arquivo oceânica

 

Há mais de dois meses, o óleo tomou grande parte da costa do nordeste. Dados do IBAMA apontam para 233 locais atingidos, entre praias e rios, e 88 municípios. O Rio Grande do Norte é o estado mais afetado até então com registro em 18 localidades. Através do aplicativo Mar Limpo, desenvolvido pela Oceânica, quem acompanha a situação das praias do estado pode colaborar diretamente para monitoramento em tempo real do que chega ao nosso litoral. 

Em fase de teste e divulgação o aplicativo se apresenta como uma tecnologia importante para o  monitoramento “O app Mar Limpo é uma plataforma colaborativa entre usuários, empresários e setor público que impulsiona a geração de informações de forma ampla, em larga escala, com segurança e a baixo custo, capaz de gerar alertas de impactos ambientais e desastres iminentes, como a recente aparição de óleo nas praias do nordeste”, revela Mauro Lima, coordenador do Projeto Mar Limpo que esse ano contou com apoio do Instituto MRV através do programa Educar para Transformar.

O aplicativo já está disponível nas plataformas digitais Play Store e na App Store. A ideia é que as pessoas possam cadastrar os resíduos, que encontram nas praias e contribuir gerando dados para pesquisa e um alerta para a gestão pública. “Em relação ao óleo, o app sistematiza as informações com foto, data, localização e quantidade de manchas. No título ou comentário, o usuário pode especificar mais detalhes, como o tamanho médio das manchas, alguma referência do lugar, origem do resíduo, fabricantes, por exemplo. Quando muitas pessoas usam em diversos lugares e colaboram com o monitoramento, fica mais rápido gerar a informação, o esforço compartilhado diminui  para cada um, o custo é muito menor para gerar informação, ampla área de abrangência e os resultados chegam aos gestores mais rápido do que os métodos convencionais”, comenta Mauro Lima.

Além disso, o app também é um game comercial, o usuário somará pontos que serão transformados em descontos nos empreendimentos do litoral que colaboram com a iniciativa e se preocupam com a sustentabilidade do nosso litoral. “O envolvimento das empresas são muito importantes para a continuidade do projeto, seja através do apoio financeiro ou de permutas de serviços. Além da visibilidade dentro do aplicativo a marca da  empresa que atua com responsabilidade socioambiental tem um retorno muito positivo, principalmente por Natal ser uma cidade turística.” explica Mauro. 

 

Óleo à vista  

No Rio Grande do Norte  a praia mais atingida até então foi Barra de Tabatinga. Em apenas um dia foi coletado meia tonelada de petróleo cru. Para diminuir os impactos frente ao desastre socioambiental relacionado ao derramamento de óleo no mar, foi criado no Estado, um Comitê Central de Gerenciamento Estadual da Crise com representantes de Organizações da Sociedade Civil, Defesa Civil, IBAMA, IDEMA, Comitês de Bacia, Subsecretaria da Pesca, Marinha e Ministério Público. 

No momento estão sendo realizadas ações integradas de educação ambiental, operações de limpeza nos municípios atingidos, recrutamento e capacitação de voluntários. “O aplicativo Mar Limpo, será incluído pelo IDEMA como um ferramenta de auxílio do monitoramento de óleo nas praias do estado’’, explica Mauro Lima. 

 

Biodiversidade em perigo

A fauna marinha também está sendo bastante atingida pela poluição do petróleo cru. Para alertar a população sobre o material que chega a praia foi elaborado por organizações ambientais e o IDEMA um material educativo com os procedimentos que devem ser tomados ao entrar em contato com o óleo ou se tiver conhecimento de um animal contaminado. Caso encontre algum animal na praia recomenda-se protegê-lo do sol e ligar imediatamente para o Projeto Cetáceos da Costa Branca - PCCB, única instituição responsável pelo resgate de animais marinhos no litoral do RN. “Durante a espera do resgate é importante também fazer o registro no aplicativo Mar Limpo. O registro dos animais,irá contribuir para o banco de dados sobre os encalhes no nosso litoral e para contactarmos as instituições responsáveis pelo recolhimento destes animais.” informa Jéssica Paiva, ecóloga do projeto Mar Limpo.