixas dolorosas, para tomar medidas efetivas visando diminuir a dor e, acima de tudo, melhorar a qualidade de vida.

 

*Fisioterapeuta – Casa Durval Paiva

CREFITO 83476-F

 

Categoria médica do estado, insatisfeita com as declarações do Ministro da Saúde, Ricardo Barros, resolveu exigir respeito e dignidade para a profissão e adere ao ato nacional #RESPEITOAOMÉDICO, que acontece hoje (3).

A mobilização acontece hoje com concentração às 15h no Sinmed RN, em seguida os médicos saem em caminhada com destino final no Conselho Regional de Medicina do RN (CREMERN).

“Estamos em defesa da categoria médica e, diferente do que afirmou o Ministro, também temos compromisso com a sociedade e com a melhoria do SUS”, afirmou Geraldo Ferreira, presidente do Sinmed RN, sobre a mobilização.

Participam do ato o Sindicato dos Médicos do RN, o Conselho Regional de Medicina do RN e a Associação Médica do RN.

A partir de hoje, clientes Oi que regularizarem suas faturas podem religar seus serviços imediatamente. Como parte de seu processo de transformação digital, a Oi lança a funcionalidade Religar Serviço na área pré-logada do portal de atendimento Minha Oi. Com o Religar Serviço, depois de pagar a conta, o cliente pode reativar seus serviços na hora, sem ter que esperar o pagamento ser compensado e confirmado pela empresa.

Caso o pagamento da conta não seja constatado em sete dias úteis, o serviço será desligado novamente. A reativação, antes solicitada apenas na central de atendimento, está disponível para clientes de telefonia fixa e móvel, banda larga e Oi Total.

Para utilizar o Reativar Serviço, o cliente não precisa de login e senha, apenas necessita acessar a área pré-logada do site (www.oi.com.br/minha-oi), onde vai encontrar também os dados necessários para realizar o pagamento de sua fatura, quais sejam: código de barras, valor a pagar e data de vencimento. É simples e ele pode imprimir, copiar para pagar no site do banco, compartilhar via email ou imprimir para pagar em qualquer canal de pagamento, inclusive casas lotéricas. Este serviço está disponível tanto na área pré-logada do site (desktop) como no aplicativo Minha Oi.

 
Todos os clientes podem acessar sua fatura pelo portal de autosserviços da Oi na internet (www.oi.com.br/minhaoi), o site m.oi.com.br no aparelho celular ou baixando o aplicativo Minha Oi (disponível na Apple Store e no Google Play). No portal, os clientes têm acesso também ao resumo da conta, possibilidade de obter a segunda via, conta detalhada, consulta de saldo, recarga online para qualquer celular Oi, entre outros serviços. Na greve de correios, este serviço e a conta online, na qual o cliente opta por receber sua conta via email, impediram que milhares de clientes ficassem sem acesso à sua conta e permitiram o pagamento da mesma em dia. Os clientes podem ter atendimento de seus reparos 24 horas por dia se baixarem o aplicativo Técnico Virtual, também disponível em Android e IOS.

 
Os clientes também podem solicitar o número do código de barras da fatura, valor da fatura e data de vencimento por meio da central de atendimento telefônico da empresa: 10331 para o Fixo e Banda Larga ou *144 para o móvel. Para garantir maior comodidade, além dessas ferramentas o cliente pode, através do seu banco ou pelo Minha Oi, cadastrar sua conta no serviço de Débito Automático. Clientes do Oi Fixo podem ainda utilizar o serviço de pagamento em lotérica sem a apresentação da fatura, serviço este sujeito a cobrança.

A cidade de Ielmo Marinho vai realizar uma grande festa de São João, entre os dias 22 e 24 deste mês. Promovido pela Prefeitura, o “Ielmo Junino” vai acontecer na praça da sede, com entrada gratuita. Serão 9 atrações, três a cada noite de festa. Na quinta, 22, a animação fica por conta de Pegado, Pode Balançar e Naldinho Ribeiro. Na noite de São João, 23, Circuito Musical, Farra de Rico e Puxado. E pra encerrar os festejos juninos, no dia 24 se apresentam Giannini Alencar, Giullian Monte e Mara Pavanelly.

IELMO JUNINO

Quinta, 22 - Pegado, Pode Balançar, Naldinho Ribeiro
Sexta, 23 - Circuito Musical, Farra de Rico, Puxado
Sábado, 24 - Giannini Alencar, Giullian Monte, Mara Pavanelly
Todos os dias, às 22h, na Praça Pública. ENTRADA GRATUITA!

A Prefeitura do Natal iniciou uma campanha educativa contra o uso de cerol em pipa com o lema “Cerol na pipa mata, é a vida por um fio”. A campanha acontecerá nas escolas, meios de comunicação, igrejas e associações de bairros com a distribuição de material educativo e ações presenciais de orientação.

O objetivo da campanha é conscientizar a população para a não utilização de “cerol” (mistura de caco de vidro e cola) aplicado em linhas de pipas para precaver acidentes. “A campanha tem o caráter de educar, principalmente as crianças e adolescentes que costumam empinar pipas para não usarem material cortante que pode causar lesões graves e até a morte”, afirma o secretário de Comunicação da Prefeitura do Natal, jornalista Heverton de Freitas.

Todo material impresso que será distribuído na rede municipal de educação e nas entidades e associações de bairro alerta para o risco que o uso de material significa para as outras pessoas, mas também  que o uso do cerol é crime e, portanto, quem utiliza esse tipo de material pode sofrer as conseqüências previstas na legislação.

As linhas com cerol são usadas para “cortar” outras pipas, mas são perigosas porque o material cortante pode ferir quem está passando na rua e causam muitos acidentes, principalmente entre motociclistas. De acordo com o motociclista Carlos Ednaldo, o uso de cerol em pipa causa preocupação a quem passa a maior parte do dia sobre uma motocicleta. “Ficamos com medo de perder a vida por uma brincadeira”.

O presidente do Moto Grupo Guardiões da Amizade, Charles Sávio, recebeu a notícia do início da campanha educativa com satisfação. “A campanha é muito bem vista pelos motociclistas do nosso grupo. É desse tipo de iniciativa que precisamos para conscientizar a população e evitar acidentes fatais”, comemorou o presidente.

Recentemente em Natal, um motociclista de 47 anos morreu ao ter a garganta cortada por uma linha de pipa com cerol quando trafegava pela avenida Tocantínea, na Zona Norte, e atravessou o local por volta das oito horas da noite quando foi surpreendido pela linha. O motociclista foi levado a UPA de Pajuçara, mas não resistiu ao ferimento e morreu deixando três filhos.

“Acidentes com vítimas fatais acontecem com frequência Brasil à fora por causa da utilização do cerol, levando sofrimento para muitas famílias. Essa campanha visa proteger a vida das pessoas que se transportam de moto pela cidade”, explicou o propositor da lei, Júlio Protásio.

A Defensoria Pública do Estado do Rio Grande do Norte (DEP-RN) irá encerrar, nesta sexta-feira (02), o prazo de inscrições para o VII Teste Seletivo para estagiários destinado aos estudantes do curso de Bacharelado em Direito. As vagas são para os núcleos de Natal, Parnamirim, Assu, Ceará-Mirim e Nova Cruz. As inscrições podem ser feitas pelo valor de R$ 40,00.

 

Para se inscrever o candidato deve procurar a sede de um dos núcleos da Defensoria com os documentos necessários e ainda apresentar o comprovante de pagamento. O valor para efetuar a inscrição deverá ser pago através de deposito identificado na conta definida pelo Edital. Confira o edital completo 

 

AQUI.

 

Somente poderão participar candidatos que comprovarem, à época da convocação, estarem cursando o 3°, 4º ou 5º ano do curso de Direito, ou semestre equivalente. O estágio tem duração máxima de 02 anos. A bolsa mensal de complementação educacional é de um salário mínimo.

Ter a oportunidade de subir num palco e cantar para dezenas, centenas ou quem sabe até milhares de pessoas é o que move a história de quem está começando no universo da música. No entanto, é difícil encontrar quem dê a oportunidade de dar o primeiro passo.

Com a intenção de apoiar sonhos e incentivar talentos, o Partage Norte Shopping criou o concurso “Solte a Voz”, que busca encontrar um grande cantor escondido na multidão para mostrar o seu potencial.

Depois de centenas de inscrições, várias seletivas e uma semifinal de tirar o fôlego, nesta terça (09), a partir das 19h, a Praça de Alimentação do empreendimento receberá a grande final deste concurso que conquistou corações e mostrou que tem muita gente boa esperando a oportunidade de mostrar o seu talento.

Com apresentações que levantaram o público e conquistaram os jurados, Bruno Cruz, Ariadne Mendes, Elayne Lima, Wisla Ferreira e Allyson Lins foram os escolhidos e ficaram mais perto de realizar esse sonho.

O campeão do “Solte a Voz” ganhará um iPhone 7 e terá uma música reproduzida na rádio 96 FM; o segundo colocado, um Moto G4; e o terceiro, um LG Style.

 

Serviço:

Show de Talentos “Solte a Voz” - Final

Data: 09 de maio de 2017;

Horário: A partir das 19h;

Entrada: Gratuita;

Local: Praça de alimentação do Partage Norte Shopping Natal.



           É impossível negar o que todos constataram. No último dia 28 ocorreu no Brasil uma rebelião de sindicalistas que, mediante um sem número de ações criminosas, impediram o ir e vir dos cidadãos. Convém, a propósito, ler o disposto no Código Penal sobre crime de constrangimento ilegal:

Art. 146 - "Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, (...) a não fazer o que a lei permite, ou a fazer o que ela não manda. Pena – detenção, de três meses a um ano, ou multa". A pena se agrava quando, para a execução do crime, se reúnem mais de três pessoas.

          Ora, em muitos casos havia mais pneus queimando do que delinquentes praticando o crime de constrangimento ilegal. Mas, visivelmente, sempre eram mais de três a pôr fogo na pista, com a finalidade de impedir a população de fazer o que a lei permite. A necessidade de ostentar como adesão à greve aquilo que foi o seu inverso, ou seja, a paralisia forçada de um sem número de atividades, incluiu a reiterada prática de uma outra conduta criminosa capitulada no Código Penal:

Art. 163 - "Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia. Pena - Detenção de um a seis meses ou multa". Uma das hipóteses de agravamento da pena se refere, especificamente, ao dano causado em patrimônio público.

          Convocaram a greve geral com voz de gente grande, como expressão de uma eminente tarefa, mas se comportaram qual marmanjos incivilizados. Como pretende essa esquerda voltar ao poder se nem uma greve assim é capaz de realizar? O evento foi do esmero do planejamento à selvageria da execução. A data, escolhida a dedo na folhinha: sexta-feira, véspera de feriadão. O Brasil já estaria em slow motion natural, com milhões de brasileiros na malemolência da beira da praia, sob o sol dos trópicos. Passo seguinte, cometeram duas nítidas incongruências: 1ª)  terceirizaram, a soldo (a CUT terceirizando!), contratando ações de fechamento de rodovias, avenidas, pontes, ferrovias; e 2ª) buscaram, à base de "miguelitos" e queima de ônibus,  o objetivo principal do desastrado empreendimento - a paralisia forçada do transporte de passageiros. Tudo em nome da liberdade de manifestação. Tudo em nome do butim de R$ 2,1 bilhões referentes à contribuição sindical compulsória.

          "E o povo?", perguntará o leitor destas linhas. O povo não conseguiu chegar aos hospitais ou comparecer a consultas médicas. O povo ficou parado nos congestionamentos forçados, impedido de cumprir tarefas e honrar compromissos. O povo indignou-se com o constrangimento a que estava submetido. O povo sabia que seus detratores, nutridos com os direitos que lhe tomavam, arrotavam sucesso nos megafones.

          De toda aquela atrapalhação não se aproveitou um discurso, não surgiu uma ideia útil para as reformas, nada aconteceu que conferisse substância e força aos que as antagonizavam. O fracasso da greve geral se mede pelos milhares de vezes, Brasil afora, que o Código Penal foi violado para que a rebelião dos sindicalistas se tornasse visível.

________________________________
* Percival Puggina (72), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país. Autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia; Pombas e Gaviões; A tomada do Brasil. integrante do grupo Pensar+.

Neste sábado (22) é celebrado o Dia Mundial da Terra e o Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte, em parceria com astrônomos e pesquisadores potiguares, vai marcar a data com palestras, caminhada e observações astronômicas, a partir das 14 horas, dentro do projeto “Astronomia no Parque”. O evento é gratuito e, de acordo com os organizadores, é apartidário.

A data será celebrada com a “Marcha pela Ciência”, realizada, simultaneamente, em 500 cidades de todo o mundo (sendo 13 do Brasil) e Natal não ficará de fora. Os participantes pretendem chamar a atenção da sociedade para os cortes de investimento público na área da ciência e da tecnologia em todo o mundo e promover a aproximação entre os pesquisadores e a população. O centro do movimento será a cidade de Washington, DC, nos Estados Unidos.

Em Natal, a “Marcha pela Ciência” é organizada pelo Prof. Julio Rezende, do Departamento de Engenharia da Produção da UFRN e Diretor de Inovação da Fundação de Apoio à Pesquisa do Rio Grande do Norte (FAPERN) com o apoio do Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte (SEMURB/Prefeitura do Natal), do site Astronomia no Zênite (www.zenite.nu) e da ONG internacional “The Planetary Society” (www.planetary.org). “A ciência é um dos valores centrais da sociedade. Marcharemos pela Ciência para apoiar e salvaguardar toda nossa comunidade científica. É hora de contar com as pessoas que apoiam essa causa”, afirmou o americano Bill Nye, Diretor Executivo da Planetary Society.

O Dia Mundial da Terra foi criado pelo ativista ambiental e senador americano Gaylord Nelson, um dos principais precursores da luta pela preservação do meio ambiente na política dos Estados Unidos. Ele foi um dos organizadores da manifestação sobre o tema que aconteceu em 22 de abril de 1970 e entrou para a história dos movimentos ecológicos. Porém, a data só foi criada pela ONU em 2009.

A programação completa contará com atividades na UFRN no período da manhã e um ciclo de palestras a partir das 14h no auditório do Parque da Cidade. A Marcha acontecerá a partir das 16:30 na trilha do Sistema Solar do Parque da Cidade. O evento encerrará com a observação do céu por meio do telescópio, montado na Praça de Eventos.

PROGRAMAÇÃO

14h – Abertura: “Astronomia no Parque Especial: a Marcha da Ciência e o Dia da Terra”

14h10 – Palestra “O Dia da Terra e as inovações em práticas de sustentabilidade”, com o Prof. Júlio Rezende (Engenharia da Produção, UFRN).

14h40 – Palestra “Implicações Jurídico-Ambientais da Revisão do Plano Diretor de Natal: Propostas, Desafios e Instrumentos", com o Prof. Carlos Sérgio Gurgel da Silva.

15h30 – Palestra "Green Schools como sistema integrado de avaliação da sustentabilidade construtivo-arquitetônica em projetos de instituições de ensino localizadas no litoral do nordeste brasileiro", com Fernanda Azevedo.

16h30 – Marcha pela Ciência, na trilha do Sistema Solar do Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte.

17h15 – Observação do céu com telescópio.

Era preciso encontrar um assunto. Depois de meses em busca de algo mais concreto do que eventuais bicos, havia conseguido enfim uma bela posição no principal jornal da cidade. Além de coordenador da seção de esportes, era também responsável por uma coluna diária de crônicas.

O começo tinha sido muito animador e produzira vários textos muito bons na opinião dos colegas, dos leitores e das suas admiradoras, a sua mãe e a sua esposa. Lembrava ainda que, na empolgação inicial, conseguira criar um verdadeiro seguro contra possíveis imprevistos, escrevendo algumas crônicas além da obrigação diária. Em alguns dias especialmente produtivos, tinha escrito entre três e quatro matérias. Assim, a menos que algum assunto especial demandasse um comentário, podia tranquilamente procurar no seu estoque algum material, todas as vezes que houvesse deserção por parte da sua inspiração, em geral presente aos encontros marcados. Aos poucos, a situação passou a se inverter, dias estéreis alternavam-se com dias produtivos, e as reservas minguaram, tragadas pela necessidade da publicação diária da coluna, confrontada com uma produção que de fecunda estava passando a irregular.

De confortável, a situação havia se tornado crítica naquela quinta-feira.

Era preciso conseguir a qualquer custo honrar o seu compromisso, e não tinha a mais remota ideia do que seria a crônica que estaria sendo impressa dentro de algumas horas.

Restava-lhe muito pouco tempo, e estava aterrorizado com a perspectiva de, pela primeira vez, falhar no compromisso. Eles não iriam republicar uma crônica antiga, não havia a menor chance de que isso acontecesse. Provavelmente dentro de menos de uma hora, a página seria rediagramada, sem a sua coluna, apareceria uma observação do tipo “por motivos de força maior, hoje deixamos de publicar a coluna Caleidoscópio”.

Imaginava as explicações que teria de dar, e sentia-se como um colegial em falta.

Estava no canto da sala transformado em escritório, remexendo-se sem parar na sua cadeira, em frente à mesa, com o microcomputador ligado, uma pilha de revistas juncando o chão em sua volta, o cinzeiro cheio de tocos de cigarro, um copo de uísque no qual nadavam cubos de gelo em adiantado estado de decomposição, e de lá lançava um olhar suplicante ao teto, em busca de alguma ajuda.

Para variar, o teto pouco contribuiu, além de insi¬nuar estar necessitando de algum trato.

Precisaria de um produto que limpasse “mais branco”, pois agora o teto estava “menos branco”, estava cinza, cinza como o céu no poema de Verlaine, só não caíam pingos de chuva no seu coração como caíam na cidade.

As crianças já deviam estar dormindo. A esposa estava no quarto de onde vinha o murmúrio confuso de um programa de televisão.

Aquilo era irritante. Havia pedido tantas vezes que o volume da televisão fosse deixado alto o suficiente para poder acompanhar as falas, ou baixo a ponto de não perturbar. Aquele burburinho somente servia para aguçar-lhe a curiosidade, tirando completa¬mente sua concentração.

Procurou a garrafa térmica em cima da pequena bandeja, apanhou uma xícara e colocou café para rebater o torpor causado pelo uísque. O espetáculo da mesa de trabalho nada tinha de animador. Reinava a mais completa desordem: a bandeja de café, recoberta com fórmica, com uma parte enegrecida devido a uma desastrada proximidade com a chama do fogão, o cin¬zeiro repleto, o bloco de anotações aberto, o copo cheio de lápis e canetas Bic, na sua maioria sem tampinha protetora, alguns disquetes, evadidos sabe-se lá como de uma das caixas que compunham uma pirâmide quase asteca, a indefectível foto de família numa moldura provida de um vidro protetor. No espaço entre o vidro e a moldura, uma foto três por quatro do filho mais velho, para a renovação da car¬teira do clube, e uma conta de luz a pagar. Uma agenda, da qual emergiam papeluchos com pequenas anotações, aberta e virada com a capa para cima e, finalmente, a pequena impressora, esperando pacien¬temente que seus préstimos fossem solicitados.

Levantou-se e deu alguns passos pela sala. Somente a mesa recebia o facho de luz de uma lumi¬nária embutida no teto, o resto do ambiente estava mergulhado numa penumbra discreta.

Sentou-se numa poltrona e fitou o cone de luz no qual notava a subida de uma coluna de fumaça que um cigarro mal apagado lançava ao ar. Com os pés em cima da mesinha de centro, continuou imóvel, mastigando a extremidade de um lápis que, através deste processo, estava começando a se parecer com um pincel. Lembrou-se de broncas passadas por ter ficado com os pés em cima da mesa, desfez-se dos sapatos com movimentos tão bruscos que foram parar no meio da sala. Precisaria tomar cuidado, ao ir dormir, para não tropeçar neles e se esborrachar. Mas isto era uma preocupação para o “depois”. Imaginou por um momento o tropeção, o estalo da cabeça chocando-se com a quina do pequeno baú, o desmaio, o ruído da sirene da ambulância, pessoas atarefadas ao seu redor, tentando reanimá-lo.

– É grave, doutor? – a voz preocupada da esposa, misturando-se ao choro das crianças.

– Não sabemos ainda, será necessário um período de observação, uma tomografia, uma radiografia, uma ressonância magnética. Tem de ser internado imediatamente. Vocês têm um plano de seguro saúde? Qual? Ah, este não cobre a totalidade dos exames. É o Completo Júnior, mas só o Absoluto Estrela cobre todos os exames. Estou apenas alertando, porque no hospital poderá haver dificuldades.

– Mas como? Sempre nos foi dito que a cobertura era completa, vamos aos jornais, ao rádio, à televisão, ao Procon, ao Ministro. Para que seguro, então?

– Vamos tentar salvá-lo primeiro, minha senhora. Ele perdeu muito sangue.

– Justo no carpete novo...

– Não se preocupe – era a vizinha do andar de cima – tenho um produto que remove todas as manchas, posso lhe ceder, e depois, quando tiver tempo, venha participar de uma reunião do nosso grupo que distribui o produto. Além de ter a casa limpa, poderá ainda alcançar o conforto material. É a solução, dizia, apontando para um pequeno distintivo espetado na lapela de um paletó, colocado por cima do pijama, na pressa de acudir. Presumivelmente, o paletó do marido.

– Deixe a pregação para depois, veio a voz abafada do marido.

– Está chovendo lá fora...

Carregado na maca, o elevador, os curiosos em volta da ambulância e a sensação refrescante da chuva no seu rosto.

– Abre, sai da frente, deixem passar!

A saída em disparada. Pelo vidrinho da porta traseira, via a esposa correndo atrás da ambulância. Parecia filme italiano dos anos sessenta, faltavam os gritos “Il mio marito!!!”

O hospital, os médicos mascarados, a maca deslizando pelo corredor.

Sacudiu a cabeça. Estava divagando. Não tinha acontecido tombo algum. E o melhor de tudo havia encontrado. Heureca! Não teve de sair da banheira correndo, qual Arquimedes. Bastou dirigir-se para a mesa, tomando cuidado para não tropeçar em algum pérfido sapato.

Começou a escrever febrilmente.

Tropeçou, ouviu-se o estalo da cabeça chocando-se com a quina do pequeno baú...

 

Alexandru Solomon, empresário, escritor. Formado pelo ITA em Engenharia Eletrônica e mestrado em Finanças na Fundação Getúlio Vargas, autor de ´Almanaque Anacrônico`, ´Versos Anacrônicos`, ´Apetite Famélico`, ´Mãos Outonais`, ´Sessão da Tarde`, ´Desespero Provisório` , ´Não basta sonhar`, ´Um Triângulo de Bermudas`, ´O Desmonte de Vênus` ´Plataforma G` (Ed. Totalidade), ´Bucareste`, ´A luta continua` e ´A Volta´ (Ed. Letraviva). Livrarias: Saraiva (www.livrariasaraiva.com.br), Cultura (www.livrariacultura.com.br), Loyola (www.livrarialoyola.com.br), Letraviva (www.letraviva.com.br). | E-mail do autor: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Subcategorias

Percival Puggina (70), membro da Academia Rio-Grandense de Letras, é arquiteto, empresário e escritor e titular do site www.puggina.org, colunista de Zero Hora e de dezenas de jornais e sites no país, autor de Crônicas contra o totalitarismo; Cuba, a tragédia da utopia e Pombas e Gaviões, integrante do grupo Pensar+

descricao descricao descricao

Heriberto Gadê, funcionário aposentado do BB, consultor administrativo/financeiro de empresas e cronista. Blog: heribertogade.blogspot.com/



Twitter